História O Tempo e suas Discórdias - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescentes, Amor, Beijo, Drama (tragédia), Família, Mistério, Mortes, Namoro, Originais, Passado, Revelaçoes, Romance, Suspense
Exibições 7
Palavras 1.847
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Hello
Alô
Olá
Oi
Voltei!!!
Fiquem com mais um capítulo...
Espero que gostem!

Capítulo 3 - Capítulo 3


Fanfic / Fanfiction O Tempo e suas Discórdias - Capítulo 3 - Capítulo 3

 Minha mãe ia se afastando do mesmo lentamente, como se não quisesse sair de lá. Levantei-me, como um pulo e com o impulso de minhas mãos. Aproximei-me dela e coloquei meu braço levemente sobre seu ombro esquerdo, como um gesto de simplicidade.

          Estava me controlando para não chorar, mas uma lágrima conseguiu se desvencilhar de meus olhos, carregando todo o peso que havia dentro, foi decaindo do meu rosto rapidamente, até pousar no meu dedão do pé desprotegido.

          Afastei-me de seu abraço e caminhei em direção ao meu avô. Eu tinha muita coisa em mente para dizer a ele, muitas coisas que ele não poderia responder tantos problemas em um só dia que eu nem poderia começar.

          Cheguei perto do mesmo, onde eu podia ouvir sua respiração lenta, seus lábios grossos e rachados que tomavam conta de seu rosto enrugado. Sussurrei:

          - Vou encontrar meu caminho! – afirmei com precisão perto de seu ouvido e saí de fininho.

          Dirigi-me ao lado de minha mãe, arrastando meus pés pelo chão, como um som de um apito preso em uma garganta. Coloquei delicadamente minha cabeça sobre o ombro direito dela, coberto pelo seu casaco cor de pele esfiapada, com uma textura fina.

          Fiquei nesse meio tempo fitando a parede branca, fora da realidade, petrificada até que eu resolvo disser:

          - Vamos! – exclamei em voz alta e clara, irrompendo os pensamentos dela – Já ficamos tempo de mais aqui! – falei em um tom rouco e grave olhando por cima do ombro, onde se encontrava uma enfermeira plantada ao pé da porta.

          Quando desviei meu olhar à enfermeira, ela estava num olhar de pena para mim. Fiquei fitando-a por um tempo diretamente para seus olhos azuis-esmeralda, que me lembravam os do meu avô. Quando ela se tocou no que estava fazendo, disse:

          - Hum... Já acabou o tempo de visita, senhoras! – disse a mesma se apoiando na porta marrom, com vidros azuis no alto da mesma.

          - Já se passaram doze minutos? – perguntou minha mãe confiante e indo em direção a mulher de cabelos curtos e grisalhos que recuara alguns passos, quase colidindo na outra porta do corredor.

          - J-já... Senhora – amedrontou-se a mulher.

          - Mais cinco minutos, por favor! – pediu minha mãe com uma expressão falsa em seu rosto.

          A mesma fechou a porta, como um estrondo e virou-se para mim. Olhei-a confusa enquanto ela se recostava na porta marrom me encarando.

          - Que foi? – perguntou-me ela se surpresa.

          - É... Que... – me enrolei na resposta.

          - Nós precisamos de mais tempo! Não de doze minutos! – decidiu-se correndo para o meu avô – Tudo bem com você? – perguntou ela exasperada.

          Assenti e caminhei ao encontro deles. Deparei-me com uma cena repentina, no momento em que botei meus olhos neles: minha mãe tentando deixar meu avô de pé. Eu não sabia o que ela queria fazer naquele momento, porque eu acreditei que ela não seria louca a esse ponto!

          Fitei aquela cena boquiaberta e com os olhos arregalados, quando a minha mãe disse:

          - Vai me ajudar - perguntou ela com ignorância.

          - O-o que você está... Fazendo exatamente? – gaguejei, olhando incrédula para ela.

          - Vamos tira-lo daqui, Sarah! – afirmou ela, contendo uma expressão de que já estava tudo planejado.

          - O QUE? – exclamei surpresa em voz alta, não acreditando no que acabara de ouvir.

