História O segredo de Suna - Capítulo 57


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Tags Drama, Gaara, Hentai, Matsuri, Naruto, Romance
Visualizações 51
Palavras 3.769
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Hentai, Luta, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


"Eu nunca vou
Desistir de você
Eu vejo o verdadeiro você
Mesmo se você não vê, eu vejo
Eu vejo
E eu irei

Lhe mostrar o caminho a seguir
Irei lhe manter a salvo até amanhã
Eu vou lhe colocar longe da tristeza" (The Real You - Three Days Grace)

Capítulo 57 - Eu não te aceito como oponente


Depois que eu fiquei mais calmo, Matsuri me convenceu a tomar um remédio pra dor de cabeça. O dia não tinha chegado nem na metade e já tinha acontecido tanta coisa, que não era de se admirar que meu corpo estivesse se sentido pressionado, mas ainda assim, queria entender de onde as mulheres daquela vila estavam tirando tanto remédio, do nada. Elas levavam isso junto com a bolsa de kunais e shurikens?

Ela ainda tentou me convencer a procurar um médico mais tarde para averiguar porque eu estava sempre me queixando daquilo. Tentei contornar dizendo que talvez num dia menos cheio de tarefas, e me senti sortudo e aliviado quando ela não contestou.

É claro que eu sabia que as preocupações e problemas só aumentariam quando eu me tornasse Kazekage e insisti na ideia mesmo com isso em mente. Mas o último mês tinha sido especialmente tenso. Chegava até a sentir saudades das missões regulares com Yaoki e Korobi. Tudo parecia bem mais fácil de contornar nessa época.

Uns minutos depois de eu me render a sua insistência, e admitir que o remédio realmente foi útil e estava fazendo efeito, Matsuri se despediu de mim, dizendo que não queria atrapalhar meu trabalho e que queria treinar pro teste do dia seguinte.

A academia estava em recesso, as crianças também mereciam um descanso, portanto estaria vazia, e imagino que ela quisesse se fortalecer da nostalgia que aquele lugar tinha.

Foi onde tudo começou pra ela como kunoichi, devia ser ótimo voltar tão instruída, para onde um dia, ela mal conseguia segurar uma arma.

Não gostei do assunto a princípio, porém me convenci a confiar que ela saberia seus limites. Matsuri também precisava de um tempo sozinha para entender melhor a própria mudança. Era ridículo pensar em ficar regulando seus passos só porque estava grávida, mesmo com todos os riscos da situação, isso não justificava trancá-la num cômodo.

Mas não podia negar a vontade que sentia de fazê-lo. Pelo visto teria que lutar todo dia contra esse instinto.

Lutar contra algum instinto… Hum… Nada de anormal pra mim, não podia ser tão difícil.

Ou será que podia?

Assim que ela saiu, me foquei completamente no trabalho, com a intenção de resistir à tentação de usar o terceiro olho para espiar seu treinamento.

O que só serviu para me deixar mais irritado, à medida que todas as minhas contas batiam num beco sem saída. Suna estava com poucos recursos disponíveis para o casamento e eu me recusava terminantemente a sangrar os aldeões pra isso. Tinha que ter uma saída que eu não estava enxergando.

Não vi o tempo passar enquanto estava focado nisso. Ia me levantar e ir até as aves mensageiras verificar se havíamos recebido algum pedido de missão. Precisávamos muito de um, fazia tempo que quase não recebíamos. Depois da guerra, Konoha que já era a campeã de pedidos, parecia ter dobrado nesse sentido. Longe de mim querer competir com Konoha, mas se continuasse naquele ritmo eu seria obrigado a convocar uma reunião com os outros Kages, na verdade, o conselho já estava me pressionando para isso a meses. Obviamente Suna não era a única prejudicada nesse sentido e tínhamos que encontrar uma saída.

Me estiquei jogando o corpo pra trás na cadeira e olhando para o teto, perdido em meus pensamentos, quando a porta bateu. Ajeitei a postura e pedi que a pessoa entrasse, ficando surpreso e decepcionado ao ver Aiko.

