História Odisseia - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Arte, Baekhyun, Byun Baekhee, Byun Baekhyun, Chanyeol, Chen, Comedia, Do Kyungsoo, Drama, Exo-l, Hwang Zi Tao, Kai, Kim Jongdae, Kim Jongin, Kim Junmyeon, Kim Minseok, Kris, Lay, Lgbt, Luhan, Oh Sehun, Park Chanyeol, Sehun, Suho, Tao, Transfobia, Travesti, Wu Yifan, Xiumin, Zhang Yixing
Visualizações 41
Palavras 4.120
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Fluffy, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oláaaaaaaaaa queridos
que saudades, sentiram também?
vim aqui postar o novo capítulo tão esperado dessa fanfic, e antes de ler, vocês precisam acima de tudo saber que este capitulo é um flashback, uma memória de BaekHee sobre a infância, e que junto com o cap há uma critica social pesada a respeito de padrões de gênero, que eu não vivi exatamente à risca, mas presenciei fortemente muitas pessoas sofrendo com isso, sobretudo os meninos

bem, apreciem sem moderação

Capítulo 10 - Dias especiais nem sempre terminam bem


No dia seis de maio de 2008, a primeira coisa que fiz ao acordar foi sorrir. De alegria, ansiedade, nervosismo e acima de tudo, alívio. Foi o dia mais esperado do ano, apesar de estar apenas no quinto mês, mas pra mim, não era nada menos que especial. O meu aniversário me parecia um Natal, na verdade. Era um dia a qual eu me sentia espiritualmente leve, teria comida gostosa, presentes e a minha para me dar o carinho que eu merecia, pelo menos uma vez no ano. Alguns poderiam considerar bobo, e até mesmo ingênuo da minha parte, e certamente era. Mas, de que importa? Quando somos crianças, queremos somente sorrir, brincar, ver a vida mais colorida e ter um mundo só seu se materializando diante dos seus olhos e lhe entregando a sensação de que tudo é possível! Voar, ser uma astronauta, uma rainha, ou até mesmo uma fada. Ah, eu adorava me ver daquelas formas. Delicio-me até os dias atuais com estes devaneios.

Entretanto, às vezes a minha inocência não me permitia sentir as verdades que a vida tentava me impor em forma de tapas na cara, sobretudo no dia do meu aniversário. Em 2008, acordei mais cedo que o normal, feliz por ser um dia livre de aula - apesar de ter sido uma terça-feira - e percebendo que a casa estava silenciosa. Desci as escadas compridas descalço e ainda de pijama, com os cabelos bagunçados e o rosto nada apresentável. O lençol enorme se mantinha em minhas mãos e minha boca bocejava pelo sono que, vendo atualmente, não precisava ser rompido tão bruscamente. Pena que a afobação faz essas coisas.

Olhei para a sala e nada repousava ali, além dos móveis de cores sóbrias que eu sempre julguei parecerem sofá, mesa e estante dos anos 1200. Eu nem mesmo sabia o que acontecia nessa Era, porém li em algum livro que o tal ano existia e passei a usar em tudo. Continuei com a busca por algum elemento acordado e nada, nem mesmo um cachorro - e olha que em casa não tínhamos cachorros ou gatos. Eu estava sozinho mesmo. Meu rostinho fez uma expressão triste e desanimada e optei por aguardar a chegada de algum "feliz aniversário, Baekhyun!" vindo de meu pai, minha mãe ou Bakong, minha babá. Pena que ela só chegaria mais tarde.

Entrei na cozinha, escura e fria. Cobri meu rosto com o lençol e olhei para o balcão. Estava limpo, como de costume. Nada diferente no fogão ou geladeira. E eu mal alcançava o freezer. Na mesa de jantar, cujo comprimento era grande demais para apenas três pessoas comerem casualmente, haviam frutas numa cesta, ovos numa galinha de porcelana, o jornal de ontem e uma bandeja coberta por um pano ao lado de algo protegido por uma espécie de pequeno guarda-chuva de renda todo enfeitado em lacinhos azuis e brancos. Senti meu estômago roncar, de fome. E de curiosidade.

