História O Último Reino Antes do Fim - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Sakura Card Captors
Tags Aventura, Cardcaptor, Fantasia, Kero, Magia, Reino, Sakura Kinomoto
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Palavras 7.308
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Magia, Romance e Novela
Avisos: Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Escrito por: Cherry_hi

Capítulo 11 - Ato 11 - A Hime e o Conselheiro dissimulado


Por muito tempo, eles ficaram em silêncio. A Hime, tentando controlar as lágrimas, levou as mãos trêmulas até os cabelos e foi tirando todos os grampos que o prendiam rente a cabeça. Assim que a última mecha caiu sobre os ombros, ela retirou os óculos e o colocou em cima de mesa. Só então teve coragem de olhar em seu rosto. Viu surpresa, desconfiança, raiva e até admiração refletidos nos olhos azuis. Então ela levou a mão até a ferida, que latejava brevemente com o apertão que lhe dera.

- Você… disse que é… a Hime? - O tom de voz dele estava surpreendentemente calmo, embora hesitante.

- Sim.

- Então prove.

Ela arregalou os olhos enquanto o via cruzar os braços, muito sério.

- Como é que é?! - Ela perguntou, incrédula.

- Prove que você é a Hime!

- Como é que você pode pedir uma coisa dessas pra mim?!! - Ela retrucou, indignada.

- Qualquer um pode chegar e dizer que é a Hime-sama! Ainda mais se a pessoa for uma mentirosa com más intenções.

- Como você pode dizer uma coisa des-

- Pelos céus! - A voz dele ecoou duramente pela sala - Eu acabei de me declarar e beijar uma pessoa que não é quem diz ser, que pode ser a Hime ou um enviado de Phobos!! Estou confuso e preciso de provas!!! Entenda o meu lado!!

Ela calou os protestos que estavam vindo em seus lábios. Levou a mão até Sword e o fez se trasnformar na espada, apontando a arma diretamente para Kurōkami-senpai.

- Sendo tão bem informado você deve saber que Sword estava comigo em Taiyohama, quando eu lutei com Thunder e com os soldados de Phobos.

Mas Kurōkami-senpai não pareceu se impressionar com isso, continuando de braços cruzados e a Hime se irritou.

- Aquela garota do fundamental que você viu comigo é a Conselheira Glow… Flower e Watery também estão aqui, disfarçadas! - Ela puxou com violência a correntinha e mostrou a chave para ele - Eu tenho a chave Real, Kerberus está comigo!!

- As histórias de Taiyohama dizem que a Hime fez o círculo mágico aparecer. - Ele retrucou, rudemente - Faça o círculo aparecer e eu acreditarei!

A boca da Hime se fechou em uma linha fina e rígida para impedir que as palavras que queria dizer saíssem de seus lábios e fechou os olhos. Já estava tão boa em fazer Abstração que não demorou nem 10 segundos antes de sentir as rajadas de ar sacudirem seus cabelos e o poder explodir em seu peito. Segundos depois, reabriu os olhos, olhando diretamente para ele, sentindo a luz dos círculo mágico a seus pés se apagar lentamente e a ventania passar.

Por alguns instantes, ele continuou com os braços firmemente cruzados a frente do peito. Mas então ele desabou em uma cadeira, colocando as mãos no rosto. Foi tão repentino que a Hime até esqueceu-se que estava aborrecida com ele.

- Você está bem?

- Eu estou tentando processar o que está acontecendo - Ele falou, com a voz abafada. Abaixou as mãos e ficou olhando pra ela - Eu já sabia que você era especial, mas não imaginava o quanto.

A Hime, previsivelmente, corou.

- Por isso você veio falar comigo sobre ser impossível… - Ele deixou no ar, mas ela entendeu, afirmando lentamente com a cabeça.

- Lógico que a Hime-sama não iria se relacionar com um súdito…

- Não é isso!! - Ela quase gritou, angustiada - Lógico que não é isso! Eu…

Ela se interrompeu porque escutou um barulho. Rapidamente olhou e sentiu seu sangue gelar ao ver um par de olhos espiando por uma fresta da porta.

- EI! - Ela gritou, ao ver que a pessoa fugia. Imediatamente ela foi atrás. Viu um vulto correr muito rápido, dobrando a esquina do corredor e a Hime foi atrás. Mas quando também dobrou a esquina, viu que a pessoa tinha desaparecido. Contudo, ela havia reconhecido a figura baixinha e gordinha de Nara-chan.

- Quem era? - Kurōkami-senpai veio logo atrás.

- Nara-chan.

- Nara Hisano, da 221? - A Hime afirmou com a cabeça e ele franziu as sobrancelhas, preocupado - Ela é uma das garotas que… - Ele parou, parecendo hesitar.

- Você está desconfiado dela. Naoko-chan falou a você que ela e outros alunos alunos do Ginásio 2, assim como um professor e o diretor, estão se comportando estranho. - Ela podia sentir o assombro do rapaz sem mesmo olhá-lo. Explicou - Você não é o único que faz investigações. Pedi para Glow e Watery examinarem seu escritório depois daquela nossa conversa e descobrimos um bocado de coisas interessantes.

Ele ficou calado algum tempo e a Hime apertou o cabo de Sword, apreensiva. A arma vibrou em resposta, também preocupado.

- Não poderemos ficar muito tempo mais em Seitomura, Hime-sama. - A voz profunda do Conselheiro vibrou na sua alma.

- Eu sei. - Ela murmurou, triste.

- Disse alguma coisa? - Kurōkami-senpai perguntou.

- Não… apenas estava conversando com Sword. - Ela levantou a espada brevemente - Ele comentou que não… poderemos ficar muito tempo … na cidade…

Isso a lembrou de seu outro problema: ele. Ela levantou a cabeça para olhá-lo em seu rosto e viu dúvida, preocupação e afeição nos olhos dele. Seu coração parecia ter virado uma pedra de gelo, pesado e frio. Gostava dele tanto quanto ele parecia gostar dela. Mas não tinha jeito. Seus deveres e problemas influenciavam diretamente na vida de milhares de pessoas. Não via tempo nem espaço para romance. Seus olhos novamente se encheram de lágrimas.

