História Oblivion - Capítulo 7


Escrita por: ~ e ~Morghanah

Postado
Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Reita, Ruki, Uruha
Tags Aoi, Aoiha, Uruha
Exibições 74
Palavras 4.447
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 7 - I've made a broken promise


Fanfic / Fanfiction Oblivion - Capítulo 7 - I've made a broken promise

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Uma frase sempre ecoou muito perfeitamente em minha mente, de tempos em tempos, eu a ouvia soar claramente em minhas lembranças, tão nítido que era como se meus lábios estivessem a pronunciando outra vez. Era sempre uma lembrança amarga e por isso mesmo sempre era resgatada por minha mente, pois não podemos negar que nos é mais fácil lembrar-se da amargura do que da doçura.

A frase que ecoava em minha mente era a promessa que fiz para Kouyou no dia em que nós terminamos. Como se meus olhos tivessem eternizado aquele momento como um filme, eu conseguia ver outra vez o rosto sério daquele homem que eu amava, a luta interna em manter seus olhos frios e indiferentes para que eu lhe desse as costas e fosse embora de vez. Ali, em frente a sua faceta bem montada e comigo já na porta de sua casa pronto para ir embora, eu murmurei um “Eu não vou voltar”.

Ali eu sei que ele soube que eu me referia a não voltar para os seus braços, para a sua vida e inevitavelmente, seu coração. Ainda nos veríamos, mas não seria o mesmo de estarmos juntos. Naquele instante eu já não era mais dele, assim como ele já tinha deixado de ser meu tempos antes.

Lembro de que vi seus olhos vacilarem, seus lábios se mexeram e eu pensei que ele me diria alguma coisa, mas eu queria que ele ficasse calado e acho que ele sentiu o meu desejo e ficou em silêncio. Ele não se moveu para me fazer ficar, ele não demonstrou nem ao menos alguma reação quando me viu chorar e pedir para que ainda tentássemos ficar juntos. Dessa forma ele parece ser alguém muito frio, eu sei, mas essa era a única maneira que ele aprendeu a ser.

Eu fui embora, fechei sua porta e fiquei um tempo parado no corredor vazio, pensando no quanto eu me sentia oco depois de minhas últimas palavras. Pensei ter ouvido um choro vindo de dentro de seu apartamento e naquele instante me arrependi de ter lhe pedido mudamente que não rebatesse as minhas palavras, eu naquele instante mais do que nunca quis ouvi-las, assim como me arrependi em ter dito que não mais voltaria para ele.

Era mentira, eu no mesmo instante quis voltar, porém meus pés foram para longe de Kouyou, para longe de nós.

Realmente amargo.

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Novembro.

 

Reita estava deitado no chão, sendo abanado por uma staff, Aoi que estava largado em um sofá sorria largo enquanto conversava com o baixista sobre o show que tinha terminado há poucos minutos e apesar de estarem desgastados pelo calor excessivo em meio a apresentação, eles estavam radiantes por terem ido até o fim. A sensação pós-show sempre lhes era intensa.

Uruha estava se refrescando com Ruki em um dos cantos do camarim, já tinha tomado uma garrafa inteira de água e ainda sentia sede, mas assim como os outros também estava feliz com o show. Kai já tinha sumido das vistas de todos, o líder não conseguia ficar parado em um mesmo lugar e por vezes até o empresário o perdia de vista.

— Pare de rir, infeliz! – Aoi gritou com certo humor, enquanto chutava as coxas do baixista que ainda estava deitado no chão – Não teve graça! Eu fiquei constrangido!

— Desculpe Yuu-kun, mas sua cara quando caiu foi a melhor!

Aoi tinha escorregado em um giro que fazia e acabou caindo de joelhos perto de Reita, no momento da queda, ele ouviu algumas pessoas da plateia acharem graça e até mesmo Ruki que viu toda a cena, não evitou um sorriso. Já Reita nem ao menos disfarçou a risada e a todo o momento que podia após aquilo, ele se aproximava de Aoi e lhe dizia como provocação: “cuidado para não cair de novo, Yuu-chan”.

