História Olhos Coloridos - Capítulo 19


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Olhos Coloridos, Originais, Personagens Originais, Romance
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Palavras 4.679
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá, como estão?
O capítulo de hoje é bem comovente, hoje entenderemos um pouco mais sobre o passado de Christine. e não me matem pelo o que aconteceu.

Boa leitura!

Capítulo 19 - O Passado Retorna


Christine caminha entre as árvores, a mesma está perdida e confusa. Olha ao redor tentando se localizar, mas tudo o que vê é um céu coberto por nuvens escuras e árvores por todo o lugar.

Uma brisa gélida sopra contra a a face da noviça, fazendo-a se arrepiar e só então ela percebe que está com um vestido florido — o mesmo que usava no dia em que conheceu seu amigo e salvador — com os cabelos preso em duas tranças e com os pés descalços.

A noviça volta a caminhar — sem rumo, apenas segue a trilha a sua frente. Ela olha para os dois lados tentando reconhecer o lugar.

Um choro infantil corta o silêncio — que a noviça não tinha percebido — ela sai da trilha, rumo aonde o choro está vindo, mas ela fica estática quando chega ao local. Vê sua pequena eu sendo cercada pelas garotas maiores.

— Parem com isso. — Diz ao passar pelas garotas, tentando impedi-las de continuar com a agressão. — Não façam isso... — Para de falar ao sentir o gosto metálico na boca.

Christine percebe que os machucados direcionados ao seu pequeno eu também lhe afeta.

— Por favor, parem. — Tenta segurar na mão da sua pequena eu, mas não consegue. — Levanta. Foge. Por favor, levanta.

A noviça tenta puxar, empurrar, segurar, mas nada disso adianta, pois as meninas continuam com os chutes, tapas e insultos.

— Ei, parem com isso. — A voz infantil masculina assusta não só as meninas, mas a noviça também. — Se afastem dela.

A noviça reconhece a voz infantil masculina — uma voz que nunca esqueceria — ao levantar a face ela se depara cara a cara com o garoto, mas ele passa direto indo de encontro ao seu pequeno eu. Ele fica entre as meninas e pequena Christine.

— Fiquem longe dela. — Ele avança para cima das garotas, fazendo elas correrem de medo. — Covardes. — Volta sua atenção para a pequena que se encontra encolhida no chão. — Está tudo bem, elas já foram.

A pequena Christine tira os braços de frente do rosto e se senta, mas permanece com a cabeça baixa. O garoto vendo que ela não irá lhe encarar, se agacha, segura o queixo dela e levanta sua face, mas se surpreende ao ver os olhos de cores diferentes.

— Uau! — Sorri surpreso.

Christine sente seu coração se aquecer — a primeira chama de amor se acendeu no pequeno coração e a noviça sente novamente. Já havia constatado que ninguém pode lhe ver e nem lhe ouvir, mas ela pode ver, ouvir e sentir tudo o que sua eu criança sente, vê e ouvi.

— Qual é o seu nome? — Ele senta de frente para a pequena. — Me chamo Henrique, mas pode me chamar de Henry.

— Chris... — Sorri pela primeira vez. — Tine

— Seu nome é lindo igual você. — Pega na mão da pequena ao ver a mesma sangrando. — Não precisa ter medo, não vou te machucar. — Rasga um pedaço da camisa que está vestindo e passa no sangue tentando limpar a ferida. — A partir de hoje você não estará mais sozinha.

A noviça sente as lágrimas descerem por sua face, mas essas não são as lágrimas da sua pequena eu e sim as suas. Havia se esquecido desse primeiro encontro, lembrava do dia, mas não de como se sentia quando se conheceram.

De repente nuvens negras cobrem a visão da noviça, ,as ela não se mexe, apenas fica parada olhando as nuvens se transformarem — estava de volta ao orfanato, mas especificamente embaixo do pé de macieira, ainda pequeno — suas roupas também haviam mudado, o vestido florido dera lugar um vermelho de bolinhas e os cabelos soltos. Já sabe qual lembrança é.

Ao longe vê o pequeno Henrique a sua eu criança correndo de mãos dadas em sua direção. Os sorrisos inocentes mostra o quanto era feliz, apenas em ter um amigo como ele. Os dois param diante da noviça, mas não vê ela ali.

