História O Silêncio dos Inocentes - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Jihope, Killers, Policial, Sdi, Taeseok, Vhope, Yoonseok
Exibições 256
Palavras 4.434
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Lemon, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Canibalismo, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Tem alguém vivo depois desse comeback?! Humm, eu acho que não... PQP O QUE FOI ESSE TIRO?!!

Saudações amores e amoras da minha vida! Adivinha quem está por aqui em dia... Sim \o/ a Tia Lua tá aqui \o/
Eu tô aprendendo viu gente hauhauahuahuahua aos poucos eu tô me ajeitando como prometi pra vocês!
(づ。◕‿‿◕。)づ
Novamente eu queria muito agradecer cada leitor, favorito e comentário aqui em SDI! Vocês são uns lindos/as e dá vontade de passar o dia babando na cabeça de cada um! ❤ Qualquer hora ainda farei isso!
São vocês que movem esse projeto e a minha criatividade, então me sinto eternamente grata pelo reconhecimento e paciência que dão a SDI ❤
Eu tô sentimental tá, não me julguem hauhauhauhauhaua! mas é verdade, eu amo vocês!

✔ Eu montei uma playlist para a fanfic no Youtube, como eu disse pra vocês antes, e nesse capítulo vão ter algumas referências musicais que seria bastante legal se vocês dessem uma olhada, pois cada uma diz um pouco de como eles estão por dentro... Então, os links estarão nas notas finais >.<

✔ O banner lindo e maravilhoso é obra da @tchimin >.< Obrigada gata!! ❤

Capítulo 8 - Crimson


Fanfic / Fanfiction O Silêncio dos Inocentes - Capítulo 8 - Crimson

Torna-te aquilo que és.

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O que estava acontecendo aqui? O que Diabos significava aquela cena toda? Quem era o rapaz de cabelo laranja quem todos se referiam por Sorriso? E principalmente, qual era a ligação entre o tal Jimin e o Hoseok?

Essas e mais algumas milhares de perguntas cruzavam a minha mente em frações de segundos, nublando qualquer outra ação a minha volta apenas para manter o foco na situação mais inacreditavelmente inédita que eu já tinha visto.

Nós havíamos saído do refeitório a pelo menos quarenta minutos e eu sabia que desde que nos levantamos da mesa o delegado falava algo muitíssimo sério comigo. Eu sabia que devia prestar atenção nas palavras do loiro. Eu sabia que devia demonstrar que estava o ouvindo. Mas eu não conseguia desviar os olhos do Hoseok, que ainda embalava o alaranjado nos braços e sussurrava vez ou outra alguma coisa em seu ouvido.

Eu observava Jimin dar uma risada abafada e então esconder o rosto no peitoral do Jung, esfregando o nariz e o rosto pela blusa dele como se fosse um gato pedindo atenção ao dono. Já o Hoseok, ele havia notado desde o começo o quão concentrado eu estava em cada movimento seu e fazia questão de sempre sustentar meu olhar durante longos segundos. Ele parecia dizer “Está surpreso, detetive? “

– Taehyung? – Eu ouvi ao longe uma voz conhecida me chamar. – Taehyung? Você está me ouvindo?

Balancei a cabeça cegamente, concordando.

– Minha bunda que você está ouvindo! – Fui sacodido pelo ombro por Yoongi e devido ao choque momentâneo acabei por acordar das minhas divagações, piscando diversas vezes ao notar a imagem de um loiro bastante irritado.

Argh, mas que situação...

– Desculpe hyung, eu me distraí. – Argumentei, torcendo do fundo da minha alma para não levar nenhuma bronca.

– Quem consegue se distrair por quarenta minutos inteiros?! – Ele questionou de maneira retórica, jogando as mãos para cima em um ato de rendição.

Eu lhe dei um sorriso amarelo e um levantar de ombros e o delegado apenas deu um suspiro cansado.

– Certo. Eu vou repetir bem resumidamente. – Concordei com um aceno e ele soltou o ar pela boca, logo inspirando profundamente para começar o discurso. – Você chegou a ouvir a ligação?

– Ligação?

– Por que eu suspeitei que essa fosse ser sua resposta?!

Dei de ombros outra vez e sorri envergonhado. Que ligação?