Não queria admitir, mas desde a queda sentia seus joelhos arderem, talvez os tivessem ralados, mas para esquecer daquilo acabava rindo junto com Reita, não era a primeira vez que ele caia no palco e provavelmente não seria a última, então restava apenas achar graça em tudo e seguir em frente.

— Você se machucou? – Ruki entrou no meio da brincadeira dos dois – Quando se levantou, parecia que estava mancando.

— Foi só no momento, eu estou bem Ru-san, – sorriu para o vocalista – são coisas que acontecem.

Ruki concordou enquanto foi se sentar ao lado de Reita que ainda estava deitado, onde os dois passaram a conversar normalmente. Aoi de certa forma invejava a maneira como os dois pareciam maduros diante do término do que tinham. Era como se nada tivesse mudado e sobre eles não pairava aquela nuvem de sentimentos hostis e tristes. Talvez eles estivessem rindo até mesmo um pouco mais do que antes.

Claro que ele sabia que Reita ainda estava apaixonado, Aoi tinha se tornado seu confidente, e por vezes ouvia as confissões do baixista sobre o que sentia. Achava aquele sentimento muito bonito e internamente esperava que ambos ficassem bem no final de tudo. E era no meio desses pensamentos que Aoi queria que as coisas entre Uruha e ele também tivessem sido daquela maneira.

Se as coisas tivessem terminado da forma certa, Aoi imaginava que naquele momento os dois poderiam ter continuado sendo como amigos, dividindo momentos sem se magoarem ou se sentirem estranhos por isso. Sentia falta das conversas longas, das risadas sinceras e de tudo o que compartilhou ao lado de Kouyou e se no momento atual não pudesse fazer tudo aquilo sendo seu companheiro, queria que pudesse fazer sendo seu amigo.

O coração de Aoi ainda tinha marcas. Algumas feridas estavam fechadas, mas outras persistiam em estar abertas, mas era notável a mudança em seu comportamento, em sua alegria. Aos poucos ele estava encontrando a sua forma de “dar a volta por cima” e esquecer aquilo que o machucava. Ele sabia que estava conseguindo se esquecer dos momentos ruins que passou com Kouyou. Dos bons, não desejava esquecer, mas os maus não fazia questão de lembrar.

Queria que o mesmo acontecesse com o outro e por mais que soubesse que ainda era um homem apaixonado, esperava que um dia o visse sendo feliz com alguém que pudesse o envolver por completo. Poderia doer quando visse isso acontecer, mas não se lamentaria se visse que o outro sendo feliz de verdade.

Às vezes amar, significa deixar ir.

Após o término de suas funções naquela noite, foram para o hotel onde estavam hospedados e todos sentiam seus corpos pesados, clamando por descanso. Aoi estava dividindo seu quarto com Uruha, mas isso nem de longe era um problema, nas últimas três cidades que passaram vinham dividindo o quarto e não tiveram nenhum problema ou constrangimento. Eles já estavam mais do que acostumados a estarem no mesmo ambiente.

Banharam-se e foram se deitar em seguida, mas por alguns minutos conseguiram conversar sobre o show que fizeram naquela noite, em como o público estava animado e a energia estava intensa. Falavam em meio a sorrisos, pois fazer aquilo era o que os moviam. Amavam o que faziam.

— Como está seu joelho? – Kouyou perguntou se virando em sua cama, de modo que o olhasse de frente – Eu percebi que estava disfarçando para os outros, mas deve ter se machucado – Yuu sorriu de lado, o outro sempre foi muito bom em saber quando disfarçava algo aos outros.

— Eu estou bem, apenas ralei um pouco, mas depois do banho eles pararam de arder. – virou-se também em sua cama para olhar melhor para o outro – não comente com os outros, sabe que não gosto de causar preocupações.