- Por mais que eu queira ficar, por mais que eu queira… eu… não posso…

Ela viu a dor nos olhos dele e aquilo a levou no seu limite. Não podia olhar para ele, não podia enfrentá-lo… não agora. Então passou por ele e simplesmente fugiu.

A Hime nunca soube como conseguiu chegar em seu dormitório sem ser vista. Se deu conta apenas quando largou Sword no chão e desabou na cama, sentindo-se quase como se estivesse dopada. Quando Kero voltou de suas incursões atrás de comida e perguntou a ela se estava bem, ela balbuciou alguma desculpa boba. O mesmo aconteceu com Tomoyo mais tarde, mas a amiga não se deixaria enganar com tanta facilidade.

Antes que o céu estivesse completamente escuro, Glow, Watery e Flower estavam em seu dormitório, cercando-a e enchendo-a de perguntas. A Hime, cansada física e mentalmente, contou brevemente o que havia acontecido, sem mencionar o beijo. E todos chegaram a mesma conclusão que Sword chegara: precisavam ir embora da cidade.

- Mas… e Illusion?? - Perguntou Glow, ansiosa - A irmã mais velha de uma das minhas amigas me falou que alguém viu um fantasma na cafeteria do Colegial 1. Isso é coisa dele!

- Glow, nós todas já percorremos essa cidade de cabo a rabo e não vimos nem sinal dele. E agora essa menina, que está tendo um comportamento estranho, também já sabe da Hime. É arriscado ficarmos.

- Vamos ficar até domingo. - Falou de repente a Hime, com a voz cansada. Todos olharam para ela e fizeram menção de falar ao mesmo tempo, mas a Hime foi mais rápida - Não podemos deixar a cidade com todos esses mistérios nos cercando. Vamos tentar descobrir o máximo que pudermos e eu tentarei usar a “Localização” para rastrear qualquer ser mágico na cidade.

- Mas seu disfarce foi comprometido. - Argumentou Flower, preocupada.

- Eu ficarei no dormitório. Vou dizer que estou doente.

- Mas se aquela tal de Nara-chan lhe reconheceu, ela sabe onde você está. - Rebateu Watery.

- Vou ficar sempre com Sword a postos. Também tenho a flor de Flower.

- Mas…

- Eu já tomei minha decisão! - Ela falou com a voz dura e mais alta que pretendia - Agora, se me derem licença, vou tentar dormir.

Ela se virou para o lado, cobrindo-se com o lençol, em meio ao silêncio perplexo dos presentes.

Dormiu por algumas horas e acordou de madrugada, em meio a escuridão e ao silêncio da noite, interrompido de vez em quando pelos resmungos de Kero. Sentou-se na cama e abraçou os joelhos.Ainda estava com o uniforme escolar, embora alguém tenha tirado seus sapatos. Ainda sentia o coração pesado, mas estava um pouco melhor. Passou a mão pelos cabelos desgrenhados e subitamente lembrou que a peruca e o óculos ficaram na sala do Terceiro ano. Com certeza, Kurōkami-senpai teria guardado suas coisas, mas até que as conseguisse de volta, não poderia sair do quarto. Mas a verdade que não sentia vontade nenhuma de ir a qualquer lugar. Desde que acordara a beira do Abismo do Fim nunca se sentira tão cansada ou desmotivada como estava agora. Enterrou a cabeça entre as pernas e distraidamente pegou a correntinha e passou a mão pela chave real. Como seria sua vida se não fosse uma princesa? Se pudesse ser livre para estudar, se apaixonar e viver como uma pessoa comum? Possivelmente, nunca saberia...

Ela estava no telhado de um prédio, muito parecido com do Ginasial 2 mas, em vez de pedras escuras, o chão era de um material liso e cinza. Havia também estranhas grades de metal circundando a área em vez das muretas altas de pedra. A garota parecia ter uns 14 anos e vestia um excêntrico conjunto de roupas composta de uma saia branca curta e uma blusa preta, além de meias longas e sapatos lustrosos.

Ela caminhava de mãos dadas com um garoto de sua idade, mais alto que ela, de fartos cabelos castanhos e olhos da mesma cor, que não se desviavam de seu rosto. Ela também não conseguia desviar seus olhos dos dele, enquanto sentia um sorriso bobo brincar em seus lábios. Eles pararam na beira do telhado, olhando além das grades metálicas para o céu carmesim do fim do dia. Era um céu parecido com o do Reino das Cerejeiras, mas havia um grande disco dourado que quase tocava o horizonte cheio de prédios estranhos e retos…

Outra vez a neblina tomou conta do local, tornando branco o prédio, o céu, o rosto do garoto…

NÃO! Ela queria vê-lo!! Algo nele era maravilhosamente familiar e seguro e a expressão calma de seus olhos cor de âmbar fazia seu coração cantar. Ela queria sentir aquilo! Por isso, lutou contra a neblina, tentando forçá-la a sair de seu caminho, tentando clarear com sua força de vontade a paisagem. Queria ver aqueles olhos de novo, que nunca vira antes mas que, ao mesmo tempo, lhe eram tão queridos…

- Quando foi que você voltou? - Ela perguntou, com a voz longe.

- Há uns três dias.  - o rapaz respondeu. Sua voz era bonita, clara…

- E por que só hoje você resolveu aparecer? - Ela fez um biquinho, enquanto ele ria.

- Queria fazer uma surpresa, ué! Também estava ocupado com a mudança, terminei... onte… “Encontre-nos… encontre...nos…”

Não! NÃO!!! Ela lutou contras as vozes, lutou contra a neblina!! Ela queria ouvir aquele rapaz, estar com ele, olhá-lo, tocá-lo… ele era importante, ela sabia que era!!! Ela via as bocas abrirem e fecharem, enquanto falavam e riam, mas não escutava. Forçou-se até o limite, precisava ouví-lo, precisava…

- ...pois estava com muita saudades suas. - Ele dizia, suave, colocando a mão em seu rosto.

