História Obsession - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Originais
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Palavras 6.363
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


E hoje vamos cantar uma música que embala minha bad...

DE COPO SEMPRE CHEIO, CORAÇÃO VAZIO. TO ME TORNANDO UM CARA SOLITÁRIO E FRIO. VAI SER DIFÍCIL EU ME APAIXONAR DE NOVO E A CULPA É SUUUAAAAA.
ANTES EMBRIAGADO DO QUE ILUDIDO, ACREDITAR NO AMOR JÁ NÃO FAZ MAIS SENTIDO. EU VOU CONTINUAR NESSA VIDA BANDIDA ATÉ VOCÊ VOLTAAAR!!!!!!

Eita, qnt eu to na bad dá uma vontade louca de ouvir ruedera de cachaça e cangaia e essa musica em especifica eu escutava muito qnd tava namorando, a dois anos atrás. Mas, como o ex resolveu sair do inferno das cuias onde tava e me atormentar, to ouvindo as musicas da “nossa” época... EITHA CARAIII, HENRIQUE E JULIANO FODE MUITO MEU PSICOLÓGICO.

Ps¹: Pior de tudo isso é q eu fico cantando. lê-se gritando como uma cabrita, enquanto escrevo essas músicas porque eu estou de fato ouvindo elas enquanto coloco aqui.

Mas então...

Olá pipocuchos, como vocês estão?
Eu to cansada, mas não cansada de cansada, eu to cansada pra caralho, mesmo.
To com dores pelo corpo por conta da chikungunya que peguei no inicio do ano e ate hj não me largou. Mas cá estou eu, postando esse capitulo meio bosta pra vocês.
Por quê?
Por quê?
Por isso mesmo, porque eu amo vocês povo lindo e cheiroso!

Ps²: GENTE, EU PROMETO QUE VOU MELHORAR NOS CAPÍTULOS, VOU TENTAR ALONGA-LOS E DAR MAIS MOVIMENTAÇÃO NA FIC. TENHO MUITAS IDEIA E NÃO QUERO DEIXAR ELA CHEIA DE CAPÍTULOS.

Mas por hora, vamos ler né, pra isso que estão aqui.

Capítulo 11 - Décimo


Fanfic / Fanfiction Obsession - Capítulo 11 - Décimo

Enzo estava jogado entre os lençóis tentando criar coragem suficiente para levantar. Na noite anterior ele pegou no sono rápido após um banho gelado e uma tigela de cereais com leite, se sentia leve e não demorou a dormir. Mas, no meio da madrugada ele acordou em um pesadelo extremamente agoniante, era mesmo uma lembrança antiga e que o maltratava dia e noite, fazendo assim ele gastar quase a noite toda para voltar a dormir.

Era por volta das dez da manhã, uma fresta de luz atravessava sua janela e em algum dos apartamentos do andar em que morava uma criança chorava em um som irritante. O lugar em si não era tão ruim, a estrutura era boa e as pessoas eram legais, a segurança era bem equipada e cada vizinho costumava cuidar da sua própria vida. E isso, sem dúvida, era o que mais lhe agradava.

O dia estava quente e ensolarado, o refrigerador em seu quarto gelava o ambiente de maneira agradável, seus lençóis estavam em algum lugar longe da cama e ele usava apenas uma bermuda de moletom, a barriga apoiada no colchão macio e os cabelos encaracolados jogados de qualquer forma pelo travesseiro. De forma até preguiçosa, o único desejo do rapaz era ficar ali pelo resto da manhã, abrigado em sua cama e pensando apenas em coisas boas, sim, aquele era o seu maior desejo para o dia inteiro na verdade.

Mas, ao contrário do restante do seu corpo, o estômago não parecia tão contente com aquele aconchego ao que resmungou dolorosamente a falta de comida. Enzo bufou em desagrado, sabia que quando a barriga começava a reclamar era hora de levantar, mas o problema em tudo aquilo era nas forças que seus músculos se negavam a produzir.

Definitivamente, enquanto estava ali deitando de maneira tão aconchegante, ele sentia que um bicho preguiça de meia tonelada estava sobre suas costas o impedindo de seguir sua vida normalmente. Era quinta-feira na semana, pessoas normais estavam de pé há muitas horas e ele continuava ali, totalmente largado... É, nem mesmo pensar naquilo fez com que o bicho se movesse um centímetro do local.

Mais uma vez seu estômago reclamou lhe causando um grande desconforto na região, assim, ultrapassando qualquer força da natureza que o impedia de levantar, Enzo se espreguiçou demoradamente sobre o colchão fofo soltando um bocejo alto logo em seguida.

Com passos lentos, levantou-se e seguiu para a cozinha, a necessidade de amadurecer antes do que deveria, o forçaram a se virar da maneira que possível. Aos dezessete anos, enquanto muitos garotos estavam terminando o colegial, perdendo a virgindade, se embebedando na primeira festa e sonhando com uma faculdade, ele estava tento que se virar sozinho naquele mundo tão grande.

