História O rei e a raposa - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Fantasia, Romance
Visualizações 8
Palavras 3.694
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural
Avisos: Álcool, Cross-dresser, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá, pessoas. Faz muito tempo não é mesmo? Para alguém que havia prometido postar uma vez por semana é. Eu não tenho desculpa. Subestimei o quanto de tempo demora para escrever um capítulo. Mas paremos de enrolar (porque eu já fiz isso por quase um mês). Espero que gostem do capítulo.

(/0v0)/ *,.*# " *-;;.´´´-*#¨
Purpurina para todos.

Capítulo 6 - Não feitos para voar


 Conrad vivia cabisbaixo, desde que Irma havia ido embora do palácio. Parecia frio, não, aquele lugar sempre tinha sido assim, mas quando sua irmã mais nova estava lá parecia que ainda existia uma luz, um certo calor ―  que havia sido muito maior― que mesmo longe ainda aquecia sua alma. O palácio era gelado sempre havia sido gelado e deveria ter permanecido assim, endurecido seu coração, mas não havia sido isso que ocorrera. Eram tantas memorias. Será que elas poderiam manter seu coração quente, longe da frieza dos leões? Mesmo assim Conrad decidiu tentar esquecer, mas aquilo parecia impossível. O príncipe sempre se pegava olhando para os cantos do palácio e se lembrando de seus tempos com suas duas irmãs, tempos e vozes que nunca mais voltariam.

 

 Conrad tinha feito quatorze anos quando Irma entrou no palácio, ele apenas a via ocasionalmente, ela parecia uma criança muito quieta, e triste também, na sua opinião, mas ele não tinha como descobrir, a menina de 9 anos vivia cercada por instrutores de etiqueta que estavam sempre em constante mudança talvez por conta de não darem conta daquela criança selvagem. Nem mesmo sua irmã mais velha, Athena, que possuía um certo interesse em conhecer sua meia irmã, tinha conseguido falar com a pequena linconiana.     

 O segundo príncipe vivia seus dias de maneira calma, como ele não era o príncipe que herdaria do trono, não recebia tanta atenção, apesar de sempre estar acompanhado de seus “amigos”, filhos de nobres que tentavam lhe fazer companhia pensando no futuro. Conrad sabia que não podia ignora-los sem receber um sermão de seu instrutor de luta, já que na visão dele era necessário que o menino vivesse com seus iguais para poder se tornar um homem, aquilo significava que Conrad precisava ser um garoto que um dia seria um homem, e como tal, ele deveria saber lutar, mesmo que ele abominasse lutas e preferisse mil vezes estar com Athena na biblioteca lendo livros de medicina, que em sua opinião eram muito mais úteis do que gastar o tempo se machucando desnecessariamente.

 Era mais um dia quente de verão e Conrad estava observando seus “amigos” lutando, sem se envolver em nada. Ele ficava pensando como eles podiam não se cansar fazendo a mesma coisa todos os dias. Cada um dos meninos desferia socos e chutes que podiam realmente ferir ao outro, mas aquilo tudo era apenas uma brincadeira de menino, nada para se preocupar. Quando um dos garotos que lutava caiu no chão, se sujando de lama, o vitorioso ergueu os braços para o céu, se enaltecendo. A plateia de jovens começou a se perguntar quem seria o próximo, não demorou muito para que todos olhassem para o príncipe que quase nunca participava da brincadeira. Apesar de Conrad tentar ignorar os apelos dos jovens, ele cedeu, foi para o meio da roda para enfrentar seu oponente. O príncipe sabia que não era bom lutador.  Ele no final de tudo era bem diferente do seu irmão mais velho, no qual era sempre posto como um ponto de referência, que parecia inalcançável, mesmo o príncipe herdeiro estando bem longe da capital e de seu irmão, aquilo não impedia as comparações.