— Não se preocupe, não direi – Yuu anuiu em agradecimento – talvez o Ruki também tivesse percebido, caso ele não estivesse com a cabeça tão cheia.

— Cabeça cheia? Com alguma coisa da banda? – Kouyou negou.

— Eu sei que você sabe que é sobre o Reita. O Ruki está se sentindo culpado, porque mesmo que o Reita não demonstre ele está triste.

— É normal que o Reita se sinta triste, não é fácil ver a pessoa que se gosta nos afastando.

Yuu disse sem a menor pretensão de levar o assunto para o lado pessoal, apenas havia dado a sua opinião, porém viu como os olhos de Kouyou se desviaram dos seus como se tivesse sido atacado com uma indireta. Percebendo o que fez, o Shiroyama se angustiou. Finalmente estava conseguindo ter Kouyou ao seu lado o mais próximo da amizade que um dia cultivaram, não queria que isso fosse abalado por fantasmas do passado. Queria um recomeço, tê-lo ao seu lado ao menos como seu amigo.

— Há algo que nós possamos fazer por eles? - decidiu continuar com o assunto anterior, para assim tirar o foco sobre os dois – eles precisam ficar bem um com o outro.

— Eu ando conversando com o Reita – Kouyou voltou a olhá-lo – na verdade, ele mais desabafa do que deixa eu falar – “talvez eu nem seja um bom exemplo para aconselhar”, completou em mente.

— Eu poderia falar com o Ru-san, mas imagino que ele prefira ficar no canto dele escrevendo, não acha? Ele sempre transforma o que sente em música.

— Talvez, mas acho que todo mundo precisa de alguém ao lado para poder falar, nem que seja de vez em quando.

Yuu se pegou pensando sobre aquilo, da necessidade da conversa, do desabafo e da compreensão de alguém. Por vezes não era necessário ouvir “eu entendo”, mas sim um “pode falar o que quiser”. A falta de compreensão de quem está vivendo ao seu lado pode se tornar um martírio.

Inevitavelmente pensou em Kouyou outra vez e em como os dois não souberam se compreender no passado. Os dois eram culpados e que admitiam o erro. Talvez a eles tivessem faltado a conversa, o entendimento, o um se colocando no lugar do outro. Pensou que se tivessem feito aquilo, estariam naquela noite na mesma cama no lugar de estarem separados.

— Você quer fazer isso? – a pergunta deixou Kouyou confuso – quer falar… Desabafar? Eu não sou como o Reita, mas eu posso te ouvir.

A pergunta pegou Kouyou desprevenido. Yuu nunca tinha lhe proposto aquilo antes, mesmo quando estavam juntos, tinham o costume de deixar as palavras saírem quando quisessem, não houve momentos em que decidiram que era necessário falar, mas lhe passou o pensamento de que talvez não pudesse ser algo ruim. Falar com Yuu lhe era natural, não lhe causava incômodo.

— Não sei sobre o que eu poderia falar… – disse incerto.

— Pode falar sobre qualquer coisa! Vamos, se você falar eu também falo.

De repente Yuu pareceu animado com a ideia de conversarem sobre algo que não tinha sido previamente combinado, quase como espontâneo, sem dar chances de se pensar no que dizer. Levantou-se de sua cama e se sentou na de Kouyou, fazendo com que o outro também se sentasse, encostando suas costas na cabeceira. A ideia não parecia ruim, mas já havia sido o suficiente para que agitasse um alerta na mente de Kouyou. Esperava que aquilo não fosse muito longe.

— Sobre o que quer conversar? – Kouyou perguntou e Yuu sabia que não poderia ser um assunto profundo ou o outro poderia querer fugir, se esconder em suas barreiras.

— Sei lá! – Yuu riu da própria falta de palavras – Você disse que todo mundo tem algo para falar, então diga algo que eu ainda não sei. Pode ser qualquer bobagem sem sentido.