Ela sorriu, sentindo a bochecha esquentar tanto pelo calor da pele dele como pelo seu intenso rubor...

- Também senti muito a sua falta. Não te via há dois anos e cart...as... tel... fo… mas… não… sã...o… - Ela lutou. As palavras saiam entrecortadas pelo som da neblina se avolumando como uma ventania, que se revirava, torcia… - Mas… agora… est… mos… jun… “Encontre-nos… onde as almas… descan-”

“NÃO!!!” Ela queria gritar para a névoa violenta e intrometida. “Não quero encontrar vocês!!! Eu quero ele!!! ELE!!” Seu último suspiro de força foi o suficiente para vê-lo dizer três palavras, embora não as ouvisse.  Então ele se aproximou de seu rosto… fechou os olhos… até sentiu a leve pressão da boca dele na sua… antes de tudo se desfazer.

Estava novamente a beira do Abismo do Fim. Ventava mais do que nunca e seus cabelos pareciam chicotes ao redor de seu rosto. As duas figuras mal se distinguiam do outro lado do abismo.

“Lembre-se… O Espelho… onde… as Almas…”

No instante em que acordou, a Hime se deu conta pela primeira vez que aquela neblina e as vozes deliberadamente interferiam em seus sonhos.

Acordada pelos sinos da escola, continuou deitada, pensativa. Já Tomoyo se levantou, arrumou-se para as aulas, pegou seu material. Por fim, voltou-se para a Hime com um olhar preocupado:

- Você vai ficar bem?

- Vou sim, Tomoyo-chan. - a Hime tentou sorrir.

A morena suspirou.

- Estão perguntando por você. Nossos colegas e… ele…

A Hime sentiu o coração bater diferente no peito, mas não sabia dizer se era por excitação ou tristeza. E continuou calada. Tomoyo suspirou mais uma vez e saiu do dormitório sem dizer mais nada.

- Até entendo que deve ser muito entediante ficar no quarto o dia inteiro, mas não precisa fazer essa cara de tacho. - Kero falou, aproximando-se dela - Glow, Watery, Flower e Sword estão preocupados.

A Hime suspirou. Precisava pensar sobre o sonho, mas queria fazer isso sozinha. Portanto, entrou no jogo de Kero.

- Estou preocupada, Kero-chan… e talvez um pouco magoada.

- Por causa daquele pirralho, não é?

- Kero-chan, como você pode chamá-lo de pirralho? Você nunca viu ele!

- Tenho cento e poucos anos, não é? Então ele é um pirralho! - O guardião cruzou seus braços arrogantemente.

- Então eu também sou uma pirralha? - A Hime até sorriu um pouquinho.

- Você é diferente. Com ele… parece certo dizer isso… - O guardião parecia meio confuso. Então sacudiu a cabeça e mudou de assunto - De qualquer forma, você precisa se esforçar mais. Precisamos ir embora em dois dias e ainda não localizamos Illusion. Ficar pensando no moleque não vai te ajudar.

- Eu sei… mas não consigo evitar.

A Hime olhou distraidamente para a cópia de “Poder Real”, que estava ao lado da peruca preta e do par de óculos. No dia seguinte ao “incidente” com Kurōkami-senpai fora o primeiro em que ela faltara as aulas e Tomoyo voltara com um pacote contendo o livro e o disfarce, dizendo que o rapaz lhe mandara pois achava que ela precisaria disso. Aquilo lhe causou uma bizarra onda de tristeza e a fez derramar algumas lágrimas. Voltando a realidade, ela falou:

- Eu vou me esforçar bastante hoje, Kero. Juro que vou.

Kero vou até ela e, surpreendentemente, lhe deu um beijo na sua bochecha

- Nós odiamos vê-la assim, Hime-sama. E odiamos mais ainda ter que forçá-la a se recuperar. Só que não podemos ficar mais aqui e, ao mesmo tempo, temos que descobrir se de fato existe algum Conselheiro em Seitomura.

- Eu sei disso, Kero-chan.

- Glow, Watery e Flower têm se esforçado bastante para descobrir qualquer pista de Illusion, mas ele está se escondendo muito bem. Só você pode achá-lo, Hime-sama.

A Hime suspirou e apenas concordou com a cabeça. Quando o sinal para o início das aulas bateu, Kero disse que ia se esgueirar pelas cozinhas para encontrar algo para comer e a Hime ficou só. Pensou no sonho que tivera anteriormente naquele dia, franzindo a testa. Embora não se lembrasse quase nada do sonho, a não ser as figuras na névoa, ela sabia que havia algo mais… e que a neblina não deixava ela sonhar. Mas por quê??

Forçou-se a lembrar de algo que fosse remotamente significante. Então veio a sensação de elevo, muito parecida com a que sentia quando lembrava do beijo que Kurōkami-senpai lhe dera. Será que o sonho tinha algo a ver com ele?

- Algo… ou alguém… não quer que eu tenha esses sonhos… - Ela murmurou, brincando distraidamente com a chave - E eu sinto que algo muito importante… mas, ao mesmo tempo, não posso ficar pensando nessas coisas com tantos problemas para resolver.

Levou a mão até Sword e a transformou em espada. Às vezes fazia isso quando se sentia entediada ou muito desmotivada. Era bom ter alguém para conversar.

- Como eu poderei fazer isso, Sword? - Ela murmurou, apertando o cabo da arma.

- Acredito que você precise de uma motivação forte o suficiente, Hime-sama.

Imediatamente, seus pensamentos voaram para o rapaz de cabelos castanhos e rebeldes. Fechou os olhos e concentrou-se, usando a “Localização”. Logo enxergou na escuridão o ponto de luz que representava Kurōkami-senpai, na mesma sala de aula em que haviam se beijado. Embora estivesse mais distante, estivera praticando durante aqueles três dias, então seu raio de ação estava mais forte. E também era mais fácil com ele.

- Por que com ele é mais fácil, Hime-sama? - Sword perguntou em sua voz profunda, atento aos pensamentos da Hime.

- Porque meus pensamentos automaticamente se convergem pra ele… E então consigo visualizá-lo.

