História O sangue do Filho do Diabo - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Diabo, Mitologia, Sobrenatural
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Palavras 2.102
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, Festa, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Super Power, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Fico na esperança de que gostem. :)

Capítulo 1 - A mulher Invisível


Essa não é uma história a qual possa me orgulhar. Não pelas coisas que eu fiz, faço ou deixo de fazer, pois eu realmente não me importo. Mas sim por que é potencialmente um clichê. E dos bravos!

         Mas estar na pele de alguém com uma vida tão miserável quanto a minha é inimaginável para aqueles que podem esbanjar conforto pelo menos na hora de dormir.

         Sou atormentado por uma ratazana viciada e demoníaca que acorda no meio da noite louca atrás de um queijo. Sua busca é frenética a ponto de não se importar se estou escutando o barulho das panelas do armário caindo no chão, escandalizando a cozinha com horríveis sons metálicos enquanto descobre o novo esconderijo das garrafas de tequila, Bourbon e Licor.

Inclusive esta noite está acontecendo outra vez, mas estou cansado demais para reclamar então apenas salvei meu trabalho de história em meu pen drive e fechei o laptop para ir dormir.

— Boa tentativa, Rick!

— Vá para o inferno!

         Meu quarto é totalmente desproporcional à minha casa. Tão agradável, arrumado e organizado que me faz querer ficar aqui isolado do mundo lá fora. Nada aqui dentro é assimétrico, desalinhado, sujo ou mesmo fora do lugar. Tudo tem uma área específica, uma classificação. Minha cama está posicionada próxima a parede oposta à da janela e adjacente à da porta. Na parede oposta à porta está minha cômoda com cinco gavetas onde coloco minhas roupas dobradas, divididas especificamente em cada gaveta. Há ainda um pequena porta com um espaço para meu único par de sapatos e uma sexta gaveta com uma fechadura sempre trancada, onde guardo um cartão do banco junto com quatro mini cofres cheios de moedas.

         A intenção é ter dinheiro suficiente para fugir daqui e ser livre do único ser a qual devia ser apegado. Nada supera o amor de mãe, com exceção dos vícios, pois nesse caso, se o dinheiro faltar é só roubar do seu filho. Mas apesar da minha vida ser infeliz agora, nada se compara com como era até eu ter dezoito anos. Todo dinheiro que eu ganhava iria para as mãos da minha mãe, com exceção dos que meu tio Loke me dava e do meu salário.

         Não tenho pai.

         Quer dizer, eu tive antes do famoso acidente onde milagrosamente saí ileso com o trapo que está na cozinha, em vez do grande homem que sustentava a casa sendo um bom pai e um bom marido. Tão bom, que fez sua esposa perder totalmente o rumo.

         Após desligar o computador, organizei o caderno na estante, em seu devido lugar, e me aconcheguei de lado para dormir.

         Em primeira instância, não consegui pegar no sono. Mas não demorou até meus olhos pesarem, e o cobertor quente me deixar mais tranquilo para enfim dar lugar ao sono que me trouxe um sonho muito esquisito e surpreendentemente vívido.

         Primeiramente não notei que estava em algum lugar. Tudo estava preto e a única coisa que eu sentia era um calor agredindo minhas costas. Pra falar a verdade, demorei para notar que o calor que sentia queimar era em razão do ar quente que resfolegava em minhas costas, como se eu estivesse caindo. Meu corpo suava e eu me sentia cada vez mais cansado e preguiçoso, como se meu cérebro estivesse implorando por algumas horas de sono.

         Não havia luz. Apenas uma escuridão tão imensa, que eu só pude saber que eu estava de olho aberto, por que sentia dor em minhas pálpebras de tanto força-la involuntariamente a se abrir.

De repente, eu não conseguia mais me mexer. E isso me trouxe um grande incômodo nos segundos seguintes, pois o calor começara a ficar tão irritantemente insuportável que senti necessidade de me mover para aliviar minha pele com brisa, mesmo que muito quente. Mas a paralisia não me deixou aliviar, e aquilo foi transformando-se em ódio dentro de mim.

         Não consegui pensar em nada que não fosse refrescante: Água, Gelo, Sorvete. À medida em que eu pensava nessas coisas, mais vontade eu tinha de consumir. E mais torturante eu ficava. E Isso continuou por um longo tempo, até que eu comecei a ouvir duas vozes: Uma era tão grave, que parecia ser de um homem muito grande e bem monstruoso. Já a outra era uma voz feminina e sensual, porém, ao mesmo tempo, me fazia ter calafrios tão fortes, que meu corpo estremeceu bruscamente.

