História O Sol em meio à tempestade - Capítulo 69


Escrita por: ~

Postado
Categorias Jogos Vorazes (The Hunger Games)
Personagens Annie Cresta, Cashmere, Cato, Clove, Cressida, Delly Cartwright, Finnick Odair, Gale Hawthorne, Johanna Mason, Katniss Everdeen, Madge Undersee, Mags, Marvel, Peeta Mellark
Tags Colégio, Escola, Professor, Romance
Visualizações 158
Palavras 5.121
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Tá enorme, eu sei kkk
Mas é pra compensar a demora...
Boa leitura ♥

Capítulo 69 - Capítulo 68


Fanfic / Fanfiction O Sol em meio à tempestade - Capítulo 69 - Capítulo 68

Madge

Depois de dizer em voz alta, quem eles eram, foi como se eu tivesse entrado em uma bolha.

Meu coração foi o primeiro a reagir, batendo forte e descompassado, atrapalhando minha audição, por bombear o sangue rápido demais. Depois foram as minhas mãos, que adquiriram um pequeno tremor. Em seguida, veio um frio, que subia dos meus pés, e parecia conseguir alcançar até meu último fio de cabelo, fazendo um suor gelado brotar em minha pele.

Fazia quase dois anos, que eu não os via, ou falava com um deles. Eu não tinha ideia de como estavam, o que andavam fazendo. Se ainda moravam no mesmo lugar, se estavam bem de saúde, se tinham ficado pobres.

Movi a cabeça devagar, e analisei a vestimenta dos dois. Não. Com certeza, continuavam com muita grana.

Respirei fundo, tentando me acalmar, enquanto voltava a virar a cabeça pra frente.

Eu havia mentido para Gale. Eu me importava. Me importava com o olhar julgador da minha mãe, que vinha sempre que ela não gostava de alguma coisa. Ou com as palavras duras de meu pai, que não as media, quando estava irritado. Me importava com o fato deles não gostarem do meu noivo, mesmo que eu não tivesse a mínima intenção de fazer a vontade deles. Me importava com a falta de afeto paterno, que eu só fui saber o que era, depois de conhecer Jared, que amou incondicionalmente Annie e Katniss, e ainda compartilhava desse amor comigo e Gale.

Meus olhos estavam com lágrimas paradas, quando senti um toque firme em meu ombro, que me trouxe de volta a realidade. Pisquei algumas vezes, enquanto meus ouvidos começavam a captar o som ao redor:

– Então vocês estão morando no Canadá? – era Peeta quem perguntava.

– Sim. Fica a poucos minutos daqui, e é um ótimo lugar – meu pai respondeu, e ele parecia... Animado?

Voltei a piscar mais algumas vezes, antes de olhar para o lado. Gale quem tocava meu ombro, com um sorriso tranquilizador. Depois, lentamente, encarei meus pais, e a cena fez meu coração voltar a bater depressa.

Minha mãe segurava Matthew, com um sorriso que eu nunca havia visto em seu rosto, e parecia distraída, enquanto meu pai, estava ao lado dela, e conversava com Peeta, mas vez ou outra, olhava para a cena ao seu lado, também sorrindo.

Minha respiração estava alterada, e eu não sabia como reagir.

– Lá tem alces? – Katniss entrou na conversa, chamando a minha atenção.

Ela ainda estava ao lado de Annie, e parecia corada, ao falar com meu pai.

– Katniss tem um amor por alces, que o senhor não faz ideia – Peeta explicou, quando David franziu o cenho para a pergunta.

Meu pai relaxou sua feição, e soltou um riso baixo.

– Madge também adorava, quando era pequena – comentou, e foi a minha vez de franzir as sobrancelhas, enquanto passava as pontas dos dedos por meus olhos. – Lembra disso, Mad?

Neguei devagar.

– Ela tinha uns 3 anos, David. Claro que não lembra – disse minha mãe, distraidamente.

– Sim. É verdade – concordou, sorrindo brevemente, enquanto voltava seus olhos para Matthew. – Quando vai ser a minha vez de segura-lo? – perguntou.

– Depois – foi a única coisa que Ellen disse, antes de voltar a dar total atenção para meu filho, que estava completamente quieto em seus braços.

Meu pai rolou os olhos, e eu elevei uma sobrancelha.