Meus olhinhos pairavam pela superfície da mesa, procurando entender o que aqueles tecidos escondiam de mim na manhã de seis de maio. Estiquei os pés para melhor enxergar e uma de minhas mãos retiraram quase que caramujamente o guardanapo branco com desenhos de flores feitos por minha avó, a qual este expunha, pouco a pouco, a surpresa ali guardada. Um cheirinho quente e gostoso de biscoito adentrou minhas narinas e pude constatar que havia uma bandeja cheia de outros como esse. Cerca de 10 biscoitos com gotas de chocolate ainda quentes e visivelmente saborosos. Lambi os beiços e arregalei os olhos, tentando me esticar mais. Pareciam lindos, e bem comíveis. Seriam para mim? Será que posso pegar um? Foi o Papai Noel quem deixou?

Fiquei tentado a provar. Não obstante, observei que ainda haviam coisas para serem exploradas bem debaixo do meu nariz. O que teria mamãe ou papai colocado debaixo do guarda-chuva? Sapateei pela cozinha de tamanha euforia ao saber que poderia ter algo melhor ainda sobre a mesa, tanto que logo minha destra se dispusera a retirar de cima o protetor.

O brilho dos meus olhos iluminou a cozinha: Um bolo! Inteiro! De chocolate!!!

Eu simplesmente amava, idolatrava, sofria e dava tudo por um bolo de chocolate bem recheado e maravilhoso!

Quase chorei. De euforia, de tristeza, de fome. Havia bolo, não estava na hora de comer, minha barriguinha estava um toró. Como suportar?

De fato, precisei ser forte. Minha mãe apareceria logo logo para ajeitar o café da manhã e eu deveria esperar. Sendo assim, me arrastei sem olhar para trás direcionando-me à sala de estar, porque a manhã sem aula me permitiria assistir aos meus desenhos favoritos bem cedinho, no friozinho e enrolado no edredom. Sentei no sofá macio e liguei a televisão, apertando no botão que eu havia decorado, aquele que me transporta ao canal infantil. Ah, que alegria de dia!!!

Concentrei-me nos diálogos exótico entre Pingu e seus amigos por cerca de meia hora, trocando hora ou outra de canal à procura de várias coisas para assistir. Minha cabeça estava descansando quietinha numa almofada cujo bordado predominava a cor dourada e vermelha, combinando fortemente com o tom sóbrio daquele casarão gigantesco, onde eu sempre me perdia apesar de saber de cor cada cômodo do mesmo, depois de tantos anos brincando de explorador.

Foi quando ouvi um som de passos se aproximando à medida que eu sentia uma presença bem de frente à escada, pronta para descer. Fingi estar dormindo, enquanto minha mente borbulhava imaginando qual dos dois teria acordado primeiro; seria papai pronto para trabalhar? Seria mamãe para me dar um abraço? Seria meu amiguinho imaginário que passo o dia o colocando nas minhas brincadeiras de princesas e cavaleiros? Escondido, é claro.

Ouvi um resmungo baixo assim que a pessoa desceu todos os degraus. Era minha mãe, havia acordado. Será que ela faria o café da manhã?

- Por que ele sempre faz isso? - ela perguntou para si mesma, em tom calmo e ao mesmo tempo indignado. Senti ela adentrar a sala e cutucar meu ombro descoberto - Baekhyun, acorde.

Como um ator profissional, abri meus olhinhos devagar, fingindo ter realmente cochilando e simulando os olhos atordoados pelo sono rompido. Mamãe me olhava de braços cruzados e eu fiquei feliz por vê-la.

- Bom dia, mamãe. - desejei, com um sorriso aberto

- Dia, querido. - ela respondeu, afagando meus cabelos e me dando um beijinho na testa - Por que acordou tão cedo? São 7h da manhã.

- É que hoje é um dia especial, sabia? - a vi arquear a sobrancelha - Ora, vai me dizer que esqueceu?

