História O Safado do 105 - Ruggarol - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Categorias Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Gaston, Luna Valente, Matteo, Monica, Nina, Simón
Tags Karolsevilla, Lutteo, Ruggarol, Ruggeropasquarelli, Souluna, Soyluna
Exibições 371
Palavras 1.834
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Genteeee 108 favoritos? Que isso Brasil!!! Obrigada de verdade a todo que favoritaram e comentaram , Obrigadaaaaa.❤❤😍
Aproveitem o capítulo.
Boa Leitura!!

Capítulo 10 - Capítulo 10


"Uma fogueira, uma parede e um verso de Clarice Lispector às vezes é tudo o que uma mulher precisa para seguir em frente".


Não posso dizer que não chorei, pois estarei mentindo. Devo ter derrubado uma ou duas lágrimas durante a volta para casa, mas depois tomei a decisão de não me deixar abalar por uma coisa que eu já sabia que ia acontecer. Estava na minha previsão do tempo interna. O que eu fiz foi a mesma coisa que colocar a roupa no varal sabendo que ia chover. Sim, no mínimo, foi muita falta de inteligência.

Cheguei a minha casa me sentindo derrotada, parecia que tinha levado uma pisa. Abri a geladeira, cheia de fome, e dei de cara com a porcaria do pudim de morango. Devo ter devorado umas três fatias enormes. Só sei que comi como se não houvesse amanhã. Acredito que tenha chorado um pouco mais enquanto devorava o pudim, não sei ao certo. Estava aérea. E um pouco alterada pelo álcool também.

Era a primeira vez que eu chegava tão cedo e tão sóbria depois de uma festa como aquela. O relógio do celtransa kiarcava uma e meia da manhã quando, depois de um banho, deitei na cama. A mesma que guardava lembranças que eu queria esquecer. Foi impossível não me lembrar delas, mas eu tentei ao máximo. Fiz de tudo.

Estava cada vez mais evidente para mim que estava precisando de um colo. Um tipo de consolo silencioso que eu só conseguia receber da minha família. Nem sabia o quanto o olhar da minha mãe faria falta. Nem o quanto a ausência do beijo de boa noite do meu pai doeria. Até mesmo a Malena e o Ramiro rondaram os meus pensamentos. Descobri que estava morrendo de saudade de todo mundo. O pior de tudo era que fazia apenas uma semana que tinha me mudado.

Depois de pensar um pouco mais, percebi que não passava de uma mulher mimada. Acredite, foi um grande passo para o meu autoconhecimento. Sempre pensei que fosse uma mulher madura, precocemente autosuficiente, mas pelo visto não passava de uma garotinha que não podia ver problemas e já queria ser paparicada. Antes, eu sabia o tempo todo que teria braços quentes para me consolar caso algo desse errado, contudo, naquele momento, não tinha mais nada além da minha consciência e discernimento. Contava apenas com a maturidade, e acabei descobrindo que não era tão grande quanto imaginei que fosse.

Fechei os olhos, saboreando o gostinho estranho de descobrir quem realmente sou. Sorri, porque aquela era mais uma aprendizagem que só a solidão completa pôde me oferecer. É engraçado os meios que a vida se utiliza para nos fazer crescer, isso para não dizer perfeito. Ver a minha história sendo construída, perceber que estava aprendendo em uma semana coisas sobre mim que não descobri em vinte e oito anos, só podia ser uma dádiva. Um presente dos céus.

Gosto de ver sempre o lado bom das coisas, e embora estivesse com o meu coração bem apertadinho, coloquei na minha cabeça que todo aprendizado requer dor. Mudar de conceitos é um processo amargo – afinal, ninguém quer descobrir que esteve errado –, imagina o de transformar o autoconceito? Certamente dói demais. E é muito solitário.

Escutei a porta da casa do vizinho se abrindo. Permaneci quietinha, apenas analisando cada ruído que Calvin fazia. Fechou porta, abriu, andou de um lado e do outro, abriu gavetas (eu acho), depois sumiu. Deve ter ido tomar banho. Só sei que, depois de alguns minutos, percebi que estava bem atrás de mim. Deitado em sua cama. Era estranho demais tê-lo tão perto e tão longe. Aquela parede existente entre nós era mais grossa do que pude imaginar. Talvez ela deixasse atravessar os barulhos, mas uma coisa muito importante sempre permaneceria do outro lado, distanciando-nos.

