História Old Habits - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Malhação
Tags Lica, Malhação, Viva A Diferença
Visualizações 45
Palavras 2.197
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Desculpa pela demora. Espero que gostem.

Capítulo 7 - Ultrassom


Eu nunca tinha pensado de forma séria sobre ter um filho, claro que estar perto de Tonico, acompanhar o crescimento dele da forma como acompanho, me fez, em alguns momentos, pensar em como seria se eu estivesse no lugar da Keyla, principalmente quando mais nova, mas eu nunca imaginei a minha vida como mãe, não de verdade. O que faz com que eu não saiba muito bem como agir agora.

—Heloisa... – Minha assistente bate na porta de vidro para chamar minha atenção. Estava tão mergulhada em meus pensamentos que levei um pequeno susto. – Eu não queria te assustar, sinto muito. -Ela afirma com sua expressão de confusa - mas Marcelo está perguntando se você já tem o material da apresentação de amanhã, ele gostaria de ver antes.

—Droga! – Eu não tinha terminado, e precisava sair mais cedo hoje para minha consulta. Não podia começar minha jornada materna sendo negligente, podia? E o MB tinha vindo do Rio justamente para isso. – Diga a ele que eu coloco na pasta compartilhada ainda hoje, no fim da noite. Eu tenho que finalizar as peças.

—Ok, ela responde. E a sua mãe ligou. Pediu para dizer que você deveria atender o telefone quando ela liga. 

—Obrigada. – Respondo sorrindo. –Cancele por favor a minha reunião com o pessoal da agência de montagem, eu vou precisar sair mais cedo do que o planejado.

—Quando? – Ela pergunta.

—Agora mesmo. – Falo levantando e pegando minha bolsa. – Preciso resolver algo.

Ligo para minha mãe e digo que gostaria de almoçar com ela. Insisto em fazer isso num restaurante, assim, ela será obrigada a controlar sua reação. Chego no local primeiro que ela e, enquanto espero, recebo uma mensagem, de MB, ele faz foto embarcando no Santos Dumont, está incrivelmente bonito na luz do local, depois da foto ele escreve dizendo que deve chegar em pouco mais de uma hora. Respondo com um “Me avise quanto chegar” e sou surpreendida por minha mãe.

—Ok Heloísa, vamos lá, o que você tem para me contar? – Minha mãe pergunta séria. A última vez que você disse que precisava conversar comigo foi quando quis sair de casa.

—Uma filha não pode convidar a mãe para almoçar sem segundas intenções? - Pergunto sorrindo.

—Bom eu não posso falar pelas outras mães, mas não. Não a minha filha. – Dona Marta diz sorrindo. Eu adoro os sorriso da minha mãe, ela é linda, de verdade, mas quando sorri fica ainda mais. -Tenho certeza que tem algo para me dizer.

—Você tem razão. – Falo respirando fundo. – Eu preciso mesmo te contar uma coisa, mas você precisa me prometer que vai tentar ser compreensiva e que vai me deixar terminar.

—Pediu demissão? -Ela perguntou me encarando com a sobrancelha arqueada.

—Não mãe. E, por favor, não tente adivinhar. Isso não é um jogo. - Digo frustrada. 

—Tudo bem. Eu prometo que vou esperar você falar e que vou tentar ser compreensiva. -Ela afirma tomando agora um ar mais sério.

Respiro fundo e antes que possa falar o garçom se aproxima, eu já havia decidido o que queria, uma salada e um grande copo de refrigerante para compensar. Minha mãe me dá um olhar de repreensão e pede uma salada com uma água de coco.

—Está pronta para me contar? – Minha mãe pergunta quando o homem se afasta.

—Não, mas se eu for esperar ficar pronta, você vai acabar descobrindo de outra forma. – Respondo tentando achar algum humor na situação. Me imagino chegando na casa da minha mãe com um barrigão e ela caindo para atrás. –Eu... eu estou grávida! – Digo. Me sinto novamente como uma adolescente de dezesseis anos que fez algo de errado. Dona Marta me olha parecendo surpresa.

—Grávida Lica? Como assim? -Ela parece alguém que levou um choque.

—Sim mãe. - Falo me sentindo mais calma.

—Agora? Você está indo tão bem no trabalho e, tão rápido depois de sair da faculdade, porque você... – Minha mãe para como se tivesse finalmente pensado em algo importante. –Quem é o pai?

—Quem você acha que é o pai mãe? -Por alguma razão me sinto ultrajada, mas no fundo entendo a pergunta. Não é sobre a minha não monogamia, é também sobre o modo como ela se sente em relação ao MB. -Claro que é do MB.