- Acho que esqueci, filho. - ela fez uma expressão pensativa - Diz pra mim logo, estou curiosa.

Dei uma risada.

- É meu aniversário, mãe! - eu revelei, com uma leve indignação.

- É mesmo?! Desde quando? - sua face expressava um espanto

- Desde sempre, ora essa! Sua bobinha!

A ouvi rir - coisa rara - e então ela me deu um abraço caloroso. Deu-me um beijinho na testa e então me olhou nos olhos.

- É claro que eu não esqueci, seu bobinho. Fiz um bolo bem gostoso, seu preferido. Mas é para comer só depois do almoço, hum?

Ah, que lástima. Minha barriga chorou.

- Ok, eu prometo! - jurei, levantando o dedo mindinho - De dedinho!

Ela estendeu o dedo dela e fiz meu juramento. Agora eu tinha que ser forte mesmo, como Sansão.

Porém não esperava que ela fosse me dar uma cheirada no suvaco.

- Que tal um banho? Você está fedendo a sono. - zombou ela e eu fiz careta

- Ah, mãe, banho não, estou de férias.

Estava nada.

- Então não tem bolo.

Pisquei na velocidade da luz.

- Posso escolher o shampoo?

• • •

Após longos minutos tomando um banho, eu já retornara para a sala de estar, limpinho e cheiroso, pronto para prosseguir o meu dia. Minha mãe e Bakong se ocupavam na cozinha enquanto eu me sentia na liberdade de assistir a um filme que sempre gostei, porém, quase nunca posso assisti-lo direito. Estou falando de Barbie: A Princesa e a Plebeia. Este filme sempre foi considerado o melhor de todos por mim, apesar de eu nunca tê-lo visto todo, mas só de ver as princesas corajosas lutando pela sua felicidade já me deixava alegre. Amava ver os vestidos, os cabelos bem penteados, a voz doce da princesa e a personalidade forte da plebeia. Eu tinha muita, mas muita vontade de ser assim.

Se bem que elas também queriam ser livres, para cantar, correr, amar quem queriam e não depender das decisões alheias, coisa que mesmo não entendendo na época, eu sentia. Praticamente, aquelas garotas eram a concretização do que eu queria fazer, mas fui impedido.

A música soava pela sala de estar e eu gostava da melodia, a letra linda e as cenas épicas eram apresentadas pela tela da TV, eu mal desgrudava os olhos dela. Até que minha mãe surgiu da cozinha, notando o que eu assistia.

- O que está vendo, Baekhyun? - perguntou ela

- O filme da Barbie, mãe. - respondi, sem me virar - Das princesas.

Ela não parecia gostar muito disso.

- Princesas, filho? Mas este filme não é pra você.

Arqueei a sobrancelha, confuso. Precisei me virar.

- Por que não?

- Este filme é de meninas. Você é uma menina?

Esta pergunta... eu sempre a odiei, afinal, jamais poderia responder que sim, quando se vive numa sociedade que te obriga a dizer que não.

- C-Claro que não, mãe. - menti - Mas o que isso tem a ver?

- Tem a ver que meninos assistem desenhos de meninos. Veja o seu primo, ele só assiste aquele desenho dos carros. Por que não assiste isso também?

- Ah, não, mãe. Esse é muito chato, não tem nada além de corridas sem graça. Não tem nenhum romance e magia.

Cruzei os braços, indignado com suas palavras, mas ela não se convenceu.

- Por isso mesmo! Essas coisas você deixa para a sua prima! Assista logo o que estou mandando e deixe de baboseira.

Grunhi, irritado de verdade. Será mesmo que nem no meu aniversário eu poderia assistir o que eu quero? Ela pegou o controle remoto e passou o canal para onde supostamente passava algum episódio de Hotwheels. Nunca vi coisa mais chata! Céus, por mim, teria jogado a televisão fora de tanto tédio.

