História Oblívio. - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Ino Yamanaka, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Temari
Tags Angst, Drama, Narusasu, Policial, Sakuino, Sasunaru, Yaoi, Yuri
Visualizações 85
Palavras 5.513
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção Científica, Fluffy, Hentai, Lemon, Policial, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


GENTE TRÊS MESES DEPOIS!!
Me perdoem pela demora, eu tive um monte de problemas e minha inspiração estava morta. Depois que comecei a falar com a minha amiga linda - e que betou a história pra mim - eu tive a luz da inspiração.
Então, o capitulo tá carregado de drama mas tem momentos amorzinhos, espero que gostem.
obs.: a edição tá um lixo porque tô postando do trabalho, mas quando chegar em casa eu conserto.

Capítulo betado por Bruna ♥

Capítulo 3 - 11:45


Naruto ficou apreensivo com aquela descoberta e, mesmo assim, não queria contar que não era a primeira vez que algo relacionado a ele vinha em sua mente. Tentou lembrar de qualquer coisa, de Ino, Sakura, até mesmo de sua mãe, que tinha uma foto enfeitando sua prateleira, mas nunca tinha visto alguém tão incomum a ele. Sentiu seu coração se apertar e resolveu sentar-se, ao lado do Uchiha.
– O que foi? – perguntou ele.
Negou com a cabeça, encarando o vazio do outro lado do cômodo. Não fazia ideia de por que sua mãe não o visitara no hospital, nem ao menos ligara ou qualquer coisa do tipo. Ino explicou a ele que eram um pouco distantes e que ele devia ter paciência, pois alguma hora eles iriam se encontrar.
Pensando nisso, o Uzumaki virou-se para Sasuke apreensivo, e disse:
– Preciso ver minha mãe.
Os olhos ônix de Sasuke vibraram com aquele pedido, mas foi por conta da ansiedade. Sempre odiou aquela frase mas nunca negara nenhum pedido feito por Naruto.
– Ainda faltam algumas semanas… – pontuou o delegado.
Naruto desviou o olhar, um pouco decepcionado.
– Sakura me disse que você sempre ia comigo.
– E vou.
Enquanto o loiro mantinha seus olhos no chão, sem graça por pedir aquilo ao delegado, Sasuke não conseguia desviar sua atenção dele. Naruto que sempre foi muito energético e animado, agora parecia abatido. Mas não tinha culpa, tinha tanto acontecendo ao mesmo tempo que não sabia como lidaria se acontecesse consigo.
– Eu preciso ir, Sasuke. – disse ele.
Com o pedido verbalizado de uma maneira tão pesada, o outro assentiu. Suspirou e levantou-se do sofá.
– Eu venho te buscar amanhã à tarde.

(Domingo, 11:45 pm)

O voo para Chicago estava marcado para as 13h mas os dois já estavam no aeroporto. Naruto batia os pés, sem conseguir se controlar, enquanto Sasuke observava o quanto ele parecia nervoso. Ficar sozinho com ele se tornou mais estranho do que gostaria, por tanto tempo tiveram uma afinidade invejável, agora só queria manter distância daquele incômodo mas não sabia como. Quando levantou, desejando encher seu corpo com nicotina pra aliviar o desconforto, sentiu Naruto segurar sua blusa. Olhou-o, e seu rosto estava torcido, sobrancelhas franzidas, parecia um pedido mudo pra que ele ficasse sentado ao seu lado. Aquilo o deixou mais balançado do que gostaria. Suspirou, tentando ignorar seu nervosismo, e sentou-se novamente.
Os minutos que permaneceram naquele banco em silêncio pareceram uma eternidade; o Uzumaki tentava ver Sasuke como um amigo – mas não conseguia dirigir a palavra a ele – e o Uchiha queria que aquela viagem não se estendesse mais do que já parecia.
O mais desconfortável ali, na verdade, eram ter se tornado estranhos.

Quando chegaram em Chicago, partiram para Little Village, um distrito muito pacato que ficava a 20 minutos do aeroporto. No táxi, Naruto ia observando a paisagem e percebeu o quanto era diferente de São Francisco; todas aquelas árvores, casas com quintais amplos, Suv’s e bicicletas infantis presas nos postes o faziam sentir-se em casa, de uma forma estranha. Olhou para Sasuke, que não estava com a mesma expressão. Seu rosto demonstrava aborrecimento, enquanto observava as ruas iluminadas pelos raios de sol.