— Se for pega, não sairá novamente. — Avisou a voz grave, friamente.

— Ah! Foi um prazer fazer um negócio com você! — Disse a voz feminina. — Parece que há um pouco de prazer aqui, mesmo sendo o inferno.

         Fiquei sem ouvir mais nada depois disso. Sabia que se tratava de um sonho, mesmo estando nele, mas havia uma pequena parte do meu corpo que acreditava que não era apenas isso.

         Depois de alguns segundos parado em plena escuridão e calor insuportável, comecei a entrar em movimento novamente. Desta vez, pude sentir que estava subindo à algum lugar em uma velocidade absurda. Era tão rápido que minha pele parecia que iria se romper. E quanto mais eu subia, menos eu sentia o calor, mas a sede ainda incomodava-me.

         Tentei abrir a boca e gritar, mas não tinha tido sucesso. Então berrei com mais força, e dessa vez a luz alcançou meus olhos: as janelas do meu quarto reluzia fazendo doer meus olhos.

         Sempre, todas as noites antes de dormir, eu tinha o costume de fechar as janelas no anoitecer, e só reabri-la no dia seguinte. Mas não foi o caso desta manhã, ela já estava aberta mesmo eu tendo a clara lembrança de tê-la fechado.

         Levantei devagar ao perceber que eu estava encharcado de suor, ainda um pouco lento. Peguei o cobertor para dobrá-lo e então arrumar minha cama quando percebi que ambos estavam molhados.

Tirei o cobertor e o forro da cama e joguei-os em um ponto no meio do quarto e andei até o quarto ao lado que era do meu pai.

Tudo sempre esteve do mesmo jeito que antes dele morrer. Mamãe nunca mais dormiu nesse quarto por causa do sentido de culpa por seu fracasso como mãe, passando a dormir no sofá onde podia afogar suas mágoas com uma colher, um isqueiro e o Crack.

A única mudança que ocorria naquele lugar era a dos cobertores e forros de cama que permaneciam no maleiro, na parte superior dentro do armário. Peguei um lençol fino e um forro preto com listras brancas para a cama. Voltei para o quarto e arrumei tudo, deixando milimetricamente perfeito. Então virei-me para pegar os molhados e quando os toquei, percebi que havia uma diferença estranha.

Agora tanto o forro quanto o cobertor que antes estavam molhados, estavam secos e com um mal cheiro terrível.

Sei que eu poderia simplesmente lavá-los, mas aquele cheiro estava tão ruim que fiquei com nojo só em pensar em ficar com aquilo.

Então corri em direção à cozinha para pegar um saco de lixo, mas assim que saí do quarto, minha cabeça começou a latejar agressivamente, de tal modo que minha visão embaçou. O cheiro insuportável me deu alguma força para continuar a andar mas então um peso dominou minhas costas e, de repente tudo começou a ir mais devagar.

Ao mesmo tempo que isso ocorria, um calafrio percorreu meu corpo e então alguém começou a gritar. Um grito constante, sem pausas para fôlego, que aumentava de volume. Comecei a sentir enjoo e imediatamente o vômito subiu pela garganta e sangue começou a sair com aquele líquido amarelado viscoso e cheio de comida quase digerida.

Não havia entendido nada, mas o grito começou a se transformar em um choro, com um volume cada vez maior, até que fraquejei e bati os joelhos no chão.

No minuto seguinte, apenas senti meu corpo caindo no vômitoe quase que ao mesmo tempo meus olhos se abriram.

Tudo aquilo era uma continuação do sonho. Levantei-me quase pulando da cama, assustado com tudo aquilo.

Eu ainda estava transbordando suor. Minha boca estava tão seca, que eu podia jurar que poderia competir com um camelo quem beberia mais água. Notei novamente o cobertor e o forro da cama: Estavam encharcados.

O que era aquilo? Um outro sonho?

Resolvi não ir pegar nada no quarto do meu pai. Apenas os retirei da cama e esperei sentir algum cheiro, só para me convencer de que não iria se repetir. Em vez disso, fui até o banheiro escovar os dentes e dar o fora daquela casa.

Foi então que algo bizarro me assustou, a ponto de me fazer cair sentado no chão.