- Talvez o segredo seja esse: associar o sentimento a pessoa, que torna fácil localizar pessoas comuns. Você conseguiu fazer o mais difícil.

- Mas o problema é que não poderei localizar seres mágicos que nunca conheci.

- Na verdade, pode sim. Porque a magia tem uma presença própria. - Explicou o Conselheiro pacientemente - Tente fechar os olhos sentir a minha presença. É completamente diferente do seu amigo.

A Hime fez o que lhe foi pedido. À princípio, não sentiu nada. Então Sword vibrou e ela sentiu a magia ressonar na escuridão, como um raio de luz radiante. Não parecia muito diferente de como fazia com Kurōkami-senpai, mas não era um ponto de luz branca na escuridão: era colorido e mais intenso…

-Entendi… - A Hime falou, ainda de olhos fechados - Mas… Só vou poder localizar quando vocês estiverem utilizando seus poderes…

- Uma coisa de cada vez, Hime-sama. Aos poucos você vai se acostumando com a sensação e vai fazer inconscientemente. Por hora sentir quando estamos manifestando nossa magia já é um excelente começo.

Ela assentiu com a cabeça, embora não pudesse ter absoluta certeza que Sword veria seu movimento.

-Illusion será fácil de achar porque constantemente está usando seus poderes. - O Conselheiro explicou - Ele nunca está em sua forma original, que ninguém sabe qual é.

- E por que?

- Ninguém sabe exatamente. Porém, embora fácil de localizar, o problema será chegar até ele pois é muito rápido.

- A segunda parte da magia é o Rastreamento. Mas eu ainda não consegui fazer.

- Lembre-se, Hime-sama: um passo de cada vez.

- Certo… Bom… Então por essa sua lógica, Watery no momento está fácil de localizar. Ela está sempre disfarçada..

Sword apenas vibrou em concordância e a Hime voltou a fechar os olhos, concentrando-se. Procurou lembrar-se da personalidade radiante e irritadiça de Watery. Demorou algum tempo, mas enfim localizou-a em outra sala de aula, com sua aura azul brilhante claramente entediada iluminando a silhueta de outros alunos concentrados nas aulas.

-Se você treinar todo dia, ficará muito mais fácil. - Incentivou Sword

- Sim… - Ela murmurou, pensativa - Deixe-me tentar outra coisa…

Ela voltou a se concentrar. Pensou na figura doce e inocente de Glow. Logo sua figura brilhou na escuridão, em pé, na frente da classe, falando com os alunos…

- Glow virou representante de classe??? - Ela exclamou alto, sem querer, reabrindo os olhos - Ela sabe muito bem que vamos embora no domingo e se deixou levar pelas atividades curriculares… Ai, ai…

- Glow sempre gostou de aprender e é muito responsável. Me parece uma escolha lógica. - Se Sword fosse humano, a Hime teria certeza que ele teria dado com os ombros.

- Mas ainda assim… ah, deixa pra lá! O que importa é que também consigo localizar os Conselheiros que não estão usando magia também, desde que eu os conheça.

- Mas, como disse antes, Illusion será mais fácil de localizar. - Insistiu Sword

- Sim, sim, mas acho bom cobrir todas as frentes. - A Hime parou um tempo, com a mão livre no queixo, pensando - Illusion, pelo que vocês falam, gosta de pregar peças. Imagino que ele deva ter uma personalidade alegre e brincalhona, como Flower?

- Não. Ele faz mais o tipo sarcástico. E é extremamente inteligente. Embora goste de fazer brincadeiras, na verdade estou achando muito estranho esse comportamento dele.

- Você acha que ele… pode está agindo assim porque é… um espião de Phobos?

- Só poderemos saber quando conseguirmos localizá-lo.

Depois disso, o Conselheiro ficou em silêncio e a Hime voltou a fechar seus olhos. Pensou em Watery e voltou a vê-la na escuridão, com sua luz vibrante azul, que ondulava suavemente como as ondas em um lago. Então pensou em Illusion, a quem, por causa de sua amnésia, não conhecia, mas que lhe deveria ser de alguma forma familiar. Uma personalidade sarcástica, que gostava de brincar e era muito inteligente…

Então, lá longe na escuridão, apareceu um ponto brilhante. Foi tão rápido que ela até achou que havia sido um peça pregada pela sua mente… até ver de novo, dessa vez mais perto, do seu lado esquerdo.

- Eu estou sentindo alguém usar magia! - Ela anunciou, apertando o cabo da espada

- SIM, Hime-sama!!! - A vibração intensa de Sword manifestava sua excitação - É isso mesmo!!! Concentre-se em encontrá-lo!

Ela mergulhou ainda mais intensamente na escuridão, caçando aquele intenso foco de luz que parecia fugir dela. Ela o viu piscar mais a frente, acima dela, depois mais atrás, a direita… E então ela conseguiu manter o foco naquele ponto brilhante, que emitia uma luz dourada discreta, mas, ao mesmo tempo, viva.  A luz se moldou lentamente numa rosa em meio a uma plantação de tomates…

-Ele está na horta! - Ela exclamou, pulando da cama, com uma energia que não sentia a dias. Rapidamente, ela colocou o uniforme, a peruca e os óculos. Estava pra sair quando sentiu Sword vibrar a suas costas. Quase esquecera-se do fiel Conselheiro.

- Hime-sama, não acha melhor esperarmos os outros? Pode ser perigoso.

- Eu sei, mas não sei se conseguirei fazer isso de novo! Além disso, estou com você e me sinto muito segura.

Sword permaneceu imóvel por muito tempo em sua mão. Quando voltou a vibrar, era perceptível seu orgulho e emoção.

- Daria minha vida para protegê-la, Hime-sama.

A Hime sorriu para a arma, entes de tranformá-la em broche de novo.

- Eu sei… E obrigada.

Ela rabiscou um bilhete rápido para Kero e saiu a toda pelos corredores vazios dos dormitórios.