Enquanto preparava uma omelete para matar a fome, foi atingido por um sentimento que jamais teve por si mesmo, talvez por ninguém, o puro e saudável orgulho. Orgulho de não ser mais aquele garoto chorão e fraco, orgulho do que conquistou e acima de tudo, orgulho de quem virou. Claro, as pessoas conservadoras o chamariam de mostro e possivelmente diria que seu lugar era no inferno, Enzo não era nenhum santo e tinha plena consciência disso, entretanto, nem mesmo aquilo lhe importava, o essencial para ele era que estava bem.

Definitivamente, naquela manhã ele se sentia bem demais.

Acompanhado de um copo de suco natural e algumas torradas, ele se pôs na frente da sua grande TV para assistir alguma coisa boba enquanto comia sua fabulosa omelete, tinha planos de ir buscar Pablo na saída do colégio quando o relógio marcasse meio dia, e até lá iria se dá o luxo de descansar. Zapeou distraído os canais televisivos e acabou parando em um desenho animado, era bem peculiar um homem daquele tamanho assistindo desenhos animados, principalmente na vida que tinha, mas Enzo gostava. Era um dos pouquíssimos hábitos que não havia largado desde sua época como Nicolas, e talvez não conseguisse largar nunca.

Enzo Gonçalves era uma máquina, firme, forte e indestrutível, um verdadeiro robô frio, comandado por um menininho machucado e molenga que um dia foi, ele só se negava a aceitar isso.

Enquanto tentava se decidir entre gargalhar assistindo The Amazing World of Gumball e comer sua omelete, ele ouviu a campainha do apartamento soar por toda a casa e isso o fez para imediatamente o que estava fazendo. Esperou que o som se fizesse presente mais uma vez, colocando a TV no mudo para se certificar de que tinha ouvido com clareza.

Mais uma vez o barulho irritante soou pela casa silenciosa e o rapaz apenas revirou os olhos, soltando um estralo alto com a boca em pura indignação ao que se levantava e ia em direção à porta. Olhou ao redor da sala e notou que o ambiente até que estava apresentável para receber visitas, passou os dedos pelos cachos e olhou para sua pistola descansando sobre a mesinha próxima a porta enquanto girava rapidamente a chave na fechadura sem nem ao menos olhar quem estava o importunando.

Afonso carregava consigo uma expressão entediante, seus ternos bem engomados havia dado lugar a uma roupa mais casual e isso não o deixava tão sério quanto nos outros encontros. Em suas mãos havia um envelope pardo e em seu bolso o celular vibrava em aviso, o fazendo bufar disfarçadamente ao que viu Enzo abrindo a porta.

Frente a frente, nenhum dos dois parecia realmente felizes em estarem ali. Enzo não disfarçou o seu desgosto em vê-lo, já não aguentava mais o homem lhe enchendo a paciência sobre o que tinha que fazer ou não em relação a Pablo, enquanto Afonso também já estava fadigado de todo aquele jogo de gato e rato do seu chefe para com o garoto. Tudo bem, ele sabia de toda a história e entendia muitíssimo o lado dele, mas também acreditava que era tarde demais para tentar resgatar uma relação que na verdade nunca teve.

Em suma, a grande verdade era que, Afonso só queria que o chefe visse que havia outras pessoas para amar na vida e que Pablo Custon não era o único que podia despertar tal sentimento nele, só bastava se abrir a novas experiências.

- Não vai me deixar entrar? - sua voz saiu sem nenhum rastro de gentileza, sua cara amarrada e a expressão corporal totalmente defensiva. Olhando para Afonso, Enzo chegava a quase sentir medo.

- Tenho certeza que o assunto será rápido e você pode falar aí mesmo. - disse tão sério quanto, cruzando os braços em cima do estômago ao que encurtava os olhos na direção do homem. Com toda a certeza, Enzo o odiava.

- Não seja ridículo, temos coisas sérias a tratar.

Com isso, sem ser convidado e sem usar nem um pouco da educação que tanto lhe foi passado, o homem adentrou ao apartamento fazendo questão de esbarrar grosseiramente no ombro de Enzo, ganhando como resposta um grunhido totalmente irritado.

Passou indiscretamente os olhos pelo local e a única coisa que fez foi erguer as sobrancelhas, para um rapaz que morava sozinho e tinha uma ficha tão podre como a que tinha, o lugar era até organizado e o melhor de tudo, cheirava bem. Quando por fim seus olhos pousaram na imagem reproduzida pela grande TV, um sorriso cínico surgiu em seus lábios enquanto apostava distraidamente em direção ao aparelho eletrônico, voltava à atenção para o rapaz parado a sua frente.

- Quem poderia imaginar que alguém como você, poderia perder tempo assistindo desenhos animados, não é?

- Seja breve, não gosto de você e não te quero na minha casa.

Com aquelas palavras, o sorriso nos lábios do homem até dobraram de tamanho. Ele também não gostava de Enzo, mas não podia negar que era de fato admirável o quanto era corajoso e acima de tudo, sincero no seu modo de falar. Além do seu chefe, ele era o único que conseguia realmente encarar Afonso de frente, sem demonstrar intimidação alguma ou medo e isso era realmente interessante para o homem.