– Enquanto você estava distraído no seu mundinho, eu fiz algumas ligações porque precisava de um lugar para enfiar o Hoseok. A secretaria me retornou dizendo que o ministro havia liberado um hotel pra gente...

Sacudi a cabeça, mas meu cenho começou a se franzir conforme as informações iam se organizando e se juntando. Como assim “pra gente” ? Só para confirmar que eu havia perdido outra parte da conversa, resolvi perguntar.

– Então o Hoseok vai ficar no hotel?

– Então Nós vamos ficar no hotel.

Engoli em seco. Isso não podia ser verdade.

– A central esvaziou o hotel inteiro detetive, só vai ficar a equipe que está no caso e claro, o Hoseok.

Eu ri de puro nervoso, torcendo para ser uma brincadeira sem graça do loiro. Mas ao olhar em seus olhos, ao notar aqueles braços cruzados sobre o peito numa postura rígida e impaciente, percebi que era bem sério.

– Você quer que a gente durma lado a lado com um assassino? É isso hyung?

– Por mim cada um iria pra sua casa Taehyung. Por mim o Hoseok nem respirando estaria! Mas foi uma decisão do ministro... ele acha que será melhor se a equipe estiver sempre junta e protegida.

Protegida ao lado de um assassino?! Que ironia.

– Que beleza... – Balancei a cabeça em amargura

– E o Hoseok estará sendo vigiado.

– Não me diga – falei ácido.

– E – O delegado olhou-me sério, estava sendo autoritário comigo agora – Não é como se ele fosse fazer alguma coisa. O Hoseok tem muita sede de sangue para dar um passo em falso e ser privado de assistir o show de perto.

Esfreguei as mãos pelo rosto, nervoso, e passei os olhos pelo ambiente, não demorando a encontrar aqueles orbes que cintilavam na minha direção, com aquele maldito sorriso de canto.

Eu certamente iria enlouquecer.

– Okay. Eu posso fazer isso. – Mentira!

– Que ótimo, nós precisamos de você detetive.

Yoongi afirmou num tom mais acalentador, como se quisesse me tranquilizar e eu lhe devolvi o gesto com um sacudir desajeitado, concordando.

Vi Jimin se afastar do Hoseok e vir em nossa direção quase saltitando, ele tinha um sorriso aberto e infantil. Absurdamente feliz e inocente. Fiquei olhando seus traços delicados contrastantes com a extravagante cor dos cabelos. Ele tinha um tom de pele quente, mais bronzeado, típico de quem vem de áreas litorâneas.

Ele chegou até nós e encostou levemente a cabeça no ombro do delegado.

– Nunca mais tire ele de perto de mim sem avisar hyung, eu quase morri de susto! – Ele falou manhoso e levantou a cabeça para aumentar o sorriso, os olhos quase fechando pelo tamanho das bochechas.

– Eu não o removi de lá, Sorriso. E ele está bem vivo, como você infelizmente pôde conferir.

– Ha. Ha. Ha. Hyung, muito engraçado. – O rapaz disse irônico e Yoongi virou os olhos. – Aliás, me desculpe por mais cedo, eu fiquei irritado...

– Tudo bem, sem problemas.

– Ótimo! – Ele exclamou animado. – Mas agora eu preciso ir, tenho um trabalho pra terminar.

– Okay, vai lá.

– Eu volto para ver ele.

E antes que o delegado pudesse responder a afirmação, o baixinho já tinha se afastado e ido em direção ao Jung novamente, rodeando os braços na cintura dele. Jimin ergueu-se na ponta dos pés, ainda abraçado ao corpo alheio. E ignorando completamente a presença das armas constantemente apontadas para a cabeça de Hoseok, ele esfregou o nariz no do assassino, para então descer e selar os lábios dele durante alguns longos segundos.

Meus olhos ficaram do tamanho de bolinhas de ping-pong, uma exclamação ficou presa na garganta e tudo ficou no vaco, só me deixando ouvir o ruivo murmurar baixinho um “comporte-se, por favor” e seguir seu caminho para fora da delegacia.

Minha mão subiu rápida para tapar a boca aberta e eu virei a cabeça freneticamente procurando alguém que, assim como eu, estivesse estupefato, mas só encontrei o delegado com cara de desgosto.

– Você viu aquilo?! – questionei mais alto do que deveria, me segurando para não apontar na direção do Jung.

