História Obsessão - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~eternomalik

Postado
Categorias EXO
Tags Kaihun, Menção Chanhun, Morte, Relacionamento Abusivo, Sekai
Visualizações 166
Palavras 6.749
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Violência
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


~isthismi: oizinho! estou escrevendo com a kazinha novamente, e admito que fiquei acanhada em escrever sobre esse tema. aproveitando pra deixar claro que ninguém aqui fez apologia a nada, está bem? espero que curtam a história! ^.^
~eternomalik: olá, aqui é a karine! eu que tive esse plot e fico grata pela milena ter aceito fazer comigo. bom, o plot se deu graças à música going crazy (exo) e get free (lana del rey) e eu não pude deixar pra lá. mas antes de vocês irem ler, eu quero deixar bem claro que nossa intenção aqui não foi romantizar, mas sim tentar mostrar a realidade de alguns relacionamentos. não que eu tenha feito parte de um, mas convivi com pessoas que fizeram e a barra é pesada.
espero que entendam a história e que nos perdoe qualquer erro. boa leitura!

Capítulo 1 - Único


O clima no apartamento estava quente. Quente no sentido bom. Tão bom que Sehun, mesmo querendo conversar sério com o namorado, não queria parar de rebolar do colo de Jongin enquanto tinha sua bunda apertada e os lábios sendo chupados num beijo rápido, intenso e molhado. Na verdade, mesmo que Sehun estivesse de pau duro assim como o moreno em baixo de si, tinha que admitir que decidiu aquele beijo só para amansar a fera que era Jongin. Claro que gostava de todos aqueles beijos e apertos no corpo, assim como os arrepios deliciosos que sentia, mas uma conversa sensata sempre dava mais prazer ao rapaz.

— É aniversário do Yixing na sexta, você sabe, não é? 

— Sei, Sehun.

— E... Eu posso ir?

Era inacreditável em como Oh Sehun era um rapaz bobo. Vivia em um relacionamento abusivo há dois anos e não tinha ideia do que era tudo aquilo.

Naquele momento, estava pedindo ao seu namorado Kim Jongin para ir em uma festa do amigo dos dois. Inacreditável. Ele tinha que pedir permissão para respirar também?

Jongin então olhou Sehun, com os dois sentados no sofá enquanto passava um intervalo qualquer na TV. Sehun, medroso, tocou no assunto quando o filme deu uma pausa. O rapaz sabia que Jongin era ciumento demais, e ir na festa de um amigo sozinho não era lá muito bom na visão de Jongin.

— Sei que você vai trabalhar no dia. – Sehun continuou, com a voz baixinha e os dedos inquietos no ombro do moreno, esse que tinha os braços cruzados em cima do peito desnudo enquanto encarava a TV com uma expressão não muito agradável – Então eu estava pensando em ir sozinho, porque você sabe que quase não vemos o Yixing por ele estar viajando demais...

— E você já sabe a minha resposta.

— Que seria... – Sehun ainda arriscou, mesmo sabendo que levaria um “não” bem no meio da cara.

Jongin olhou o namorado, suspirou e se virou de frente para ele, tentando fazer o rapaz entender que não era uma boa seu namorado sair sozinho. Colocando empecilhos e tudo mais.

E sabe, talvez passasse pela cabeça de Sehun que aquilo era chato, ou talvez Jongin achasse que aquilo era normal, mas não era.

Não. Era. Normal. E muito menos certo.

E faltava pouco para Sehun descobrir aquilo.

— Você não pode simplesmente ficar em casa me esperando chegar do jornal?

Jongin era um fotógrafo conhecido de um jornal conhecido ali na cidadezinha de Seul, enquanto Sehun era professor de dança em escolas. Sehun adorava dançar mais do que adorava a sua vida, aquela era a verdade.

E então, com aquela pergunta do Kim, Sehun meio tristinho apenas disse que estava tudo bem.

Mas, não estava tudo bem.

 

●︿●

 

— Oi, amor! O que houve?

— Ei, Hunnie... Bem, acho que vou... Passar a noite aqui no jornal. Precisam de mim.

— Oh... Sério?

— Você consegue passar a noite sozinho, certo? Sei que está acostumado com a minha presença. – Jongin riu, riu como se Sehun fosse dependente do seu corpo.

— Claro. Consigo sim, amor. Só não demore amanhã, sim?

Jongin concordou e se despediram.

Sehun, ali naquele apartamento vazio, colocou sua cabecinha com cabelos pretos para trabalhar. Jongin só chegaria amanhã de manhã, então Sehun poderia passar rapidinho na festa de Yixing para lhe dar um abraço e um feliz aniversário, certo? E Jongin não descobriria.

Faria aquilo então. Tomaria um banho, colocaria uma roupa legal, passaria perfume e iria. Com a consciência pesada e com medo do namorado, mas iria.

 

●︿●

 

— Sehun! – Yixing sorriu animado por ver o amigo naquela casa simples e com muita gente – Você realmente está aqui ou eu estou delirando?

Sehun sorriu sem graça.

— E aonde está o Jongin? Vocês só andam grudados...

— É, pois é... Ele teve que ficar trabalhando.

O sorriso de Yixing sumiu.

— Ele sabe que você está aqui, Sehun?

De repente, o clima tinha ficado tenso novamente, mesmo que Sehun estivesse ido naquela festa para se distrair dos pensamentos que estava tendo. A verdade era que naquele namoro onde o rapaz era privado de tudo, ele não sabia o que fazer, porque amava Kim Jongin, e mesmo se fosse para ser tratado como uma criança, ele ficaria sim com ele.

