História O Sequestro de Sol - Capítulo 2


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Categorias Originais
Tags Depressão, Romance, Superação
Exibições 5
Palavras 1.521
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Capítulo Um


Fanfic / Fanfiction O Sequestro de Sol - Capítulo 2 - Capítulo Um

Sol acordou com seu gato preto e gordo, Rengar, esfregando-se em seu rosto. Tinha seus quase dez anos de idade, e estava com a garota desde alguns meses; sendo assim, seu fiel amigo, que ao contrário de muitos, continuava ao lado dela mesmo nos piores momentos.

— Bom dia, meu anjinho. - ele miou, mais interessado na ração que estava por vir. - Vamos lá. - a garota levantou-se e foi até a cozinha de pijama, onde seus pais tomavam café enquanto assistiam ao noticiário na TV LED da bancada.

— Bom dia, Sol. Como está? - o pai pergunta, sorrindo. Fazia tempo que Sol não o via sorrir, e é aquecedor para seu coração. - Tome café conosco, filha. Já vou para o trabalho.

Conversaram sobre assuntos banais por alguns minutos, até que seu pai, Amir, levantar-se e ir ao trabalho. Ele era um africano alto, e com seus cinquenta anos de idade, possuía uma aura juvenil ao seu redor, além de ser um lindo homem. Por muito tempo, quando mais nova, Sol sonhava em ter uma pele bela como o do pai adotivo, embora naquela época não fazia ideia de metade da luta e dor que passavam as pessoas negras. Aprendeu com o tempo, graças aos pais que fizeram questão de ensiná-la sobre a cultura africana e o racismo presente na sociedade.

— Seu pai não poderá te levar a terapia, filha. Tudo bem se for comigo? - perguntou Ana, sua mãe adotiva. Desde o início da puberdade, ela e Sol não estavam mais dando-se bem. Após o sequestro, a garota fechou-se em uma concha, impedindo a mãe de entrar. Ela rezava todas as noites para que a filha pudesse ter forças para superar, mas a depressão estava de mal a pior.

— Claro, mãe. Poderíamos ir ao shopping antes? Quero comprar um vestido bonito – perguntou sorrindo, o que fez o coração de Ana quase sair do peito.

— Adoraria. Está combinado.

*

Ao chegar ao escritório de doutora Vânia, Sol sentiu medo. Fazia meses que não conversava com pessoas além da família e da doutora, mas em questão de dias voltaria as aulas, e infelizmente a ressocialização seria necessária. A garota entrou na sala indicada, chocando-se com os olhares de cerca de cinco pessoas que pareciam ter sua idade, além da doutora. Os olhares eram de curiosidade, já que faziam terapia há algum tempo e Sol era novata, e como diriam eles, era carne nova.

— Sol, por favor. Sente-se – a garota pulou ao ouvir a voz da doutora, que agora portava-se ao seu lado, apontando uma cadeira. Ela sorria amigavelmente, passando segurança a mais nova. Sol sentou-se no lugar indicado.

— Meus queridos, essa é nossa nova amiga, Sol. Ela nos acompanhará daqui em diante – os jovens sorriram.

— Olá, Sol! - disseram em coro, e Sol percebeu que só havia um garoto na sala, que estava sentado distante. Aparentemente, olhar para os dedos era mais interessante do que cumprimentar a nova colega.

— Alguém gostaria de começar? - perguntou a doutora. Uma garota miúda levantou a mão. - À vontade, Rose.

— Ontem falei com minha mãe. Parecia até de verdade, sabe? Esse lance de mãe e filha. Ela me pediu desculpas pelo que aconteceu, conversamos sobre garotos. - a garota riu, mas o semblante triste era notável. - Senti como se ela me amasse.

— Fico feliz por você, Rose – disse uma garota de cabelo lilás. Seus olhos eram azuis como o céu e suas feições, delicadas. De imediato, algo se ascendeu dentro de Sol: fazia tempos que não via uma pessoa tão bonita. Estava trancada há tanto tempo dentro de sua própria casa que tornou-se alheia quanto as outras pessoas.

— Parem de romantizar a relação com seus pais, por favor. - o garoto não olhava mais para as mãos, e sim para Rose, com raiva. - Não tem nenhum problema sua mãe não amar você, ou ao contrário. É tão difícil entender? - Por segundos, era como se não existisse mais oxigênio na sala. Os pacientes, chocados, não conseguiam fazer nada além de encarar o garoto louro.

— Qual o seu problema, Tomas? Não é porque és insensível que todos devemos ser! - gritou uma garota que sentava próxima a Sol. Seus olhos pretos estavam marejados e ela rosnava como uma loba. - Vai se foder! - ele piscou por alguns segundos, dando uma risada abafada.

— Um dia você aprende – a doutora, que até então apenas observava, interrompeu antes que a garota pulasse de sua cadeira para esganar o garoto abobado.