Me forcei a assistir, não entendendo nada do enredo e só vendo o quão sem emoção eram os desenhos que as outras crianças assistiam. Que graça tinha em ver carrinhos indo para lá e para cá, quando se poderia assistir aos maiores atos de resistência e força contra a tradição e os bons costumes? Eu queria ver Barbie e pronto!

A chatice era tanta, mas tanta, que eu adormeci no sofá. Torci para que eu acordasse e a televisão estivesse desligada.

• • •

Quando acordei, notei um fuzuê. Alguns familiares haviam chegado para comemorar e eu precisei me levantar para recebê-los. Meu tio me desejou uns parabéns e me entregou um presente. Fiquei feliz, tanto que o abri logo para ver. Mas o meu sorriso quase morreu ao notar que havia ganhado uma maldita roupinha, toda azul e com imagens de carrinhos. Era bonita, até, minha mãe adorou, mas eu não achei lá essas coisas.

- O que me diz, Baekhyun? - o tio Byun perguntou - Achou bonita?

- É... É claro, tio! Muito obrigado! - agradeci, apesar de no fundo não ter gostado tanto, e o dei um abraço.

Meu primo estava presente também. Era alguns anos mais velho que eu, porém era tão criança como o convinha. Me deu um abraço apertado e depois me convidou para brincar. Como eu gostava dele, aceitei o pedido.

Meu pai saiu mais cedo do trabalho por conta dos nossos familiares e chegou em casa depois do almoço. Conversavam ele, minha mãe e meus tios. Todos falavam de coisas de adulto, só chatice pelo visto. Preferi brincar.

Corremos eu e Jaehoo para meu quarto. Ele estava entusiasmado para brincar e ao chegarmos no quarto, notou meus brinquedos. Eu tinha muitos.

- Que tal brincarmos de algo legal? - o mais velho opinou

- Como o que?

- Não sei, do que você brinca?

- Eu gosto de brincar de... - eu deveria dizer de "boneca"? - De médico.

Não menti, quer dizer. Eu tinha muitas pelúcias e kits de enfermagem de brinquedo, era bem legal cuidar dos meus ursinhos. Principalmente do meu macaco, o Keeki.

- Então vamos brincar disso. Eu quero ser a ambulância. - ele se animou

- Eu vou dar os remédios e a comida, então.

A brincadeira estava feita. Jaehoo começou a fingir que era a ambulância, pegou um de meus ursos e o levava consigo pelo meu quarto imitando a sirene, dava círculos pelo local até chegar em mim. Eu usava o estetoscópio e aquele negócio na cabeça.

- Doutor. - meu primo disse, trazendo o cachorro de pelúcia ferido - Aqui está a vítima. Está quase sem cabeça, salve ele.

Que exagero.

- Tudo  bem, vou tirar a temperatura. - não, eu não sabia como era mesmo que cuidava de um ferido. Coloquei um termômetro debaixo do bracinho e fiz cara de espanto -Oh meu deus, ele está ficando com febre! Preciso fazer uma cirurgia!

Não me julguem, eu fazia o que sabia.

- Tudo bem, vou ajudar! - lembrar do tom de voz de Jaehoo me faz querer rir

Levei a vítima para o tapete e pedi a maleta de instrumentos cirúrgicos. Coloquei o cachorro no chão e olhei as feridas.

- Agora me passe o bisturi. - eu nem sabia o que era bisturi, mas Jaehoo me deu a tesoura. Fingi estar cortando algo - Tiqui tiqui tiqui tiqui. Agora a anestesia.

Meu deus, eu era um monstro.

- Anestesia!

- Chuuuu. - meti a injeção no bumbum da vítima - Agora ele vai dormir. Me passe a pinça.

Jaehoo me trazia coisas que eu nem imaginava que dava para usar numa cirurgia.

- Agora o pente. - ordenei e ele trouxe o pente de cabelo, passei nos pêlos da pelúcia e então a cirurgia se finalizou - Ele está bem, agora.

- O que faremos então, doutor Baekhyun?