 Conrad ficou de frente com Oscar Dasalma que tinha duas vezes seu tamanho apesar de certamente ser mais novo do que ele. O menino era muito grande e forte, mas era igualmente lerdo, não sendo difícil para o príncipe esquivar, isso é claro não agradava os espectadores, eles queriam uma luta não uma dança. Os jovens que estavam na roda começaram a dar sugestões, clamavam por soco e por chutes, hematomas e feridas. O que eles clamariam no futuro? Conrad não conseguia imaginar. Enquanto perdido em seus devaneios, o jovem príncipe foi acertado diretamente no olho. A dor não foi imediata, mas o soco que Conrad deu no rosto do outro menino foi, involuntário. Assim que como seu oponente caiu também caiu o arrependimento em Conrad.

 ― Você está bem? – Perguntou sem rodeios, vendo se onde sua mão havia batido tinha machucado muito o jovem mestre Dasalma.

 Assim como o jovem príncipe havia sido rápido para socorrer o outro menino, Oscar o jogou no chão e começou a chuta-lo no estomago, os outros garotos não tinham coragem de interferir. A casa dos Dasalma era conhecida não apenas pela sua crueldade, mas também seu poder, em Leona ninguém além da família imperial lhes sobrepujava. Se os leões não podiam controlar as hienas então o que fariam os outros animais mais fracos?

 Irma caminhava pelos corredores externos do palácio tentando despistar seus cuidadores quando viu toda a comoção, a princípio imaginou que eram duelos assim como os adultos faziam em Licans, ela foi se aproximando vagarosamente e tendo uma lembrança nostálgica de sua casa. Não durou muito tempo até perceber que estava enganada, a luta já tinha acabado mais o vencedor continuava a bater no menino que estava no chão, nada honrado. A pequena linconiana não pensou duas vezes pegou um pouco de terra do chão e foi se esgueirando entre o círculo de meninos. Quando se aproximou o suficiente jogou a terra na cara de Oscar que saiu de cima do príncipe, antes do agressor recuperar-se, Irma lhe deu um chute bem no meio do tórax. O menino, já atordoado, caiu, batendo com o queixo em uma pedra. Uma ferida se abriu, profunda suficiente para lhe deixar uma cicatriz para o resto da vida. 

 Irma esperou pelas palmas por ter derrotado o “gigante cruel”, porém o que veio a seguir foram um bando de risadas, não para Irma, pra Oscar. Os meninos riam sobre como um cara tão bem treinado e grande como Oscar tinha perdido para uma menininha como aquela. Antes que Irma pudesse se tornar um animal de circo aos olhos dos jovens mestres, ela saiu correndo dali. Conrad foi atrás dela.

 Sem direção os dois foram caminhando, Irma caminhava sem direção e Conrad apenas a seguia. Eles andaram até adentraram no labirinto e por algum motivo mesmo com a pequena Irma andando com as mãos quase tampando completamente a visão, ela parecia saber o caminho. Conrad começou a reconhecer o lugar, era o jardim escondido dentro do labirinto, ele sempre via das janelas da biblioteca e de seu quarto, mas toda vez que tentava chegar nele acabava se perdendo nos corredores do labirinto. Quando a linconiana finalmente resolveu descansar do lado das plantas que haviam crescido em demasia, o jovem príncipe apenas se sentou do seu lado. Eles não trocaram uma palavra e ao contrário do que esperava o príncipe, Irma não deixou uma lagrima cair, mesmo seus olhos estando avermelhados e fungar o nariz ocasionalmente. Eles ficaram daquele jeito por um bastante tempo, porém foi mais por falta de capacidade dos dois de iniciar uma conversa, com irmão que nunca tinham trocado uma miséria palavra.

 ― Muito obrigada. – Disse Conrad sem olhar diretamente para sua irmã mais nova, que mirava sem entender direito. – Se não fosse por você, eu provavelmente estaria com dois olhos roxos. – Disse enquanto virava revelando o olho inchado.

 Irma ficou por um momento sem palavras.

