História O Toque da Fera - Capítulo 19


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Drama, Horror, Suspense, Terror
Visualizações 26
Palavras 3.824
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Canibalismo, Estupro, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá!
Mais de um mês? Eu nem sei dizer, mas aqui estou. Obrigada pela paciências, meus maravilhosos leitores. Espero que sempre me perdoem pelas minhas demoras absurdas.
Falando sobre o capítulo, foi pessoalmente difícil escrever ele por motivos que não são relevantes. Espero de verdade que vocês apreciem e leiam até o fim.
Um beijo e muito boa leitura.

Capítulo 19 - Quarto Ano: Mamãe


Fanfic / Fanfiction O Toque da Fera - Capítulo 19 - Quarto Ano: Mamãe

Seu corpo caiu no chão como se fosse nada. Ele respirava pesadamente e ela nem sabia se estava respirando. Perry sentiu a dor nas partes íntimas e soube o que ele tinha feito. Quis chorar, mas não tinha forças. Não conseguia sentir o próprio corpo direito, não conseguia saber onde estava. Queria falar, mas sua mandíbula parecia pesada demais para que conseguisse mexer.

Bisten a largou onde estava antes de terminar de se vestir e sair. Perry sentia o chão frio embaixo de si, sentia o ar frio, mas não sentia mais nada. Desejou sentir pena de si mesma, mas não conseguia. Era como se a Perry estivesse morta e o corpo tivesse ficado, vazio, apenas para que ele pudesse se satisfazer.

Seu rosto estava virado e seu olhar fixo no pé do armário de metal. Alguns fios de seus cabelos estavam em seu rosto, em seus lábios. Ela ouviu aquela voz distante, quase inexistente. Sentiu uma dor no fundo do peito e esqueceu como respirar. A lágrima solitária desceu de seu olho esquerdo direto para o chão. O rosto dela surgiu e ela lhe sorriu docemente, como apenas uma mãe poderia fazer.  Perry deixou que seu corpo comandasse, sorriu de volta. Sentiu os dedos dela passarem carinhosamente por sua bochecha e sentiu seu perfume do ar.

— Está tudo bem, meu amor — suspirou para Perry. — Eu estou aqui. A mamãe está aqui.

Os olhos de Perry foram ficando mais nublados, mais desfocados até que não conseguia mais distinguir forma alguma. Até que nada a sua frente pudesse ser visto.

...

— Acorda! — Perry saltou do banco, deixando a coluna reta e o pescoço erguido no ato.

A risada que Melodie soltou foi alta, de alguém que estava se divertindo. Olhou feio para a mãe e coçou os olhos, tentando despertar direito. Bocejou e olhou pela janela, vendo as árvores altas e verdes passarem rapidamente pela estrada deserta. Deveriam estar a pouco mais de sessenta por hora. Coçou a cabeça e colocou os pés no painel do carro, esticando as pernas.

— Quanta folga — disse Melodie, brincalhona. — Mal acordou e já está se sentindo em casa.

— Você me acordou — rebateu e um tom acusatório. Fechou os olhos e recortou a cabeça no assento, com o rosto para cima. — Eu tinha acabado de pegar no sono — murmurou. — Você é uma mala.

Melodie deu outra risada e acelerou um pouco o carro.

— Você estava começando a babar, filha.

— Quanto tempo mais vai demorar?

— Uma hora e meia, mais ou menos — respondeu Melodie sem desviar o olhar da estrada.

Perry começou a enrolar os cabelos nos dedos, olhando também para a estrada.

— Me explica de novo porque eu estou indo embora com você?

— Por que o seu pai nos trocou por uma mulher da sua idade? — era mais uma afirmação que uma pergunta.

Ela olhou para a mãe e pestanejou em pedir desculpas. Estava sendo difícil para Melodie aceitar que havia sido trocada por uma garota de vinte e poucos anos e que ainda estava na faculdade. Perry aceitou o divorcio facilmente, mas não queria ficar longe do pai. Porém, veio a divisão das coisas. A casa em que cresceu fora vendida e o valor dividido igualmente entre seus pais. Sua infância seria demolida e outra casa, diferente daquela, seria erguida no lugar e seria a sede da infância de outra pessoa. Parte dela estava feliz com aquilo, mas parte queria voltar e queimar a nova casa com os moradores dentro só de raiva. Era a vida dela também, era a vida dela que seu pai havia jogado fora apenas por causa de uma porra de uma boceta mais jovem.