– Sobre os alces... Katniss, certo? – perguntou, voltando a olhar para minha amiga, que assentiu levemente. – Ainda não encontramos nenhum, mas está convidada a ir procurá-los – ele sorriu, e olhou um por um. – Na verdade, vocês todos estão convidados.

Eu sentia uma forte pressão na cabeça, quando minha boca se abriu:

– Que porra é essa? – soltei, sem pensar.

Gale apertou meu ombro com um pouco mais de força, enquanto eu recebia o olhar de todos sobre mim.

– Que palavra feia de se usar, Mad – minha mãe repreendeu.

Balancei a cabeça lentamente, tentando me livrar da sensação esquisita que parecia consumir meu cérebro.

– Acho que deu a nossa hora – Annie se manifestou. – Voltamos amanhã, tudo bem? – perguntou, fazendo-me olha-la.

Seu olhar dizia alguma coisa, mas eu estava tão confusa, que apenas assenti, antes de voltar a encarar meus pais, que ainda me fitavam.

– Nós também estamos indo – Katniss disse, e eu apenas vi quando ela parou ao lado de Peeta. – O café da manhã aqui é cedo, então passamos pra te ver antes do trabalho – avisou.

– Tudo bem, Catnip – Gale respondeu por mim, enquanto Peeta segurava a mão dela. – Obrigado por estarem aqui – disse, olhando dos dois, para Annie e Finnick.

– Para o que precisar, Hawthorne – Peeta respondeu, e olhou para meus pais. – Foi um prazer, senhor e senhora Undersee.

– O prazer é nosso... Peeta? – meu pai disse, duvidoso.

– Sim, senhor. Peeta – ele afirmou, sorrindo. – Até mais ver.

Todos se despediram dos dois, educadamente, antes de nos deixarem a sós.

– Madge... – meu pai se direcionou a mim.

– O que está acontecendo? – questionei, ignorando sua fala. – Por que eu sinto que meus verdadeiros pais foram abduzidos, e que vocês são alienígenas, tentando se adaptar a humanidade? – disparei, sentindo o rosto esquentar.

Meu coração estava acelerado novamente, e por pura irritação, me livrei da mão de Gale, que ainda segurava meu ombro.

– Acho que precisamos conversar – minha mãe disse, erguendo seus olhos em minha direção.

– Você acha? – perguntei, sarcástica.

– Segure o Matthew, querido – ela virou para meu pai, parecendo não se importar com minha falta de educação, e estendeu Matthew a ele, que o aceitou, ajeitando-o nos braços, com um pequeno sorriso no rosto. – Nós entendemos sua confusão, ou irritação – começou, voltando a me olhar. – Foram dois anos...

– Dois anos? – a interrompi. – Não seria a minha vida toda?

– Me deixe terminar – disse, mais séria, me fazendo pressionar um lábio contra o outro. – Foram dois anos para pensarmos bem no relacionamento que tínhamos com você – ela respirou fundo. – A nossa última briga, abriu nossos olhos, e percebemos o quão sem sentido, nós estávamos sendo – prosseguiu, ajeitando sua blusa no corpo.

– Completamente sem sentido – voltei a falar. – Odiar Gale, sem motivo nenhum, foi a pior coisa que vocês poderiam ter feito – cruzei os braços. – Enquanto era comigo, eu aguentava, porque já estava acostumada, mas com ele... – meneei a cabeça, deixando a frase no ar.

– Vocês... Brigaram por minha causa? – meu noivo murmurou, parecendo sem jeito.

– Sim, Gale – respondi, em tom sério. – E eu brigaria de novo, se fosse preciso.

– Por que não me contou? – perguntou, um pouco mais baixo.

– Provavelmente, porque ela quis te proteger de nós – minha mãe respondeu, chamando a nossa atenção.

– Exatamente – falei, com a testa franzida, claramente irritada. – E continuarei a protege-lo de vocês, porque não me importa o que pensem de Gale, ele é a melhor pessoa que já conheci, e eu o amo – soltei em um fôlego só.

– Sim... – minha mãe sorriu brevemente. – Nós percebemos que você o ama.

– E nós só fomos perceber isso, quando você, simplesmente, cortou de vez o contato conosco – meu pai disse, sem tirar os olhos de Matthew. – Nós demoramos demais para perceber que o problema era nós dois, e quando percebemos, veio tudo à tona. Todos os anos que te deixamos de lado, que cobramos demais de você... Que fomos péssimos pais – ele ergueu os olhos, para me olhar, e eu desviei os meus, tentando não deixar à mostra as lágrimas que caíam. – E então, tivemos medo de nos aproximar, e até vergonha de dizer que demoramos tanto tempo para perceber isso.

