História O Trem do Exílio - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Era Vitoriana, Mistério, Morte, Survival, Terror
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Beyond the Window


Fanfic / Fanfiction O Trem do Exílio - Capítulo 2 - Beyond the Window

-Acende isso logo – Disse Luke, entre murmúrios impacientes na escuridão.

Com um pequeno clique, a chama amarela do isqueiro iluminou o rosto aborrecido de Ayska. A moça de franja nos cabelos vermelhos e nariz empinado não parecia machucada. Um feito impressionante a julgar pela força como fora arremessada para o outro lado do vagão quando adentraram as brumas. Mas o mesmo não podia ser dito a respeito de seu amigo. O valentão estava inconsciente em algum lugar do chão.

Ayska levou cuidadosamente o esqueiro até o lampião aberto nas mãos de Luke e a luz se fez. A chama forte e bruxuleante iluminou todo o vagão Everdream. Se é que aquele único vagão podia carregar o nome de todo o trem. Os condenados ainda pareciam abalados pela viajem, cerrando os olhos para a luz do lampião. O asiático Jeylee estava encolhido com a mão no estômago, e Russel estava com as unhas cravadas no tecido da poltrona, como se o trem ainda estivesse em movimento. Outros simplesmente pareciam confusos, como se esperassem alguma coisa acontecer.

Apagando o isqueiro, Ayska correu até o amigo que jazia inconsciente no chão e foi ajoelhar-se ao seu lado. Ela sacudiu-lhe os ombros com um olhar assutado.

-Drake – ela murmurou, quase sibilando – Acorde. Drake. Drake!

Luke se afastou dos dois, carregando o lampião a frente do rosto e estreitando os olhos mal acostumados com a luz. Drake não estava morto, Luke checara, e o sangue fluía em seu pulso. E além disso, ele não era médico algum. Se Drake não tivesse vindo procurar confusão a princípio, talvez Luke se importasse um pouco mais. Mas só o que podia fazer agora era torcer para que a queda não houvesse lhe rendido uma contusão.

Mas realmente se importava? Essas pessoas ao seu redor não mereciam a morte? Luke não conseguia responder a pergunta. Agora que estava cara a cara com eles, que estava ciente da humanidade em seus olhos… A pergunta estava ainda mais difícil.

As cortinas e as paredes de madeira tremeluziam sob a luz do lampião, e a imagem do fogo refletia nos vidros negros enquanto ele passava por entre as poltronas. Três homens agora conversavam baixinho próximos a uma janela. Luke foi até eles.

Reconheceu Charlie e Beijamin quando eles se viraram para a luz. O outro homem tinha a altura um pouco acima da média, cabelos negros e curtos, rosto encovado e um par de óculos retangulares, Luke não sabia seu nome.

-Bem, tem uma sugestão melhor? - Continuou aquele homem que Luke não conhecia, com um forte sotaque russo. Ele estendia a mão para Beijamin.

Luke sentiu um calafrio. A janela ao lado dos três estava trincada, como se uma aranha houvesse tecido sua rede bem ali. Aquilo fez com que as imagens perturbadoras voltassem a tona, seja lá o que elas tivessem sido. Queria poder negar tudo que vira, queria acusar os próprios olhos de terem lhe contado uma mentira, mas Luke se lembrava bem do que fizera aquilo no vidro.

Tão surreal…

E agora a janela trincada esfregava bem na sua cara que aquilo havia sido real, e não apenas sua imaginação ou outra desculpa tola que seu lado racional tentava engolir. O que diabos era esse lugar?

-Vamos logo, tiozão! - Disse Charlie, tentando alcançar a bengala refinada de Beijamin – Não é grande coisa.

Beijamin esquivou-se, empurrando a cara de Charlie para trás com a palma da mão. Os dois grunhiram e se empurram como duas crianças lutando por um brinquedo.

-Tudo bem, maldição. Mas deixa que eu faço isso – Disse Beijamin, sem folego, ajeitando a gravata e a cartola – Ladrãozinho.

Luke ignorava a discussão enquanto olhava pela janela. Escutava ao longe o som de cigarras e corujas. Devia haver alguma floresta ou bosque por perto, mas não parecia haver uma lua iluminando o que quer que fosse. Era como se houvesse uma cortina negra escondendo o lado de fora.

Com um baque surdo atrás do outro, Beijamin começou a bater com o pé da bengala no vidro. A janela vibrava a cada batida, e a cada batida as linhas finas das rachaduras aumentavam. Luke recuou um passo. Sentia-se estranho, como se parte dele não quisesse descobrir oque havia lá fora. Como se não quisesse arriscar se separar daquelas pessoas que nem conhecia. Ficar sozinho ali, onde quer que estivessem…

O russo soltou um ronco de escárnio:

-Heh, o lorde tem a força de uma senhora – Debochou.

