História O Reverso é Mágico. - Capítulo 15


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Amizade, Anjos, Autodescobertas, Aventura, Demonios, Drama, Fantasia, Inspirações Em Mitologia, Luz, Magia, Paladinos Mágicos, Reverso, Superação, Trevas
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Palavras 2.492
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


"Medo, ideia e sentido. Abandonar o medo. Ter compreensão da situação ou continuar sem ideia para o desespero e o descontrole não dominarem suas mentes. Perder o senso de sentido."

Capítulo 15 - Sem medo. Sem ideia. Sem sentido.


Era agora ou nunca. Debaixo da Torre Eiffel, Sayumi devia se decidir. Arriscaria tudo por aqueles dois meninos ou não?

Oliver, Angelie e Federico encantavam o espaço com uma barreira de contensão para aqueles que estavam visitando o monumento não notarem o que estava acontecendo. Rapidamente, um enorme campo de contensão mágico se abria sobre a torre gigante e as pessoas se afastavam sem perceber. Não conseguiam ver nada ou distinguir o que estava acontecendo, a barreira tornava a torre desinteressante e impedia qualquer humano de se aproximar deles. Aquela praça, sempre com uma multidão sem fim, acabara por ficar deserta e mal sabiam que era por causa de quatro adolescentes de uma realidade onde tudo é possível.

— Oliver, está tudo pronto, agora, o que faremos? — Federico não se saía muito bem em situações difíceis e normalmente se desesperava, principalmente quando tinha de pensar ou ficar parado sem fazer nada. — Temos que ser rápidos ou...

— Não se altere, precisamos ficar calmos — Oliver o alertava. — Precisamos de calma. Espalhar um encanto por toda Paris será difícil e esperar que dê certo... Precisamos ficar calmos, definitivamente. — ele tentava se convencer e não pensar no lado ruim ou até mesmo na probabilidade daquele plano.

Sayumi assistia aos dois, que estavam aflitos. Sentia mais ansiedade, seus pensamentos ficavam tortuosos e ela não conseguia se concentrar. Eles apenas falavam e Angelie se intrometia, estavam tão desesperados quanto ela e mal sabiam o que fazer.

— Oliver! — Ela chamava a atenção dele com um berro demorado e demasiado baixo — Apenas precisamos ir ao mundo dos espíritos e pegar o colar do Federico, estou certa?

— S-Sim... — Ele pensava consigo não acreditando que finalmente Sayumi fugiria do seu papel — Já estava na hora... — murmurava.

— Certo. — Respirava fundo, suas mãos suavam frio e ela sentia que não poderia conjurar nenhum dom sagrado naquele momento — Angelie, você virá comigo.

— Eu? — Abria bem os olhos, fitando Sayumi com uma expressão um tanto assustada.

— Sim, não há ninguém mais. Preciso de alguém para me ajudar e... Você é a pessoa certa!

Angelie Lumiliques, a interessante mestiça, não perdia tempo quando a questão é provocar Sayumi:

— A menininha duas caras está sendo proativa? E eu sou a pessoa certa para ajudá-la? — Ela ria, insinuando algo com os dedos, fazendo que Sayumi se segure para não gritar com ela. — Fofa, não é mesmo, meninos?

— Angelie, depois! Não brinque agora, por favor! — Perdia-se e sua voz transpassara seu nervosismo. — Por favor, eu estou com medo, muito medo. — Ela forçava para não chorar.

— Indefesa — sussurrava, enquanto se arrependia de ter feito aquelas brincadeiras. — Sayumi, eu farei qualquer coisa, apenas tire esta expressão do rosto.

Oliver assistia tudo ansioso e Federico não entendia muita coisa. Sabia que as duas não estavam se dando bem desde a manhã e que Sayumi também estava estranha, um tanto ácida. O Twihunt não sabia do preço de se materializar no mundo dos espíritos e, se soubesse, não deixaria nunca que Sayumi arriscasse esta possibilidade. Mas ele não sabia e ela não contaria a verdade a ele. Sabia que Oliver iria desistir da ideia no exato momento. Porém, sua decisão já estava tomada, ela queria ser útil ao menos uma vez em toda sua vida. Queria tirar um sorriso dos dois como nunca antes. A herdeira dos Kubo se aproximava de Angelie e sussurrava:

— Sabe de uma coisa? Eu vou morrer se algo der errado... Ainda está confiante de ir comigo?