— Cansada. — A pequena Christine se joga no chão.

— Você é mole de mais, baixinha. — Henrique deita ao lado da pequena. — Eu gosto de você e não quero que vá embora, sabe? Você mora em um orfanato e pode ser adotada a qualquer momento.

Christine se vê confusa, não lembrava que ele havia dito essas coisas para si, quando mais nova. Lembrava dos momentos que passou ao lado do amigos, mas lembrava muito pouco das conversas que tiveram.

— Vem aqui. — Henrique levanta e a puxa fazendo a mesma ficar em pé. — Essa árvore será sempre nossa. — Coloca a mão do bolso tirando uma chave do mesmo. — Iremos por os nossos nomes aqui e todo mundo verá que é nossa. 

A pequena Christine aproxima do amigo para que juntos possam gravar eternamente seus nomes. A noviça sente seu coração pulsar mais forte que antes e já sabia o por quê — a pequena está feliz, sentindo-se amada e acolhida.

Henrique olha para a pequena Christine e sorri — um sorriso sincero. As nuvens surgem novamente cobrindo a visão da noviça e levando consigo a imagem dela com Henrique, um dos momentos felizes de sua vida.

As nuvens dispersam e a noviça consegue ver que ainda está no jardim do orfanato, mas dessa vez tem alguma coisa errada. Caminha em direção ao pé de maçã, mas para ao ver sua versão criança sentada na grama, abraçando os joelhos e olhando para o vazio e as lágrimas descendo sem cessar.

— Não. — Murmura ao perceber qual lembrança é. — Já chega, não quero mais ver isso.

Christine não sabe aonde está e nem como foi parar nesse  lugar, apenas quer voltar para o agora e esquecer as dores do passado. Seu coração bate irregular — como se estivesse sendo esmagado. Corre até sua pequena eu, parando diante da mesma. Tenta segurar em sua mão, mas falha. Se sente frustrada.

— Ele não vem mais, mas não nos abandonou. — Senta ao seu lado. — Ele nunca mais voltar, passaremos o restante dos anos sozinha. A irmãzinha Eva será a única ao nosso lado. — Sabe que ela não pode lhe ouvir, mas a noviça quer apenas desabafar. — Ele volta para nós, mas não sabe quem somos e acho que nunca saberá.

— Chris. — A voz melodiosa e delicada desperta a mais velha fazendo ela olhar para cima. — Meu anjo, não chora. — Diz ao se agachar diante da pequena. — O Henry vai vir, ele não te abandonou. — Ergue a face da mais nova. — Não precisa chorar. — Levanta e a pega no colo. — Estarei ao seu lado sempre.

A noviça permanece parada no mesmo lugar, apenas vendo Evangeline e sua pequena eu sumir. Cansada demais para levantar, ela apenas espera as nuvens voltar — para lhe mostrar outra lembrança que tanto quer esquecer — e as nuvens surgem novamente, mais rápido o que a última vez. E quando ela percebe já está em outro lugar, em frente ao portão do orfanato. Já não é mais uma menina de 4 anos, seus cabelos estão maiores e agora já usa o uniforme do orfanato.

Olha para si mesma e vê que também se encontra como as mesma vestes, dá de ombros e para ao lado da pequena. Sabe muito bem o que vai acontecer, encosta no portão e volta sua atenção para a pequena, que não desgruda os olhos da rua.

— Ele não vem, Christine. — Ao levantar o olhar ela vê Evangeline vindo ao encontro da pequena. — Sinto muito.

— Christine. — A mais velha ganha a atenção das duas. — Nós temos que conversar. — Segura na mão da pequena e juntas caminham para longe do portão. Mesmo sabendo o que vai acontecer Christine as segue. — Quero falar sobre o porquê do Henry não estar vindo mais te ver.

— Por que ele não vem mais? — Para fazendo a freirar parar também. — Faz um montão de tempo que ele não vem.

— Eu sei. — Agacha diante da pequena. — Os pais do Henry foram morar com papai do céu e o Henry foi morar com os padrinhos em outro lugar, por isso que ele não veio mais.