O som de vidro se estilhaçando chamou a atenção dos quatro, que se viraram surpresos para a outra parte do vagão. Amel raspava os cacos de vidro restantes de uma janela com um extintor de incêndio. Todos olhavam para ela, mas a ladra e assassina agia como se não houvesse mais ninguém no vagão. Largando o extintor no chão, ela saltou pela janela, sumindo com sua roupa e capa preta na escuridão da noite.

Aquilo o deixou pasmo. O que devia se passar pela cabeça de alguém como ela? Saindo para as brumas, sozinha e sem luz. Luke começou a se questionar se fora o único a ver o que viu pela janela, o que quer que tenha sido, fora perturbador e faria alguém normal pensar duas vezes.

Louise juntou as mãos com um sorriso de satisfação e parou com o pé o extintor que rolava pelo chão. Aquela também não era boa da cabeça. E agora Luke acreditava, o desejo doentio de cruzar as brumas que a garota tinha não era brincadeira. Tomando cuidado com o próprio vestido, ela foi até a janela com um ar confiante e desceu com a ajuda daquele Sharney, o homem de regata branca, que também saiu do vagão logo em seguida, carregando um lampião.

-Problema resolvido – Disse Beijamin, se empertigando para disfarçar o constrangimento.

Agora que a janela estava aberta, o som das corujas e cigarras estava mais claro, assim como a sensação estranha de que não deveriam sair dali. Mas ao mesmo tempo, Luke também não viu sentido em ficar ali dentro. Talvez fosse sensato esperar pelo sol, e usar a cabine como abrigo se não encontrassem civilização, mas era importante, pelo menos, dar uma olhada ao redor. Charlie e Beijamin também foram até a janela aberta espiar o lado de fora.

-Viktor Umski, a propósito – Apresentou-se o Russo.

-Luke – O detetive respondeu, apertando a mão do outro. A sensação foi estranha, como agente da polícia, nunca pensou que apertaria tão casualmente a mão de um… Assassino? Traficante? Estuprador?

Viktor Umski foi até a janela aberta e afastou os outros dois homens, em seguida saltou para fora sem pensar duas vezes.

-Mas o que é que vocês estão fazendo? Aonde vão? - Perguntou o ex prefeito Edgar Stein, com os olhos bem abertos, só com metade do rosto aparecendo por cima de uma poltrona. Ayska continuava ao lado de Drake, olhando desconfiada para eles em silêncio.

-Ora, não está curioso? - Perguntou Charlie, escondendo o nervosismo com um sorriso forçado – Viu algum fantasma?

A brincadeira pareceu inocente, mas Luke teve a sensação de que ela significou algo a mais para todos ali.

O detetive deu duas palmadinhas nos ombros de Jeylee, que ainda estava curvado sobre o estômago, com uma expressão no rosto que indicava que ele não devia abrir a boca se quisesse manter o café da manhã. Luke respirou fundo, foi até a janela e pulou do trem, um pouco mais tranquilo por ouvir vozes e o brilho de outro lampião vindos de fora.

A escuridão o engoliu assim que sentiu a grama sob os pés, oprimindo a luz do lampião, cercando cada espaço a mais de dois metros do fogo. E estava um gelo ali fora. Luke encolheu os ombros e deixou escapar uma fumaça de ar frio pela boca.

Luke se sentia como um daqueles peixes com uma lâmpada na cabeça, flutuando no fundo do mais profundo oceano. Sem uma pista sequer do que havia dez passos a frente. Apenas ouvia vozes distantes e via o pontinho de luz que pertencia ao lampião de Louise, que vagava sem destinho aparente, tagarelando trivialmente.

Charlie caiu ao seu lado e ficou em silêncio. Um vento uivou e uma coruja soltou um pio solitário em algum lugar distante. Devia haver um bosque por perto.

-Você sempre foi um péssimo detetive, Luke – Disse Charlie, lentamente – Mas eu não acredito que você me seguiu até aqui.

Luke d’Lars não aceitou a provocação. Em vez disso ele foi dar uma olhada ao redor.

Ele seguiu pela lateral de Everdream, em direção a parte de trás, atento aos pés e aos poucos metros da grama úmida que a luz do lampião alcançava. Talvez conseguisse abrir a porta pelo lado de fora, assim não precisariam mais passar pela janela. E, além disso, estava curioso para saber onde iam dar os…

Onde estavam?