 ―Como eles podiam estar fazendo aquilo? Mesmo o mais fraco dos lutadores deveria saber que quando o oponente cair, deve parar o duelo imediatamente. – Irma disse isso com tanta determinação que Conrad começou a rir.

 ―Meu nome é Conrad.

 ―Eu sei disso. Meu nome é Irma. – Disse toda orgulhosa de si mesma.

 ―Também já sabia do seu nome. – Falou enquanto bagunçava o cabelo da mais nova.

 ―Se o irmão Conrad não parar de desarrumar meu cabelo, eu nunca mais vou protege-lo daquele menino violento.

 ―Eu não preciso da proteção de um botão como você. – Ele estava meio vermelho pelo fato de ter sido chamado de irmão, sua felicidade foi momentânea, Irma deu um soco em seu estomago.

 ― Eu sou pequena, mas sou muito mais forte que você. – Tentou escapar da ira de seu irmão mais velho.    

 Por algum motivo Conrad sentiu que ele tinha algo a proteger mesmo que seu irmão mais velho tivesse um império, ele teria alguém a proteger.

 

 

 - Vocês poderiam diminuir um pouco o passo, não é mesmo? Não te deixei segurar um objeto de pesquisa para você sair correndo, Irma. – Athena estava reclamando com seus amados dois irmãos mais novos que aparentemente tinham resolvido começar uma corrida enquanto ela tinha que direcionar o cavalo que carregava uma cesta de piquenique, o estojo de primeiros socorros de Conrad e a lança de Irma, que na época não tinha lamina, não esquecendo o item mais importante de tudo aquilo, seu caderno de anotações ou como ela preferia chama-lo Livro do conhecimento.     

 ― Isso? Para mim parece uma pipa com forma de borboleta. – Disse balançando o item para cima enquanto parava ofegante de correr, fazendo com que as asas da falsa borboleta batessem.

 ― Aí que você se engana minha irmã caçula, isto que você está segurando em suas mãos é o futuro de toda a humanidade, um protótipo. Um dia graças a essa “pipa”, as pessoas voaram como borboletas. – Seus olhos não mentiam, Athena acreditava em cada palavra que dizia.

 ― Como aquela libélula do mês passado? – Disse Conrad que estava voltando de costa já que sua concorrente, com quem ele havia apostado uma corrida, havia parado no meio do caminho. Uma disputa ganha no meio afinal não tinha graça.

 ― Aquele foi um erro pontual. Dessa vez eu não irei errar.

Os irmãos andavam pelo bosque que existia ao redor do castelo, era uma trilha bem movimentada e o principal ponto para suas escapadas de casa, algo que os três faziam com frequência. Mesmo com todas as barreiras os separando, os três nunca desistiam. Portas trancadas, guardas ou instrutores chatos não eram pareôs para aqueles jovens. Irma apesar de ser a mais jovem era a estrategista das fugas, porém era claro que ela não era perfeita, sempre ficavam algumas pontas soltas em seus planos que eram resolvidas pela mente engenhosa de Athena, a jovem de 22 anos era infantil, mas ninguém podia superar sua capacidade de inventar e seu pensamento rápido, Conrad era, é claro, o bom senso do trio, ele que impedia coisas como testes de asas para humanos de torres com quase 7 metros ocorressem, além de tratar das feridas das suas irmãs, que não eram poucas.

O trio estava tendo uma discussão acalorada sobre como eles deveriam ser tratados como uma irmandade, afinal eram duas irmãs e um irmão, ou como uma fraternidade, já que na gramatica o gênero masculino sobrepuja o feminino. Eles não pararam até chegarem em uma clareira cheia de flores silvestres. Era ali que eles fariam os testes do novo experimento de Athena.