A pequena apenas abraça a mais velha e cai em prantos. Havia esperado ele por 3 anos, todos os dias o esperava no esconderijo secreto ou embaixo do pé de maçã, mas ele nunca vinha. Tudo o que ela sabia era que ele sempre estava ocupado ou não pode ir, mas agora já sabe que ele nunca mais vai voltar.

— Que tal você escrever uma carta e mandar para ele. — Diz a mais velha ao desfazer o abraço. — Vocês ainda podem ser amigos.

Os olhos da pequena brilham e ela sente seu coraçãozinho bater mais calmo. Evangeline levanta e segura na mão da pequena, voltando a caminhar.

— Ele não vai te responder nenhuma das 321 cartas que você irá mandar nos próximos 6 anos. — Sente seu coração se apertar.

Christine sabe que Henrique lhe machucou muito, mas também sabe que ele perdeu os pais e que não foi fácil para ele lidar com tudo, ainda mais sendo apenas uma criança. Não o culpa e nem o odeia, apenas quer ter ele de volta. Sentir aquela alegria que sentia quando estava ao lado dele.

As nuvens cobrem sua visão — já até tinha se acostumado com esse fato — as nuvens dispersam mostrando para onde as mesma a levaram. O quarto do orfanato, olha ao redor e se vê em pé diante da janela — já não é mais uma menina, agora é uma pré-adolescente — aproxima da onde sua outra versão e olha na mesma direção, percebendo que é o dia em que resolveu esquecer o passado.

— Devíamos ter descido, pelo menos teríamos uma boa lembrança de algum aniversário. — Encosta na janela e olha para si mesmo. — Ele não irá receber essa carta também.

O barulho da porta faz as duas olharem para a mesma e veem Evangeline entrar. O semblante da mais velha denúncia que ela está aprontando alguma coisa.

— Não vai descer? — Para ao lado da mais nova. — Devia comemorar seu aniversário.

— Não quero. — Olha para a mais velha com um semblante tristonho. — Essa é a última. — Diz ao estender a carta para a freira.

— Tem certeza, querida? — Pega a carta ao ver a mais nova acenar que sim com a cabeça. — Sinto muito.

Christine nada diz, apenas volta a olhar para fora, mas o coração da mesma falha algumas batidas — a dor de deixa-lo ir é maior do que ela pensava — lágrimas escorre pela sua face.

— Não chora, isso dói em mim. — Evangeline segura na mão da mais nova e a puxa rumo ao banheiro. — Vamos lavar esse rosto.

Ao chegarem no banheiro a mais nova joga um pouco de água no rosto e se olha no espelho — sendo observada por Evangeline — após 13 anos não havia se acostumado com seus olhos. Uma confusão de sentimentos surge toda vez que se olha no espelho.

— Eles são lindos. — Diz ao se aproximar da mais nova. — Ele adora seus olhos por isso que não gosta de se olhar, não é?

— Isso é ruim? — Olha para mais velha através do espelho. — Sentir esse tipo de sentimento.

— Não, você só está magoada. — Estende a mão revelando uma caixinha pequena. — Talvez isso lhe ajude.

Christine se vira para a mais velha e a abraça. O amor ela tem para com a freira é inexplicável, apesar dos tombos da vida e das magoas que carrega, ela sabe que Evangeline estará ao seu lado sempre que for preciso.

— É amor de mãe e filha. — A noviça sente as lágrimas descerem por sua face.

— Como ficou? — Volta sua atenção para sua versão pré-adolescente, percebendo que a mesma já havia colocado as lentes castanhas. — Eu sou normal, agora.

— Não diga isso. — Evangeline a segura pelos braços e olha seus reflexos no espelho. — Feliz aniversário, querida.

A noviça aperta os olhos deixando as lagrimas descerem — seu aniversário de 13 anos foi um dia feliz, mas ao mesmo tempo triste, havia percebido naquele dia que Evangeline é como uma mãe para si e que nunca a deixaria, mas também havia tomado a decisão de deixar o passado para trás — abre os olhos e percebe que está em outro lugar.

Olha ao redor, mas não reconhece o lugar, sabe que não está no orfanato. Levanta a cabeça e ao encarar o prédio a sua frente fica sem reação. Sua última tentativa. Sua maior magoa e decepção. O dia que fez questão de esquecer, mas agora estava presente nele novamente.

