História Obscure. - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Orange Is the New Black
Personagens Piper Chapman
Tags Alex Vause, Orange Is The New Black, Piper Chapman
Visualizações 192
Palavras 2.500
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Mistério, Orange, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - Fragmentos.


 

 

“ Os mortos são uns invisíveis, e não uns ausentes.”

(Victor Hugo)

 

 

 

Quantas toneladas um simples segundo pode pesar?  Ou quantas horas existem dentro de cada minuto? Seria possível uma força invisível segurar os ponteiros do relógio?  Seria insano demais ouvir vozes no silencio? 

Jogada sobre o sofá com os dedos mergulhados nos fios loiros Piper fazia para si mesma pela milésima vez aquelas mesmas perguntas, como sempre sentia-se  passeando entre paralelos, entre o aceitável e o absurdo. Queria não pensar, gostaria de ver apenas um quadro em branco quando fechasse os olhos, mas sua cor ultimamente era outra. O vermelho parecia acompanha-la em todas as direções, como uma marca permanente, talvez inclusa dentro dos seus olhos.

O som do telefone a fez suspirar de novo, essa era a quinta ligação do investigador Parker. O que seria dessa vez? Um convite para jantar ? Um almoço? As vezes tinha imensa vontade de mandar o homem para o inferno, apontar o dedo em seu rosto e manda-lo para lugares que ultrapassavam sua boa educação, mas sempre desistia no ultimo momento,  porque por mais estranho que parecesse o interesse dele fazia com que ela se sentisse humana, uma mulher ainda estava ali, mesmo que enterrada em seu interior, soterrada pelo sofrimento e angústia.

O passar dos dias era  lento, arrastado, desmotivador. Ela continuava como um fantasma arrastando suas correntes, presa a tantas lembranças ruins, contendo a fúria diária diante do fracasso da policia em encontrar o responsável pelos assassinatos. Como era frustrante perseguir migalhas de informação, micro pistas na opinião dela, coisas inúteis, era como diferenciar grãos de areia na praia. Puxou os cabelos e fechou os olhos, uma inquietação tomando conta do seu interior, estava ficando certamente ansiosa, isso era péssimo, talvez a pior sensação do mundo. Sua respiração ficava agitada e ela sentia vontade de correr, correr para longe. Começou então uma contagem silenciosa, precisa conter aquilo, o desespero. Contou até dez várias e várias vezes, até sentir voltar o eixo, pensou então em ligar a TV, mas batidas sutis na porta interromperam o ato. Ficou em silencio, as batidas ganharam um pouco mais de força, mesmo assim não se moveu.

- Senhora Chapman? Sou eu Walter. A Senhora está aí?

Mais algumas batidas foram dadas, ouviu então os passos se afastando, se aproximou da porta  conseguiu ver o jovem Walter mancar em direção ao carro.

- Walter! –viu a surpresa do rapaz ao vê-la.

- Desculpe por incomoda-la. – falou ainda perto do carro.

- Venha, vamos tomar um chá. – disse dando as costas.

Pós água para esquentar, conseguia ouvir os passos vagarosos de Walter na sala. Viu quando ele surgiu na cozinha, com uma companhia um tanto inusitada.

- Desculpe, mas meu amigo aqui se recusou a ficar no carro.

Piper reconheceu de imediato o pequeno animal, o cachorro da raça Pug olhava para ela balançando a pequena calda, o latido baixo ecoou em seus ouvidos trazendo imagens da Senhora Clark caída, o pequeno cão assim como ela sentia falta da mulher doce.

- Criamos um laço. – disse Walter. – O encontrei na casa da Senhora Clark.

- Se chama Saturno, era uma companhia constante da dona. – pegou duas xicaras.- Vejo que melhorou.

- Apenas a perna que ainda dói, mas logo ficarei bem.

