História O Som da Música - INTERATIVA - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Country, Musica, Nashville
Exibições 22
Palavras 3.504
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Salve peregrinos, como deixei avisado no prólogo este capítulo já estava pronto antes de eu publicar a história aqui no Spirit. Os personagens que forem enviados até amanhã de manhã devem ser introduzidos no próximo capítulo que sairá nesse fim de semana. No mais espero que gostem pois eu adorei escrever esse capítulo e lembrando a quem chegou agora, ainda dá pra fazer parte e mandar seu personagem!

Capítulo 2 - Capítulo I - A música é o ideal


Fanfic / Fanfiction O Som da Música - INTERATIVA - Capítulo 2 - Capítulo I - A música é o ideal

Chuva, sem dúvida não era o melhor tempo para a cidade da música, mas que cowboy teme sujar as botas de lama? A chuva fraca e fina ocuparia o céu de Nashville por boa parte do Outono daquele ano e isso não era um problema, principalmente para aquela garota. Encarar o céu nublado e observar as gotas de chuva colidirem contra o vidro da janela da sala não era nada mal. O café quente na xícara de porcelana escrito “I Belive in Nashville” em letras garrafais dava até uma atmosfera aconchegante. Cattleya Von der Rousse e seus olhos grandes e hipnotizantes observavam a cidade acordar do conforto de sua casa. Ali na Avenida Sharpe fazendo esquina com a rua número dezesseis ela vivia a alguns meses com Dave, seu namorado, e Jason, amigo de um parente e, naturalmente, seu amigo.

Cattleya foi até cozinha colocar a xícara na pia, ela não vestia nada além da camisa preta com gola V do namorado, que servia praticamente como uma camisola ou vestido curto na mulher de pouco mais de um metro e cinquenta e cinco centímetros de altura. Eles sem dúvida eram um daqueles casais improváveis que se formam e a gente nunca entende como ocorreram. Cattleya amante do bom e velho Jazz nascido das mazelas de Nova Orleãs, tinha um estilo quase circense, enquanto David Allan Scully, ou apenas Dave, amava mesmo o heavy metal, especialmente o nu metal, tinha piercings e algumas tatuagens.

Ignorando o fato, afinal quando o amor acontece é inexplicável, lá estava a senhorita Rousse tão distante nos próprios pensamentos enquanto a água fria caía da bica direto em suas mãos e na xícara que mal percebeu o abraço apertado de Dave envolve-la. – Vou indo nessa, você vem pra casa direto ou vai ficar um pouco no pub do Jim depois do expediente? – a frase foi seguida de um beijo no rosto, a mulher rapidamente virou-se deixando as mãos molhadas e frias da água tocarem a nuca de Dave, fazendo-o sentir um calafrio tão forte que precisou encolher os ombros. Ela riu, ele revirou os olhos. – É noite do microfone aberto, vou me apresentar depois da Trixie. O que acha melhor eu cantar? Is You or Is You Ain’t da Dinah Washington ou Tenderly da Sarah Vaughan? – indagou ela enquanto deixava o dedo passear em movimento de espiral sob a camisa dele.

Claramente do mundo do Jazz Dave pouco entendia. Ele até pensou em responder, mas não conhecia as músicas e quase sempre dormia quando ia assistir as apresentações da namorada, escondido é claro, afinal isso seria um soco no estômago para a animação de qualquer um.

— Por favor, vão para o quarto se forem transar de novo. Não sou obrigado. – retrucou ninguém menos que Jason, virando o corredor em direção a cozinha, apesar de tudo ele estava bem a vontade, só de cueca box e ostentando sua barriguinha de cerveja. – Aliás senhor Scully, você deve ter feito um ótimo trabalho ontem de noite, pois eu podia ouvir os gemidos mesmo quando vim beber água. – Jason era assim, meio incômodo, meio irônico, no fundo era uma boa pessoa, só que adorava falar. David não gostou, mas fez pouco caso, ele não ia com a cara de Jason, era simples. No mesmo dia em que conheceu Cattleya, numa festa comunitária na praça da cidade, ele também conheceu Jason, aliás Jason foi quem deu em cima dele primeiro, mas também foi quem conseguiu unir os dois. Era quase uma relação de amor e ódio.

Com Jason fora de cena Dave rapidamente beijou a bochecha da namorada, apanhou uma barra de cereal e rumou para a saída. – Me deseje sorte. – falou antes de sair sob o olhar preocupante de Cattleya. Hoje era o grande dia na vida dele, ele e uns rapazes tinham conseguido a chance de se apresentar e conversar com uma das produtoras de uma gravadora local. Se tudo desse certo Dave poderia voltar para casa com um contrato e, acima de tudo, fazendo o que gosta, cantando metal e não outro estilo.