— Vamos entrar, Yixing, quero beber alguma coisa.

— Tem certeza? Sabe, eu conheço o Jongin o bastante para saber que ele não vai gostar do que você está fazendo.

Sehun apenas o ignorou. Entrou na casa e decidiu curtir a festa. Andou em direção aos amigos e sorriu animado.

— Não acredito... – Baekhyun começou, com um copo quase vazio na mão e meio grogue pelo álcool – Você e o Jongin fizeram algum tipo de cirurgia para se separarem?

E Sehun sorriu sem graça, porque não sabia o que dizer. Todas aquelas piadas o deixavam sem graça e nervoso. Então era aquilo? Seu relacionamento era uma piada?

— Não liga não, Sehun. – Chanyeol se intrometeu, empurrando Baekhyun ao seu lado para que parasse com aquela coisa chata que sabia deixar Sehun sem graça, porque Chanyeol percebia demais em Sehun, observava demais tudo à sua volta, e já tinha passado da hora de admitir para si mesmo que era apaixonado pelo amigo de escola. Só que... Bem, enquanto Jongin estivesse na roda, se aproximar de Sehun para lhe dizer ao menos que ele era lindo, era algo impossível.

Com os minutos passando, a conversa tinha ficado boa, e Sehun até estava se divertindo como nunca se divertia quando estava com Jongin, onde ficava introvertido. Ali, apenas com seus amigos, podia falar o que queria, podia beber álcool, podia dançar e não teria ninguém lhe observando de cara feia.

Quer dizer, havia alguém o observando de longe. Chanyeol, com aquele casaco jeans e a roupa escura, a expressão séria e os olhos brilhando. Chanyeol só tinha olhos para Sehun, e se perguntava quando teria a oportunidade de poder amar o rapaz sem medo.

Sehun observava bem aquelas olhadas enquanto dançava, mas fingia não ver. Sentia atração pelo amigo, claro, mas amava o namorado e era o que importava.

Já com as pernas cansadas, Baekhyun e Sehun que dançavam como loucos naquela sala pequena, Sehun decidiu se sentar no sofá. Quando sentou, sentiu o celular no bolso vibrar, fazendo seu coração disparar. Correu até o banheiro onde estava silencioso e atendeu a chamada, já sabendo quem era.

— Jongin. – tentou não gaguejar. Seu coração estava acelerado, as mãos suando, as pernas bambas. Que tipo de relacionamento era aquele, Sehun pensava, onde sentia medo do namorado que tanto amava? Aquilo ainda era amor? Ou era apenas medo em deixar de amar e começar a ser livre?

— Posso saber aonde você está, Sehun?

— Bem...

— Venha aqui fora. Agora.

— Como?

— Aqui fora, Sehun! – aumentou o tom, já perdendo a paciência com o cinismo de Sehun – Eu estou na porta do Yixing, venha aqui agora. – e então encerrou a ligação.

Sehun estava tão assustado, tadinho. Respirou fundo antes de sair do banheiro. Seu coração batia tão forte que doía. Sabe, Jongin nunca havia batido no namorado, mas naquela situação, passou pela sua cabeça em Jongin estar tão irritado ao ponto de fazer aquilo. 

Quando passou pela sala com seus olhos quase molhados, Chanyeol o seguiu, preocupado. Andou atrás do outro até o lado de fora e chamou pelo mesmo.

— Agora não, Chanyeol. – continuou andando.

— Sehun, por favor...

— Não está vendo que estou ocupado? – gritou – Por favor, não piore as coisas, certo?

E Chanyeol não poderia fazer nada. Não adiantaria segurar o braço de Sehun, não adiantaria nada, porque Sehun estava cego pelo medo, cego por aquele relacionamento errado.

— Você sabe que isso não faz bem a você. – continuou falando, mesmo que já estivesse parado de andar. Torceu para que Sehun escutasse, e o mesmo escutou, mas continuou andando já sentindo seu rosto molhar. Haviam lágrimas ali.

Quando chegou até Jongin, abaixou a cabeça. A calça jeans, o cinto e a camiseta florida com botões parecia sufocar Sehun, até aquele sapatinho preto. Sehun estava sufocado e não sabia como se soltar.

Parando em frente ao moreno, enxugou o rosto e levantou a cabeça.

— Por que fez isso, Sehun?

— Eu é que pergunto! Por que disse que trabalharia a noite toda?

Jongin sorriu cínico.

— Para testar você. Para ver o que você faria comigo fora, e eu acertei no palpite. Você me desobedeceu.

— Jongin, você não é o meu pai, não manda em mim. Eu só quis vim ver os meus amigos.

— Você não me respeita, Sehun. E isso me magoa, sabe? Eu só... Bom, deixa pra lá.

— Me desculpe, Jongin.

E era sempre daquele jeito, com Jongin e sua chantagem, fazendo Sehun se sentir o errado quando na verdade, Sehun era a vítima.

Com o abraço que Jongin deu no namorado, Sehun chorou. Chorou porque se sentia sufocado naquele namoro, chorou porque não sabia o que sentia, chorou porque não sabia o que fazer, chorou porque talvez Chanyeol tivesse razão.

 

●︿●

 

Assim que chegou em casa, Sehun seguiu diretamente para a cozinha. Se sentia triste, com raiva, preso em uma bolha. O bolo na garganta ainda se fazia presente, mas não queria mais chorar. Bebeu um pouco de água e deixou o copo em cima da mesa, quando sentiu os braços de Jongin lhe rodearem pela cintura.