– Mas aí, Gale me ligou – minha mãe deu um sorrisinho. – A notícia sobre o bebê, foi como um sinal pra nós dois. Por isso, não hesitamos em vir até aqui. – ela deu uma pequena pausa, antes de dizer: – Queremos tentar consertar as coisas com você, Madge – seus olhos se encheram com lágrimas, fazendo meu coração acelerar novamente.

Eu não tinha certeza do que estava acontecendo. Era algo tão surreal, que eu sentia como se tivesse entrado em um mundo paralelo.

Aqueles dois não tinham nada a ver com meus pais, a não ser pelas roupas caras. Meu pai jamais conversaria com alguém, da maneira que estava fazendo com Peeta, e minha mãe teria medido Katniss dos pés à cabeça, só por estar usando um moletom masculino sobre seu vestido. Sem contar que eles não costumavam gostar do Canadá, e muito menos de visitas.

Passei as mãos pelo rosto, tentando colocar as ideias no lugar, e precisei respirar fundo, depois de abaixa-las, ao sentir que minha vista estava levemente turva, por culpa da pressão em minha cabeça, que havia se intensificado nos últimos minutos.

Olhei em direção aos meus pais, que me olhavam atentamente, talvez esperando que eu dissesse alguma coisa.

– Desculpa, mas... Eu estou cansada – murmurei, sem ter certeza de que as palavras estavam saindo corretamente da minha boca. – É muita informação, e eu não estou conseguindo pensar direito... – suspirei profundamente. – Podemos conversar outra hora?

Meu pai deu um meio sorriso.

– Claro, Madge. Agora nem é o momento certo – David respondeu. – Teremos essa conversa quando você quiser.

Assenti levemente.

– Nós vamos te deixar descansar – disse Ellen, chamando a minha atenção. – Podemos voltar amanhã, pra ver o Matthew? – questionou, com certa apreensão em seu tom de voz.

– Claro – tentei sorrir.

Meu pai se aproximou, e cuidadosamente estendeu Matthew pra mim, que o acomodei em meus braços.

– E parabéns pelo noivado de vocês – minha mãe disse baixo, e senti como se o sangue tivesse fugido do meu rosto.

Encarei Gale, que parecia tão surpreso quanto eu.

– Ele não contou – minha mãe respondeu minha pergunta muda, me fazendo olha-la. – Mas percebi a marca do anel, que provavelmente você tirou, por ter inchado tanto quanto eu, na minha gravidez – explicou, dando um meio sorriso. – E como Gale não tem nada na mão, acredito que não se casaram ainda...

Suspirei.

– Eu... Descobri sobre a gravidez, pouco tempo antes da surpresa que ele estava preparando, para me pedir em casamento – sem ter ideia do motivo, comecei a explicar. – Quando ele me pediu, eu estava com 14 semanas, e a gestação acabou atrasando nossos planos. Mas... – mordi o lábio com força, antes de dizer: – Pretendemos prosseguir com o casamento, agora que o Matthew nasceu.

– Eu sei que deveria pedir para o senhor, mas... – Gale começou com pressa, assim que me calei.

– Até parece – meu pai soltou, o interrompendo, e dando um riso fraco, no final da frase. – Madge sabe se cuidar... E eu não tenho direito algum de cobrar isso de você, ou até mesmo dela – seus olhos foram parar no bebê. – Eu só posso agradecer por vir cuidando da minha filha – ele voltou a erguer os olhos, para fitar meu noivo. – E também te devemos desculpas, por termos julgado você, sem nenhum motivo concreto.

Gale coçou a nuca, demonstrando seu nervosismo.

– Está tudo bem – respondeu, cruzando os braços, em seguida.

Minha mãe sorriu levemente, antes de olhar para o meu pai.

– Vamos? – perguntou, e ele assentiu. – Então... Nos vemos amanhã, certo? – questionou, olhando em minha direção.

– Sim, mãe. Nos vemos amanhã – concordei.

Ela me analisou devagar, enquanto seus olhos criavam um certo brilho, talvez por culpa de novas lágrimas.

– Obrigada – disse baixinho.