“Eu tentei evitar”, justificou seu pai. “Mas eu e Candy nos apaixonamos. Ela é a minha alma gêmea e eu jamais poderia deixá-la. O meu amor pela sua mãe deixou de existir há anos” completou, com aquela cara de quem era a vítima. Perry olhou para a cara da Candy — com aquele nome de prostituta — e tentou fingir que não a odiava. A filha da puta tinha absolutamente tudo para ser uma prostituta. O corpo era quase laranja de tão bronzeado e os cabelo era platinado graças à água oxigenada — muita! Peitos mais duros do que o gesso das paredes do quarto de Perry e saltos altos daquele material transparente que só atrizes pornô usavam.  Minissaia cor-de-rosa e tope também cor-de-rosa — um rosa que doía de olhar.

Para Perry só faltava nela uma placa dizendo CHUPO SEU PAU POR DEZ PRATAS em letras garrafais e neon. A voz da Candy era como uma morsa morrendo e um pinguim engasgando ao mesmo tempo. Quando ela falava “Tipo, eu super amo seu pai. Tipo, a gente é alma gêmea, sabe lindaaaa?” Perry sentia vontade de se jogar em cima dela e esmurrá-la até afundar aquele nariz plastificado dentro daquele crânio burro. Como meu pai podia ter trocado uma mulher linda inteligente como minha mãe por um projeto de vagabunda como aquela garota?, a pergunta martelou em sua mente por dias antes da assinatura do divórcio.

E a pior parte nem foi o divórcio, foi ser expulsa da cidade pelo pai. Com a desculpa de que precisava cuidar mais da Candy e dar mais atenção a coisas importantes, seu pai parou de pagar sua faculdade e ela precisou sair. Perry nunca o odiou tanto. Ela entendia — bem mais ou menos — o divórcio, mas esquecer a própria filha era demais. Demais! Ele não tinha o direito, não podia fazer uma coisa daquelas com ela. Mas ela não deixou barato. Perdeu sua casa, sua família, sua faculdade e o amor seu pai e Candy perderia os cabelos — literalmente. Invadiu o apartamento caríssimo do pai e colocou removedor de pelos no shampoo da vadia. Algumas horas depois recebeu a primeira ligação em semanas do pai, só que ao invés de dizer olá, ele começou a xingá-la de diversos nomes que nem ela conhecia. Seu pai, o homem que mais admirava, que a ensinou a nadar e a andar de bicicleta a chamou de filha da puta condenada. O homem que contava histórias para que ela dormisse e cantava junto com ela todos os sábados esqueceu tudo isso e a xingou mais do que ela achava ser possível.

— Perry? — Olhou para a mãe com as sobrancelhas franzidas.

Ela podia ver em seu rosto que sua mãe sabia muito bem no que estava pensando. Melodie lhe sorriu entristecida e apertou sua mão de leve, confortando a filha. Estavam indo para o fim do mundo, morar em uma casa que talvez estivesse caindo aos pedaços. Estavam completamente por conta própria e mesmo que não estivessem, Perry não se arrependeu de ter ido embora com a mãe. Não se arrependeu de não ter completado o curso de seus sonhos. Não podia tirar da mãe o dinheiro da venda da casa. Melodie ficaria sem nada sem aquele dinheiro e por mais que doesse, Perry nunca mais voltaria para a faculdade se significasse deixar a mãe desamparada.

— Não se culpe — Melodie sussurrou.

Ela apertou de volta a mão da mãe e desviou o olhar. Culpa. Ela a tinha de sobra. Sabia que depois de seu nascimento o casamento de seus pais tinha desandado lindamente. Via nos olhos de sua mãe o amor por seu pai, mas sabia que ele não a amava de volta da mesma maneira — e só depois percebeu que ele simplesmente não a amava. Temia que o desamor de seu pai tivesse se originado dela.

