História Odisseia { chanbaek } - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Arte, Baekhyun, Byun Baekhee, Byun Baekhyun, Chanyeol, Chen, Comedia, Do Kyungsoo, Drama, Exo-l, Hwang Zi Tao, Kai, Kim Jongdae, Kim Jongin, Kim Junmyeon, Kim Minseok, Kris, Lay, Lgbt, Luhan, Oh Sehun, Park Chanyeol, Sehun, Suho, Tao, Transfobia, Travesti, Wu Yifan, Xiumin, Zhang Yixing
Visualizações 46
Palavras 3.482
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Fluffy, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


très bien, mônica, vc se atrasou dnv
olar amigossssss, sentiram sdd?
eu custei pra atualizar a fic dnv e peço desculpas, dessa vez foi negligência minha
espero n ter desmotivado ngm a ler :( sei que sou mestre em fazer isso
bem, aqui mais um cap da nossa linda fic que estou atrasando mas tá fluindo, e que ainda esta longe da hora de lançar a bomba, sabe como é, rsrsçrçrçrçr
apreciem sem moderação

Capítulo 9 - O teatro e o brotinho


15h50.

Meu cabelo estava impossível. É óbvio, para quase dois metros de cabelo batendo abaixo da cintura, seria misticismo saber mexer nessa juba em menos de 10 minutos. É exatamente por este motivo que me sujeito à acordar com duas horas de antecipação apenas para arrumar tudo isso. E eu juro, não estou exagerando.

Chanyeol me convidara pra sair nesta tarde e é questão de honra parecer apresentável o suficiente para um simples passeio pela cidade. Manter as madeixas no lugar, usar uma roupa que não me faça parecer uma orca, e reservar a mesma fome de pedreiro de todos os dias.

A escova ia e voltava pelo cabelo todo tentando domá-lo de forma fracassada, ora levando a franja pra frente, ora pro lado. Eu bufava, totalmente insatisfeita. Mas você vai se ajeitar ou não? Eu ainda tenho um batom pra passar.

Desisti, meu braço havia cansado e precisei dar uma pausa, sentei-me na cama ainda com a toalha enrolada no meu corpo, eu pensava sobre o passeio. Até então não havia me tocado que Chanyeol estava me convidando pra sair, e que realmente isto aconteceria. Eu nunca, repito, nunca fui convidada para um passeio por alguém além-família em toda a minha vida. Que diabos de dimensão alternativa é essa que eu fui parar?

Mas eu não podia enrolar, voltei a pensar nos preparativos para a missão fique-bonita que eu costumo realizar todos os dias mas naquele momento estava difícil. Abri minha bolsa de maquiagem e saquei meu bbcream, batom e meu doce e amado delineador. Amo delineador, meu sonho de consumo desde o ginásio.

Com a ponta do indicador, espalhei um pingo da base líquida na testa, bochechas, nariz e queixo, dando leves batidinhas a fim de distribuir pela área toda, fazendo a maquiagem esconder uns negocinhos desagradáveis que marcam a minha cara, como umas pintinhas minúsculas perto dos olhos. Conforme o líquido se expandia, mais o seu efeito surgia e de fato ocultava os meus defeitos faciais com muito talento, fiquei orgulhosa de ter gastado meu dinheiro do Natal com este kit tão caro da Missha. Valeu muito a pena.

Com o delineador, passei a ponta do mesmo na região bem acima dos cílios, deslizando-o com toda a lentidão e atenção possível e fazendo uma careta estranha para o espelho. A linha negra iniciava-se do canto esquerdo do olho e seguia até o lado de fora, concluído com uma voltinha. Parecia uma felina, dos olhos penetrantes, até rosnei para o meu reflexo e me arrependi do mico. Depois, fiz o mesmo no segundo olho.

Com o batom cujo rosinha era brilhoso e com gosto de framboesa, pintei meu lábio superior de ponta a ponta, retirando os excessos que escapavam do lábio com a unha, resultando em uma leve vermelhidão devido eu esfregar o local. No lábio inferior, o batom passara com mais liberdade e não sujei tanto, logo, o excesso foi mínimo. O espelho me dizia: Você está linda. Eu sorri.

Bom, era o que a minha mente queria ouvir, porque os meus olhos denunciavam a crise capilar em minha cabeça e também clamava urgentemente por uma escova. Céus, eu já tinha acabado de pentear e já tinha fio pra cima, qual o problema dessa cabeleira???