- Pois bem, não irei usar de meias palavras com você, o problema é o seguinte... Ele está impaciente com a sua demora, já se passou um mês e nada de você levar Pablo até ele, e além do que, aquela sua cena na frente do trabalho do garoto não o agradou em nada.

- Não era para ser amigo de Pablo? Isso que estou fazendo e...

- Você sabe que não pode se envolver com esse garoto, não é? Eu sei o que aconteceu há seis anos na sua vida e olhando para Pablo, sinceramente eu não podia te julgar, mas você não pode fazer isso.

- Não estou fazendo nada, apenas o meu trabalho. Ele o vigia o tempo todo, você está perto dele, por que não fazem sozinhos? Não quero continuar com isso, não posso fazer mal aquele garoto - apesar da firmeza que trazia na voz e a expressão dura no rosto, por dentro Enzo se sentia podre. Pablo era um garoto bom demais para esse mundo e jamais se perdoaria se o entregasse para aqueles loucos. - Sério, Afonso! Não vou continuar com isso.

- Você não tem escolha, rapaz. - daquela vez, diferente de todas as outras, a voz de Afonso saiu branda e lenta. Pela primeira vez ele se viu diante um rapaz que já passou por milhares de coisas na vida, sozinho no mundo e que só tinha a si mesmo, e não um rapaz que trabalhava com coisas ilegais e fez diversas coisas ilícitas para sobreviver. Pela primeira vez, Afonso se enxergou nele e por pouco não se sentiu realmente tocado pelas palavras de Enzo, por pouco mesmo.

- Claro que tenho escolha, apenas não vou fazer mais. Acabou!

- Não, você sabe de muita coisa, ele não te deixaria ir. Eu também já estou de saco cheio de toda essa merda e quero que tudo isso acabe logo, então apenas faça o seu trabalho, faça aquilo pra que foi contratado e depois caia fora, será melhor para todos.

- Não para o garoto! - sua voz saiu em um tom mais alto que o normal e mais grave, ele não sabia o porquê daquilo exatamente, mas por um segundo, a ideia de algo de ruim acontecendo com Pablo o deixou irritado. Possesso, na verdade. - Esse cara só pensa na porra do próprio umbigo e eu não vou mais particular de toda essa merda! Não mesmo!

Com a pouca paciência que lhe rondava e tentando se manter na linha devido as circunstâncias, Afonso estendeu o envelope pardo para Enzo, esse que tinha as mãos fechados em punho ao lado do corpo, as sobrancelhas juntas e o olhar de fato amedrontado.

- Acho melhor você olhar o que trouxe pra você e depois se decidir se quer ou não desistir disso. - como o rapaz continuou indiferente aos papéis, ele jogou distraído em cima do sofá enfiando as mãos dentro dos bolsos e dando alguns passos em direção à porta ainda entreaberta - Aposto que seu amigo Miguel gostaria que você pensasse mais a respeito da sua decisão, seria realmente triste que a esposa dele o perdesse logo agora que irão ter um bebê, não acha?... Apenas pense Nicolas, depois me avise. Sei que ira fazer a escolha certa.

Ao que ouviu o barulho oco da porta se fechando, Enzo correu até o sofá e rapidamente alcançou o envelope pardo, rasgando bem o papel para chegar rápido ao conteúdo. Ao se dar conta do que tinha em mãos, ele pode jurar ter esquecido em qual frequência respirava e sua cabeça deu um leve giro, surpreso demais para acreditar que aquilo estava de fato acontecendo.

Havia em média umas vinte fotos todas retratando seu encontro com o velho amigo na faculdade, sinceramente tinha achado que ali era o lugar perfeito para que pudesse se ver, fazia bons anos que o maior contato que teve com Miguel foi por mensagens. Ele só queria dar um abraço nele, saber como estava e vê-lo cara a cara, mas agora, Enzo só queria matar Afonso e seu maldito chefe, com as próprias mãos.

- Filho da puta. - foi tudo que falou, ou melhor, rosnou ao que rasgava violentamente as fotos como se de fato aquilo fosse resolver todo o problema. Definitivamente, seu dia tinha mudado por completo e se antes se sentia bem e leve, agora ele só sentia ódio.

O puro e sincero ódio.

 

*        *        *

 

Pablo estava a ponto de revirar os olhos em total tédio ao que ouvia a voz do Diretor em sua direção, lhe fazendo a centésima pergunta em menos de dez minutos. Assim que o sinal do fim das aulas tocou, o homem o chamou até sua sala e durante os dez primeiros minutos apenas o observou silenciosamente. Os olhos grandes e azuis cravados na pele branca do menino, os dedos batucando sobre a mesa e um sorriso mínimo no canto superior dos seus lábios, era assim que Demétrio Lacerda estava diante Pablo, o admirando sem restrição alguma.