Desceram numa casa de dois andares toda de tijolos vermelhos, janelas brancas, espaçosas e abertas, o que queria dizer que a dona estava no recinto. Carregando as bagagens de mão, ambos dirigiram-se até a porta e tocaram a campainha. Ao ouvir a confirmação com o grito de “estou indo”, os olhos azuis se viraram para o Uchiha, numa forma de buscar apoio. Sem saber o que fazer, Sasuke apenas acenou com a cabeça.
Uma mulher de cabelo vermelho, longo e já com alguns fios brancos abriu a porta, sua reação ao ver os dois homens a sua frente foi de total euforia e não conseguiu conter o sorriso que cresceu em seu rosto. Abraçou o filho, que parecia contido, enquanto o Uchiha sorria sorrateiramente da reação dele.
– Meu filho! – o apertou um pouco mais, até ele corresponder o abraço – Estava com tanta saudade.
Naruto deixou abraçar-se e afundou seu rosto no pescoço de sua mãe, sentiu cheiro de lavanda, cravo e algo muito doce. Estranhamente gostou daquele cheiro esquisito. Kushina separou-se para abraçar Sasuke rapidamente e pediu que os dois entrassem.
– Por que não me avisaram que vinham? Eu teria preparado algo especial.
Nenhuma resposta dos dois, Sasuke apenas fechou a porta atrás de si e encaminhou-se até o sofá. Depois que os dois sentaram, a mulher a frente deles fez uma careta.
– Por que essas caras? Vocês brigaram?
O Uzumaki negou prontamente. Sasuke entrelaçou os dedos, e encarou a mais velha.
– Naruto sofreu um acidente – a mulher arregalou os olhos e direcionou o olhar ao filho. Querendo evitar uma reação pior, ele logo continuou: – Ele perdeu a memória completamente e não se lembra de nada.
Kushina levou as mãos a boca, não acreditando naquilo, mas ele estava muito calado e conhecia seu filho, que assim como ela, não conseguia ficar quieto. Ergueu o corpo e tocou o rosto de Naruto, querendo certificar-se de que ele realmente estava bem.
– Mas o que você sente? Está doendo? – ele negou, achando aquela reação bastante calorosa – Como não se lembra?! – perguntou, indignada.
– Ele sofreu uma lesão no cérebro e suas memórias podem não voltar. Não se lembra da senhora ou… de mim.
– Impossível! – a matriarca ficou de pé frente ao filho – Eu sou mãe dele, Sasuke!
O Uchiha suspirou, já esperava aquela reação. Kushina era uma das mulheres mais inteligentes que conhecia, mas agora ela estava sendo irracional, pelo bem de seus sentimentos.
– Querido… – abaixou novamente, na altura de seu filho – Lembra-se de mim, não lembra?
Naruto, que estava com o rosto franzido, olhou para Sasuke e depois para ela. Negou, sem conseguir encarar os olhos azuis-escuros da mãe.
Fora um baque e tanto para ela. Tentava regular a respiração e sentou-se novamente no sofá a frente dos dois homens, com a mão em seu peito. Sentia seus batimentos mais rápidos que o normal e então, pensou que Sasuke estava sentindo o mesmo que ela, sabendo que seu filho também era importante para ele. Aquela feição de decepção no rosto do Uchiha não era à toa.
– Quanto tempo tem isso? Por que não me contaram?! – perguntou ela, elevando o tom de voz.
– Ino disse que deveria esperar um pouco até contá-la, tanto porque poderia ser confuso pra ele, tanto por conta da saúde da senhora. Deveríamos explicar pra ele primeiro, deixá-lo ciente de quem ele era para depois trazê-lo aqui.
Ela entendia, perfeitamente, mas se negava a acreditar que seu único filho, que já não tinha a melhor das relações com ela, não se lembrava dela.
– Kushina, – Sasuke a chamou, sério – Preciso que dê apoio a ele. Converse com ele… como mãe.
Enquanto aquele diálogo acontecia, Naruto estava surpreso com a atitude do Uchiha. Não parecia ser uma pessoa sentimental, mas até aquele momento não o tinha decepcionado. Era um amigo e tanto.
Viu sua mãe assentir e seu rosto suavizar, num sorriso fresco e sutil. Ela segurou sua mão e a apertou carinhosamente.
– Vou me esforçar muito.
O delegado acenou e levantou-se, pegou um cigarro do maço que tinha no bolso e pôs na boca, caminhando para fora da casa.
– Vai visitá-los? – perguntou Kushina, referindo-se aos pais de Sasuke. O mesmo acenou sem olhá-la – Leve algo para Mikoto, por mim.
A mesma saiu do sofá, demorou alguns segundos em outro cômodo e voltou, carregando um buquê de flores amarradas com uma corda lilás.
– Colhi hoje mesmo.