— Sehun, eu não quero mais que você ande sozinho por aí, ok?

O mais novo se desfez do abraço e olhou para o rosto do moreno.

— E por que? — perguntou — Por que não posso sair sozinho?

— Porque eu não quero, Sehun. Saia apenas quando for ao seu trabalho ou algo do gênero.

O mais novo riu sem sentir graça, passando as mãos no rosto para terminar de limpar as lágrimas que se encontravam ali.

— Você não manda em mim, Jongin! Você não é o meu pai, mas sim meu namorado. E eu sou de maior, posso e devo sair para aonde eu quiser, com você ou sem você. Só hoje eu pude perceber o quanto eu não vivo a minha vida. Só hoje eu...

— Você fala injustamente, Sehun. Eu cuido de você, e se sou assim, é porque tenho medo que algo possa vir te acontecer, meu amor.

— Você me prende, Jongin! Eu acreditei por muito tempo que isso fosse normal, mas agora...

— O que te falaram? Quem disse que isso não é normal? Foi o Yixing? Baekhyun? Ou aquele seu amigo idiota do Chanyeol?

— Não fale assim dos meus amigos, Jongin. — o mais novo trincou os dentes.

— Eu falo como eu quiser e como achar certo. Olha as besteiras que eles andam colocando na sua mente! Eles querem separar a gente, meu amor... — o mais velho se aproximou de Sehun, juntando as testas — Eles têm inveja do nosso relacionamento, têm inveja porque você é amado da forma como eles jamais serão. Eles querem te tirar de mim, mas eu não vou deixar, ok?

— Olha as besteiras que você está falando! — Sehun se afastou, a vontade de chorar e gritar falando mais alto — Eles não me falaram nada e não querem me tirar de você.

— Quem foi então? Ande, Sehun, me conte quem quer te tirar de mim. — a raiva do mais velho se fez presente, e o tom de voz que o mesmo usou fez Sehun sentir medo.

— Jongin, você está me assustando.

— Então me conta com quem você está me traindo. Porque só pode ser isso. Você me trai, Sehun? Hein? Me responde! — o moreno segurou nos braços de Sehun, apertando com força o local.

— Eu não te traio, Jongin. Nunca traí. — Sehun disse, tentando se soltar.

— Claro que trai! Por isso quis ir àquela porcaria de festa. Você me trai com qual deles, hein? Me responde, Sehun. Diga para que eu possa acabar com a vida do desgraçado.

O mais novo se debateu, tentando se livrar do aperto. Jongin estava possuído de raiva, e Sehun nunca o imaginou de tal forma. Por fim, conseguiu se soltar e se afastou do mais velho.

— Eu vou embora daqui, olha como você está! Olha o que fez com os meus braços, com a nossa relação.

Sehun se virou, mas o mais velho o puxou, colando os corpos.

— Você não vai me deixar por uma besteirinha dessa, Sehun. Nós nos amamos, não? Não seja infantil. — Jongin deixou um beijo no ombro do outro – Nós nos amamos, meu amor.

— Me solta, Jongin.

— Por que? Para você me largar e ir se encontrar com seu amante? Não, não mesmo. Nós nos amamos, eu te amo mais que amo a mim mesmo.

— Me solta, Jongin... Você está me machucando.

— Não! — gritou.

O mais novo se debateu, gritou e por fim conseguiu chutar o mais velho. Sehun não esperou para ver como Jongin estava, apenas correu até seu quarto e se trancou ali mesmo. Deitou-se na cama e chorou como há tempos queria fazer. Jongin lhe chamou e bateu na porta, mas por fim parou. Sehun chorou, chorou até que sua dor fosse embora e pudesse dormir.

 

●︿●

 

Acordou com seu celular vibrando. Abriu os olhos os coçou, pegando o aparelho que nem ao menos tinha tirado do bolso da calça. Sehun viu o nome de Chanyeol brilhar na tela, e logo se pôs a abrir a mensagem.

Yeol: você está bem? jongin não me parecia muito feliz

Sehun sorriu, para poder digitar.

Oh Sehun: eu estou sim... eu e jongin brigamos, mas já está tudo bem. não há o que se preocupar

Demorou cerca de cinco minutos para que a resposta chegasse.

Yeol: vou fingir que acredito

sehun, essa relação não é saudável. sei que não quer admitir, mas é a verdade. e não é somente eu que acho isso, nossos amigos todos acham isso

e estamos preocupados com você. eu não sei o que ele te falou, o que ele te fez, mas não é saudável, hunnie

mas bem, descanse e amanhã pense direito sobre isso. você só tem 27 anos, tem uma vida longa ainda pela frente. pense bem sobre o assunto

tenha uma boa noite

Sehun deixou uma lágrima cair, para poder responder um ''boa noite'' e voltar a dormir.

Chanyeol estava certo.

 

●︿●

 

Enquanto Sehun dormia no quarto, Jongin estava sentado no sofá enquanto bebia uma cerveja qualquer. A feição apesar de serena, escondia uma raiva sobrenatural que o moreno sentia de todos aqueles que queriam tirar seu namorado de si.

A verdade era que o moreno era obcecado pelo mais novo, e fora assim desde quando conheceu Sehun. Jongin amava Sehun de uma forma que nunca amou ninguém, incluindo a si mesmo. E por conta daquilo, não deixaria ninguém lhe roubar a sua vida, seu amor.