— O que você sabe de Miranda Greystone? – perguntou ela disfarçando a preocupação.

— Tudo o que sei é que uma produtora e empresária de sucesso, ela conseguiu colocar duas das três bandas que agencia pra tocar nas rádios e cumprirem agenda em festivais pelo país. Só que né... – pausa dramática para Jason colocar mais cereal na boca – Ela tem o péssimo hábito de dormir com todos que ela agencia. É uma verdadeira piranha, e modéstia a parte, para uma quarentona ela tá em forma, se eu fosse hétero ia me acabar. – a ironia foi um pouco demais e ele só percebeu depois de falar, virou-se para encarar Cattleya e lá estava ela com aquela cara que lhe dava espanto. Jason acabou virando amigo dela bem rapidamente, mas tinha que dar o braço a torcer, as vezes não sabia dizer se a amiga se importava ou não ligava. Da mesma forma que ela sabia ser simpática ela também parecia sustentar uma máscara intransponível e isso o causava arrepios.

A conversa dos dois terminou ali, Cattleya foi agilizar sua vida, pagou algumas contas e depois rumou para o Jim’s Pub onde trabalhava em horário integral como garçonete. Infelizmente para os desavisados Nashville não é um conto de fadas, a maioria vivia daquela forma, trabalhando em algo para se sustentar e alimentando o sonho de um contrato para viver da música. Por várias vezes ela, Jason e David passaram o mês quase no vermelho, mas não reclamavam, poder viver ali e fazer o que faziam era o maior dos consolos.

Não demorou para ela chegar no pub, era um local bem localizado próximo ao centro. Tinha um ambiente agradável com o interior de madeira, cadeiras e sofás acolchoados, um palco humilde e um milhão de fotos de celebridades e outros frequentadores nem tão famosos. Bem ali dentro, arrastando mesas para cá e pra lá estava Trixie, loira, poderosa, com as curvas nos lugares certos e um gênio forte. O sotaque sulista era forte nas suas palavras até porque ela veio dos confins do país, na divisa com o México. Trixie deu um tapa na bunda de Cattleya, que encarava o palco com um encanto quase divino. – Já tá sonhando com hoje a noite, é sinhazinha? O palco não vai sair dali, agora você me ajude a arrastar essa mesa porque essa mancha no chão tem que sair logo.

Não muito longe do Jim’s Pub havia um estacionamento abandonado de uma rede de supermercados que acabou falindo. Ali algumas pessoas se reuniam para socializar. Paravam com seus carros, vendiam cerveja e sacudiam o corpo, até porque era bem próximo do Parque Leste, um parque arborizado com uma grande praça no meio, localizado quase no coração de Nashville. Lá do parque ouvia-se o som do dedilhado da guitarra que vinha do estacionamento. O som saía da Fender Telecaster bege e marrom das mãos de William Gates, ou só Billy. Ele e mais dois amigos testavam o som dos aparelhos depois de um deles ter feito um desvio de energia de forma ilícita do gerador inutilizado, porém abastecido e em perfeito funcionamento, do supermercado que faliu. – Liguei pro Gary e pro Michael, nenhum deles vai vir Billy. – decretou Jack assim que guardou o Iphone no bolso direito. Jack era texano, veio para Nashville como a maioria, para perseguir um sonho. Acabou se unindo ao projeto de Billy de formarem uma banda de country e rock, hoje depois de um mês de ensaios deveria ser a estreia deles, ali mesmo onde várias pessoas se reuniam no estacionamento e na praça. O local estava cheio, mas era impossível fazer um show sem o vocalista principal e só uma guitarra.

— Eu vou matar aqueles dois, ficamos um mês ensaiando pra acontecer isso em cima da hora. – Billy estava irado, não havia palavra melhor para descrever. O loiro de barba por fazer sabia ser uma ótima pessoa, mas era cabeça-quente, ainda mais com um compromisso tão importante quanto aquele. – Não vai pendurar o chapéu e guardar as botas ainda não, no fim vai tudo dar certo, vou pensar em algo. – Jack era um pouco mais otimista que Billy e por vezes foi isso o que manteve a banda junta. O homem se colocou a pensar um pouco, passou os olhos pela multidão como se buscasse uma resposta. Jack sabia que Billy e o microfone era uma relação pior que Coringa e Arlequina, ele podia assumir o vocal e deixar o loiro com a guitarra, mas sem o baixista do grupo seria difícil, ia ter que ter pelo menos uma guitarra a mais para disfarçar a harmonia, ou algo assim.