Afastava Sayumi e perguntava:

— E eu? O que acontecerá comigo?

— Se houver alguma falha, mandarei você de volta imediatamente!

— Não vou deixar que nada dê errado! — Angelie tinha uma expressão séria e convicta.

Sayumi ganhara um sorriso incomum e os outros percebiam que aquele sorriso era diferente, não um de soberba ou falsidade, mas um sorriso que saia naturalmente sem nenhum intuito. Ela dizia algumas palavras poucas e chamava Fiel, que se materializava a frente de sua mestra. Abria os olhos e se direcionava a fitar o rosto de Angelie com seriedade, ligeiramente, ela estendia a mão a Angelie, que a apertava com força. A palma da mão de Sayumi suava e Angelie entendia que ela estava com mais medo que todos ali. Tremia. A menina tremia muito, mal conseguia parar em pé e seus pensamentos ondulavam entre conseguir fazer tudo certo e não morrer. Ela não queria morrer, mas queria ser importante para eles ao menos uma vez. Poderia sair dali, nada daquilo a interessava mesmo, mas, a partir do momento que viu Federico e Oliver aflitos daquela forma, dentro dela, algo se ensandeceu. Uma vontade louca de ser útil para eles. Sayumi colocou em sua mente que tudo daria certo, arrancaria o colar da mão daquela Kitsune e voltaria com um sorriso indefeso no rosto e veria o quanto eles são patéticos em admirarem ela. As duas fechavam os olhos juntas e abaixavam as cabeças. Fiel fazia sua parte e começava a quebrar as barreiras entre o mundo espiritual e a realidade. Federico e Oliver não perdiam a atenção nelas. Sayumi, desaparecendo aos poucos ao lado de Angelie, dizia berrante a Oliver:

— Irei deixar um rastro... Você terá de senti-lo! Será onde minha energia vital está ancorada e onde você terá que enviar partículas mágicas, o máximo que conseguir reunir! — Perdia tempo e ela tinha de falar mais rápido. — Entendeu? Você é inteligente, saberá o que fazer!

Não havia sinal de Angelie ou de Sayumi. As duas não estavam mais ali. Os dois estavam sozinhos e Oliver entendia o porquê de Sayumi ter hesitado em dizer isso antes. Sentia-se um tolo e se arrependia. Ele não tomava ideia do quão perigoso aquilo era, mas entendia pelo menos um pouco que Sayumi estava correndo perigo. Ela poderia até ser demasiada dissimulada, porém nunca os deixaria na mão, Oliver deveria desconfiar que ela estava demorando demais para contar a verdade. Mas agora era tarde demais. Faria a parte que o foi incumbida e tentaria o máximo possível para ajudá-la. Ele tentava sentir o rastro e mal sabia se conseguiria enviar as partículas mágicas ao mundo dos espíritos. Um toque de desalento se instalava na consciência. Se ele não conseguisse, o que aconteceria com Sayumi e com Angelie? Perder-se-iam no mundo dos espíritos ou voltariam machucadas? Até que ele se lembra das palavras de Sayumi antes de desaparecer. As palavras: minha energia vital. Energia vital. Vitalidade. Vida. Sayumi estava usando da própria vida para se materializar no mundo dos espíritos e Oliver agora se percebia idiota. Um completo idiota. Não poderia choramingar pelos cantos amargurando o fato de que arriscou a vida da menina, teria de continuar sério e manter a calma. Faria o máximo que estava ao seu alcance e não contaria nada a Federico. Precisava manter a calma e o controle da situação. Federico não conseguia assimilar o que acabara de acontecer e mal tinha palavras a dizer depois de tudo:

— Então, quem tomou posse do corpo da Sayumi mesmo? — dizia ele irônico para não parecer mais idiota do que seu semblante já demonstrava.

— Temos muito que conversar... Nós três! — Oliver reunia as partículas mágicas. — Você é um péssimo observador, italianinho meia-boca! Como pode gostar de uma garota tanto tempo e não saber quem ela realmente é?

— Desculpe. Não é culpa minha se as pessoas que eu gosto acabam querendo esconder coisas de mim...