A Hime levou uns 15 minutos até chegar na horta do Colegial 2 (toda Escola tinha uma), indo direto para a plantação de tomates. Chegando lá, procurou entre as pequenas plantas pela roseira. Teve que procurar duas vezes para ter certeza que Illusion não estava ali. Suspirou, frustrada. Talvez Sword tivesse razão e tinha que ter esperado Kero para ir com ela…

Já havia dado dois passos pra ir embora quando parou. Havia sentido alguma coisa. Foi algo muito sutil, mas que fazia os pelos da nuca se arrepiarem. Voltou-se de novo para os tomateiros. Nada parecia fora do comum. Todos as plantas estavam bonitas, crescendo em suas hastes de sustentação, exibindo cachinhos de tomates verdes e vermelhos… Mas ainda assim… algo não estava certo…

- Tem... algo diferente aqui…

Ela fechou os olhos por um momento, concentrando-se. Procurou, de novo, aquela luz dourada de antes. Ele estava ali, ela sabia, mas estava se escondendo, minimizando a sua magia ao máximo…

Ela viu um brilho muito fraco, quase transparente, em um dos tomateiros, a sua esquerda. Tinha forma de…

Ela sorriu, abrindo os olhos. Caminhou tranquilamente até o pezinho de tomate que queria e se agachou. Pousado numa das folhas, havia uma borboleta de asas cor de rosa, tão bonita que não combinava de jeito nenhum com aquele lugar.

- Oi, Illusion. - A Borboleta estremeceu as asas ligeiramente, mas não fez nada - Acho que você já sabe que sou a Hime. Estou aqui em Seitomura com Watery, Glow e Flower, além de Sword - Ela mostrou o broche - e Kero-chan.

A borboleta continuou imóvel e a Hime suspirou.

- Provavelmente você não sabe, mas eu perdi a memória depois da confusão da Capital e estou aos poucos reunindo meus Conselheiros para poder pegar o trono de volta. - A borboleta nada fez e a Hime suspirou, se sentindo meio tola por estar naquela posição falando com uma planta. Ela abaixou ainda mais a voz - Eu… não sei o que você pensa de tudo isso. Não sei se você quer tomar partido de Phobos ou permanecer neutro. Eu não vou te obrigar a nada, mas gostaria de ter sua companhia e seu apoio. É… importante pra mim.

Ela se levantou, limpando as mãos que estiveram apoiadas no chão de terra.

- Ficarei na cidade até domingo. Se quiser ir com a gente, ficarei feliz… se não… espero que você fique bem…

A borboleta continuou pousada na mesma folha, embora suas asas estivessem estremecendo levemente. A Hime começou a fazer o caminho de volta para o seu quarto. Quando estava saindo da horta, ouviu um ruído atrás de si e achou que era Illusion, que havia mudado de ideia. Porém, antes que pudesse se virar, ela sentiu uma pancada muito forte na cabeça e foi ao chão. A última coisa que antes de desmaiar foi uma borboleta cor de rosa voar para longe...

- Quem foi chamar os outros?

- Nana-san.

- Espero que ela não demore.

- Está quase na hora da troca de aulas. Ela vai ter que esperar um pouco para não chamar muita atenção.

A Hime ouvia aquela troca de palavras, mas não entendia direito o que estava acontecendo. Estava tonta, com um lado da cabeça latejando terrivelmente e não conseguia se mexer.

- Por que não matamos ela agora? - Uma voz masculina perguntou, com um tom malicioso

- Precisamos dela para descobrirmos onde estão os outros traidores. Depois, ela morre. - Outra voz masculina respondeu mais madura e mais cruel.

Isso fez com que a Hime se esforçasse para abrir os olhos. Estava numa sala escura, cuja única fonte de luz parecia ser de uma janela pequena e suja a sua esquerda. Percebeu-se deitada no chão e viu quatro pares de pernas diante dela. Quando ela fez um movimento para olhar para cima, sua cabeça doeu ainda mais e ela gemeu, chamando a atenção de seus captores

- Hora, hora, a princesinha acordou! - A voz masculina de antes pertencia a um rapaz mais velho que ela, provavelmente um aluno da faculdade. Ele sorria cruelmente para ela.

Das pessoas ali, ela reconheceu Nara-san, a aluna do Colegial que estivera espiando-a no dia do beijo. Ela sorria maliciosamente para a Hime. O rapaz mais velho notou a troca de olhares

- Acho que você já conhece Hisano-chan. Depois que ela descobriu quem você era, ficou vigiando seu dormitório, esperando a oportunidade certa para pegá-la. - a Hime, engoliu em seco, nervosa - Já estávamos planejando invadir quando você convenientemente saiu. Sozinha. Muito gentil da sua parte.

- Já conseguimos o que queríamos, mas queremos saber onde estão Flower, Watery e Glow.

- O que… vocês queriam? - Então ela sentiu o coração gelar. - Não!! A Chave…

- SIm, isto aqui! - Com terror ela finalmente reconheceu o diretor da escola, que segurava a sua chave pela correntinha.

- De brinde, ainda levamos o traidor Sword. - Nara-san apontou para a blusa, onde Sword estava pendurado. Depois falou, debochada - Acho que ficou muito mais bonita em mim que em você!!

- Por que… por que estão fazendo isso???

- Porque Phobos é o Rei de direito!! - Uma outra menina, bem menor que Glow falou. Tinha um rosto muito meigo, mas a expressão fanática de seus olhos e a violência de sua voz não combinavam com ela - Você é só uma covarde preguiçosa que não liga para a gente!!!

- Não!! É lógico que ligo pra todos os meus súditos!

- Não somos seus súditos!! - Rebateu o diretor - Sem sua chave e seus Conselheiros, você não é nada!! Só uma garotinha mimada e indefesa.

- Onde você estava quando atacaram a Capital???!! - Nara-san perguntou, bruscamente - Quando nossos pais e amigos foram aprisionados por aquele muro?? Você fugiu, em vez de lutar.

- Eu fugi para lutar depois! Agora! - A Hime respndeu, trêmula, sentindo as lágrimas inundarem seu rosto.

- Ahhhh, tá chorando a coitadinha!!! - O garoto mais velho riu dela - É assim que pretende lutar? com suas lágrimas?!

