História O resgate de um amor - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~Shiinya-

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jungkook, V
Tags Drama, Ex Namorados, Taekook, Tkwishes, Vkook
Visualizações 803
Palavras 8.221
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


ALÔ TAEKOOKINHOS
Lary chegando com mais uma fanfic para alegrar a semana de vocês.

--- TKW ---
Hello! Como vocês estão? Espero que bem ♥ Esse pedido foi feito por @/cheswire, e eu achei ele a coisa mais fofa do mundo
E olha que capa bonita, eu só tenho a agradecer, sem falar da betagem, eu aaa muito obrigada <3
Boa leitura ♥
(Com o desenvolvimento da fanfic, eu realmente não achei a necessidade de pôr lemon, e já que era opcional, não o fiz)

Capítulo 1 - Capítulo único


Taehyung tem um cappuccino em mãos, e em seu rosto, uma expressão de curiosidade se instala; é Jeongguk falando sobre como seus amigos reagiram ao seu término de relacionamento. Espontâneo é a palavra, parece que o Jeon se sente confortável demais com Taehyung, mesmo que eles tenham perdurado um fim no namoro deles há pouco tempo.

A lanchonete semivazia abrigava os dois — agora apenas amigos, e eles não sabem como, mas fizeram um acordo e a amizade não teve um ponto final — que se faziam companhia naquela tarde nublada. Não havia um sentimento denso entre eles, tudo era leve, talvez muito mais que antes.

— Sabe o que o Jimin me disse? — Inicia Taehyung, após um gole do líquido em seu copo plástico. Abre um sorriso comum, caloroso o suficiente para que Jeongguk preste atenção no ato que demora poucos segundos, e nega, à espera. — “Quando o encontrar, é bom que esteja preparado para apanhar.”

Os cantinhos da boca do Jeon se repuxam rapidamente, Taehyung imitando o amigo é engraçado, porque na verdade, era realmente daquela maneira. Deveria estar envergonhado por ter sido o principal motivo para o término da relação de vários meses, já que seus ciúmes era o causador de todas as discussões que tiveram, mas na companhia de Taehyung, como parece que está tudo bem, Jeongguk não sabe o que sentir, e se deixa levar pela voz do melhor amigo.

— Vou me certificar de evitá-lo, não quero ser alvo daquelas mãozinhas demoníacas — Responde em uma ironia não maléfica, apenas quer ver o Kim sorrir novamente, e bom, é o que acontece antes que ele termine o cappuccino gélido como Jeongguk fez há bons minutos.

A falta de fala não foi incômoda, pelo contrário, estavam familiarizados com o silêncio reconfortante – não em alto grau, pois os carros lá fora faziam sons fortes, quase como se quisessem fazer os automóveis voar.

Era a cidade grande, afinal.

Jeongguk aperta os lábios um no outro, esfrega os dedos em uma inquietude passageira, possui um semblante carregado, tem algo que o incomoda, mesmo que si próprio não saiba dizer com exatidão o porquê.

— Vamos? — É Taehyung quem pergunta, ganhando um aceno de confirmação em resposta. Eles dividem a conta, estão acostumados a fazer isso, deixam o dinheiro em cima da mesa antes de se dirigirem à porta, o sininho do local tocando em um som típico.

Por enquanto, o caminho é parcialmente igual.

Está frio e Taehyung constata isso ao perceber as orelhas de Jeongguk em uma coloração avermelhada, solta um riso consigo mesmo, havia avisado ao outro que o clima não estava propício para uma regata e bermuda, e Jeongguk, teimoso, insistiu em vestir uma calça jeans e justamente somente uma camisa de manga. Sente vontade de revirar os olhos, seu dongsaeng merecia alguns tapas para respeitar e obedecer os mais velhos.

É questão de tempo para o Kim não aguentar ver o outro quase a soltar fumaça pelas orelhas também e retirar o casaco branco. Jeongguk o olha, abre a boca para relutar, porque sabe o que Taehyung irá fazer, mas o Kim é mais rápido, e coloca a peça sobre os ombros de Jeongguk.

— Você deveria parar de ser petulante, sabia? Eu deveria te fazer engolir esse casaco, mas vou me contentar em deixá-lo usar corretamente — Taehyung reclama, parece que está realmente bravo, porém Jeongguk conhece o mais velho, e é apenas drama. — E não ouse recusar, Jeon Jeongguk.

— Eu juro que quando saí, o sol estava radiante — Tentou se defender, e Taehyung cobre mais uma risada com uma face de puro descontentamento. — Não faz essa cara.

— É a única que tenho — Em um ato infantil, Taehyung bufa, apressando os passos, podendo assim abrir um sorriso contagiante, contudo, trata de desmanchá-lo quando o Jeon o alcança.

— Não foi isso o que eu quis dizer — Defende-se, nutrindo um sentimento quente que se revira em seu interior ao que concluí de vestir o casaco de Taehyung, podendo aspirar da fragrância já conhecida, é cheirosa.

Caminhando juntos, o Kim ignora Jeongguk, percebendo o quão incomodado ele fica com a ação, e bom, Taehyung não cansa de brincar dessa maneira porque de fato, é hilário.

A calçada que estão andando já não servia para os dois, naquela esquina Jeongguk e Taehyung se separavam, seguem por direções opostas, e o Jeon se recorda que costumavam seguir pela mesma rua quando estavam juntos, gostavam de passar o tempo beijando-se quando Jeongguk não tinha a face carregada de sentimentos obscuros ao se dar conta de que Taehyung “não estava dando devida atenção a eles e sim aos outros” em suas próprias palavras.

O que mudou, afinal?

Ah, sim. A forma como eles se viam – sem beijos molhados ou sorrisos apaixonados – não era mais a mesma. Os lugares que passeavam não são cogitados agora, já que poderiam se tornar símbolo daquela relação que tinha tudo para dar certo, mas por Jeongguk desviar demais do caminho correto, agora já não tinham mais o que fazer, não havia como ignorar aquilo.

E o que continua entre eles?

A simplicidade costumeira, as risadas e mensagens em horas inapropriadas.

Faltava algo, Jeongguk possuía total certeza.

— Nos vemos amanhã?

Taehyung dá passos para trás, ainda que seu olhar estivesse vidrado em Jeongguk, é perigosa a ação despretensiosa do mais velho, contudo, os sorrisos tímidos não os deixavam pensar nesse tal risco.

O Jeon acena, por fim. Não precisa pôr em palavras, é certo que eles irão se ver todos os dias, porque querendo ou não, tem uma necessidade quase palpável ali.