Se ajoelhou a frente da mesa apoiando-se no joelho direito com dificuldade, ainda estava bem machucado do nosso último encontro. Contive a custo o sorriso de satisfação pela visão. No entanto, eu já havia convivido com Naruto o suficiente para entender o que tinha diante de meus olhos.

E modéstia a parte, minhas habilidades de sensor chegaram a ser reconhecidas por diversos Kages na guerra. A ousadia que ele estava tendo era ultrajante.

Mas resolvi deixá-lo fazer a primeira jogada.

— Kazekage-Sama… — Disse completando a saudação e eu permaneci calado sem me mover, o que fez com que ele continuasse como estava, sem sequer me levantar os olhos. - Kankuro-Sama…

— Dono. Kankuro-Dono.— Interrompi, sem conseguir me conter em corrigir.

Na aldeia mais tradicional das cinco nações, quase ninguém respeitava pronomes de tratamento corretos, que ironia. Já não era a primeira vez que ouvia alguém chamar meus irmãos de Sama, ao se dirigir a mim.

Uma pessoa pode escolher chamar a outra dessa forma se sentir por ela um grande respeito, ou for submissa de alguma forma, hierarquicamente na maioria das vezes. No caso, Aiko era subordinado do Kankuro no esquadrão antiterrorismo e antes disso foi seu aluno. Mas de frente ao Kazekage que é uma autoridade maior, ele não podia nos tratar com o mesmo pronome. Então ele deveria me dizer Kankuro—Dono e deixar o “sama” apenas para o Kazekage.

Em qualquer outro dia, e com qualquer outra pessoa, eu deixaria esse deslize banal passar batido. Porém, não podia negar o prazer que sentia em fazer Aiko enxergar seu lugar. Eu podia estar sendo irracional? Sim, haviam muitas chances disso, mas não conseguia mais acreditar ou dar nenhuma chance a ele. Kankuro e Matsuri que me desculpassem, eu não abaixaria mais minha guarda.

Principalmente agora.

— Ah sim, peço perdão… - Tornei a ficar em silêncio e sem expressão, fazendo-o hesitar entre continuar ou não e por fim, prosseguir hesitante. - Kankuro-Dono, me informou que a última reunião que o senhor teve com o conselho, foi muito conturbada e que não teve tempo de atender meu pedido…

Pedido? Ah, sim… Ele queria renunciar a cadeira de seu avô no conselho. Na hora em que Kankuro disse, eu achei ele estava blefando. Recordei enquanto ele continuava, tirando uma carta idêntica a que Kankuro me entregou da primeira vez que tocou no assunto, e colocando-a sobre a minha mesa.

A dificuldade que teve devido ao braço ainda quebrado, me fez lembrar também, de que ainda não o tinha dado permissão para se levantar. Tanto faz…, conclui continuando a não dizer nada, e apenas ouvi-lo

— … Por favor, insisto que não se esqueça de mim. Kankuro-Dono, já me demitiu do esquadrão e… E eu creio que ele esteja certo, eu devia ter perdido menos tempo cultivando ódio e me preocupado mais em trilhar um bom caminho... Então quero recomeçar do zero... - O que ele esperava? Que eu fosse ficar comovido com o discurso dele? Por que ele sempre parecia querer um prêmio por fazer a coisa certa? Como se não fosse mais do que sua obrigação. Não era um favor a ninguém que ele, agisse com decência.  

Mas talvez eu realmente devesse me comover. Se tem algo no qual Kankuro e Matsuri estavam certos é que os erros dele não eram maiores do que os meus, e eu não devia me considerar melhor do que ele.

Por mais que com base nisso, não fosse lógico negá-lo a mesma segunda chance que um dia me salvou, algo me impedia de pensar racionalmente sobre aquele assunto em específico. Algo como... Matsuri?

Tinha claramente algo que eu não queria admitir ali. Ciúme talvez? Eu ainda não estava habituado com aquilo, no entanto... A maneira como ela o defendia... Era tão... Incômoda.