Olhou no seu celular e viu que marcava três e quarenta da manhã. Levantou do sofá e pegou em uma das gavetas da cozinha, uma chave reserva do quarto no qual dividia com Sehun. Quando abriu a porta, viu o mais novo deitado com o rosto um pouco vermelho. Tirou as roupas que estava vestido e se dirigiu ao banheiro. Ao estar de cara a cara com o espelho, deu um sorriso malvado.

Não iria deixar aquilo barato.

 

●︿●

 

Sehun acordou com o despertador de Jongin tocando. Olhou ao redor e viu a cabeleira do moreno e rapidamente, levantou-se da cama.

— Não precisa correr de mim, meu amor.

— Como entrou aqui, Jongin?

— Com uma chave reserva.

— Chave reserva? Nós não temos chave reserva, Jongin. Mas que merda, você é...

— Sou o que, Sehun? — se levantou da cama, indo até o mais novo — Sabe o que eu sou? Um idiota que te ama, isso é o que eu sou. Mas agora eu tenho que ir, eu não posso chegar atrasado hoje.

— Eu vou sair. — Sehun disse.

— Você o que? — Jongin virou-se.

— Eu vou sair. Hoje só dou aula de tarde, mas vou sair hoje de manhã.

— Com quem? Eu não posso faltar...

— Sozinho. Eu estou precisando sair e esquecer um pouco meus problemas, e por favor, não tente me impedir.

— Você não...

— Está decidido, Jongin. Eu vou sair. Sozinho.

O mais novo não esperou pela resposta alheia, apenas saiu do quarto e foi em direção à cozinha, ouvindo a fúria do mais velho.

Jongin queria brigar e queria discutir, mas Sehun se sentia exausto de tudo aquilo, de toda aquela relação. Estava exausto de Jongin... Como demorou tanto para perceber que Jongin não era normal e que aquela relação não fazia bem para ninguém? Realmente... Sehun estava cego pelo medo e pelo amor que achava que sentia.

Enquanto fazia café, sentiu Jongin atrás de si, parado e o observando. Respirou fundo, pronto para sair dali.

— Então é assim? – Jongin começou – Vai me tratar desse jeito?

Era muito cinismo.

Se virou e encarou o moreno.

— Então eu sou o errado da história?

— Você não liga para o nosso relacionamento... Bem, acho que você é o errado sim, Sehun. Eu só quero te proteger.

— Não há o que temer, pelo amor de Deus! Quando foi que você ficou tão insuportável?

Sehun não era muito de gritar ou perder a paciência. Sempre respirava fundo e se controlava para não surtar. Contudo, aquela situação com Jongin fazia o mais novo querer quebrar tudo o que via pela frente.

— Eu sou insuportável?

— Não faça chantagem emocional, eu já percebi o que anda acontecendo aqui, Jongin. E sinceramente, eu não quero mais isso.

— Não quer? Não quer o que?

Sehun engoliu seco. O que Jongin faria se ouvisse aquela frase que martelava em sua cabeça? Precisava de uma ideia muito boa antes de fazer o que tinha que fazer.

— Depois nos falamos, Jongin. Esfrie a cabeça, eu vou fazer o mesmo.

 

●︿●

 

As pessoas naquele parque de diversão estavam animadas e felizes, e Sehun queria se sentir daquele jeito. Queria sentir o corpo nervoso de ansiedade por algo bom, queria sorrir, queria gritar de felicidade, queria que nada daquilo estivesse acontecendo... Queria que seu relacionamento com Jongin fosse bom como era nos primeiros meses de namoro.

Sehun tinha um boné preto cobrindo a cabeça e os olhos do sol, enquanto estava sentado em um banco, observando o céu azul e a roda gigante girar, com vozes de crianças ao fundo e passos atrás de si.

— Me chamou, Sehun?

— Oi, Chanyeol.

Sabe, Sehun sabia que não era certo se encontrar com Chanyeol enquanto estava numa situação crítica no namoro. Se Jongin visse os dois juntos, não sabia o que seria capaz de fazer.

De qualquer forma, Sehun apenas precisava desabafar, e Chanyeol era o seu amigo, nada mais. As palavras de Jongin sobre traição e amante magoaram sim, o mais novo, mas nada que o influenciasse.

Quando Chanyeol sentou-se ao lado do amigo, Sehun colocou a aba do boné para trás e encarou Chanyeol, que tinha os olhos preocupados e brilhantes, brilhantes como sempre ficavam quando Sehun estava em sua frente.

— Acho que... – disse sorrindo, sorrindo de desgosto da sua vida – Preciso terminar o meu namoro.

Chanyeol ficou em silêncio, apenas escutando atenciosamente.

— Chegou em um momento insuportável... – se controlou para não chorar, já sentindo os olhos e o nariz arderem – Nunca dei ouvido a você ou aos outros, Chanyeol, e me sinto um idiota por isso, um idiota por não perceber a relação doentia que eu estava vivendo...

— Não é culpa sua, Sehun. Por favor, não culpe a si mesmo...

E Sehun chorou novamente, porque chorar era o único alívio que o rapaz achava. Colocou as mãos nos olhos, respirou fundo e se controlou mais um pouco. Não era hora de chorar, era hora de tomar um rumo na vida.

— O que pretende fazer? – Chanyeol questionou, não tirando os olhos do amigo tão bonito, mas tão acabado.

— Jongin ao menos não quer ouvir sobre acabar o namoro. Mas eu preciso, Chanyeol! Você estava certo, isso não faz bem para mim. E nem para o Jongin, que precisa de um tratamento. Aquilo não é amor, é... Obsessão.

