História O relógio da morte. - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Lemon, One-shot, Original, Yaoi
Exibições 295
Palavras 4.859
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Está história renderia uma série, mas já estou trabalhando em muitos projetos, incluído histórias novas. Espero que gostem dessa história de um único capítulo e quem sabe eu possa trazer mais disso.

Sem mais delongas... boa leitura.

Capítulo 1 - Liberdade.


Deitei-me sobre a cama redonda com lençóis de seda vermelha, apoiando a minha cabeça sobre os meus braços cruzados na nuca, minhas pernas estavam cruzadas e bem esticadas sobre o confortável colchão. Desse jeito eu parecia a imagem perfeita do relaxamento, exceto pelo maldito terno e os sapatos sociais que me deixavam desconfortável... Droga! A minha gravata estava me estrangulando.

Hoje o dia fora extremamente cansativo e estressante no meu trabalho. Tive clientes exigentes e insuportáveis. Nada estava bom o bastante pra eles, e por causa disso eu quase fiquei até mais tarde no escritório refazendo o projeto.

Mas agora eu estava em um motel luxuoso, cheio de regalias e presentinhos um tanto quanto indecentes. Esse era meu motel favorito, eu podia entrar e sair sem que ninguém me visse, eles prometiam sigilo máximo aos clientes.

Deixei meus olhos vagarem pelo lugar com temática de pura luxuria. Tudo era vermelho, as cortinas, os lençóis de seda, os tapetes. Tinha espelhos no teto e champanhe em um balde com gelo. Banheira de hidromassagem e uma televisão com estoque de vídeos pornôs para todos os gostos. Isso tudo era um pouco exagerado para transar com um prostituto, mas eu gostava disso.

Meus olhos finalmente pararam sobre ele, o meu adorado prostituto, ele estava nos pés da cama, me olhando com desejo.

O chamei com dedo e mordi o lábio, ele subiu na cama e engatinhou de modo manhoso até ficar amontado sobre a minha cintura.

—Você está se tornando o meu melhor cliente. — Ele gemeu gostoso ao sentar sobre a minha cintura e rebolar, causando atrito delicioso dentro de nossas calças.

—Acho que você está gastando todo o seu salário comigo... Qual é? Você não come não? — Ele debochou com um sorriso manhoso enquanto desabotoava a minha camisa e afrouxava a minha maldita gravata.

—Eu como sim... como você! — Ri de modo canalha e apertei suas nádegas que ainda escondidas atrás daquela calça de couro apertada que ele usava.

Ele riu e rebolou mais ainda, causando gemidos em ambos com o atrito desejoso.

Eu amo essas brincadeiras com ele, mas na verdade ele tem toda a razão, eu estou gastando tudo o que tenho com ele. Fazer o quê? Eu estou viciado nele, tem sido assim desde aquela fatídica noite.

Eu posso me lembrar com perfeição daquela noite calma... Eu estava estressado com o trabalho que eu sempre odiei. Minha vida social e familiar também não andavam muito bem, principalmente pelo fato de eu ser um Gay não assumido. Eu precisava descarregar um pouco essas frustações desesperadamente.

Eu só não planejava fazer isso com um prostituto, mas não pude resistir quando o vi pela primeira vez.

Ele estava parado na esquina, usando roupas de couro negro com strass. Seu cabelo moreno e bagunçado lhe dava o charme ideal para combinar com aqueles piercings nas orelhas e no lábio inferior. Sua pose largada e entediada me fazia lembrar um adolescente irritado em uma reunião familiar muito chata.

Eu não sabia na época, mas sim, ele era jovem, tinha uns dezessete anos. Nunca em meus trinta e cinco anos de vida eu me interessei por alguém menor de idade. Eu achava imoral, mas ele trabalhava vendendo o corpo, então que mal tinha? Tá certo que esse trabalho também era imoral, mas não liguei.

Parei meu carro próximo ao meio fio e ele suspirou como se dissesse... “Fazer o quê” Ele parecia não estar a fim de fazer isso, mas entrou no carro e ditou os preços e as regras.

O levei para um motel e desde aquela noite, isso tem se repetido toda sexta-feira.

—Quer ir relaxar na banheira primeiro? — Ele me perguntou rebolando sobre os meus quadris.

—O que foi? Tem nojo de mim? — Questionei isso lançando um olhar intenso a ele enquanto apertava a sua braguilha volumosa.

