História O Reverso é Mágico. - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Amizade, Anjos, Autodescobertas, Aventura, Demonios, Drama, Fantasia, Inspirações Em Mitologia, Luz, Magia, Paladinos Mágicos, Reverso, Superação, Trevas
Visualizações 22
Palavras 1.931
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


"Em uma conversa despreocupada, duas gerações debatem sobre a humanidade, sobre como vão devastá-la e se conseguirão reconstruí-la como bem entendem."

Capítulo 14 - Humanidade, devastação, reconstrução.


Sentada no trono que havia no meio daquela caverna, ela tinha um teor maligno na fala:

— Conseguiu o que estava tramando, velho nojento? — Sua voz ficava mais provocativa, enquanto ele se aproximava dela.

— Minha querida, não me lembro de você ser tão rude... Está com algum problema?

— Meus problemas acabarão quando todos estiverem mortos e eu estiver caminhando sobre as cabeças decapitadas de todos que odeio. — Ela levantava a perna e colocava em cima do braço do trono. — E, Baltasar, a sua cabeça ficará pendurada em um lugar privilegiado, onde eu poderei apreciar todos os dias essa sua cara de morto-vivo!

— Pensei que tivesse te dado mais educação...

— Educação? Você não me deu nada além de agulhadas, velho retardado! Se não me engano, “para o objetivo final”, não é mesmo? — Ela roía a ponta da unha do dedo polegar, arrancava-a e cuspia na direção dele. O pedaço de unha babado caia na bochecha de Baltasar, que a tirava com um peteleco, fazendo que a menina de olhos avermelhados risse com uma estridente gargalhada. — Vamos, me diga, conseguiu o que queria?

— A tormenta da sociedade já está sendo capturada. — Ele possuía um sorriso ainda mais desagradável e uma motivação incomum para alguém da sua idade. — Uma mais poderosa que essa que está atrás de você!

Ela se levantava e ia rápida na direção de Baltasar, apontando o dedo na cara dele e se segurando para não matá-lo ali mesmo. Não conseguia raciocinar no que ia dizer, não controlando a velocidade da sua fala:

— Saiba que não existe nada mais poderoso que o meu Redlion! — Ficava vermelha, cerrando os dentes.

— É assim que você chama a poderosa besta Leoru?

— Ela é minha! Chamo como quiser! — A menina se emburrava.

O leão gigantesco atendia à voz da menina com rugidos, fazendo com que Baltasar se estremeça. Com uma pelagem avermelhada, olhos brancos e garras negras. Um belo felino. Gigantesco. Gigantesco em todos os sentidos. Poder, altura e magnitude. Uma tormenta da sociedade, seres incompreensíveis que existem desde os primórdios abalando o mundo. Tão antigas quanto à humanidade.

Das trinta e seis, doze foram eliminadas durante os séculos; cinco estão sob domínio do Conselho Paladino; a tormenta da sociedade, a besta do ciúme, Leoru, sob o poder daquela menina; e as dezoito restantes estão livres levando destruição por onde passam.

Tormentas da sociedade são incompreensíveis. Dizem existir ao mesmo tempo em que a humanidade e que são o oposto da harmonia expandida pelo imperador. Originadas para atormentar toda forma de vida. Cada uma das trinta e seis possui um núcleo composto de Reversium, um poder longe da energia vital, longe das trevas, da luz, da magia. Um poder apenas presente nelas, nas devastações que destroem a humanidade, que existem opostas a ideia de vida.