Sasuke agradeceu, apenas meneando a cabeça. Aquele gesto era algo que os dois já estavam acostumados, mas deixou Naruto um tanto confuso. Sua mãe e o Uchiha pareciam se dar muito bem, mais do que esperava. Talvez ela não soubesse do relacionamento que tivera com Sasuke no passado.
Quando a ruiva voltou, sentou-se ao lado do filho, com um sorriso carinhoso enquanto o olhava. Apesar de estar muito preocupada, sabia que Sasuke tinha razão e teria que dar seu melhor para ajudar na recuperação de seu amado filho. Percebendo sua cara de aflição, a mesma questionou:
– Tem algo que você queira perguntar, meu bem?
Naruto apertou os lábios, tentando guardar todas aquelas perguntas para si, mas isso não o faria bem.
– A senhora sabe… do… Sasuke e… de mim?
A ruiva achou aquela pergunta muito estranha, mas gargalhou. Ele estava vermelho como um tomate, parecia uma bomba de desenho animado, prestes a explodir. Nem quando ele assumiu sua sexualidade tinha ficado tão nervoso.
– O que é?! – perguntou ele.
– Querido, seria impossível não saber. Sasuke sempre cuidou de você e também…
Sentiu seu corpo travar e não conseguiu terminar a frase devido aos acontecimentos após aquilo. Por mais dolorido que fosse, ele devia saber.
– Meu filho… – pegou em sua mão novamente e o olhou fundo nos olhos – tem muitas coisas que me arrependo nessa vida e uma delas foi te deixar ir embora por conta da minha ignorância. Quando você me contou que estava apaixonado por Sasuke, a única coisa que eu entendi era que meu filho gostava de homens. Eu ignorei completamente o que você sentia, ignorei que você amava uma pessoa.
Todas aquelas palavras… fatos que ele não conhecia estavam começando a pesar em seus ombros. Já tinha ouvido várias vezes sobre aquele relacionamento, mas nunca poderia encarar como algo comum e ouvir de sua mãe coisas como aquela, devia ser importante para ele, mas naquele momento apenas estava concentrado em saber sobre sua vida.
– Te ver indo embora foi a coisa mais difícil que já tive que fazer… depois de seu pai. – um nó se fez em sua garganta, falar de Minato não doía tanto assim, anos depois o que ela sentia era apenas saudade – E todas as coisas ruins que nós fizemos pra impedir vocês de ficarem juntos… nossa… eu me sinto tão culpada.
– O que aconteceu? – perguntou, bastante curioso e frustrado com toda aquela história triste.
Tinha magoado sua própria mãe.
– No fundo eu já sabia, – disse ela – mas me recusei a aceitar por muito tempo até você dizer que era bissexual e estava namorando Sasuke. Aquilo me deixou irada, eu mal sabia o que era uma pessoa bissexual na época. – a mulher deu uma risadinha sem graça – Você tinha só dezesseis anos! Sabe? Me senti culpada por ter feito algo errado e por não ter seu pai por perto, não percebi que não era culpa de ninguém, você só tinha se apaixonado.
– O que aconteceu? – perguntou novamente, agora um tanto preocupado.
Kushina hesitou e sua expressão antes animada com a história parecia sombria e triste.
– Os pais de Sasuke não tiveram a mesma reação que eu. O máximo que fiz foi brigar com você por muito tempo, fiquei decepcionada, mas Fugaku colocou ele pra fora de casa. – Naruto ainda estava surpreso, mas Kushina continuou a falar: – Foi uma briga besta, a mãe dele não queria isso, mas ele acabou fugindo com medo. O irmão mais velho dele foi atrás e aconteceu um acidente. Os pais de Sasuke o culparam por deixar o irmão preso numa cadeira de rodas e assim, vocês decidiram ir embora daqui, alguns anos depois.
Ele soltou a mão que estava junto da de sua mãe, para então encarar o vazio da sala. Era muita informação de uma vez; quase que por sua causa, Sasuke tinha brigado com os pais.
– Mas… – ele conseguiu falar – hoje em dia eles se dão bem? Ele acabou de sair dizendo que ia vê-los.
Viu sua mãe unir as sobrancelhas, não era possível que tinha mais coisa ruim naquela conversa.
– Os pais dele morreram num incêndio, dentro de um teatro em Naperville. Foi uma tragédia horrível…
Não mais do que essa história, pensou ele.
– Presta atenção, – ela o chamou – nada disso importa mais. Sasuke ainda tem o irmão dele, são ótimos amigos e você tem a mim. Sei que é um pouco tarde, mas eu espero que não fique ressentido comigo, agora que sabe o que aconteceu.
– Não estou ressentido, estou… surpreso.
