História O sangue do Filho do Diabo - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Deuses, Diabo, Mitologia, Originais, Sobrenatural
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Terceira Correção: 19/08/17
Tentativa de conformação narrativa
Correspondência de fatos entre capítulos.

Capítulo 2 - A Missão


Lucy era uma mulher alta, com mais ou menos meu tamanho. Àquela altura, seus olhos haviam trocado de cor cinco vezes, cada Íris com uma cor diferente em tonalidade oposta a outra. Seus cabelos eram vermelhos quando a vi, mas agora havia ficado curto com duas mechas, uma à esquerda e outra à direita, e também havia ganhado uma tonalidade mais rosada. Vestia o mínimo de roupas possível, apenas o suficiente para vetar suas partes íntimas: Sutiã vermelho, e um tecido preto flutuante que tapava sua parte íntima inferior. Não calçava nada, mas ao que parece não iria mesmo precisar já que ela flutuava elegantemente.

Ela alisava sua boneca com um carinho imenso. Era quase como se fosse uma filha para ela. A boneca sem olhos, com unhas que mais pareciam reais, vestido vermelho e boca com um batom preto, estava sorrindo. Um sorriso de ponta a ponta, com dentes amarelos, que juntamente com as sobrancelhas tinha uma expressão assustadora.

Eu nunca conseguiria dormir com aquilo no mesmo quarto que eu.

Enquanto Lucy focava sua atenção naquela boneca horrenda, eu a observava tentando absorver a ideia de que talvez, aquilo não seja um sonho.

Demorei até finalmente terminar de limpar todo aquele sangue e vômito do chão. Agora, tudo o que eu precisava era de um copo de água e uma refeição bem gordurosa.

− Eu estou morrendo de fome. Tem algum problema se a gente for em um restaurante conhecido aqui da cidade?

− Tem certeza que você disse morrendo?

         Nos encaramos como idiotas. Rimos. E foi aí que percebi o quanto eu estava preso a tudo o que ela me contara segundos antes.

         Se eu quiser continuar vivo, terei que participar do que quer aconteça. Eu não fui arrastado para essa situação por me submeterem a ela.

Eu já sei para onde eu vou quando morrer: O Inferno. Agora tenho uma segunda chance para não acabar morto e indo para lá.

− Cara, minha amiga Momos iria me dar um beijo se me ouvisse brincar assim! – Lucy parou de rir e continuou. – Vamos comer sim, mas não nesta cidade. Você é mortal, então quem quer que tenha matado você, vai saber que não está morto. Sem falar que é provável que uma horda de demônios superdotados venham nos levar de volta.

− Somos procurados pelo Inferno! – Completei. Porém sentia minhas mão tremerem de medo.

         Lucy nem precisou dizer nada a partir dali. Entrei em meu quarto e peguei duas mudas de roupas, um chapéu que ganhei do meu tio – para não me esquecer de que existe alguém com quem me importo além de mim mesmo – e um par de tênis e meias. Coloquei um óculos de sol e me apresentei para o Espírito.

         Por sorte, não precisei dizer que ela precisava colocar uma blusa decente. Ela estava tão arrumada que mais parecia estar indo a uma festa à fantasia com aquela máscara cinza cobrindo tudo em volta dos olhos, deixando apenas do nariz para baixo descoberto. Seu cabelo havia mudado outra vez, estava mais longo, ondulado e alaranjado. Usava um brinco de argola e duas pulseiras nos braços, uma em cada lado. Vestia uma blusinha de cor metálica e uma calça jeans preta. Novamente não calçava nada.

− Ah, a Alice não é tão feia quanto você acha que é! Você ainda está sob efeito de pânico por ter voltado do Mundo Inferior. Cada um tem uma reação diferente.

− Então vou começar a enxerga as coisas assim?

− Não, o seu efeito está acabando, dê mais algumas horas e ficará bem. Você só verá a Alice desse jeito. É que ninguém, a não ser eu e mais alguns espíritos, sabe exatamente como ela é! Pois ela é diferente para cada pessoa.

