História Oblívio - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Draco Malfoy, Harry Potter, Hermione Granger, Ronald Weasley, Rose Weasley, Scorpius Malfoy
Tags Draco, Drarry, Harry, Romance
Exibições 303
Palavras 4.739
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


I'm back \o/
Olaar~~
Então, eu tentei não demorar tanto dessa vez ¬¬ o que conta é a força de vontade minha gente XD
Nos vemos lá em baixo \o/

Capítulo 7 - Bateria de exames


Fanfic / Fanfiction Oblívio - Capítulo 7 - Bateria de exames

Astoria observou pela janela do taxi o movimento da cidade, pousou sua mão em seu colo enquanto soltava um suspiro, não havia dormido bem noite passada.  O carro parou em frente a uma construção moderna e o senhor que dirigia o carro lhe avisou que haviam chegado. 

- Obrigada. – ela sorriu enquanto saía do carro, observou o local de baixo para cima. “Prefeitura de Berlin”. Adentrou as portas, pessoas caminhavam para todos os lados com os ternos pretos impecáveis. Retirou de sua bolsa um cartão preto, fosco. Na carta que havia recebido há alguns dias apenas lhe dizia para apresenta-lo na recepção e foi isso que fez.

Daí alguns minutos, Astoria era conduzida por dois homens de terno a pegar o elevador executivo, os homens não lhe deram qualquer informação, mas não se preocupava com isso, conhecia os procedimentos, muitos países, mesmas regras.

Quando chegou ao andar, andou até um escritório, na porta havia uma fina barra dourada entalhada com o nome de “Prefeito Rosenstock”. A porta foi aberta, ela adentrou, sentou-se na cadeira após uma leve reverência e uma permissão para que se sentisse à vontade.

- Fico satisfeito ao ver vocês tomando partido rápido disso. – Klaus Rosentock resmungou, sua postura ereta estava dura, como se receasse algo, algo como ela.

- Sabemos o quão incômodo eles podem ser aos trouxas. – Astoria soltou um sorriso de lado debochado, saboreando a visão do homem ficando vermelho ao ser chamado de trouxa, mas sem realmente rebater, pois era isso o que era.

- Um dos moradores da área leste da cidade contatou a polícia. Ele alegou estar sendo assediado por criaturas pequenas, azuis de asas com antenas e orelhas de morcego. – o prefeito pigarreou. – outras alegações foram informadas por estas áreas. Ficamos sabendo que um senhor do lado de vocês esteve viajando e provavelmente deixou essas coisas aqui.

Astoria concordou enquanto revirava os olhos. Esse receio que os trouxas tinham em chama-los do de realmente são, bruxos, a deixava levemente irritada, entretanto, após tanto tempo trabalhando com trouxas, havia se acostumado com este medo.

- É só me dizer para onde ir. – levantou-se da cadeira, observando o homem de cima.

II

O último Diabrete da Cornualha se escondia atrás de uma lata de lixo, esperando alguém para poder pendurá-la em algum lugar alto, ouviu passos indo a sua direção e se preparou para atacar, entretanto, antes que pudesse ser bem sucedido, foi pego em um feitiço paralisante, seu corpo foi flutuando em direção a uma maleta marrom e, assim que entrou, a maleta se fechou.

- Bons garotos. – Astoria sorriu enquanto pegava a mala do chão e lhe dava algumas tapinhas. – acho que já deu de atrapalhar a vida alheia.

