História O Remalnista - Capítulo 5


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Personagens Personagens Originais
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Palavras 2.275
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá, meus caros.
Impressionante como inspiração acelera o trabalho.
Boa parte do capítulo é narrado por um ébrio, sob efeito de álcool, meu tipo de narrativa.

Capítulo 5 - A festa.


Cheguei na casa de Samantha, o céu já estava escuro. Podia ouvir a música alta de longe. As batidas eletrônicas faziam os vidros das janelas vibrarem loucamente. Fui recebido por pessoas bêbadas na porta da frente, reconheci quatro ou cinco da minha sala. Entrei na casa e senti como se tivesse sido engolido vivo. Lá dentro estava abafado, o cheiro de álcool, fumaça e aglomerado humano invadiram minhas narinas. Com certeza, os pais de Samantha estavam viajando. Andei meio perdido pela multidão, incerto do que viera fazer ali.

Para esquecer por uma noite, me lembrou a memória de Troye.

Eu gosto de Vincent. Eu matei por ele.

Precisava beber. Rápido. Encontrei uma mesa com várias garrafas coloridas. Peguei uma de vodka ainda pela metade e virei. Para que copos se eu ia acabar com a garrafa? Alguns garotos da minha sala perceberam minha disposição para beber e vieram falar comigo. Eu ainda estava muito sóbrio.

— Qual a coisa mais forte que tem aqui? — perguntei a eles, gritando através da música alta.

— Absinto. — um deles me apontou. — Teor etílico de 75%, se não te matar ou te por em coma alcoólico, vai te deixar bem bêbado.

O mesmo rapaz me serviu um copo grande cheio, agradeci e bebi o conteúdo de uma vez. Ele me olhou espantado e me ofereceu um segundo copo, que aceitei com prazer. Quando acabei o segundo, os meninos da minha sala começaram a rir e gritar admirados. Por que eles estão tão admirados?, pensei, Ah é. “Teor etílico 75%disse o garoto se não te matar…

Matar… Eu matei por ele…

Para esquecer por uma noite… Eu precisava encontrar Troye. Perguntei se algum dos garotos ao meu redor tinha visto Troye. Nada. Agradeci e sai à procura do meu melhor amigo. Como eu encontrei outra mesa de bebidas primeiro, pensei em recarregar o tanque de álcool. Finalmente, reconheci minha anfitriã passando.

— Samantha! — gritei. — Samantha!

Dante?! — respondeu ela, ao se virar e me ver. — Você bebeu?!

— Por isso que estamos numa festa, não é?

— Claro. — ela riu, alisando meu braço. — Só não pensei que o loiro mauricinho saia para festas.

— Não sou mauricinho e você também é loira… Acho… — Definitivamente, a bebida começava a fazer efeito. — Escuta, você viu Troye?

— Ah! Sim! Ele estava com Chloe.

— Chloe?! Quem é Chloe?

— Minha amiga Chloe, da nossa sala. Aquela que estava comigo quando chamamos vocês para a festa.

— Ah! Aquela que gosta do Tro… — gritei, para ser ouvido, mas Samantha tapou minha boca.

Cala a boca…! Dante… Fala baixo, quer que todo mundo descubra?

Relaaaxa, eu não vou contar para ninguém… Onde eles estavam? Preciso falar com Troye, rápido.

— Lá em cima. — respondeu. Apontando para a escada.

E assim eu fui. O andar de cima me pareceu confuso, todas as portas iguais, pouca bebida e muitos casais. Por toda parte, tinha gente se pegando. Nos corredores, já me sentia dentro de um motel. Casais de namorados ou ficantes se beijavam loucamente, mãos passeando pelos corpos alheios. Imaginei o que acontecia dentro dos quartos. Infelizmente, quando vistoriei todos os casais do lado de fora e não encontrei Troye, não me restou escolha se não descobrir.