Irma arrumava toda a comida roubada da cozinha na toalha, também surrupiada, da capela que existia no castelo, Conrad já se preparava para se algo desce errado enquanto Athena tentava descobrir a direção do vento. Quando cada um deles acabaram de organizar suas coisas se juntaram sobre a toalha estendida no chão. Aquela refeição não era realmente digna da família imperial, mas era certamente melhor do que grande parcela da população de Leona tinha. Enquanto todos comiam, alguns mais civilizados do que outros, Conrad disse:

 ― Como a brisa está agradável agora. – Sem pensar muito no que disse.

 ― Brisa? – Athena parecia aflita.

 ― Sim, você não acha? Ultimamente tem sempre chovido ou ventado forte... – Naquele momento Conrad notou o peso de suas palavras. Athena tinha projetado aquela maldita borboleta de papel durante todo um mês, mas agora não poderia testa-la por conta de uma “brisa agradável”?! – Athena, nós podemos vir aqui próxima semana ou amanhã mesmo se você quiser. – Tentou acalmar Athena que esfregava as mãos furiosamente no vestido, olhando para baixo.

 ― Irma, pega o carretel! – A irmã caçula estava tão concentrada em limpar o osso da coxa do frango que se assustou ao ouvir o comando da sua irmã furiosa.

 ― Mas eu estou comendo, irmã. – Disse com a boca quase cheia.  

 ― Isso não impediu quando você quebrou minha coleção de essências de flores raras do deserto mês passado. Por um acaso você achou que eu não iria reparar se você colocasse um pouco de água para disfarçar o desastre? – Irma não sabia o motivo, mas aquelas palavras realmente a convenceram.

 ―O que eu devo fazer? – Perguntou Irma já com o carretel na mão.

― Está vendo aquela árvore no final da clareira? Suba nela e segura o projeto de artrópode voador o mais alto possível até que eu peça para soltar. ―Irma apenas concordou com a cabeça e foi correndo para a árvore.

― Athena, você não acha que está sendo um pouco afobada demais? – Bastou apenas um olhar da irmã mais velha para que Conrad mudasse seu discurso. ― Eu vou ajudar, vou pegar a linha e assegurar para que ela não fique presa em nada.

Quando Irma finalmente subiu na árvore, ela pode ver a cidade que não era visitada por ela a anos, na verdade ela não havia saído muito dos perímetros do palácio, desde que havia entrado quando era mais nova. Athena foi se afastando com o carretel na mão, ela o prendeu em um pedaço de madeira caído e foi até onde as coisas que eles haviam trazido estavam. De uma cesta ela tirou um pequeno frasco com líquido azul escuro e o colocou no bolso, que ficava amarrado no vestido, enquanto voltava para seu posto.

 ― Nós vamos ter que ficar segurando isso até anoitecer? – Disse Conrad que segurava a linha no meio do mato alto.

 ― Você poderia ser apenas um pouco paciente. Não é como se seus braços fossem cair. – Athena já tinha o carretel na mão. ―Irma, vamos lá maninha, pode soltar. – Gritou para ter certeza de que sua irmã mais nova escutaria.

 Irma confirmou com a cabeça, segurou a borboleta com as duas mãos. Aquilo estava dando calafrios na jovem, seria uma bela queda caso ela escorregasse. A linconiana jogou a falsa borboleta para os céus, assim que ela ficou com as mãos livres do objeto voltou a segurar na árvore com toda força.

 Athena viu sua criação lançar voo, um grande sorriso vitorioso abriu em seu rosto revelando os dentes da frente separados. Os mais novos também sorriram, parabenizaram Athena de todas as maneiras possíveis. Mas a gloria não durou muito, a borboleta havia realmente batido as asas, apenas uma dúzia de vezes no máximo até cair no chão. Os irmãos praguejaram, talvez suas palavras trouxessem o experimento de volta para os céus, em vão. Eles tentaram outras vezes, infelizmente com os mesmos resultados.

Conrad olhou para sua irmã mais velha com uma cara impaciente, para um dia com uma brisa agradável o céu estava começando a ficar muito cinza. A inventora estava agradecida com a mudança de tempo, mas não haveria mais tempo para testes, ela precisava ir logo para a prática. Com o frasco na mão, ela foi até Irma.