– Eu vi...que nojo. – falou numa careta deformada e me deu as costas para ir até a mesinha de café chamar o Minhyuk.

Como assim? Que tipo de reação é essa?

Minha cabeça estava pesando com tantos questionamentos sem resposta e minha vontade era subir em uma cadeira e gritar para as pessoas olharem aquela droga de cena que estava acontecendo bem debaixo dos nossos narizes!

Hoseok deu risada da minha provável expressão indignada e eu arqueei a sobrancelha para analisa-lo. Aquilo tinha sido um ato de afeto distorcido ou uma engenhosa estratégia de manipulação? Eu não sabia dizer.

Eu tive um espasmo de susto quando Yoongi gritou chamando todos os envolvidos no caso para uma rápida reunião ali no hall mesmo. Em segundos formou-se uma imensa roda de pessoas ao redor do delegado, todas atentas. Hoseok e os guardas eram os únicos que não faziam parte do grupo, estando do outro lado, encostados na parede.

– Como eu já tinha mencionado, nós ficaremos no hotel até resolvermos o caso. Então vão para casa, peguem suas coisas e avisem a família que vão estar fora. Eu e os guardas vamos até o apartamento do Hoseok pegar algumas roupas pra ele e depois vamos convocar mais dois militares pra vigiar o Hoseok em turnos. As cinco eu quero todos aqui para irmos juntos.

Eles concordaram, ainda que com expressões frustradas, e seguiram para fazer o que lhes foi mandado. Seokjin não estava nada contente, ele ficou pelo menos dez minutos discutindo com o delegado, mas depois acabou acatando sob a ameaça de ser desligado do caso.

Eu também não fiquei muito tempo observando a briga, peguei minhas chaves e fui até o carro a passos rápidos. Voltou a garoar e pela cor do céu é possível que a chuva engrosse quando cair a noite.

Cheguei no meu apartamento e precisei de alguns minutos para decidir o que levaria. Desde pequeno sempre fui muito indeciso na hora de fazer as malas ou comprar roupas, esse assunto é tão sério que até hoje meu guarda-roupa é uma bagunça total, pois eu vou pegando e pegando peças que no meio do caminho desisto de usar e ao invés de dobra-las e colocar de volta nos devidos lugares, eu simplesmente embolo tudo e jogo para dentro. É um habito incorrigível.

No meio de toda aquela arrumação, minha mente voltou à cena de algumas horas, quando o rapaz de cabelo laranja adentrou o refeitório e jogou o delegado na parede, e mais tarde em sua despedida, a maneira como se sentia confortável nos braços de alguém que tinha o sangue de mais de quarenta pessoas nas mãos.

Eu simplesmente não conseguia entender e já não sabia se minha indignação era por não saber o que estava acontecendo ou se era pela falta de reação alheia, como se eu fosse o único a estranhar aquele afeto todo.

Fiquei tanto tempo pensando no assunto que quando decidi que perguntaria ao delegado novamente já eram dez para as cinco. Quase me teletransportei da cama até a porta da sala, mas quando estava prestes a sair de casa minha consciência me sugeriu uma medida preventiva.

Eu voltei com a mala e a apoiei sobre o sofá, indo até o escritório e pegando na terceira gaveta da mesa um revolver e uma caixinha de munição. Eu não pretendia usar de maneira alguma aquela arma, entretanto não podia baixar a guarda em uma situação como aquela. Hoseok estaria no mesmo lugar que eu, nós dormiríamos embaixo do mesmo teto e ele definitivamente não era o melhor exemplo de pessoa confiável.

Enfiei aquilo em uma caixa de madeira maior e coloquei na mala, agora partindo do meu lar com cinco minutos de atraso.

Fiz o trajeto em tempo recorde e quando cheguei todos já estavam organizados, a ideia era deixar o carro no estacionamento e seguirmos nas viaturas disponíveis, mas só de pensar que eu não teria meu bebê por perto caso precisasse de um escape me deu um tremendo desespero, então depois de muita manha acabei convencendo o delegado.

Em questão de vinte minutos nós já estávamos na estrada em direção a um hotel um pouco mais afastado do centro. Eu fui atrás seguindo aquelas três dezenas de viaturas e observando a paisagem ao redor.

Uma ansiedade esquisita estava me subindo pelo corpo, fazendo as mãos formigarem. Respirei fundo algumas vezes até chegarmos ao nosso fatídico destino. Era um prédio marrom de cinco andares, nada muito alto e esplendoroso.