O local em que Astoria se encontrava não era muito movimentado, os compilados de edifícios formavam muitos becos longos e escuros e foi em um desses que o último diabrete havia se escondido. Entre diversos lixos e outras coisas jogadas naquele lugar, algo pequeno e brilhante chamou a atenção da mulher, que curiosa para saber o que era, acabou se aproximando. No meio de toda aquela sujeira, um pequeno pingente de prata em formato de S jazia como se não pertencesse àquele lugar. Intrigada, mas ao mesmo tempo admirada pelo pequeno objeto, segurou-o na altura de seus olhos para visualizá-lo melhor, a corrente que o prendia era muito delicada e dava ao pingente um lindo colar, olhou em volta, poderia ser de algum morador, entretanto, não sabia se devia o deixar onde encontrou. Por fim, fechou seu punho com o colar dentro, saindo do beco e indo conversar com Alois Hildebrand, um bruxo alemão que trabalhava no Ministério da Magia da Alemanha, na função de obliviador.

- Você conseguiu? – Alois a esperava encostado em um carro. – Demorou bastante lá dentro.

- Os Diabretes da Cornualha tem uma mania irritante de se esconderem. – resolveu omitir o motivo pela demora. – Mas agora já está tudo certo. – apontou para a maleta.

- Ótimo. – o homem sorriu, colocando uma mecha de seu cabelo loiro na altura dos ombros atrás da orelha. – Acabei de informar para o meu Ministério que todos os cidadãos trouxas estão devidamente bem sem nenhuma memória das criaturas mágicas.

Astoria lhe encarou, sentia que aquela era a oportunidade perfeita de saber um pouco mais sobre o que tanto lhe intrigava desde a visita de Draco.

- Sabe, eu estou muito curiosa pelo seu trabalho de obliviador. – ela sorriu provocativa. – Talvez, um pouco interessada em você também.

Alois sorriu. Seus olhos verdes enviando um leve sinal de advertência.

- Devo te chamar para sair? Posso responder todas as perguntas que você fizer.

- Me parece muito tentador. – Astoria arqueou uma sobrancelha, andando em direção à porta da frente da carona. – Vamos, não tenho muito tempo.

III

O ambiente tinha uma decoração retrô completamente adorável, era possível ver pelas janelas grandes os carros passando. A música ambiente tocava um jazz enquanto o barulho das conversas abafava levemente o som, Astoria havia gostado muito.

- Eu venho muito aqui, sabe. – Alois comentou ao ver o sorriso de Astoria enquanto observava o lugar com aprovação. – Minha mãe tem família trouxa então sempre tive muito contato com o mundo não bruxo.

- Eu achei adorável. – ela sorriu. – Sempre tive uma curiosidade gigante sobre os trouxas, eles possuem tecnologias maravilhosas, eu diria até magicas. – riu. – Às vezes, o preconceito de alguns bruxos os impede de ver as maravilhas que nós, seres humanos, somos capazes de fazer, independentemente de nossa natureza.

- Eu concordo. – Alois teve seu foco alterado pela chegada do garçom com as bebidas. – Obrigado. – Agradeceu com um aceno de cabeça. – Um brinde ao ser humano. – estendeu a taça à Astoria, que riu, imitando o processo.

- Então, vi que você andou bastante curiosa sobre o meu trabalho no Ministério. – O homem pontuou, esperando que Astoria começasse com a conversa.

- Oh, sim. – ela limpou a boca em um guardanapo antes de encará-lo nos olhos. – Eu soube recentemente que um amigo meu sofreu um acidente no Ministério da Magia da Grã-Bretanha. Ele estava descendo as escadas com algumas papeladas e acabou caindo e batendo a cabeça nesse processo.

Alois concordou, esperando a continuação.

- Entretanto... – Astoria se arrumou na cadeira, seu rosto estava sério. – Desde que me falaram sobre isso, não me sai da cabeça que isso é muito mais sério do que aparenta e que não foi um mero acidente.

- Mas por que diz isso? – Alois perguntou intrigado pelo rumo da conversa.

- Porque ele perdeu a memória quanto caiu. – ela revelou. – E não foi uma perda de memória temporária ou pequena, ele não tem memória dos últimos nove anos.

Alois franziu o cenho.

- Ele fez alguns exames e não foi constatado algum feitiço Obliviate. Mas isso não me convenceu.