Ao decorrer dos séculos, paladinos poderosos começaram a surgir e com poder suficiente de encarar esses seres. Chanler Lumiliques e Hokona Kubo, já mencionados, eliminaram, cada um, uma tormenta da sociedade e este feito só foi repetido alguns séculos depois. Fere Sternber recolheu alguns e os aprisionou com sua magia estelar para, posteriormente, serem adquiridos pelo conselho paladino. Mas a pessoa que deu início a toda a nova era, onde as tormentas não significariam um fim eminente, foi o conhecido como Artesão do Paraíso, no século X. Ele é oriundo do leste africano, do coração da África, e é conhecido como um grande homem. Deparou-se com uma tormenta da sociedade pela primeira vez quando a mesma deu um fim a sua tribo e, assim, ele se propôs a caçá-la por vingança. Tornou-se forte, poderoso, conhecido historicamente como o mais forte paladino que já pisou na terra. Conhecedor de artes mágicas perdidas no tempo. Eliminou a devastação da hostilidade e percebeu que, dos seus restos, sobrou o seu núcleo, repleto de Reversium. Logo constatou as propriedades daquilo e fez o primeiro dos conseguintes nove artefatos. Ele eliminou nove tormentas da sociedade e, destas, fez os artefatos, manuseando o Reversium presente nos núcleos, fazendo armas poderosas o bastante para bater de frente com as denominadas Tormentas da Sociedade. Os artefatos foram espalhados pelo mundo, se perderam no tempo e foram usados por alguns paladinos durante os séculos para eliminar outras tormentas da sociedade, cujos núcleos foram mantidos e repassados já que não existem meios conhecidos para transformar mais núcleos em artefatos. Os métodos do ancião são desconhecidos e por muito considerados como uma arte mágica perdida.

Porém, não existem relatos que ditam sobre alguém que tenha domado alguma tormenta. Absolutamente, dominar uma delas é considerado como impossível. Mas aquela menina possuía Leoru ao seu lado e ele a obedecia sem pestanejar. Ela tinha o poder para controlar ele e todas as outras como quisesse. A menina de dezessete anos que é a experiência suprema de Baltasar.

Não parecia aquele mesmo velho que vive definhando nas sombras do castelo dos Twihunt. Tinha voz, um sorriso, um tanto maligno, e um olhar jovial. Andava sem dificuldade e não parecia se cansar. Se Oliver o visse nesse momento, diria que Baltasar é mais dissimulado do que ele pensava.

— Tem certeza se consegue controlar duas tormentas ao mesmo tempo? — Ele perguntava compassivo. Baltasar era inteligente e calculava seus atos com minúcia, tinha de ter certeza que cada detalhe do seu plano daria certo.

— Ainda pergunta? — Ela voltava ao seu trono. — Você seria inútil se não fizesse um trabalho bem feito em mim! Sofri demais para não conseguir fazer isso! — Ela abria um sorriso devastador e mantinha um olhar sanguinário. — Acredite, vou usá-las para acabar com a humanidade e matar a todos! — Ao ponto de vista de qualquer um que possa observá-la, a menina mostrava uma visão psicodélica e obsessiva. — Não posso desistir! Não agora! Vou ver o fim de tudo! Vou ver o fim de todos!

— Apenas espere que tudo se conclua para você ter todos os seus desejos.

— Sou feita para acabar com a humanidade, não sou, Baltasar? — Ela olhava para suas próprias mãos e remoia muitos sentimentos intragáveis, até que fitara o homem com seus profundos olhos, procurando uma resposta. — Sou feita apenas para isso! Para acabar com tudo que existe e, depois, matarei a você e restarei sozinha no mundo.

Ele se mantinha calado. Um velho ardiloso que tinha coragem o bastante para acabar com a humanidade, fazer a ordem do mundo se desestabilizar e tentar reconstruí-lo como bem entendesse. Enlouqueceu aquela menina e a transformou na arma perfeita, sem escrúpulos ou algo que a pregue em justiças, medos, inseguranças ou esperanças. Sabia que se desse algo para ela almejar mais que qualquer coisa, ela faria tudo que ele quisesse. Usou da fórmula que conhecia bem, o ódio. Mas antes traria o caos à sociedade reversa. E, com isso, queria encher seu olhar com a vista que mais desejava: o sofrimento de todos.

Baltasar é um velho perverso. Foi líder dos Twihunt antes de Melchior e Oliver. Mas apenas quando se percebeu velho e no fim de sua vida, um sentimento incomum o deu um ar de juventude. Não queria morrer. Não queria ver tudo que havia feito sendo levado por sigo mesmo. Não queria que a morte o levasse. Não conseguia aceitar um mundo sem ele e julgava mais adequado que, se ele não existisse, o mundo não teria utilidade. Seria melhor se o mundo acabasse ao invés dele. Ou, melhor, talvez quisesse tomar conta da ordem da vida para então se perpetuar como o ser supremo, dono da humanidade. Seria possível que alguém, no poente da sua vida, se tornasse perverso e quisesse o fim do mundo para reconstruí-lo? Talvez seja no fim da vida que a pessoa note suas reais qualidades e tenha em mente de seu potencial e sua importância para a humanidade. Acontece que Baltasar havia reparado que o mundo não seguia como ele queria e que o mundo iria continuar mesmo se ele morresse.