Uma boneca seminua do meu tamanho apareceu em pé, seminua, assim que abri a porta do quarto. Ela tinha cabelos vermelhos, um sorriso cheio de dentes que pareciam ser reais, e não havia olhos. Em vez disso, continha dois botões em seu lugar.

A boneca vestia um vestido vermelho e unhas quebradas e amarelas, que até pareciam reais.

Eu nunca havia visto uma boneca tão feia. A surpresa havia me feito, inclusive, demorar a notar aquele cheiro de podridão novamente.

Fiquei com tanto pavor, que quando ouvi uma voz feminina atrás de mim, em vez de cuspir meu coração para fora de susto, eu vomitei o mesmo líquido do sonho, com adição de um sangue quase preto.

— Culpe o barqueiro. — Disse a voz feminina. — Você deu sorte garoto. Morreu de asfixia e voltou a vida por um mero capricho meu. Quase tive que dar meu rabo para ele me conseguir uma saída do inferno. Infelizmente agora minha permanência aqui depende de você continuar vivo para não cairmos na Danação outra vez.

— Do que está falando? — Disse eu com a boca suja de sangue vômito — Quem é você?

— Porra, você é surdo? Enfim, sou Apáte, um espírito de fraude e engano. Escapei do inferno por que, bem, não combina comigo.

         Tentei absorver tudo aquilo enquanto meu estômago revirava e eu me esforçava para virar de frente para ela, pois pela minha postura ali de quatro no chão olhando para ela, me parecia bem humilhante.

— E por que não combina — Disse eu arfando. Logo em seguida, virei meu corpo para esquerda e vomitei novamente.

         Pacientemente, Apáte me esperou terminar de vomitar para continuar.

— Bem, o inferno é um lugar onde nada escapa da verdade absoluta. Isso é para minha arque rival, aletheia. Mas o novo senhor do inferno escravizou a maioria dos espíritos filhos de Nyx, e eu era a sua favorita.

— Quê? Por quê?

— É um longa história — Disse ela enquanto ia em direção à boneca flutuando. — Envolve a Morte, uma série de deuses mortos. Fui abençoada por Himeros e Eros depois que os ajudei uma vez a fugir da morte, de modo que eu faço vários seres, mortais ou imortais, me desejarem constantemente.

— E por que iria querer isso?

— Por que assim poderei enganar todos eles.

         Apáte parecia se deliciar com a ideia. Ela acariciava a boneca enquanto respondia minhas perguntas. Enquanto fazia isso, pude sentir uma verdade por trás de tudo aquilo. Eu acreditava fielmente em cada palavra. E como poderia ser diferente depois daquele sonho louco e essa ânsia que parece não ter fim?

— Estava tudo ótimo para mim, até que meus dois irmãos que estavam matando todos os deuses deixaram de agir. Daí surgiu esse novo Sr. do Mundo Inferior, capturou a maioria dos espíritos da Noite e matou outros. Nisso tudo ele me conheceu, cobiçou e me manteve por perto.

         Apáte pareceu contente contando aquilo, mas o modo como se referiu ao “Sr. do Mundo Inferior” deu a entender que o desprezava. Pelo que se pode imaginar do que aconteceu entre eles, era de se esperar.

         Aliás, tudo o que ela havia me dito sobre espíritos, deuses e Mundo Inferior parecia, em meio ao caos de tudo o que estava acontecendo de repente, muito familiar. Talvez alguns contos passados de geração em geração. Aquilo me empolgava de alguma maneira.

— O que você vai fazer comigo, Apáte? — Perguntei mais calmo. O enjoo havia parado junto ao pavor.

         Se isso tudo não for um sonho, o que acontecerá daqui para frente?

— Um grande amigo meu chamado Pseudo me disse que odiava o nome Apáte, e desde então começou a me chamar de Lucy...

— Chamarei assim, então. — Disse a ela.

Lucy assentiu.

         Ela me encarou como se estivesse com raiva e em seguida sorriu.

— Respondendo você, precisamos fazer um favor à Caronte. Ele me fez prometer, durante o sexo oral, que iriamos encontrar a Preferida da Morte.

— Preferida da Morte?

Franzi as sobrancelhas. O que era aquilo? Agora eu tinha que ser arrastado para tudo isso?

— Vamos encontrar uma doce criança chamada Mary, uma Ceifeira de Almas.

 


Notas Finais


Por ora, seguirei postando um capítulo semanalmente até me organizar melhor. Espero que tenham gostado. :)


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