Seja lá o que eu imaginava haver por trás daquela situação, eu estava certo. E Aiko foi até ali para deixar tudo isso explicito claramente, começando quando se levantou independente da minha falta de permissão para tal e se aproximou de minha mesa, chegando a se apoiar nela, me encarando fixo e decidido, abandonando de vez a postura submissa que adotava até então, para concluir o intuito de seu discurso, com uma brusca mudança de tom.

— ... Porém, recomeçar do zero pra mim inclui Matsuri. E é aqui que nos encontramos de forma pessoal. Eu a amo e resolvi que vou lutar por ela, dessa vez do jeito certo. Eu errei antes, em colocar meu ódio acima disso, mas não cometerei esse erro de novo. E nesse instante, eu não me importo se você é o Kazekage, ou o famoso "Gaara do Deserto", meu respeito por você se resume a hierarquia Shinobi. Fora disso você é só um oponente que eu pretendo derrotar. Espero que faça uma luta justa e não use seu cargo para influenciar a escolha dela.

Súbito, sem dar nenhum sinal de que faria isso, sem alterar um pequeno músculo facial que fosse, pus-me de pé. A cabaça já havia sido discretamente aberta no momento em que ele disse o nome dela.

Não pretendia me alongar muito. Na verdade, eu não queria dizer nada a ele, mas depois do que ouvi, tinha que dar ao menos um recado.

Cruzei os braços esperando a areia terminar de envolvê-lo num casulo do pescoço pra baixo.

— Então é assim que você a vê? Como um objeto a ser disputado? Acha que eu vejo como uma posse? Se quer insistir nessa ideia ridícula, ao menos converse com ela a respeito, não comigo, já que é sobre ela que está falando. Dizer que meu cargo poderia influencia-la... Do que a está chamando quando diz isso? Eu não te aceito como oponente a altura, não vou gastar meu tempo, eu não preciso lutar com você, não preciso lutar por ela. É tão covarde você se declarar primeiro a mim e não a mulher que está dizendo que ama... Mas não acho que você saiba o que é isso. Você não sabe o que é respeito, como vai saber o que é amor?

Comecei a me afastar em direção a porta, passava uma calma que eu não estava mesmo sentindo. Finalizei antes de sair.

— Transmita isso ao seu original. "Desrespeite-a novamente, tente força-la a fazer qualquer coisa, e dessa vez não vai haver ninguém capaz de me impedir de matá-lo".

Ergui o braço e fechei a mão, exercendo pressão na areia, a fim de destruir o simples clone a minha frente, e ele sorriu sádico antes de se desfazer.

— Então você percebeu...

— Como não... É o pior clone que eu já vi na vida, como Kankuro te aprovou na academia? - Rebati e quando estava terminado, nem me preocupei em guardar a areia de volta na cabaça, ou até mesmo em levá-la.

Passei a mão na chave e tranquei a porta ao sair, avistei Yaoki e Korobi no fim do corredor e apressei meus passos para entrega-las a guarda deles. Quando ouvi a voz de Kankuro.

— Gaara, algum problema? Por que está tão apressado? Eu acabei de saber que o líder do conselho te ameaçou e...

— Ex-líder do conselho Kankuro, você está atrasado. Não tenho tempo de te explicar agora. - Resolvi mudar de ideia ao percebe que ele podia ser útil. Parei de caminhar e joguei o molho de chaves para ele. - Sabe qual é a da minha sala, preciso de umas horas pode fazer isso?

Ele fez que sim com a cabeça e sorriu pondo as chaves no bolso.

— Eu ia perguntar aonde vai, mas nem precisa. Matsuri não é? - Me aproximei dele e disse antes de voltar a caminhar quase correndo em direção à academia.

— Você é o pior sensei do mundo, sabia? - Seus olhos se arregalaram, provavelmente por perceber do que eu estava falando.