Prepara-se para dar as costas e ir para sua casa onde provavelmente sua mãe está se organizando para o trabalho, mas é obrigado a pausar e verificar Taehyung. Está andando calmamente, e Jeongguk jura que pôde vislumbrar os olhos castanhos sobre si em uma rápida olhadela, talvez estivesse ansioso o suficiente para que sua visão lhe pregasse uma peça.

Volta a sua rota, aos poucos mirando a casa de cor bege ficando cada vez mais próxima. Estava de férias, talvez chamasse Hoseok para visitá-lo já que não havia muitas possibilidades, mas Jeongguk recorda-se de que o amigo está viajando.

Frustrado, não tarda em ser recepcionado pela matriarca, ganhando um sorriso bonito na expressão cansada da enfermeira. Percebe que está sozinho assim que a porta da frente é fechada em um baque leve. Quando se encontra no quarto, joga-se sobre a cama, e busca pelo celular no bolso, contenta-se com a foto de Taehyung no ecrã, o rosto banhado na mais pura serenidade, no maior profundo dos sonhos.

Xx

E ali estavam: um ao lado do outro enquanto caminhavam em direção a algum lugar, porque pelas palavras de Taehyung “não havia o que fazer em sua casa”, talvez possua algum motivo atrás desse, usado como fachada, mas Jeongguk não se importa, ele apenas quer estar com o Kim, numa (não tão mais) costumeira rotina.

— Se lembra de quando visitamos ali pela primeira vez? — Taehyung pergunta, está vidrado no cartaz do Blue’s world, aquele aquário público que tanto gosta. Sua atenção o faz recordar de bons momentos, e ele não percebe que está sendo observado, sequer Jeongguk nota quando o faz, é comum.

— Sim... Também me lembro das arraias me encarando como se fossem me comer — É Jeongguk quem comenta, arranca uma risada deliciosa de Taehyung, que sabe exatamente a reação que eles tiveram ao ver aquele peixe nadando bem ao seu lado, enquanto se distraíam com os peixinhos do outro lado.

— Elas não estavam te encarando, você as assustou e aí pareceu que elas estavam te olhando, só isso — Taehyung dá de ombros, volta a caminhar com Jeongguk, num clima descontraído.

— Por que fui eu quem assustou? Estava vendo os peixinhos, e você também! — Rebate, não quer e não irá admitir nada que o constrangesse em frente à Taehyung.

— Essa sua cara feia não é suficiente? — Taehyung ri, busca observar Jeongguk que tinha a face fechada em puro escárnio.

— Do que está falando? Eu sou bonito — Tenta Jeongguk, soprando ao vento as palavras confiantes. É sua autoestima falando mais alto, e isso só acontece na presença do Kim, pois Jeongguk apenas o faz, na suavidade digna de desejo.

— Bonito? Desde quando se ilude dessa maneira? — Outra risada, agora Taehyung acha que Jeongguk é uma ótima cobaia de suas palavras afiadas, e não se contenta, não para por aí.

Eles estão andando enquanto conversam, o céu se fechando mais conforme o vento forte carrega as nuvens e bagunça os fios dos garotos, a sensação é boa, compara-se com o desejo concedido de tomar um pouco mais de sorvete no verão. Ou talvez, assemelha-se a quando podem dormir até tarde, naquelas manhãs de segunda.

— Eu reparei que sempre que você se assusta com uma coisinha boba quando eu estou por perto— Taehyung comenta, seus pensamentos voam até que se encontrem em seus lugares favoritos, onde diversas vezes pôde notar o quão Jeongguk era imprevisível com seus medos.

— Isso não é verdade, eu faço porque quero te fazer rir, só isso — Estão em faltas os argumentos de Jeongguk, mas ele não desiste.

— Não sei se você agarrou meu braço ao ver arraias por isso, acredito que não — Jeongguk internamente revira os olhos e sorri para o nada, soa divertida a risada contagiante de Taehyung, é sobre como algo o faz se sentir bem.

— Talvez não tenha sido proposital, mas foi só dessa vez! Nós estávamos andando, tão curiosos com os peixinhos coloridos e de repente eu olho para o lado, tem um bicho gigante perto do vidro!

Jeongguk senta-se sobre um banco no parquinho e não tira os olhos de Taehyung. Há uma tensão divertida entre eles, uma coisa densa e capaz de cegar e impossibilitar a visão da obviedade que existia pairando sobre as duas cabeças.

Taehyung acompanha Jeongguk, o empurra para o lado, brincando com a expressão de incredulidade que estava estampada nele, estão se recordando de momentos especiais.

— Pare de inventar, você não sabe mentir — Por fim, Taehyung diz, nota como a frase combinava bem com Jeongguk, não era uma mentira, em seu todo, era... natural.

— Ei! Não finja que fui apenas eu que me assustei com aqueles bichos, porque você perdeu a fala e ficou parado, feito idiota... Estava esperando ser atacado? — Provoca-o, seus olhos brilham em expectativa e o sorriso afiado desafiava Taehyung.

Os dois se ocupam naquela brincadeira que parecia infindável, não percebem que automaticamente os dedos de Taehyung se embrenham nos fios escuros de Jeongguk, bagunçando-os, tirando-os do que Jeongguk parecia chamar de alinhamento. Logo, um bico descontente molda os lábios do Jeon, antes de se abrirem em total espanto fingido com a frase seguinte do Kim.

— Estava esperando você gritar, preparei minha audição, não merecia aquilo — Isso é o suficiente para Jeongguk. Suas orelhas se esquentam um pouco, e ele sabe que é um caso perdido, soa conveniente. — Só notei que você não ia abrir a boca quando as crianças começaram a rir de você, aí eu não aguentei.

Jeongguk revira os olhos porque continua sem fala, Taehyung sabia rebater melhor que si, era quase inadmissível ao seu orgulho – agora ferido uns 75%, total culpa do Kim, que tinha conhecimento de como se jogar.

Tem um silêncio depois, silêncio que não dura muito porque Taehyung inicia um monólogo sobre ter sido um dia agradável a visita ao aquário público, mesmo que sua mesada tivesse ido pela metade; admite que gastaria novamente se possível e repetiria aquela tarde. E Jeongguk o escuta, mentalmente concordando com todas as palavras e vírgulas, não por ser Taehyung que falava, mas sim porque era o mesmo sentimento. Juntos, se apaziguam naquele dia estranhamente frio, num sossego admirável.