Kouyou acabou sorrindo diante daquilo. Yuu parecia leve diante do seu pedido, como se fosse fácil falar sobre qualquer coisa, era como se não tivesse barreiras. Achava interessante esse ar livre que emanava dele, tudo em si soava natural.

— Ok… Acho que a bobagem sem sentido que posso dizer é que na escola, como você já sabe, eu era do clube de futebol e tinha até o sonho de ser jogador, mas enfim, naquele tempo sempre que entrava algum membro novo eu ficava os encarando de forma maldosa, até eles sentirem medo de mim – Yuu o olhou descrente.

— Por que fazia isso?

— Não sei – sorriu um pouco envergonhado – Na verdade sempre tive essa mania de olhar para as pessoas assim, eu acho graça na forma como as pessoas desviam o olhar quando faço isso.

— Você é um homem maldoso! – Yuu riu – é por isso que quando o Kai entrou na banda ele me dizia que achava que você não gostava dele. Você fazia bullying com o novato.

— Kai tinha cara de menino doce, era divertido caçoar com ele e não me dê lições de moral, você também fazia o mesmo com ele! – Ambos riram.

— Eu fazia com todos vocês, eu sou mais velho e tenho direitos. – Disse com o seu costumeiro jeito espontâneo, fazendo Kouyou rir.

— Você no fundo também não vale nada, Yuu! Aposto que fazia o mesmo enquanto era estudante.

— Não, eu era um rapaz legal com os novatos, até com os que entravam no clube de basquete.

— Eu não consigo imaginar você jogando basquete – Kouyou começava a relaxar diante da conversa – Você não tem cara de ser um bom jogador.

— Está brincando comigo? Eu era um dos melhores! – Respondeu convencido – E de quebra as meninas ficavam encantadas comigo.

— Oh, claro! Você e seu imenso charme galanteador – Kouyou disse como se não acreditasse naquilo, mas, no fundo, ele imaginava que Yuu em seu tempo de estudante deveria receber olhares cobiçosos, da mesma maneira que continuava recebendo até hoje. Ele tinha um charme próprio onde era fácil que os olhares seguissem sua figura.

Continuaram conversando por mais algum tempo, contando detalhes da época escolar, ambos escolhendo os melhores momentos daquele tempo para que pudessem contar. Ali pareceram que estavam entrando em um clima diferente do qual vinham dividindo por um longo tempo. Não estavam carregando um ar pesado, mas mais leve que os recordava do tempo em que costumavam ser bons amigos, algo parecido com o que tinham no início da banda.

Com o passar do tempo da conversa, se aproximaram sem nem ao menos se dar conta disso, as vozes foram se tornando mais baixas, como se mostrassem que estavam mais íntimos e apenas se deram conta do quão perto estavam, quando Yuu sentiu que Kouyou segurava a ponta dos seus dedos.

Olhou para aquele pequeno contato e Kouyou seguiu seu olhar, mas não se envergonhou ou quis recuar, pois se sentia confortável daquela forma. Vendo que ao menos ali não tinha sido afastado, sendo um pouco audacioso, se desencostou da cabeceira, diminuindo a distância e fazendo com que Yuu o olhasse quando o sentiu tão perto.

— Isso incomoda? – perguntou se referindo ao breve contato de seus dedos.

— Não. – respondeu sincero. “Não diga nada, não diga” – Eu gosto. – Yuu por vezes não conseguia seguir seus próprios conselhos.

Olhavam-se serenamente e Kouyou não negava a si mesmo a vontade que tinha de transformar aquele momento tão bom e leve, em algo ainda mais deles, íntimo. Tudo ali lhe fazia recordar da época em que namoravam e secretamente ainda guardava a vontade de reviver aquilo.