Dei um leve sorriso, e eu apenas assenti, antes de assisti-los sair do quarto.

Não sei por quanto tempo fiquei com os olhos na porta, mas só desviei meu olhar, quando Matthew reclamou em meu colo.

Olhei para seu rosto, e poucos segundos depois, eu estava soltando um risinho.

– Que foi? – Gale perguntou.

– Olha essas sobrancelhas franzidas – falei. – É super sua cara, quando está irritado.

Senti Gale se aproximar, e percebi quando ele se curvou em direção ao bebê, que mexia seus braços, parecendo bravo.

– Talvez... – disse ele, e eu acabei rindo baixo, negando com a cabeça. – Se você estiver certa sobre isso, ele deve estar com fome. Eu não gosto de estar com fome.

– Eu já amamentei – disse, franzindo o cenho.

– Então a fome dele, é igual a sua – cutucou, me fazendo encara-lo de cara feia.

Gale sorria pra mim, a centímetros do meu rosto.

– Viu? Eu não estava tão errado sobre seus pais – comentou, mudando de assunto, e olhando em meus olhos.

Elevei uma sobrancelha.

– Você deu sorte – retruquei, e ele riu. – Até agora não entendi o que aconteceu aqui, e tenho medo de perguntar o que exatamente fez os dois mudarem de atitude... – disse, suspirando no fim do frase. – Mas... Obrigada – soltei, enquanto meu olhar passeava por seu rosto. – Por ter tido mais coragem do que eu...

– Foi uma coragem meio estúpida, mas que deu certo – respondeu, dando um sorriso mais largo, que me fez sorrir de volta.

– Mesmo assim, obrigada, amor.

Gale apenas assentiu uma vez, antes colar seus lábios nos meus.

Foi um beijo curto, já que Matthew voltou a resmungar em meus braços, obrigando-me a afastar o rosto do de Gale, para fitar nosso pequeno.

– Você vai dar essa chance aos dois? – perguntou Gale, quando eu já amamentava Matthew.

– Considerando o fato de que eles estavam tão diferentes, que nem pareciam meus pais... Acho que eles merecem, ao menos, serem ouvidos – respondi, olhando meu noivo. – Não acha?

– Claro – disse, abrindo um novo sorriso, enquanto se sentava cuidadosamente ao meu lado. Gale ficou em silêncio por algum tempo, apenas observando Matthew, antes de soltar: – Quais são as chances do nosso filho ser um garoto mimado demais, por causa dos avós ricos? – questionou.

– Se os dois realmente pretendem consertar as coisas... – olhei para Gale. – São grandes. Não vou negar – dei um sorrisinho. – Vamos precisar controlar isso... – voltei a fitar Matthew, passando levemente a ponta dos dedos em seus cabelos escuros. – Mas convenhamos que nossos amigos vão mima-lo, de qualquer maneira.

– Annie e Finnick terão Clara para mimar – Gale me lembrou.

“E logo Katniss e Peeta terão o deles também”, pensei, abrindo um pequeno sorriso.

– Você tem razão... – concordei. – Mas sinto que Katniss vai grudar no Matthew... – acabei comentando.

– Pelo jeito que ela ficou, ao segura-lo... – ele deu uma pequena pausa. – Você notou que ela estava muito estranha?

– Com certeza foi pela briga com o Peeta – respondi, tentando soar o mais convincente possível.

– Não... Eu senti que tinha algo mais ali – disse, parecendo pensar. – Ela não te disse nada?

Neguei devagar.

– Hum... – ele soltou.

– Mas, de qualquer forma, não se preocupe. Aparentemente eles se acertaram, e Peeta saberá lidar com ela – argumentei.

– Então você sabe de alguma coisa – comentou, me fazendo olha-lo.

Gale estava com uma sobrancelha elevada, me fitando, duvidoso.

– Sei – decidi responder. – Mas não posso contar – falei, antes que ele retrucasse. – Apenas relaxe. Não é nada preocupante. E garanto que assim que Peeta souber, ela contará a você.

Ele coçou a nuca.

– E quando Katniss vai contar isso ai pra ele? – perguntou.

– Acho que logo – sorri brevemente. – Katniss não vai conseguir esconder um segredo de Peeta, por tanto tempo.

 

Peeta

Respirei fundo, antes de tentar abrir a porta do apartamento de Katniss, que não cedeu a minha tentativa, denunciando que a mesma estava trancada.