- N-não!!!

- Primeiro achamos que Phobos era tão ruim como você. - A garotinha ia dizendo - Até ele nos mostrar a verdade.

- Como… assim? - a Hime perguntou, num fiapo de voz

- Ele nos mostrou como você é incompetente e relapsa, prometeu grandes coisas se a capturássemos… nos deu poder!!!

- … poder? - A Hime repetiu, trêmula.

Em resposta, o diretor foi até uma pequena mesa e a socou com força, fazendo a madeira se partir como se fosse papelão. A Hime pensou então no que Naoko dissera, sobre as pessoas voltarem completamente diferentes de suas cidades natais… e se aquelas pessoas… na verdade, forem espiões de Phobos, seres mágicos parecidos com outros humanos que foram trocados?? Alheios a esses pensamentos soturnos, os seus captores continuavam zombando dela...

- Imagine as recompensas que ganharemos quando entregarmos a sua cabeça numa bandeja a ele…

Os quatro riram como se alguém tivesse contado uma piada muito engraçada, fazendo o sangue da Hime gelar. Droga!!! Tentou se sentar, mas a cabeça doía muito e as mãos atadas atrás das costas não ajudavam em seu equilíbrio. Quando percebeu o que ela tentava fazer, Nara-san se aproximou e lhe deu um chute forte em suas costelas, fazendo-a se dobrar ao meio. Ela tossiu, sem ar, enquanto sentia uma dor aguda em seu torso.

- Fique quieta!!

Desesperada, ela pensava nas suas opções. Sem Sword ou a Chave (onde a rosa de Flower continuava enroscada), ela não tinha muito o que fazer, ainda mais eles sendo super fortes e possuindo algum outro poder que ela desconhecia, diferente dos soldados comuns de Phobos… Olhou ao redor, procurando qualquer coisa que a ajudasse. E então viu, pousada no peitoril da janela, pelo lado de fora… a borboleta de asas cor de rosa. Ali, parada, sem fazer nada… A Hime sentiu o gosto salgado das lágrimas que escorriam livremente pelo seu rosto. Ela precisava de ajuda…

- Por favor… - Ela mal mexia os lábios, com medo de ser ouvida e levar outro chute - Me ajude…

Ela sabia que ele não a escutaria, mas  seu desespero a fazia agir assim. Tentando se acalmar, ela começou a repetir o Mantra Real, tendo fechado os olhos...

- Zettai daijoubu dayo… Zettai... daijoubu dayo…

Ela se fechou na escuridão, tentando alcançar Illusion. A borboleta de luz logo foi encontrada, iluminando a janela com uma luz dourada contra as sombras escuras que eram seus captores… E então ela falou, em sua mente:

- Me ajude, Illusion… por favor…

- O que ela está fazendo? - Ela ouviu lá longe um deles perguntar, zombeteiro.

- É aquele mantra estúpido que existe em todos os marcos da cidade. - Respondeu a garotinha mais nova, com desprezo.

- Deixe ela rezar… não vai adiantar nada…

Mas ela não estava rezando…

- Por favor… Illusion!

- Espere… ela não pode rezar!! - Falou o diretor,alarmado

- Do que vai adiantar? Ela está sozinha. - Respondeu o rapaz universitário, rolando os olhos

-  Não… não! - A voz do diretor mostrava um toque de apreensão. - Ela não pode fazer esse mantra. É assim que ela consegue fortalecer e chamar os outros. Faça ela calar!!

Em segundo, Nara-san foi até a Hime e se abaixou, dando-lhe um tapa forte no rosto, forçando a moça a olhar para ela.

- Nada de ficar cantando. Nem tente fazer uma gracinha, senão você vai morrer mais depressa!!

Inesperadamente, todos ouviram o som de vidro estilhaçando, alto e claro e olharam espantados para a janela… que estava intacta. A Hime entendeu o que estava acontecendo e percebeu que era a sua oportunidade. Sem hesitar, ela deu um chutão nas pernas de Nara-san, fazendo-a berrar e se desequilibrar, caindo por cima dela. Sword encostou em seu braço e reagiu imediatamente, vibrando e assumindo sua forma real, numa das mãos amarradas da princesa. Vibrando, ele estimulou a Hime se levantar.

- Ora, sua... ! - A garotinha foi a primeira a se recuperar do susto, partindo para cima da Hime. Então aquela linda borboletinha entrou sabe-se lá como pela janela fechada e virou duas, três, quatro borboletinhas… em pouquíssimos instantes todo aquele pequeno aposento estava tomado de asas cor de rosa de milhares de borboletas, que batiam ao mesmo tempo num farfalhar alto e constante.

- O que está acontecendo??? - Perguntou, espantado o universitário, tentando agarrar as borboletas inutilmente.

A Hime ficou de pé, fechando os olhos para invocar a “Abstração” e fortalecer Sword e Illusion ao mesmo tempo. Seu círculo mágico apareceu e ela sentia a magia correr livremente dentro dela, enquanto fazia Sword virar um pequeno punhal para cortar as amarras de suas mãos e Illusion continuava a multiplicar aquelas borboletas. Quando se viu livre, ela correu entre aquela mixórdia de asas até o garoto que sabia que estava com sua chave. Quando o alcançou, ele também a havia visto e tentou gritar para os outros ajudarem-no mas, no meio daquela barulheira, era impossível de ser ouvido.

Sem hesitar, a Hime o atacou com sua espada na direção do seu braço que segurava a Chave, já esperando ver aquela fumaça preta que sempre saia de seres mágicos… mas, qual foi sua surpresa ao sentir um líquido viscoso e quente respingar na sua roupa e rosto, seguido de um terrível grito de dor. Seu choque foi tão grande que ela cancelou a abstração sem querer e os poderes de Illusion diminuíram a ponto de extinguir mais de um terço da horda de borboletas, permitindo ver o garoto agachado, sem a metade do braço, que jazia no chão, inerte, ainda segurando a Chave Real. Ele berrava de dor, agarrando com a mão boa o cotoco cortado perfeitamente numa linha diagonal, deixando a mostra osso, músculos e que pingava sangue abundantemente no chão…

- OLHA O QUE VOCÊ FEZ!!! - O garoto berrava, chorando, olhando-a com tanto ódio que ela estremeceu de medo - Você vai me pagar por isso!! VAI ME PAGAR!!