— Demorou demais para perceber, Hunnie. – Chanyeol sorriu delicado, tentando passar confiança a Sehun, que sorriu fraco também. De todos os amigos de Sehun, Chanyeol era aquele quem conseguia lhe acalmar, era quem fazia seu coração disparar de um jeito bom e nervoso, porque sabia que aquela relação não passaria dali.

— Vou conversar com ele, com calma... Com cuidado... Ele precisa entender, precisar ceder.

— Você quer alguma ajuda? Quer que eu fique com você?

— Nem pensar! Se com você longe o Jongin já surta com ciúmes, imagina perto de mim.

Chanyeol suspirou.

— É complicado, Sehun.

Sehun achou que aquilo era mais do que complicado.

 

●︿●

 

Já de noite, Sehun tinha uma mala e uma mochila pronta, com algumas das suas coisas guardadas para ir embora... Se Jongin deixasse.

A camiseta preta fazia calor e o boné ainda estava ali, com o rapaz sentado no sofá, apenas esperando Jongin chegar do trabalho.

E quando chegou, o moreno parecia mais calmo... Sehun gostou. Talvez a conversa fosse mais fácil.

— Vem aqui, Jongin.

E Jongin foi, porque apesar de tudo, amava – achava – Sehun, e faria tudo o que o outro quisesse.

Se sentou ao lado do amado e segurou em suas mãos.

— Você está gelado, Sehun... O que aconteceu?

— Precisamos conversar, Jongin.

— Antes, Hunnie, quero que me desculpe pelo que eu fiz, está bem? Você sabe, eu sou ciumento. Eu o amo demais, Sehun, e sinto demais também... É mais forte do que eu.

— Eu entendo, Jongin. – fingiu entender, é claro. Não entendia, nunca iria entender aquela doença.

— Sobre o que quer falar, meu amor?

— Sobre nós... – tentou não gaguejar. Sehun suava frio, seu coração doía de tão acelerado – Não... Não dá mais, Jongin.

Jongin vacilou por um tempo. Apertou as mãos do amado e logo voltou ao normal. Engoliu a saliva e sorriu pequeno.

— Tem certeza, Sehun? Você me ama, eu te amo... Não há motivos para não ficarmos juntos.

— Há vários motivos, Jongin. E você vai descobrir eles sozinhos, porque eu vou embora. Não vou mentir para você, isso tudo está insuportável... Eu... – e novamente, segurou-se para não chorar, porque Jongin ultimamente não fazia mais Sehun rir, ele fazia apenas lágrimas caírem, lágrimas que não eram de felicidade.

— Tudo bem. – Jongin disse, se levantando do sofá e colocando as mãos no bolso do jeans claro – Tudo bem, certo... É... Eu só posso desejar felicidade.

Uau, tinha sido mais fácil do que pensava, Sehun achou. E até sorriu de alegria finalmente.

— Só me responda uma coisa, Sehun.

— Claro!

— Eu não estou sendo trocado, estou?

— Não. – Sehun foi sincero, por mais que Chanyeol, por um momento, estivesse passado pela sua cabeça apenas como amigo. Sehun gostava do amigo, era verdade, mas começar um relacionamento amoroso com ele naquelas condições não estava nos seus planos – Não, Jongin, você não está sendo trocado.

E por mais que tudo parecesse calmo demais, Jongin realmente tinha se segurado para não surtar. Porque, de alguma forma, no fundo, ele tinha pensado demais no trabalho. Talvez ele realmente fosse ciumento demais, talvez amasse Sehun demais, talvez sentisse demais... E aquilo não estava sendo bom. Por tanto, um tempo afastado de Sehun seria bom. Um descanso seria bom.

Um descanso para pensar, na verdade. Não para ser trocado por outro.

Porque Jongin não gostava da ideia de ser trocado pela pessoa que amava. Não mesmo.

 

●︿●

 

Jongin via Sehun terminando de arrumar suas coisas. Sentia raiva, não dor. Queria trancar Sehun em casa e não deixar o mesmo ir embora nunca. Mas precisava de calma, calma para poder armar um plano para acabar com quem fosse que colocou na cabeça do mais novo para ir embora, e calma para poder trazer Sehun de volta para os seus braços, porque o amava. Ele achava.

Em menos de dez minutos, Sehun já colocava suas coisas em seu carro. O mais novo estava feliz pelo término ter sido calmo, chegou a pensar que Jongin surtaria.

Quando colocou a última mala no carro, o mais novo se virou e encarou Jongin. Não queria que tudo terminasse daquela forma, mas já não aguentava mais se sentir preso, sem vida, privado de fazer qualquer coisa.

Caminhou devagar, até parar em frente ao mais velho, que lhe olhava com uma expressão serena e as mãos nos bolsos de trás da bermuda. 

— Eu quero que você fique bem, Jongin. Acho que com esse término você pode perceber o quanto nos fez mal.

— Eu nunca nos fiz mal, Sehun.

— Sim, você fez, Jongin. E você irá perceber isso mais para frente. Com o nosso fim, eu tentarei levar apenas os bons momentos, e espero que faça o mesmo. Tente seguir com a sua vida. — o mais novo disse e limpou as poucas lágrimas que molharam seu rosto — Prometa-me que irá ficar bem.

— Não se preocupe, Sehun.

— Tudo bem. — sorriu fraco — Eu vou indo.

