História O Vigia - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias A Feia Mais Bela
Exibições 218
Palavras 5.136
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


SURPRESA! Ia postar só amanhã, mas como já estava pronto eu não resisti haha

Capítulo 11 - Ours


Fanfic / Fanfiction O Vigia - Capítulo 11 - Ours

“Seems like there's always someone who disapproves.
They'll judge it like they know about me and you
And the verdict comes from those with nothing else to do.
The jury's out, my choice is you.”

Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2015.

- Por que você esta fechando seus olhos? Eu não vou bater em você. – Falou Senhor Erasmo.

- Tem certeza? – Perguntei dando alguns passos para trás.

- Acredite vontade é o que não falta, mas no momento tudo o que eu quero é uma explicação. POR QUE DIABOS O SENHOR ESTAVA AOS BEIJOS COM A MINHA FILHA? – Perguntou aumentando novamente o tom de voz. Antes que eu tentasse responder Dona Julieta chegou assustada. Ela nos olhou com aquela cara de quem sabia exatamente o que havia acontecido.

- Por que vocês três não vão até o escritório para conversar? Temos vizitas. – Sugeriu aproximando-se do seu marido.

- Por mim tudo bem, vocês podem discutir onde quiserem. – Falou Omar acompanhado de Carolina a qual revirou os olhos após ouvir seu comentário. Todos o ignoraram e o senhor Erasmo me olhou nervoso fazendo sinal para que o acompanhasse. Letícia nos seguiu, mas ele a impediu.

- Você não. Primeiro quero conversar com ele a sós. – Após ouvir isso meu corpo gelou, sem Letícia naquela sala tinha grandes chances de que jamais saísse de lá, pelo menos não vivo. Subi aquelas escadas tremendo e tremi mais ainda quando Erasmo trancou a porta e se sentou na minha frente. Ele me encarou por um tempo e eu me senti naqueles filmes policiais quando culpado é pego e o fazem confessar o seu crime. – Deixe-me perguntar novamente, já que você ainda não teve a decência em me responder. Por que acabei de vê-lo aos beijos com a minha filha?

Era isso. Eu não poderia fugir mais, só se eu tivesse algum poder de teletransporte, mas como esse não era o caso minha única escolha era responder aquela pergunta, mas eu sabia que não havia nada que eu pudesse dizer que faria com que o senhor Erasmo não se chateasse ainda mais. Por isso resolvi falar a verdade.

- Porque eu gosto dela e estamos namorando. – Respondi rapidamente, enquanto alguns pingos de coragem percorriam o meu corpo. Erasmo me olhou incrédulo e se ajeitou na cadeira.

- Namorando? Quando isso aconteceu? Ou melhor, como isso aconteceu? Você acabou de se divorciar!

- Sim, eu sei. Depois que eu me divorciei eu e Letícia, ficamos bem próximos. – Falei omitindo a parte de que estávamos próximos antes mesmo disso.

- Próximos? Eu não pedi para você ficar próximo da minha filha, mas sim para vigia-la e evitar que se aproximasse do tal do John.

- Bom eu evitei...

- MAS SE APROVEITOU PARA FICAR COM ELA. – Gritou. – Se eu tivesse procurando um namorado para a minha filha eu teria a inscrito em um reality show e não contratado você. Isso é um absurdo. – Resmungou. – Você me traiu, traiu a minha confiança.

- Eu entendo que o senhor esta se sentindo magoado, mas eu posso explicar.

- Explicar? Não tem nada que você diga capaz de explicar isso. Tudo o que eu quero é que saia já da minha casa. – Ordenou. E aquilo fez com que o meu sangue fervesse, eu raramente perdia o controle, mas pensar em algo ou alguém tentando me afastar de Letícia fazia com que eu perdesse a razão. Eu prometi que lutaria por ela, que lutaria pela minha felicidade e é isso que eu iria fazer.

- Não.

- Como é que é?

- Eu não vou a lugar nenhum enquanto o senhor não me escutar. – Falei com a voz firme. Senhor Erasmo me olhou com fúria e a minha vontade real era de sair correndo.