— Acabei de me lembrar de uma coisa — Jeongguk inicia, revive mentalmente as ações antigas, as que surgem na mente após seus olhos pairarem sobre uma criança brincando com seu cachorro.

— O quê?

— ...de quando você correu de um poodle.

— Aish, Jeongguk! De onde você tirou isso?! —Abrupto, Taehyung o repreende com o olhar, não o garoto não quer ignorar, mas fazê-lo se sentir da mesma maneira. Afasta-se de Taehyung por um curto período de tempo ao se ver sendo ameaçado com a mão erguida defronte a si. Seu riso somente acalenta os ânimos, acaricia seu ego recém-machucado.

— Já esqueceu? Eu fiz questão de ficar te atormentando com isso por dias — Uma semana, especificamente, Taehyung compreende isso, porém não o cita.

— O cachorro da senhora Min não era agradável, eu não corri, apenas fiquei com receio...

— Não mente, hyung, você me pediu ajuda nas mensagens, e eu juro que me preocupei demais, tanto que fui te ver na casa da tia e quase te chutei por ter me feito de bobo — Jeongguk não comenta sobre a parte em que sentiu vontade de apertar o mais velho nos braços, enquanto ria (e apanhava).

Os dígitos de Taehyung resvalam levemente no braço de Jeongguk enquanto se movimentava, inquieto com a fala e a lembrança que lhe trazia. Sobre o topo de seus pensamentos, havia um poodle branco rosnando para si, e a visão não é boa.

— Não me culpa por isso, aquele cachorro realmente não gosta de mim.

— Você pisou na patinha dele, hyung — Jeongguk entrelaça as mãos no colo, arqueia as sobrancelhas como se estivesse dando uma bronca no mais velho, e isso deveria ser tecnicamente impossível.

— Jeongguk! Por que você ficou do lado dele e não do meu?! — Incrédulo; era o que definia Taehyung. Tem alguma coisa no modo em que o Kim se comporta, uma frase que sua mente planejou, sem deixar sair dali, é sobre eles estarem namorando naquele mês. Era o terceiro? Quarto? Parecia que o tempo passou de forma tão veloz, e que o acontecimento poderia ser relembrado como se fosse um dia antes.

Você pisou na patinha dele — O Jeon repete, dando ênfase em todas as palavras, provoca Taehyung da mesma maneira que sofreu outrora.

— A culpa não é minha se ele estava no caminho.

— Merecia sim, uma mordida, foi uma pena que não tenha ganhado — Taehyung cruza os braços, se vira para Jeongguk e mira os olhos brilhantes com um toque de diversão que divergia entre tal e algo que não saberia dizer o quê.

Eles não pausam ali, há uma necessidade grandiosa de continuarem naquele mar de lembranças, é um método tão tênue para que o assunto não se findasse entre eles, que isso acontece depois de alguns minutos, porque Jeongguk sabe que venceu aquela ao observar a reação do Kim, ele suspira e recua no assento, revira os olhos e ignora-o.

O sol se esconde ao horizonte, enquanto os dois garotos estão seguindo para um lugar o qual marcaram dias antes, era sexta e havia pessoas demais sobre as ruas, provavelmente seguindo na mesma direção que Taehyung e o Jeon.

Ao alcançarem a entrada, não é tamanha a surpresa com a fila que se formou desde cedo. Eles estão tão animados com aquela visita que sequer se preocuparam com o tempo que iriam levar até adentrarem o parque de diversões. Taehyung aponta para o alto, chama a atenção alheia enquanto comenta o quão sentia falta de se aventurar na montanha russa, e Jeongguk concorda – seu interior se revira com a mera menção de irem naquele brinquedo do mal, só que não quer se fazer de medroso com seu hyung.

Deveria engolir aquele leve receio junto com sua saliva.

E é o que faz, por quase quinze minutos, tempo que demoraram naquela fileira de pessoas. Jeongguk ouve um Taehyung animado e sente uma pontada no estômago ao vê-lo interagir com outros que aguardavam, as crianças sendo o principal alvo, e Jeongguk finge que não percebe as moças desacompanhadas o fitando com sorrisos sugestivos nos rostos. O toque dos seus dedos nas costas do Kim foi leve, num incentivo próprio para que ele avançasse para frente – consequentemente largando de mão a conversa que estava tendo com um rapaz tão jovem quanto eles, contudo, não iria admitir que foi esse seu real motivo, sequer para si mesmo.

Era errado porque era Taehyung, e o Jeon sabe que ele não é nenhum santinho, se questiona se está mentalmente gostando dos flertes que recebeu. Não tem palavras para expressar o quanto Jeongguk está incomodado, e droga, droga, droga... Taehyung estava se divertindo enquanto ele tinha a expressão franzindo em descrença.

Suspira em derrota, seus dedos ainda estão tocando Taehyung, como se aquele leve contato o fizesse se lembrar de que não estava sozinho. Segundo ou outro, os olhares se envolviam e Jeongguk não sabia o que pensar, apenas deseja, anseia a todo custo que aquelas quatro pessoas restantes entrem no parque, para que pudesse ficar livre daquela agonia dentro de si.

Quando finalmente Jeongguk e Taehyung estão na frente da recepcionista, não demoram em ser atendidos, e o Kim jura que aquela moça com um anel prateado no anelar seja uma pessoa legal, distribui sorrisos por aí e tem paciência, portanto não lhe custou nada retribuí-la.

— Tenham uma ótima noite.

Jeongguk só pôde suspirar em alívio – uma controvérsia se recordar de que está prestes a sofrer de ansiedades nos brinquedos – quando finalmente seus olhos caíram sobre as inúmeras pessoas dentro do parque, e nas filas carregadas; havia saído de um pesadelo para outro.

Taehyung o segurou pelo braço, apontando para a barraquinha de algodão-doce, e logo o recado foi entendido. Jeongguk revira os olhos em descrença porque sabia que iria gastar metade do seu dinheiro com lanches, e quem era ele para negar algo ao Kim?

— Você vai engordar se continuar comendo essas coisas, sem parar — Jeongguk soa sincero, e é exatamente isso o que quer. Taehyung o olha inconformado enquanto se aproximam no amontoado de pessoas na frente do pequeno local.

— Eu não vou engordar, Jeon Jeongguk, e para sua informação quebrada, estou sem comer “essas coisas” desde a semana passada!