—Não, de você eu não tenho nojo... — Ele falou sério, eu sabia que ele estava falando a verdade, pois seu olhar ficou brilhoso.

Seu olhar era algo que me fascinava, ele era sempre tristonho, caído, diria até apagado, mas recentemente ele se acendia e brilhava pra mim.

Retirei sua camisa de estampa de rock e gelei ao ver as marcas em seu belo corpo esbelto.

Roxos e vergões se espalhavam pelo seu tronco branco e macio.

—O que foi isso? — Questionei ao passar os dedos sobre um vergão enorme em seu peito.

—Um cliente muito agressivo com fetiches por chicote. — Ele respondeu ainda rebolando sobre mim.

—... — Não pude deixar de encarar com raiva as marcas em seu belo corpo. Eu sei que ele não é meu amante nem nada, eu sei que ele não me pertence, mas eu ainda assim não consigo refrear o meu ciúme.

Ele pareceu notar a minha raiva e me deu um selinho casto nos lábios, suspirei tentando me acalmar. Eu era o único que tinha permissão para beija-lo... pelo menos de acordo com o que ele me disse. Essa era uma das regras que ele me ditou na primeira noite... sem beijo. Mas depois de messes sendo seu fiel cliente, as coisas começaram a ficar mais quente entre nós.

Não era mais apenas sexo por dinheiro, era algo a mais... havia sentimento em cada toque, algo que nunca senti por ninguém.

O peguei nos braços e o levei para a banheira de hidromassagem. Eu sempre pegava o melhor quarto do motel, mesmo com ele insistindo que podíamos fazer em um colchão velho e puído no chão mesmo.

Retirei as minhas roupas e entrei na banheira quentinha e borbulhante. Ele fez um Strip-tease sensual pra mim, retirando o restante de sua roupa devagar. Não tínhamos pressa, eu sempre acabava pagando para ele ficar a noite inteira comigo.

E isso o deixava muito feliz, ele não precisava trabalhar até de madruga toda a sexta-feira, isso era tipo um folga pra ele. Ele podia me satisfazer e depois curtir os brinquedos do quarto e dormir tranquilo até de manhã.

Ele entrou na banheira comigo, sentando de costas pra mim, ficando entre minhas pernas e se recostando em meu peito.

Passei a mão pelo seu braço esquerdo, brincado com as tatuagens de estrelas em seu antebraço, seguindo até seu pulso, onde um relógio enorme ficava. Ele nunca tirava esse relógio, mesmo que eu pedisse.

O relógio era negro com uma estampa de caveira bem no centro da tela, mas o mais estranho era que ele não marcava as horas... Na verdade ele era um contador regressivo, seus números verdes não paravam de fazer uma contagem regressiva.

Eu sempre perguntava pra ele porque ele usava esse relógio, mas ele sempre fugia do assunto sem nem pestanejar.

—Como está a água Theo? — Perguntei fazendo uma massagem em suas costas, eu esperava que a água morna aliviasse um pouco a dor das chicotadas que ele levou.

—Hmm... deliciosa! Você é sempre tão atencioso comigo Alex... sabe que não precisa ser assim, né? Você pagou pelos meus serviços, pode usufruir à vontade sem precisar me convencer a dar pra você. — Ele me falou isso com um sorriso debochado, mas suas mãos acariciaram as minhas sobre a borda da banheira.

—Eu sei... mas eu gosto disso. — Falei depositando beijos atrás de sua orelha, ele derreteu em meus braços com essa caricia, eu sabia que ele era sensível nessa região.

—Você gosta de romance antes do ato... é isso que me faz gostar de você, é isso que o torna diferente dos meus outros clientes... Você me trata como uma pessoa e não como um objeto. — Ele se aconchegou mais em mim, como se quisesse se esconder em algum lugar dentro do meu peito.

Esse tipo de reação da parte dele sempre me fazia pensar que ele não gostava dessa vida e que estava me pedindo socorro desesperadamente. Ele sempre me olhava com esse olhar pidão e choroso quando eu o abraçava.

Cheirei os cabelos rebeldes dele, ainda tinha cheiro de cigarros, acho que do seu cliente anterior.

O banhei com carinho e o deixei relaxar, metade das minhas frustações com trabalho foram embora nesse nosso momento de relaxamento com ele em meus braços.

Eu queria poder dizer que o amava no pé do ouvido enquanto minhas mãos brincavam com suas tatuagens de estrelinhas, mas não podia, o que nos tínhamos não era real... era? Ele poderia me amar de volta? Ou eu era apenas mais um saco de dinheiro nojento pra ele?