Franzi o cenho, passando a mão direita por meus cabelos, e tirando meus fios bem arrumados do lugar.

Eu estava, claramente, nervoso.

Esfreguei as mãos na calça jeans de lavagem escura, ajeitei a lapela do meu blazer cinza escuro, e voltei a respirar fundo, antes de dar algumas batidas, usando os nós dos dedos, contra a porta.

Na noite passada, não demorei muito para perceber que eu havia sido um completo babaca com Katniss. Na verdade, foi só o café forte de Gale fazer efeito em meu cérebro bêbado, para que eu já me sentisse arrependido de tê-la tratado daquela maneira.

A sorte minha é que mais do que nunca, Katniss estava sendo uma pessoa compreensiva, e o que era pra ser a nossa primeira briga de verdade, acabou sendo uma briga solitária, que eu quis consertar assim que a vi tão cabisbaixa no quarto de Madge.

E então, aparentemente, nós nos acertamos naquele quarto de hospital, onde eu a amei com tanta vontade, que eu cheguei a ficar fora do ar por alguns minutos, com Katniss em meus braços, até que seu estômago roncou de fome, chamando a minha atenção.

Mas acabei duvidando de que estávamos bem, quando, para o meu desespero, eu a vi chorando mais tarde, enquanto segurava Matthew. E para piorar, quando fomos embora do hospital, ao invés de irmos para minha casa, ela me pediu para ficar em seu próprio apartamento, alegando que era melhor dormirmos separados naquela noite.

Quando tentei questionar, seus olhos cinzentos, carregados de lágrimas, apenas sorriram pra mim, antes que ela me desse um beijo caloroso, que durou até seu oxigênio se esgotar. Meu peito subia e descia com pressa, quando ela desceu do carro, puxando seu buquê de flores e sua bolsa do banco traseiro, apenas pedindo para que eu a pegasse na manhã seguinte, para irmos ver Madge, e depois trabalhar.

Então, eu não questionei. Resolvi lhe dar espaço, e fiz o que Katniss pediu.

De manhã, ela estava sorridente, e me recebeu com um beijo mais caloroso do que na noite anterior. E devo dizer, que ela também estava linda, mesmo que usasse uma de suas blusas, que Madge chamava de infantil. Sem que eu pensasse em perguntar o porquê dela estar usando roupas de seu antigo visual, Katniss me disse, ao entrar no carro, que sentiu vontade de usar sua blusa de coruja, e que nem mesmo Madge a faria trocar.

Nós fomos ao hospital, e assim que entramos no quarto, minha pequena se aproximou da cama de Madge, que aparentemente havia acabado de amamentar, e tomou Matthew de seus braços, com um pouco mais de coragem do que na noite passada.

Ela ficou tão distraída com Matthew, que nem chegou a participar da conversa que tive com Madge e Gale, sobre a visita dos Undersee, onde eu descobri que eles visitariam Mad novamente, com a intenção de conversarem sobre o relacionamento ruim que tinham desde de sempre.

Quando precisei lembrar Katniss que tínhamos que trabalhar, ela já estava sentada há um bom tempo com Matthew no colo, fazendo-o dormir, com uma cara abobada, que deixava claro que Katniss não fazia ideia de como havia conseguido aquilo.

No colégio, nós não nos desgrudamos em nosso tempo livre, o que era novidade, comparado a última semana. E Katniss também não chegou a pegar seu celular, nem mesmo para ver as horas.

Isso ao menos quando estávamos juntos.

Em meio a conversas aleatórias, onde Katniss chegou até a perguntar sobre os pais de Madge, dizendo que não prestou muita atenção no que havíamos falado, enquanto ela estava com Matthew, não chegamos a tocar nenhuma vez no assunto sobre o jantar que teríamos mais tarde.

Ela só decidiu falar sobre nosso “encontro”, como ela mesmo gostava de chamar, as três e meia da tarde, quando estacionei novamente, em frente ao seu prédio.

Katniss só queria ter a certeza de que jantaríamos, pois já tinha planejado nosso cardápio para aquela noite. E eu, ansioso para finalmente ter uma conversa clara com Katniss, apenas concordei, dizendo que estaria as sete, em sua porta.

Confesso que minha cabeça estava a mil, e eu não tinha certeza do motivo. Talvez fosse pelo fato de não ter ideia do que realmente conversaríamos. Ou por imaginar um milhão de coisas, que ela poderia me dizer naquela noite, sendo a maior parte delas, ruins.

