História Occultatum - Capítulo 2


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Categorias Originais
Tags Assassinato, Guerra, Investigação, Mistério, Política, Romance
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Palavras 1.447
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Luta, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Corpos Furtivos


 5:56 AM – Fronteira Leste

 168o  Pelotão de Infantaria

 

As primeiras luzes da manhã despontavam no céu, os soldados estavam agachados entre a vegetação aguardando a ordem para retornarem à segurança dos muros nacionais. O rádio da Tenente Alis apitou com a esperada ordem:

-Aqui é Leão para Plebeu, está na escuta? Câmbio.

-Positivo, Plebeu na escuta. Câmbio. – respondeu

-Reporte o resultado da missão. Câmbio.

-Reconhecimento feito com sucesso, não fomos identificados, retaguarda livre e prontos para retornarem. Câmbio

-Entendido. Autorização de retorno concedida, mantenham-se agachados até passarem belo muro, sejam rápidos. Câmbio, desligo.

Alis mudou a frequência do rádio e passou o recado para sua equipe. Viu soldados jogando cordas dos muros para que pudessem subir. Aquele era o momento mais perigoso, teriam que correr agachados por cem metros de descampado e depois subir os muros. Se houvesse algum inimigo escondido entre as árvores, seus soldados estariam sem cobertura.

-Vamos em trios – disse pelo rádio – Aldo, Farah e Becker, vocês vão primeiro. Câmbio.

A Tenente foi apenas no último grupo, para ter certeza de que todos chegariam bem, a missão tinha começado logo no anoitecer do dia anterior. A Capitã Lowe tinha espalhado os pelotões pelas cidades da fronteira para o reconhecimento de território, a ordem máxima era evitar o combate a todo custo, eles ainda não estavam em guerra e não havia motivo para apressar o combate.

Encontrou sua superior supervisionando a troca de guarda das tropas do muro.

-Tenente! - a Capitã exclamou – Achei que teria que enviar um grupo para buscar vocês!

-Perdão senhora, mas tivemos um pouco de dificuldade para evitar as patrulhas inimigas na volta

-Certo, certo. Posso ler isso depois no seu relatório. – a capitã a puxou pelo braço – Vamos tomar um café, estou exausta.

No caminho para o refeitório, Alis notou os já familiares olhares em sua direção. Não era uma situação incomum, com seus 185 cm de altura e cabelos ruivos cortados curtos, a jovem princesa chamava atenção por onde passasse. Durante o café, notou o sorriso malicioso da amiga e superior na hierarquia.

-O que foi? Você não deveria estar tão feliz assim considerando que não dorme a 48 horas.

-O que posso dizer? Não é todo dia que a minha melhor amiga ganha um marido postiço – a colega riu

-Sério que você não tem nada mais importante para falar comigo?

-As coisas importantes podem esperar, qual o problema de falar de amenidades por alguns minutos?

-Nenhum, desde que essas amenidades não sejam sobre mim – a princesa bufou

-Você já teve a chance de conhecer o felizardo?

-Eu iria encontrá-lo hoje, se você não tivesse me enviado para um vespeiro

-Ah sim, – a capitã adquiriu uma postura mais solene – então eles estão mesmo se preparando para a guerra. É inevitável, hum….

-O Ministério da Casa Real deve enviar o pedido formal para a convocação de novas tropas até o final da semana para o congresso, se eles votarem o isso em caráter emergencial, meu pai deve declarar guerra em algum momento da próxima semana. – Alis tomou um gole de seu café, estava especialmente amargo – Não parece a ocasião mais apropriada para um noivado.

-Por favor não se ofenda, mas se isso fizer com que aqueles malditos de Ruodan se envolvam no conflito com o mínimo de boa vontade, eu estou disposta a perder você

-Eu te garanto que o noivado não vai mudar nada de significante na minha vida – Alis assegurou

-Só o futuro pode nos dizer isso. – a capitã Bijou Lowe abriu um sorriso triste e se levantou – Descanse e faça seu relatório, à noite eu quero fazer uma reunião com os oficiais da Companhia para passar as informações conseguidas.

 

 

Por mais que tentasse, Alis não conseguia se acalmar o suficiente para dormir. Lembrava do que tinha visto na noite anterior, uma cidade abarrotada de inimigos que estavam se armando e reunindo suprimentos para lutar contra eles. Pensou em seus camaradas, muitos deles não estariam vivos dali a algumas semanas. Depois de uma hora rolando de um lado para outro na cama, a moça desistiu de dormir e decidiu dar uma volta na cidade próxima a base.