— Tomas trouxe um ponto importante para discussão. Até que ponto uma relação entre mãe e filho é saudável? Algum de vocês gostaria de falar sobre? - uma garota que não parecia ter quatorze anos chamou atenção da doutora. - Pode falar, querida.

— Bom, eu não falo com minha mãe desde meus oito anos. Ela me abandonou com minha irmã de dez e meu pai. - parou por instantes, como se estivesse revivendo o momento. - Meu pai batia em nós três, e mesmo assim ela nos largou com ele. Nunca mais falei com ela.

— Ela tentou entrar em contato com vocês? - perguntou a garota dos cabelos lilás.

— Alguns anos depois. Queria nos levar para morar com ela e seu novo namorado, que por incrível que pareça, também batia nela. E o fruto não cai longe do pé, meu motivo de estar aqui é me livrar de um relacionamento abusivo.

— Qual a sua idade? - perguntou Sol num impulso. A garota parecia ter uma estatura mediana, e com as roupas coladas que estava usando era possível ver que não se desenvolvera tanto ainda.

— Tenho quinze anos e um bebê de dez meses. Sei que não parece, mas é verdade. Moro com o Gustavo desde os meus 11 anos, para me ver livre do meu pai. - deu um sorriso triste. Sol sentiu uma vontade imediata de chorar. - Estou tentando me separar, mas está difícil. Ainda não arranjei para onde ir. - Pela fortuna que doutora Vânia cobra, Sol perguntou-se como uma pessoa nas condições dela possa pagar, ou melhor, com quem ela deixa o bebê para vir às reuniões? E se o relacionamento dela é abusivo, porque diabos ele a deixaria fazer terapia?

— Seu pai simplesmente te deixou ir embora com um cara? - o garoto, que até então estava quieto, perguntou.

— Meu marido tem muito dinheiro. - ela mordeu os lábios, continuando. - Não era como se houvesse uma escolha.

— Então você foi do ruim para o péssimo? - Uma voz masculina ecoou na sala. Sol olhou assustada para a porta, e lá estava o dono da voz: um cara alto, com cabelos pretos e bagunçados na altura dos ombros. Possuía um rosto que parecia ter sido esculpido, e por um momento ela sentiu-se triste por seus olhos estarem cobertos por óculos escuros. O piercing no queixo a fez prestar atenção em sua boca, onde exibia um sorriso de dar inveja.

— Senti a falta de vocês, garotas – disse num tom irônico, e pela forma como Tomas encarou-0, havia conseguido o que queria.

— Jack, por favor, sente-se. Está atrasado – o rapaz sentou-se na única cadeira vaga, que por coincidência, estava ao lado de sua nova admiradora. A garota que estava falando esperou o mesmo sentar para enfim respondê-lo.

— Bom, o Gustavo não me bate.

— Mas aposto que ele comete outros tipos de erros, não é, Anne? - Sol arqueou a sobrancelha, confusa pelo diálogo que acontecia. Anne pôs-se a chorar, o que deixou a garota ainda mais confusa.

— Essa é a razão por eu estar aqui, afinal. - suspirou, achando forças para continuar. - Preciso urgentemente de ajuda, ou morrerei.

Após a declaração de Anne, as coisas voltaram ao normal. Ninguém teve interesse em continuar o assunto ou tentar ajudar a garota que chorava dramaticamente, e por não conhecê-la, Sol optou por prestar atenção nas paredes do recinto.

Mais umas duas garotas compartilharam o que sofreram com suas respectivas mães e ao final da sessão, doutora Vânia fez um discurso explicando a fala de Tomas – que não tirou o sorriso do rosto – sobre romantização da relação mãe-filho. Sol estava preparando-se para levantar quando o rapaz ao lado perguntou:

— Ei, qual seu nome? - ele não usava mais os óculos pretos. Seus olhos eram verdes e por trás deles, havia uma imensidão de sentimentos.

— Sol, e o seu? - ele riu, e então Sol percebeu que já sabia o nome do mesmo. Teve vontade de dar um tapa em sua própria testa. - Ah, seu nome é Jack…

— Bom, ou você está no mundo da lua ou 'tá perdida olhando pra esse rostinho lindo, não é? - Sol quis enfiar a cara num buraco de tanta vergonha. O sorriso em seu rosto aumentou, mas não durou por muito tempo. Certamente percebera que a garota não estava para flertes no momento.

— Não quis ofender – seu rosto debochado encheu-se de preocupação. Engoliu em seco, tentando não ser grossa.

— Tudo bem. - Sorriu sem mostrar os dentes. - Até mais – levantou-se, saindo sem olhar para trás ou esperar uma resposta do rapaz. Apenas nesse momento caiu a ficha de toda dor que ouviu em menos de uma hora.


Notas Finais


Espero que gostem! =)


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