Estacionei meu carro um pouco mais distante e enquanto colocava a mala no ombro esquerdo e trancava as portas vi Yoongi sair de uma das viaturas junto ao Minhyuk, os dois guardas com fuzis e claro, um Hoseok sorridente.

Respirei fundo caminhando até a entrada do lugar, o gerente havia deixado as chaves embaixo do tapete da entrada pois não queria se arriscar a cruzar caminho com o assassino.

O delegado destrancou o lugar e deu passagem para que todos ficassem na recepção.

– As mulheres podem ocupar o primeiro e segundo andar, homens no terceiro e quarto. No quinto eu só quero eu, o detetive, o SeokJin, os quatro tenentes responsáveis pelo Hoseok e o Hoseok.

Todos já começaram a seguir para os elevadores e Yoongi gritou dando um último aviso:

– Mais uma coisa, não tem serviço de quarto nem recepção, somos só nós, então quem quiser comer, a cozinha está completa e a disposição.

Em meio a resmungos a equipe se dividiu e se arrumou. Nesse processo houve muito barulho e gritaria. Nós oito que ocuparíamos o quinto andar preferimos esperar cerca de uma hora na sala de descanso para que os elevadores e escadas estivessem liberados do fluxo intenso de pessoas.

O hotel tinha um estilo germânico bastante incomum para a Coréia do século vinte e um. Era cheio de papeis de parede em tons de azul marinho e verde musgo, o piso era escuro, feito de madeira verdadeira e muito antiga. Havia também uma grande lareira e acima dela, ao invés de uma televisão, descansava a cabeça de um cervo empalhado.

Reparei muito rapidamente uma segunda sala que se separava da que estávamos apenas por um pequeno corredor abobadado. Ao me inclinar um pouco para ver mais do segundo ambiente consegui notar os pés de um luxuoso piano de cauda. Um rebuliço se instalou no meu peito, uma sensação nostálgica que me guiou para os dias no Sítio de Daegu com a vovó. Ela gostava de tocar para mim e eu gostava de ouvir cada uma das performances.

Senti um peso sobre o meu corpo e um par de olhos me avaliarem intensamente, me forçando a desviar a visão da misteriosa sala do piano para vislumbrar o meu avaliador. Jin estava me observando atentamente, eu podia sentir que ele me media de cima a baixo sem nenhuma preocupação em ser pego, eu inclinei a cabeça para o lado e lhe direcionei um sorriso, ele repetiu a minha ação dando um riso envergonhado no final.

Jin não queria estar ali e não houve um segundo durante a nossa subida até o quinto andar que ele não comentou sobre a sua insatisfação. O delegado e ele pareciam cão e gato presos na coleira, as regras de conduta eram a única coisa que os impediam de sair aos murros, disso eu tinha certeza.

Quando saímos do elevador demos de frente para um hall com um banco e ao lado as escadas de emergência. Haviam quartos para os dois lados daquela saleta, o delegado mencionou que eram quinze para a esquerda e quinze para a direita, o que nos dava liberdade de escolha, já que éramos apenas oito.

Na verdade, a seleção era apenas para mim e para o Jin, pois o Hoseok, o delegado e os quatro militares deveriam ficar próximos.

 E assim foi, Yoongi escolheu o último quarto do lado esquerdo e pulando duas portas ficaria o primeiro militar, depois o Hoseok e outro militar. E nos dois quartos à frente do assassino, deveriam ficar os outros dois. Eu escolhi o lado esquerdo também, pegando o quarto que era mais próximo do elevador. O Jin em contrapartida, optou pelo último quarto do lado direito, deixando evidente que desejava estar o mais longe possível do delegado.

Quando adentrei meu quarto, o número 120, fui possuído por um cansaço supremo, o ambiente estava todo organizado, a cama estava bem no centro e era coberta por uma colcha branca que se destacava do carpete escuro. O lugar estava sob a meia luz e aquilo estava me dando sono. Larguei a mala sobre uma poltrona, pegando apenas uma boxer, deixei a maleta sobre a escrivaninha e apanhei uma das toalhas felpudas que estavam impecavelmente dobradas. Entrei no pequeno banheiro e deixei que a água caísse o mais quente possível sobre os meus ombros.