– É muito pra saber quando não se tem ideia de quem é.
Ele anuiu.
– Quando eu acordei, Sasuke me disse que nós namorávamos, eu ri e quando percebi que era verdade, me assustei com a possibilidade. Apesar de não lembrar de nada, de alguma forma achava que isso não era normal…. Mas eu não tinha pensado como a senhora. Eu só namorava uma pessoa e eu passei por tanta coisa com essa pessoa e me esquecer dela e de você… é frustrante.
A matriarca Uzumaki sorriu, com um pouco de tristeza.
– Eu estou aqui, meu amor. Pro que você precisar – mantendo a expressão de apoio, ela continuou: – E eu duvido que Sasuke te abandonaria. Até mesmo Ino e Sakura.
Voltaram a dar as mãos carinhosamente, e Naruto pediu:
– Posso ver fotos do meu pai?
A mulher sorriu, o puxou pelo braço e levantou.
– Vou te levar até o escritório dele.

Quando chegaram ao cômodo, ela destrancou e os dois entraram. Viram muitas fotos dele e Kushina, além de muitas maquetes espalhadas pelo escritório. A ruiva explicou que ele tinha falecido quando o Uzumaki mais novo tinha cinco anos, de uma doença congênita. Ele ficou triste por não ter convivido com o pai, mas pelas histórias de sua mãe, ele foi uma pessoa muito boa e inteligente, um grande arquiteto.
Reparou em cada canto do lugar, até ouvir sua mãe rir enquanto olhava o tapete bege no centro. Os olhos azuis escuros brilhavam enquanto encaravam o chão.
– O que foi? – o loiro perguntou, curioso.
Kushina virou-se para o filho, mantendo o enorme sorriso no rosto.
– Quando você era pequeno, costumava vir aqui sempre que estava triste ou bravo por eu ter brigado com você. Deitava nesse tapete e ficava falando sozinho, como se estivesse conversando com seu pai – ela riu – “mamãe é muito chata”, – imitou uma voz fina – “não me deixa fazer nada”.
Pela primeira vez no dia Naruto sorriu abertamente. Ouvir todas aquelas histórias de sua mãe aquecia seu coração e o deixava cada vez mais relaxado, sentia que deveria ser mais próximo dela, sentia que poderia ficar ali ouvindo todas aquelas lembranças por dias. Kushina sentou-se em uma poltrona perto da mesa e Naruto sentou no tapete, em frente as pernas da mãe, que o olhava como se ainda fosse aquele menininho de oito anos.
– Sabe, – comentou a matriarca, segurando a mão de Naruto – você sempre foi muito hiperativo, mas, quando criança, tinha asma e isso dificultava bastante. Te coloquei em centenas de cursos e atividades pra te distrair e melhorar sua respiração, mas você sempre acabava desistindo ou achando cansativo; achava que poderia fazer de tudo e não conseguia ficar preso em uma coisa só.
– No que me colocou? – questionou, empolgado.
– Ah, um dia você queria ser um ninja então te coloquei em diversas lutas. Um tempo depois você queria ser um astro de rock, então começou a tocar guitarra. Ficou nessas mudanças até a adolescência e faltava demais por perder o interesse rápido nas coisas – fez carinho na mão do filho e o encarou – Depois que conheceu Sasuke, ele colocou um pouco de juízo nessa sua cabecinha e você melhorou a frequência nos cursos, mas eu nunca vou saber se você realmente ia ou faltava pra ficar com ele. – Kushina riu.
Naruto ficou um pouco embaraçado com o comentário da mãe e abaixou a cabeça. Nem ele sabia, mas os dois pareciam se meter em muita confusão enquanto jovens, então não duvidava do problema que tinham causado.
– Me dói te ver assim, meu amor – a ruiva confessou e o loiro a olhou – quando Sasuke me disse que você tinha sofrido um acidente, mesmo te vendo ali na minha frente, meu coração parou.
O Uzumaki sentia tanta angústia ouvindo aquilo que não conseguiu se segurar, levantou-se e abraçou a mãe – um tanto desengonçado, já que ela estava sentada na cadeira. Passou os braços pelos longos cabelos vermelhos enquanto a apertava contra si e escondia o rosto ao lado do dela.
Kushina ficou um tanto surpresa porém não se segurou, abraçou o corpo esguio do mais novo sentindo seu peito doer de saudade de muitas coisas que não pode viver com ele, e pensando que talvez aquela seria uma oportunidade divina de se aproximar de Naruto.
– Me desculpa. – disse ele, abafado por ter se escondido entre o cabelo da mãe.
A Uzumaki negou com a cabeça e o mesmo sentiu o movimento.