Um dos homens que organizavam aquela festa ilícita se aproximou deles. Ele ajeitou o microfone e discursou rapidamente anunciando que a apresentação iria começar em três minutos. Adolescentes e adultos gritaram animados erguendo seus copos de cerveja. Jack novamente passou os olhos pela multidão e não acreditou no que viu, bem perto do palco havia um homem, devia ter em torno dos um metro e oitenta de altura. Ele vestia uma camisa cinza com a estrela do Dallas Cowboys, jeans surrado e um casaco camuflado amarrado na cintura. Tinha uma mochila aparentemente pesada nas costas, mas acima de tudo ele estava carregando um banjo. A solução para eles nunca foi tão clara, iriam mudar a música, mas você já viu caipira reclamar de um bom som de banjo? – Ei, você aí do banjo! – gritou sem pensar duas vezes, o sujeito olhou de imediato. – Sabe tocar isso, parceiro? – o homem riu, um sorriso entre o deboche e a confiança. – Pode apostar que sim.

— Quebra um galho para gente? Lembra como tocar What Was I Thinking do Dierks Bentley? – Jack já estava abaixado no palco improvisado esperando uma resposta do homem. Billy, impaciente, já parecia bem disposto a chutar com toda força o microfone e o pedestal, realmente perder uma chance como aquela era um golpe fatal pra qualquer um que sonhasse ser músico, mas Jack contornou bem a situação. – Eu não seria um bom cowboy se não soubesse! – respondeu o homem exalando confiança. – Certo, a propósito me chamo Jack, o loiro com a Telecaster é o Billy e o cara de franja na bateria é o Finn. – apresentações rápidas, eles não tinham tempo para perder. – Seth Bullock, vamos botar isso aqui no chão. – respondeu o moreno subindo no palco e colocando a mochila atrás de uma caixa de som.

— Billy, Finn, vamos trocar a música. Vai ser What Was I Think do Dierks. Vou ficar no vocal o Seth aqui concordou em ajudar a gente em cima da hora. – falou rapidamente enquanto todos se arrumavam. Seth cumprimentou os outros dois brevemente com um gesto rápido e logo acertou a afinação do banjo. Naquela hora, a exatas onze horas da noite, a chuva não caía mais em Nashville.

Billy pigarreou enquanto encarava os outros, mesmo não sendo o vocalista era ele quem ditava o ritmo ali. Seth entendeu, passou rapidamente os dedos nas cordas do banjo sem fazer nota nenhuma. A atenção das pessoas veio direto pro palco, quantos tinham ali? Três mil? Quatro mil? Algo perto disso, o estacionamento era enorme e não paravam de vir pessoas do parque. Seth dedilhou sobre o banjo introduzindo a música e os sorrisos foram tomando os rostos daqueles malditos caipiras na plateia. O som da guitarra estridente soou na medida perfeita e cada vez mais as pessoas se aglomeravam perto do palco.

Becky was a beauty from south Alabama

Her daddy had a heart like a nine-pound hammer

Think he even did a little time in the slammer

What was I thinkin'?

A voz de Jack veio átona, ele tinha um timbre próprio, uma voz firme, mas não distante do sotaque forte de qualquer sulista dos Estados Unidos. Ele tinha uma voz grave, não potente para notas longas e agudas, mas num timbre suave.

She snuck out one night and met me by the front gate

Her daddy came out wavin' that twelve gauge

We tore out the drive he peppered my tailgate

What was I thinkin'?

Ele abraçou o microfone, logo a alegria da plateia começou a contagiar todos os rapazes no palco. Jack batia o pé no ritmo da músico, Finn parecia em total transe na bateria, Billy como sempre não comprometia na guitarra, e o tal Seth, sabia tocar banjo e muito bem.

Oh, I knew there'd be hell to pay

But that crossed my mind a little too late...

'cause I was..

Thinkin' 'bout a little white tank top sittin' right

There in the middle by me

I was thinkin' 'bout a long kiss man just gotta get

Goin' where a night might lead

I know what I was feelin'

But what was I thinkin'... what was I thinkin'

O vocalista às pressas não se aguentou, tirou o microfone da base e o tomou com tamanha vontade como um soldado faz carregando a bandeira de seu país. Ele abriu os braços ao chegar no refrão e soube deixar bem o espaço para quando o banjo e a guitarra dialogaram na música. Alguns centímetros abaixo deles, o povo pulava, dançava, bebia e cantava junto. Dierks Bentley era um cantor famoso e bem visto no country, tinha uma carreira duradoura e já havia emplacado várias hits. Foi a escolha perfeita.