Estava sendo um dia estressante e cheio de surpresas, parecia que desde a madrugada da ligação já haviam se passado semanas quando na verdade estava tudo ainda contido nas mesmas vinte e quatro horas.

O líquido fluía pelo o meu rosto, os pingos pesados e tórridos fazendo meus lábios e bochechas comicharem, a dor de cabeça estava sendo aos poucos lavada, muito embora as dúvidas continuassem me espreitando.

Não tive tempo, ainda, para abordar o delegado e questiona-lo sobre o tal Jimin e seu comportamento afetivo para com o Hoseok e, essa era uma incógnita que estava me deixando perturbado. Eu sabia que estava ficando um pouco obsessivo, mas me parecia um mistério muito profundo para que a minha curiosidade pudesse simplesmente deixar passar.

Quando desliguei o chuveiro já eram por volta de dez horas, Yoongi me disse que eu poderia descansar um pouco, a equipe estava fazendo ronda pela cidade junto com o exército, então ao menor sinal de movimentação eles nos reportariam. Eu os avisei para dar preferência aos lugares onde o Hoseok havia depositado as peças em cada homicídio, mas eles não concordaram muito com a minha análise. “Desovar os corpos no mesmo lugar parece burrice para mim”. Resolvi não discutir muito, eles eram a polícia no final das contas e me parece que ignorar a opinião alheia fazia parte do ofício, principalmente se a tal opinião vir de alguém bem mais novo.

Deixei meu corpo cair sobre aquela cama macia e aos poucos eu adormeci. Acordei horas depois num solavanco único, como se tivesse caído do teto. Empurrei as cobertas com os pés e me sentei, esfregando meu rosto e notando que já estava um pouco suado. Era sempre assim quando eu pegava um caso novo, quando precisava dormir fora. Mas considerei um progresso não ter lembrado qual era o pesadelo da vez.

Fui ao banheiro apenas para jogar um pouco de água na cara e depois voltei ao quarto, colocando uma calça de moletom e um casaco. Peguei o celular, duas horas da manhã.

– Que beleza Taehyung, que beleza!

Resmunguei e resolvi sair, ficar dentro de quatro paredes apenas me deixaria mais ansioso. Abri a porta bem lentamente, colocando apenas a cabeça para fora e observando o corredor mal iluminado.

Sai devagar e tranquei tudo, os dois guardas estavam trocando de turno para vigiar o Hoseok e eu acenei para os quatro no corredor, enquanto eles passavam os fuzis e conferiam as munições.

Segui caminhando lentamente pelo passadiço, indo em direção ao elevador, mas estanquei os passos ao ver a porta de emergência se abrir. Jin saiu dali retirando das mãos um par de luvas cirúrgicas na cor azul e as colocando dentro de uma sacola plástica. Ele não havia me visto e seguiu vagaroso para o próprio quarto enquanto assoviava uma melodia qualquer.

Eu estranhei, mas achei melhor não dizer nada e dando de ombros fui até o elevador e o adentrei.

Os corredores do hotel estavam todos escuros, as luzes tinham sensores de presença e só se acendiam quando eu passava. Havia um silêncio engolindo todo o lugar e apenas se eu me concentrasse muito poderia ouvir os ruídos longínquos de conversas.

Precisei de dez minutos andando para conseguir encontrar a cozinha. E pelo menos uns vinte para achar todos os ingredientes naquele monte de armários.

Coloquei o leite em uma xícara grande de porcelana e posicionei dentro do micro-ondas, deixando esquentar por um minuto e meio. Retirei o copo quase o derrubando por ter segurado a parte mais quente, coloquei rápido sobre o balcão sacudindo os dedos como se isso fosse aliviar a sensação horrível de tê-los queimado.

Coloquei três colheres generosas de mel e mexi bem, vendo o branco ganhar um tom mais alaranjado. Só o cheiro da bebida já me tranquilizava, era um aroma que me remetia a um abraço caloroso, uma sensação de segurança e reconforto que a muito tempo eu não tinha.

Com a xícara fumegante em mãos eu desliguei as luzes da cozinha e fui refazendo o caminho até por fim chegar a sala de descanso. Pretendia me sentar por ali, mas o ambiente pouco aclarado despertou meu interesse.