          Em minha mente, passou um filme de perguntas trabalhadas velozmente, ziguezagueando na mesma, que eu queria que fossem respondidas agora, porém, infelizmente as minhas preces não foram ouvidas e só o que minha mãe disse foi:

          - Fale baixo! – advertiu ela – você pega os pés! – alertou a mesma acenando com  cabeça os pés dele.

          Ainda boquiaberta, fiquei no mesmo local encarando-a com os olhos arregalados, sem sair da minha boca uma só palavra.

          - Anda! Pegue os pés! Temos pouco tempo e ele esta esgotando!

          O corpo cambaleou para um lado, fazendo o mesmo quase cair de costas para o chão com estrondo.

          - Co-como você irá ti-tirar ele do hos-hospital? – perguntei já com medo da resposta.

          - Você quer dizer, como nós vamos tira-lo? - corrigiu-me ela dando ênfase na palavra “nós” – Bem... Você irá distrair o pessoal da sala de espera e eu irei carrega-lo até a nossa sala!

          - Que tipo de distração? – perguntei enquanto agarrava os pés do meu avô.

          - Sair chutando as cadeiras ou gritar como uma louca! Pense em uma melhor!

          Colocamo-lo de pé nos braços de minha mãe, para ela carrega-lo enquanto eu fazia a distração.

          - Mas... Por que você não o deixa aqui, ao invés de nós termos de fazer isso?

          - Filha... – começou ela – você não sabe o amor que eu sinto por ele, ele é o meu pai! – enrolou-me não chegando à resposta que eu queria.

          - Eu sei! Ele é o meu avô! E eu acho que ele ficaria em boas mãos aqui – falei apontando o dedo indicador para o chão, indicando o hospital.

          - Querida... Eles não irão cuidar dele, ele esta em coma, o que iriam fazer?

          Interpretei “eles”, como os médicos enquanto ela complementava:

          - Para eles, é só mais um lixo na lixeira.

          - E oque você irá fazer com ele, quando chegarmos a casa? Não tem como você fazer nada! Só um milagre para ele acordar! – exclamei apontando para o meu avô que estava caído nos braços de minha mãe.

          - Discutiremos isso mais tarde! Agora anda, já acabaram os cinco minutos!

          Chequei se o corredor estava livre para a minha distração e saí da sala, olhando por cima do ombro de esguelha a cada segundo que se passava. Respirei fundo e tomei coragem, pois iria ser muito vergonhoso esse processo.

          Tirei meus chinelos azuis claros tomando cuidado com o barulho que fiz. Botei-os um em cada mão e sorri, joguei um deles para qualquer canto, atraindo um campo de atenção de seguranças, recepcionistas e as pessoas em volta daquela área. Saquei o outro chinelo na sala de espera, com um barulho ensurdecedor de dor os ouvidos. Todos em meu campo de visão olharam para onde o barulho surgiu e eu no mesmo local, sorri sem mostrar os dentes, com as minhas covinhas amostra. Uma enfermeira emergiu das sombras, vindo para perto de mim, porém eu que fui ao seu encontro, com a adrenalina surgindo em minhas veias, os meus cabelos batendo em minhas costas e eu ainda sorrindo.

          Fui correndo até um grande número de pessoas, desviando das mesmas, e me desvencilhando de alguns seguranças que tentavam me puxar violentamente.

          Correndo, chutei algumas cadeiras vagas e espalhei todos os materiais que antes estavam em cima do balcão ao chão, onde todo mundo estava de olhos arregalados à mim e eu aos tropeços, desviando dos obstáculos a minha frente. Olhei para trás, onde vi vários seguranças correndo para tentar me deter, mas pude perceber dois pontinhos mancando e conclui que eram minha mãe e meu avô.

          Meus cabelos estavam arrebentando de um lado e outro nas minhas costas, meus olhos fixos em frente, onde pareciam estar miúdos vistos de perto e a adrenalina subindo cada vez mais. Em minha pele, formavam pequenos arranhões por causa das unhas de seguranças que chegavam mais perto de mim e as pessoas assustadas, se encolhendo para não serem atropeladas e os gritos que se aglomeravam e ecoavam na sala.