- Como você se atreve em falar dessa forma?

- Eu sinto muito, mas as coisas não são como o senhor pensa e eu quero explicá-las.

Ele me olhou desconfiado e se ajeitou na cabeça.

- Tudo bem, você pode tentar.

Dei um leve sorriso, aquilo de certa forma já havia sido uma pequena vitoria.

- Como eu já disse, nós nos aproximamos desde o meu divorcio. Letícia é uma mulher incrível, ela é doce, engraçada e esta sempre vendo o melhor em todo mundo. É impossível não se encantar com ela e eu fui além disso, me apaixonei. Sei que o senhor vê isso como uma traição, mas acredite. Eu te entendo. Eu tenho uma filha e se acontecesse o mesmo com Carolina eu surtaria. Acredite, eu sei o que aconteceu com o ultimo namorado de Letícia, mas eu não sou ele e jamais irei fazer o que ele fez. Eu estou perdidamente apaixonado e o senhor pode tentar nos afastar, mas não vai conseguir mudar o que eu sinto.

Erasmo ficou em silêncio por um tempo sem me olhar, ele parecia achar que encarar o chão era mais interessante no momento.

- E ela sente o mesmo por você? – Perguntou por fim.

- Eu espero que sim. – Respondi sincero.

- Ainda estou um pouco desconfortável com relação a esse relacionamento e eu juro que se você fizer algum mal a minha filha eu te mato. – Avisou. – Mas eu concordo com você. Não posso mudar o sentimento de outras pessoas, então se você quer namora-la e por alguma razão inexplicável ela também quer. Eu aprovo o relacionamento de vocês.

- É serio? – Perguntei vitorioso. É claro que nossa conversa não havia sido fácil, mas pensei que seria mais difícil ainda e que eu teria que optar por pedidos mais dramáticos e inclusive em me ajoelhar.

- Sim, mas se eu fosse você não ficaria fazendo muitas perguntas por que pode me fazer desistir e comporte-se, porque se você aprontar qualquer coisa com a minha filha eu juro que...

- Vai me matar, eu sei. Não se preocupe, eu nunca irei machucá-la. Prometo.

Senhor Erasmo me lançou um olhar desconfiado e depois assentiu.

- Sendo assim, bem-vindo a família. – Falou estendendo sua mão. A qual eu é claro fui orgulhosamente apertar.

...

Sábado, 26 de Dezembro de 2015.

Acredite, eu não fui o único a ficar surpreso com a rápida aceitação do senhor Erasmo. Quando descemos aquelas escadas conversando normalmente todos os quatro nos olharam com espanto e depois comemoraram ao ouvir que realmente estava tudo bem. Depois de tudo tivemos uma ótima noite a qual sem duvida nenhuma entraria para a lista dos melhores natais que eu já passei.

Ter a aprovação do senhor Erasmo não significava que agora eu tinha total liberdade em demonstrar meu carinho por Letícia, muito pelo contrario, sempre que ele considerava que estávamos próximos demais podíamos ouvi-lo raspar a garganta.

- E então o que você acha? – Perguntou Letícia referindo-se ao seu vestido, o qual ela já havia trocado pela terceira boa.

- Ficou ótimo, assim como os anteriores.

- Por favor, Fernando! Tenha uma opinião mais concreta, qual você prefere?

- Eu prefiro que você não se preocupe com isso. Essa já vai ser a quarta vez que você vê os meus pais, já se conhecem muito bem.

- Mas hoje é diferente e você sabe exatamente o porque. Eu quero causar boa impressão, especialmente para a sua mãe.

- Por que especialmente para a minha mãe? – Perguntei aproximando-me.

- Nada. – Respondeu Letícia.

- Não minta para mim, eu sei que tem algo. – Insisti. Letícia suspirou em rendição.

- Nos conversamos sobre a Márcia e acredite ela odeia aquela mulher, pior ainda, aparentemente ela nunca gostou dela. Eu não quero ser a mulher que a minha sogra fala mal para as amigas.