O corredor recebia uma iluminação esbranquiçada que eu só entendi da onde vinha quando parei no meio dele e olhei para cima. O teto abobadado era feito totalmente de vidro, dando a visão para algumas árvores e para a Lua minguante. Estava garoando também, as gotas sutis caiam sobre aquele amparo transparente, escorrendo para os cantos e me trazendo um conforto imenso.

Segui em frente até a segunda sala; O majestoso piano estava lá, bem ao lado de uma imensa janela, em cima de um tapete que parecia custar o valor de um carro.

Lembrava um quarto de leitura, pois além do piano e seu banco, do tapete e da janela, só havia uma poltrona, uma pequena luminária e uma estante de livros tão antiga que se eu tivesse rinite teria morrido só por chegar perto.

Fiquei um tempo apreciando a atmosfera silenciosa, o instrumento agora me parecia muito convidativo e eu torci mentalmente para que a equipe tivesse um sono pesado e não se importasse com a barulheira que eu estava cogitando fazer.

Com um suspiro profundo, deixei minha xícara sobre o tampo e sentei no banco estofado. Mesmo depois de já ter bebido metade do conteúdo nectáreo, eu ainda estava muito desperto para simplesmente tentar dormir. Então quem sabe se eu completasse toda aquela nostalgia, meu interior não se aquietasse um pouco.

Com a postura endireitada e um leve desconforto na coluna, tentei me lembrar de uma melodia e aos poucos meus dedos começam a passear pelas teclas, me fazendo franzir o cenho toda vez que eu errava uma cifra ou outra.

Mantive os olhos fechados enquanto tocava e aos poucos ouvi alguns sons se misturarem a música. Sons abafados e rítmicos de passos lentos vindo em minha direção. Entretanto eu só me rendi quando notei uma forte presença do meu lado, afundando um pouco o estofado e me dando a ideia de que a pessoa havia se sentado comigo.

Meus dedos pararam de imediato quando reconheci aquele sorriso ladino junto aos olhos turvos. Uma sensação insana que misturava todos os questionamentos acumulados me abateu e eu engoli em seco.

Os guardas também estavam ali e pareciam igualmente nervosos, mesmo que carregando armas tão grandes como aquelas.

Hoseok virou-se para o piano e uma melodia forte começou a soar, quase deprimente.

– Debussy não é muito apropriado para o momento, detetive.

Ele dizia sem me olhar, os orbes estavam enclausurados pelas pálpebras enquanto ele dedilhava o piano como se fosse totalmente íntimo do instrumento. Como se o manipulasse tão bem quanto fazia com mentes humanas.

Ele não errava uma nota sequer e eu estava impressionado demais para dizer muita coisa, só ganhava mais e mais incertezas.

– E imagino que Beethoven seja... – comentei por cima da voz, forçando uma postura mais confiante do que eu realmente poderia ter perto dele.

Hoseok soltou um riso soprado, mas não abriu os olhos.

– Oh sim, é bem mais apropriado para essa hora.

Ele virou a cabeça para mim, os orbes penetrantes afundaram na minha alma de maneira invasiva, arrombando tudo, vasculhando. O castanho da íris dele queimou os meus e algo estava cintilando ali, tão forte que quase me cegava. Ele parecia me questionar e ao mesmo tempo me dar respostas.

Eu queria saber lê-lo tão bem quanto ele parecia fazer comigo.

– O que está tentando descobrir senhor Jung? – perguntei em um fio de voz. A melodia ainda estava presente, mas eu só notei o quão próximo estávamos quando a respiração quente dele bateu no meu rosto e o perfume começou a me entorpecer.

– Quem você observava tocar?

Ele manteve a proximidade e eu franzi o cenho para a demanda, mas logo me dei conta do que ele queria dizer.

– Como percebeu?

– Sua postura não é ereta, o punho estava inclinado e você claramente não usa os pedais.

Balancei a cabeça em afirmativo, ele era tão observador que chegava a ser desconcertante, principalmente porque ele estava certo quase cem por cento das vezes.

Me perguntei internamente se as pessoas ao meu redor se sentiam tão vulneráveis quanto eu estava me sentindo, quando eu as analisava daquela maneira. Acho que não. Hoseok tem alguma coisa no olhar e no sorriso que te deixa desconfortável, como se ele arrancasse sua roupa e sua pele, expondo para todos a sua alma despida, seus segredos, medos e anseios mais profundos.