- Realmente. Essa situação é bem estranha para uma simples queda. – o homem bebeu um gole da bebida. – Eu devo lhe avisar que há muitas situações que não se é possível detectar um feitiço Obliviate. Mas você precisa ponderar bem sobre essa situação. Quer dizer, se formos colocar em pauta a hipótese de que seu amigo foi acertado por um Obliviate, qual seria o motivo? – deu outro gole na bebida.

- Bom, pode haver vários motivos. – Astoria deu um pequeno sorriso, encostando-se a cadeira com descaso. – Um dos motivos principais é ele ser Harry Potter.

Alois, que havia acabado de sorver mais do líquido do copo, por pouco não cuspiu tudo na mesa, mas acabou resultando em um ataque de tosses.

- Harry Potter? – perguntou desacreditado. – Harry Potter, Harry Potter? Tipo, O Menino que Sobreviveu? Esse Harry Potter? O Salvador do Mundo Bruxo?

- Sim. – Astoria riu, achando a cena extremamente cômica. - Esse Harry Potter.

- Uau. – Alois passou a mão pelo cabelo, ainda sem acreditar, soltando um riso frouxo. – Não acredito que estou conversando com alguém que tem Harry Potter no círculo de amizade. Quer dizer, seu nome não me era estranho, mas imaginei que fosse apenas pela sua área de trabalho que é muito próxima a minha.

- Bom, eu não sou nenhuma amiga de infância do Harry ou converso com o trio de ouro, mas meu filho o considera um pai, então...

- Você tem um filho? – Alois a encarou, um misto de receio e decepção. – Pelas barbas de Merlin não me diga que é casada, ainda mais com alguém que convive com o Harry Potter.

Astoria riu, o desespero de Alois era palpável.

- Eu não sou casada! – tentou acalmá-lo. – Eu tive um filho com Draco Malfoy, mas hoje somos bons amigos, apenas.

- Você é a mãe do Scorpius Malfoy! – e mais uma vez, o queixo do homem foi ao chão. – Meu Merlin! Aquele menino é o filho do Potter.

- É incrível como sempre focam apenas no Harry e no Draco. – Astoria bufou inconformada. – Quer dizer, eu o gerei, sabe? – revirou os olhos.

- Me desculpe. – Alois disse após um tempo de reflexão. – Me exaltei. Eu cheguei a conhecer Harry Potter, não falei com ele, mas eu fui para Hogwarts em 1994 para o Torneio Tribruxo.

- Você? Mas como? Era aluno de Durmstrang? – Astoria perguntou surpresa.

- Eu estudei lá, meu pai era um homem muito firme e quis que eu tivesse um ensino rigoroso, então, aos meus 10 anos, meus pais se mudaram para a Noruega e eu estudei lá. Fui um dos que acabaram indo para Hogwarts para tentar participar do torneio, mas o Viktor foi o escolhido pelo Cálice.

- Sim, eu estudava em Hogwarts esta época, estava no terceiro ano.

- Eu até tive algumas conversas com Draco Malfoy. – Alois comentou despreocupado. – Meu pai queria que eu tivesse contato com pessoas importantes e, bem, Lúcio Malfoy era alguém temido no Ministério e Nascisa Malfoy pertencia basicamente a uma das maiores e mais nobres famílias do mundo bruxo, os Black. Draco Malfoy era um candidato a amigo perfeito aos olhos de pai.

- E ficaram amigos?

- Nah. – Alois negou. – Ele era um metido, arrogante e muito chato.

Astoria riu.

- Imagine minha reação quando descobri sobre o relacionamento de Draco Malfoy e Harry Potter, foi bombástico.

- Acho que todo mundo bruxo reagiu dessa forma. – Astoria comentou.