         Se isso é um sonho, é sensacional. Pois daria uma ótima história para se contar a algum filho na hora de dormir.

         “Numa noite qualquer, papai morreu e ressuscitou. Junto comigo, um Espírito veio do Inferno e começou a vagar por aí procurando uma Ceifeira de Almas.”

         Será que eu seria um pai desnaturado se mencionasse a palavra Inferno? Aliás, por que isso seria tão terrível? Terrível é ter que ficar lá depois de morto.

− Onde iremos? – Perguntei.

         Eu esperava que fosse em alguma cidade próxima, já que quando meu pai estava vivo e trabalhava de caminhoneiro para uma empresa de distribuição alimentícia, vivia me contando histórias de como encontrava restaurantes com comidas tão boas, que faziam todas as outras comidas parecessem imperfeitas.

− Vamos para Lebava. Ao Leste do continente. Mas quero que fique atento quando chegarmos lá. Caronte me avisou sobre uma organização que está sendo manipulada por um Caçador de Espíritos e Renascidos que trabalha para o Sr. do Inferno.

− E onde encontraremos Mary?

− Na cidade de Monte Cernos, na Terra do Tekes. Caronte não sabe onde exatamente. Mas Ceifeiros costumam não ignorar almas de recém-mortos. Então investigaremos todo o perímetro.

 − Me parece divertido, mas como chegaremos lá? Se somos procurados por demônios, como viajaremos sem sermos notados? Sabe, eu não tenho nenhum domínio sobre o Quinto Elemento natural.

− Magia? – Lucy pareceu surpresa.

         Tudo o que nós temos com escassez desde que o oceano engoliu grande parte dos continentes é suprido com a descoberta da manipulação da magia. Isso implicou em vários estudos que acabaram por comprovar que toda essa essência nova (em questão de descoberta) sempre esteve ao nosso alcance.

         Existem teorias que afirmam que algum fator cósmico banhou a Terra com uma essência manipulável que se misturou ao oxigênio, que, ao ser respirado por seres humanos, responde a comandos cerebrais e produz magia através da mistura com o nosso sangue.

Apesar disso ter bastante sentido, não passa de uma teoria. O fato é que isso nos caiu muito bem desde que os continentes afundaram, pois a magia permitiu a criação de diversos compostos químicos que ficaram em falta, como por exemplo, a gasolina e a maioria dos tipos de óleo. Matéria-prima não ficou de fora: os metais preciosos e não tão preciosos, gases e até mesmo os mais básicos para a sobrevivência como o H2O foram supridos. Isso salvou nossa raça e virou uma ciência que influenciou toda a vida humana.

− Não é que você não possui domínio. – Ela continuou. – É que você nunca aprendeu a usar. Renascidos e Semideuses sempre tiveram mais aptidão.

         Lucy acariciou Alice, a boneca que ainda me parecia tão feia que me dava aflição só de olhar.

− Seu corpo já expulsou todo o veneno e voltou a funcionar normalmente. Depois que comer estará novo em folha.

− Então fui envenenado?

         Lucy assentiu pressionando seus lábios. Então ela pegou a boneca e passou a mão em seu rosto.

         Fiquei tão horrorizado com o que aconteceu em seguida que eu quase vomitei novamente. Apenas sei que eu nunca, jamais iria esquecer rosto que essa boneca tem agora. É um forte candidato a representar vários possíveis dias de insônia a seguir.

         Alice, assim que Lucy passou a mão em seu rosto, emitiu uma risada medonha e sombria. Como se estivesse robotizada, testou suas juntas do braço, fazendo movimentos repetitivos. Em seguida fez o mesmo com as juntas das pernas e deu uma volta em círculo.

         A boneca sem olhos, virou seu rosto para mim e esticou ainda mais seu sorriso, deixando-a com uma cara ainda mais horrorosa e maléfica. Novamente, deu uma risada medonha e andou para trás de mim.