Desviei meus pensamentos, isso por alguma razão feria meu ego e esmagava o meu coração.

Ele se virou na banheira e beijou meu peito, depois arranhou minha clavícula com os dentes e mordiscou o meu queixo.

—Theo... — Gemi quando uma de suas mãos desceu pela minha barriga e foi até o meu pênis.

Me agarrei com mais força na borda da banheira enquanto ele massageava a minha glande sensível com o dedão.

Ele sorriu manhosamente ao ver minha expressão de prazer, isso foi o fim da linha pra mim, meu lado romântico deu lugar ao meu lado desejoso.

Peguei-o nos braços e sai da banheira sem nem ligar para a poça de água que deixamos no chão do motel.

O atirei sobre a cama e subi em cima dele, colando nossos corpos molhados e unindo nossas bocas com desejo.

As unhas dele arranharam minhas escapulas, como vingança minhas unhas arranharam as suas coxas que circulavam a minha cintura.

Deixei minha mão vagar até a cabeceira da cama e catei os presentinhos do motel. Saquinhos de lubrificantes com sabor de uva... Hmmm interessante!

Separei nossos corpos, rasguei um dos saquinhos de lubrificante e despejei sobre o membro desperto dele, ele arfava e me olhava sem entender.

Recuei sobre a cama e me deitei entre suas pernas, levando os meus lábios até sua coxa marcada pelos meus arranhões e subindo até sua virilha. Os olhos dele se arregalaram em antecipação ao que eu planejava fazer.

—Não... não precisa... não sou pago pra sentir prazer... sou pago para dar HMMM... — Ele jogou a cabeça pra trás quando o suguei, suas mãos se agarram em meus cabelos com força e suas pernas tentaram se fechar, espremendo minha cabeça entre elas.

Ele era realmente sensível nesse lugar, acho que nunca um cliente o tocou assim, ele realmente devia estar acostumado apenas com dar e nunca receber.

O sabor de uva do lubrificante era muito bom e não subjugava completamente o sabor dele. Fechei meus olhos e me deixei degusta-lo completamente... Seu sabor, seu cheiro, seus gemidos, tudo! Tudo era uma delícia, eu não me importaria de suga-lo assim por horas.

Mas ele acabou gozando em tempo recorde, geralmente ele durava mais que isso. Olhei pra ele com sorriso convencido, ele estava vermelho, arfante, tremulo e suado. Isso era uma visão magnifica, ele parecia um retrato perfeito do prazer e da luxuria.

Seus olhos encarava o espelho no teto, acho que assistir algo assim o fez perder o controle.

Peguei outro saquinho de lubrificante, ergui suas pernas e despejei entre suas nádegas.

—Gelado! — Ele reclamou e retorceu os dedos do pé.

Assoprei o líquido para judiar dele mais um pouco, ele gemeu e segurou as pernas contra o peito, se expondo mais para mim.

Peguei uma das camisinhas e a desenrolei em meus dedos.

—Vou colocar os meus dedos. — Avisei quando pressionei seu ânus com um deles.

—Não precisa... mete logo. — Ele pediu, mas eu ignorei e enfiei o dedo, eu queria prepara-lo antes.

Ele mordeu o lábio e encarou o espelho, pelo visto ele gostava mesmo de assistir isso, ele já estava se excitando de novo.

Meu dedo entrou com facilidade e logo adicionei o segundo, os dedos dos pés dele se retorciam quando meus dedos pressionavam um ponto especifico na parede frontal de seu reto.

Coloquei o terceiro dedo e os estiquei em todas as direções dentro dele.

—Chega... entra logo... vai... — Ele pediu entre uma arfada e outra.

Retirei meus dedos, peguei uma nova camisinha, desenrolei sobre o meu pênis e joguei mais um pouco de lubrificante em cima.

Separei as pernas dele, ele olhou para baixo, erguendo a cabeça, ele realmente gostava de ver.

Posicionei no lugar certo e empurrei fundo de uma única vez, ele gemeu alto, provavelmente de dor, então fiquei parado esperando ele se adaptar um pouco.

Ele soltou suas pernas e as enrolou em volta da minha cintura.

—Mexe... mexe gostoso, me faz delirar... — Ele pediu com um gemido claramente falso, me mostrando o seu lado prostituto bem ensaiado.