– Não tem por que se desculpar, querido.

Enquanto isso, Sasuke estava encostado no batente da porta, observando a cena. Os Uzumaki eram muito apegados a família, sempre soube disso, mas Kushina e Naruto ainda se estranhavam por ele ser péssimo em esconder quando estava magoado com algo. Por mais falta que ele sentisse da mãe antes do acidente, ainda preferia evitá-la, por isso decidiu que a veria sempre que pudesse – o que, para Sasuke, já era muita coisa.
No fundo ele admirava a relação mãe e filho que os dois tinham, mesmo conturbada. Eram incapazes de romper a ligação familiar. Infelizmente ele não foi tão sortudo.
Tudo o que ele tinha – além de Naruto, Ino e Sakura – era seu irmão Itachi, que vivia em Chicago. Os dois eram muito próximos apesar da distância. Sasuke fazia questão de mantê-lo informado sobre a sua vida assim como seu irmão mais velho fazia com ele, através de redes sociais ou até mesmo mensagens durante o dia a dia; já que Itachi era um grande viciado em postar fotos de tudo o que via no Instagram, fazia questão que seu irmãozinho visse e curtisse cada postagem. Mesmo com todos os problemas, Sasuke sentia-se sortudo por ter aquele pequeno grupo de pessoas ao seu redor.
Viu os dois se afastarem do abraço e, quando Kushina o viu parado na porta, ela sorriu pra ele. Meneou a cabeça com um sorriso discreto – nem dava pra chamar de sorriso, mas a ruiva sabia que era.
– Ei. – chamou o Uchiha. Naruto olhou para trás, surpreso pela presença do moreno. Não tinha percebido que ele estava ali. – Vem comigo.
O loiro olhou para mãe, como se pedisse permissão e a mesma riu da reação. Chegava a ser cômico como ele agia como uma criança curiosa.
– Onde vão? – perguntou ela ao homem na porta.
– Clareira. – respondeu de imediato.
A matriarca Uzumaki acenou, concordando. Naruto não questionou, deu um beijo na bochecha da mãe e seguiu Sasuke até o lado de fora da casa.
– Onde vamos? – perguntou, curioso.
Sasuke, que andava alguns passos à frente dele, virou levemente o rosto e respondeu:
– Quero te mostrar um lugar.

Os dois caminharam em silêncio por cerca de dez minutos até chegarem num lugar cercado de árvores e uma longa escada de madeira abrindo caminho no meio delas, dando acesso ao topo da montanha. Era um lugar lindo, mas ao ver o tamanho da escada, Naruto arregalou os olhos e parou no lugar, um tanto ofegante.
Sasuke percebeu que o outro não estava mais o seguindo e fez o mesmo.
– O que foi?
– Espera que eu suba isso tudo?!
Sasuke franziu as sobrancelhas. Parecia a mesma coisa, tudo de novo.
Tch, – o Uchiha soltou. – Quer que eu te carregue?
Naruto ergueu as mãos em sinal de defesa.
– Eu estava brincando!
– Mas eu não – virou de costas, esperando o mesmo se tocar de que ele estava falando sério – Sobe logo.
O loiro arregalou os olhos e ficou observando a cena, se questionou por que ele estava fazendo aquilo e logo lembrou das palavras da mãe sobre seu problema respiratório. Um tanto sem jeito e receoso, aproximou-se de Sasuke e apoiou as mãos no ombro dele, dando impulso para que o outro o segurasse pelas coxas. Facilmente, o delegado voltou a subir, como se já tivesse feito aquilo várias vezes.
– Sasuke… – chamou e viu o moreno virar um pouco o rosto – Você sempre me carregou quando vinhamos aqui?
O viu negar com a cabeça.
– Quando você estava bêbado seu fôlego era invejável.
Naquele momento, Naruto se deu conta de que era um grande cachaceiro. Suspirou, aceitando que não poderia mudar nada daquilo.
Subiram até quase o topo da escada e Sasuke desviou, saindo do caminho e entrando no meio das árvores. Caminharam por mais alguns minutos até o Uchiha colocar Naruto no chão. Notando que chegaram ao destino, o loiro observou o lugar onde estavam, a luz fraca do sol indo embora passava pelas folhas e refletiam na água cristalina do lago que se formava abaixo da cachoeira, o barulho da movimentação da água batendo nas pedras era extasiante. Naruto ficou perplexo com a beleza daquele lugar e agora entendia porque valia tanto a pena subir tantos lances de escada.