- Temos que dar comida! Ele está fraco, faça uma sopa.

Pra que eu pedi isso? Ele correu pelo quarto procurando qualquer ingrediente capaz de simular uma sopa, e se eu contar que ele pegou uma roda solta de carrinho e umas massinhas, ninguém acredita.

- Eu não vou cozinhar. - o menino decretou - Faça a sopa, eu vigio para ele não fugir.

Aceitei a proposta e me dediquei a preparar a comida, cozinhando como uma mamãe numa vasilha avulsa - já que eu não podia ter panelinhas ou fogão. Voltei com uma gororoba de massinha e pneu e coloquei o bicho no colo como um bebê.

A partir daí, deixei de ser "menino". Comecei a nanar o urso como se fosse um bebê, o aconchegando no colo e dando de pouquinho a suposta sopa. O brinquedo era macio e gostoso de apertar, eu sentia como se fosse um bebê mesmo.

- O que você tá fazendo, Baekkie?

- Shhhh. - fiz, com o indicador - Ele está dormindo, Jaehoo. Vai acordá-lo.

- Mas ele não é um bebê! Ele é um alienígena monstro, e você está parecendo uma mamãe!

- E o que tem?

- Não é assim que se brinca de médico!

Ih, começou.

- É sim! Você que não sabe de nada! Eu estou cuidando dele!

- Mas cuidar é coisa de menininhas chatas! Você é uma mulherzinha! Me dá logo esse brinquedo.

Ele puxou a perna.

- Não, ele é meu! - puxei de volta

- Mas eu que sei ser médico! Minha vez de fazer cirurgia! - puxou de novo

- Nada disso, você vai bater nele!

- Me dá!

- Não dou!

Puxávamos a pelúcia a todo tempo, um para cada lado e eu estava enfurecido! Como ele pode entrar no meu quarto e decidir como alguém deve brincar?

- Larga, larga! Você vai rasgar!

- Só se eu for o médico!

Rosnei de ódio. Ele ia destruir a droga do boneco e eu não teria outro.

- Toma, faz o que quiser! - soltei, dando para ele e o fazendo se virar - Mas eu não quero mais brincar.

Me levantei do chão e saí marchando do quarto, muito irritado e frustrado. Por que nunca posso fazer o que eu gosto, do meu jeito?! Que mania chata das pessoas de tentar esculpir as coisas pra mim! Isso é ridículo.

Desci as escadas e procurei pela mamãe. Ela ria e se divertia das falas do meu tio, que não era mais o único parente visitando. Meu outro tio por parte de mãe estava em casa também, conversava com meu pai. Eu estava afim de um pedaço de bolo.

Agradeci aos meus tios pelos presentes e dei um abraço. O mesmo de todo ano. Pedi à Bakong que pudesse pegar um pedacinho de bolo, e ela me entregou, um lindo pedaço de bolo de chocolate. Fiquei tão feliz que dei uma bitoca na sua bochecha e fui comer na sala, sem ligar se Jaehoo queria ou não. Estava fulo da vida e não pretendia quebrar o gelo tão cedo.

O número de pessoas começou a aumentar a partir do momento que o relógio demarcou 14h10 da tarde. Cada vez mais primos, tios, amigos dos meus pais estavam chegando. Eu estava alegre, adoro ver a casa cheia.

Ganhei mais presentes. Alguns eu gostei, como gibis, jogos e sapatos. Outros eu detestei, que eram os malditos carrinhos, roupas azuis ou verdes e um pote de bolinhas de gude. Eu nem sabia brincar com bolinhas de gude. Mas, como um garoto educado, agradeci por cada presente que ganhei.

Meus outros primos falavam comigo sobre coisas de criança, eu conversava naturalmente. Havia feito as pazes com Jaehoo sem perceber, porque criança é assim. Briga, briga, briga, depois faz as pazes e brinca de novo. É quase automático. Sempre acontecia com meus primos e eu.