Não soube dizer se isso era bom ou ruim. Se uma parte de mim atravessasse e invadisse o lado dele, estaria sendo uma Karol que desconheço. Pior, seria uma Karol que desprezo. Mas, se ele viesse para o meu lado... Bom, isso é impossível. Pau que nasce torto (mija fora da bacia) morre torto. Afinal, quais são as chances de um safado deixar de ser safado? O que o faria mudar?

Calvin era muito novo. Talvez mudasse com o tempo, quem sabe quando descobrisse que a quantidade de pessoas com quem transa não é a mesma quantidade de amigos. Talvez quando descobrisse que nem todo mundo se importa com ele de verdade. Talvez quando realmente se apaixonasse. Ou sei lá, faço apenas suposições. A paixão é superestimada. Também não tenho amigos, portanto ando meio descrente com relação a amizades. Nunca entendi direito como é contar com alguém que não seja da família. Eu só me importo com eles, por que vou achar que outras pessoas se importarão comigo?

A grande notícia é que talvez ele estivesse com a razão. Andar por aí vivendo a liberdade plena, incluindo a sexual, podia ser o maior sinal de inteligência e maturidade. As pessoas se apegam as outras com facilidade, e acabam se decepcionando. Veja só o meu caso, totalmente apegada a minha família, descubro que sou uma mimada tardiamente e me encontro em um estado de decepção que promete gerar muitos conflitos internos. Calvin não se apega a ninguém, nem mesmo parece estar incomodado por ser órfão e ter o seu irmão morando em outro lugar. Resultado: ele anda sempre sorrindo para o nada, com um bom humor de causar inveja.

Sério, meu cérebro já tinha dado um nó. Não sabia mais o que era certo ou errado, quando, de repente, ouvi a voz dele.

– Karol? – Foi um murmúrio facilmente escutado. Não ousei responder. Mesmo estando completamente arrepiada com o seu timbre suave. – Karol? Está dormindo?

Abri a boca. Pensei em responder, mas desisti. Ainda estava confusa. Decepcionada. Com a derrota pairando sobre a minha cabeça.

– Deve estar dormindo... Sei que está aí, posso ouvir a sua respiração.

Tampei o nariz de propósito. Depois me arrependi, pois precisei soltar um resfolego. E aí certamente comprovei a minha presença. E Calvin certamente entendeu que eu o estava ignorando de propósito. Mesmo assim, não ousei dizer nada.

– Só queria te pedir desculpas. Às vezes penso que todas as pessoas são como eu, e acabo as decepcionando. Não conheço outro tipo de vida além da minha, Karol. Não conheço porque já gosto desta.

Um nó subiu pela minha garganta.

– Pare de se justificar, Calvin, que droga! – falei alto demais, tomada pela raiva momentânea.

– Eu sabia que estava aí...

– Claro que estou. Esta é a minha casa agora.

– Que bom, vizinha! Acho que de agora em diante nunca mais vou me sentir sozinho. – Pude visualizar o seu sorriso malicioso. Ele sorri com o timbre de voz.

Congelei. Como assim? Calvin Klein, o maior comedor de vadias do planeta, sentindo-se sozinho? Conta outra história pra ver se eu durmo!

– É bem ao contrário. Seremos dois solitários.

Calvin ficou em silêncio.

– Está se sentindo sozinha? – perguntou por fim.

– Eu estou sozinha.

Mais silêncio. Pensei que o Sr. Klein tinha desistido de me importunar, mas me enganei. Acho que estava procurando o que diria logo em seguida no Google.

– “Que a minha solidão me sirva de companhia. Que eu tenha a coragem de me enfrentar. Que eu saiba ficar com o nada e, mesmo assim, me sentir como se estivesse plena de tudo”.