Por outro lado, Yuu ainda estava incerto com aquela proximidade, dividido em se deixar levar ou acabar com tudo naquele instante. Kouyou conseguia deixar seus ombros pesados e algo em si lhe dizia para tomar cuidado ou toda aquela avalanche da qual fugia, o atingiria de modo certeiro.

Kouyou sustentou aquele olhar por um longo tempo, perdido nas emoções que o homem a sua frente mostrava apenas com um breve olhar. Sabia que Yuu queria sair correndo, se afastar de si como podia e se esforçar para fingir que aquilo nunca aconteceu. Shiroyama não era um covarde, apenas tinha um receio enorme de se ferir outra vez.

Ousando um pouco mais, talvez por saber que palavras não caberiam naquele momento, Kouyou se aproximou ainda mais, tão próximo que sentia a respiração morna do outro passar de leve em seu queixo e já podia ver com detalhes os olhos escuros de Yuu. Eram bonitos, como se fossem o universo particular daquele homem. Observando com atenção, como sempre gostou de fazer, conseguia até mesmo ver naqueles olhos o quanto Yuu também não sabia se esconder diante de si.

Achando que teve abertura suficiente para tal coisa, Kouyou roçou seus lábios nos do outro. Fazia tanto tempo que não fazia aquilo que por um instante quase suspirou, porém quando ia de fato encostar seus lábios, Yuu fechou seus olhos e virou o rosto, fazendo com que Takashima beijasse sua bochecha. O guitarrista quase sorriu de amargura. Estava sendo rejeitado outra vez.

— Por favor, não faça isso – Yuu lhe pediu ainda com os olhos fechados, talvez tivesse medo de olhar para o outro e se ver caindo na armadilha daquele instante – não faça.

— Por quê? - Kouyou não se afastou e aproveitando daquela proximidade, deixou sua testa encostar-se ao ombro do outro, enquanto seus braços abraçaram a cintura alheia – Por que diz não com a boca, se seu corpo ainda deixa que eu esteja aqui? Yuu… Eu não quero mais te fazer mal.

— Eu sei – suspirou pesado – No fim eu sempre soube que não quis me fazer mal, mas não querer não significa que não vá fazer. Se eu deixar isso acontecer o que vem depois disso? Voltaremos a dar murro em ponta de faca? Se eu deixar isso acontecer o que muda?

Kouyou não sabia responder o que mudaria, pois de certa forma achava que suas barreiras ainda seriam rígidas como sempre foram. Talvez agora tivesse aprendido que Yuu era uma pessoa digna de entrar em seu espaço, alguém que poderia ir até seu canto secreto e o tomar pelos braços, aquele homem a quem abraçava com tamanho saudosismo era quem precisava e acima de tudo, quem amava. Não duvidava que ainda fossem dar murros em ponta de faca, que ainda escorregariam nos mesmos erros de antes e quem sabe até chorar outra vez, mas mesmo com tudo isso ele achava que as coisas não seriam iguais ao passado, considerava que já tivesse aprendido a sua lição.

— Eu quero que seja feliz – Yuu continuou a falar quando não recebeu respostas – Eu quero te ver sorrindo, sendo amado e possa desfrutar de tudo o que merece, sabe que não minto. Quero que tenha felicidade, mas acho que nossa tentativa mostrou que eu não posso te dar isso.

— Não acha que sou eu quem deveria julgar isso? – Kouyou não se achava um homem bom com as palavras, por vezes achava que certas coisas ditas perdiam o significado em seus lábios ou que deveriam ser caladas e serem feitas com ações. Não era homem de falar muito sobre sentimentos, apesar de senti-los intensamente, mas sabia que com Yuu era diferente. Por mais que o outro guitarrista também não falasse muito sobre o que sentia, sabia que ele por vezes precisava ouvir, precisava das palavras. – Você me fez feliz e ainda faz.