—Não banque a prostituta frívola que geme só pra agradar, seja sincero. — Pedi entre dentes com o prazer intenso.

—Dói... quero mudar de posição. — Ele pediu sendo mais sincero.

Me retirei de dentro dele o virei de bruços, ele empinou o traseiro e dessa vez eu entrei mais devagar.

O gemido dele soou docemente e verdadeiro dessa vez.

—Melhor? — Perguntei em sua orelha cheia de piercings.

—Sim... muito melhor... — Ele suspirou e virou o rosto procurando os meus lábios.

O beijei com vontade antes de começar a me mover, nossa saliva escorreu quando separamos nossos lábios.

O interior dele se estreitou quando toquei seu pênis e apertei a sua glande rosada.

Ele jogou a cabeça pra trás e sua voz melodiosa reverberou pelo quarto. Os meus gemidos logo fizeram um dueto com os dele.

Nossos corpos se chocavam de encontro um ao outro, cada vez mais desejosos e necessitados, cada vez mais perto do tão almejado prazer enlouquecedor.

Acelerei meus movimentos, agarrando forte sua cintura, cravando minhas unhas em sua pele quente e molhada.

Os dedos dele se agarraram com força nos lençóis agora encharcados, seu corpo pequeno e delgado estremeceu contra o meu quando ele chegou ao ápice de seu prazer pela segunda vez.

Eu não fiquei muito atrás dele e logo gozei, indo fundo dentro dele.

Um minuto de puro prazer seguiu enquanto nossos corpos unidos estremeciam com a luxuria, contudo logo depois desabamos sobre a cama, arfando como se fossemos morrer sem ar.

O corpo quente dele estava embaixo do meu, parecia frágil demais, inocente demais... Como ele podia suportar tal vida?

Rolei de cima dele, me ajeitei confortavelmente sobre a cama e o puxei para os meus braços.

Ele me olhou cansando, acariciei seu pequeno rosto.

—Durma... eu pagarei pelos seus serviços até de manhã. — Falei fazendo pequenos desenhos com os meus dedos em suas costas nuas.

Ele me sorriu satisfeito e adormeceu tranquilo.

O segui logo depois.

Na manhã seguinte acordei com o barulho dele se vestindo apressadamente.

—Bom dia... gostaria de comer alguma coisa? — Perguntei com sorriso manhoso.

Ele olhou no relógio estanho, faltavam trinta minutos para ele zerar completamente, os números outrora verdes agora estavam laranja, quase vermelhos. A cor sumiu do rosto dele ao ver os números.

—Desculpa... não posso... tenho que ir. — Ele falou apresado e já foi saindo, quase se esquecendo do dinheiro.

Peguei minha carteira e dei o pequeno bolinho de notas a ele, por sorte sobrou o suficiente para pagar o motel sem usar o cartão de crédito, eu não queria isso na minha fatura depois.

—Nós vemos na sexta que vem?  — Ele me olhou esperançoso, como se implorasse para eu dizer sim.

—Sim... — Sorri pra ele e recebi um beijo casto nos lábios antes dele sumir correndo feito um condenado.

Meu final de semana foi o melhor, consegui trabalhar no novo projeto sem maiores problemas, minha família não me importunou para achar uma namorada e a minha semana também se desenrolou perfeitamente.

E finalmente a tão esperada sexta-feira chegou.

Sai do trabalho e fui direto para o ponto dele, ele estava lá como sempre, mas dessa vez tinha algo muito errado com ele.

Seu rosto estava todo roxo e inchando, ele mal conseguia abrir o olho direito. O lábio inferior estava cortado e não possuía mais um piercing no local, mas sim pontos mal feitos, como se a pessoa que fez a sutura não soubesse o que estava fazendo. Mas o que me arrepiava de verdade... era que parecia que o piercing tinha sido arrancado.

Meu sangue ferveu quando ele entrou no carro com uma expressão de pura dor por se mover.

—Hei... o que houve com você? Foi aquele cliente com fetiches estranhos de novo? — Perguntei sentindo o meu sangue entrar em ebulição. Eu queria saber quem era esse desgraçado pra poder matar ele.

—Não... eu cai... vamos logo pro motel, por favor... — Ele me lançou um aviso com o olhar, senti que ali não era mesmo o melhor lugar para ter um ataque de fúria.