Na maioria, era apenas uma continuação do que eu vi no corredor, poucas exceções mais acaloradas. Em um quarto, sequer cheguei a abrir a porta, pois ouvi gemidos indicativos vindos de dentro. Só cheguei a cogitar que eu estava sendo o cúmulo da inconveniência quando, finalmente, empurrei a porta e encontrei Troye. Na verdade, encontrei Chloe e deduzi que era Troye debaixo dela. Chloe usava uma saia curta e sutiã e fazia massagem nas costas de Troye, que só usava uma cueca. Eles não perceberam minha presença.

— Como conseguiu estas cicatrizes? — perguntou, seguindo com as pontas dos dedos as marcas que eu já conhecia das histórias de Troye.

— Eu gosto de acampar. — respondeu. — De estar com a natureza, mas nem sempre as coisas dão certo.

Ela se inclinou e beijou uma cicatriz no ombro esquerdo. Ele ficou quieto, lembrando das coisas que deram errado, o assunto encerrado.

— Para esquecer por uma noite. — murmurei enquanto fechava a porta.

Eu precisava sair dali. Tinha sido uma má ideia. Eu afastei Troye, porque eu gosto de Vincent. Eu era um péssimo amigo. Merecia a indiferença de Troye. Parecia que eu ouvia ele chamando meu nome, estranho. Abri uma porta no caminho para a escada e entrei, era um banheiro. Olhei pelo reflexo.

Eu matei por ele… Por VincentA cena se repetia várias vezes na minha cabeça, a luta no banheiro da escola, minha adaga entrando pelo olho de Cayled, ele caindo morto. Eu estava surtando. Sentei no chão e comecei a chorar. Depois de muito tempo, não sei quanto, pensei ter ouvido Troye dizer meu nome de novo. Para esquecer por uma noite lembrei. Esperei que eu me acalmasse, respirando profundamente, sequei minhas lágrimas e lavei meu rosto, tentando ficar mais apresentável. No momento que destranquei a fechadura e estiquei minha mão para a maçaneta, a porta se abriu.

— Dante? — me reconheceu, e eu reconheci a voz. Ele não, pensei, qualquer um menos ele. — Está tudo bem? Você parece abatido.

— Estou bem, Vincent… Eu só… Só precisava falar com Troye… — Não era uma absoluta mentira, apenas uma omissão parcial da verdade. — Será que você conseguiria chamar ele aqui?

— Claro… — Ele saiu sem me dar a chance de agradecer.

Eu gosto dele… Sinceramente… Eu nunca tive dúvidas sobre minha sexualidade, nunca pensei no assunto. Para mim, era certo que eu viveria solitário, nem mulheres nem homens, nunca haveria alguém ao meu lado. De repente experimentar o romance, mesmo que platônico, já seria aterrador, porém ter o sentimento por outro cara era muito mais perturbador, assustador. O que minha família ia pensar? Ou Troye? Ou Vincent, se algum dia descobrisse. Como eu poderia lidar? Estava tão confuso e o álcool não ajudava nada. A porta se abriu novamente e Troye entrou sozinho.

— Onde você esteve!? Estava te procurando! — perguntou. — O que aconteceu? Você passou mal?

— Calma, eu bebi um pouco sim, mas eu precisava esquecer.

— Esquecer? O que?

— Troye, eu vou te contar um segredo, mas não quero que você me faça perguntas. Por favor, seja um amigo melhor que eu e simplesmente esteja do meu lado. — Ele assentiu, concordando. Eu o abracei e sussurrei em seu ouvido: — O sr. Cayled era um tarnotista, nós lutamos e eu o matei.

Troye me apertou. Ele me entendia. Sabia que, independe de minha mãe, meu treinamento, as brincadeiras e as caças, matar outra pessoa era completamente diferente. Fomos educados a fazer coisas, mas fazê-las de fato causava outros efeitos, outros sentimentos. Ele não perguntou, só disse:

— Beber pouco não te faz esquecer. Vamos, eu cuido de você.