Jeongguk abre um sorriso espontâneo, é sua risada por achar Taehyung infantil demais vestido na expressão de indignação. Não houve respostas para si, porém; Taehyung buscava algo ao redor para fazer o seu dongsaeng parar de gargalhar, e não encontra nada, é frustrante, e por isso se desfaz do contato que tinha com o amigo e se dirige para ser atendido pelo velho senhor de olhos puxados, pedindo um palito de algodão-doce.

— Seu namorado parece estar se divertindo às suas custas — Diz o desconhecido, e Taehyung abre a boca para rebater, mas a mera menção da palavra “namorado” o fez estremecer um pouquinho.

— Nós não... — Ele começa, segura o doce nos dedos com firmeza, Jeongguk o alcança, toca seu pulso e abusa o mais velho, arranca um pedacinho de algodão. — Não somos namorados.

Jeongguk está sem graça, enquanto Taehyung quer bater em si.

— Ah, me desculpem! — Não parece desesperado o homem, pelo contrário, se diverte com as expressões. — É só que vocês dois se olham diferente.

A conversa termina ali, Jeongguk vai pagar o vendedor, mas em um pedido extra de desculpas, é permitido que leve de graça. Os garotos não negam, e agradecidos, somem da sua vista.

Jeongguk insiste para que possam ir ao carrinho bate-bate, e Taehyung o chama de criança no meio do local, deixa o Jeon incrédulo. Primeiro porque não foi ele quem fez o convite de ir ao parque, e segundo porque o Kim sujou seu nariz de algodão. Ele o olha, é um claro aviso de “corre, senão eu vou descontar”, mas Taehyung não cede, não vai sair desesperado e deixar cair seu doce saboroso ao chão, e então Jeongguk se aproxima, seu rosto ainda está sujo de azul, porém por enquanto, ele não se importa.

Assemelham-se a dois menores de idade quando Jeongguk faz o mesmo com Taehyung: deixa que sua testa fique melada de açúcar colorido. Eles caem na risada, é tão bom aquele clima de espontaneidade que os ronda, é simplória a forma como não precisam de palavras para descrever que a companhia um do outro é mais que suficiente, na mesma proporção.

Após a cena infantil, Taehyung e Jeongguk se dirigem à fila da tão temida – pelo Jeon – montanha-russa, e o Kim parecia animado demais para um simples brinquedo, o dongsaeng poderia jurar de pés juntinhos em alguma promessa estranha que os olhos dele brilharam ao ver aquela coisa se movimentando em velocidade alta, ele só ouvia os gritos, cada vez piores pela proximidade.

— Não está com medo, está?

Taehyung tem as mãos dentro dos bolsos do casaco de cor bege, e um sorriso brincando nos lábios levemente azuis – o doce de outrora havia feito isso —, questiona ao amigo, que o encara por longos segundos antes que esboce alguma reação, apenas um sorriso de escárnio, porque é óbvio que não vai admitir, porém seus pés pareciam querer se arrastar para longe e realmente ir até a fileira do carrinho de bate-bate.

— Deveria?

— Depois de umas pesquisas, por acaso descobri que um carrinho de montanha-russa pode alcançar 120 km/h — Conta como quem não quer nada, finge que a informação é básica, e sente vontade de rir quando Jeongguk o olha com preocupação.

O brinquedo para, e os passageiros descem, o Jeon os fita com curiosidade, pensando que não deveria ser tão ruim assim... Quer dizer, ela só fazia voltas e voltas.

Não era?

Errado. Jeongguk constatou também que aquele carrinho era responsável por deixá-lo tonto, a mercê de um ataque epilético, se fosse o caso. Ele e Taehyung ficaram lado a lado, e o mais novo olhou – pelo menos – umas cinco vezes para seu equipamento de segurança.

Taehyung já não conseguia segurar a risada, enquanto travava uma batalha interna sobre o que fazer para amansar o garoto, para que se divertisse tanto quanto ele iria, porém nenhuma ideia que fosse boa surgiu em sua mente.

— Hyung...

Ouviram um som típico de quando o brinquedo é ativado, e Jeongguk, desesperado, tentava não surtar com possibilidades e mais possibilidades. Sua mente só se esvaziou de pensamentos do tipo que se é feito enquanto está à beira da morte – ou quase isso – quando sentiu o calor humano da mão de Taehyung junto à sua. Foi inevitável olhar para o lado, e lá estava o Kim, piscando um dos olhos para si, apertando os dedos nos seus e o carrinho pesado deslizava pelos trilhos.

Gritos e mais gritos agora, Jeongguk sequer conseguia raciocinar, a velocidade daquela coisa era alta. Não sabe se apertou a mão de Taehyung com mais força por instinto ou por medo, mas o fez várias vezes, desde quando o brinquedo subia na altura máxima na vagareza proveniente, até a descida radical que o deixava meio atordoado.

Sequer conseguia ouvir a própria voz, até a de Taehyung estava estourando em sua audição, a animação sendo grande o suficiente para tal. O dongsaeng iria sim, ter uma bela dor de cabeça mais tarde.

Quando pararam, Jeongguk quase não acreditou que havia gostado um pouquinho da adrenalina, foi... intenso, sim, é essa a palavra.

— Tudo bem?

Jeongguk concorda em um aceno, podendo respirar fundo depois daqueles poucos minutos. Nota que suas mãos ainda estão coladas, mas não sente vontade de desmanchar o contato, sendo obrigado assim que o assistente da montanha-russa retira os seus equipamentos de segurança, um sorriso quase debochado no rosto do rapaz que não parecia ter mais de vinte anos.

A sensação de quentura vai embora, dando lugar ao ar gélido que arrepia tanto Taehyung quanto Jeongguk. Encostam-se à parede, Taehyung está rindo do amigo, mesmo que seu coração acelerado demonstre o quão afetado estava – e ele não duvidava que não fosse somente pelo fato da montanha-russa ser realmente rápida.

Os olhos se conectam no instante seguinte, há um brilho especial que ofusca qualquer sentimento ruim que possa se enxergar ali, é ardente, quase nocivo, tem uma pitada salgada de saudade misturada com vontade; são Jeongguk e Taehyung.

— Vamos naquele ali?

Taehyung aponta, é um brinquedo que gira no alto, as entranhas de Jeongguk reviram e ele sabe que não vai aguentar dar voltas e mais voltas numa daquelas cúpulas, mas pensa que se já foi na montanha russa, não haveria perigo algum que o deixasse tão ou mais desconfortável – talvez tenha gostado um pouquinho, já que a mão de Taehyung o acalentava e apaziguava de uma maneira fora do comum, para si.

Portanto, ele concorda, não vai custar nada (apenas sua dignidade indo para o ralo da pia).