Me dirigi ao motel de sempre, entrei pela garagem anônima e pedi a uma máquina a melhor suíte, um tíquete saiu da máquina e a catraca subiu. Estacionei o carro em uma vaga e peguei o elevador.

Theo estava ao meu lado cabisbaixo e parecia lhe custar muito ficar em pé.

Assim que chegamos ao quanto, eu fechei a porta com violência e o empurrei contra a parede, puxei sua camisa e examinei seu tronco. Seu peito estava tão roxo quanto seu olho, parecia que ele tinha apanhando com um pedaço de pau.

—Vou perguntar de novo... e não me venha com essa mentira furada de eu cai... quem fez isso com você? Foi seu cliente? Me diga onde posso encontra-lo. — Meu corpo tremia de raiva, eu praticamente sibilei essas palavras pra ele.

—Não... não foi o meu cliente com fetiches... Foi o meu cafetão. — Ele falou tão tremulo quanto eu, só que ele estava tremendo de medo e não de raiva.

—O quê? — Quase berrei de raiva.

—Ontem eu voltei sem a meta estipulada por ele. — Ele me explicou olhando para os próprios dedos do pé.

—Filho da puta... eu vou matar ele... — Olhei em volta procurando algo para esmigalhar a cabeça desse merda.

—NÃO! Não mexa com ele, esse homem é muito perigoso, por favor, não faça loucuras. — Theo se segurou no meu braço e implorou para que eu ficasse.

—Porque você não larga esse emprego ? — Perguntei cheio de raiva, eu estava começando a culpa-lo por acabar nesse estado.

—Pensa que eu já não tentei? — Ele me olhou firme, os olhos brilhando, exatamente como ficavam quando ele dizia a verdade.

—O quê? — O encarei sério.

—Eu já tentei de tudo pra sair dessa vida... eu até já tentei fugir, mas ele me encontrou e me colocou uma coleira. — Theo cobriu o rosto e se encolheu. A voz dele estava diferente agora, um pouco anasalada, acho que estava quase caindo no choro.

—Eu não estou entendo o que você quer dizer com uma coleira, mas... porque você não foge comigo então? Eu posso pedir transferência no trabalho e podemos ir viver juntos bem longe daqui, eu prometo que vou cuidar bem de você. — Me aproximei dele, segurei seu queixo e ergui seu rosto para fita-lo melhor.

Os olhos dele encheram de lágrimas, essa foi a primeira vez que o vi chorar assim, meu coração chegou a apertar. Ele me abraçou forte e deixou o choro sair.

—Eu quero... eu quero ir com você... mas não posso... — Ele falou entre um soluço e outro.

—Porque não? — Quis desesperadamente saber.

—Por causa disso... — Ele me mostrou o relógio esquisito de novo.

—Essa é a coleira que ele coloca nos garotos que tentam fugir da vida que ele nos obrigou a ter... — Theo começou a falar ainda em prantos, seu braço esquerdo erguido me mostrava o relógio com a caveira.

—... — O olhei sem entender.

—Se eu não voltar para o prédio do meu cafetão antes desse contador regressivo zerar... o relógio irá injetar uma toxina letal em minha veia... Eu já vi acontecer... eu já vi alguns garotos morrerem por isso... — Ele me explicou tremendo violentamente, o pânico estampado no rosto.

—E porque você não tira isso? — Examinei de perto o fecho do maldito relógio da morte.

—Não dá... se eu tentar, ele vai injetar também... — Ele voltou a chorar desesperadamente e se abraçou em mim.

—... — O abracei com força tentando imaginar tudo o que ele passou nas mãos desse maníaco que o prendeu em uma vida que ele não desejava.

—Você não sabe o que é viver com medo... O que é viver apenas para satisfazer gente nojenta, torcendo pra consegui alcançar a meta estipulada e viver mais um dia só para voltar a repetir esse inferno no dia seguinte. — Ele seguiu falando aos pratos em meus braços, o rosto escondido no meu peito.

—... — Tudo o que eu conseguia fazer era abraça-lo cada vez mais forte.

—Quando eu te conheci... eu pensei que você seria só mais um nojento que eu teria de aguentar enquanto sujava ainda mais a minha alma... mas aí... aí eu te conheci melhor... e passei ansiar por cada sexta-feira. — Ele soluçou em meus braços, minha camisa estava encharcada de lágrimas.

—... — Meu coração acelerou ao ouvir isso dele, isso era um tipo de declaração, não era? Então ele gostava mesmo de mim?