— Eu não me culpo — mentiu. — Ele é que é um babaca por deixar uma mulher tão maravilhosa quanto você para trás por uma cadela bronzeada. — Aquela parte era totalmente verdade. — Você foi fiel a ele, o amou e foi uma boa esposa. Tomara que quando o dinheiro dele acabar ela o chute e o troque por outro velho rico, sugue ele e repita tudo de novo com outro e outro e outro.

— Filha, nós duas sabemos que isso vai acontecer — Melodie começou —, mas eu não quero que seu pai sofra. Tenho certeza de que é apenas uma fase por conta da idade.

Ela fitou a mãe como se ela fosse louca. Fase? Ele a havia trocado, a havia descartado. Poderia ser o caralho que fosse, desistir da esposa e da filha não era fase e ele merecia sim sofrer. Sofrer tanto quanto Melodie, chorar à noite baixo e se culpar tanto quanto ela estava fazendo. Recostar-se nos moveis e olhá-los entristecido, como Perry viu a mãe fazer tantas vezes antes da finalização do divórcio. Ele merecia a morte!

— Ele não merece a senhora — disse a mãe. — Homem algum no mundo a merece. Você é boa demais, gentil demais para homens como o papai.

Melodie sorriu para a filha, parecendo encabulada.

A viagem não durou tanto quanto Perry achou e elas chegaram a sua nova casa. Antes mesmo de sair do carro Perry quis gritar. Não era pequena — longe disso — mas era muito mais velha do que sua avó. A casa devia ter uns três andares, sem contar com o sótão. A madeira parecia envelhecida e mofada e isso era apenas do lado de fora. Árvores sem folhas a cercavam e o barulho do vento balançando a estrutura era alto. Parecia uma casa de filmes de terror, com os corvos se regozijando com as próximas vitimas do assassino fantasma e tudo.

— Vamos ficar aqui? — Perry indagou, mal reconhecendo a própria voz. Sabia que suas sobrancelhas e lábios deveriam estar franzidos de nojo e indignação. — Essa coisa parece que vai cair.

Melodie abriu a porta.

— É mais velha do que eu e vai continuar de pé quando eu morrer. — Saiu. — Vamos!

Ela saiu e ficou parada ao lado do carro, enquanto Melodie abria o porta-malas e começava a tirar suas coisas de dentro.

— Mãe, isso é ridículo! — reclamou. — Ele vai viver na porra de um apartamento de luxo e nós na casa da Família Adams? Onde está a merda da justiça nisso?

Melodie soltou uma lufada de ar e esfregou os olhos.

— Filha, não há justiça. Não podemos gastar o dinheiro da casa. Preciso dele e você sabe disso. — Apontou para a casa. — E isso é temporário. Não vamos ficar aqui para sempre.

— Posso ajudar? — alguém perguntou e as duas viraram os rostos ao mesmo tempo.

Um homem alto, cabelos escuros e olhos claros saiu de detrás da casa. Usava jeans escuros surrados e uma camiseta xadrez. Ele parecia curioso, talvez um pouco surpreso. Perry olhou para a mãe e o sorriso nos lábios de Melodie a surpreendeu. A mulher parecia quase fascinada pelo homem. Afastou-se do porta-malas e passou uma mecha de cabelo para trás da orelha.

— Olá — a voz dela soava mais doce e Perry franziu o cenho. — Eu sou Melodie e esta e a minha filha, Perry. — Apontou para Perry com um aceno de cabeça. — Somos as novas moradoras.

O homem devolveu o sorriso.

— Oi, eu sou Julian, o zelador. — aproximou-se de Melodie e ergueu a mão, oferecendo-a para um aperto.

Melodie quase voou sobre a mão — e o colo — do homem e Perry não disse nada, até porque não conseguia. A surpresa pela reação — receptiva demais — de sua mãe ao primeiro homem que via depois do divórcio chegava a ser desconcertante. Melodie nunca fora o tipo de mulher que dorme com Deus e o mundo e assustou a filha, mesmo sem querer.