— Se não quiser, podemos dar uma volta e ir a outro — Taehyung dá de ombros enquanto fala, sente que está atiçando o orgulho de Jeongguk a descer e descer, o seu próprio está elevado, e ele gosta assim.

— Não, vamos nesse mesmo — O Kim o observa, consegue enxergar a certeza no olhar determinado.

A fileira não estava tão grande, facilitando assim a próxima entrada, onde Jeongguk e Taehyung formam uma dupla, o máximo de pessoas para cada cúpula. Eles estão indo até lá juntinhos, quase colado, de forma que as mãos se toquem em acidente, e ambos percebem isso, é notável quando de algum modo Taehyung permite que seus dígitos resvalem nos semelhantes, em uma carícia quase imperceptível para quem vê de fora. Há um arrepio que percorre em Jeongguk com isso antes que possa ver o Kim colocar as mãos nos bolsos do casaco mais uma vez.

Algo está se revirando dentro do Kim, e ele quer fazer parar.

— Suas pesquisas dizem a velocidade disso?

Uma clara leve provocação do Jeon, sua capacidade de querer tirar Taehyung dos eixos é grande, e ele se aproveita disso, tem total certeza de que consegue o que anseia, pois vê que Taehyung revira os olhos, negando.

— Não me preocupei em pesquisar essa parte — Afirma, a voz diminui umas oitavas, soa como se realmente não tivesse gostando de dizer aquilo, e não só parece, como é.

Taehyung encara acima, imagina o quanto as pessoas se desesperam ao rodar, rodar e rodar por benditos cinco minutos, e não admite, mas 49% do seu ser pede que dê uns passos para trás e vá a outro brinquedo, um com menos probabilidade de fazê-lo ficar tonto e passar mal, só que os outros 51% o manda ir e encarar aquele troço. Não tem escolhas quando os atuais adolescentes descem dos seus lugares (fazendo danças estranhas de passos para um lado e para o outro, que mostram que não estão devidamente bem) e Jeongguk segue firme, espera o segurança auxiliar as pessoas e pegar seu ingresso.

O ar gélido parece dez vezes pior quando estão dentro do brinquedo, se preparando mentalmente para o que viria a seguir, e isso seria tecnicamente impossível. Era admirável que estivessem realmente ali, prestes a dar as mãos novamente, por iniciativa de Jeongguk, que não sabe o porquê, mas precisa daquilo para se sentir bem dentro daquele pequeno espaço; sua claustrofobia inexistente não o deixava raciocinar direito, só havia grades separando eles dali com o lado de fora.

— Dá tempo de desistir?

É Taehyung quem questiona, atrai a risada de Jeongguk como um imã...  um riso nervoso. Não há respostas porque o brinquedo faz sua função, sobe até o seu ponto alto; nem Taehyung e nem Jeongguk sabem o que dizer.

Os gritos não tardam em ecoar pelo parque.

Quase insana, era a maneira como aquele brinquedo girava, parece que vai voar após se soltar dos seus encaixes metálicos. E a sensação que causa é sim adrenalina, mas há algo mais, uma coisa intensa que os faz querer parar.

Passam três minutos, e ainda possuem fôlego para gritar, é divertido apesar de louco, e Taehyung e Jeongguk com os dedos embrenhados uns nos outros fazia um estranho sentimento confortante alegrar o interior.

Não tem o que dizer, somente o que sentir, metade de arrependimento e metade de satisfação, isso é tanto por Taehyung quanto por Jeongguk, droga, porque aquela noite parecia mais agradável do que deveria?

Livram-se do brinquedo com tontura afetando-os, a visão parece embaçada para todos, aquilo é radical, e estranhamente bom.

O banco mais perto os recebe, e o silêncio surge como uma companhia extra, e na verdade, nem era ruim, só que incomodava um pouco, já que Jeongguk está acostumado a ouvir Taehyung falar e falar, então ele pensa que o hyung não se sente muito bem após aquela pequena aventura no brinquedo intitulado como aterrorizante e emocionante por Jeongguk.

— Aonde nós vamos agora?

— Carrinho bate-bate? — Não é uma sugestão, soa como uma pergunta, a qual Taehyung concorda com um sorriso, deixaria os brinquedos mais emocionantes para depois, suas mentes precisavam de descanso temporariamente.

— Carrinho bate-bate.

A fila desse brinquedo era uma das maiores, a noite parecia mais animada com a presença de mais e mais pessoas, o final de semana mal começava para eles. Taehyung admira sozinho as luzes do parque, pretende fazê-lo por um breve tempo, havia nostalgia ali, entretanto algo – ou melhor, alguém o faz despertar do seu próprio mundo: é um antigo companheiro.

— Taehyung!

Vira-se para trás, Minho o sorri com os olhos e tem surpresa estampada na expressão, sequer precisa olhar para Jeongguk para saber que ele está quase indo embora.

Ah, sim, o Jeon não gostava dele. Não era um espanto isso, afinal o melhor amigo não o fazia só com o Choi, mas com a maioria.

— Minho?

— Parece que não está feliz em me ver — O Choi franze as sobrancelhas e abre um sorriso leve, claramente brincando com Taehyung, que parece se acordar de um transe, retribuindo com um riso.

— Não é isso, é só... Estranho? Não sabia que você gostava de parques — Comenta, não aparentando notar a presença de Jeongguk, que está respirando fundo, mais uma vez. Ele não sente aquele ciúme descomunal, só... não está agradável, sabendo que a atenção de Taehyung está voltada para o hyung dos três.

— Tem muita coisa que você não sabe de mim — Minho se abre, busca algo com o olhar e não encontra, tanto Taehyung quanto Jeongguk estão surpresos.

— Por exemplo, essa aliança no seu dedo?

— Exatamente isso — Minho ergue a mão direita, tem um anel de prata em seu anelar. — Pedi a mão da Sook anteontem.

Jeongguk se sente menos incomodado, mas ainda sim, como um bobo. Os amigos de Taehyung eram apenas isso, amigos e mais nada, mesmo que às vezes alguns pareçam querer a atenção dele o tempo inteiro.

Minho o olha por breves segundos, acena em cumprimento e ganha uma resposta.

— E hoje vieram comemorar?

Choi concorda; logo tem uma moça bonita em seu enlaço, ela sorri tão fofamente para Minho, que Taehyung e Jeongguk presumam que seja a noiva.

— Essa é a Sook.