 ― Maninha, eu vou te dar esta solução. Você deve jogar um pouco no experimento. Só não deixe cair na sua pele, pode ser corrosivo. – Disse jogando o vidrinho nas mãos da caçula, que para não deixar o frasco cair quase deixou a si mesma cair.

 Conrad se mostrou obviamente desaprovação contra o comportamento da mais velha. Athena era geralmente a que tinha a última palavra no trio, porém ela sabia que havia errado daquela vez.  Apesar da reação de Conrad, Irma não tinha ficou com raiva. Eles voltaram a se posicionar para o último teste, mesmo que não chovesse o vento seria forte e ainda havia o perigo dos raios que eram muito comuns naquela região. Irma fez conforme as instruções da irmã, com o máximo de cuidado para não deixar cair nas mãos, soltando novamente o experimento.

Para a surpresa de todos, o falso inseto realmente voou, e até batia as asas de papel. Dessa vez o objeto permaneceu no voando de maneira constante, sem dar sinais de queda.

― Sua feiticeira! Como você fez isso? – Os dois mais novos disseram em um quase uníssono.

― Irmã, não se preocupe. Nós não contaremos isso para ninguém. Não quero ver você sendo presa pela inquisição. Não é mesmo, Conrad? – Irma disse aquilo com tanta preocupação que Athena ficou até mesmo um pouco enrubescida.

 ― Nem pensar, não quero ter nada com uma bruxa que faz insetos falsos voarem. – Conrad já estava se escondendo atrás de uma pedra no meio do mato.

 ― Seu tolo, isso é ciência, não magia. – Athena disse na defensiva. – Uma criação minha. Nada mais além do meu intelecto em forma de solução.

 ― Mas afinal como seu intelecto criou tal coisa? – Disse incrédulo apontando para as mãos de Irma que ainda segurava o frasco.

 ― Eu não sei, na verdade foi um acidente. Aconteceu enquanto eu estava dormindo. – Terminou dando uma risada nervosa.

Antes que alguém pudesse falar algo sobre o acidente genial, um relâmpago iluminou o céu, cegando e ensurdecendo os irmãos. Todos tentaram se proteger, cobrindo os ouvidos. Athena acabou deixando o carretel cair. Mas seus sentidos foram bombardeados novamente, outro clarão no céu chuvoso, dessa vez não foi apenas um susto, o protótipo tinha sido acertado e pegava fogo, se tornando cinzas enquanto caia. O acidente com a borboleta foi apenas algo secundário para os dois mais velhos, logo que eles se recuperaram notaram que Irma não estava em cima do galho da árvore. O relâmpago havia feito a mais nova se desequilibrar, mas com toda a sorte do mundo ela conseguiu se segurar, o que diminuiu a queda, porém não a fez menos dolorosa.

Conrad correu para pegar a caixa de primeiros socorros enquanto Athena assistia a irmã mais nova. Irma contorcia o rosto de dor, mesmo assim não derramou uma lagrima. A mais velha levantou as anáguas do vestido para verificar nos estragos que a queda podia ter feito nas pernas da pequena. Para alivio das duas, os ferimentos tinham sido apenas aranhões, porém eles estavam cobrindo praticamente os joelhos todos de Irma e parte das pernas, além das mãos que haviam sido usadas para amortecer a queda. Quando Conrad chegou com a maleta de medicamentos, Athena já respirava mais aliviada. Conrad pegou seu gel de babosa para passar na série de feridas da mais nova.

― Isso vai arder! Prefiro que as feridas cicatrizem naturalmente! – Irma disse cobrindo as pernas feridas.

― Pare de reclamar botão! Você se machucou feio dessa vez, eu não quero que isso infeccione e aposto que nem você quer. Então me deixe cuidar disso! – Conrad podia ser deixado levado pela vontade das irmãs na maioria das vezes, mas quando se tratava do bem-estar delas ele certamente não iria ficar quieto.