Ele se levantou num acesso de fúria e se jogou em cima dela. Se não fosse por Sword, vibrando e fazendo-a se desviar, teria sido esmagada contra a parede.

- SUA VADIA!!! - Gritou Nara-san, correndo em sua direção como um touro enfurecido. De novo, Sword mexeu o corpo da Hime contra a sua vontade e levantou seu braço na altura da cabeça da garota, que gritou. A Hime gritou também, enquanto mais sangue quente espirrava em todas as direções. A Hime viu, como se o tempo tivesse 10 vezes mais devagar, a cabeça de Nara-san descrever um arco gracioso no ar e virar-se para ela com a expressão de dor e choque fixada para sempre em seu rosto…

A cabeça caiu no chão antes do corpo, mas a Hime não viu porque Sword novamente guiou seu corpo para fora do aposento, forçando-a a correr, embora ela quase não sentisse suas pernas. Ela não sentia nada.

Mal percebeu que estava numa sala de aula vazia, que atravessaram corredores desertos, subiram escadas… a mente da Hime via apenas o momento em que a cabeça de Nara-san cortava o ar, a expressão de dor, de choque…

Sword a fez entrar por uma porta, que parecia ser um depósito.

- Tranque a porta, Hime-sama.

Ela não se mexeu.

- Tranque a maldita porta, AGORA!!!!

Trêmula, ela teve que tentar duas vezes até conseguir rodar a chave. Então desabou no chão, largando Sword com um estrépito metálico. Encolheu-se como uma bola contra uma estante trémula, fazendo esforço tremendo para não chorar, para não gritar…

Tapou a boca com as mãos quando escutou passos lá fora e alguém tentou abrir a porta. Sentiu o cheiro metálico de sangue na suas mãos e ficou enjoada. Se pudesse comer, teria, com certeza, vomitado. Sentia as lágrimas escorrerem pelas bochechas frias, o coração bater muito forte, falta de ar… Sword vibrava desesperadamente para que ela o segurasse e ela nem sentia…

Os sinos da escola bateram, anunciando a troca de aulas e os passos se afastaram, correndo. A Hime olhou paras as mãos sujas de sangue, as lágrimas que pingavam do seu rosto estavam vermelhas… Ela tentou limpar as mãos na roupa escura, limpar o rosto esfregando com força a pele, queria se livrar daquele sangue, daquela culpa… Matar seres mágicos sem alma era uma coisa… matar pessoas era outra completamente diferente.

Sword vibrou tanto que se arrastou no chão, fazendo um leve ruído metálico. A Hime olhou para a espada tingida de vermelho, respirou fundo várias vezes e, bem devagar, estendeu a mão trêmula para pegar a arma…

- Hime-sama… - A voz profunda de Sword mostrava preocupação.

- Por… q-que você fez… a-aquilo? - Ela mal abria a boca, mas sabia que ele entendia todo seu desespero.

- Na guerra, Hime-sama, temos que lutar pelo bem maior. Naquele instante, era meu dever, acima de tudo, protegê-la, mesmo que custasse vidas!

- Mas… ela… ela…

- Ela estava sendo controlada!!! - Sword respondeu, impaciente - Mesmo que fosse humana, aquele tipo de poder não pertence a ela! Já vi acontecer antes, infelizmente! Ela, aquelas pessoas… estavam sendo controladas!!!

- Por… p-por quem? - Ela perguntou, num fiapo de voz.

- Eu devia ter imaginado que ele ficaria do lado do usurpador! Sendo tão dúbio e rasteiro, não seria difícil convencê-lo a trocar de lado. Seria até fácil…

- Ele… quem? Illusion??!!

- Não… Shadow!! Não ficaria surpreso caso você não notasse, mas nenhum daqueles indivíduos possuíam sombras! Quando Shadow rouba as sombras das pessoas, ele controla suas mentes e corpos. Por isso estão com esse comportamento estranho. Provavelmente, no dia que aquelas garotas viram o “fantasma” na sala de artes, era apenas Shadow tentando roubar mais sombras para o seu pequeno exército!

- Mas… isso significa… que..,Nara-chan…!

- Não tínhamos outra escolha, Hime-sama! - Sword reforçou, impaciente - Ela mataria você, de um jeito ou de outro.

- Então… a borboleta... - Ela forçou seu cérebro embotado a raciocinar - Era…

- Não, a borboleta era Illusion, com certeza. Temos dois Conselheiros na cidade e nem percebemos! Só não me culpo mais porque são dois dos mais furtivos de todo o Conselho! Felizmente, parece que Illusion está no nosso lado.

Ela se esforçou para respirar fundo, absorvendo aquelas terríveis informações. Começou a repetir seu mantra baixinho, esforçando-se ao máximo para acalmar.

- Zettai daijoubu dayo… Zettai... daijoubu... dayo... - Repetia, tentando clarear a mente…

De novo, passos ecoaram pelo corredor. Ela se encolheu de medo, apertando o cabo de Sword com toda a força.

- Precisa se acalmar, Hime-sama. - O Conselheiro pediu, preocupado - Precisamos chamar alguém para nos ajudar.

Ela pensou imediatamente em Kurōkami-senpai. Seu lado racional sabia que ela precisava de alguém como Flower, Glow, Watery… até Tomoyo! Mas seu desespero a fez pensar nele e somente nele!

Ela fechou os olhos e quase automaticamente o viu brilhando na sua sala, conversando com um outro aluno enquanto esperava a troca de professores. Então, ela o chamou.

- Kurōkami-senpai… socorro…

Nada parecia ter acontecido. Ela mentalizou o rosto dele, mentalizou a voz, o cheiro… e fez com que sua voz angustiada viajasse invisível até ele de novo.