Em seguida, passou a perguntar sobre coisas íntimas ao garoto, como estavam seus pais, sua avó e no trabalho. Ele parecia realmente interessado em conhecer melhor Pablo, e isso, definitivamente, não agradou Custon em nada.

Impaciente, ele olhou novamente em direção ao celular vendo que passava pouco do meio dia e meio e fazia em média quinze minutos que Enzo lhe avisará que estava o esperando. Tudo que queria era poder sair logo dali, ver o rosto bonito do rapaz e beija-lo muito na boca, sem falar na fome que sentia pelas horas que não se alimentava.

- Você tem compromisso? - Demétrio questionou calmamente, inclinando o corpo para frente e aumentando o sorriso em seus lábios.

- Na verdade Diretor, eu tenho sim. Tem uma pessoa me esperando e eu estou realmente atrasado.

- Oh, e eu aqui, lhe enchendo de perguntas, não? Fiquei tão empolgado em conversar com você que me esqueci das horas. Vamos então, te acompanharei até a entrada.

E sim, Pablo até mesmo pensou em intervir, dizer que aquilo não era necessário e recusar terminantemente continuar na companhia do homem. No entanto, a situação como um todo já estava tão esdrúxula e Demétrio parecia tão animado com aquele mísero ato que Custon se manteve calado, apenas alcançou a mochila e deixou que o homem lhe seguisse até a saída.

Ele realmente não entendia porque o Diretor parecia tão interessado em ser seu amigo de um dia para o outro, fazia perguntas sobre seu dia a dia, sobre sua família e amigos, do trabalho, além de que parecia de fato preocupado nas notas escolas do garoto. E não, Pablo não gostava daquilo.

Não era surpresa para ninguém que os alunos tinham medo de Demétrio e Pablo Custon não era diferente de nenhum outro.

Eles seguiram lado a lado até a saída, um ao lado do outro sem dizer uma palavra sequer. O garoto se sentia extremamente incomodado pela maneira como o homem o olhava mesmo ao seu lado, era quase como sentir o costumeiro calafrio e a sensação de está sendo observado, que normalmente sentia.

Entretanto, assim que o rapaz passou pelos portões principais e pode avistar Enzo, um suspiro audível escapou dos seus lábios e ele sorriu minimamente, sentindo-se bem por ele está ali. Poderia parecer precipitado de sua parte, e muitos podiam até mesmo acha-lo maluco por falar tais coisas, mas a verdade era que Pablo Custon se sentia protegido na presença de Enzo Gonçalves, como se ninguém pudesse de fato machuca-lo enquanto o rapaz estivesse ao seu lado.

- Até mais, Diretor. - ele falou rapidamente, sem nem ao menos olhar na direção do homem parado ao seu lado. Ao que deu um passo em direção a Enzo, um sorriso alegre se abriu largo em seu rosto, fazendo o rapaz sorrir tão amplo quanto. - Desculpa a demora.

- Não foi nenhum castigo. - Enzo tinha um tom divertido na voz ao que falava, ainda carregando um sorriso no rosto. Rapidamente entregou um dos capacetes para Pablo, aproveitando a curta distração do garoto pra olhar bem para o homem parado a alguns passos de distância. Os olhos assombrosos, narinas dilatadas, mãos prontas para o ataque e a boca a ponto de babar... Realmente, aquilo não era uma boa imagem para ninguém. - Vamos?

- Por favor, eu só tenho vinte minutos para chegar até a boutique.

- Então nosso almoço será mais rápido do que o previsto.

Ao que sentiu os dedos de Pablo se entrelaçarem a sua camiseta, Enzo ligou a moto e saiu rápido dali, segurando o riso fácil ao que o garoto lhe apertou mais pela velocidade do veículo, deixando para pensar em qualquer problema quando não estivesse na agradável companhia de Custon.

Gonçalves sabia muitíssimo bem que aquela atitude ousada de ir buscar Pablo no colégio não ia passar despercebido, cedo ou tarde, Afonso entraria em contato com ele. Mas por hora, ele estava de fato satisfeito em está ali com o garoto.

 

*       *       *

 

- Então, sua avó brigou muito por ontem à noite?

- Na verdade, não. Ela só veio com uma conversa estranha, sobre eu tomar cuidado e não dar ouvidos a estranhos, porque ela e meus pais me amavam de verdade e faziam tudo pra me proteger.

Eles estavam em uma pequena cafeteria a alguns metros da boutique, não era como se Pablo tivesse tempo suficiente para uma refeição digna. O Diretor havia lhe roubado em média meia hora e isso o atrasou em todos os sentidos.

Queria poder passar mais tempo com Enzo, gostava da companhia do homem e principalmente dos seus beijos, gostaria de poder ir com ele a um lugar mais calmo e está totalmente despreocupado para ter uma conversa digna. Mas, enquanto distraí o estômago com um croissant doce e uma xícara de chocolate quente, mesmo que o dia estivesse ensolarado, ele ainda sim gostava da companhia do rapaz, que lhe arrancava risos fácies e espontâneos o tempo inteiro.