Irma permaneceu mais um tempo encarando o irmão com olhar de protesto. No final ela acabou cedendo. Depois que Conrad passou o remédio nas pernas machucadas, ele cuidou das feridas nas mãos. O trio achou melhor terminar o dia por ali mesmo. Athena e Conrad arrumaram as coisas, deixando Irma observando. As ataduras que Conrad havia preparado não tinham sido suficientes, deixando parte das feridas desprotegidas, ele sabia caso Irma se movesse muito ela começaria a coçar os machucados e isso só os pioraria.

Irma segurava o que tinha sobrado da pipa de borboleta quando os seus irmãos vieram ajudá-la a subir no cavalo. O caminho de volta foi quieto, Conrad e Athena andavam também de forma vagarosa. A mais nova apenas ficou olhando as costas de seus irmãos. Eles eram muito parecidos, afinal eram filhos da mesma mãe. Os dois tinham os cabelos crespos, Athena o tinha preso em uma traça muito bem-feita e Conrad tinha um corte curto, eram também bem mais altos do que ela, era engraçado notar que eles tinham uma escada de idade e altura. Irma se sentia protegida mesmo não estando dentro de um palácio cheio de guardas ou com muros massivos, ela se sentiu tão segura que acabou dormindo daquele jeito mesmo.

A menina só acordou horas depois, ela estava na cama de seu quarto quando uma camareira bateu na porta de maneira afobada.

― Senhorita, você precisa se arrumar. Esta noite é especial, você finalmente vai conhecer o seu irmão mais velho. – A camareira já estava preparando as melhores roupas para aquela ocasião.

― Mas eu já conheço meu irmão. Eu estava com ele hoje. – A linconiana estava ainda meio acordada.

― Eu quis disser o seu outro irmão mais velho, o príncipe Lionel. Eu tenho certeza que você não estava com ele durante o dia pois ele acabou de chegar no palácio depois de anos fora. – Ela dizia tentando tirar uma pequena mancha do vestido, que aquela criança travessa deveria ter feito, enquanto falava com um riso discreto.

Não demorou muito para Irma se arrumar apesar que ela teve de ter extra cuidado para não encostar nas feridas que agora tinham sido completamente enfaixadas. Ainda relampeava do lado de fora quando a menina saiu do quarto, ela foi devagar para o salão. Chovia muito forte, algumas vezes ela acelerava o passo na frente das janelas por ter medo de serem quebradas pelo vento. Na frente das portas enormes que davam para o salão, Athena e Conrad lhe esperavam com um sorriso no rosto. Conrad bagunçou o cabelo da mais nova e teve um beliscão como resposta. Athena disse algo sobre suas novas ideias para experimentos. Todos sorriam quando os mais velhos abriram as portas. Um relâmpago iluminou de maneira sinistra o corredor, porém não foi acompanhado pelo som de um trovão. Assustando novamente os irmãos que riram. Haviam sido três em apenas um dia. Irma atrás de seus irmãos entrou no salão, na sua espinha um frio e medo percorreram, mas não havia sido outro relâmpago. Foi naquele momento que seus dias felizes com seus irmãos mais velhos havia acabado. Quando eles tocaram na porta já havia tudo desmoronado.

Então se ouviu o trovão.

 Irma acordou mareada, com náuseas e com sensação de que tinha tido um pesadelo horrível. Ou havia sido uma lembrança? Ela não sabia, mas mesmo com sensação amarga do pesadelo seu coração estava de certo modo aquecido. A linconiana saiu da cabine enquanto tentava se lembrar do que era seu sonho.


Notas Finais


Vamos nos despedir do Conrad por um bom tempo. Vou tentar escrever rápido dessa vez mas não prometo postar na próximo semana (sem mais promessas de capítulos semanais). Bem vejo você em alguma quinta qualquer, é o dia que escolhi para postar. Deixem um comentário ou sinal de vida.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...