Mas a minha euforia só aumentou mesmo quando minha mãe abriu a porta da frente e recebeu a chegada da minha lindíssima tia, a rainha das rainhas, a melhor de todas. Ela me amava muito e sempre vinha de longe para me ver, independente da situação. E pelo visto, vinha como algo especial.

- Meu amor! - ela se abaixou e eu corri para abraçá-la - Que saudade de você, Baekkie.

- Tia!!! - a dei um beijo na bochecha, sorridente - Também estava com muita saudades!

- Você está tão grandinho, pequeno. - ela disse e eu ri do paradoxo - Titia trouxe uma coisa especial para você.

Meus olhos brilharam. Ela pegou a caixa de presente, retangular e coberta pelo papel lilás. Adorava lilás. Entregou-me ainda na sala.

- Posso abrir?

- Pode sim, querido.

Eu, com toda a vontade, abri o papel de presente e o mesmo me revelava uma caixa bem diferente de toda as que já entraram em casa. Quase babei de alegria, quando vi que o papel ia se esvaindo e o que me aparecia era praticamente um tesouro.

Uma boneca.

De vestidinho, maria chiquinha e chupeta. Falava frases divertidas e chamava de mamãe. A mesma que vi numa loja de brinquedos e não pude pedir. Ao invés dela, preferi comprar a pelúcia, levaria menos bronca.

Mas era o meu sonho ter uma boneca.

- E-Eu sempre quis uma dessa, tia. Muito obrigado, mesmo! É o melhor presente de todos! - eu sorria até as orelhas, a abraçando bem forte e agradecendo aos céus por ter uma tia tão maravilhosa

- Que bom que gostou, pequeno, achei a sua cara.

Era mesmo, eu concordava. Porém, notei que ao nosso redor ninguém falava nada, meus tios pareciam abismados com a cena e meus primos cochicavam entre si. Minha mãe parecia querer matar nós dois.

- Mas uma boneca, Soonmi? Por que não outra coisa? - tentou forçar simpatia

- Que mal há numa boneca, irmã? Você era cheia delas. - minha tia rebateu, ajeitando os cabelos tingidos de vermelho sóbrio

- Mas era diferente, eu sou uma mulher!

- Nada a ver. - minha tia simplesmente ignorou o comentário e voltou a atenção para mim - Que tal abrirmos a caixa e experimentarmos a boneca?

Ah, eu ia transbordar de felicidade.

• • •

O resto da tarde se resumiu em: Eu alegre com uma boneca, minha tia trocando indireta com a família, meus primos ainda pasmos e minhas primas querendo meter o bedelho.

- Eu tenho uma mais bonita que essa. - disse uma das invejosas

- Problema seu. - respondi, muito venenoso - Eu gostei muito. Ela é muito bonita.

- Sabia que você parece uma menina com essa boneca? Vai todo mundo rir de você na escola.

- Você é uma chata, vai brincar pra lá e me deixe em paz. - me enfureci, ainda nanando a bebê

- Eu vou contar pra todo mundo que você gosta de boneca! Vem, Yuna, vamos brincar sozinhas.

Ela puxou a irmã mais nova, que a seguia para todos os lados e concordava com tudo que ela dizia.

- É mesmo, unni! Deixe ele aí.

Revirei os olhos, minhas primas eram insuportáveis. Sobraram apenas os três meninos, que pela escadinha, era um mais velho que o outro com diferença de um ano. Jaehoo perguntou se eu deixava ele e Taegguk irem brincar no meu quarto, eu deixei. Os dois correram para o andar de cima e eu fiquei sozinho com o mais novo. Ele era o único calado da história, provavelmente corria para os braços da sua mãe. Mas me surpreendi quando ele se aproximou de mim e perguntou baixinho:

- Posso ser a babá?

Não pude conter o sorriso.

• • •

Ao fim do dia, meus tios se despediam. Agradeciam pela comida, recepção e me desejavam coisas boas. Alguns já partiram faz tempo, como os pais de Jaehoo, outros saíram somente após a hora de cantar os parabéns e a última a ir embora foi minha tia. Ela só saiu quando teve certeza de que eu ficaria bem. Deu um abraço na irmã, no cunhado e em mim, bagunçou meus cabelos e então deixou a casa. Já comecei a sentir saudades.