—Você se tornou a única coisa que me fazia suportar a semana... Porque eu sabia que na sexta eu teria um pouco de amor... Na sexta-feira eu poderia fantasiar uma vida livre... Poderia sonhar que estava com alguém que me desejava e amava. — Essas palavras dele poderiam muito bem ser as minhas, eu me sentia exatamente assim.

—... — Beijei seus cabelos e o acariciei tentando acalma-lo, pois eu mesmo ansiava por ser acalmado.

—E agora que você me convidou pra fugir... tudo o que eu consigo pensar é o quanto eu seria feliz e o quanto eu desejo isso mais que tudo, mas não posso e isso está me destruindo agora... eu não sei se vou aguentar mais uma semana sabendo que eu nunca poderei ir com você. — As palavras dele estavam mergulhadas em desespero e devastação.

—Theo... não, não pense assim... eu vou pensar em algo, eu vou dar um jeito... quem sabe... quem sabe se eu te comprar, ele te liberte. — Comecei a pensar em ir até esse cafetão e oferecer dinheiro em troca do Theo, como se ele fosse uma mercadoria... Senti nojo de mim mesmo nesse momento.

—Ele nunca vai me libertar, eu vou morrer nas garras dele... mas eu não quero isso... eu não quero morrer nas garras dele, eu quero morrer nos seus braços. — Ele ergueu o rosto manchado de lágrimas para me encarar decidido.

—Do que é que você está falando? — Comecei a sentir um frio na barriga.

—Ficarei com você essa noite... até o relógio zerar. — Ele falou firme, deixando o choro de lado.

—O quê?  Não! — Meu coração parou, ele não podia desistir assim tão fácil... Mas quem sabe ele não esteja desistido facilmente, quem sabe ele já esteja muito cansado de lutar, quem sabe há quanto tempo ele vive nesse inferno?

—É o que eu desejo... então por favor, fica comigo, torne essa noite a melhor de todas e... me ame. Só me ame e me abrace até esse contador zerar... por favor. — Ele implorou desesperado.

—Não peça isso... — Tentei me afastar dele, mas ele se agarrou em mim.

—Por favor... — Ele me pediu antes de colar nossos lábios, ele estava desesperado, seu beijo saiu tremido, desengonçado e desejoso, mas ao mesmo tempo aflito.

O peguei nos braços com força e o levei para cama, sem pensar duas vezes o joguei sobre os lençóis e subi em cima dele.

Nossos lábios se uniram novamente enquanto minhas mãos se ocupavam com a maldita calça de couro dele. A retirei e a atirei para qualquer lado do quarto sem nunca separar nossos lábios.

Abrir o botão da minha calça e a abaixei até meus joelhos em desespero, ele me abraçava e ansiava por mim.

Cuspi na minha mão e esfreguei em seu ânus, coloquei meu membro no lugar certo e o empurrei sem preparo ou uma lubrificação mais adequada. Foi difícil, doeu pra mim, mas com certeza doeu mais para ele. No entanto estávamos tão desesperados um pelo outro que nem ligamos para a dor.

—Quer que eu pare? — Perguntei movendo.

—Não... não pare... nunca... por favor, fica comigo até o fim... — Ele implorou em meio aos gemidos de dor, desespero e angustia.

Me movi mais rápido, ansiando por ele mais do que tudo. Esse não podia ser o nosso fim, eu não ia suportar isso, eu não podia perdê-lo.

—Eu te amo... — Falei parando de me mover e olhando no fundo dos olhos dele, ele merecia saber a verdade, ele merecia saber por que eu gastava toda a minha grana com ele.

As lágrimas brandas se tornaram torrentes violentas, seu rosto se retorceu de dor, mas não uma dor física pelo nosso sexo bruto, mas sim uma dor bem no fundo do seu âmago, da sua alma ferida.

Meu coração doía tanto que parecia que eu ia morrer, acho que ele também sentia isso, sua mão arranhava o peito como se quisesse arranca-lo dali.

Chegamos ao nosso ápice juntos e de forma brusca, nossas respirações se misturando, assim como nossos corpos ligados.

Me deixei desmoronar sobre ele, ele me abraçou forte, com seus braços e pernas, como se estivesse com medo de que eu fosse desaparecer.

Minha respiração aos poucos foi voltando ao normal, meu coração seguia em mil pedaços, eu não ia suportar perdê-lo, agora eu tinha certeza disso.