By the county line the cops were nippin' on our heels

Pulled off the road and kicked it in four-wheel

Shut off the lights and tore through the corn field

What was I thinkin'?

Novamente ele tomou o centro do palco, que era apertado, mas que ainda dava para andar um pouco. Todo mundo ali pirou completamente quando o banjo se sobressaía naturalmente pela harmonia da música. Aquele som era de matar, era contagiante, era dançante, era o som da música, era o poder da música.

Out the other side she was hollerin' faster

Took a dirt road and had the radio blastin'

Hit the honky tonk for a little close dancin'

What was I thinkin'?

Billy trincara os dentes enquanto os dedos alternavam entre notas e palhetadas. Ele por si só tinha uma relação de amor com aquela guitarra comprada com muito suor com seu próprio dinheiro. O som dela era tão limpo, tão vibrante que era quase como se fosse simplesmente perfeito. O refrão se aproximava e para a surpresa de todos Jack estava pronto para surpreendê-los.

Oh, I knew there'd be hell to pay

But that crossed my mind a little too late...

'cause I was...

Jack mantinha aquilo como se fosse uma conversa, como se contasse uma história para o público e aquilo era simplesmente uma das coisas mais incríveis do country. Era a narrativa, ou como eles mesmo dizem o storytelling, o contar uma história e você vai ver desde grandes ídolos como Johnny Cash, Willie Nelson e Dolly Parton fazendo isso, bem como os mais atuais como Carrie Underwood e Luke Bryan. No entanto, foi ali que Jack Cooper surpreendeu, com o refrão chegando nos instantes seguintes o homem se calou e ergueu o microfone em direção a plateia.

Cause I was thinkin' 'bout a little white tank top sittin' right

There in the middle by me

I was thinkin' 'bout a long kiss man just gotta get

Goin' where a night might lead

I know what I was feelin'

But what was I thinkin'... what was I thinkin'

Os rapazes se entreolharam, com exceção de Seth que permanecia focado nos riffs do banjo. Aquilo era arriscado, ainda mais no maior show que artistas desconhecidos estavam fazendo. Tocar em céu aberto para cinco mil pessoas, ou mais, era diferente do que tocar para um barzinho com apenas cem cabeças. Para a surpresa e felicidade de todos formou-se um coro uníssono. Todos cantaram o refrão.

Assim veio o solo onde uma verdadeira batalha entre guitarra e banjo aconteceu, no entanto foi de forma tão sutil que os dois mais se completavam do que disputavam. Era melhor ter alguém importante entre aqueles milhares de cabeças, porque eles estavam simplesmente arrasando.

O show continuou até a música terminar. Talvez houvesse sentimento melhor do que ser aplaudido por tanta gente e ainda ouvir pedirem “bis” ou “de novo”, mas o momento deles ali havia acabado. Tinha mais gente para tentar a sorte e todos mereciam a sua chance de subir no palco e mostrar a sua arte.

— Seth Bullock você detonou com aqueles caras, valeu pela ajuda. – o agradecimento veio em boa hora. A maioria deles estava um pouco cansado, afinal quando a música te toma você acaba pulando e fazendo mil e uma piruetas. – Você manda bem com o banjo salvou nossa bunda lá. – completou Billy enquanto guardava a Fender na capa. Finn foi embora rapidamente, apesar de ser um bom baterista ele também era pai de gêmeos, mesmo tendo só vinte anos, não podia deixar a patroa tanto tempo em casa sozinha com a dupla se não ela ia surtar.

Seth ainda permanecia encarando o palco, o rapaz que lá tocava cantava uma música lenta do Braid Paislay, a plateia parecia estar envolvida numa espécie de transe enquanto balançavam de um lado para o outro. A atenção dele foi roubada quando Billy pousou a mão sobre seu ombro direito. – Nós vamos beber um pouco num pub aqui perto, hoje é noite do microfone aberto lá e vai ter cerveja por um dólar. Sem contar que o Jack dá um trato em uma das garçonetes, então... – ele nem precisou terminar de falar para que todos entendessem o que queria dizer. Rapidamente Jack deu um tapa na nuca de Billy que se encolheu enquanto dava algumas risadas. A garçonete em questão era ninguém menos que Trixie Fields.