- Certo. Voltando sobre o caso Harry Potter. – Alois sorriu com esse nome.  – Nós, obliviadores, estudamos meses, alguns estudam por anos sobre o feitiço Obliviate e digamos que nossos conhecimentos não devem ser muito expostos, tais como nossas técnicas, nosso trabalho é apenas evitar que trouxas possam se lembrar de qualquer memória do mundo bruxo, pois podem prejudicar tanto sua integridade mental como a nossa própria segurança. Nós nunca usamos nossa profissão para as trevas.

Astoria concordou.

- Primeiro: não descarte a possibilidade da queda que o Potter sofreu tenha sido o motivo para isso, é possível sim que esse infortúnio tenha ocorrido.

- Certo – Astoria resmungou contrariada.

- Agora. – Alois pigarreou. – Se formos falar sobre o feitiço, eu preciso destacar alguns adendos. O feitiço em si não tem nenhuma restrição de tempo. Vai de o bruxo querer apagar 10 minutos ou 10 anos da vida de alguém, entretanto, é vital que, para apagar um tempo tão grande assim, o bruxo seja experiente, inteligente e capaz, caso contrário, muitas poderão ser as sequelas.

- Sequelas? – Astoria questionou preocupada.

- Um bruxo sem o conhecimento e prática adequados poderá executar o feitiço de maneira falha. O bruxo atingido pelo Obliviate pode ter suas memórias fragmentadas, pode enlouquecer ou pode ter as memórias desintegradas e absorvidas até virar apenas uma casca oca.

Astoria colocou a mão na boca, horrorizada. A ideia de Harry ir perdendo as memórias cada vez mais até não sobrar mais nada lhe trazia um frio horrível no coração.

- Como... Há alguma maneira de fazer a pessoa se lembrar de suas memórias depois de ter sofrido o Obliviate?

O corpo de Alois se tornou rígido e ele soltou um pigarro desconfortável.

- Bom, em termos legais e éticos, infelizmente, não existe.

Astoria suspirou, derrotada, seus ombros pesaram e suas mãos passaram pelo rosto, em um gesto cansado.

- Entretanto... – Alois mordeu os lábios. – Há uma forma, cruel e nem sempre eficaz, mas há. A Maldição Cruciatus.

- Como?

- Além de ser uma maldição imperdoável, se você a usar, pode acarretar em uma piora descomunal. Dependeria da intensidade da tortura e do bruxo, pois só daria certo caso o a vítima tivesse suas memórias esquecidas e não destruídas.

- Eu... Eu não entendo. – Astoria murmurou.

- Não tente entender. – Alois tocou em sua mão em cima da mesa. – Isso seria arriscado demais para a vida de Harry Potter, além de claro, ser seu passe apenas de ida para Azkaban.

 Astoria concordou.

- Que Merlin queira que tenha sido apenas uma queda. – ela suspirou, olhando para o homem de maneira triste.

- Esperamos que sim.

IV

- Mas eu não entendo! – Scorpius olhou em volta. – Eu amo a Malfoy Manor, visitar a vovó, mas morar aqui? – encarou o pai confuso. – O que aconteceu com a nossa casa?

- Vem aqui. – Draco o chamou com a mão, o menino se aproximou, Draco o pegou no colo, aproximou-se do ouvido do menino. – A vovó está muito sozinha nessa casa gigante, ela anda muito triste e eu tenho certeza que se nós morássemos aqui por um tempo, ela ia ficar muito feliz.

- A vovó está triste? – Scorpius perguntou sério, olhando em volta a procura da mulher.

- Sim, imagine como é solitário viver em um lugar tão grande sozinha. – Draco observava Scorpius analisando a mansão, levou suas mãos as bochechas macias do filho depositando um leve afago ali. – Você entende?

Scorpius assentiu enquanto movimentava-se para sair do colo do pai, Draco o soltou no chão e o menino começou a andar pelo hall de entrada.

Draco o seguiu e parou na porta de entrada, girou a maçaneta e logo o ar gélido do interior da mansão se fez presente.

- Vovó? – Scorpius a chamou, alto, tomando a frente de Draco, indo para a sala.