O fato era que eu estava nervoso a ponto de não conseguir colocar meu traje social, como eu pretendia, apenas para fazer parecer um encontro de verdade. Até tentei, mas a gravata parecia me sufocar, e nenhuma das minhas calças sociais pareciam se encaixar em meu estado de espírito.

Então, por esse motivo, me vesti com uma simples camisa branca, um blazer, uma calça jeans, e um sapato social, desistindo de passar gel em meus cabelos. Coisa que eu me arrependi, assim que minhas mãos correram por meus cabelos, ao menos três vezes, enquanto esperava Katniss me atender.

Bati mais algumas vezes, sentindo meu coração agitado no peito.

Pouco tempo se passou desde a última vez em que bati na porta, até o momento em que a mesma se abriu lentamente.

A primeira coisa que vi, não foi o rosto de Katniss. Foi um enorme buquê de flores, que era segurado por duas mãos, que eu conhecia bem, e que escondia dos seus ombros pra cima.

Continuei parado no mesmo lugar, sem saber o que dizer, enquanto ela abaixava as flores, revelando um sorriso enorme.

– Não é um encontro sem flores – disse Katniss, ainda sorrindo, dando um passo em minha direção, para me estender o buquê.

– Céus, Katniss – murmurei, enquanto meus olhos passavam por cada centímetro de seu corpo.

Dizer que ela estava linda, era pouco para descrever o que eu via naquele momento.

Katniss usava um vestido preto novamente, mas dessa vez era longo, e que escondia seus pés. O vestido havia se encaixado tão bem nela, que parecia ter sido feito para seu corpo, chamando a atenção dos meus olhos para suas curvas. Suas unhas estavam pintadas em um tom escuro, mesmo que ela não costumasse deixa-las cumpridas. Katniss usava alguns acessórios dourados, como anéis, pulseiras, e uma corrente em seu pescoço, que tinha um pingente cumprido, e que quase se alojava em seu pequeno decote. Seus cabelos estavam soltos, raspando em seus ombros, conforme ela respirava. E tinha também sua maquiagem, que era leve. Tão leve quanto seu sorriso em minha direção.

– Não gosta de flores? – perguntou, parecendo se divertir.

Pisquei algumas vezes, antes de alcançar o buquê de rosas, que não eram vermelhas.

– Azuis? – perguntei, dando um sorriso torto ao voltar a olha-la.

Katniss sorriu mais abertamente.

– Rosas vermelhas são muito comuns. As azuis são raras... – ela deu uma pausa. – Assim como o nosso amor.

Balancei a cabeça, ainda sorrindo, e me aproximei, abraçando Katniss pela cintura, com apenas um braço, e colando seu corpo no meu. Ela mordeu o lábio inferior lentamente, e o soltou na mesma velocidade, com certeza para mexer comigo.

– O cara quem devia trazer as flores – comentei, sentindo sua respiração quente bater contra o meu rosto.

– Mas você não trouxe – apontou, dando um meio sorriso.

– E como sabia que eu não traria? – questionei, quase em um sussurro.

– Eu não sabia – ela deu de ombros, antes de passar seus braços ao redor do meu pescoço. – Mas eu te convidei para um encontro. Precisava fazer tudo como você faria – Katniss voltou a sorrir.

– Hum... E o que mais eu faria? – questionei, empurrando a porta com o calcanhar, ouvindo-a fechar em seguida.

Ela voltou a morder o lábio inferior.

– Pela forma que você me olhou, medindo cada centímetro do meu corpo, provavelmente, você faria isso...

Katniss desceu suas mãos, até estarem em meus ombros, e começou a me empurrar, fazendo-me dar alguns passos pra trás. Acabei a apertando mais contra mim, apenas para leva-la comigo, percebendo que ela estava realmente se divertindo com aquilo.

Só parei de andar, quando minhas costas se chocaram contra algo sólido, que eu tinha certeza que era a porta. Então, ela encarou minha boca, enquanto abria um sorriso torto – sorriso que, com certeza, ficava melhor nela do que em mim –, e sem dizer nada, chocou seus lábios contra os meus.

Sua boca, por algum motivo, tinha gosto de morango.

Eu adorava morango.

Sua mão alcançou a minha nuca, e seus dedos se enfiaram em meus cabelos, enquanto sua língua duelava com a minha, que estava sedenta para tomar o controle.