Já tinha voltado a meu caminho e dado uns três passos quando ele me alertou:

— Vai sair por aí com as vestes de Kazekage, sem um compromisso formal? Fora que você vai desmaiar de calor lá fora! - Freei meus passos na mesma hora e comecei a retirar o manto de Kazekage de qualquer jeito, ficando apenas as com minhas vestes normais, que já eram pesadas o suficiente, diga-se de passagem.

Joguei o traje retirado aos pés de Kankuro, agradecendo o conselho e segui meu caminho, ouvindo sua risada diminuir conforme eu me afastava, mas ainda consegui discernir sua última frase, antes de sumir de sua vista.

— Ela está te deixando louco... E é por isso que eu ainda estou solteiro.

Louco? Não... Louco eu era antes, como ele pode achar loucura amar alguém? Kankuro definitivamente precisava de uma namorada mais do que ele imaginava.

Passei direto por Yaoki e Korobi que me incentivaram, compreendendo rápido a situação, sem precisar de explicações.

— Tudo bem se matá-lo Kazekage-Sama, nós diremos que foi sem querer. - Teria rido se tivesse tempo, aquilo era certamente o cúmulo da cumplicidade.

Cheguei do lado de fora do prédio e abaixei tocando o chão e perdendo uns minutos infundindo chakra na areia sob meus pés, já que havia deixado à cabaça pra trás. Usei esse tempo para calcular que talvez Aiko, "o original", tenha chegado até Matsuri muito antes de falar comigo e só fez isso para me distrair. Ou então só queria me atrair para alguma coisa mesmo.

Não importava o que fosse eu descobria em minutos e não queria depender da cabaça pra isso, confesso que já estava cansado de ouvir piadinhas nesse sentido. Terminei o que estava fazendo e consegui usar um jutsu de locomoção rápida. A distância não era muita, o que me permitiu chegar à academia em quase menos de um minuto.

Conhecendo Matsuri, ela provavelmente estava no pátio, o mesmo que nos conhecemos no dia em que ela me selecionou pra sensei. Eu ia entrar direto, mas algo me parou. Foi irracional eu não resisti. Aquilo era muito errado... Soava como testá-la, no entanto, antes de conseguir me repreender ou conter eu já havia me sentado silenciosa e discretamente, frente à porta e ativado o jutsu do terceiro olho.

Eles estavam treinando juntos. Matsuri estava claramente sendo misericordiosa com o fato dele ainda estar machucado e pegava leve, mas ainda sim, seus movimentos eram perfeitos. A vi trocar de armas umas três vezes até por fim pedir pra parar a luta, ofegante, dizendo que precisava descansar. Eu conhecia o limite dela e ela parou bem antes do usual e já estava tendo dificuldades em controlar a respiração. Fiquei orgulhoso de ver que ela cumpriu o que prometeu. Respeitou seu limite.

Se sentaram um de frente pro outro e dividiam um cantil de água. Eu tentava não questionar o fato dela nitidamente tê-lo perdoado e lhe dado uma segunda chance. Não sabia se ficava ofendido, ou se a admirava ainda mais. Ele puxou um assunto.

— Você devia terminar de se recuperar primeiro, não devia já estar treinando tão duro, depois daquele acidente. - Tão duro? Kankuro pegou mesmo leve com ele.

— Meu teste para jonnin é amanhã. - Ela respondeu seca e enfática. É... Pelo visto, perdoar não é esquecer. Ele deu de ombros com um pequeno riso de deboxe.

— Acha mesmo que ele vai te aprovar?

— Fui tão mal assim? - Ela rebateu a pergunta com um tom ofendido.

— Claro que não...— Ele nitidamente tentava contornar a má impressão. - Mas acho que não é válido pra ele ter você como kunoichi.

— Ué, então porque ele se importou em me treinar?

— Por que você foi a única pessoa que o quis. Se não fosse por você e ele não teria cumprido aquela etapa e não conseguiria chegar onde está.