No alto das escadas, a figura imponente de Narcisa Malfoy era vista. Seus cabelos loiros claríssimos presos em um coque bem feito, seu vestido negro e longo caia impecável sobre seu corpo dando um contraste com sua pele clara.

- Aqui, querido. – a mulher sorriu, descendo as escadas. Draco a observava descer e foi ao seu encontro, esperando-a no fim da escada lhe estendendo a mão. Narcisa segurou-a e de mãos dadas chegaram até Scorpius. A mulher abaixou-se para poder abraçar o menino e beijar-lhe os cabelos, sentindo o doce aroma que a criança exalava. – Senti tanto a sua falta... – Encarou o neto com um sorriso nos lábios.

- Eu também morri de saudades vovó. – o menino sorriu. – Mas agora que o papai e eu vamos morar aqui, a gente vai se ver sempre.

Draco observava a interação calado até que a voz do menino se dirigiu a si.

- Papai... E o Harry? – Scorpius perguntou verdadeiramente confuso. – Ele vai vir morar aqui também?

Draco abriu a boca para poder responder, mas a fechou sem saber direito o que dizer.

- Harry vai ficar na casa dele. – Narcisa ditou firme.

Scorpius encarou a avó, levemente chateado, sua expressão indicava que estava prestes a chorar e Narcisa pegou-o no colo para tentar consolá-lo.

- Você pode ir vê-lo, tudo bem? – ela sussurrou para Draco não ouvir. – Ele só não irá dormir aqui.

Scorpius concordou mesmo chateado, não queria que sua avó ficasse triste, mas sem saber como esconder o bico que formava em seus lábios, escondeu sua cabeça no pescoço de Narcisa que, achando graça daquilo, começou a subir as escadas com o menino.

Draco acompanhou todo o processo com o olhar e quando Narcisa sumiu de seu campo de visão ele decidiu rumar para outro cômodo da casa.

Suspirou. Seus passos o levando para o escritório de seu pai, o ambiente parecia ainda mais gélido do que o resto da mansão. Lembrava-se nitidamente de que em sua infância, o escritório de Lúcio era o ambiente mais temido da casa. O arrepio que percorria sua coluna quando o patriarca o chamava para aquele lugar, onde foi lhe dito seu fatídico destino, ao lado das trevas.

Inconsequentemente acabou levando sua mão para o braço esquerdo, tocando a Marca Negra por cima da camisa branca, as memórias ainda pareciam vívidas demais, privilégio concedido àqueles que viram Voldemort face a face.

- Ele acabou dormindo. – A voz de Narcisa lhe trouxa a realidade. – Eu soube no momento em que vi aqueles olhinhos de pirraça.

- Ele deve ter ficado cansado pela viagem. – Draco comentou despreocupado, estava de costas à mulher, passando os dedos longos pela mesa de mármore, havia pó.

- Vamos para a sala. – o som dos passos de Narcisa foi se afastando, com uma última olhada para o escritório, Draco seguiu em direção à matriarca.

Narcisa estava sentada em uma poltrona confortável, um chá disposto na pequena mesa adjacente a ela.

- Então o Potter está tendo problemas... – ela comentou casualmente, bebericando o chá.

- Estou tentando resolver isso. – ele disse sem muitas delongas.

- Você parece não querer enxergar a realidade. – a mulher o encarava com vigor, Draco estava a desviar o olhar. – Acredita mesmo que foi uma simples queda?

- Não foi constatado nenhum feitiço Oblivia...-

- Você é um Malfoy, estava aqui durante os anos que Voldemort vivia e conheceu a magia das trevas, sabes bem que é impossível detectar um Obliviate quando feito para o mal.

- Mãe, não. – encarou a mulher. – Os Comensais estão em Azkaban, não existem mais simpatizantes de Voldemort pelas ruas.

- Como você pode ter tanta certeza? – Mais um gole no chá. – Eu apenas me preocupo com você e com o Scorpius, sabe como os amo.