— Por favor… – Yuu segurou sua cintura na intenção de afastá-lo, mas Kouyou o apertou em seu abraço, não queria deixá-lo ir – Pare com isso, não vê que eu estou conseguindo seguir em frente? Não era o que sempre quis? Pois bem, é o que eu estou fazendo, seguindo um caminho diferente do seu! Então me deixa em paz! – Yuu nunca aprendeu a se esconder de quem ama, Kouyou se soubesse como agir, seria capaz de vê-lo por completo.

— Eu não quero.

Kouyou disse em voz baixa, como se tivesse confessado um segredo bem guardado. Estava se permitindo se mostrar sincero, ainda que parecesse fraco, porque naquele momento percebeu o quanto já estava cansado de parecer forte o tempo inteiro na frente do homem que já tinha visto que por dentro suas estruturas não eram tão fortes assim.

Yuu preferiu ficar em silêncio, se sentindo derrotado por saber que não adiantava o que fizesse Kouyou ainda mexia consigo de maneira que até bagunçava seus pensamentos e confundia suas ações. Sabia que o certo era sair dali, mas não conseguia, ou quem sabe, não queria. Desistindo de afastá-lo, Yuu admitiu a si mesmo que cairia no erro para depois se lamentar.

O outro sentiu Yuu levando uma das mãos até seu pescoço, afastando seus cabelos claros e lhe dedicando um breve carinho sobre sua pele, os dedos dele se embrenharam em seus cabelos e o puxou fracamente para que o olhasse.

Mais uma vez se viram naquela proximidade, olhos nos olhos e ali talvez as palavras já pudessem ficar caladas, naquela troca silenciosa já tinha um oceano de sentimentos trocados e Yuu se achou um tolo por achar que tinha o esquecido ainda que por um pouco. Não tinha esquecido. Seu peito não viu o tempo passar.

Daquela vez partiu de Yuu a quebra de espaço. Seus lábios roçaram primeiro contra a pele morna da bochecha esquerda de Kouyou, fazendo com que o guitarrista fechasse seus olhos e se entregasse ao momento, a Yuu. Recebeu um selo leve e uma carícia em sua nuca. Por instinto virou seu rosto em direção aos lábios do outro e esperou que fosse ser rejeitado outra vez, porém para seu deleite não foi o que aconteceu.

Yuu selou seus lábios e percebeu o quanto sentiu falta daquilo pela forma como seu coração se acelerou. Não mais se negou e aprofundou o beijo em seguida, ouvindo um suspiro baixo de Kouyou e uma batida mais dolorosa em seu peito. Beijava-o devagar, sentindo seu gosto, a textura dos lábios contra os seus. Sentia os dedos de Kouyou acariciando de leve a sua cintura, lhe trazendo conforto, como se de repente estivesse outra vez em seu lugar certo.

O beijo, porém não durou muito tempo e ao final Kouyou lhe selou algumas vezes antes que reabrissem os olhos quase que ao mesmo tempo. Ficaram se olhando por um tempo, sem parecer que tinham a pretensão de agir de alguma forma, aquele momento apesar de inesperado era algo que secretamente desejavam que acontecesse. Tinham medo de que as palavras os fizessem voltar a razão outra vez, por isso uniram seus lábios outra e outra vez, apenas para firmar o que já sabiam: que nada havia mudado entre eles.

— E agora? – Yuu sussurrou a pergunta com os lábios ainda próximos ao do outro, Kouyou que permanecia com os olhos fechados queria que ele não tivesse feito qualquer questionamento.

— E agora? – Kouyou repetiu a pergunta, reabrindo seus olhos e vendo o quão profundamente Yuu lhe olhava. Era uma mistura de amor e dor. Tinha a certeza que seus olhos refletiam o mesmo – Você sabe o que eu quero. – O outro balançou a cabeça em negação,

— Não... Eu não sei se posso fazer isso outra vez.