-Não há trilho algum – Luke murmurou consigo mesmo, olhando surpreso para a grama alta que parecia crescer ao redor do metal. Haviam até plantas trepadeiras escalando as rodas, como pequenas raízes verdes. Era como se Everdream estivesse ali ha meses. No mínimo.

-Está mesmo surpreso? – Perguntou uma voz baixa.

Levantando depressa o lampião, Luke percebeu Amel descansando o ombro no vagão.

Ele pigarreou e recuperou a compostura.

-Bem, um pouco, claro… Mas não esperava que houvessem trilhos me guiando até em casa – Ele admitiu.

Amel o encarou com os olhos cerrados por um tempo, depois voltou a contemplar a escuridão. Luke se perguntou se ela o reconhecera da noite em que havia sido algemada, três anos atrás. Não ficaria surpreso se ela não se lembrasse. A jovem tinha um olhar perdido na noite do assassinato, e não dissera uma só palavra.

-Sinto como se os corvos tivessem comido as migalhas – Ela disse, interrompendo o canto das cigarras.

-Ainda espera voltar? - Luke perguntou. Não sabia ao certo se ele mesmo tentaria. Não queria desistir de casa, o problema é que não sabia o que fazer, não sabia por onde começar qualquer coisa. A própria escuridão que o cercava lhe dava uma sensação de impotência, como se estivesse preso na pequena esfera de luz que emanava do fogo.

-Na verdade não – Ela suspirou – Não me sinto tentada a procurar por uma passagem que provavelmente não existe. Além disso, acho que teremos preocupações mais imediatas do que isso. Quanto tempo acha que vamos ficar vivos se continuarmos perambulando como ratos bêbados? Se é que ainda estamos vivos…

Luke sentiu um calafrio. O último comentário fez um sentido perturbador. Mas ela estava certa, não podiam ficar parados. Precisavam achar comida e o que quer que aquele lugar tivesse a oferecer. Talvez o resto da Inglaterra estivesse intacta, apenas presa dentro das paredes de bruma. “Talvez fosse isso” - Ele pensou, esperançoso. Mas a sensação de que ainda não havia se livrado da pena de morte. Ainda era um condenado.

-Está certa, mas está ficando cada vez mais frio, devíamos esperar pelo dia até sair por ai.

-Se é que há dia nesse lugar – Ela disse, se desencostando do vagão – Mas ei, eu não dou as ordens aqui detetive.

De fato, não havia lua alguma no céu, o que esperar do sol?

Espera…

-Detetive? – Luke perguntou. Ela se lembrava? Mas como sabia que ele era um detetive? Estava quase certo de que não havia exposto sua função exata naquela noite, ele podia muito bem ter sido um policial ou delegado…

-Aquele Charlie contou pra todo mundo. Ele achou bem divertido ver você aqui – Ela respondeu, começando a caminhar para a escuridão – E também riscou seu rosto com tinta de caneta.

“Maldito” - Pensou Luke, esfregando o rosto, sozinho com seu lampião.

 

Sharney e Charlie andavam lado a lado na floresta, enquanto Louise saltitava mais a frente, cantarolando e deixando o vestido farfalhar pelas folhas secas. A floresta era densa, e um assovio medonho cortava o silêncio cada vez que uma rajada de vento soprava pela noite. As vezes uma coruja piava e outras vezes o vulto de um morcego surgia por entre os galhos contorcidos sobre suas cabeças. Mas Charlie mantinha os olhos no chão, que era coberto de raízes traiçoeiras e arbustos esqueléticos, pedras e insetos.

-Venham logo – Louise reclamou, quase desaparecendo no breu da floresta – ou me deem esse lampião.

-Não faça isso Sharney – Disse Charlie, carrancudo, segurando um punhado de gravetos secos nos braços – Não estamos aqui a passeio Louise, precisamos de madeira pra fogueira. Já basta você não ajudar.

Ela bufou

-Não percebe onde estamos? Devíamos explorar, estamos em mundo novo, as possibilidades são infinitas, você não ficou maravilhado com o que viu pela janela na passagem pra cá? - Ela perguntou se animando com a própria fala.

-Você que não percebe onde estamos. Primeiro você vai morrer de fome, e depois por mais dez motivos, garota – respondeu Charlie, se perguntando o que ela havia visto pela janela. Não a mesma coisa que ele, com certeza. Ou assim esperava. Seria ainda pior se eles estivessem pensando na mesma coisa, e ela animada com isso.

-Isso foi uma ameça? - Perguntou Sharney bruscamente, juntando as sobrancelhas.