- Para começar, você não é a Márcia. E não existe absolutamente nada que a minha mãe não vá gostar em você. – Respondi beijando-a. Letícia deu um sorriso frouxo. – Eu enfrentei o seu pai, vai ser fácil para você enfrentar a minha mãe.

- Assim espero.

- Agora vamos logo porque se tem uma coisa que ela odeia são atrasos.

- Tudo bem. – Falou Letícia apresando-se em colocar os sapatos. – Espera ai, ela nem sabe que estamos indo.

...

Carolina foi com a gente, ela havia prometido aos meus pais que passaria o final de semana com eles. Fazendo o que eu não tinha ideia. Provavelmente a encheriam que presentes e a exibiriam para todos os amigos. Como fomos logo pela manhã minha mãe nos obrigou a ficar para o almoço. Diferente das outras vezes Letícia não parecia confortável e durante todo o almoço permaneceu em silêncio.

Após o almoço nos sentamos na sala e Carolina subiu para o quarto onde ela ficaria para deixar suas coisas.

- Agora que você se formou Letícia, o que pretende fazer? – Perguntou minha mãe.

- Bom, no momento eu estou de férias. Mas em breve começarei a procurar por alguns trabalhos. Têm um comercial que eu falei sobre ele com Fernando, vamos grava-lo no próximo mês.

- Isso é ótimo. – Disse meu pai. – Vou sempre me lembrar de você quando nossos clientes precisarem de uma mulher bonita e talentosa para as propagandas.

- Eu ficaria extremamente agradecida. – Respondeu Letícia.

- O que você vai fazer no ano novo Fernando? Seu pai e eu estávamos planejando uma festa aqui em casa.

- Ainda não sei, tenho que ver com a minha namorada. – Meus pais me olharam espantados.

- Namorada? – Perguntou ele.

- Sim.

- Não sabia que estava namorando! Por que não a trouxe? – Questionou minha mãe. Olhei para Letícia e só então notei o quanto seu rosto estava vermelho, esperava que fosse de vergonha e não de raiva.

- Na verdade eu a trouxe. – Respondi e os dois pareceram confusos.

- Mas... – Começou meu pai, mas quando me viu segurar a mão de Letícia ele sorriu divertido. – Oh, sim entendi.

- Fernando isso é maravilhoso! Letícia é incrível, você escolheu muito bem, pelo menos dessa vez. – Falou minha mãe, vindo em nossa direção. – Levante-se quero abraça-la. – Pediu a Letícia a qual rapidamente o fez. As duas permaneceram em um longo abraço enquanto minha sussurrava algumas coisas no ouvido dela, as quais mesmo tentando infelizmente eu não fui capaz de compreender.

Passamos à tarde lá, meus pais se juntaram para contar todas às historias constrangedoras da minha infância e adolescência e Letícia se divertia em ouvi-las. Depois foi a vez dos álbuns de fotos e é claro que cada foto também vinha acompanhada de um caso. Eu estava sobrando naquela sala, parecia que eu não havia acabado de apresentar minha namorada para eles, mas sim os trago outra filha.

Chegamos a sua casa depois das 20h e é claro que o Senhor Erasmo reclamou que havíamos demorado demais e que da próxima vez marcaria um horário. Julieta discordou dizendo que Letícia já era uma mulher adulta e por isso podia ficar fora pelo tempo que quisesse. Eu não dizia nada, assim como Letícia apenas concordava com os dois. Após o jantar fui para minha casa, estava sem sono por isso passei boa parte da madrugada conversando com Letícia por mensagem e assistindo televisão com o Forrest.

Naquela manhã, antes de ir até os meus pais eu havia me demitido definitivamente, Leo tentou insistir para que eu ficasse, mas eu não podia, pois já tinha outros planos, os quais pretendia colocar em pratica na manhã seguinte.

...

Domingo, 27 de Dezembro de 2015.

Mesmo eu dizendo que não era necessário, Senhor Erasmo insistiu em me pagar e Letícia praticamente me obrigou a pegar o dinheiro.