Ainda com o buquê na mão esquerda, segurei sua cintura como pude, usando as duas mãos, e em um movimento rápido, inverti nossa posição, fazendo as costas de Katniss se chocarem contra a parede ao lado da porta.

Ela gemeu surpresa, contra meus lábios, me fazendo sorrir.  

Aproveitei-me de seu susto, para tomar o controle, deixando com que a minha língua invadisse sua boca, em um beijo mais desesperado do que o dela, enquanto Katniss puxava meus cabelos entre seus dedos finos.

– Muita calma nessa hora – murmurou, com a respiração pesada, jogando a cabeça pra trás, quando, algum tempo depois, eu desci com meus lábios por seu pescoço perfumado. – Guarde para depois do jantar – fez piada, repousando suas mãos firmemente em meus ombros.

Ergui a cabeça, para encarar seus olhos cinzentos, que estavam escuros, e pareciam sorrir pra mim.

– Você quem começou – retruquei, levemente ofegante, elevando uma sobrancelha. Pressionei meu corpo contra o dela, e consequentemente contra a parede, o que fez Katniss morder o lábio inferior, com força. – Aguente as consequências.

– Não estrague meus planos, Peeta Mellark – fingiu irritação, ao franzir as sobrancelhas, mas estava claro seu sorriso contido. – Anda. Não está com fome? – questionou, me empurrando pelos ombros.

Me obriguei a solta-la, dando um passo pra trás.

– Sim – deixei meus olhos passearem por seu corpo mais uma vez. – Mas não tem nada a ver com o jantar.

– Ai, Peeta – resmungou, constrangida, acertando um tapinha em meu braço. – Vai me dizer que não sentiu o cheiro de comida? – perguntou, saindo do espaço entre mim e a parede, para me segurar pela manga do blazer.

– Não. Estou em outro planeta, desde que te vi tão... Hum... Gostosa – soltei, enquanto ela me arrastava pelo apartamento.

– Credo. O que deu em você hoje? – questionou, parecendo se divertir com a situação. – Se comporta – pediu, soltando-me ao lado do balcão de mármore.

– Vou tentar – dei um sorriso torto, colocando o buquê sobre o balcão. – Mas agora que disse sobre o cheiro... O que é? – perguntei curioso, depois de sentir o aroma entrar por minhas narinas.

– Pizza – respondeu simplesmente, caminhando pela cozinha.

– Você comprou pizza? – perguntei, elevando uma sobrancelha. – Achei que você faria o jantar pra mim, pequena – provoquei, e ela riu.

– E eu fiz, querido – Katniss abriu o forno. – Fiz pizza pra você – informou, fechando o forno, para me olhar. Ela sorriu abertamente, quando pareceu notar minha cara de surpreso, por receber tal informação. – Está quase pronta – avisou, aproximando-se da mesa bem arrumada. – Sente-se – pediu, puxando a cadeira pra mim, e eu gargalhei.

– Sério? – questionei. – Assim você fere meu cavalheirismo – comentei, aproximando-me dela.

– Calado – ralhou comigo. – Apenas sente – ordenou, e eu decidi obedece-la, com um sorrisinho nos lábios. – Muito bem – Katniss pareceu sorrir.

– Obrigado – agradeci, divertido, antes de vê-la sair de trás de mim.

– Certo. Eu tenho duas coisas pra você – começou a falar, ao parar ao lado da mesa.

– Além de você mesma? – questionei, dando um sorriso torto, e ela corou.

– Bem... Sendo assim, então são três coisas – respondeu, dando um pequeno sorriso, e mordendo o lábio inferior em seguida.

Katniss caminhou até a sala, e logo ela apareceu com duas caixinhas de presente, uma em cada mão. Uma era azul escuro, com um laço branco, e a outra era amarela, com um laço quase alaranjado

– Eu ia fazer isso depois do jantar, mas... Confesso que estou nervosa demais, pra continuar adiando esse momento – disse, enquanto se aproximava. Ao invés de sentar na cadeira de frente com a minha, onde estava nítido que era seu lugar, apenas pela arrumação da mesa, Katniss sentou na cadeira mais próxima de mim. – Primeiro, quero que abra essa – ela estendeu a caixa azul pra mim.

– Por que vou ganhar presente? – perguntei, curioso, alcançando a caixa.