-Não, não, de forma alguma – ele respondeu para o homem musculoso e bem-apessoado que seguia Louise por todo o lado. Como o cara conseguia usar uma regata em um frio como aquele? Mesmo com sua jaqueta com gola de lã, Charlie havia considerado se enrolar em uma das cortinas antes de entrar na floresta – Madeira Sharney, precisamos de madeira.

Louise bufou e voltar a caminhar tranquilamente a frente dos dois, como se fosse a chapeuzinho vermelho, animada em encontrar a avó. Charlie estremeceu. Não esperava encontrar boa gente em um grupo de condenados. Mas isso era demais.

E ainda havia aquela outra psicopata – Charlotte – que não parou de encará-lo por um segundo na viajem de trem. A jovem tinha cabelos castanhos longos e bagunçados, e até que era bonita. Mas Charlie conhecia aquele olhar, passara muito tempo em uma cela, separado de assassinos apenas pelas barras de ferro. Charlotte ia dar o bote a qualquer momento. Matá-lo pelo bel-prazer do ato.

Ele deu um berro quando percebeu uma aranha marrom perambulando pelo punhado de madeira que carregava nos braços.

 

Um berro alto cortou a noite, vindo da densa floresta.

-Droga! Eu sabia! Desgraçados – Grunhiu Luke, seus pressentimentos se mostrando corretos. Charlie, Louise e Sharney estavam em algum lugar daquela floresta densa, atrás de madeira para uma fogueira, sabe lá Deus o porque, era suficientemente quente dentro de Everdream. Os tolos saíram sem nem discutir sobre o assunto, só deixaram o aviso com Viktor.

-Hm, talvez tenha sido uma má ideia afinal – Resmungou o russo Viktor Umsky, perdendo o tom confiante da voz.

Sem contar Drake, que estava desacordado e Ayska que não saia de seu lado, todos estavam ali, do lado de fora de Everdream, sentindo o vento gelado na pele e oprimidos pela escuridão. Alguns deles já estavam tensos com a partida dos três, mas agora, depois do grito, todos estavam agitados.

Luke percebeu tardiamente que Amel também não estava entre eles. Provavelmente estava se camuflando com sua capa preta por ai. Com seu jeito indiferente de agir.

-E eu nem consegui falar com ele – Resmungou Charlotte, com uma careta de tristeza – Eu estive tão perto de Charlie Flynt e nem consegui falar com ele. Eu vou encontrá-lo.

Viktor soltou uma gargalhada e Charlotte fez menção de tirar o lampião das mãos de Luke, mas ele o levantou para impedi-la.

-Calma, Charlotte – Ele pediu. Sua mente estava a mil, tentando decidir se entraria na floresta ou não. Não tinha nenhuma simpatia pelo ladrão e os outros dois. Mas ele não era tão frio assim.

-Você não pode estar mesmo cogitando isso, senhor – Disse Beijamin Lake, percebendo a expressão intensa no rosto de Luke.

A indignação ficou estampada no rosto de Charlotte. Ela abriu a boca para dizer alguma coisa mas voltou a fechar. Em vez disso, foi até Russel – O anarquista de dois metros – e arrancou o lampião das mãos dele.

-Eu estou indo – Ela disse, lançando um olhar de desaprovação aos outros.

-Não, não, não – Resmungou Edgar enquanto ela se afastava. Seu rosto era o mais assutado ali. E em seu cabelo preto já haviam alguns fios grisalhos – Isso é ruim.

O grupo já estava se desmanchando. E entre um bando de condenados, Luke sentia que precisava ser o mais consciente. Não podiam abandonar pessoas na floresta, e tinha certeza que Charlotte se perderia se fosse sozinha.

-Também estou indo – Decidiu Luke, não vendo muita opção enquanto Charlotte partia. Afinal de contas, duvidava que algum animal houvesse atacado, se fosse o caso, teriam ouvido mais gritos. Provavelmente algum deles havia se machucado; caído em um buraco ou algo assim. Era o melhor que podia esperar – Alguém mais? - Ele perguntou, já se virando para não perder Charlotte de vista.

Para a surpresa de Luke, Jeylee e Viktor o alcançaram enquanto ele andava tenso em direção a floresta.

-Preciso esticar as pernas – Disse Viktor, simplesmente. Jeylee só engoliu em seco.


O vento uivava e estalava os galhos secos na floresta de Everdream, as folhas rodopiavam de leve até o chão e o canto tímido dos pequenos riachos ressoava na mata escura. Os olhos curiosos que observavam em meio as árvores, as copas que farfalhavam com a brisa e as nuvens negras que cobriam a lua tornavam sombrio o caminho. Um caminho, um mundo, que nem o mais fértil sonho podia alcançar. E ali os condenados mergulhavam cada vez mais fundo no desconhecido.

 



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