Omar tinha um pequeno imóvel comercial que ele havia comprado com o dinheiro do seu antigo trabalho como traficante, ele o alugou para mim por um preço baixíssimo, alegando que aquela seria a renda que ele teria para colocar gasolina no carro. Meu pai me deu uma grande quantia em dinheiro dizendo que era uma soma do fundo de garantia do tempo de serviço, férias vencidas, 13º salário, presente de natal e de aniversario adiantado. Ele e minha mãe me pediram para não questionar e foi isso que eu fiz.

Letícia andou comigo por toda a cidade pesquisando preços de tudo o que eu iria precisar no restaurante, desde a tina para pintar as paredes, aos talheres e a maquina de passar cartão. Juntando tudo o que eu havia ganhado e as minhas economias eu conseguiria cobrir todos os gastos e agora vinha o mais difícil: Contratar funcionários.

...

Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2015.

- Deixa que eu arrumo isso para você. – Falou Letícia referindo-se a minha gravata. Minhas mãos tremiam o que tornava impossível ajeita-la.

- Estou nervoso. – Expliquei.

- Não deveria. Afinal é você quem esta contratando e não quem esta sendo contratado. – Falou ela enquanto dava os retoques finais. – Pronto. Espero que pareçam vários homens simpáticos e competentes para essa entrevista.

- E mulheres.

- Ainda prefiro que você contrate vários homens. – Insistiu. A abracei por trás e beijei seu pescoço.

- Sabe muito bem que jamais contrataria ninguém que você não aprovasse, por isso quero que esteja comigo.

- Já que insisti. – Respondeu ela puxando-me para um beijo. – Mas você vai aceitar todas as minhas opiniões, certo?

- Se não forem muito absurdas eu vou sim.

- O que você quer dizer com absurdas?

- Nada, vamos logo se não os candidatos chegam antes da gente. – Falei pegando minha carteira e as chaves do carro. Após ter vendido o meu, estava usando um do meu pai, que provavelmente não seria mais devolvido.

- Tudo bem, mas você vai me explicar isso. – Insistiu Letícia.

...

- Aqui diz que você já trabalhou em um restaurante antes. – Falei para o primeiro candidato, era um homem baixo que sempre ria após dizer algo.

- Mais ou menos. – Respondeu rindo.

- Como assim mais ou menos? – Questionou Letícia. Ela definitivamente não havia gostado dele.

- Muita gente ia almoçar na casa da minha avó e eu sempre servia. – Explicou. O que fez Letícia bufar e rapidamente riscar o seu nome.

A próxima foi uma jovem pálida de cabelos pretos que parecia estar fazendo cosplay da Vandinha da família Addams, seu nome era Morgana.

- Qual a sua experiência com restaurantes? – Perguntei.

- Nenhuma. Mas eu sou muito boa com a memória então te pouparia de gastar papel e caneta para anotar os pedidos. – Respondeu Morgana pausadamente com sua voz rouca e baixa. – Eu também sou boa com números estou fazendo contabilidade então você poderia me colocar no caixa.

Olhei para Letícia a qual para minha surpresa pareceu ter se simpatizado com a garota a ponto de circular o seu nome e não risca-lo.

- Entraremos em contrato. – Falou ela estendendo a mão para Morgana. Morgana a encarou por um tempo, mas correspondeu.

- Obrigada. – Sussurrou deixando a sala.

- É sério? – Perguntei.

- Ela faz o seu tipo? – Questionou Letícia.

- NÃO! – Neguei rapidamente.

- Então pode contrata-la se não encontrarmos nada melhor.

...

Eu precisava de no mínimo três funcionários, mas após quatro horas de entrevista a melhor havia sido Morgana. Passaram por aquela sala uma garota vestida de Líder de torcida que queria dinheiro para comprar um iPhone, um homem que usava um tapa olho porque era fã de piratas, uma mulher que havia sido demitida do restaurante anterior onde trabalhou por sempre deixar cabelo cair na comida, um ex-ator pornô e um ex-padre que deixou de acreditar em Deus.

- Estou ferrado. – Falei ao olhar para todos aqueles nomes riscados na lista.