Acabamos tendo uma discussão baseada em principalmente dois pontos: 1) o fato de que MB é o pai do meu filho e eu não deveria deixá-lo voltar para vida dela; 2) Dona Marta enfatizando o fato de que eu não estou pronta para ser mãe. Relembro a ela que sou maior de idade, vacinada, independente, e que o pai do meu filho não é nenhum político corrupto sendo investigado pela polícia federal. Ele é só um cara que cometeu alguns erros, erros baseados no fato de que ele tem um vício. Um vício sob controle. Almoçamos no meio da discussão e eu vou embora irritada, querendo colocar todo o conteúdo do meu estômago para fora. Sabia que minha mãe teria opiniões fortes sobre assunto, mas o modo como ela basicamente me acusou de ser uma criança irresponsável foi não só uma surpresa, mais uma bem desagradável.

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Um ano e meio atrás

Estávamos todas juntas, as Fives unida para ajudar Ellen a superar seu término com Jota. Temos um ritual para superar um término, ela o processo envolve 1) Negação: nessa fase assistimos filmes românticos com um pote de sorvete; 2) Eliminação: jogar fora ou queimar pertences do ex, apagá-lo do telefone, das redes sociais; 3) Superação: Compra vinho, afastar os móveis e dançar “Walking on Sunshine” embriagadas; 4) Colocar a cara no sol: colocar roupas maravilhosas e sair de casa; 5) Beijar outras bocas.

Cada fase reflete um pouco da personalidade de uma de nós, e o resultado, claro, nem sempre é efetivo. Lembro de quando Keyla estava mal pelo Tato quando ele estava com a K2 e nós tentamos animá-la, ela se esforçou, mas não existe nenhum ritual que realmente te faça deixar de amar alguém.

—Acha que ela vai ficar bem? – Keyla perguntou quando Ellen levantou da sala para ir a banheiro. Estávamos assistindo “Operação Madrinha de Casamento”.

—Claro que vai. A Ellen é forte. Ela superou o Fil, e vai superar o Jota também. Vocês vão ver. – Tina disse. O término com o Fil, ainda no ensino médio foi realmente ruim, mas não estamos mais falando de namoros juvenis. Ellen e Jota estavam juntos por três anos, eles tinham planos para vida. Isso não se apaga da noite para o dia.

—Mas isso não é assim tão fácil. -Benê observa, dizendo exatamente aquilo no que eu estava pensando. -Eu não sei o que eu faria se o Guto resolvesse ir embora assim. 

—Você levantaria a cabeça e seguiria em frente Benê. -Digo abraçando-a. -Você é a mais forte de todas nós, mas, para sua sorte, o Guto é o cara mais bacana da face da terra e é louco por você.

—É. - Keyla afirma. -O Guto não deve nem machucar mosquito. Acho que ele diz "tudo bem, é só um pouco do meu sangue, pode levar".

O comentário faz com que Tina dê uma risada, mas aposto que ela estava pensando em como ela não teve a mesma sorte que Benê e Keyla em seu relacionamento. Anderson não é o cara dos grandes gestos, não é como o Tato, nem como o Guto. Além disso, é orgulhoso e quase nunca dá o braço a torcer, assim como ela. Eu sei que eles estão juntos até hoje porque realmente se amam, mas eu também sei que eles precisam lembrar de que se amam com frequência para não mandar tudo para o espaço. 

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—Você tem certeza de que está bem? – MB perguntou. Estava sentado do meu lado na recepção do consultório, sua mão no meu joelho.

—Não. Eu tive a ideia genial de contar a minha mãe sobre a gravidez hoje e acabamos discutindo. - Confesso.

—Suponho que a Marta não tenha gostado nem um pouco saber que eu sou pai do neto dela.

—É um bom palpite. – Digo encarando os olhos verdes de MB. A recepcionista chama meu nome e MB fica de pé primeiro do que eu, me dando a mão para levantar. Seguimos pelo corredor, e antes de entrar na sala ele para e me olha.

—Vai ficar tudo bem. – Ele diz passado a mão no meu rosto, em seguida, abre a porta me deixando passar. Entramos no consultório e o médico se apresenta.

Dr. Sérgio Araújo é um homem de meia idade, cabelos levemente grisalhos e que tem um bom humor. Ele nos conta sobre como costuma trabalhar e diz que acha importante deixar isso claro “principalmente para casais tão jovens”, ele diz.

—Vamos começar com a pergunta mais importante. – Ele afirma sorrindo. –A resposta vai determinar nossos primeiros passos: Esse herdeiro é uma expansão da família que foi planejada?