         Virei minha cabeça para olhar para trás, com medo de que ela estivesse muito próxima. Mas meu corpo permaneceu estagnado de pavor. Infelizmente para mim, ela não só estava perto, como segurava um cinto cinza escurecido metálico e reluzente, com detalhes que mais parecia veias sobre a pele. Sua fivela possuía um rosto dourado e brilhante, fazendo alusão à uma máscara idêntica à que Lucy usava.

         A boneca me abraçou e encaixou a ponta do cinto na fivela. A princípio havia ficado muito largo, mas de repente o cinto ajustou-se sozinho diminuindo o seu diâmetro até ficar preso à minha cintura e piscar duas vezes uma luz azul marinho nas “veias” do cinto.

         Não sabia de onde viera o cinto que apareceu rapidamente na mão de Alice, mas não apareceu diferentemente do bracelete idêntico ao cinto que surgiu na mão da boneca. Assim, ela posicionou-se ao meu lado andando como um robô, e encaixou o bracelete que se ajustou à largura do meu braço.

         Então aquele demônio fez o que havia me traumatizado naquele momento: Ela ficou de frente para mim com as pálpebras arregalando o seu vazio ocular. E então ela fez o que até então eu achava impossível para ela.

         Alice pulou em cima de mim tão ligeiramente que eu gritei. Pude sentir que a pele dela era muito próxima a de um humano, assim como seu cabelo que fazia cócegas em meu queixo. Suas mãos alcançavam minhas costas e seus braços percorriam em cima de meus ombros. Seus pés agarravam-se à minha cintura, logo acima do cinto.

         Fechei meus olhos com puro medo da boneca e consegui perceber o quanto Lucy se esforçava para conter suas risadas de deboche.

         Quando abri os olhos na esperança fútil de querer não demonstrar mais medo do que eu já havia demonstrado, pude sentir que a boneca havia se tornado uma armadura.

         Mas como isso é possível?

− Você é muito esquisito! – A deusa zombou.

− Odeio bonecas! – Reclamei.

− Esse cinto vai te dar o poder de enganar qualquer um. Mas lembre-se que isso não vai compelir ninguém a fazer o que você quer, a não ser que faça sentido e pareça ser de interesse a quem você quer enganar. Mas você pega o jeito. – A deusa aproximou-se flutuando, e, ao ficar bem próxima a mim, tocou os pés no chão e o dedo indicador da mão esquerda na armadura, percorrendo de cima a baixo. – Minha boneca pode ser o que eu quiser. Apesar de agora ser uma armadura, e antes disso, uma boneca, ela é uma das minhas principais armas.

− Por que vai deixar sua principal arma comigo?

− Por que os únicos que podem me matar são os detentores do poder da Chave da Morte. Poder que retira a imortalidade dos deuses. Os detentores, chamado de Juízes, estão impossibilitados no momento.

− Então é mais seguro sua arma estar me protegendo. – A deusa apenas deu um meio sorriso, como se sentisse satisfeita com meu poder dedutivo. – E quanto ao bracelete?

− É um lacrima. Vai ser capaz de usar minha essência mágica livremente. Mas quero que, sempre que possível use a sua. – Franzi a testa. Como eu iria fazer isso? – Olha, quero que descubra se sua afinidade mágica é corpórea, lançável, de transformação ou manipulação. Foca nisso!

         Eu achava que já havia visto tudo, embora, lá no fundo, soubesse que não. Assim que me disse o que queria, Lucy fez surgir um par de asas negras. Arrancou uma pena e escondeu atrás de minha armadura.

         Assim que fez, comecei a flutuar.

         A sensação de levitar era incrível, apesar de causar um calafrio estranho. Mas nada era tão agradável de se ver quanto às asas de Lucy.