A ruiva já tinha participado em missões nos 4 cantos do país, tanto diplomáticas quanto militares. Cada uma das províncias tinha características distintas, mas se tinha uma coisa que diferenciava as do leste das outras era as pobres condições de vida da população. Não se sabia mais se as cidades do oriente eram pobres em infraestrutura e educação por causa do dinheiro que tinha que ser desviado para seus orçamentos de defesa, ou se os estrangeiros se aproveitavam dessa vulnerabilidade para atacar e pilhar os distritos.

Alis teve de ir dirigindo para a cidade, pois não havia um prédio alto o suficiente na cidade para o estabelecimento de um porto de dirigíveis no local e a construção de uma linha ferroviária entre a base e a cidade estava fora de questão por motivos práticos. No caminho, teve a chance de observar as obras de um dos aeroportos militares que estavam sendo construídos para o conflito. O objetivo era que eles recebessem os aviões de combate da Força Aérea, mas a princesa pensava na possibilidade de convertê-los para a aviação comercial após o fim da guerra. “Um pouco de turismo pode ajudar a aquecer a economia do local depois dessa bagunça, ou até mesmo ajudar a apagar a péssima publicidade que a guerra vai trazer para cá, se sobrar algo além de ruínas no final”, pensou.

Sua primeira parada foi na feira de rua do centro da cidade, procurava alguma fruta fresca já que as que o exército mandava eram horríveis. Algo que imediatamente chamou sua atenção foi a quantidade de jovens em idade universitária trabalhando no local. Parou em uma barraca de antiguidades a qual estava sendo cuidada por um adolescente que se levantou apressadamente para atendê-la.

-Boa tarde senhora, em que posso ajudá-la

Ali olhou a quantidade de objetos dispostos na bancada, quinquilharias feitas de metais nobres que provavelmente pertenceram a uma grande família.

-Onde conseguiu esses itens? - perguntou ao rapaz

-Eles não são roubados! – ele respondeu assustado – As famílias que tinham condições de migrar para o interior durante a escalada das tensões com os estrangeiros acabaram vendendo os itens que consideraram dispensáveis, meu pai foi um dos comerciantes que negociou com eles. Eu tenho todos os recibos dos objetos.

-E onde está o seu pai agora?

-Infelizmente ele morreu em um dos conflitos na cidade, agora só tem eu e minha mãe para cuidar dos meus irmãos. É uma situação bem comum nesses tempos.

-Entendo. - Alis olhou para os arredores – É por isso que tem tantos jovens por aqui? Vocês não deveriam estar em uma universidade ou aprendendo algum ofício?

O vendedor deu uma risada amarga.

-Nós mal temos escolas que ensinem o básico, quanto mais universidades! Sem contar que são poucas as Oficinas que tem produção suficiente para contratar aprendizes.

-Imagino que indústrias também sejam uma raridade por aqui. – a princesa sussurrou para si

-O que disse? - perguntou o adolescente

-Nada de importante. - Alis viu um item de seu interesse – Quanto custa essa adaga de lâmina curva?

-15 moedas de prata. O cabo é de marfim e a lâmina de prata, está um pouco gasta, mas com um polimento fica brilhante como nova, sem contar que ainda tem fio.

-Me parece um preço um pouco abusivo, – a nobre sabia que o jovem só queria tirar o máximo de lucro devido a situação de sua família, supondo que sua história fosse verdadeira. Mesmo assim, o preço era exagerado – pago 5.

-10

-7. Lâminas de prata não são as melhores, muito frágeis.

-8 moedas e ponto final. É um belo item ornamental.

-Tudo bem, você me convenceu – ela entregou o dinheiro e pegou sua compra. Passaria um bom tempo restaurando a arma, mas era melhor do que perder esse período se preocupando com a vida.

Antes que pudesse passar para a próxima barraca o jovem perguntou:

-Você acha que o exército vai me convocar se houver uma guerra? Eu ainda não cheguei na idade do serviço obrigatório

“Agradeça que ainda não te convocaram”, ela pensou.

-Apenas aproveite o máximo possível da sua família – respondeu.

 

Por volta do horário de almoço, Alis sentou nas cadeiras do lado de fora de um restaurante. Estava analisando calmamente o cardápio quando uma figura saindo do estabelecimento chamou sua atenção. Era um homem de aparência normal, passaria despercebido por ela se não fosse a expressão afobada de seu rosto. Por instinto, a oficial levantou e foi atrás dele sem alarde. O homem começou a correr, e antes que Alis pudesse acompanhá-lo, uma explosão as suas costas a levou ao chão.


Notas Finais


Críticas e sugestões são sempre bem vindas


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