— Quem mais esconde coisas de você, senhor azarado? — Oliver perdia o freio das palavras, ao que Federico gelava.

— Ficou quatro anos sem querer conversar comigo. Sendo assim, vai ficar sem saber!

— Não seja grosso, pobre Gigabbia. Está tão carente assim?

Federico se emburrava e Oliver não perdia a concentração. Eles brincavam, mas não se esqueciam do foco da situação. Um dos nove artefatos fora roubado por uma Kitsune misteriosa e eles não sabiam a intenção dela. Como usaria? Por que teria de usar algo como aquilo? Queria acabar com a ordem reversa? Queria estabelecer colapso entre o mundo espiritual e a realidade? O que ela tinha em mente? Muitas destas contestações levavam inquietação a Oliver. Federico, por sua vez, apenas se preocupava com o artefato que havia sido roubado dele. Ele mantinha aquilo consigo durante todos esses anos, se pregava ao fato de ter que usá-lo novamente e apenas a hipótese de não tê-lo mais o trazia grande devastação.

— É estranho pensar que... — Fechava os olhos e franzia o cenho em sinal de dor. — Que não podemos nem falar sobre aquilo.

— Prometemos que esqueceríamos! — Oliver tentava ver o rosto de Federico de canto. — Você disse que entregaria o artefato a Letizia! Por que não fez isso?

— Não pude! — Federico tremia como um chihuahua. — Eu simplesmente não pude!

— Eu não vou brigar com você, nem protestar. — Oliver parava de prestar atenção no rosto de Federico e se virava para frente, ficando um pouco corado. — Eu meio que entendo os seus motivos...

Federico sorria e observava ao seu redor. Ele via que aquela praça, antes uma multidão, agora estava deserta. Sem ninguém. As pessoas comuns não iam até lá e não conseguiam ver os dois debaixo da torre com um carro. Ficavam tranquilos, pois não envolveriam ninguém desnecessariamente. Oliver se escorava no velho Petit Chenille e Federico o acompanhava. Estavam sozinhos. Sem mais ninguém. Oliver achara esse rastro que Sayumi havia falado e tentava enviar as partículas mágicas o mais rápido possível. Sentia que esse rastro ficava menor aos poucos e se desesperava levemente. Elas teriam de ser rápidas. Muito rápidas.

Federico parava para pensar na vida. Algo que ele andava fazendo com frequência. Sua tranquilidade era natural, visto que Oliver omitia a verdade do garoto. O Gigabbia tinha muitas coisas em mente e, principalmente, reflexionava como a sua vida havia sido repaginada naqueles últimos dias. Quando Oliver o abandonou e se afastou de todos, Federico ficara desolado, como se nada pudesse dar a luz que ele precisava. Perdera o melhor amigo e não podia ajudá-lo. Sentia que foi traído, mas, acima disso, sentia que traiu Oliver. Acreditava que era um inútil que não conseguia ajudar o seu melhor amigo nos momentos difíceis. Que não pôde prestar nenhum amparo à pessoa que ele mais gostava. Federico se torturava durante todos esses anos e, quando ele conseguiu botar sua vida no eixo, tentando esquecer o passado, Oliver aparece, Letizia resolve as coisas do seu modo, eles conversam, ele chora em seus braços e, como se nada houvesse acontecido, os dois voltam a conversar como antes. Foi tudo tão fácil. Como se nada tivesse acontecido. Como se tudo fosse como antes. Ele desconhecia muito coisa, mas de quê isso importava? Oliver estava ao seu lado outra vez e agora ele seria o amigo necessário. Não fugiria e não deixaria Oliver escapar dos seus braços. Os sentimentos fluíam dentro dele e faziam seu peito ficar quente.