- Não se preocupe. – Disse Letícia. – Ainda faltam três e apenas dois deles precisam ser contratáveis. – Completou em meio a uma tentativa falha de me tranquilizar.

Finalmente parecia que um pouco de sorte havia chegado para mim, o próximo candidato era um simpático rapaz tatuado que tinha sido indicado por Leo, seu nome era Rodrigo. Ele já havia trabalhado em vários restaurantes em outras cidades, das quais ele teve que mudar por causa do trabalho de sua esposa, ela era medica e constantemente a transferiam, mas agora que os dois tinham uma filha seus superiores prometeram que a manteriam naquela cidade pelo menos por mais cinco anos. Eu e Letícia não pensamos duas vezes e nem dizemos que ligaríamos para ele mais tarde, já deixamos claro que ele estava contratado e que em menos de duas semanas o restaurante abriria e que ele começaria a trabalhar.

O penúltimo candidato não apareceu e eu já estava conformado de que teria que colocar Carolina no caixa até que arrumasse alguém decente. Depois de dez minutos de espera o ultimo candidato finalmente chegou e eu tive que piscar várias vezes para ter certeza do que eu estava vendo. Era Omar.

- O que você esta fazendo aqui? – Perguntamos ao mesmo tempo.

- Vim me candidatar para uma das vagas de garçom. – Falou.

- Você esta brincando, não é? – Questionei.

- Não, eu realmente quero esse emprego.

- Mas Omar... – Começou Letícia sendo interrompida por ele.

- Por favor, vocês me conhecem tão bem, não podem me negar.

- O motivo de te conhecermos é exatamente o porquê de não querermos contrata-lo.

- Tudo bem, eu sei que eu já fiz algumas coisas erradas, mas você melhor do que ninguém sabe o quanto eu mudei. Eu preciso desse emprego para completar essa mudança. Quero ter o meu dinheiro para sair da minha casa e levar a minha mãe junto. Meu pai esta cada dia mais estranho e é impossível conviver com ele. Eu a ouço chorar todas as noites e me sinto impotente por não poder fazer nada.

Apesar de saber o quanto Omar era louco e irresponsável eu estava tocado com a história dele, definitivamente não poderia nega-lo aquilo.

- Ok. – Respondi olhando para Letícia a qual assentiu dando um sorriso frouxo. – Você esta contratado, mas se fizer qualquer coisa de errado eu te demito tudo bem? Nos temos regras, horários e você precisa cumprir todos.

-Entendido chefe! – Respondeu ele animando enquanto me puxava para um desajeitado abraço.

...

Terça-feira, 29 de Dezembro de 2015.

Era oficial, Rodrigo ficaria na cozinha comigo, Morgana e Omar atenderiam aos clientes e até o momento como eu ainda não tinha dinheiro suficiente para contratar alguém para recepção e caixa, Letícia e Carolina haviam se oferecido para essa função.

Meus pais contrataram uma decoradora profissional para arrumar o restaurante e o meu e-mail apitava o tempo todo com suas perguntas e fotos sobre o que eu preferia. Estava grato por isso, porque assim eu tinha mais tempo de relaxar de todo esse estresse e aproveitar todas as horas com Letícia, mesmo senhor Erasmo insistindo de que estávamos grudados demais. Eu não me importava, era como se mesmo que eu passasse uma eternidade com ela, aquilo não fosse o suficiente.

Passamos a tarde assistindo filmes e conversando, estava chovendo e ficamos deitados abraçados em meu sofá em baixo dos cobertores.

- Podemos sair amanha para jantar? – Pediu ela. – Meus pais passaram o dia com a vovó Isabela.

- Claro! Mas você não quer ir? – Perguntei.

- Não, você sabe que eu passei lá ontem pela manhã.

- Tudo bem, onde quer que eu te leve? – Perguntei acariciando seus cabelos.

- Não sei, quero que me surpreenda.

- Tentarei. – Respondi, já pensando em algo para o dia seguinte.

...

Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2015.