- Por favor… Kurōkami-senpai… me ajude…

Dessa vez, ela sentiu que ele escutara. Percebeu ele olhando para os lados, tentando identificar de onde a voz vinha.

- Eu… fui atacada… estou escondida… mas… preciso de ajuda… preciso de… você.

Viu a forma do rapaz se levantar e sentia que ele estava preocupado. Quase podia ouvir a voz dele perguntando…

“Onde você está?”

- Estou… num armário… num depósito...

- No terceiro andar! - Atalhou Sword

- Terceiro… andar… - Ela repetiu, esforçando-se. Não sabia se era por causa do choque ou porque havia usado muita magia, mas sentia-se fraca e que poderia desmaiar a qualquer minuto - Venha… agora…

Por um instante a conexão se desfez e ela abriu os olhos, enquanto escorregava ainda mais pelo chão frio.

- Fique firme, Hime-sama! - Suplicou o Conselheiro

- Eu… sei… - Ela tentou se apoiar no chão, fechando os olhos outra vez, pensando e procurando Kurōkami-senpai. Logo viu o viu pelos corredores, com sua luz branca iluminado brevemente portas de salas de aula. Então ele foi parado no corredor por uma pessoa…

- Kurōkami-senpai… - Ela gemeu, começando a ficar tonta.

Ele parecia estar tentando-se livrar da pessoa, mas o que quer que estivessem conversando, ela podia sentir a rispidez e a angústia que o consumia. Ela tentou identificar quem era, talvez um professor ou mesmo Okuma-chan. Pelo que podia ver através da luz difusa que o rapaz emitia, a pessoa era uma mulher, mais baixa que ele, que usava óculos. E Havia uma borboleta no seu ombro…

A Hime forçou sua magia mais um pouco, procurando ver se a borboleta era mesmo Illusion ou se aquilo era só uma bizarra coincidência. Mas, sem engano, ela sentiu a luz dourada irradiar da borboleta… e naquele momento ela soube como identificar a diferença entre um ser mágico e um mortal.

- Illusion… - ela tentou se comunicar com o Conselheiro… - Me ajude… depósito… terceiro… andar…

Ela deve ter desmaiado por alguns minutos porque, quando se deu conta, abrindo os olhos, viu uma criatura muito estranha do lado de dentro do depósito, abrindo a porta. Era baixinha, peluda, usando um colete dourado e calças vermelhas, de onde saia um longo rabo escuro. Ela piscou, aturdida e a criatura havia desaparecido e a porta estava aberta. Kurōkami-senpai escancarou-a e arregalou os olhos ao ver a Hime no chão, branca como uma folha de papel.

- Nakano! - ele correu para ela, erguendo-a levemente - O que… isso é sangue???!!!

- Sim… mas não é meu… eu…

- Precisamos tirar ela daqui. E rápido! - Uma segunda voz falou e a Hime ficou surpresa ao reconhecer Naoko-chan. Em seu ombro esquerdo estava pousada a borboleta de asas cor de rosa.

- E o que você sugere? - Perguntou o rapaz, ríspido, levantando a Hime nos braços.

- Eu cruzei com alguns deles no corredor. Devem estar procurando por ela. Não vão demorar para passar por aqui!

- Vamos para a enfermaria...

- Você não está entendendo!! - Foi a vez de Naoko-chan soar ríspida - Eles sabem que ela está aqui no prédio e vão procurar sala por sala até encontrá-la e sabe-se lá o que farão conosco se nos encontrarem. Precisamos sair desse prédio!

- A minha pergunta ainda está valendo: o que você sugere??!!

- Fundamental 3 ou Ginásio 1. Glow e Watery estão respectivamente nestes prédios e precisaremos de toda a ajuda possível.

- E como você espera que façamos isso sem sermos vistos? - Ele perguntou, nervoso. Ficou espantado quando Naoko sorriu, confiante.

- É aqui que entra meu amiguinho aqui! - Ela apontou para borboleta em seu ombro - Como ele, ninguém nos verá ou ouvirá.

- Não me diga que essa borboleta é um dos Conselheiros? - Ele perguntou, desconfiado

- É… Illusion… - A Hime respondeu, fraca

- Shhh. Fique quietinha, Nakano… ou melhor, Hime-sama.

- Não se preocupe, Hime-sama. - Naoko lhe assegurou, calmamente - Com ele do nosso lado, ninguém nos achará.

 


Notas Finais


Salve, pessoas lindas!

Apesar dos meus esforços, acabo sempre atrasando meus próprios cronogramas. O capítulo já deveria ter saído, mas por motivos de força maior (motivos = vida) acabei publicando só agora. Antes tarde do que nunca, né?

Esse capítulo, especialmente, está sem revisão pois a Yoruki Hiiragizawa está viajando. Quando ela voltar, o capítulo será revisado e eu repostarei aqui. Então espero que vocês tenham tido paciência com meus erros.

Quem estava sentindo falta da ação, nesse teve bastante e no próximo vai ter também, vou logo adiantando. Ficou mais gore do que estou acostumada a escrever, mas dificilmente passará disso.

Bom, sem mais blá blá blá, quero, como sempre, agradecer a todos que estão lendo a fic e em especial a todos que mandaram comentários: Elisde Luce (calma que uma hora tudo se explica... hehehehe) e AngelofDark129. Gente, qualquer crítica ou sugestão estou sempre pronta para ouvir.

Agora, uma surpresinha pra quem ficou até o final. Para compensar minha demora, estou colocando aqui o link para a minha página do deviantArt: https://cherrybabyhi.deviantart.com/gallery/63875809/O-Ultimo-Reino-Antes-do-Fim-Fanart

Estou desenhando aos poucos os personagens de O Último Reino antes do Fim. Até o momento da postagem deste capítulo, lá estão os desenhos da Flower, Watery e Glow como eu imagino como elas sejam quando não estão em suas formas de cartas. Aos pouquinhos, vou colocando os outros personagens. Espero que vocês gostem. :)

E é isso. Como o capítulo 12 está pronto já, podem esperá-lo para o dia 11 de setembro deste ano (um mês certinho).

Até lá.

Beijos

By Cherry_hi


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