Sai de frente da penteadeira e me direcionei ao armário, para escolher logo as roupas. Estávamos em primavera, então o mais adequado seria vestir roupas leves. No meu guarda-roupa, observei os modelos de cada peça que eu costumava vestir, e escolhi umas três combinações. É, eu pareço uma patricinha me arrumando, mas o que eu posso fazer? Peguei as minhas blusinhas finas e joguei a na cama, avaliando qual delas seria melhor. Havia uma azul, uma branca e outra rosa tom de pêssego, minha cor favorita. Eu virava a cabeça, confusa ao imaginar vestindo cada uma, pra chegar a conclusão de que não a branca não ia ser uma boa escolha, então guardei de volta. Sobraram a azul em tom pastel, que possuía detalhes de passarinhos na borda e uma leve abertura na manga, e a rosinha cujas mangas eram caídas e mostravam os ombros, além de ter um lacinho no meio, que para decidir de vez eu também fui atrás do meu short jeans de cós alto com um desenho de um cacto na perna esquerda, que uma hora ia ficar curto e eu precisava aproveitar. Suspirei pesado, era muita coisa pra decidir e a hora estava passando, e se tem coisa que eu detesto mais que bacon, é chegar atrasada nos compromissos, pior ainda se for por motivos fúteis. Isso me irrita e desestabiliza a minha mente por um tempo e só fico pensando no tempo que perdi por causa do atraso quando poderia ter aproveitado cada momento. Acho que sou um tanto perfeccionista.

Depois de ficar estendendo os cabides com as roupas, finalmente fiz uma decisão cabível e decente que revelaria os mistérios do universo e garantiria o futuro das próximas gerações e da vida de 200 depois da humanidade: Eu iria com a blusinha rosa.

Sorri alegre com todo o esforço que gastei e então tratei de me vestir. Passei o sutiã amarelinho lindinho e enfeitado pelos meus braços e o ajustei, prendendo seus botões, para depois vestir a parte de baixo. Calcinhas boxers são muito mais confortáveis. Peguei o short e o vesti, abotoando o cós e dobrando as pontas. Ajeitei os cabelos para o lado e passei os braços pelas mangas da blusa e puxei sua barra para baixo, a qual automaticamente as mangas começaram a cair e expor meus ombros, minhas mãos ajeitaram o lacinho do meio e logo eu me senti pronta. Bom, 80% pronta. Esqueci do cabelo.

E eu ainda tinha a audácia de perguntar pro cabelo se ele queria ser trançado, amarrado, livre, leve e solto ou se eu deveria usar uma peruca. Como o Estado sou eu, preferi amarrá-los, porque o risco dele ficar só sorvete ela menor. Fora que também assegurava que eu poderia conversar sem ter algum fio inconveniente grudado no meu batom. Pior coisa.

Estava prestes a sair quando notei que estava cedo, sendo que parecia ter passado vinte anos só por causa da arrumação. Ainda dava tempo de organizar a bagunça que fiz na sala de estar e no quarto, porque tenho mania de jogar na bolsa em um canto qualquer e levar meus livros para todos os cômodos da casa, inclusive preciso terminar de ler o meu Goethe ainda essa semana antes que comece a acumular. Peguei a bolsa com meu caderno e estojo e o levei para o quarto, deixando-o na cadeira diante da escrivaninha e dobrei a toalha que se minha mãe a visse em cima da cama, certamente surtaria. Peguei minhas meias de bolinhas e coloquei na cesta de roupas no canto do banheiro, fechando a tampa e então procurando novos resquícios de bagunça pelo resto do tempo que sobrou até que desse a hora de ir. E ainda precisaria ir cedo, uns 10 minutos antes, pra que a caminhada a pé não atrasasse.

Tudo ficou limpo e bonitinho e pude ver a liberdade no fim do túnel. Reuni meu celular, fones e carteira na bolsinha e finalizei a missão com um perfume básico, tipo o grand finale. Olhei pela última vez no espelho e gostei da imagem, eu estava bonita. Em seguida, me despedi da casa e tranquei a porta do apartamento, olhando no relógio de pulso e vendo que já beirava as 16h40. Desci pelo elevador e logo cheguei à calçada, acenando ao porteiro que sempre me tratava com gentileza. Botei as pernas pra trabalhar e segui o meu percurso rumo à praça do centro da cidade, coisa que fez bater até uma saudade da minha infância, onde eu saía aos domingos com a família para brincar nas árvores e provar as maçãs que toda primavera tinha. De todas as vezes que eu caí e ralei meus joelhos no chão, foi de tanto subir e descer as macieiras. Não me arrependo.