O olhar do homem passou por Perry, olhando-o de baixo para cima e depois fez o mesmo com Melodie.

— Posso ajudá-las com as malas? — indagou com um sorrisinho de canto de boca.

Antes que Perry chegasse a abrir a boca, Melodie respondeu com um alto e sonoro sim e um sorriso de menina. Julian esvaziou rapidamente o porta-malas e carregou todas as malas para dentro do casarão como se não pesassem nada. Mãe e filha ficaram apenas assistindo, a mãe quase babando pelos bíceps do zelador e a filha apenas desejando que o chão se abrisse e ela desaparecesse dentro dele. Perry tinha plena consciência de que Melodie estava no seu direito de querer ficar com alguém, mas logo o primeiro homem que viram? Não que Julian fosse de se jogar fora, ele não era, mas aquilo era meio... inapropriado. Não poderia ser algum desconhecido? Um homem em um bar, disposto a lhe dar uma maravilhosa noite e depois sumir? Precisava mesmo ser um homem que provavelmente veriam o tempo inteiro?

Melodie lhe deu uma cotovelada leve.

— O que foi?

— Eu vi primeiro — disse pra a filha antes de correr dando saltinhos para a casa.

Reprimiu o riso.

— A senhora quem manda.

...

Depois de procurar por quase uma hora, Perry conseguiu achar em um dos seis quartos um banheiro com um chuveiro que funcionasse. A água não era quente, mas também não estava congelando. Tomou um banho rápido e resolveu pedir uma pizza. Mas como o que está ruim sempre pode piorar, o sinal não funcionou. Julian explicou que o sinal aparecia ou no meio da noite ou lá pelas seis da manhã. O lugar era quase literalmente isolado. Perfeito, pensou. Estou mesmo na casa da Família Adams. A televisão e o restante dos moveis da sua antiga casa chegariam em um ou dois dias e não tinha nada lá que ela pudesse fazer, então escolheu a que era mais fácil e gratuita: dormir.

A cama era uma coisa de exagero absurdo. Gigante, colchão macio demais e lençóis de seda como nos livros de romances góticos. Ela girou de um lado para o outro por cerca de uma hora e meia até que o sono e o cansaço chegassem e a derrubassem. Dormiu tranquilamente... até o sinal do celular chegar.

Perry abriu os olhos devagar e fitou o brilho do seu visor. Mensagens de seus antigos colegas de faculdade e de alguns amigos, notificações do Facebook e outras apareciam aos montes e faziam seu celular vibrar feito um louco na mesa de cabeceira. Sentou-se devagar, buscando se orientar e coçou os olhos, pegando o celular e olhando a hora. Duas e quarenta e três da manhã. Bocejou e olhou em volta, tentando enxergar alguma coisa do breu. Olhou para o seu lado na cama e não viu sua mãe. Melodie havia dito que dividiriam a cama por alguns dias e ela aceitou.

— Mãe? — chamou baixo. — Mãe?

Saiu da cama devagar, usando o celular como lanterna. Olhou em volta e quase caiu para trás quando fitou o próprio reflexo no enorme espelho de maneira talhada e escura.

— Jesus... — murmurou. — Eu vou acabar morrendo do coração.

Desceu as escadas, ouviu a casa ranger e o piso de madeira velha estalar e prendeu os próprios gritos de susto a cada quadro gótico que via em uma ou outra parede. Aquilo era demais para ela e imaginar sua mãe perambulando sozinha por aquele lugar a deixava assustada. Queria gritar com sua mãe por sair e deixá-la dormindo sozinha naquela cama que cabem não apenas elas, mas uma horda de demônios e outros tipos de criaturas. Riu do próprio pensamento e ouviu outra risada, que obviamente não era sua. O coração de Perry deu um salto e ela começou a rezar todo tipo de oração que conhecia até se dar conta de que a risada era de sua mãe.