— São Taehyung e Jeongguk, correto? — A garota acerta os nomes na direção correta. — Minho falou bem de vocês, disse que são melhores amigos da faculdade.

A fila está andando, e os noivos se despedem dos dois amigos quando percebem que é a vez deles.

Decidiram em um acordo mudo, que cada um fosse em um carrinho diferente, não eram as únicas crianças que cresceram demais, e isso era divertido.

Não só agradável, mas nostálgico também.

Aquela noite estava em seu auge, mesmo que faltasse aquela intimidade a mais que Jeongguk e Taehyung possuíam antes.

 

Xx

 

Sobre o colchão do quarto de visitas de Jeongguk, o mais velho está deitado num sono profundo, invejável pelo dono da casa que não consegue pregar os olhos, a adrenalina de mais cedo ainda percorre por suas veias o deixa desperto.

Era para o Jeon estar na cama àquela hora, até sua mãe já havia se retirado, só que tem uma coisa, uma força maior que impede isso, então ele está vigiando o sono de Taehyung, buscando na expressão bonita algo que lhe ajudasse. Não observa muito, apenas está admirando o Kim. Seus joelhos no chão ao lado do amigo pedem arrego, tem um tempo suficiente para que haja essa sensação, essa vontade de se sentar.

Jeongguk não se atenta à isso, mas sim ao movimento constante que a respiração de Taehyung o fazia realizar, não cede ao seu desejo de mexer nos fios castanhos por medo de acordá-lo, mas admite mentalmente que ele quer.

Talvez até mais.

Sabe que foi um idiota, não parece que confia em Taehyung mais que a si mesmo, seu ciúme mostrava o pior de si, só que era involuntário, não gostava da aproximação alheia com Taehyung e ainda mais ao ter conhecimento que o Kim era bom demais para qualquer pessoa, quer dizer, ele errava algumas coisas aqui e ali, contudo apenas normalidade, todo mundo erra e Jeongguk sabe que errou grandiosamente, se pudesse voltar ao passado – que soasse clichê, era o que estava pensando ultimamente – iria mudar tudo e não deixaria que aquele relacionamento antigo se desmoronasse como um castelo de cartas.

A relação que tinham agora era gostosa de ser sentida, já que o que se perdura ali é a intimidade que continuam tendo e em simples gestos, Jeongguk se sente frustrado por não poder apenas beijar Taehyung, por não poder ficar tão próximo ao calor humano dele.

Droga... Jeongguk se acha um estúpido, ele necessita de Taehyung de volta. Talvez se pudesse mostrar que é capaz de mudar, que não é impossível que possa conviver como uma pessoa normal ao ver Taehyung perto de alguém, porque céus! Era normal!

Taehyung suspirava enquanto dormia, e Jeongguk acha isso agradável, nota como os lábios alheios parecem chamar os seus, como antigamente, era tão delicioso beijá-lo e agora estava proibido de realizá-lo.

Ele se aproxima devagar, é questão de segundos para colar as bocas, em uma leve ação, não deseja, em hipótese alguma acordar Taehyung, mas está tão bom aquele contato que quando o Jeon se afasta, somente chega mais perto para fazer mais uma vez. Foram quatro no máximo? Jeongguk não sabia, porém tinha conhecimento de que não poderia continuar por enquanto.

Havia um sentimento, uma saudade exasperada que implora por mais, implora por Taehyung inteiro novamente, e Jeongguk vai usá-la a seu favor.

Está decidido, Jeongguk deseja Taehyung de volta, e pode muito bem prová-lo – não só pode como vai – de uma forma ainda não pensada, de que eles não iriam ser a mesma coisa, iriam ser muito melhores, mais íntimos e mais confiantes. 

Foi com o pensamento acima que Jeongguk voltou ao quarto, os seus lábios formigando com a sensação de outrora, enquanto o seu coração fazia um “tum-tum” intenso na caixa torácica. Tem um sorriso que se revela no rosto quando suas cobertas fazem o trabalho de cobri-lo por inteiro, e agora não tem uma dificuldade tão extrema de dormir pois acontece suavemente, como se os selinhos que deu em Taehyung fossem mágicos.

Na manhã seguinte, aparentemente não havia nada de errado, somente o leve medo de Jeongguk sobre ter beijado Taehyung e ele não ter percebido, o quão provável que ele sabia e tinha ignorado? O Jeon não quer pensar nessa possibilidade, ser descoberto afetaria seu orgulho já pisoteado no dia anterior, naquele parque de diversões onde sujou sua melhor camiseta com lanche.

A sua matriarca sequer amanheceu com os garotos, o trabalho a chamava mais cedo, e Jeongguk só não se sentiu tão mais frustrado porque Taehyung teve a bendita ideia de dormir em sua casa, já que os portões da sua própria estavam devidamente trancados, e ficou para o café da manhã quase almoço.

Não imaginavam que fosse tão confortável dormir sabendo que havia uma companhia extra no quarto ao lado.

Mentalmente Jeongguk orquestra algum plano, só que enquanto Taehyung está por perto, sua mente reforça a ideia de dá-lo a prioridade em modo físico. Torna-se grotesca a ideia de beijá-lo ali mesmo, apenas porque sente falta do sabor adocicado – no momento provavelmente misturado com maracujá devido à bebida que o deu –. É o seu desejo falando mais alto, no entanto, há uma pequena parcela de receio que o toma instantaneamente ao que eles se entreolham um momento ou outro, e isso perdura até a saída de Taehyung.

É, Jeongguk não faz.

Mas está disposto ao que decidiu à noite.

Jeongguk é alguém que não consegue se expressar muito bem, quer dizer, isso só acontecia quando era Taehyung, uma força maior e quase palpável é nociva de tão intensa. Só que de qualquer forma Jeongguk queria mostrar ou dizer ao Kim que tudo não passou de um erro que não deveria ter cometido.

Sua mente está em branco, de que maneira ele iria pôr aquele sentimento intenso de culpa em palavras? 

Enquanto está deitado sobre o sofá, observa veemente as suas imagens com Taehyung, e as deles individualmente, seu coração parece se apertar, algo está o sufocando, o forçando para a borda de um penhasco.

Talvez pudesse fazer um discurso, uma tentativa com muita porcentagem de falha devido ao fato anterior, mas o que lhe custava? Somente a dignidade facilmente despedaçada quando se trata de Kim Taehyung.

Aquele silêncio já estava se tornando incômodo para o Jeon, era necessária uma segunda presença, o som agradável de uma voz além da sua para uma conversa, uma possibilidade.