Arfei. Mudei de posição, ficando com a barriga para cima. Encarei o meu teto. Pedi para que Calvin repetisse. Ele o fez, aos sussurros. Não consegui evitar: lágrimas vastas molharam o meu rosto e se perderam no travesseiro. Reparando no meu silêncio, aquele safado de uma figa repetiu as frases novamente. Abafei alguns soluços no lençol, não queria que ele descobrisse que eu estava chorando.

– Muito obrigada, vizinho – murmurei, com a voz meio embargada.

– Agradeça à Clarice Lispector. – Ele riu, e acabei o acompanhando. Enxuguei mais lágrimas.

– Fala a verdade, você está com o Google aberto.

Calvin gargalhou de verdade. Acompanhei-o.

– Não, não... Eu gosto de ler. Minha mãe tinha uma biblioteca. Ficava no lugar que agora é a sua cozinha. – Congelei automaticamente. – Ainda tenho alguns livros e pensamentos... Na verdade, ela tinha um caderno com algumas frases. Tem escrito na frente: para o meu filho... Ah, quase falei o meu nome agora. – Riu.

– Por que não diz logo seu nome?

Ouvi um suspiro.

– Não sei, eu curti muito esse mistério.

– Sua amiguinha Karen-quenga sabe o seu nome?

Ele riu, provavelmente do apelido “carinhoso” que eu tinha colocado nela.

– Claro que sabe.

– Legal, então me deixe sem saber.

– Agora quero saber por que... Fiquei curioso.

Suspirei.

– Quero ser diferente de qualquer mulher que você já tenha conhecido – admiti. Depois, fechei os olhos, absolutamente arrependida. Droga! Estava dando uma de dramática. E de sentimental. Desse jeito só ia assustar o cara, ele não queria ninguém dando uma de mocinha em apuros para o seu lado. E nem eu me prestaria a este papel medíocre.

– Você já é, Karol... Mas por que quer ser diferente?

Minhas mãos começaram a tremer. Balancei a cabeça em negativa, e só depois descobri que ele não podia me ver.

– Esquece, Calvin. Vamos dormir. Pretendo visitar os meus pais logo cedo.

– Ah... Hum... Tudo bem... – Achei que ele ficou estranho. Chegou a soltar alguns suspiros que me deixaram fora de mim. Sério, parecia que ele estava assoprando bem no meu ouvido.

– O que foi?

– Nada. Vamos dormir. Boa noite, vizinha.

– Você não me disse o que tem no caderno da sua mãe.

– Ah, sim... “Para fulano de tal, mamãe já te ama sem ao menos saber a cor dos seus olhos. Não vejo a hora de te segurar em meus braços”... Ela estava me esperando, acho que uns sete meses de gestação.

Abafei um soluço. Calvin ficou em silêncio.

– Boa noite, vizinho – falei com a voz embargada. Ele não respondeu.

Cheguei a duas conclusões. A primeira foi que o meu vizinho era um homem safado, muito safado mesmo. Bom, a essa eu já tinha chegado há muito tempo, mas só tive a noção geral do estrago quando fiz a besteira de transar com ele. Saber que gostava de viver daquele modo podia ser um motivo para me sentir aliviada. Afinal, não tinha nada de errado comigo. Não era uma questão pessoal, era apenas uma questão de escolha por parte dele. Eu respeitaria a sua escolha da mesma maneira como sempre quis que as pessoas respeitassem as minhas.

A segunda conclusão, que tirei depois de alguns minutos revirando na cama, era que aquele maldito, canalha, cafajeste, cachorro... Aquele cara sorridente e bem humorado, lindo de morrer... me fazia bem. E, sinceramente, não me importa se ele fode com o mundo todo. Vi nele alguém especial, que tinha uma sensibilidade escondida em um local que eu queria alcançar, pois sei que me trará surpresas, sejam elas boas ou ruins. Estou aqui para aprender tanto com a rotina quanto com as surpresas, não é verdade?

Ficaria feliz em compartilhar as nossas noites separadas por uma parede. Seria como estar perto de uma fogueira. Não podia encostar muito para não me queimar, mas se mantivesse uma distância segura, conseguiria me aquecer sempre que quisesse.



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