A luz da lua começou a iluminar mais o caminho e então ela deixou o celular sobre uma mesa, desceu as escadas até o térreo com mais pressa e parou. Sua boca caiu um pouco enquanto via sua mãe no colo de Julian, suas bocas juntas e as mãos dele dentro da blusa dela. Um riso baixo escapou de Melodie quando Julian apertou alguma coisa dentro de sua blusa e Perry precisou se conter para não gritar. Ela se sentia tão errada vendo sua mãe quase transando com alguém.

— Você é a MILF mais gostosa que eu já toquei — Julian sussurrou.

O rosto de Perry esquentou e ela sabia que estava corada. Julian havia mesmo chamado sua mãe de MILF? Quantos anos ele tinha? Quinze? Virou para ir embora quando ouviu Melodie dizer:

— Você não é ele.

— Como é? — Julian perguntou com a voz meio melodiosa.

— Você não é ele — ela repetiu, o tom de voz mais agressivo, irritado.

Perry ouviu um som de dor e coisa rompendo, virou para olhar para a mãe e gritou. Julian estava caído no chão, Melodie sobre ele e uma faca presa ao peito do zelador. Os olhos de Melodie encontraram os de Perry e aquele olhar não era o da mãe dela, era o de outra pessoa. Ela sorriu e tentou tirar a faca do peito do homem, mas não conseguiu de primeira.

— Acho que ficou presa em uma costela — disse com um sorriso mórbido nos lábios.

— Mãe...

Melodie tentou mais uma vez. Conseguiu e repetiu o primeiro ato. Os olhos de Julian estavam arregalados e sangue saia de seus lábios.

— Você. Não. É. Ele! — cada pausa era uma facada diferente.  

Melodie parou, ergueu a cabeça e sangue escorria de seu rosto.

— Filha... — Saiu de cima de Julian e passou a mão no rosto, espalhando um pouco mais o sangue. — Desculpe, querida. Acordei você?

A voz de Perry desapareceu. A serenidade de sua mãe, ainda com o sangue quente de Julian nas mãos, era perturbadora. Ela queria correr, mas conseguia sentir a instabilidade de suas pernas. Melodie caminhou até ela devagar, andando com toda a calma do mundo até a filha, sorrindo docemente.

— Venha aqui, filha — disse baixo. — Vem dar um abraço na mamãe.

Perry deu um passo hesitante para trás, mas não conseguiu se afastar rápido o suficiente. Melodie colocou os braços em volta dela e apertou em um carinhoso abraço enquanto sussurrava no ouvido de Perry o quanto a amava. Perry gritou, sentindo a lâmina passar pelo seu braço. Melodie puxou seu cabelo e tentou acertar sua barriga com a faca, mas Perry se afastou. Segurou o braço machucado de Perry e apertou, sorrindo mais. Perry gritou e empurrou a mãe para trás; ela cambaleou e caiu para trás tempo suficiente de Perry correr escada acima, em busca de seu celular.

— Perry! — ouviu Melodie gritar, furiosa. — Volta aqui, sua vagabunda!

Perry correu, escorregou no próprio sangue, mas não parou. Tinha esquecido onde havia deixado o celular e sentiu o desespero crescer. O que havia acontecido com sua mãe, ela tinha acabado de matar uma pessoa e tentado matá-la.     

— Perry! — Melodie gritou novamente. — A culpa é sua! Sua! Você não passa de uma vadia psicopata! Eu devia ter matado você quanto tive a chance!

Perry se encolheu debaixo da mesa no corredor e tapou a própria boca com uma mão, enquanto segurava o corte com a outra. Melodie caminhou calmamente ao seu lado e ela podia jurar que sua mãe seria capaz de ouvir seus batimentos. Sentiu as lágrimas quentes descerem rapidamente pelo seu rosto, misturando-se ao sangue em sua camisa. Esticou um pouquinho a cabeça e viu quando melodie virou, entrando em outro corredor. Para sua sorte, seu celular estava no corredor contrario. Precisava ligar para a polícia, chamar uma ambulância e ligar para seu pai. Respirou fundo e saiu devagar do esconderijo. Arrancou um pedaço da própria camisa e enrolou-o — muito mal — em volta do corte que sangrava demais para seu tamanho.