Enzo por outro lado, apesar de verdadeiramente gostar da companhia do garoto, não se sentia tão confortável quanto ele estando naquele local. Em seu celular havia em média cinco mensagens de um número confidencial e ele sabia muitíssimo bem de quem eram, a pressão que sentia nos ombros era quase esmagadora e através da janela de vidro, bem a sua frente, Enzo podia vê-lo dentro do carro, observando bem os dois rapazes.

- Ela falou por que isso? - perguntou fingindo calma, mantendo-se sempre focado em Pablo e nos belos olhos azuis do mesmo.

- Não sei, mas ela pediu pra não me preocupar... - um suspiro longo escapou dos belos lábios de Custon e Enzo franziu as sobrancelhas como pergunta. O garoto deixou de lado seu doce e alcançou a xícara a sua frente, por um momento, Nicolas já não enxergava nele aquela áurea leve que parecia o acompanhar sempre, e sim uma postura preocupada e até mesmo aflita. - Têm coisas estranhas acontecendo nos últimos tempos, muito estranhas na verdade.

- Como assim?

- Bem... Tudo começou quando eu vi um cara de preto acenando pra mim na frente do shopping, eu até pensei que estava ficando maluco ou algo do tipo, mas na mesma hora eu recebi uma mensagem que dizia "Não se esconda, eu vi você.". Depois disso, eu sinto como se estivesse sendo observado o tempo inteiro, até mesmo na minha casa e isso me apavora. E teve aquela ligação e umas mensagens estranhas dizendo que logo vamos estar juntos... Eu acho que pode ser alguém sem nada pra fazer que resolveu me atormentar, mas isso tudo me deixa assustado.

- Já falou isso pra alguém?

- Só pra Tina... - deu de ombros, dando um belo gole no seu chocolate sem perceber a expressão dura no rosto de Enzo - E ela achou que podia ser você, mas isso não tem o menor sentindo, não é?

- Não, eu não tenho paciência pra brincar de esconde-esconde, nunca tive na verdade.

- Eu também achei um pouco absurda a ideia, mas eu sinceramente queria que isso acabasse. Me assombra pensar que tem algum louco por aí perdendo tempo só em me atormentar ou...

- Já pensou em falar isso com sua vó?

- Com a vozinha? Não mesmo, ela ia ficar muito preocupada e ainda a uma chance de isso ser tudo coisa da minha cabeça. Não sei, ela definitivamente não seria uma boa opção. - sua voz saiu em um tom triste, pensar sobre tudo aquilo deixa, de fato, o garoto amedrontado e triste. Porque, em seu consciente, aquilo era apenas uma piada boba de algum idiota, para lhe machucar e lhe passar medo, não que ele se achasse de fato interessante para alguém se dar a esse trabalho, mas ele sabia que o mundo era uma fábrica de loucos e só desejava não está na mira de nenhum.

Naquele momento, Enzo queria pode pegá-lo no colo, abraça-lo forte e fazer Pablo sorrir outra vez. Ele não entendia o porquê do seu corpo seguir sempre o comando inverso do seu cérebro, mas, mesmo com pouquíssimo tempo, Pablo Custon lhe despertava um sentimento que há muito tempo se negava a sentir, está com ele lhe trazia paz e calma e era definitivamente impossível não se sentir mal em está colaborando para algo tão podre quanto aquela.

Pensar no que provavelmente iria fazer a Pablo lhe apertava o peito, sentia-se enojado consigo mesmo. Qual é! O garoto desde o início foi tão sincero e transparente com ele, tão doce e Enzo, mesmo que lutasse contra aquele sentimento, sentia-se um verdadeiro canalha por traí-lo de modo tão sujo e baixo.

"Sinto muito", pediu mentalmente ao que seus olhos focaram bem os de Pablo. O peso em seus ombros aumentando de tamanho, já não bastava o peso de está sendo indiretamente ameaçado, juntando com o fardo de ser um completo canalha com Pablo... Era uma carga demais para ele suportar sozinho.

- Aposto que tudo ficará bem. - sussurrou em desanimo, alcançando as mãos Pablo por cima da mesa.

- É... Espero que sim.

 

*        *       *

 

Há bons quilômetros de distância, Valentina Albuquerque se encontrava extremamente entediada tendo como única companhia Carla Lacerda e uma lousa com diversos avisos em vermelho.

Durante a detenção, não podia falar, usar o celular, comer, usar os toaletes e tão pouco dormir, por isso, ela tentava se distrair com as atividades de casa passada pelos professores horas antes, tentando a todo custo não se irritar com a garota algumas cadeiras atrás da sua, estourando bolas feitas com a goma que mascava.

Carla Lacerda podia facilmente ter o adjetivo provocadora associado a sua pessoa, era uma provocadora nata e todos sabiam disso. Orgulhava-se de si mesma por aquele fato, detestava o politicamente correto e seu hobby favorito era incomodar pessoas, foram-se os anos em que a garota fazia de tudo para agradar todos.