Ele passa a manhã ali, e depois do horário do almoço – onde se delicia com a comida de sua mãe, após o devido esquentamento – pensa que deve caminhar ao redor, carrega um pequeno caderno consigo, não sabe o que irá fazer com o objeto, somente o faz.

E seus pés o levam para algum lugar. A sensação não é ruim, é como se um peso estivesse ficando menos difícil de carregar, como se o seu oceano particular estivesse finalizando seu rebuliço, mesmo que sua mente esteja o pregando peças, ao perceber que foi parar justamente em um local que deveria ser o último a ser cogitado pela sua pessoa.

Jeongguk suspira, atravessa aquelas árvores, dá atenção às crianças e seus pais e avista um banco ocupado. Ele para, seus olhos visualizam a figura esbelta brincando com um bebê que logo é levado pela provável mãe após sorrisos. A cabeleira castanha não é difícil ser reconhecida, juntamente com a bandana que ele está usando; parece a primeira vez, apesar de ter sido no pátio da faculdade.

O Jeon pode ser confundido como uma estátua ao que observa o perfil de Taehyung. Suspira, procura algo para fazer, e acha que sua tentativa de conversar com o Kim possa dar certo. Isto é, se não arriasse no último minuto.

A conexão dos olhares não demora muito, porque Jeongguk encara Taehyung como se estivesse vendo um extraterrestre, e a intensidade o chama a atenção.

O Kim tem os olhos se arregalando, suas entranhas reviram dentro de si ao que o Jeon se aproxima, meio receoso, meio surpreso.

— Jeongguk? O que está fazendo aqui?

Ele abre a boca, quer respondê-lo “não sei”, porém, nada sai, é como se tivesse desaprendido a falar, era assim o que a presença repentina de Taehyung o ocasionava.

Uns poucos segundos, e finalmente Jeongguk consegue se pronunciar.

— Devo te perguntar a mesma coisa...

Sorri, por fim. Se o destino havia o colocado tão perto de Taehyung rapidamente, então não deveria desperdiçar essa oportunidade, não quando há muito entalado em sua garganta.

— Senti saudades daqui — É especial, não é? — Você?

— Para falar a verdade, eu não sei, só... Foi involuntário — Um concordar disfarçado, vem de Jeongguk.

O dongsaeng se senta no banco, acomoda-se uns centímetros longe de Taehyung. Sua visão paira por todo o local, desde as pessoas se divertindo, até os casais trocando beijos mais ao fundo.

Há um tempo, Taehyung e Jeongguk também o faziam.

Uma tensão se instala, ela é densa, alcança níveis alarmantes, faz com que os melhores amigos se sintam presos em uma confusão de sentimentos. Não é confusa em seu todo, aliás, já que está perceptível para qualquer um que passasse por perto dos dois, que detém de qualquer coisa forte no sentido romântico do negócio.

Provém de desejo, uma enorme vontade que é tachada de impossível de obter.

— Você se lembra? — Soa normal, mas é uma pergunta com uma resposta óbvia que vem de Taehyung; sua voz é baixa, mansa, como se houvesse um amedrontamento por trás de suas ações.

— Sim — Jeongguk responde, com certeza sabe que foi ali que eles deram o primeiro beijo.

Era uma noite fria, e eles voltavam de uma festa produzida pelos veteranos do campus. Como esperado, Jeongguk e Taehyung haviam ficado juntos, bebendo como companheiros que desejavam se pegar, e isso aconteceu quando um Jeon bêbado se apoiou na árvore, e ele consegue se recordar perfeitamente de que passou alguns segundos observando o Kim.

Sequer pensou antes de colar as bocas em um beijo afoito, foi intenso, mas não em momento especial, foi ali, naquele local há meses.

O Jeon sorri para Taehyung. Eram dois inconsequentes que se gostavam.

Taehyung tem a expressão suavizada, o ar gélido bate contra os corpos dos dois, os arrepia e faz os fios acastanhados de Jeongguk saírem do lugar, em uma bagunça bonita. O hyung permite que seus dedos tracem o trajeto até as madeixas escuras e as coloca atrás da orelha do Jeon.

O sorriso tímido no rosto de Jeongguk é fácil, rapidamente se conduz com o ato delicado do Kim. Seus olhos, porém, não conseguem visualizar os semelhantes, é difícil fazê-lo e não beijar Kim Taehyung.

— Vamos até aquele lugarzinho?

Não sabe de onde toma coragem, e pergunta à Taehyung. Também não sabe o que pretende chegar com aquilo, mas provavelmente teria conhecimento mais tarde; era o que acreditava fielmente.

Taehyung afirma, seu coração bate acelerado com aquela proximidade, e seus olhos não conseguem parar em Jeongguk, sente a vergonha abatendo seu consciente, mas sua imaginação fértil colabora para algumas imagens que com certeza, há de sentir falta.

Jeongguk e Taehyung andam lado a lado, alcançam rapidamente o lago que queriam, observam por segundos alguns casais velejando e é instantâneo para que um sorriso se aposse da bela face de Taehyung.

Ah, céus...! O que se torna quase palpável ali é o sentimento de felicidade, ali é início e fim, bem no meio daquela água banhada em calmaria. É tristeza e alegria, que aparecem juntos, porque não é só de uma coisa que Taehyung está lembrando com Jeongguk, mas sim de várias e marcantes.

São doces sonhos que se tornaram realidade em um barquinho qualquer, naquele lago, foram também amargos pesadelos que mudou a rota que Jeongguk e Taehyung fizeram para o relacionamento deles.

— Vem — Jeongguk quem chama, e velozmente Taehyung acena.

Cumprimentam o velho senhor que conheciam, sendo recebidos com carisma e compreensão, aquele é alguém que viu o início e fim de um namoro que tinha tudo para dar certo, sendo totalmente cúmplice das armações do ex-casal.

Taehyung não sabe o que imaginar, sente como se fosse ter um infarto a qualquer segundo, seus olhos mostram que o que finge não sentir é apenas uma ilusão, porque decerto a vontade de abraçar Jeongguk não devia ter tão grande, se fosse o caso.

Jeongguk segura firme uma das mãos de Taehyung e o ajuda a adentrar o espaço, a sua palma estava fria, e o que lhe ocorreu foi um choque término interno que o agradou; o hyung estava quente, do contrário de si.

Quando estão sobre pequeno barco, tudo o que Jeongguk quis fazer era beijar Taehyung e repetir-lhe diversas vezes quatro palavrinhas até que voltassem aos beijos após um “sim”, mas sua coragem não era grande, pelo contrário, era vergonhosa de tão minúscula. A única coisa que sabia é que não deveria deixar aquela chance passar, não era uma despedida daquele pequeno lugar bonito, claro que não!