Faltando 3 minutos para 16h50, até que eu estava ligeira, e o mundo todo me conhece como uma lesma que faz tudo vagarosamente como se o tempo fosse todo meu. Aprendi a ser feliz assim, mesmo quando eu tinha que varrer a casa e minha mãe me brigava porque eu não sabia varrer rápido e ela se estressava, e passávamos a tarde naquela mesma cena, a sra. Byun me chamando de preguiça e eu agindo como uma. Era ótimo, pena que... nem tudo é um mar de rosas, não é?

No fim acabei chegando na hora exata. A brisa gostosa batia contra o meu corpo e me trazia leveza, subi a calçada da praça e observei que estava tudo a mesma coisa, e sorri com a nostalgia. O banco marrom dentro da pequena trilha ainda estava lá, sendo que a única coisa que parecia diferente era a ausência do velhinho chinês que todo domingo jogava pipoca aos pombos e me deixava jogar com ele, porque era engraçado ouvir as aves emitindo seus prus eufóricos em busca da comida, mesmo que meus pais me mandassem ficar longe porque “pombo tinha doença”, sempre me afastando de tudo. Meu sorriso morreu, porque as lembranças daquela família me assombram como fantasmas, fazendo de tudo para me tirar a alegria de ter me libertado, implantando o medo no meu coração.

- Por que tão triste? – a voz grave soou por trás de mim e levei um susto. Só depois vi que eu estava há minutos parada diante do banco – Aconteceu algo?

Chanyeol havia chegado, e sua expressão parecia preocupada. Suas mãos tocavam meus ombros e eu pude notar o quão bonito ele estava naquela tarde. Ele costuma ser mais desleixado na faculdade, mas naquela tarde ele se apresentava de forma tão simples e ao mesmo tempo tão encantadora que por pouco não corei pela proximidade entre nós. Afastei meus pensamentos sobre a infância e logo a alegria ao vê-lo me contagiou, de modo que começamos a caminhar pelo pequeno bosque dentro da praça para conversar. O remanso da paisagem combinava com nossos passos lentos enquanto Chanyeol e eu ondeávamos nos assuntos diversos.

- Como anda o seu curso? Está se dando bem com as disciplinas? – ele perguntou, curioso, enquanto passávamos pelo jardim das lobélias

- Estou tentando fazer tudo do jeito certo por enquanto, hoje mesmo já preparei a minha resenha pra apresentar hoje à noite.

- E você não acumulou nenhuma até agora? – ele retorquiu, atônito – De que planeta você é? Eu nunca consigo ficar sem acumular.

- Eu só aprendi por causa das broncas da minha tia, ela diz que a minha aura é muito preguiçosa e isso iria me prejudicar se eu não a superasse. Até agora estou mantendo o novo ritmo, espero conseguir ser assim até eu me formar.

- Você é a minha heroína. – ele brincou e eu gargalhei

Chanyeol é uma graça.

- Não viaja. – dei uma empurrada nele e ele tornou a brincar

- Sério, tu me inspiras. Quero ser que nem você quando crescer.

- Achei que você fosse mais velho que eu.

- Pior que somos, mas a minha alma é de criança.

Eu jamais negaria isso.

- Quer sorvete? – ele perguntou e meu sorriso ultrapassou as orelhas

Meu estômago fez polichinelos de tanto entusiasmo.

- Sim, por favor. – foi a minha resposta

● ● ● 

Eu ria muito. Chanyeol é realmente um crianção muito engraçado. Não importa o quão velho ele fosse, as suas aventuras são dignas de um filme de animação. Ele contava a itinerante jornada mágica à loja de brinquedos em busca do Play Doh perdido. Sim, beirando os 21 anos ele preferia brincar de massinha ao invés de frequentar as baladas com os companheiros de curso, a exemplo de um garoto que sempre me parece muito lerdo mas o alto jurou que ele era atento, um chinês chamado Yixing. Ele realmente parece do tipo que sempre tá no mundo da lua, bem típico de um cara de Humanas, mas se Chanyeol desmente isso, prefiro não investigar. Pelo o que me contou, o garoto era um prodígio no Ensino Médio e passou junto com ele, foi a inspiração do maior por um bom tempo, antes do rapaz começar a frequentar as festas de universitário. Chanyeol diz que nasceu pra ser um aventureiro de shopping e caçador de brinquedos e coisas alegres, e que não serve de forma alguma à baderna ou às festas barulhentas que só o fazem esquecer das suas metas. Eu enxergava do mesmo modo, e concordava com si.