Piper serviu chá e alguns biscoitos, Walter se acomodou no sofá e ao seu lado Saturno, a loira observou a cena achando de certa forma divertida, o rapaz tinha uma pureza difícil de encontrar, era calmo e cuidadoso, era uma das poucas pessoas que conseguiam cativa-la na atual situação, e levando em consideração o aparente afeto que o rapaz parecia ter com ela resolveu arriscar uma coleta de informações.

- Walter?

- Sim?

- Me diga o que você viu naquele dia.

- Eu...eu acho que não posso, Senhora Chapman.

- Já disse para me chamar de Piper. –Olhou bem para ele. - Acha justo que eu não saiba nada? Estou completamente envolvida nessa historia, é minha historia, entende?

- Hank acha prudente que você seja preservada.

- Será nosso segredo, Hank não precisa saber de nada, por favor, me diga o que você viu. – Walter puxou o ar para dentro dos pulmões.

- Quando rolei barranco abaixo, achei que pararia em um monte de folhas ou algo parecido, mas a verdade é que rolei pela parte mais irregular. Sentia raízes, galhos e acabei me chocando contra uma árvore, e foi aí que senti algo cair sobre mim, tinha um cheiro horrível, achei que fosse algum animal, mas não era. – o rapaz se calou, parecia  lutar contra as lembranças.

- Continue, por favor.

- Era um corpo, um corpo relativamente pequeno. Me afastei aos gritos, não imagina o quão assustador foi aquilo, era uma criança, estava coberta de tinta marrom, camuflada contra o tronco, céus alguém a amarrou no alto da árvore Piper, não devia nem ter quatro anos. – Levantou andando de um lado para o outro. – Entrei em choque, não conseguia acreditar nos meus próprios olhos, não consegui aceitar tamanha crueldade, alguém que faz esse tipo de coisa não pode ser humano.

- Acha que poderia ter acontecido o mesmo com Nathan ou Richard?

- As vezes fico imaginando isso, e nada parece fazer sentido.

- Como assim?

- A forma como os dois foram mortos, Nathan fora sutil, típica de uma mente doentia, mas a forma como seu marido foi morto é completamente diferente.

- Talvez se eu não tivesse aparecido...

- Essa é a questão, havia tempo para esconder os corpos. Criei varias teorias, algumas podem parecer bem absurdas. Nathan morreu antes de Richard, mas o mais lógico seria matar Richard primeiro, estou levando em consideração a força extra do seu  marido, além da possível luta corporal, mas isso não aconteceu. Nathan foi morto e só então o seu marido, não faz sentido, e a forma como aconteceu  muito menos.

- Me diga o que realmente acha, Walter.

- E difícil explicar dessa forma, teria que mostrar pontos isolados que encontrei. Piper, é algo complicado.

- Então mostre! – De repente se sentiu curiosa sobre as ideias loucas dele.

- Não posso.

- Por favor.

- Isso envolve conclusões não oficiais, apenas hipóteses.

- Quero saber quais são.

- Na verdade, são só suposições minhas, não fazem parte das investigações.

- Sua versão do caso?

- Tecnicamente, sim.

- Me diga então.

- Como eu disse, é necessário que você veja as referencias, e bem , está tudo em meu apartamento.

- Me leve até lá.

- O que? Agora?...Você diz agora?

A loira não respondeu, apenas pegou a bolsa e tomou a xícara das mãos dele e o arrastou para fora, quase obrigou o homem a entrar no carro. Walter falava sem parar, estava nitidamente nervoso, Piper porém se manteve calada, estava em um conflito interno querendo entender as razões que a levaram a comprar aquela conversa, chegou a conclusão de que poderia descobrir outras coisas se mostrasse interesse nas teorias dele.

O carro parou diante de um prédio modesto, os dois desceram do carro sendo seguidos por  Saturno, quando a porta foi aberta o pequeno cachorro deitou no tapete.

Piper observou Walter pegar várias pastas, a loira se movia tentando não esbarrar em nada, mas não estava sendo fácil pois o apartamento estava repleto de caixas.