— Discordo sobre ele não me valorizar como ninja. Mas de resto eu admito, salvei ele naquele dia. - Ela disse isso sorrindo orgulhosa e eu repeti seu gesto mesmo a distância, me lembrando novamente daquela tarde. Aiko parecia irritado por não conseguir lhe fazer hesitar e resolveu ser mais direto.

— Matsuri, eu tenho medo por você. Eu prometi que cuidaria de você, e fiz isso por muito tempo, mesmo assim eu sei que errei, e quero consertar as coisas, mas não acredito que ele tenha mudado completamente como todos comemoram. Ninguém vira outra pessoa.

Ela riu.

— Espera... Deixa-me ver se entendi. Está querendo me fazer acreditar na sua mudança, tentando me dissuadir a acreditar na mudança de outro semelhante. Não está funcionando, por favor, diga logo o que quer...

— Tudo bem... O que vai fazer quando ele cansar de fingir ser bonzinho pra você? Como pode ter esquecido da maneira que ele aterrorizava Suna quando era criança? Ele pode ter aprendido a se conter e se livrado do Shukaku, mas e daí? Ainda continua tendo a mesma essência, ainda o acho um psicopata, com aquele “jeito sem emoção”. Uma coisa é ele ser nosso Kazekage, outra é você se casar com ele. Quer mesmo ficar tão próxima assim daquele monstro? Porque não pode negar que ele o tenha sido. O que faria se o tivesse conhecido intimamente há anos atrás? Duvido que diria que o ama e que gostaria de passar o resto da vida junto. O problema é que aquela parte não morreu, eu olhei nos olhos dele quando ele tentou me matar, tenho certeza disso. – Droga... Não queria, mas não pude deixar de me sentir atingido. No fundo eu também questionava isso a mim mesmo. Eu havia mesmo deixado de ser um monstro? Podia mesmo andar de cabeça erguida? Merecia estar ao lado dela?

Matsuri se esticou, alongando-se, o que eu gostaria que não tivesse feito, pois acabou ficando numa posição muito bonita. Suspirou profundamente e disse:

— Eu te olhei da mesma forma quando tentou me agredir... Magoada, com ódio... E não está me chamando de monstro, então, por favor, não seja hipócrita, não finja que apenas está tentando “me proteger”, esse não é seu real interesse, não o culpe pelo que não consegue. E o que você mesmo fez, todas as vezes que se sentiu perdido ou pressionado? Se você surtou só por aquilo, o que não teria feito no lugar dele? Ele batalhou duro pra se reinventar e conquistar o perdão da nossa aldeia, perdão esse que éramos nós que devíamos pedir a ele, por termos nos amparado numa criança como a derradeira arma de Suna. Aiko, eu perdoei você por consideração ao nosso passado, mas por favor, não tente menosprezar a dor que ele passou, nem se compare. E não é como se eu também não tivesse nascido em Suna e não tenha convivido com as histórias sobre o “Gaara assustador” que você fala. E na verdade, eu nunca o achei assustador, toda vez que eu olhava pra ele de longe, só via que era uma criança linda, assustada. Assustador era o que pessoas como você faziam com ele, vocês sim, foram monstruosos, nada daquilo teria acontecido se Suna o tivesse dado uma chance de se enturmar.— Não pude deixar de me sentir grato e emocionado. Engoli com dificuldade o nó que se formou imediatamente em minha garganta, apertando os olhos, tentando impedir as lágrimas de descerem, me sentindo culpado, pois por mesmo que apenas um mero segundo, cheguei a duvidar que poderia perdê-la pra ele.

Ele abaixou a cabeça atingido, e eu torci para que tivesse desistido de insistir, mas ele era talvez ainda mais teimoso do que eu.

— Matsuri... Se acredita mesmo nisso, porque não me da uma chance também? Como pode me dispensar sem nem ter tentado? Você não está nos comparando com a base certa.— Senti meus punhos se cerrarem com ódio e me levantei, ficando pronto para intervir caso ele resolvesse ignorar meu aviso.