Eu me esbaldava no sorvete de biscoito enquanto ele tomava o de flocos. Ambos cobertos de calda de chocolate de confeitos coloridos, com um canudinho doce enfeitado. Eu, como adoro casquinha, comia apenas o sorvete para depois devorar a casquinha que ficava geladinha, coisa que eu amava muito. O alto ora olhava pra mim, ora olhava para o nada de forma que seus olhos redondos ganhavam um ar de inocência, além de estar sempre com as pernas compridas cruzadas como uma criança de oito anos. Era impossível não notar, e devo admitir que era muito lindinho. Dava vontade de guardar num potinho e proteger do mundo.

- Você frequentava a praça antes de sair da escola, Baekkie? – sim, ele já me deu uma alcunha

- Bom, eu vinha para cá quando criança. Eu gostava de subir nas árvores e correr entre os pombos. Assustava todo mundo.

- Já foi bicada por eles? – perguntou com curiosidade, que raio de pergunta é essa?

- Hã... sim, na perna. Mas foi de agradecimento porque eu joguei pipoca no chão.

- Nossa, que sortuda, os pombos me odeiam. – ele fez bico e eu ri de novo

- Ai, Chan, você é uma figura.

Trocamos sorrisos por um bom tempo.

- Já são 17h, quer ver o show de rua no centro da praça comigo? – o rapaz convidara, enquanto mordia a casquinha do sorvete e se levantava do banco da sorveteria junto comigo

- E por que não?

Ele fez um gesto com a cabeça e eu o acompanhei, dobrando de caminho e seguindo para o centro que ficava logo depois do jardim, que eu notei que antes não tinha tantas cores e agora estava repleto de flores de todas as nacionalidades. Até mesmo as petúnias, flores do outro lado do mundo, abriam as pétalas ali e deixavam as nossas abelhas pousarem. Uma bela forma de mostrar que a natureza sempre seria acolhedora, mesmo pra alguém que veio de tão longe.

Terminei meu sorvete no meio do caminho e joguei o papel na lixeira, conversávamos sobre arte. Eu adoro falar de arte porque ela é o meu motor, o meu motivo de vida, e se um dia eu alcançar o apogeu das minhas metas, eu agradecerei à arte e sua forma incrível de me fazer enxergar as coisas do mundo. E engraçado como poucas pessoas falam do assunto, porque alguns acreditam que a arte em si é coisa de velho, ou apenas algo para se observar, coisa que me entristece. Mas Chanyeol era um estudante de Direito – e um cara de Humanas descarado, porque ele demorou para contar o troco do sorvete e eu ri bastante disso – e um louco varrido por arte, principalmente aquela que aquece o coração de quem a aprecia. Arte moderna, arte erudita, ele gostava, conseguia ver abrigo nas cores e nas letras, nas melodias das boas músicas que falam do mundo e das pessoas, e isso era admirável. Porque eu admiro muito quem consegue dar cor ao mundo acinzentado que vivemos, ao século XX que está todo desconcertado e consegue remenda-lo apenas com o amor pela arte. Bem que Ferreira Gullar dizia, a arte existe porque a vida não basta.

Havia um conglomerado de pessoas ao redor do pequeno palco onde aconteceria o show de rua. Chanyeol e eu nos esmagamos entre eles para tentar chegar à frente e conseguir assistir ao show da melhor forma possível. Eu me espremia toda e ele também, sendo empurrados por uns e outros a fim de escapar dos fundos da plateia. Até que de repente, os empurrões me fizeram esbarrar nele e quase bati meu rosto em seu dorso. A primeira coisa que respondeu à isso foi meu nariz, aspirando o perfume agradável e esfregando a ponta no tecido da camisa dele por conta da aproximação e depois minhas mãos, tentando conter mais esbarros conforme eu fingia que nada havia acontecido. Por sorte ele era alto, porque se eu visse a sua expressão após quase enfiar a cara nele, acho que explodiria de vergonha. Ele puxou a minha mão e meus olhos viram a luz.

Conseguimos chegar na frente do palco, e até então o show não havia começado. Havia um estéreo sobre um banquinho, um pano negro no chão e alguns atores se preparando para se apresentar. Chanyeol parecia animado, enquanto eu possuía curiosidade, e um pouco de nervosismo.