         A mulher alada tocou-me novamente e desta vez, instantaneamente, reaparecemos a quilômetros de altura acima de casa. Lucy nem mesmo olhou para mim, imediatamente bateu as asas e movimentou-se no ar como se desse um mergulho de cabeça e depois voou para cima a toda velocidade.

         Inesperada, assustadora e involuntariamente meu corpo começou a ir para frente, ainda mais rápido e só igualou a velocidade quando fiquei lado a lado com Lucy.

− Você acostuma! – Disse ela bem alto.

− Vão nos ver! – Gritei.

− Eu não! Sou visível apenas para você. – Ela revirou os olhos. – Você se preocupa demais, sou o Espírito do Engano. Verão qualquer coisa, menos você.

         Fiquei em silêncio. A sensação de estar no alto era magnífica. O frio na barriga, a pressão do ar, as nuvens tão próximas. Cortávamos o céu em direção ao horizonte sempre à frente.

         Admirei-me ao ver patos sendo sobrevoados por nós. E maravilhei-me quando passamos da cidade cheio de prédios e casas e vimos uma densa floresta. Tão verde, tão... natural! O vento era mais gélido, e o frescor relaxava meu corpo, de modo que me distraia de tudo o que me ocorrera de uma noite para outra.

         Estar voando àquela velocidade, a vista que eu tinha estando ali no alto, e o bater das asas de Lucy fazia tudo aquilo parecer ainda mais com um sonho. Um sonho realista e horrível, mas ao mesmo tempo com uma sensação de adrenalina.

         Lucy olhou para mim e sorriu. Seu cabelo havia mudado para um preto ondulado e sua pele escureceu: de uma branquela para uma morena. Seus olhos estavam com cores completamente opostas. O da direita estava tão vermelho que brilhavam com um intensidade estranha. O outro estava azul, mais parecido com Lavanda.

         Aquilo era assustador e muito inexplicável. Mas apesar disso, eu gostava. De alguma maneira, seu jeito parecia me encantar. Me peguei pensando em como seria convidá-la para sair. Mas no fundo eu sabia que na verdade eu estava com medo. Muito medo. Aparentemente, eu havia morrido naquela noite, e eu estaria no inferno se Caronte não tivesse resolvido nos ajudar. Esse sentimento que brotava em meu coração pode não passar de um um engano. Aliás, Lucy é Apáte, um espírito com asas e aparência mutável que é por essência a própria fraude imortal. Sem dizer que pode ser efeito daquele presente dado pelos Erotes.

         Apesar disso, não é inteiramente maléfico sentir algo por Apáte. Pois sei que se eu não der espaço para o sentimento, darei lugar ao medo. E daí nada poderei fazer.

         Percebi que a estava encarando muito, então desviei o olhar para baixo. Estávamos voando por cima de alguns montes e vales. Não havia reparado na neblina que se formava pouco abaixo de nós.

         − Lucy, Por que temos que ir atrás dessa Ceifeira? Não, melhor, o que está havendo de fato?

         O espírito não olhou para mim, fazendo parecer que não iria responder. Mas respondeu.

− Essa Ceifeira vai reunir os Filhos de Nyx para deter um deus que nenhum outro pareceu conhecer. Ninguém sabe a origem desse deus, mas ele foi o responsável por afundar os continentes.

− Mas então o que aconteceu aos Juízes impossibilitados? Eles não tem o poder de matar imortais?

         Lucy estava triste. Pela primeira vez, vi uma das mudanças constantes que ocorrem em seu corpo. Mas nada havia mudado tanto quanto sua feição.

         Qualquer um que a visse daquele jeito juraria que ela iria chorar.

         E provavelmente iria mesmo, até que um homem alto, com uma jaqueta de couro com vários encaixes − porta facas, porta bombas, porta armas e todo tipo de objetos perigosos que se pode carregar no corpo de maneira completa – surgiu de repente, indo de frente em direção a Lucy, como se estivesse pronto para lhe acertar um chute.

         E acertou.


Notas Finais


Tadinha de Apáte :/


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