— Nunca comparei vocês, e não existe base certa pra isso. Eu não sou obrigada a por meus sentimentos em dúvida porque você quer se colocar como uma opção. Me desculpe, mas não há nada que possa tentar que me faça te corresponder. - Ela se levantou ao dizer, indo em direção as suas coisas dispostas numa das mesas e ele teve e a ousadia de ir até ela, e segurá-la pelos ombros, virando-a para si.

— Não vou desistir de você, eu prometi que te protegeria, até de você mesma. - Ele tentou beija-la e eu abri a porta, mas antes que pudesse dar o primeiro passo ou fazer qualquer coisa, ela o afastou sozinha, e com maestria, ao golpeá-lo onde já estava machucado.

— Essa é uma das diferenças entre vocês, se quer tanto uma comparação... - Disse empurrando-a. - Ele já entendeu que eu não quero só ser protegida, não quero ficar atrás de ninguém. Quero poder proteger aqueles que eu amo, foi isso que meu sensei me ensinou.

— Matsuri…— Chamei sua atenção, e ela se virou pra mim com os olhos assustados e bravos ao mesmo tempo.

— Gaara? Há quanto tempo está aí?

— Tempo suficiente.— Caminhei em direção a ela decidido, com passos pesados. Meus lábios se torcendo num pequeno sorriso de satisfação. Notando isso, me perguntou intrigada, quando eu já estava a enlaçando pela cintura.

— Não está bravo comigo?

— Bravo? Não… Claro que não… — A puxei para um beijo intenso, sem lhe dar tempo de hesitar, completamente ciente de que não estávamos sozinhos, o que confesso, aumentou e muito minha satisfação.

Uma das mãos subia de sua nuca para seus cabelos, enroscando-se neles, a outra precisava suas costas, juntando seu corpo a mim. Eu poderia simplesmente ter dito algo, um “obrigado” pelas palavras dela talvez, mas aquilo… Aquilo me parecia muito mais assertivo.

Olhei de soslaio ao ouvir o som de passos se afastando, ainda sem soltar Matsuri e interromper o beijo. Aiko havia sabiamente se retirado.

Me afastei dela tão subitamente quanto a havia agarrado inicialmente. Me sentia tão poderoso, que não precisei perder tempo infundindo chakra, ele já parecia ter se derramado em volta de mim. Ergui as duas mãos e levantei quase toda a areia do chão sob nossos pés, usando-a para bloquear todas as janelas e portas, e qualquer campo que pudesse dar vista ao pátio.

— Gaara o que está fazendo!? – Ela questionou com um sorriso incrédulo e admirado.

— Geralmente você costuma sempre dar um jeito de realizar alguma... Fantasia...— Expliquei com um sorriso malicioso, enquanto caminhava em direção a ela, tão animado pelo que acabara de testemunhar, que deixei minha timidez afogada no fundo de mim. – Mas eu também tenho uma.  

— Tem? – Ela me perguntou sadicamente se flexionando e ajeitando as meias, compreendendo e entrando no jogo.

— Tenho... Eu sempre imaginei fazer isso aqui.— Confessei, a voz se tornando mais grave que o normal devido a excitação do momento, finalmente a alcançando e voltando a beijá-la com fervor.

Nossas línguas se exploravam com devoção e ela dobrou a perna direita, roçando sua coxa na minha, enquanto eu a inclinava um pouco para trás, na intenção de ter acesso a seu pescoço e colo. Ela deixou a cabeça pender mole, completamente segura de que eu não a soltaria, o que acabou rendendo uma posição muito bonita. Quase como um passo final de alguma dança latina.

Não resisti em parar alguns segundos para admirá-la. Devo quase ter me perdido em minha paixão e na forma como ela me encantava, pois em dado momento, ouvi sua voz me chamar à realidade.

— O que está esperando? Siga em frente... Gaara-Sensei...       


Notas Finais


Aguardo vocês no cantinho de sempre, já sabem né? E também já notaram que no próximo capítulo teremos hentai! Então quem não gosta, já deixei o alerta e pra quem gosta... Aproveitem!
Beijos e até a próxima lindos! ♥


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...