Quando olhou para o lado, viu Sasuke descalço e tirando a camisa. Deu um passo em falso para trás quando percebeu que ele realmente entraria naquela água. Antes de pular, o mesmo deu um sorriso discreto, numa cena tão cinematográfica que Naruto quase pôde ver em câmera lenta. Segundos depois, ele emergiu, jogou o cabelo para trás e encarou o loiro um pouco acima dele em terra firme.
– Vem logo.
Naruto praticamente pôde ouvir algo em seu interior gritar “não” diversas vezes, considerando aquilo uma péssima ideia. Estava escurecendo, mal conseguia ver o fundo do lago e pela fumaça que saía da água, poderia jurar que estava gelada o bastante pra ele não querer entrar.
– Olha, – Sasuke insistiu – você tem duas opções; pode entrar por vontade própria ou posso te buscar. Eu não escolheria a segunda.
O Uzumaki cruzou os braços e entortou os lábios, duvidando daquilo.
– Você não pode me obrigar!
Sasuke apenas ergueu uma sobrancelha, em claro descaso e quase vendo aquela resposta como uma clara provocação.
– Como é? – o delegado começou a se aproximar da borda do lago – Você está me desafiando?
Conforme se afastava o outro chegava perto, até perceber os olhos negros sobre si, sérios e determinados.
– Ok, ok! – ergueu as mãos, desistindo – Eu entro.
Sasuke sorriu vitorioso e o observou tirar a camisa que vestia, logo após os sapatos.
Sentou na beirada quase sentindo a ponta dos pés tocar a água, como pensou, estava gelado o suficiente pra sentir-se um cadáver. Logo abaixo dele estava Sasuke, que não parecia ter gostado da rendição dele.
– Tampa o nariz. – avisou, de repente.
– O qu-
Não deu muito tempo de terminar a pergunta, mas a distância entre onde estava e o lago deu tempo para que ele pudesse prender o fôlego. Sasuke o puxou pelos pés, fazendo-o afundar. A água gelada se misturou com o quente do próprio corpo, causando uma sensação de, primeiramente desespero pela falta de ar nos pulmões, mas quando conseguiu emergir e respirar propriamente, não parecia tão ruim assim.
Fez uma careta de descontentamento enquanto Sasuke sorria abertamente.
– Olha, você tem dentes – apontou ele, zombando do Uchiha.
Não gostando nada daquilo, Sasuke jogou água no rosto dele. Ficaram naquilo por um tempo até cansarem, pareciam duas crianças implicando uma com a outra. Naruto estava se sentindo mais à vontade de com ele e aquele incomodo inicial foi amenizado. O pouco que sabia de Sasuke o fez acreditar que ele era frio e distante, mas agora que estavam sozinhos, ele parecia uma pessoa completamente diferente.
Permaneceram no lago o suficiente pra deixar o corpo enrugado e nenhum dos dois percebeu que estavam ali a tanto tempo. Quando decidiram sair, Sasuke viu que tinha diversas chamadas de Itachi em seu celular e entortou os lábios. Esquecera completamente que precisava ir ver o irmão, que também queria ver Naruto. O Uzumaki concordou em acompanhá-lo.
Ainda ensopados e no vento frio da noite de Chicago, os dois voltaram a pé e andaram algumas quadras, por sorte, tudo por ali era perto. A casa de Kushina, a casa de Itachi e clareira ficavam, basicamente, uma entre a outra em uma linha reta, mas Naruto tinha que enfrentar seu pior inimigo: andar. Como Sasuke disse, fazer toda aquela caminhada bêbado deveria ser mais fácil e pelo visto ele vivia bêbado. Santa endorfina.
Chegaram ao portão da casa da família Uchiha e Sasuke, que estava quase tremendo de frio, tocou o interfone. Segundos depois, uma voz grossa e metálica saiu da caixinha.
Quem é?
– Sasuke – respondeu, revirando os olhos.
Não conheço nenhum “Sasuke”.
– Porra, Itachi, abre essa merda logo, eu tô congelando. – ralhou o mais novo contra o interfone.
A risada alta do irmão soou pelo aparelho e logo depois escutaram um estrondo da porta destravando. Ambos entraram no quintal verde passando por um caminho de pedras que dava até a entrada principal.
– Ele é seu irmão mais velho? – questionou Naruto e Sasuke acenou, afirmando – Você não tem cara de “irmão mais novo”.
Pararam em frente a porta e Sasuke o olhou.
– Por eu ser mandão?
– Eu não ia falar “mandão”, talvez autoritário.
– Palavras rebuscadas não combinam com você.
Naruto franziu o cenho e cruzou os braços, sentindo-se ofendido.
– Tá me chamando de burro? – Sasuke não respondeu e sorriu – Não consigo ver por que eu namorei com você.