- Eu sei. – suspirou, a atitude da mãe amolecendo seu coração. – Me desculpe. Pensar na possibilidade das memórias do Harry não voltarem me aterrorizam.

- Mas é aí que você peca, Dray. Você não tem apenas que pensar, como se preparar para isso, você tem que saber o que fazer caso as memórias do garoto demorem um dia, um ano ou uma década para voltarem. Não pare a sua vida, não pare a dele também.

Draco concordou. O peso das palavras machucando seus pensamentos.

- Agora. – Narcisa se levantou, chegando perto do filho que como de costume havia se levantado também, envolveu seus braços em torno do corpo magro e o abraçou profundamente. Draco também circundou seus braços pela cintura da matriarca, o carinho fraterno nublando suas preocupações recentes. Ficaram naquela posição por um longo tempo. – Acho que deve descansar também.

Draco concordou soltando-se da mãe, sorriu para ela como a muito não sorria.

- Você continua com o mesmo perfume de sempre.  – comentou nostálgico ao associar o aroma de agora com aquele que sentia em sua infância.

Narcisa riu.

- Scorpius está no seu quarto. – foi tudo que disse, antes de deixar o homem sozinho.

...

Draco abriu a porta de seu quarto em um movimento suave. Scorpius dormia confortável, abraçado a um travesseiro. Ele se aproximou, observando o rosto inocente da criança, as bochechas de Scorpius estavam levemente rosadas e de seu peito vinha uma respiração calma, indicando um sono profundo, sem querer parar para pensar, apenas se aproximou, permitindo deitar ao lado do filho na cama que já fora seu palco dos melhores sonhos e seus maiores pesadelos.

V

Harry caminhava lado a lado com Hermione pelo Ministério da Magia, por onde passava recebia acenos de cabeça, sorrisos e cumprimentos. A mulher havia lhe dito que desde seu acidente, um bruxo de nome Tadeus Bulstrode havia tomado seu posto de Chefe do Departamento de Aurores.

- Poucas pessoas dentro do Ministério estão sabendo da sua real situação. – Hermione comentou, passando para dentro de seu gabinete e fechando a porta assim que Harry entrou. – Nós os deixamos avisados que você decidiu tirar férias.

- Férias? Isso é sério? – perguntou desacreditado. – Eles acreditaram?

- É claro que acreditaram, foi a Ministra da Magia quem disse. Quem duvidaria? – retrucou.

Harry arqueou a sobrancelha dando um sorriso zombeteiro.

- Calado! – Ditou a mulher. – Sem piadinhas. Eu apenas disse a verdade.

Harry apenas riu, indo se sentar na poltrona a frente de Hermione.

- Então, o que eu estou fazendo aqui? – perguntou sério, observando a melhor amiga arrumar alguns papéis.

- Eu estava pensando... Harry, você tem que fazer alguma coisa.

O Potter piscou sem entender muito bem a pergunta.

- Alguma coisa...?

- Um trabalho, uma atividade, algo que distraia sua mente, entende? Não acho saudável você ficar horas contemplativo na sua casa ou se entupindo de informações que possam te sobrecarregar, sua recuperação tem que ser mais... Simples e prazerosa. Isso.

- E como eu supostamente deveria fazer isso?

- Você poderia praticar algumas atividades de antigamente. – Hermione deu de ombros. – Você e Rose sempre passeavam juntos, por exemplo.

- Ah... – concordou com a cabeça.

- E você... Você cozinha, sabia?

Harry a encarou desacreditado para logo desatinar em risos.

- Eu? Cozinhar? – Harry riu ainda mais. – Hermione, eu não gosto de cozinhar!

- Bom, você sempre cozinhou muito bem. – defendeu-se.

Harry suspirou, parando de rir. Sabia cozinhar, isso era fato, afinal era ele o responsável por alimentar os Dursley, entretanto, a ideia de cozinhar por livre e espontânea vontade era uma incógnita para seu cérebro.