- Sente-se. – Walter disse enquanto juntava mais papeis que estavam sobre a mesa. – Costumo trazer trabalho pra casa.

- Notei vagamente. – ele riu.

- Aqui. – espalhou fotografias sobre a mesa de centro. – Tem certeza que consegue ver isso?

- Sim.

- Quando perguntou sobre o que vi na floresta, tive receio em falar, na verdade ainda tenho. Quando entrei para a policia, sabia exatamente o que poderia encontrar, mas quando você vê o que de fato acontece todas as suas certezas sofrem um certo abalo. Cair naquela parte da floresta foi algo muito, bem...Muito revelador, porque só então consegui ter dimensão do quanto estamos entrando em um terreno sombrio. O que vi Piper foi a perfeição da crueldade.

Ele então mostrou a  fotografia, nela havia uma criança com o corpo pintado por tinta marrom, era possível ver que suas mãos haviam sido serradas. Piper levou as mãos a boca horrorizada.

- Meu Deus.

- E uma menina, fora amarrada na arvore, seu corpo pintado para se parecer com o tronco.

- As mãos dela...

- Veja isso. – espalhou mais fotos sobre a mesa. – Esse é seu marido. – a fotografia  mostrava um pálido Richard, a abertura em seu peito mostrava a força com que foi atingido. – Aqui temos a Senhora Clark. – o crânio achatado ganhava dimensões  ainda mais assustadoras. – E aqui temos Nathan. – Piper não conteve a emoção diante da imagem do filho, ele parecia dormir tranquilamente, mas ela sabia que ele jamais acordaria. – Tudo bem? – indagou diante da expressão de tristeza feita por Chapman.

- Sim.

- Posso parar se quiser.

- Não, continue. – disse de forma firme.

- Sei que é difícil pra você, mas peço que tente ver as coisas por um ângulo menos emocional. Vamos começar com a menininha, a forma como ela foi morta se encaixa no padrão dos corpos encontrados embaixo da rocha, mas já a senhora Clark e o neto sofreram uma morte mais trabalhada controlada, eu diria até...organizada. A decapitação, o achatamento do crânio, isso segue um pequeno padrão de vaidade, mas ao observar seu marido, ele foi simplesmente morto, um golpe fatal, simples e certeiro.

- Talvez o assassino estivesse com pressa.

- Já disse  que ele teve muito tempo para matar Nathan, poderia ter feito o mesmo com o seu marido. A forma como a Senhora Clark foi morta é quase artística, feita por quem gosta de torturar, assim como a da menina que foi presa a árvore, só que mais cruel, o afogamento de Nathan foi feito com requinte, uma tortura, pois os pulmões dele encheram de ar algumas vezes antes dele ser de fato afogado. Temos três padrões de assassinato, e não estou falando de um assassino versátil, estou falando de pessoas diferentes.

- Então acha que temos três assassinos a solta?

- Pode parecer absurdo, mas sim, é isso o que acho.

- Por que não disse isso aos outros?

- Porque não me levariam a sério. Sou só um estagiário, esse é um caso muito complexo.

- Talvez o investigador Parker lhe desse ouvidos.

- Não se engane relação a ele, na verdade a única utilidade dele se resume a puxar o gatilho, lhe falta cérebro.

- Hank?

- Ocupado demais para escutar qualquer coisa. As vezes penso que Alex poderia acreditar em mim, mas ela não é uma pessoa muito fácil.

- Confia nela?

- Sim, ninguém mais que ela se dedica para resolver esse caso, nem mesmo Parker. Já vi Alex virar noites estudando cada foto, vendo cada relatório, analisando todas as possibilidades, ela quer mesmo ajuda-la.

Piper se viu um tanto perdida diante da revelação do rapaz. Como Alex poderia mostrar tanto interesse em seu caso? Qual motivação ela tinha?

Se despediu de Walter  e seguiu para casa, era necessário  refletir, talvez houvessem muitas questões para serem repensadas.