— Para aonde vai? — Jongin perguntou.

— Para a casa do meu irmão, ficarei lá por um tempo até arranjar um lugar para mim.

— Dirija bem. — foi tudo o que o mais velho disse, antes de Sehun o abraçar apertado. Depois entrou no carro e deu partida logo em seguida, sentindo um alívio bom na alma.

Jongin ficou em pé na rua até que seus olhos não pudessem mais alcançar o carro, para poder entrar no apartamento. Fechou a porta e olhou ao redor, a raiva se fazendo cada vez mais forte. Chutou primeiro a mesinha de centro da sala, fazendo o vidro cair e se quebrar no chão. As lágrimas começaram a cair, começou então a bagunçar os cabelos lisos e chutar tudo o que via pela frente.

Ao final da noite, a casa estava com os móveis destruídos e um Kim Jongin deitado sobre a cama, encarando seu revólver antigo na gaveta aberta e fumando um cigarro qualquer. Um cigarro que ele jurou a Sehun nunca mais tocar, porque Sehun não gostava daquela coisa.

Na verdade, o que Jongin sabia era: Ainda iria dar o troco. Faria Oh Sehun se arrepender de ter ido embora.

 

●︿●

 

Após dez dias da separação, Jongin ainda pensava em como ter seu ar, seu amor e seu menino de volta. Nada tirava da cabeça que Sehun o traía e estava com outro. Jongin, uma certa vez o seguiu e soube que o mesmo se encontrava com Chanyeol após o trabalho.

Claro. Como não pôde descobrir antes? Estava na cara que Chanyeol queria Sehun para si, e tinha até conseguido fazer com que seu amor terminasse consigo.

Mas aquele não seria seu fim definitivo, não mesmo. Tinha saído com sua câmera profissional e tirado fotos que comprovava que Sehun mentiu para si.

Com a intenção de provar que havia sido traído, saiu com o carro dali.

Park Chanyeol seria um homem morto.

 

●︿●

 

Sehun sorria bobo ao ler a mensagem de Chanyeol. Não fazia nem três horas que tinham se visto, mas ainda assim, conversavam por mensagem. Ter terminado com Jongin o fizera bem, se sentia mais vivo, menos sufocado.

Demorou dois anos para que entendesse que o relacionamento que vivia era abusivo. Sempre achou Jongin ciumento ao extremo, porém nunca achou que fosse uma obsessão do mesmo.

Seus amigos o apoiaram, e chegaram até a falar que tinha passado da hora. E ainda tinha o Park.

Chanyeol estava sendo um bom amigo, um bom companheiro. Ajudava e orientava. Já tinha até mesmo confessado seus sentimentos, mas Sehun preferiu deixar rolar naturalmente. Tinha acabado de sair de um relacionamento longo e problemático e por mais que soubesse que Chanyeol não era Jongin, tinha medo.

Jongin também lhe preocupava. O mais velho não tinha dado nenhum sinal de vida, e mesmo que não quisesse sentir medo, era impossível. Seus amigos falavam que Jongin tinha aceitado tudo fácil demais, e que escondesse alguma coisa. E Sehun somente esperava que não.

Sentia saudades do Jongin que lhe conquistou. Saudades do Jongin de até três meses de namoro. Jongin tinha se tornado uma pessoa que Sehun nunca achou que o moreno se tornaria.

Apesar de tudo, esperava que o mais velho pudesse se tratar e arranjar uma pessoa que amasse. Ainda tinha as boas lembranças guardadas na mente e queria levar as mesmas para sua vida.

Fechou os olhos e pôde se lembrar de uma das inúmeras vezes que fizeram sexo. Ou amor, como gostava de chamar. Jongin, apesar de toda a obsessão, nunca lhe machucou na cama. Sempre o preparava, lhe dava carinho e lhe estocava da forma que o mais novo queria.

Balançou a cabeça para tirar aquelas cenas de sua cabeça, e voltou a prestar atenção no celular que estava em sua mão, mostrando mais duas mensagens novas de Chanyeol.

Tinha que parar de pensar em Jongin, e pensar apenas em si e no seu futuro.

Kim Jongin era passado.

 

●︿●

 

Um mês fora o tempo preciso para Jongin armar o seu plano. O moreno tinha um sorriso de orelha à orelha enquanto trabalhava.

Fazia tempo que não sorria assim, e os funcionários estranhavam.

Ao fim do seu expediente, o moreno se dirigiu até seu carro. Ao adentrar o mesmo, pegou seu celular na mochila e mandou uma mensagem para Sehun. Enquanto esperava a mensagem, o moreno ligou o rádio, onde deixou em uma estação qualquer, enquanto tocava Get Free de uma cantora americana.

Kim Jongin: podemos nos encontrar?

Vida: esqueceu algo comigo?

Kim Jongin: não... apenas tenho algo para falar com você. podemos?

Vida: claro. pode me encontrar hoje às dez na minha casa?

Jongin sorriu animado e satisfeito.

Kim Jongin: claro, me manda o endereço

Minutos depois, Jongin já estava no caminho à casa do mais novo.

Sehun seria seu novamente, ou não seria de mais ninguém.

 

●︿●

 

Obviamente Sehun estava nervoso, com suas mãos trêmulas e suadas. Fazia tempo desde que não via Jongin, e estava... Desconfiado. Tudo estava calmo demais... E se de repente Jongin estivesse tramando algo ruim?

Naquele momento, Sehun só queria Chanyeol por perto, porque Chanyeol ultimamente estava sendo o seu anjo, lhe fazendo sorrir e se sentir em paz.