Há quatro ou três anos antes, ela era considerada uma menina modelo, "a filha perfeita" era assim que sua mãe a chamava e de certo modo ela gostava daquele rótulo. Não havia coisa mais gratificante em sua vida do que ver um sorriso orgulhoso nos lábios da sua mãe ou ouvir um "muito bem, filha" do pai, naquele tempo ela definitivamente não sabia o que era se sentir para baixo e todos a via sorrindo sempre. Entretanto, como tudo nessa vida, as coisas mudaram para a garota e seu lado rebelde, domado pelas regras e a vontade de agradar a todos, simplesmente se libertou como um cavalo selvagem em um campo florido.

A mãe dela foi embora de sua casa sem nem ao menos lhe dizer adeus, seu pai se tornou ainda mais distante e mistério e a única pessoa que conseguiu se envolver carnalmente, não fez a mínima questão de deixa-la ir. Desde então, Carla Lacerda não sabia exatamente o que era sorrir por pura felicidade ou o que era não sentir raiva de si mesma.

Ela odiava a tudo e todos, por trás dos seus traços extremamente bonitos e femininos, havia uma pessoa morta e fria apesar de tão jovem. Podia parecer absurdo, mas o abandono havia a transformado em um monstro em potencial.

Céus, aquela garota era bem mais do que todos supunham, seus pensamentos eram insanos e definitivamente, sua capacidade para a maldade podia assustar muita gente. Aquela fachada de menina devota a Cristo escondia quem realmente Carla era.

Pela milésima vez, ela estourou uma enorme bola de goma de mascar, fazendo barulhos excessivos com a saliva enquanto empurrava o chiclete de volta a boca, ao que ouviu Valentina bufando mais uma vez em desaprovação ela abriu um sorriso satisfeito e por pouco não gargalhou por isso.

Ela, definitivamente, amava irritar Valentina Albuquerque.

- Dá pra você parar? - a voz da garota saiu como um rosnado, esmurrando a banca da cadeira a sua frente. - Está me atrapalhado.

- Cala a boca e volta para seus livros, não me enche o saco.

- Eu juro garota, se você fizer isso outra vez eu te faço engasgar com essa merda.

Com um largo sorriso em seus lábios, Carla esticou bem a goma com a língua e encheu as bochechas de ar, fazendo crescer lentamente uma boca grande. O barulho irritante fez Valentina levantar-se abruptamente dando bons passos até a carteira onde a garota estava.

Entretanto, antes mesmo dela se aproximar completamente, Carla se pôs de pé e a agarrou pelo braço, encurralando Valentina contra a parede e seu corpo.

Estavam praticamente coladas, uma na outra, os narizes se tocando, a respiração em contato e os olhos grudados um no outro. Valentina sentiu um sentimento diferente passando pelo seu corpo, há um tempo ela ficaria de fato animada com aquele contato, mas não daquela vez. Apesar de ainda sofrer com a ausência da garota, Valentina sentia raiva dela o suficiente para não querer contato, muito menos aquele tão íntimo.

Carla por outro lado, sentia o coração aos pulos, queria beija-la ali mesmo, não só os lábios como o corpo inteiro. Se seguisse os desejos do seu corpo, tomaria aquela garota para si ali mesmo, sobre uma carteira daquela.

Rompendo qualquer raciocínio que lhe impedisse disso, Lacerda avançou o mínimo espaço entre a boca das duas, selando superficialmente os lábios aos de Valentina, essa que remexei bem o rosto em desagrado.

- Pare com isso... - Valentina sussurrou, tentando empurrar o corpo da garota. Mas, mesmo Carla sendo do seu tamanho e com o mesmo porte físico, tinha muito mais força. - Me solte.

- Fique quieta. - rosnou, tentado forçar novamente seus lábios aos dela.

- Eu tenho namorado, pare com isso, pensei que abominasse tal coisa.

- Apenas um beijo e te deixo em paz, qual é, me entenda. Você me trocou por ele, como quero que eu agisse? Eu estava apaixonada por você, de verdade, e quando tudo aconteceu, surtei... - e com isso, Carla ficou de costas a garota e deu o espaço que tanto Valentina queria. Mas, diferente do que pensou, Tina não se móvel, continuo na mesma posição, sem mexer um músculo sequer. - É compreensivo, eu só queria você e nada mais.

- E agora? Você ainda me quer?

- Acho que não como antes, nada vai ser como antes, mas sim, eu ainda quero você... Seu corpo.

- E se eu te der, estará tudo resolvido entre nós duas? Digo, sem mágoas e ressentimentos, sem ódio?

- Você fala como se houvesse de fato possibilidade disso acontecer, eu mudei muito nesse tempo Valentina, sinceramente, eu já não sou mais aquela garota com quem passou aquelas férias e se divertiu. Minha vida está diferente e... Não sei, eu tenho a imensa sensação de que só em está aqui com você irá me meter em grandes enrascadas.

- Você está me deixando confusa, eu... - Valentina indagou, dando alguns passos na direção dela, indignada - Você tentou me beijar, tentou... Você fez essa cena e seu discurso é totalmente confuso, você é confusa e está me confundindo. O que de fato quer, Carla? Me diga!