Troye me levou de volta à festa; a música parecia ainda mais alta e as pessoas mais bêbadas. E como era o plano, eu bebi e bebi muito. Uma hora, já não responsabilizando pelos meus atos, vi Vincent falando com Troye, que ouvia de braços cruzados me analisando.

— Ele parecia um pouco doente, será que ele devia estar bebendo tanto?

— Acredite em mim, novato, ele está bem saudável, só precisava de algo para relaxar. — Troye respondeu, descruzando os braços para pegar um copo e estendendo para Vincent. — Talvez você também esteja precisando de coragem líquida. — E piscou na minha direção. Mas eu estava confuso demais para interpretar.

Pouco a pouco, a casa de Samantha foi esvaziando, a música baixando até se tornar um som de fundo. Mas eu continuava sob efeito do álcool e descobri porque os bêbados tem as piores ideias. Estávamos sentados Troye, Vincent, um casal da escola de quem não me lembrava e eu na sala de estar de Samantha. Ela, Chloe, duas outras garotas e mais um cara eram as únicas outras pessoas que sobraram.

— Eu nunca joguei “Verdade ou Desafio”. — comentei com minhas companhias. Nesse momento, nossa anfitriã veio ver se estava tudo bem. — Samantha! Traga Chloe e os outros aqui e uma garrafa vazia. — pedi, puxando Troye e Vincent comigo para o começo de uma roda no chão.

Ela olhou para o cara que ela queria pegar e o cara que a amiga queria pegar e viu a oportunidade. Então, concordou. Logo estávamos todos sentados em círculo. Samantha tinha acabado de descobrir que Chloe já tinha ficado com Troye mais cedo, o que a tornava a única encalhada da noite. De certa forma, isto aumentou sua urgência pelo jogo.

— Eu não tive chance de contar, Sam! Desculpa… — falava Chloe para amiga encostada no braço de Troye.

— Sem problemas, — interrompeu. — vamos começar! — Ela girou a garrafa vazia de tequila, que parou apontada para o garoto que estava na sala de quem eu não me lembrava. — Jeff, verdade ou desafio?

— Verdade. — escolheu ele.

— Verdade que você pegou Beth Estranha? — perguntou Samantha.

Sim, ele pegou. Eu nem conhecia essa garota, achei incrível eu não ser o estranho do colégio. Descobri também que Jeff agora namorava a garota que estava conosco na sala antes, que o primeiro namorado de Samantha era três anos mais velho que ela, quando ela estava no fim do ensino fundamental, e ela perdeu a virgindade com ele. Até aí, segredos adolescentes que não matavam ninguém, contudo, tiveram os desafios. O outro cara, que eu não sabia o nome, foi desafiado a acabar com a última garrafa de uma bebida escura que eu não conhecia. Tanto Troye quanto eu não estávamos em condições de escolher “verdade” e acabarmos falando algo que não podíamos, relacionado ao remalnismo, então tivemos “desafios”. Eu tive que ficar com uma das garotas, o que foi bem vago em razão do meu estado embriagado.

— Troye, — perguntou Samantha depois de girar a garrafa mais uma vez. — verdade ou desafio?

— Desafio. — escolheu. Samantha sorriu maliciosamente e olhou vingativa para Chloe.

— Dá um selinho no Dante. — Fiquei em dúvida quanto a quem ficou mais abismado, Chloe, eu ou Troye.

— Isso é realmente necessário? — questionei.

— A ideia foi sua… — cantarolou Samantha. Como ela me irrita.

— Eu não estou em plenas faculdades mentais… — cantarolei em resposta. — Por que vocês me escutam?

Reclamei, mas deixei que Troye cumprisse o desafio de encostar os lábios nos meus. ESQUISITO. Não olhei para ele ou para Chloe até que ouvi meu nome e percebi que a garrafa apontava para Samantha.