Caminhou apressada até o telefone e o achou sobre a mesa em que o havia deixado. O sinal estava quase desaparecendo e Perry começou a rezar para qualquer divindade que pudesse ouvi-la para que o sinal ficasse por mais algum tempo. Digitou 911 e quase gritou para que alguém a atendesse.

— Emergência, boa noite. Como posso ajudar? — disse calmamente a mulher do outro lado da linha.

Perry chorou de felicidade. Respirou fundo e murmurou:

— Minha mãe... — engoliu em seco. — Aconteceu alguma coisa com a minha mãe.

— Qual o seu nome? — a mulher indagou. — O que aconteceu com a sua mãe? Ela está bem?

— Minha m-mãe esfaqueou o z-zelador — sussurrou entre soluços. — Minha mãe o matou. Ela tentou me matar.

— Mantenha a calma e me diga onde você está. Você está bem?

Passou asperamente as mãos pelos cabelos e respirou fundo três vezes. Engoliu novamente e tentou raciocinar.

— Ela... — a linha ficou muda. — Não, não, não... — encarou a tela do celular, vendo que o sinal havia sumido.

Digitou novamente e nada, não funcionava.

— Eu devia ter abortado você — ouviu Melodie gritar e colocou as mãos na boca. — Eu devia ter afogado você, sua desgraçada. Você fez ele me deixar, fez meu marido ir embora.

Melodie começou a gritar escandalosamente. Perry não podia vê-las, mas tinha quase certeza de que ela estava se batendo em alguma coisa pelo som que fazia.

— Eu odeio você! — ela gritou. — Tudo o que você faz é maligno, igual a você! VOCÊ É UM MONSTRO! UM MONSTRO!

Tudo ficou quieto. Apenas o som do vento chicoteando a casa era ouvido. A voz de Melodie desapareceu e Perry tirou as mãos da boca, tapando-a de volta por causa de sua respiração que soava alta demais. Tinha que sair da casa, tinha que ao menos chegar ao carro. Precisava pedir ajudar, mas não podia ficar lá dentro. Sua mãe queria matá-la e se ela continuasse lá, morreria. Juntou o máximo de coragem que lhe restava e saiu de debaixo da mesa. Manteve o celular na mão e começou a correr. O som da madeira estalando por causa de seu peso soou alto e ela conseguiu ouvir os passos apressados de sua mãe também.

— Perry! — melodie gritou e ela correu mais rápido.

Bateu a perna na de uma mesa, mas não parou. Desceu quase rolando as escadas e fez a besteira de virar o rosto, olhando o corpo ensanguentado e inerte de Julian. Suas mãos pararam na maçaneta e alguém puxou seus cabelos com força, fazendo-a arfar de surpresa. Não teve nem tempo de gritar quando a faca entrou e sua pele e a dor se espalhou. Caiu no chão, sentindo a umidade se espalhar pela sua camisa e seus braços. Sabia que a facada havia pego em sua artéria. Tossiu, o sangue subindo pela sua garganta e saindo pela sua boca como golfadas. O gosto enferrujado tomando conta de sua boca, o cheiro progredindo em suas narinas.

O rosto de Melodie surgiu em seus olhos e sua mãe estava tão calma, tão impassível que aquilo doeu mais do que a facada.

— Eu nunca quis você — ela disse. — Não era nem para você ter nascido.

Melodie tirou a faca do peito dela e a cravou mais uma vez. Um fio de sangue acertou o rosto de Perry e ela engasgou.

— Você só me decepciona.

— Mãe... — sussurrou.

— Você é tão inútil...

A dor em seu peito cresceu, mas ela não tinha certeza se era por cauda da perda de sangue. Sua visão começou a escurecer e ela lutou para fazer o ar passar pelas suas narinas. Aquela dor não era apenas física, era uma dor... era forte demais. Forte demais. A última coisa que sentiu foi uma lágrima solitária deixar seus olhos e nada mais.  

Não chore, ouviu alguém sussurrar. Lágrimas significam fraqueza.


Notas Finais


Obrigada por ter lido até o fim e um beijo. Até o próximo!


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