O irmão do rapaz estava fazendo plantão no hospital onde trabalhava, e Sehun achou melhor daquele jeito, porque poderia esperar tudo de Jongin. Caso acontecesse uma briga, ninguém ficaria sabendo.

Quando foi atender a porta, respirou fundo antes de abri-la. Encontrou Jongin com a roupa social que usava no trabalho. E se fosse antigamente, acharia ele lindo com a camiseta branca e as mangas levantadas... Tão arrumado, tão charmoso...

Mas, agora, naquela situação, estava tão nervoso que não percebia nada.

— Posso entrar? – foi o que Jongin perguntou, segurando um envelope médio na mão, algo que Sehun percebeu logo.

— Claro. – disse, dando espaço e até se deixando sorrir simpático.

Foi andando com o moreno até o sofá, onde sentaram-se e se encararam.

— E então, Sehun... O que anda fazendo?

Certo, estava tudo sob controle, mesmo que o coração do mais novo batesse acelerado.

— Trabalhando! – sorriu pequeno, fazendo os olhos quase fecharem – Os alunos de dança me adoram.

Jongin assentiu. Não conseguia sorrir de forma alguma. Estava ansioso em mostrar as fotos da suposta traição, ansioso em saber qual seria a reação de Sehun.

— Sobre o que veio falar? – Sehun perguntou novamente, olhando a mão do outro – O que é isso na sua mão?

Jongin então entregou o envelope para o outro, mordendo o lábio inferior para não perder a paciência, surtar e ir atrás do idiota que era o Chanyeol, aquele que causou toda a desgraça da sua vida.

Curioso, Sehun abriu o envelope e puxou para cima o conteúdo, sentindo seu coração doer de tão rápido que bateu. Ou parou de bater, Sehun não sabia. Sabia que quando Jongin estava por perto, ele não tinha paz.

Enquanto olhava as fotos reveladas, não sabia bem o que fazer ou dizer. Não tinha coragem de encarar Jongin, porque não sabia o que o outro estava pensando.

— Por que tirou fotos minha?

— Fotos suas e do Chanyeol. – corrigiu, sem tirar os olhos do outro à sua frente – Você disse que não tinha me traído, Sehun, olhou bem para mim e disse que não tinha outro.

— E não tenho! – Sehun o olhou, pela primeira vez sentindo raiva de Jongin, pela primeira vez aumentando o tom de voz – Essas fotos só mostram nós dois conversando, comendo, passeando... Tem alguma foto nos beijando? Tem, Jongin?

— É claro que não tem, é um caso escondido! – aumentou o tom também, se levantando do sofá, não deixando de encarar Sehun já com os olhos molhados – Vocês não vão dar bandeira na rua...

— Isso é loucura, Jongin... Não há nada entre mim e Chanyeol.

— Não minta para mim. Eu estou vendo as fotos!

Sabe, Jongin não era muito de chorar, mas o fato de saber – pensar e achar – que seu amado amava outro, fazia seu coração doer.

— Essas fotos não comprovam nada, Jongin. E eu sempre fui sincero com você, se eu estivesse junto dele, contaria a você.

— Mas vocês se gostam, não é?

Silêncio.

Um silêncio de Sehun que fez Jongin rir de desgosto.

— Eu sempre soube que você não me amava.

— Amava, Jongin, mas você se transformou em outra pessoa. Esse aí não é o Jongin que eu amei.

Jongin estava com raiva, triste, louco. Não tinha o que dizer ou fazer com Sehun, porque o problema ali de tudo era Chanyeol.

E com o corpo quente pela adrenalina e raiva, Jongin tirou o revólver da cintura e apontou para Sehun sem pensar duas vezes.

Sehun tinha um coração? Ele ao menos não o sentia mais bater.

— Manda uma mensagem para o Chanyeol e manda ele vir aqui. Rápido, Sehun!

— O que?

— Você está surdo? Chama ele aqui agora e não toque no meu nome!

Com as mãos trêmulas, Sehun pegou o celular e fez o que lhe foi mandado.

E então esperaram.

 

●︿●

 

Chanyeol ficou preocupado com a mensagem de Sehun. Gostava bastante do rapaz e ficava preocupado com tudo o que relacionava a ele.

E aquela mensagem, do nada, pedindo por uma visita, o fez pensar que algo teria acontecido para Sehun querer conversar.

Chanyeol nunca pensou bem em como morreria, mas ali, entrando na casa onde Sehun estava, com um revólver apontado para a sua cabeça por um Jongin com lágrimas de ódio nos olhos, Chanyeol percebeu que talvez tivesse chegado a sua hora.

Levantou as mãos ao alto e olhou Sehun. Não por muito tempo, já que Jongin queria mandar ali.

— Não olhe para ele, Chanyeol. – riu soprado – Chanyeol... Eu tenho nojo de falar o seu nome, sabia? Sehun, como você conseguiu se envolver com ele? Fale a verdade. – Jongin se divertia, transtornado pelo ciúme, pela raiva, pela mágoa e pela tristeza.

Chanyeol e Sehun não falavam nada. Sehun chorava baixinho ainda sentado no sofá, enquanto Chanyeol estava parado no meio da sala com as mãos levantadas. Sentia que podia levar uma bala na cabeça a qualquer hora.

Sehun precisava fazer alguma coisa. Jongin lhe amava ou achava que amava e aquilo era uma vantagem. Precisava se aproveitar daquela situação.