– Logo você descobre. – retorquiu e abriu a porta.
O loiro abriu a boca pra responder mas nem tinha o que falar. Parecia que Sasuke sempre tinha uma resposta na ponta da língua e isso começou a incomodá-lo de uma maneira estranha.
Ambos entraram na casa e deram de cara com Itachi e Shisui sentados no sofá da sala. O irmão de Sasuke abriu os braços, como quem queria um abraço.
– Irmãozinho!
Mesmo achando que toda aquela cena era uma armadilha, o moreno foi até Itachi e quando abaixou para abraçá-lo, o mesmo o impediu, colocando dois dedos em sua testa. Sasuke se afastou fazendo alguns muxoxos enquanto Shisui revirava os olhos e Itachi se engasgava de rir.
– Toda vez! – disse ele – Sempre vai cair nisso.
O primo, tentando amenizar a situação, levantou-se e foi abraçar Sasuke.
– Bom te ver, Sasuke. Não ligue pra ele, já sabe como ele é.
– É… eu sei. – respondeu, retribuindo o abraço.
Naruto, que estava parado na porta vendo toda aquela cena peculiar, achou incrível saber que aquela pessoa feliz sentada no sofá era irmão de Sasuke, que contraste! O delegado os apresentou, como se fossem estranhos, e se cumprimentaram devidamente.
– É tão estranho ver o Naruto quieto, – disse Shisui e olhou para o loiro – geralmente você entra aqui e fica berrando com Itachi e fazendo apostas ridículas sobre videogame.
– Sério?
– Sim, sempre que vocês estão aqui é uma gritaria só. Falando nisso, como você está se sentindo?
– Hum, um pouco confuso, só. – respondeu, ainda agarrando o próprio corpo por conta do frio.
– Assim é bom que você não lembra as merdas que o Sasuke fez. – comentou o Uchiha mais velho.
– Itachi! – Shisui o repreendeu.
Sasuke, que fora pegar toalhas limpas, voltou a sala e entregou uma a Naruto sem tocar no assunto, aliás, querendo fugir dele.
– Vem, preciso de um banho.
Naruto abriu os olhos sem perceber quando pensou na possibilidade de tomar banho com Sasuke. Mas é claro que isso não ia acontecer. Sem querer, permaneceu imóvel e não o seguiu. O outro o olhou e riu.
– Eu vou tomar banho e depois você vai, ok? – ele acenou freneticamente – Vamos lá pra cima.
O loiro o seguiu até o segundo andar da casa. Andaram por um corredor extenso e Sasuke parou numa porta de madeira escura, ao entrar ele percebeu que era o antigo quarto do amigo. Não tinha muita coisa dentro, só uma cama, cômoda e um armário grande na parede. Ele não enrolou, não olhou nada e foi direto ao armário, mexeu em algumas roupas e estendeu duas peças a Naruto.
– Essa roupa é sua – Naruto pegou e estranhou, por que tinha roupas dele ali? Sasuke percebeu a confusão em seu rosto e continuou: – Tem várias roupas suas aqui, você sempre esquece – Naruto acenou – Vou tomar banho, pode ficar à vontade.
Ele acenou novamente.
Sasuke estava se sentindo tão incomodado com aquele silêncio. Naruto era tão barulhento e não media palavras pra falar alguma coisa. Queria poder fazer alguma coisa por ele, queria que ele se sentisse mais à vontade perto de si, mas isso não era algo que ele poderia simplesmente mudar.
Enquanto Sasuke estava fora do quarto, Naruto começou a absorver tudo o que tinha acontecido naquele dia. Encontrou sua mãe, descobriu centenas de coisas sobre o seu passado, caminhou e tomou banho num lago com Sasuke – e foi carregado pelo mesmo. Suspirou, ainda tinha muita coisa pra saber.
Se cobriu com a toalha e saiu do quarto, desceu as escadas e olhou para os lados tentando encontrar Itachi ou Shisui, ambos estavam na sala assistindo algum programa de TV.
– Ham… – balbuciou, meio sem graça – Eu queria um pouco de água.
Os dois sentiram vontade de rir. Quem era aquela pessoa toda educadinha pedindo água?! Era impossível distinguir aquele Naruto do cara que comia toda comida da geladeira.
– Naruto, a cozinha é ali. – Itachi apontou com o dedo indicador pro canto direito – A casa é sua, por favor, não fica todo engomadinho perto de mim não, me deu calafrios.
– Eu sou mal educado?! – perguntou ele, surpreso.
– Não, – replicou Shisui – mas você cresceu nessa casa, pelo amor de Deus, não faça cerimônia!