– Sem perguntas – pediu, mordendo o lábio inferior. – Esse é o meu pedido de desculpas... Por ter te magoado – explicou, enquanto eu desfazia o laço.

– Katniss... – comecei, parando o que estava fazendo, para olha-la.

– Abra – ela me cortou.

Suspirei, e voltei a desfazer o laço.

Logo tirei a tampa da caixinha quadrada, e acabei franzindo o cenho para o que estava dentro.

– Por que está me dando uma coleira? – questionei, confuso. – Lembro que me chamou de cachorro uma vez, mas... – parei de falar, quando Katniss gargalhou.

Ergui os olhos para ela, que estava muito vermelha, e ainda rindo.

– Céus, Peeta. Tire a coleira da caixa.

Acabei rindo baixo, antes de fazer o que ela pediu.

Era uma coleira pequena e azul, com várias patinhas desenhadas em um tom marrom, e com uma plaquinha dourada pendurada no meio dela.

– Thor? – questionei depois de ler a plaquinha, voltando a olha-la em seguida. – Você comprou um cachorro pra mim?

– Sim – ela mordeu o lábio inferior, parecendo nervosa.

– Mas e a Bailey? – perguntei.

– Em outro momento, escolheremos a Bailey – respondeu. – Eu vi em seus olhos, quando falou do Thor, que era algo que você queria muito... E eu queria fazer algo por você, porque... Você sempre faz por mim, mesmo que as vezes eu não mereça.

– Katniss...

– Shh! Não fala nada – pediu, com os olhos brilhando. – Só quero saber se gostou.

Soltei um riso curto e nasal, voltando a olhar a coleira em minha mão.

Como eu havia conseguido ficar bravo com aquela mulher? Céus. Ela era, simplesmente, perfeita.

– Ei! – Katniss exclamou, quando arrastei sua cadeira pra perto da minha.

Sem dizer nada, mas com um sorriso enorme no rosto, eu a beijei.

– Eu adorei, pequena – falei, quando nos separamos. – Obrigado.

Ela sorriu abertamente.

– Ótimo. Podemos ir busca-lo amanhã de manhã – disse, animada. – Ele é tão pequeno ainda... Você vai ama-lo.

Assenti, sorrindo pra ela.

– Tenho certeza que vou, meu amor – concordei, colocando a coleira dentro da caixinha, para em seguida colocar a mesma sobre a mesa. – E essa caixa aí? É o que?

Seus olhos foram parar na caixa amarela em suas mãos, e algo em Katniss mudou, deixando nítido a tensão que começou a emanar de seu corpo, quando fiz a pergunta.

– Katniss? – chamei, segundos depois, de silêncio.

Ela suspirou.

– Bom... Esse presente é a resposta para o meu atraso de ontem – começou, passando a ponta dos dedos pelo laço alaranjado. – Eu fiquei em pânico, quando descobri, e acabei perdendo completamente a noção do tempo. Quando fui perceber, já estava atrasada, e...

– Descobriu o quê? – a interrompi, mais confuso do que antes.

Katniss ergueu a cabeça devagar, e me fitou com os olhos marejados, antes de se colocar em pé.

– Abra – pediu, estendendo o presente, em minha direção. – Vou tirar a pizza do forno – avisou, quando peguei a caixinha, me dando as costas em seguida.

De cenho franzido, comecei a desfazer o laço bem feito da caixa amarela, enquanto ouvia o barulho do forno sendo aberto. Tirei a tampa, colocando-a sobre a caixinha azul, e tirei o papel que cobria o que quer que estivesse escondido lá dentro.

– O que...? – parei de falar, arregalando os olhos, ao identificar o conteúdo da caixa. – Isso... – voltei a me calar, sentindo o coração martelar no peito.

– Peeta? – Katniss chamou, parecendo apreensiva.

Lentamente, calcei os pequenos sapatinhos brancos, feitos de lã, em meus dedos, puxando-os pra fora da caixa, apenas para ergue-los na altura dos olhos, que já estavam úmidos.

Katniss dizer que tinha se atrasado, por ter entrado em pânico, e me dar um par de sapatos tão pequenos, só podia significar uma coisa.

Umedeci os lábios com a ponta da língua, e ainda encarando os sapatinhos, que vestiam meu dedo indicador e o médio, soltei:

– Você comprou um bebê pra mim?


Notas Finais


Beijos ♥


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