— Samantha, dá um selinho no Dante. — disse ele sorridente. Os filhos da puta estavam me usando de objeto de vingança.

— Isso é realmente necessário? — perguntei novamente. Samantha fez uma careta irritada, levantou e me beijou.

Pensei que ela só estivesse com raiva de mim pela tentativa de me esquivar dela. Entretanto, descobri que ela também nutria mágoa por outro cara, talvez pelos esforços frustrados de ficar com ele. E, rancorosa, ela conseguiu prender dois coelhos odiados em uma armadilha só. Havíamos combinado que aquela seria a última rodada antes de irmos para casa. Na vez de Samantha, vi a criatividade vingativa macular seu olhar. Eu não, eu não, eu não… rezei. Todavia, parecia que a ponta da garrafa era atraída por preces.

— Dante, verdade ou desafio? — perguntou a garota.

— Desafio, Samantha… — respondi derrotado. — Desafio…

— Eu quero… — disse com uma voz doce e uma pausa dramática. — … que você e Vincent se beijem.

Eu gosto dele! gritou o lado irracional da minha mente.

NÃO! berrou a voz racional.

— Pela última vez, isso é realmente necessário?! — falei, já sem esperanças, e bufei em desistência.

Me virei para Vincent e ele apenas me observou em silêncio. Querendo acabar logo com isso, me aproximei e encostei nossos lábios. Foi bem breve, até demais para o meu gosto. Ele tinha lábios macios e eu quis mordê-los.

— Na-na-não! Eu disse “beijo”, não “selinho”. — exigiu Samantha, sádica.

Eu e Vincent nos encaramos, completamente corados. Aqueles olhos azuis pareciam inspecionar a minha alma em busca de algo, de hesitação talvez, aqueles lábios entreabertos em dúvida. Tomei coragem e no impulso eu fui em direção a eles. Foi um beijo meio desajeitado, incerto, mas caloroso, intenso. Eu me controlei muito para não agarrar seus cabelos negros e puxá-lo para mais perto. Sua língua passeou delicadamente por meus lábios e não pude evitar morder levemente os seus. Eu estava apaixonado por aquele homem.

A imagem do sr. Cayled fazendo careta na sala de aula me veio à mente.

Você gosta dele…falou em meus pensamentos. — Me matou por ele…

Interrompi o beijo, me afastando de Vincent e respirando fundo.

— Acabamos agora? — perguntei. — Eu vou precisar de uma longa noite de sono depois de hoje.

Infelizmente, conseguir fugir da casa de Samantha não era o mesmo que fugir de Vincent e meus pensamentos sobre ele. Ele, Troye e eu íamos pelo mesmo caminho para casa. Chloe se preocupou com a possibilidade de sermos assaltados (estou ciente que ela apenas se preocupou com Troye, na verdade). Achei graça da chance de um assaltante contra dois remalnistas quase associados a Ordens. Eu levava uma garrafa de vodka quase vazia na mão, dava para usar de arma se acabasse com a bebida. Estrategicamente, coloquei Troye entre Vincent e eu como uma barreira.

— Então… — falei para quebrar o silêncio constrangedor. — Você e Chloe, não é, Troye? Quem diria…

Ele corou e evitou meu olhar. Porra! Agora ele também ia ficar constrangido. Continuei bebendo minha vodka. A caminhada até minha casa parecia mais longa do que mais cedo. Eu já estava exausto e ofegante, o chão balançava. Acabei a garrafa na esquina de casa. Sorri, orgulhoso.

— Bom, acho que foi um dia agitado. — comentei e tudo ficou preto.


Notas Finais


☆Primeiro beijo!☆
Espero que tenham gostado como eu gostei de escrever. Acho que daqui eu acelero o ritmo. Próximo capítulo eu quero abordar mais as Ordens de Ofício.
Comentem, favoritem ♡ e me carreguem no peito. Façam críticas e sugestões, estou aberto a tudo.
Beijos calorosos e intensos. Até a próxima!


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