Deixaram que fossem levados pelo leve fluir das águas, enquanto os olhos de Taehyung se pausavam sobre Jeongguk, que estava aéreo demais. Ele sorri, parece que há algo que precisa realizar, contudo não podia, quer dizer, até poderia, mas não devia; é diferente, e torna tudo mais complicado.

Jeongguk lembra-se de todas as discussões que tiveram, e o quanto gostava de ir àquele lago para observar as pessoas e pensar sobre ser tão babaca a ponto de deixar seus impulsos falarem mais alto que o desejo de ter Taehyung em seus braços.

O dongsaeng nota que o caderno está sobre seu colo, em branco porque não havia conseguido pôr as palavras que queria dizer ao Kim, nas linhas. Um suspiro, sua atenção se volta para Taehyung. Assemelha-se a uma corrente elétrica a conexão de olhares, faz o Kim desviar o olhar e Jeongguk morder o lábio, nervosamente. O “tum-tum” do seu coração se acelerando à medida que entreabre a boca, busca o ar rarefeito e aperta o bloco de notas nas mãos.

— Tae... — Inicia, solve mais uma vez o ar e pensa um pouco, Taehyung o olha mais uma vez, tem um brilho estranho que faz o interior de Jeongguk se revirar. Não podia desperdiçar aquela oportunidade, não podia. — Eu...

— Você...? — Inquieto, tem os dedos se apertando constantemente, quer que Jeongguk fale o que precisa dizer, e espera não estar ansioso à toa. Quer tocar os fios do dongsaeng e acalmá-lo, porém algo dentro de si o manda apenas ouvir.

Jeongguk busca o ar com força, a determinação emana dos seus poros, o auxilia naquela procura de palavras que possam ser suficientes para que Taehyung o entenda – mas talvez, não houvesse palavras que sejam realmente suficientes, porque o que está sentindo agora é a coisa mais arrebatadora que surgiu.

— Me desculpa — Coragem, por favor. — Eu fui um idiota com você, eu... me deixei levar pelo maldito ciúme e te magoei. Não sei se sou capaz de mostrar a você aqui e agora o quanto estou arrependido, porque... Droga, Tae.

— Gguk?

— Espera, me deixa terminar antes que toda a coragem vá embora — Jeongguk ri sem graça, deixa que sua visão se admire com Taehyung enquanto as palavras fluem. — O que eu estou sentindo agora é culpa, amargura e todas essas coisas juntas. Estou tentando te dizer que eu não consigo conviver sabendo que nós terminamos por minha causa, porque toda vez que eu olho pra você só sinto vontade de te beijar e te pedir perdão pelas minhas idiotices. Eu juro que tentei fingir que não me afetei tanto assim quando você me disse, aqui mesmo nesse lago que não aguentava mais essa minha falta de confiança, que... eu sou um babaca por achar que você dava mais atenção aos outros do que ao nosso relacionamento. É tarde demais para pedir uma segunda chance? Não quero acordar sem saber que a qualquer hora nós estaríamos ou na sua cama ou na minha, aproveitando os dias. Não quero me lembrar da tristeza que eu via no seu rosto todas as vezes que brigamos pelo mesmo motivo.

Ele joga tudo de uma vez, tem o coração se aliviando aos poucos, apesar do receio de receber um belo “não” por ter sido um estúpido bobo ciumento que não merece ser desculpado. A espera é dilacerante, mas Jeongguk não sabe mais o que fazer, ele tentou pôr os sentimentos nas frases anteriores e agora está vendo a expressão de Taehyung, sem conhecimento do que ela significa. Não iria mentir, o tremor que sente provém de puro medo.

Está quase desistindo, seus olhos ardem por causa daquele sentimento dilacerante e é grande sua surpresa ao ver Taehyung segurar as lágrimas ali. Ele sabe que é isso porque o Kim olha para cima, para os lados, respira fundo e por fim fala:

— Você... Não sabe o quanto eu quero te beijar agora — É a única coisa que ele diz, e é como um resumo de tudo o que está sentindo. Sua voz embargada quase não é compreendida pelo Jeon.

— E... Por que não faz?

— O barco vai virar se eu for te beijar do jeito que desejo — Jeongguk perde as palavras, solta um riso simplório com a afirmação alheia e luta consigo mesmo para não surtar.

— Mas isso... quer dizer que você me perdoou? E que me aceita de volta? Que nós vamos voltar?

— Sim, sim, sim! Mil vezes sim! — Taehyung sorri com a exasperação de Jeongguk, seu dongsaeng o deixava meio bobo. — Vamos voltar? Quero te beijar, muito.

Jeongguk leva os dedos até o rosto, enxuga as lágrimas que insistiram em cair, apesar de ter as contido. Eles remam até a borda do lago, o velho senhor os acomoda com um sorriso e os ajuda a sair do barco.

Taehyung realmente não sabe o que sentir ou o que dizer.

Apenas sabe o que necessita fazer, e é rápido ao engatar um abraço apertado no seu dongsaeng, quase o derruba por causa da sua satisfação. Seus braços envolvem o pescoço alheio e sente as mãos arteiras velozes em apertar sua cintura; eles sorriem um para o outro, e Jeongguk por fim toma os lábios de Taehyung para si, é um beijo de saudade.

O que de início era pra ser fofo se transforma em algo mais grotesco, eles se gostam tanto, tanto, tanto. As bocas estão se movimentando numa dança particular em uma música sem som, não se importam se estão em local público, Taehyung permite que seus dedos se embrenhem nos fios da nuca de Jeongguk, o incentivando para mais, e é o que recebe, a língua apressada se envolve com a sua, tem sabor de felicidade.

Jeongguk mordisca o lábio inferior do Kim, é bom demais para acreditar, é de uma intensidade tão boa, tão, tão boa.

Separam-se por falta de ar, ainda tem algo que Jeongguk queria dizer.

— Você quer voltar comigo?

Não tem resposta em palavras, mas tem um sorriso grande e logo depois mais um beijo carregado de emoções fortes, uma coisa tão radical que parece um maldito sonho.

Mas eles sabem que é real. 


Notas Finais


E é isso. Não esqueçam dos favoritos e comentários que deixam a Shii muito feliz.
Qualquer coisa deem um berro <3

Obs: taekook separados dá uma tristeza tremenda mds


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