          Pareciam se passar minutos enquanto eu corria em círculos, não tendo noção do tempo. Um homem, violentamente me agarrou, fazendo com que o meu braço doesse no instante em que ele botou a sua mão no mesmo. Ele tinha lábios grossos, orelhas de abano, um nariz grande, seus olhos eram pretos contendo uma expressão de raiva, seus cabelos negros, bagunçados e grandes. Sua respiração estava acelerada, seus dentes rangiam com os de cima e seu olhar de fúria me dava certo medo, que tiraram o meu sorriso do rosto em um segundo.

          - PEGUEI ELA! - gritou o mesmo, chamando a atenção de todos a sua volta e parando todos os que estavam correndo.

          Os outros seguranças que antes estavam correndo, agora se encontravam parados, ofegantes e me analisando de cima abaixo, com as suas faces horrendas apontadas a mim. Um deles veio em passos lentos até mim e me perguntou com agressividade:

          - Por que você teve essa brilhante ideia? Parece que não tem nada na cabeça, para fazer uma coisa dessas! Da próxima vez te levaremos ao hospício! Esta me entendendo, garota? – esbravejou ele, quase cuspindo em meu rosto.

          Balancei minha cabeça afirmativamente e o mesmo que falou comigo, me levou para arrumar tudo o que eu derrubei ou chutei no hospital! Conclui esse processo que demorou muito, fazendo com que o suor em meu rosto se desvencilhasse de mim.

          Quando fui sair dois seguranças me barraram e um deles disse com os braços cruzados, sério:

          - Tem que pagar cem reais!

          - O que? – exclamei desesperada em voz alta.

          - Esta surda ou o que?

          - Vocês não podem fazer isso! – falei enquanto observava os dois, que estavam com a cara amarrada.

          - Já fizemos! Ande, nos de logo! – disse ele aproximando-se de mim.

          Enfiei a minha mão no bolso e logo depois a tirei mostrando um gesto obsceno para os dois, que se entreolharam e me olharam de volta contendo a sua fúria e o outro falou:

           - Olhe aqui garotinha! Não de uma de brincalhona para nós! Se não... – ele abaixou a cabeça para sussurrar e continuou – bem... Eu acho que você já nos entendeu, e tem uma noção do que nós estamos falando! – ameaçou ele rangendo os dentes.

          - Que absurdo! – revoltei-me e enfiei minha mão mais uma vez no bolso, onde tirei uma nota de cinquenta reais, que eu não sabia que estava lá e entreguei a um deles.

          Antes de o mesmo dizer que eram cem reais, fugi correndo, quando eles deram uma brecha.

          Fui andando pela calçada mal feita e me lembrei de minha mãe, e fui correndo apressada para casa, tombando com as pessoas que surgiam a minha frente, me olhando com desgosto enquanto meu coração batia aceleradamente.

          Cheguei ao pé da porta de minha casa, pousei uma de minhas mãos na maçaneta e   girei-a lentamente, enfiando meu rosto pela fresta da porta até abri-la toda. Percebi que minha mãe não estava na cozinha nem na sala, então me direcionei ao quarto dela. Bati na porta marrom de cascalho e ouvi um “Entre” fraco e rouco, não hesitei e abri.

          Minha mão suada, ainda pregada na maçaneta como se não quisesse solta-la, e eu vendo aquela cena do melhor ângulo: Minha mãe com uma expressão de susto em sua face enquanto segurava um pano branco sobre a testa de meu avô, que estava deitado em sua cama, coberto pelo lençol até sua barriga, com seus olhos fechados num silêncio e sonho profundo que parecia não haver fim.

          Caminhei lentamente até eles, observando-os e vendo cada detalhe a minha volta, que parecia percorrer num só segundo. Passei a mão sobre a cabeceira da cama branca e pousei-a suavemente nos braços de minha mãe, que tirara o seu casaco esfiapado cor-de-pele.

          - Como ele esta? – disse encarando ele.

 

 

          


Notas Finais


Espero que tenham gostado...
Beijo da _E-T_
E...
Tchau!


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