— Amor. – chamou o moreno, tentando se acalmar e acalmar o outro, que não tirava os olhos de um Chanyeol em estado de choque – Jongin...

— O que é?

— Eu... Nunca deixei de amar você. De verdade, eu só... P-Precisava de um tempo.

— Tempo para se envolver com esse aí.

— Nós não...

— Cala a boca, Chanyeol! Ninguém aqui está falando com você.

— Nós não nos envolvemos, amor... – Sehun novamente – Ele só estava me ajudando a achar um jeito em conquistar você de volta, porque... Bem, eu magoei você, não foi, amor?

Jongin desviou o olhar. Olhou Sehun, sentindo um alívio em ouvir aquelas palavras, mesmo que nada daquilo fosse verdade.

— Eu te amo, Jongin. – sorriu, se sentindo um ótimo ator. Naquela hora, percebeu que quem amava de verdade era Chanyeol, por estar passando por tudo aquilo por ele e estar achando que valia a pena se tudo acabasse bem no final – Está me ouvindo, não está? Venha aqui, venha me dar um abraço. Chanyeol só tentou nos ajudar.

— Não é o que parece nas fotos.

— Não há nenhuma prova nas fotos, meu amor... Veja, só estamos conversando!

E Jongin foi se acalmando, enquanto ouvia aquelas palavras e encarava a face angelical e vermelha de Sehun. Abaixou o revólver e andou até o amado, fascinado com a beleza que havia naquele rapaz alto. Amava Sehun, era o que achava, o amava porque não conseguia gostar de si.

Ainda com o revólver na mão, abraçou Sehun e chorou. Sehun, meio acanhado e com os olhos em Chanyeol, o abraçou de volta, tentando pensar em alguma forma de livrar aquele revólver de Jongin.

Como se Chanyeol lesse seus pensamentos, andou devagar até os dois abraçados, com a intenção de pegar aquele revólver do outro.

Chanyeol então puxou Jongin para trás, fazendo com que o mesmo se afastasse de Sehun, deixando o revólver cair no chão. Sehun correu até o outro lado sala, pegando seu celular e ligando para a polícia. Enquanto isso, Jongin e Chanyeol lutavam, acertavam socos e chutes um no outro. Chanyeol conseguiu se levantar e ir pegar o revólver, mas antes que jogasse para Sehun, Jongin o derrubou no chão.

Fora segundos eternos para Sehun, que olhava tudo aquilo enquanto falava com a polícia. Em um momento no qual Jongin ficou por cima de Chanyeol, Sehun ouviu o disparo de tiro.

—Chanyeol! — correu até onde os outros dois estavam, sem medo do que poderia acontecer. Fora quando viu o mais alto sair de baixo de Jongin, esse que estava quase desacordado.

— Ele... Ele atirou em si próprio. — Chanyeol dizia com a voz trêmula — Eu não atirei nele, ele...

— Sehun... — a voz de Jongin saiu baixa — No final você conseguiu... Conseguiu me afastar de você.

— Não! — Sehun chorava. Tirou o revólver do mesmo e o jogou longe. Chanyeol ainda chorava encolhido — Não era isso que eu esperava para você. Mas não irá morrer, eu vou...

— Eu já morri há muito tempo, quando foi embora. Agora eu só vou... Sumir do mundo.

Sehun chorava enquanto apertava a mão de Jongin. Gostava dele, gostava muito... Só queria o bem daquele que estava morrendo... Mas já era tarde.

— Eu sinto muito, Jongin... De verdade... Eu... Apenas...

E Jongin meio que sorriu, meio que chorou, meio que fechou os olhos e meio que dormiu, não sentindo mais nada.

Chanyeol andou até o mais novo para lhe consolar. Ajoelhou-se ali perto e abraçou Sehun pelos ombros, se deixando chorar também. Chorar pelo pânico, chorar porque amar era complicado.

 

d i a s d e p o i s

 

Aquele parque de diversão parecia quieto demais... Sehun olhava a roda gigante e relembrava de como já se divertiu com Jongin ali.

Ele e Chanyeol ainda estavam sendo investigados pela polícia. Não tinha testemunha sobre a morte de Jongin, ninguém sabia se ele mesmo havia atirado em si sem querer.

De qualquer forma, Chanyeol e Sehun estariam sempre juntos, mesmo que carregassem a sombra de Jongin por perto e acabassem lembrando de como tudo foi complicado, não havia para onde correr.

Ali, naquele banco na sombra, Sehun e Chanyeol estavam em silêncio, sem saber muito o que dizer um para o outro.

— Ele só amou demais, Sehun. Você não precisa se sentir culpado, está bem?

— Só estou em choque.

— Eu também... – Chanyeol suspirou, se sentindo meio aliviado, meio desanimado, sentindo uma dó pequena de um Sehun cabisbaixo – Isso tudo vai acabar, você vai ver...

— E... – olhou Chanyeol, esperando o mesmo terminar de falar. Sabia que Chanyeol queria falar mais e que era envergonhado, ou talvez não fosse a hora certa.

Chanyeol pegou na mão de Sehun e apertou, tentando passar com gestos, que nunca foi capaz de desistir daquele sentimento bom que sempre sentiu.

— E nós podemos tentar ser felizes. 


Notas Finais


agradecemos a quem chegou até aqui e que tenham entendido todo o contexto. novamente, nós só tentamos mostrar a realidade, sim?
gostaríamos de saber o que acharam, é sempre bom e ajuda muito um autor!
até logo, amores <3


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