- Porque eu cozinhava? – indagou de repente, Hermione o encarou surpresa.

- Ahn... Draco não é muito fã de cozinha, acho que se nenhum dos dois cedesse iriam acabar morrendo de fome. – Hermione mordeu os lábios, incerta sobre como o assunto Draco Malfoy seria processado pelo amigo.

- Certo. – sussurrou. – Hermione... Há uns quatro dias, quanto eu fui conversar com o Malfoy sobre algumas coisas, ele me disse que ia buscar o filho na casa da Astoria, eu acho.

- Uhum. – Hermione concordou. – Rose me disse que Scorpius havia lhe mandando uma coruja avisando que ele havia chegado.

Harry se surpreendeu com a notícia.

- Sendo bem sincera contigo, Harry. Eu realmente acho que você deveria ir ver o Scorpius o mais rápido possível. O garoto deve estar desconsolado por não te ver. Draco deve ter inventado alguma desculpa para justificar a demora.

- Como? Mas ele não me disse nada... – Harry tentou de defender.

- O Draco não quer te forçar a nada. – Hermione lhe lançou um olhar severo. – Mas eu vou! Isso não se trata de vocês dois, se trata de uma criança que te vê como um pai! Harry, você tem que ir ver o Scorpius!

- Eu não sei como agir! – Harry elevou a voz, passando a mão pelos cabelos para bagunça-los. – Eu não conheço esse moleque, não tem como eu corresponder ao sentimento dele.

- Ele é uma criança, ainda não tem uma habilidade sobrenatural para saber disso, muito menos sabe na situação, ficar ao lado dele basta. – Hermione sorriu, segurando as mãos de Harry em um gesto de conforto.

VI

Draco estava na sala de estar lendo um livro sobre o feitiço Oblívio para obliviadores, coleção rara na biblioteca dos Malfoy. Scorpius estava no carpete, ao lado da lareira acesa, o que deixava o ambiente mais aconchegante e quente, o menino estava desenhando.

A campainha havia sido tocada e Draco dispensou o elfo doméstico com um levantar de mão, caminhou até a porta e a abriu sem pensar duas vezes.

Harry Potter estava no outro lado, tão atolado de roupas que Draco só conseguia enxergar os óculos redondos. Não conteve a surpresa, sentiu os olhos se arregalarem e os lábios se espaçarem.

- Harry? – perguntou desacreditado, dando passagem mais do que rapidamente para o homem que devia estar congelando.

Harry não respondeu ao chamado, tímido demais para encarar o loiro, estava com muita vergonha de ir naquela casa, mas Hermione praticamente o havia ordenado. Draco continuava segurando a maçaneta da porta – já fechada – sem saber ao certo como reagir àquela visita extremamente inesperada. Encarou o convidado retirando o enorme casaco e a touca de lã, podendo agora ter uma visão melhor de quem era a pessoa por baixo das roupas.

- Eu... – Harry mordeu os lábios, desconfortável com a maneira como estava sendo encarado. – Eu...-

- Harry? – A voz fina e infantil chegou aos seus ouvidos, Harry a captou com uma estranheza infinita, sua cabeça girou em direção ao som e ele viu um menino parado o encarando.

O garoto era pequeno e magricela, o rosto pálido continha uma boca pequena e rosada acompanhada de um nariz arrebitado idêntico ao de seu pai. Sua característica mais marcante era os olhos, grandes e cinzas como uma manhã nublada. Harry não conseguiu não pensar em como aquele garoto era uma cópia mais nova de Draco Malfoy aos 11 anos de idade.

- Harry! – o garoto gritou mais alto dessa vez, a certeza de ser o seu padrasto lhe foi dada no momento em que o homem encarou o pequeno. Scorpius saiu correndo.