Sai de dentro dele e me estiquei para pegar um dos brinquedinhos que o motel disponibilizava, era uma algema pesada e gelada, prendi o pulso direito dele enquanto ele ainda tentava se recuperar do prazer.

Então prendi o pulso direito dele contra a cabeceira da cama, peguei outra algema e repeti o mesmo com o outro braço, fazendo-o ficar com os braços estendidos como se estivesse em uma cruz.

—Que isso? Está começando a ter fetiches com bondage agora? — Ele me sorriu levando na brincadeira, seus olhos vermelhos e inchados o deixavam tão frágil.

Retirei meu sinto de couro e testei sua firmeza.

—Vai me bater com o cinto? Humm... tá ficando safadinho. — Ele mordeu o lábio ferido e se remexeu inquieto sobre os lençóis.

Peguei o cinto e enrolei em seu antebraço esquerdo, apertando bem para evitar a passagem de sangue.

—Espera... o que você está fazendo? — Seus olhos se arregalaram pra mim.

—Vai ficar tudo bem, eu prometo. — Falei sério e lhe dei um beijo quente nos lábios.

—Espera... aonde você vai? — Ele entrou em pânico quando sai da cama e me dirigi para a porta do quarto sem olhar para trás.

Ele chamou desesperado por mim, mas o ignorei e saí do quarto, indo até o local onde o kit contra incêndio ficava, peguei o machado que estava dentro de uma caixa de vidro e voltei para o quarto sem pensar duas vezes.

—Alex... por favor, espera... — Ele me implorou esperneando quando voltei e fechei a porta do quarto.

—Shh... calma, eu vou te libertar meu amor... confie em mim. — Dei nele outro beijo ao subir na cama.

—Estou com medo! Espera... Hum hum... — Ele tentou falar mais, mas o amordacei para evitar que seu grito chamasse a atenção dos clientes dos quartos ao lado.

Fiquei de pé sobre a cama e calculei o lugar certo para dar a machadada, Theo fechou os olhos com força e virou o rosto, ele já gritava em antecipação a dor, por sorte estava bem amordaçado e nenhum som alto demais vazou.

A primeira machada quase me fez vomitar, o corte foi profundo, mas não chegou ao osso, Theo se retorceu na cama, lutando contra dor, seu corpo institivamente tentava fugir, mas as algemas o impediam.

A segunda machadada o fez se urinar de dor, o sangue jorrou de sua artéria, e eu quase desmaiei ao ver os nervos e tendões pra fora.

No terceiro golpe eu cheguei ao osso, o fio do machado ficou preso ali, quando eu comecei a remexê-lo para solta-lo, Theo desmaiou.

Fiquei preocupado com ele, mas não podia parar agora.

Havia mais sangue do que eu imaginava que haveria.

E estava sendo bem mais difícil do que eu pensei que seria.

Eu tinha planejado fazer isso rápido e o mais indolor possível pra ele, eu queria acabar com tudo em apenas um golpe e pronto, ele estaria livre, mas a realidade era mais grotesca e insuportável que isso.

Meu nervosismo estava fazendo errar alguns golpes, o que deixou o ferimento mais feio e torto. Minha falta de coragem estava refreando a minha a força e tornando tudo isso pior.

O som do osso quebrando me fez vacilar, minhas pernas tremiam demais e o machado de repente se tornou tão pesado quanto uma bigorna.

Theo estava imóvel sobre os lençóis, seus lábios estavam ficando pálidos e um tanto roxos, meu coração quase parou.

Mas uma rápida checada em seu pulso me provou que ele ainda estava vivo.

Me esforcei para terminar o trabalho com o máximo de rapidez possível.

Os últimos tendões e nervos me atrapalharam um pouco, mas finalmente tinha acabado.

Me livrei do machado, desalgemei o outro braço dele e o enrolei em um lençol da cama com cuidado, ele estava gelado e mole, mas ainda respirava fraquinho.

Dei uma última olhada no braço decepado sobre a cama e me mandei daquele lugar.

Theo parecia estar mal e eu não podia procurar por um médico agora, mas ele ia ficar bem, eu sei que ia, porque agora... Ele estava livre.


Notas Finais


Deixarei ao critério do leitor decidir qual "liberdade" Theo alcançou no final... Será que ele se libertou do cafetão e foi viver feliz com o Alex em algum lugar? Ou será que a morte o abraçou e finalmente o libertou desse martírio?

Você pode decidir o que prefere.


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