Eu era horrível com surpresas, pelo simples fato de que não estava acostumado em fazê-las. Márcia odiava surpresas e eu nunca tive vontade de prepará-la uma. Passei a noite em claro pensando no que poderia fazer, mas por sorte meu pai me ligou trazendo mesmo sem querer uma solução e eu acabei optando por algo simples, porém romântico.

Combinei que a pegaria ás 20h, assim que terminei de ajeitar tudo corri para a minha casa, tomei um banho e me arrumei. Já se passava das 20h15, odeio me atrasar e sabia que Letícia também odiava quando eu me atrasava.

- Está atrasado. – Gritou ela antes mesmo de abrir a porta.

- Me desculpe, não foi a minha intenção. – Respondi ao ouvir a porta ser destrancada.

- Eu o perdoou porque você esta lindíssimo. – Falou puxando-me para um beijo.

- Obrigado. – Respondi. – Você também não esta nada mal. – Completei olhando-a de cima a baixo. – Letícia estava maravilhosa com um vestido preto acima dos joelhos o qual tinha um pequeno, mas extremamente sexy decote. – Vamos? – Chamei oferecendo o meu braço. Caminhamos até o carro e seguimos em direção ao local onde estava a minha surpresa, assim que chegamos Letícia me olhou curiosa.

- O que estamos fazendo aqui? Até onde eu sei a inauguração desse restaurante é só daqui duas semanas. – Falou.

- Sim eu sei, mas eu sou um amigo intimo dele e o convenci de abri-lo para nós.

- Mas eu acho que ainda não está pronto para receber clientes, pelo menos da ultima vez que eu fui ainda não se tinha nem mesas.

- Acredite. As coisas por aqui mudaram muito de um dia para o outro. – Respondi. Abrindo o restaurante. Assim que Letícia entrou ficou boquiaberta. Já estava tudo pronto. Absolutamente tudo.

- C... Como, eu não entendo. – Falou.

- Para dizer a verdade eu também não. Ontem depois que você foi embora meu pai me ligou dizendo que o restaurante estava pronto, no inicio não consegui acreditar, mas quando vim com ele até aqui pela manhã tive a mesma reação que a sua. Ele provavelmente não contratou um cara mais sim um batalhão, parece até mesmo aquelas reformas de 48h que assistimos em alguns programas de TV. – Letícia riu com o meu comentário e me abraçou.

- Está incrível. E você merece muito! – Falou puxando-me para um beijo.

- Obrigado! – Respondi acariciando seus ombros. – Agora eu quero que a senhorita se sente naquela mesa ultrarromântica iluminada por velas que eu vou até a cozinha terminar o nosso jantar.

- Não precisa de ajuda? – Perguntou.

- Não, está praticamente pronto.

Realmente estava e esse era o motivo de eu ter atrasado tanto, em menos de 10 minutos eu já estava nos servindo.

- Esta incrível. – Falou Letícia após a sua primeira garfada.

- Fico feliz. – Respondi beijando sua mão.

- Você deveria contratar alguém para cantar aqui no dia da inauguração. – Sugeriu.

- Você poderia cantar.

- De jeito nenhum.

- Por que não? – Perguntei. – Você é ótima.

- Mas eu tenho vergonha... Além do mais já combinamos de que eu irei ficar na recepção. Você não pode colocar a Morgana porque é mais provável que ela espante os clientes.

- Quanto a isso não se preocupe, posso arrumar outra pessoa. E não vem com essa de timidez, porque você é atriz, não pode ser tímida.

- Cantar é totalmente diferente de atuar.

- E se um dia você tiver que fazer um musical? – Questionei o que a deixou sem resposta. – Eu vou colocar um microfone e um violão ali. – Falei apontando para um pequeno palco. – Então se por acaso você se sentir confortável, basta sentar lá e presentear os meus clientes com sua doce voz. Combinado?

- Combinado. – Respondeu sorrindo.

O jantar seguiu incrível assim como todos os outros. Letícia se divertia contando a mim algumas histórias repetidas às quais eu não me importava de ouvir novamente porque eu amava a forma animada como ela as narrava.