A música trocou, era Liszt agora. E o magnetismo dos olhos dele ainda continuavam a me prensar.

– Minha vó costumava tocar para mim, Chopin principalmente.

Ele concordou e se virou novamente para o teclado, um sorriso brincando ali.

– Sua avó tinha bom gosto.

Eu o observei mais um pouco e não consegui segurar a pergunta.

– E você, com quem foi?

A melodia falhou por segundos suficientes para me fazer ficar arrependido de ter o perguntado qualquer coisa. O que cintilava nos olhos dele perdeu a cor e ficou opaco, o sorriso desapareceu instantaneamente, dando a ele uma expressão tão séria que eu cogitei me afastar.

Então ele voltou a tocar, era Nocturne do Chopin, minha preferida.

– Minha mãe. – Ele respondeu baixo, virando-se para encarar os meus olhos e eu fui lento demais para escapar da tempestade que aqueles orbes carregavam. Quase morri afogado com a intensidade daquele mar agitado. Fiquei um tanto zonzo, eu via uma onda crescer pronta para me engolir e fui tomado por um fascínio mórbido e aterrador, um desejo desesperado de saber quem era Jung Hoseok, quem era o homem escondido atrás do J-Hope? O que ele oculta que era tão perturbador assim?

Me aproximei um pouco mais do rosto dele, quase que de maneira inconsciente. Pude ver os olhos se desviarem rápido para a minha boca e depois voltarem a me encarar. Engoli em seco, uma força envolvente estava me tragando para mais perto e ele não vacilava nem interrompia nada, não se afastava de mim ou desviava o olhar.

– A ópera bem que podia acontecer em outro horário, não é mesmo?! De preferência um que não fosse plena madrugada.

Yoongi apareceu completamente irritado na porta, assustando minimamente os guardas e me fazendo quase cair do banco por me separar muito rapidamente do Jung.

– Eu perdi o sono, me desculpe hyung. – Pedi baixo com um sorriso estranho no rosto e vi Hoseok apenas revirar os olhos.

– Eu também perdi o sono agora, vou sair e tentar achar um lugar que venda Milk-Shake e rosquinhas. Vocês querem alguma coisa?

Todos negaram em uníssono e Yoongi se virou para ir, não antes de mandar os guardas ficarem atentos a cada piscar de olhos que o assassino desse.

– Acho melhor eu tentar dormir. – Hoseok não disse nada e eu me levantei para ir embora, já estava quase no corredor quando a voz dele chamou meu nome, causando um arrepio frio por toda a espinha.

– Sim... – Me virei minimamente para ele que me olhava impetuoso.

Capítulo primeiro, página trinta e dois. Quem sou eu?

Franzi o cenho para aquela citação, o que diabos ele queria dizer com aquilo? Capítulo de onde? Pensei em perguntar do que ele estava falando, mas me contive. Ele não diria nada, eu sabia disso e aquele sorriso zombeteiro e desafiador apenas confirmava. No máximo Hoseok confundiria ainda mais a minha cabeça.

Suspirei e segui meu caminho para o quarto. Acabei por adormecer outra vez, cheio de perguntas e sem nenhuma sombra de resposta.

 

 

 


Notas Finais


( ͡°( ͡° ͜ʖ( ͡° ͜ʖ ͡°)ʖ ͡°) ͡°)
E aí gatas e gatos da minha vida,como foi este capítulo?! Teorias?! Suspeitas?!
huahauhauahua, eu me sinto tão maléfica quando pergunto isso pra vocês huhauhauahua!!
As coisas estão começando a esquentar, o cerco está fechando... ou será que está abrindo?!
MUAHAHAHA!!! Se vocês tiverem um tempinho, venham aqui conversar comigo tá?!
Eu tô carente huahauhaua!! ༼ つ ◕_◕ ༽つ
bJin bJin ❤ e não se esqueçam das músicas
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✔ A frase do começo é do Nietzsche
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✔ LINK DA PLAYLIST:
https://www.youtube.com/playlist?list=PLUgLk-DmKVNZG4P_leZBQldVPXkfu6Zml

PS: Se vocês entrarem na playlist e ainda não tiver os quatro videos com os clássicos mencionados (Debussy, Beethoven, Liszt e Chopin) deem um tempo de mais ou menos uma hora, pode ter sido erro de upload :)


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