* * *

O mundo dos espíritos é uma dimensão paralela a realidade. Um reflexo do universo. Fiel aparecia antes delas e logo as duas também surgiam ali. Elas sentiam como se estivessem paradas no nada, andando no céu, ou talvez em um abismo, mas, quiçá, estivessem em um buraco negro. Não entendiam aquele lugar. Era como se tudo fosse escuro ou se tudo fosse brilhante. Poderiam estar no meio das estrelas ou em um lugar onde não existissem estrelas. O mundo espiritual é apenas um reflexo. Um lugar abstrato que depende de conceitos para ser especificado. Ou seja, ele não pode ser especificado. O mundo dos Espíritos é, sem sombra de dúvidas, algo sem forma, sem sentido e sem realidade. Poderia aparentar ser qualquer coisa, apenas precisava-se do ponto de vista. Poderiam ter o conceito de estarem no meio do espaço ou de estarem flutuando perto do sol sem se queimarem. Simplesmente, elas precisavam de um ponto de vista e uma ideia de onde estavam, para então entenderem que não estavam em lugar nenhum.

Sayumi agarrava a mão de Angelie outra vez e se esgueirava no braço dela, dizendo sem abrir os olhos:

— Vamos cair! Segure-me, por favor... — Agarrava-se a Angelie com mais força e comprimia os olhos enquanto se tremia toda. — Eu não quero cair.

— Como assim? Estamos em cima de planos de luz, não? — Ela afastava Sayumi com um empurrão — Não vamos cair.

— Planos de luz? Mas estamos sobre nada! — Ela percebia em sua volta. — Ei, que imbecilidade é essa? Não havia tantas estrelas há poucos segundos... Fiel nos explique o que está acontecendo.

— Não posso explicar o que nem eu entendo. Eu só sei que você verá e sentirá o que a sua mente deseja... É mais ou menos assim...

— Não brinque! — esbravejava Angelie.

— Tentem ficar tranquilas! O mundo dos espíritos pode enlouquecer vocês, meninas. — Fiel continuava olhando a frente, fazendo que elas a seguissem — Vamos procurar aquela Kitsune mal-educada logo e tirá-las daqui.

— Como vamos achá-la? Não há nada nesse lugar que faça sentido, apenas estamos andando em nada! — Sayumi andava devagar, ao que Angelie ficava a sua frente rindo dela. — Por que não entender as coisas me irrita tanto? — murmurava consigo mesma.

— Só quando desprenderem sua compreensão da realidade que poderão entender onde estão.

— Como assim? — Sayumi é uma pessoa bastante cética.

Angelie via um ser longo rondando eles, se assustando.

— Vocês viram aquilo? — Agora um pequenino ser humanoide sem olhos e com uma boca que cobria todo seu rosto. — De novo! O que era aquilo?

— O que você está dizendo, garota? Não há nada aqui!

— Tem sim! Eu vi. — Olhava a Sayumi, que permanecia com uma expressão desconfiada — Veja! Novamente.

Para os olhos de Angelie, aquele mundo se expandia mais e mais. Ganhava brilho, perdia brilho, era mais de um conceito, eram vários deles. Uma multidão de seres diferentes surgia de todas as direções. Milhares de espíritos. Cada um mais diferente que o outro. Angelie se surpreendia e não economizava sua surpresa e ansiedade. Era, de certa forma, muito maravilhoso. Sayumi ainda não via nada e se frustrava. Para Sayumi, ou Angelie realmente perdia a sanidade ou ela que era insignificante de não poder testemunhar tudo aquilo que a garota descrevia. Dentre a multidão, Angelie pulava, se esbanjava e rapidamente percebia que Sayumi não estava vendo nada.

— Sabe tudo que já vimos na vida? — Ela gritava receptiva com um grande sorriso e uma estridente animação. — Gravidade. Mundo. Realidade. Magia. Tudo isso não faz sentido. Se você tentar entender, não conseguirá saber que isso existe. Tente pensar que nada faz sentido, nem você própria!

— Você está ficando louca! — Um barulho de sino, e um vulto. Um risco de luz sobre a visão de Sayumi e ela já compreendia muitas coisas sem entender outras várias. Uma águia com barbatanas de peixe e orelhas de cachorro passava por ela. — Acho que eu estou ficando louca também...

Tudo surgiu ao seu ponto de vista. Era tanta informação que ela mal podia pensar. Um mundo cheio de seres incríveis, cheio de coisas inusitadas e, ao mesmo tempo, nada com sentido. Ali, as duas entenderam que nada precisa ter sentido para existir. Também aprenderam algo sobre a realidade. A vida não precisa ter sentido para ser emocionante.


Notas Finais


Obrigado por ter lido!!


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