- Eu já disse o quanto você esta lindo hoje? – Perguntou mexendo em meu cabelo.

- Sim, mas se quiser pode dizer novamente.

Ela sorriu e me beijou. Um beijo demorado e apaixonado, ela passou levemente suas unhas na pequena parte do meu pescoço que não havia sido tampada pela gola da minha camisa e os meus pelos rapidamente se arrepiaram em protesto. Letícia se levantou e sentou-se em meu colo. Segurei em sua cintura e voltei a beija-la. Porém logo interrompi ao notar que já estava “animado”.

- Deveríamos parar. – Falei segurando seu rosto.

- Não. – Respondeu ela me beijando novamente. – Eu quero isso. 

- Mas você... – Comecei, mas ela me interrompeu.

- O motivo pelo qual eu não fiquei com o John não foi porque eu estava me guardando para o casamento ou algo do tipo, mas sim porque eu sabia que ele não era o cara certo. Mas você é.

Olhei para Letícia e fiquei me questionando do que havia feito para merecê-la, ao contrario dela eu não tinha certeza de que eu era o cara certo, mas sabia que eu faria até mesmo o impossível para ser.

- Eu te amo. – Falei. E ela me olhou surpresa. – Talvez seja cedo demais para dizer isso, mas...

- Cedo demais? – Disse ela interrompendo-me. – Eu venho esperando que você diga isso a uma eternidade, tentei jogar até umas indiretas perguntando quais eram os esportes, filmes e comidas que você amava... – Falou, mas dessa vez foi a minha vez de interrompê-la com um beijo devorador, nos separamos por falta de ar. – Eu também te amo. – Respondeu em meio a um sorriso dócil. Letícia deslizou suas mãos e começou a abrir minha camisa enquanto beijava meu pescoço.

- Não podemos fazer isso aqui. – Falei ofegante.

- Por que não? – Questionou ela ainda beijando o meu pescoço.

- Em primeiro lugar nos não temos uma cama. – Expliquei enquanto a vi tirar minha gravata e jogá-la em um canto.

- E quem disse que isso precisa ser feito na cama?

- Bom, é definitivamente mais confortável.

- Quantos anos você tem? 70? – Perguntou enquanto terminava de desabotoar os botões da minha camisa.

- A metade disso. – Brinquei. – É a sua primeira vez e precisa ser especial.

- Vai ser com você, então já é especial. – Respondeu segurando em meu rosto. – Além disso, eu não trouxe um lençol e uma lingerie extra sem motivo.

- Você trouxe o que? – Perguntei espantado.

- Eu estou planejando isso há um tempo e não queria que acontecesse na sua casa com os meus pais do lado.

- E onde você pensou que faríamos isso?

- No carro, por isso eu trouxe o lençol.

- Meu Deus! Você é tão romântica.

- Não é isso, é que lá parecia o lugar mais fácil de te agarrar.

- Me agarrar?

- Sim, eu amo você Fernando, mas você é muito lento. – Falou e eu a olhei indignado o que a fez rir.

- Eu não sou lento, eu sou respeitoso o que é completamente diferente.

- Bem eu não quero que você me respeite mais, pelo menos não nesse caso. – Pediu. – Agora vamos parar de falar antes que isso estrague o clima. – Pediu beijando-me novamente. Apesar de Letícia parecer não se importar com isso, eu faria de tudo para que aquela noite fosse especial. Segurei em sua cintura e a puxei para mais perto de mim, suspirei ao sentir nossos corpos tão colados.

- Onde quer que eu coloque o lençol? – Perguntei e Letícia sorriu maliciosa.

- Eu acho que o palco é uma boa opção. Você quer que eu o estreie de toda forma.

Letícia me entregou o lençol e fomos em direção ao palco eu o forrei e coloquei as vê-las próximas a ele. Quando tudo estava pronto voltei a beija-la. Letícia correspondia aos meus beijos com um pouco de pressa e com essa mesma pressa ela tirou minha camisa.