Harry ofegou surpreso pelo impacto do seu corpo com o do garoto, pode constar que de fraco tinha apenas a aparência, já que seus braços magricelas eram extremamente fortes. O homem encarou Draco em busca de algum suporte, mas o loiro encarava o filho de forma preocupada, mas um sorriso leve emoldurava seus lábios.

Harry se perdeu na forma tão pacífica que estava o rosto de Draco.

- Harry, você demorou! – Scorpius brigou, batendo os pés no chão, fazendo com que Harry olhasse para baixo.

- Hm. Desculpe. – foi sincero, de certa forma. As bochechas infladas da criança o fizeram sorrir. – Estou aqui agora.

- Scorpius. – Draco ditou firme antes mesmo do menino abrir a boca. – Eu preciso conversar com o Harry em particular, vá para o meu quarto, vai ser rápido, eu prometo. – completou para evitar que o menino fizesse birra. Encarou o pai de maneira rápida antes de corar e puxar a roupa do Harry que entendendo o recado se abaixou, Scorpius depositou um beijo estalado em sua bochecha antes de sair correndo para as escadas.

Assim que os dois ficaram a sós, Draco pigarreou.

- Devo dizer que estou surpreso. – foi o que disse. Sua postura era fria, seu contato era formal.

- Hermione me fez vir aqui. – respondeu balançando os ombros em um sinal de descaso.

- Olha... Eu entendo que ela teve uma boa motivação mas... Você não deveria vir.

Harry encarou o homem surpreso.

- Eu não deveria? – O moreno se sentiu ofendido, aquilo era uma forma de dizer que ele não era bem vindo, uma forma bem clara. – Você não acha que eu deveria ver o garoto?

- Sim, eu acho. – Draco estava tentando manter a calma. – Entenda. O Scorpius... Ele não ia agir muito bem caso...-

- Olha, eu sei que eu não estou no melhor momento para isso, mas eu queria o conhecer. – Harry impediu a fala do homem. – Por Merlin, eu já ouvi tantas coisas sobre ele e, eu não sei, eu não quero ficar tateando pelo escuro.

Fez-se um momento de silêncio na sala, os dois homens se encaravam sem saber como agir, mas foi Draco quem tomou uma iniciativa.

- Só não o machuque, por favor.

A súplica nítida fez Harry arregalar os olhos, mais uma vez, surpreso por ver em Draco Malfoy uma emoção nunca vista antes.

- Eu não vou. – as palavras saíram sérias, pingando certeza, Harry faria de tudo para que Scorpius, em nenhum momento, desconfiasse do que estava passando.

- Eu vou chamá-lo. – As palavras de Draco não passaram de um sopro cansado.

- A gente ainda precisa conversar. – Harry o alertou. O loiro se virou em sua direção, apenas acenando com a cabeça, antes de subir as escadas.

VII

Os olhos frios acompanhavam toda a movimentação do homem sem perder qualquer passo. Apreciava com certo orgulho a obra que estava criando, tomando todo cuidado com as pinceladas na tela. Esperou pacientemente o senhor sair do estabelecimento e rumar a pé para casa, virando a esquina, o senhor já se encontrava sozinho, cantarolava uma música bem baixinha, tentando não pensar no frio que insistia em lhe dar boas vindas. Foi rápido, uma questão de segundos, apenas o tempo do balançar de uma varinha e o homem havia sido lançado para trás por uma força descomunal que possuía um raio vermelho. O impacto do homem contra a parede fez um estrondo e, logo em seguida, o silêncio se tornou ensurdecedor. Após alguns segundos, o único som capaz de ser ouvido era o de passos caminhando até o corpo inerte no chão.


Notas Finais


Hoho, acabou! Então, vamos seguindo confiantes de que isso vai ter um fim u.u Muito sofrimento, nem eu aguento ~~
Se quiser bater um papo, vamos conversar nos comments, me digam o que vocês acharam do capítulo, se vocês estão ligados nos detalhes u.u
Nos vemos por ai
bye o/


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