Depois de uns minutos esperando, os atores iniciaram. Apareceu uma criança vestida de roupas cinzas e expressão triste chutando pedras e vendo todo o jardim ao seu redor pálido e sem flores. Ela se agachou no chão e viu uma plantinha, sorrindo com a mesma e procurou cuidar dela no primeiro momento. Até que outra criança, cinza como ela, veio e esfacelou o broto. Então a criança fez cara de choro e tentou salvar a plantinha, regando-a todos os dias, como dizia a narração. Mas mesmo assim, a pequena não sobreviveu. Logo ela procurou pelas sementes e começou a plantar, regando-as e cuidando das mesmas com todo o carinho e dedicação, e durante a cena as pessoas cinzas ao seu redor passavam pelo menino. E nenhuma lhe dava valor. Esse era o mundo e o menino, o artista. A semente germinando era arte que dava cor ao mundo. Mas esse mundo insiste em querer deixar tudo cinza, frio, inóspito, hostil. Mas mesmo assim o menino tornou a plantar, e regar, e deixar o sol aquecer. Conforme a peça ia rodando, Chanyeol e e eu assistíamos focados, entendíamos o enredo porque era justamente disso que havíamos falado antes. O mundo ignora a arte, e por isso ele é triste.

Até que o menino desistiu, deixando tudo de lado e se deitando no chão. Ao decorrer de sua tristeza, uma menininha apareceu com um regador, e o ajudou a cuidar das plantas. E um brotinho cresceu, e depois outro, e mais outro, e conforme eles regavam, mas plantas cresciam, e cada vez mais crianças vinham regas as flores, até que elas criaram o jardim mais bonito do mundo. E todos os que eram cinzas ficaram maravilhados. Esse costuma ser o sonho do artista, ele gosta de colorir. A cor dá a vida, e a vida colorida é sempre mais alegre.

No fim da apresentação, todos aplaudiram. Foi espetacular. Eu gostei de todo o enredo e não tinha nem como não dizer que fiquei muito feliz com isso, de ver que muitos se esforçam pra reerguer essa sensação. Chanyeol e eu saímos do centro falando da tal peça, que mesmo sendo um teatro de rua, tinha muito significado.

- É uma pena que, mesmo assim, muitos apenas a viram como uma peça sobre cuidar da natureza. O que não é ruim. – comentei

- Acho que foi melhor assim. – ele respondeu, simplista – Se todos vissem tudo do mesmo jeito, talvez o mundo acabasse se tornando sem graça.

Tive que concordar. Um mundo todo igual, argh, detesto imaginar.

- No fim, esta peça também serviu para dar uma mensagem ao mundo.

- Que mensagem? – juro que deixei essa escapar

- Nunca perca a esperança. – ele concluiu, com um sorriso tímido e com os olhos fixados para mim

Eu sorri, por ver que era verdade. Se ele tivesse desistido mesmo, nenhum broto teria crescido e talvez nem existisse jardim. A desesperança é traiçoeira, uma desgraçada, passa perna em todo mundo e toda vez que eu a sentia, acabava perdendo a chance de fazer crescer as minhas flores. Se não fosse a minha tia, talvez eu jamais pudesse ser o que sou agora, e este agora me deixa tão bem. Pior, talvez nem conhecesse Chanyeol, que já estava começando a se tornar um grande amigo.

- Ei, Baekkie. – ele me chamou – Posso te dar outro apelido?

Iiiih.

- À vontade. – porque eu fiz isso?

- Brotinho.

- Por que brotinho?

- Você é baixinha, como um brotinho de planta.

- Me chamou de anã?

- Se você achar melhor que brotinho...

- Não, não, deixa, brotinho é melhor.

Ele gargalhou. Mais essa agora.

- Você é engraçada. Quer pipoca?

Esse menino é um tesouro.

- Você disse pipoca?

- Quentinha na manteiga.

- Coberta de açúcar?

- A sua preferida.

- Como adivinhou?

- Um brotinho me contou.

Revirei os olhos pela sua piada, aceitando a pipoca e indo com ele em busca da barraca da melhor pipoca de Seul. Eu ia lenta como um brotinho.


Notas Finais


lindo lindo lindo
chanyeol lindo baek lindo brotinho lindo o mundo é feio por isso eles existem pq o mundo precisa ficar bonito e o exo embeleza o mundo eh isto


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