- Finalmente. – Falou. – Tem quase uma hora que estou tentando te livrar dessa camisa. – Respondeu colocando suas pequenas mãos em meu abdômen. Letícia não parecia ter ideia do que um simples toque dela era capaz de me causar.

- Agora é a minha vez. – Falei puxando a alça de seu vestido. Como ele era colado acabou não deslizando com a facilidade que eu pensei que faria. Por isso eu mesmo tive que puxa-lo letamente, revelando uma sexy lingerie preta. – Ual! – Falei.

- Gostou? Esse é o outro presente de natal que eu disse que havia comprado para você.

- É ainda melhor do que os livros do Stephen King. – Respondi segurando em sua cintura após olha-la de cima abaixo. Beijei seu pescoço e logo em seguida senti suas mãos desabotoarem o cinto de minha calça. Meu corpo todo se acendeu ao vê-la jogar o meu cinto e acerta-lo em cima de uma das mesas. Letícia estava ainda mais linda sob a fraca iluminação daquelas velas. Deslizei minha mão por suas costas e desabotoei seu sutiã, eu havia adorado vê-la naquela lingerie transparente, mas tinha certeza que iria adorar ainda mais vê-la sem ela. Assim que me livrei de seu sutiã notei que seu rosto estava vermelho. – Você não precisa ter vergonha de mim. – Sussurrei em seu ouvido mordiscando sua orelha em seguida. – Você é linda.

Letícia me olhou com ternura e voltou a me beijar, levantei-a e fiz com que ela entrelaçasse suas pernas em meu quadril, após isso a deitei delicadamente sobre aquele lençol. Livrei-me de minha calça e acariciei uma de suas pernas ela as suspendeu e eu coloquei ainda mais os nossos corpos que estavam apenas cobertos por nossas peças intimas. Letícia assim como eu já estava muito ofegante, beijei o seu pescoço e logo em seguida transferi os beijos para o seu colo, pude ouvi-la suspirar em contentamento e sorri. Passei as mãos por todo o seu corpo e mesmo estando escuro podia notar que seus pelos se arrepiaram.

- Fernando... Por favor. – Pediu. Apenas assenti, também não aguentava mais. Livrei-me de minha ultima peça e coloquei o preservativo, Letícia estava um pouco tensa e olhava para o teto, assim que terminei deitei-me por cima dela novamente.

- Pronta? – Perguntei e ela apenas concordou timidamente. Puxei sua a peça que faltava e me introduzi letamente. Letícia suspirou pesadamente e eu a beijei na tentativa de tranquiliza-la. – Tudo bem?

- Sim. – Respondeu com um fio de voz. Mesmo ela afirmando que estava tudo bem eu esperei um pouco antes de começar os movimentos o quais inicialmente foram extremamente lentos para que ela se acostumasse, mas no momento em que senti suas unhas arranharem minhas costas não consegui mais me controlar. A cada gemido que Letícia fazia questão de soltar em meu ouvido, eu enlouquecia. Letícia estava me proporcionando sensações as quais eu desconhecia, era a primeira vez dela, mas eu sentia como se fosse a minha também, porque assim como ela eu estava descobrindo coisas novas. Letícia soltou um suspiro final e logo em seguida foi a minha vez, sentia-me cansado, mas ao mesmo tempo realizado. Joguei-me para o lado e a abracei.

- Foi incrível. – Disse beijando-me. – Quer dizer, pelo menos você foi.

- Você definitivamente foi também. – Respondi beijando seus ombros. Ela riu por sentir cócegas.

- Eles já ligaram a água daqui? – Perguntou.

- Claro, se não eu não teria feito o jantar.

- Então o chuveiro esta funcionando? Eu quero um banho.

- Sim esta. – Respondi. E Letícia se levantou vestindo-se com minha camisa.

- Você não vem? – Chamou.

- Tem certeza? – Perguntei.

- A segunda vez é sempre melhor não é? Quero fazer um teste. – Rapidamente me levantei e a carreguei até o banheiro. Como eu poderia negar um pedido daqueles? 


Notas Finais


Espero que tenham gostado do capítulo, e obrigada por todos os comentários do anterior ;**


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