O relógio acusava 19h40 da noite. Meu pai jantava enquanto minha mãe arrumava a sala, eu estava no tapete brincando com a boneca nova ao passo que brincava com os outros presentes. Me sentia bem, parecia tudo estar no seu lugar. Eu dava comida para ela e ouvia sua vozinha fofa. Adorava sentir que era verdadeiramente uma mamãe dedicada e feliz.

Não obstante, papai adentrou a sala.

- Baekhyun.

Parei a brincadeira para olhá-lo. Ele me encarava sério.

- Dê-me a boneca. - estendeu a mão

Me espantei.

- Por que?!

- Por que a sua tia é uma louca e está influenciando coisas erradas para você! Anda, dê-me logo esta merda!

- M-Mas pai...

- Obedeça seu pai, garoto, vamos. - mamãe o apoiava - Onde já se viu um rapaz cuidando de bonecas? Haja paciência! Soonmi tem minhocas na cabeça. Eu devia proibi-la de vir aqui.

Eu não queria entregar nada.

- Mas eu adorei esse brinquedo, papai, por favor!

- Deixe de baboseira, vou comprar algo bem melhor, vamos logo e deixe de rebeldia! Se não me der, vai ficar de castigo por um mês!

Meus olhos marejaram, a vontade de chorar e gritar era evidente. Eu agarrava a boneca com força, querendo protegê-la de tudo. Fora em vão, pois meu pai a tirou de mim à força, tentei erguer as mãos e pegá-la de volta, mas ele não permitiu.

Começou a olhar para a boneca, com repúdio.

- Absurdo! Sua irmã precisa de um médico, urgente, Eunbyul.

- Você não vai jogar fora, né? Esta boneca deve ter custado muito caro.- mamãe perguntou

- Papai, por favor, não a jogue fora!

- Cale a boca, Baekhyun. Vou deixá-la bem longe de você. Não me siga, se você triscar nessa porcaria eu te darei umas cintadas!

Chorei, chorei alto mesmo, ignorando o mico ou o ridículo, eu era criança e me sentia destruído. Queria minha boneca, minha liberdade acima de tudo. Minha mãe simplesmente me ignorou, subindo as escadas. Joguei-me de joelhos no chão, fechando os punhos de tamanha revolta. Por que? Por que tanta necessidade de me impedir de ser feliz? Eu não era o que eles queriam, nunca fui, por que forçavam tanto? Que mal teria em ser como uma garota? Isso nunca os mataria

Fechei os olhos e continuei ali, deitado no tapete da sala, molhando o tecido com as lágrimas de tristeza profunda. Eu odeio essa família, queria muito fugir de casa. Quem eles pensam que são?!

Eu só queria que o dia tivesse sido o melhor de todos, o melhor do ano, como sempre sonho. Mas mesmo assim, só serviu para aprender que mesmo no melhor dia do mundo, tudo iria contra a minha vontade. E parecia cada vez mais longe de acabar.

A noite se seguiu resumida em lágrimas, um pai furioso, uma mãe debochada e um Baekhyun sonhando com um mundo só seu, onde pudesse ser quem ele era sem ser cobrado para se moldar a um perfil totalmente oposto do seu. Sem primos machistas, primas invejosas, pais idiotas e segregações desnecessárias. Somente eu, e minha alma liberta.

Mas eu sabia que um dia, cedo ou tarde, abriria as asas. E voaria para longe, longe de toda e qualquer coisa que fosse capaz de tirar de mim o anseio pela felicidade. A minha busca nunca acabaria.


Notas Finais


Tritões ainda não está com o capítulo pronto, devido a um bloqueio de criatividade para a fanfic, rogo que aguardem com paciencia, mas sinto que ainda nessa semana terão a atualização

até breve, queridos! gilaozinho~


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