- Você ainda não percebeu que eu quero você, droga?! Sempre quis! Mas ao mesmo tempo eu não quero, não quero me iludir achando que tenho chances, não quero ter você agora, matar minha vontade e amanhã? Fingir que nada aconteceu? Eu não quero te ter por pena Valentina ou porque foi forçada, quero que se entregue a mim, de livre e espontânea vontade, mas mesmo assim, ainda iria doer porque eu sei que depois eu não te teria mais, entendeu? Não quero instantes ou momentos ao seu lado, quero uma vida e é por isso que me mantenho longe, porque eu sei que isso jamais acontecerá e definitivamente, não quero seguir sofrendo por isso. Chega!

- Você estragou tudo antes, Carla...

- Obrigada por me dizer algo tão óbvio, acha mesmo que não sabia disso?

- E está estragando tudo outra vez, não é assim que as coisas funcionam. Você deveria ter falado comigo e não ter iniciado todo aquele ódio, você me fez sentir nojo dos meus sentimentos por você e quanto eu finalmente matei todos eles, você volta e fala tudo isso. Não vê como está sendo injusta comigo? - e com isso Valentina desabou em lágrimas, ela nem sabia ao certo quando lhe deu vontade, mas não se negou a chorar na frente da garota.

Carla, sem hesitar, se aproximou e lhe abraçou forte, enfiando o nariz no pescoço dela ao que tentava conforta-la. Quem as visse de longe jamais diria que em algum momento foram tão inimigas, que estavam justamente em detenção por ter brigado no meio da aula.

Valentina não retribuiu o abraço, está perto da garota lhe causava mal e mesmo sabendo que aquele sentimento não era um dos mais nobres, ela simplesmente não conseguia mais olha-la com os mesmos olhos. Ela só queria que Carla a deixasse em paz, tanto ela quanto Pablo, achando sinceramente que a antiga história das duas fosse o único motivo que ela tinha para detestar o loiro daquela forma.

Com pouco esforço, Tina conseguiu sair dos braços da menina e tomou distância. Queria muito poder ir embora, quem sabe pedir colo a mãe ou até mesmo ao namorado, talvez ir encontrar Pablo e apenas ficar na companhia do garoto. Sem dúvida, qualquer coisa a faria sentir-se melhor do que continuar ali com Carla e seu olhar tenebroso em sua direção.

- Só quero que me deixe em paz Carla, nada demais. - apesar de seu rosto ainda está banhado de lágrimas e sua voz soasse entrecortada, ela passava segurança no que dizia.

- Valentina...

- Apenas deixe meu amigo e eu em paz, não fizemos absolutamente nada para você, pelo contrário, você fez tudo isso sozinha. Como bem disse, você já não é mais aquela garota com quem eu me diverti e por quem me apaixonei, não te conheço mais e não te quero mais por perto. Então, por favor, me deixe em paz.

Depois disso, Valentina e Carla não se falaram mais durante a hora que seguiram, continuaram como antes, uma mascava chiclete e a outra os deveres de casa. Em um completo e terrível silêncio.

 

*        *         *

 

Cecília desceu do táxi bem na frente da grande casa do sobrinho. Seu irmão havia morrido com a esposa em um acidente de carro a bons anos atrás e a responsabilidade de cuidar de André e sua irmã ficou inteiramente nas mãos da mulher. Quando mais jovem, era conhecida pelos poucos familiares como a ovelha negra da família, enquanto às primas e amigas se aventuravam em namoros e até mesmo em casamentos, Cecília gostava de ir a casas de danças, bebia coquetéis de frutas e nadava nua com os amigos.

Na época da escola era uma das meninas populares, ficava com os garotos mais bonitos, era amiga dos professores e participava de todos os eventos do pequeno colégio a qual estudou. Aos dezoito anos, enquanto boa parte dos seus amigos entravam na faculdade ou até mesmo casavam-se com os namorados do ginásio, Cecília se aventurou em uma viajem de carro com um amigo de transa.

Em seis meses percorreram em média dez países diferentes, arrumando trabalhos diários para pagar um hotelzinho de beira de estrada e um prato de comida. Sem sobra de dúvida, aqueles foram os melhores meses da vida da garota.

Entretanto, ao voltar, descobriu que o irmão Marcos, na faixa dos seus vinte e quatro anos, ia realizar o seu maior sonho, a esposa estava grávida de gêmeos. Os irmãos Custon eram muitos ligados e ela resolveu que deixaria suas aventuras de lado até o nascimento dos sobrinhos, também, a quem podia enganar? Cecília ficará tão feliz na chegada dos bebês quanto os próprios pais das crianças.

Com apoio de Marcos, fez alguns cursos, arrumou um emprego descente como secretaria em um escritório de advocacia e conseguiu um apartamento para morar sozinha. Apesar de ter espírito livre e aventureiro, aqueles sete anos ao lado da família foram os mais preciosos da vida dela, nem mesmo a época da viajem pareciam tão felizes.