Seguindo pela estrada se via ainda mais pressa em novas hipóteses, talvez estivesse enganada em relação a muitas coisas, quem sabe sua confiança estivesse voltada para a pessoa menos preparada para recebe-la. Guiou o carro até a garagem, já era noite quando finalmente entrou em casa e retirou os sapatos, seus pés agradeceram enormemente por conseguirem respirar um pouco. Arrastou-se escada a cima, pensou em ir diretamente para o quarto onde tomaria um banho, mas se viu indo em direção ao quarto de Nathan.

A pequena cama permanecia com os lençóis levemente amassados, os braços curtos do menino ainda não conseguiam ser precisos  em relação ao cobertor enorme, ele sempre repuxava um pouco. Andou pelo ambiente, viu as cortinas balançarem com a brisa, o frio começou a se espalhar, foi até a janela, ultimamente vinha deixando o ar puro entrar por toda casa. Segurou  nas cortinas azuis, suas mãos já faziam o movimento de juntar uma á outra quando uma sensação estranha a invadiu, se sentiu sendo observada, olhou então para a rua, foi necessário forçar bem a visão.

 Na rua deserta viu uma figura, a qual fez seus olhos abrirem surpresos. Coberta de preto da cabeça aos pés, o capuz sobre a cabeça, lá estava a mesma figura daquela noite. Ela mal conseguia acreditar no que estava vendo, foi quase como se acontecesse em câmera lenta o erguer da cabeça, a forma como ele levantou a mão e chamou Piper para fora, quase como se a convidasse para brincar.

 E ela foi, ofegante, sem medo,  apenas desceu  as escadas e saiu porta a fora, e lá estava ele, no mesmo lugar. Seus pés tocaram a grama molhada, mas ela não se importou. Mesmo o vento frio penetrando em sua pele ela sentia um enorme calor surgir dentro de si, era como se todo o ódio do mundo estivesse queimando dentro dela, impulsionando suas pernas em direção àquela espécie de espectro, sua aproximação fez com ele se movesse. Era extremamente ágil, se movia depressa, tão rápido que Piper não se deu conta de que estava sendo atraída para a floresta, ela só percebeu isso quando imensas arvores começaram a surgir de todos os lados, era como se uma jaula se erguesse a sua volta. De repente toda a coragem a abandonou e restou apenas o medo, e a triste conclusão de que estava sozinha onde não deveria, olhou para os lados, não fazia ideia de onde estava, a escuridão dificultava bastante.

Os grilos cantavam felizes, indiferentes às batidas frenéticas do coração da loira, a respiração ruidosa dela não interferia em nada no sossego das folhas que balançavam com a brisa. Aquele silencio a assustava mais do que qualquer som estrondoso, porque era naquela tranquilidade falsa que os perigos se escondiam. “TRACK”, o som fez com que ela deixasse todo e qualquer pensamento. Pés pisavam nos galhos secos, ela conseguia ouvir nitidamente. Ergueu a cabeça, olhou para frente, o fervilhar das folhas ficou intenso e por fim a figura surgiu novamente. Ali bem ao alcance de suas mãos estava quem ela mais desprezava. Ombros curvados, capuz sobre o rosto, capa negra.

O que ela deveria fazer? Indagava para si mesma, suas mãos abriam e fechavam e ela movia os pés, mas o homem nada fazia, apenas olhava para ela, sua postura não mostrava intenção de atacar, mas a loira não relaxava, fechou  a mão em punho, seu pensamento se resumia em matar ou morrer.  Movida por uma coragem absurda jogou-se sobre ele, mas sua tentativa fora inútil, seu ágil adversário a derrubou com um simples mover de corpo. Sua mente registou apenas duas coisas, primeiramente o impacto  e logo em seguida o peso do corpo dele. Suas mãos foram postas sobre sua cabeça, e segundos depois algo metálico tocou seu rosto. Uma ardência foi sentida em sua bochecha direita, então ela sabia do que se tratava, ela seria desmembrada em uma floresta escura.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...