—Não. – Respondo. – Ele não poderia ter sido menos planejado.

—A sua mãe não quis dizer isso. – MB fala passando a mão na minha barriga. Sinto uma onda de calor se espalhar pelo meu corpo, é uma sensação boa. O médico ri e MB olha novamente para o homem. – Não foi mesmo planejado. É um contraventor, como a mãe.

—Eu adoro os contraventores. – O médico afirma. – São os bebês não planejados que me dão menos trabalho, saudáveis, bom parto. Casais que planejam e desejam demais, infelizmente, são normalmente os azarados.

—É a primeira vez que alguém elogia minha falta de planejamento. – Afirmo.

—Então, Heloísa e Maurício, vamos pedir alguns exames de sangue. E a primeira tarefa de vocês é me contar na próxima consulta sobre qualquer tipo de doença que esteja no histórico familiar e que possa ser passada para o bebê. Podemos fazer um mapa genético de vocês dois com alguns exames básicos.

—Seria ótimo. – MB afirma.

—Então, prontos para ver o filhote de vocês? – O médico diz levantando da cadeira. Os seguimos até a maca próxima ao aparelho de ultrassom e eu me deito. MB fica parado ao meu lado. Segurando a minha mão.

—Que tal quíntuplos? – O Dr. Sérgio brinca enquanto espalha o gel na minha barriga.

—Perfeito, uma banda de rock. – MB fala indo na onda do médico. Eu seguro seu pulso firme e o encaro.

—Se tiver mais de uma criança dentro de mim MB, eu juro que vou te matar. -Não estou brincando, ele sabe disso. Imagino minha mãe me dizendo que eu mal poderia manter uma criança viva.

—Sua esposa é sempre carinhosa? – o médico questiona.

—Sim, mas ela gosta de caprichar na frente dos outros. – MB diz sem desmentir a suposição de que somos casados.

 -Ok, vamos lá. –O homem meche o aparelho e coloca um tom sério no rosto, o que me deixa preocupada. Quero perguntar se há algo de errado, mas não encontro a coragem para fazer isso. Então simplesmente encaro a expressão do médico.

—Está tudo bem? – MB pergunta. Há uma certa aflição na voz dele, a mesma que ronda a minha cabeça.

—O bebê está apenas se movendo muito.

—Eu não posso sentir. Por que não consigo sentir? – Pergunto assustada. MB pega na minha mão.

—É normal. Olhe, aqui está o líquido amniótico. – ele aponta para a tela. - e aqui no meio, esse ponto borrado, é o seu bebê. Eu posso ver que existe um batimento cardíaco, mas não posso ver muito fora isso, porque o filho de vocês é realmente um contraventor e não para de se mexer.

—Isso é ruim? O fato de que ele está se movendo muito? – MB questiona.

—Não, mas não é comum tão cedo na gravidez. Isso pode ser algo isolado, o efeito de alguma carga emocional. Não levantou a tampa do vaso Maurício? – O médico pergunta brincando. MB força um sorriso, mas eu encaro o médico séria. – Heloísa, seu filho está bem. O coração dele está batendo, ele está do tamanho normal para a oito semanas. – Ele afirma me olhando. – Desfranza essa testa. Vamos fazer um novo ultrassom em algumas semanas, com sorte, vamos poder ver mais. Por enquanto, faça os exames de sangue que vou pedir, montem o histórico e nos vemos em alguns dias.

—Você gostou dele? – MB me pergunta depois que já estamos saindo da clínica.

—Sim. – Respondo ainda tentando processar tudo.

—Lica, você o ouviu, está tudo bem. Não há nada com que se preocupar.

—Você acha que eu posso ser boa nisso? – pergunto. – Em ser mãe?

—Bem, eu acho que você não precisa ser boa, pelo menos não nesse ideal de boa que existe por aí. Para ser um bom pai ou uma boa mãe, você só precisa amar seu filho, se importar com ele. Se você tivesse visto a sua expressão de fúria para o médico quando ele fez aquela piada sobre vaso sanitário. -MB fala sorrindo.

—Você é o culpado! Não tinha nada que deixar ele pensar que somos casados.

—Bem, eu não vi você fazendo esforço algum para explicar o contrário.

—Eu estava com a cabeça cheia.

—Lica, vem aqui. –MB afirma me puxando para seus braços e juntando nossos corpos em um abraço. –Vai ficar tudo bem. -Ele afirma passando suas mãos carinhosamente pelas minhas costas, e, por alguma razão, eu acredito.



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