Entretanto, ao que os gêmeos completaram oito anos, em um fatídico acidente automobilístico, Marcos e Rebeca, sua esposa, simplesmente pegaram fogo juntamente com o carro depois de rolarem diversas vezes um penhasco, em uma noite chuvosa.

Desde então Cecília cuidou de André e Alice com todo amor que ambas mereciam.

Antes mesmo de ela apertar a campainha da casa, Marcela surgiu na porta da mesma. Um sorriso preocupado enfeitava seus lábios, seus olhos tinham grandes olheiras e nem de longe parecia à mesma mulher elegante que apareceu em sua casa dias antes. Continuava bonita, isso era inegável, mas parecia cansada o suficiente para não dar importância a parecia que tinha.

- Ainda bem que chegou, Cecília. Entre, por favor.

Com um curto abraço de cumprimento, Cecília Custon adentrou a grande casa sem a menor preocupação em olhar atentamente toda a bela decoração do local. Estivera ali a pouco mais de um ano, assim que descobriu que o sobrinho havia expulsado o filho de forma tão humilhante, lembrava-se de ter batido raivosamente na porta até alguém abri-la, xingou o casal de novos horrendos e foi embora com a promessa de que cuidaria de Pablo com a vida si preciso, e nenhum dos dois voltaria a fazer mal ao seu menino.

Lembrar daquilo lhe dava uma sensação ruim ao que adentrava aquela casa, sabendo plenamente que não deveria nutrir tais sentimentos por pessoas que amava tanto, teve a oportunidade de ter uma conversa longa e sincera com Marcela e entendia bem o que de fato houvera entre André e Pablo. Mas, isso não a fazia se sentir menos triste pelos acontecimentos e muito menos pela distância entre os dois, céus, era pedi muito que André desse uma mísera chance ao filho?

Marcela não havia dormido bem aquela noite, na verdade, desde que soube da possível volta dele que a mulher tinha péssimas horas de sono. A ideia de ter ele perto do seu filho a apavorava de modo inimaginável, uma aflição lhe atingia o peito e se via prestes a chorar, se sentia com as mãos atadas, impossibilitada de cuidar da pessoa que mais amava.

Era verdade que Pablo chegou em sua vida de forma totalmente inesperada, não tinha nem mesmo um ano de casada e mal havia chegado aos vinte e dois anos quando se viu diante uma criança indefesa e tão pequenina, mas havia prometido a Alice que cuidaria dele com sua vida e desde então tentava a todo custo cumprir tal coisa. Desde que o pegou nos braços pela primeira vez após os acontecidos, e os olhinhos miúdos e de um azul inigualável focaram os seus, Marcela sabia que jamais seria capaz de amar alguém mais do que amava Pablo, seu menininho.

Ele podia não ter saído do seu ventre, mas era seu filho e isso ninguém jamais poderia dizer o contrário.

- André descobriu algo? - Cecília foi direto ao assunto assim que se sentou diante a mulher. Assim como Marcela, ela vinha sendo assombrada diariamente pela angústia de ter aquele homem possivelmente perto de Pablo.

- Não muito, na verdade. Há registro no nome dele, de dois anos atrás, entre o período de dois a nove de janeiro em um hotel a 115 km da sua casa e em um posto de gasolina onze dias após essa data, a trezentos metros da escola de Pablo. Nada além disso.

- Será que ele descobriu onde estamos? Será que aquele miserável nos encontrou tão longe? Será que ele sabe quem é Pablo?

- Não sei Cecília, infelizmente eu não sei. - a mulher carregava em sua voz um tom tão, ou até mais, angustiado que a senhora. Seu peito queimava em angústia e medo, mataria aquele desgraçado com as próprias mãos caso ousasse chegar perto do seu filho - André contratou um homem muito bom em descobrir coisas e tenho esperanças de que nos dê algum norte sobre onde ele está.

- E se ele estiver por perto, Marcela? Não gosto nem de imaginar o que ele pode fazer com o nosso menino e... Estou atormentada demais com isso, Pablo conheceu um rapaz e isso é outra coisa que tem me deixado aflita.

- Por quê?

- Ele anda de moto, usa coturnos escuros e tem um jeito muito misterioso. Mas... Não sei, ao mesmo tempo que tenho medo por Pablo, pelo pouco que o vi, senti que ele é um bom rapaz.

- Quem é ele?

- Não sei, Pablo ainda está meio arrisco com os acontecimentos da sexta a noite e não tivemos muitas oportunidades de conversar. Mas o questionarei sobre o rapaz assim que possível.

- Eu realmente me precipitei quando apareci lá, me senti desesperada com a possibilidade dele está perto de Pablo.

- Eu te entendo. - Cecília falou calma, tocando a mão fria de Marcela. Apesar de tudo, as duas eram realmente amigas e gostavam uma da outra, de verdade. - Mas, o que iremos fazer caso ele realmente tenha voltado?

- O de sempre Cecília, levamos Pablo para longe.


Notas Finais


Então pipocuchos, foi isso ai que vocês leram.
Irei ser breve, até porque já falei merda demais.

Até mais galerinha linda!


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