— Mais respeito com ela, ela não é um prostituta. – retrucou o texano da cidade de Dallas enquanto fechava o casaco. Seth naturalmente riu antes de dar seu aval. – Cerveja, música e mulher, eu não poderia pedir mais nada.

Foram meros vinte minutos de caminhada pelas ruas movimentadas do cenário noturno de Nashville. Ali existia um bar ou pub para cada esquina, e mesmo nos bairros mais residenciais era comum encontrar uma certa bagunça. Nashville respirava música, sobretudo country.

Sem muita cerimonia eles chegaram ao Jim’s Pub. O lugar estava cheio, mas ainda deram sorte de encontrar três lugares livres no balcão. O cheiro de madeira e verniz ali só era diminuído pelo odor do malte da cerveja, era um local agradável ainda mais pelas várias fotos distribuídas pela parede e a carranca de boi no teto rebaixado logo acima do bar. – Como foi o show meninos? – perguntou Trixie enquanto abria as garrafas usando a camiseta curta acima do umbigo para aliviar a pressão da tampa.

Jack se perdeu um pouco olhando para o corpo da atendente que tinha por si mesma um ar tão sexy e quente que as vezes era impossível não cobiçar a mulher do próximo, mas vale lembrar, mesmo eles dormindo juntos as vezes, a própria Trixie rotulava aquilo como amizade colorida e nada além disso. – Gary ficou gripado e a namorada do Michael deu uma boa chave de coxa nele. Quase perdemos a chance até o cowboy aqui surgir tocando banjo. – respondeu Billy já que Jack ainda babava para Trixie. O loiro deu uma longa golada na cerveja gelada que desceu na garganta refrescando todo o corpo. – Consigo pensar em ótimos métodos para dar uma chave de coxa também... – completou Trixie lançando uma piscadela para o senhor Cooper.

Foi então que as luzes do pub diminuíram. O piano soou e atraiu a atenção de todos que se recolheram em silêncio. Os olhares curiosos caíram direto sobre o palco bem mais estruturado que o do estacionamento e logo surgiu uma ruiva com algumas sardas no rosto. Sentada sobre um banquinho para lhe ajudar a ficar na altura do microfone ela cantava uma versão bem mais lenta de Unforgettable do Nat King Cole.

— Ela canta bem não é... – comentou Trixei se debruçando sobre o balcão enquanto assistia Cattleya cantar um jazz capaz de tocar o coração de todos os marmanjos metidos a machão ali dentro. – Ela parece um anjo... – comentou Bullock completamente boquiaberto. Ele se levantou deixando a cerveja ali em cima do balcão e tanto a mochila quanto o banjo para trás, ele se aproximou do palco e lá ficou. Completamente atordoado.

— Ops, eu conheço aquele olhar hein. Sua amiga fisgou o coração do pobre rapaz ali. – comentou Billy tomando mais algumas goladas e coçando a barba perto do maxilar logo em seguida.

— Avisem para ele que a Cattleya é comprometida... – nunca foi do feitio de Trixie cortar os ânimos das pessoas, mas ela conhecia a amiga melhor que qualquer outro ali, até melhor que o próprio Dave.

Liberto de seu transe e atraído pela música Jack colocou um sorriso tímido no rosto enquanto balançava a cabeça negativamente. Em seguida ele pousou a mão sobre a de Trixie e entrelaçou seus dedos. – Aquele olhar ali é de quem não se importa nenhum pouco, baby... – nada mais precisava ser dito, ou precisava?


Notas Finais


Estou combinando com vocês de sempre deixar nas notas finais os nomes e os links das músicas de cada capítulo, é uma forma de aproximar as pessoas desses gêneros musicais que são pouco conhecidos aqui no Brasil:

— What Was I Thinking de Dierks Bentley: https://goo.gl/ODu4LV (cantada por Billy, Jack, Finn e Seth na festa no estacionamento)
— Unforgettable de Nat King Cole: https://goo.gl/WeyQxq (eu imaginei a Cattleya cantando essa versão aí, achei que seria bem mais parecido com a voz dela).

Já sabem, deixem seu comentário aí, ele é o maior estímulo de todo escritor! Deixem também críticas, sugestões e até o que vocês acham que um personagem deveria fazer, por exemplo: Cattleya deveria dar uma chance pro Seth ou ser fiel ao Dave?. Um abraço a todos e até a próxima postagem (deve sair no fim de semana).


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