Naruto sorriu, aliviado. Foi até a cozinha, bebeu a água que queria e voltou a sala, sentando-se na poltrona ao lado do sofá.
– Por que você parece tão triste? – Shisui apontou – Estou ficando agoniado.
O Uzumaki pensou um pouco. A realidade era que estava nervoso por ouvir toda aquela história sobre a briga com os pais de Sasuke e estar naquela casa com Itachi. Sasuke estava feliz por estar ali e ele estava preso a negatividade, ainda sentia-se retraído.
– Sasuke parece gostar muito daqui e eu estou aqui com essa cara de desgosto.
Itachi e Shisui ficaram sérios e se olharam, tentando conversar sem palavras, apenas com os dois pares de olhos negros.
– Naruto… Sasuke odeia essa cidade. – Itachi confessou e Naruto ergueu as sobrancelhas – Toda vez que eu o via entrar aqui, eu sentia que uma parte dele estava morrendo. Ele odeia essa casa e esse lugar, é por isso que raramente o chamo pra vir aqui, mas você sempre serviu de apoio pra ele.
O Uzumaki não sabia como responder, ficou nervoso e se sentindo culpado por ter insistido que ele fosse naquela viagem. Mas algo estava errado.
– Por que ele continua vindo?
Itachi riu, como se fosse óbvio.
– Por sua causa.
Naruto se mexeu desconfortável na cadeira e Shisui logo pôs-se a falar:
– Não se culpe por isso, Naruto. Pelo que eu sei, ele melhorou bastante.
– Como assim? – perguntou o loiro.
– Não vejo ele tão desconfortável quanto ficava. – Itachi respondeu – Vocês sempre ficavam na Kushina mas agora ele fica aqui com você. Não sei detalhes, porque nem tudo ele me fala, mas parece que não é tão doloroso quanto uns anos atrás.
– Mas… ainda assim, você…
– Não se preocupe. Ele é meu irmão e eu faria de novo se fosse necessário.
Aquela era a gota d'água, mal percebeu, mas estava com a mão na boca, espantado com aquilo tudo. Em nenhum momento ele demonstrou o quanto estava descontente em estar ali. O viu rindo e fazendo algumas piadas, mas pensando melhor, quando ele sugeriu a viagem, Sasuke evitou. Ele devia ter visto isso antes.
– Falando no Diabo! – Itachi chamou, olhando o irmão aparecer na sala.
Olhou para ele, ainda com a mesma expressão de desgosto e ele, o olhou da mesma forma.
– O que aconteceu? – perguntou, preocupado.
Naruto negou com a cabeça e levantou do sofá, passando por ele e subindo as escadas.
– Vou tomar banho. – falou rápido e Sasuke o segurou pelo pulso.
– Sabe onde é o banheiro?
– Eu me acho.
Ficaram se encarando por alguns segundos até Sasuke estreitar os olhos. Ele estava escondendo alguma coisa. Conhecia aquela cara de “quero te evitar” a quilômetros de distância, mas como aquele Naruto não era o “seu” Naruto, ele decidiu não insistir, não queria assustá-lo. O soltou e deixou que ele subisse as escadas. Quando olhou para o dois homens no sofá, que observavam a cena, os mesmos desviaram o olhar, fingindo que assistiam a TV.
Como Sasuke não era burro, sabia que tinham conversado com Naruto sobre ele.

Quase meia hora depois, ele resolveu ir atrás do loiro, que estava demorando mais que o normal no banheiro. Quando verificou, ele não estava lá. O encontrou no seu antigo quarto, sentado na cama e olhando o que parecia ser um porta-retratos. Parou na porta e ficou observando o que ele fazia.
– Sinto muito – disse ele, percebendo a presença do Uchiha.
– Pelo que? – Naruto o olhou e inclinou a cabeça pro lado, como se não quisesse dizer as palavras.
– Isso já passou.
O loiro não respondeu, não era só pelos pais dele que ele sentia muito, mas por insistir em trazê-lo ao ponto alto de um incômodo dolorido.
– Vamos dormir na minha mãe hoje? – sugeriu.
– Se for por causa de-
– É porque eu quero.
Sasuke se surpreendeu com a resposta e não disse mais nada. Finalmente estava percebendo traços do Naruto que conhecia; incisivo e decidido. Apenas concordou com a cabeça e saiu do quarto.
O Uzumaki estava decidido a não deixar Sasuke se sentir mal por causa do passado.

Notas Finais


O que acharam?? As vezes eu acho que exagerei no drama, mas como eu me baseei em uma historia real não pude deixar de colocar os detalhes mais doloridos.
Enfim, me contem o que acharam! Semana que vem eu posto o proximo. Até mais! ♥


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