Yuu entendia que o estava sendo mencionado ali era a oportunidade de uma segunda chance e isso o assustava. Apesar de permanecer com seus sentimentos intactos, não sabia dizer se estava pronto para se arriscar outra vez, não quando ainda não podia ter a certeza de que o outro tinha mudado, de que passariam a confiar um no outro. Não queria mais mergulhar naquele mar que Kouyou era sem estar preparado, na última vez as ondas turbulentas quase o afogaram.

— Não minta mais pra mim, Yuu. – Kouyou colocou as mãos em seu rosto – Eu sei que nada mudou.

— Sim, não mudou – Sabia que o que falaria tiraria seu sono naquela noite, mas sentia a necessidade de falar. Respirou fundo, não ousando desviar seus olhares – Eu ainda amo você, Kouyou.

Não houve resposta imediata, os olhos de Kouyou se abriram em surpresa diante da frase. Apesar de em seu interior não duvidar que o outro ainda o amasse, possuía uma grande parte pessimista que julgava que nunca mais ouviria aquilo vindo de Yuu. Depois de dois anos estava ouvindo outra vez a frase que apenas ecoava em suas lembranças, dois anos depois estava sendo chamado pelo seu primeiro nome de novo.

— Eu também amo você.

Viu Yuu sorrir de lado depois de suas palavras, os olhos dele brilhavam de uma forma diferente e sem que pudesse se frear, acabou sorrindo igual. Por um momento se permitiu sair de seu eixo tão firmado e imaginou que aquilo poderia significar que eles eram capazes de encontrar novamente o ponto de partida, porém a forma como o sorriso do outro lentamente se desfez, dando lugar a um pequeno vinco em sua testa, instintivamente o fez querer recuar.

— Mas eu não posso mentir, ainda estou confuso, não sei se amanhã você vai me chutar porque voltou a ter medo, de que vai me afastar quando achar que eu fui longe demais. Nós dois só podemos existir se houver confiança, se você permitir que eu esteja do seu lado.

— Eu sei, eu... – Yuu o calou colocando seu indicador sobre seus lábios.

— Eu não quero que me dê explicações, o tempo de se fazer isso já passou. Eu preciso de um tempo, por favor.

Apesar de se sentir relutante com aquilo, Kouyou sabia que não havia nada que pudesse fazer contra aquele pedido. Entendia o que Yuu sentia e não podia negar a ele um tempo para pensar, lhe restava apenas aguardar que o fim, pudesse ser diferente do que havia sido há dois anos. Julgava que ambos já tinham aprendido a lição através de seus erros.

— Tudo bem, eu espero – E de certa forma os dois sabiam que esse “esperar” não tinha um limite marcado. “Apenas não demore”.

Yuu anuiu e antes de se afastar beijou os lábios de Kouyou outra vez, demorando propositalmente apenas para que prolongasse aquela sensação que aquecia seu peito, sentindo as mãos que ainda estavam em seu rosto lhe dedicando um carinho terno. Quando se afastou ouviu um pequeno suspiro partindo do outro, assim como sentia os olhos pequenos presos em sua figura quando se levantou da cama do guitarrista, indo pegar seu casaco e um maço de cigarros que estava em cima de sua mala. Precisava sair daquele quarto, ter o seu momento sozinho.

Antes de sair olhou uma última vez para Kouyou que não lhe sorriu ou disse algo, mas naquele momento o viu como se estivesse transparente, despedido de sua máscara de frieza e indiferença. Naqueles olhos castanhos viu o verdadeiro Takashima Kouyou, o homem que momentos antes disse que lhe amava e que naquele momento lhe pedia com seus olhos que quebrasse a promessa que tinha feito anos antes e que voltasse para ele.

Nada acrescentou e saiu do quarto fechando a porta em um baque leve. Quando um se viu longe do olhar do outro, viram o quanto estavam com as ideias bagunçadas e tinham a necessidade de saber por onde começar a arrumar, por outro lado, sentiam que não podiam negar a si mesmo que aquilo que tinham deixado guardado por tanto tempo desejava surgir outra vez.

 



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