— Quando nossa diversão irá começar? — A menina perguntava chamando a atenção dele.

— Quando você acha que seria bom que ela comece?

— Por mim, agora! Mas eu acho que não seria adequado nessa situação... Precisamos agitar mais esse tabuleiro, não acha?

— Acho que você está ficando inteligente, minha bela Izzy. — Baltasar fechava os olhos, sorrindo e se aproximando dela.

— Não me chame assim. Nunca mais! — Ela gritava com ele. — Abandonei esse nome, e tudo ligado a ele não me pertence mais!

— Se não me engano, quer que eu te chame de Armagedon, não é mesmo? — Ele franzia o cenho com uma expressão inconformada. — Menina, não somos super vilões para termos alcunhas.

— Não quero que me chame mais daquele nome! E não admitirei que me chame assim novamente. — Ela se inclinava para frente. — Pelo menos, deixe que eu acredite ser uma super vilã. Você tirou tudo de mim, velho caduco, se tentar tirar qualquer coisa a mais, eu farei questão de empalhar sua cabeça ainda hoje!

— Não precisa se irritar, Armagedon. — Alisava a barbicha acinzentada que tinha. — Afinal, todos nós possuímos fantasias infantis, não é mesmo?

Ela tirava o sorriso do rosto e mantinha um olhar capaz de amedrontar qualquer um:

— Não se engane, sei que pretende me trapacear para, quando destruirmos tudo e desencadearmos o colapso do mundo, me eliminar e controlar o poder da vida para recriar o mundo como você deseja.

— Está ficando esperta. Então o que fará?

— Ainda preciso de você e você precisa de mim. O importante é ver quem conseguirá eliminar quem, para enfim um de nós dois se consagrar como o vencedor desse jogo! Precisamos apenas da oportunidade perfeita.

— Tudo é um jogo para você?

— Baltasar, a vida é um jogo. O jogo da vida é mais simples do que parece. Você só tem que passar por cima de quem te desafia para você subir nesse ranking injusto.

— Que bela percepção. — Ele tinha um tom sarcástico.

Os dois mantinham um olhar fixo um no outro. Izzy, ou Armagedon, odiava Baltasar. Odiava a todos. Odiava a humanidade. Fora enlouquecida pelo velho patriarca, que matou o gosto de viver dela e tirou da menina sua vontade de ser feliz à força. Queria se vingar do mundo da forma mais ardilosa possível. Queria ver o fim da humanidade, da vida. Sabia que estava louca, sabia que esse sentimento era maluco, psicopata, errático, desenfreado, incalculável, sabia que era desprezível. Ela não ligava para isso. Ela enoja o conceito da sociedade sobre felicidade. E quer tirar a esperança da humanidade, quer ver a dor, o sofrimento, quer senti-los, usufruir do doce som do desespero humano. Ela estava louca, sedenta por morte e sabia disso. A menina de cabelos negros e exuberantes, brilhantes e sedosos, se prendia na ideia de ser a causa do fim. Orgulhava-se profundamente por poder ser o desespero das pessoas. Ela odiava qualquer forma de vida, a não ser a dela própria. Acreditava que apenas ela era digna de sorrir, de respirar e de viver. Apenas ela e não pessoas que se achavam felizes. Pessoas tolas. Idiotas. Humanos que acreditam que a felicidade exista. Tolice. Para ela, felicidade é apenas um conceito criado pela sociedade para manterem as massas medíocres. Felicidade é um sentimento utópico, inexistente, que não passa de uma ilusão. Ninguém é feliz. E isso é o que a menina Armagedon mais odiava. Qualquer um que acredite que é feliz ou que está em busca da felicidade. Ninguém é feliz e todas as pessoas que desgastam seu tempo em busca disso não merecem viver. Ela odeia essas pessoas com sorrisos mentirosos estampados em seus rostos. Quer tirar à força isso de todos os humanos e conta os segundos para anunciar a chegada da era do caos que ela estabeleceria. 


Notas Finais


Abraços!!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...