— Eu não demoro. — Olha para lado ao ouvir sua voz, agora com 16 anos. — Eu vou falar com ele e depois te chamo.

— Está bem. — Evangeline se afasta da mais nova. — Cuidado.

Christine apenas concorda e entra no prédio — a noviça a segue, mesmo que não queira ir, suas pernas vão — sua versão adolescente aproxima do balcão e começa a conversar com a recepcionista.

— Vá embora pirralha. — O tom é de puro desprezo. — Não fazemos caridade aqui.

A noviça sente uma pontada forte no peito, respira fundo tentando de alguma forma diminuir a dor, mas ela sabe que não é uma dor física e sim emocional. As dores de cada dia vivido no passado tinham voltado piores do que ela se lembrava.

Tenta correr para fora daquele sonho/lembrança, mas não sai do lugar. Tenta gritar por ajuda, mas sua voz não sai. Tenta puxar sua versão adolescente para longe, mas não consegue tocá-la.

De repente sente todo o ar fugir dos seus pulmões ao ver Henrique parado diante de si, mas ele não a vê, ele apenas vê sua versão adolescente tentando convencer a recepcionista que ela é amiga de Henrique.

— Que escândalo é esse? — A voz grossa e fria assusta a mais nova. — Garota isso aqui não é lugar para você.

— Henrique. — Sua voz sai em um sussurro.

Christine sorri — ele não era mais o pequeno Henry, mas ela o reconheceria sempre, não importa a idade ela sempre o reconheceria — ela caminha na direção dele, mas sente ser segurada e ao olhar para trás se depara com um dos seguranças.

— Me solta. — Tenta desvencilhar das mãos dos homem, mas não consegue. — Henrique, so...

— Calada, garota. — A interrompe. — Aqui não é seu lugar. Se voltar aqui chamarei a polícia. — Diz sem olhar diretamente para ela. — Levem ela daqui.

Christine deixa as lágrimas caírem, sem se importar se tem pessoas lhe olhando. O segurança a puxa para fora e assim que atravessam a porta, ela a joga no chão, ela cai de joelhos e o segurança volta para seu posto. Assim que Evangeline vê Christine ela vai de encontro a sua menina.

— Querida, o que houve? — Ajuda a mais nova levantar. — Christine?

Evangeline sente seu coração se apertar ao ver o olhar vazio e sem vida da mais nova.

O coração de Christine havia sido esmagado, a chama de esperança apagou de vez e agora só tem um vazio em seu peito e na sua alma.

— Ele me abandonou. Se esqueceu de mim. — As lágrimas caem sem cessar. — Devo esquecê-lo também.

Christine olha uma última vez para o prédio atrás de si — prometendo para si mesma que o deixaria no passado — junto com Evangeline caminha de volta para o orfanato.

A noviça vê elas duas partirem. Agora se lembrando de cada segundo daquele dia, de como foi difícil tentar esquecê-lo.

Cansada de relembrar dessas dolorosas lembranças, ela tenta achar uma saída — mesmo não sabendo como chegou até ali — porém as nuvens negras a cerca.

As nuvens dispersão e Christine não entende aonde está. Há várias árvores, o céu escuro e a sua frente um pano branco cobrindo algo.

Movida pela curiosidade a noviça aproxima do objeto e puxa o pano, revelando um espelho, mas ao ver seu reflexo se assusta. Sua pele está opaca e completamente rachada, seus olhos estão sem as lentes e seus cabelos é a única coisa intacta.

Com cuidado leva uma das mãos até a face, mas ao tocar na bochecha um pedaço caí — ela recua alguns passos — com medo de algo pior acontecer ela apenas olha seu reflexo.

— É assim que estamos por dentro. — Seu reflexo diz, deixando a noviça assustada. — Estamos morta por dentro. Não importa o quanto tente nunca iremos ser amada. — O reflexo sai do espelho e se aproxima da noviça. — Nossos pais e o Henry nos destruíram por dentro. Nos abandonou. Não existe felicidade para nós.

— Isso é mentira. — Rebate convicta de suas palavras. — O Henry não fez de propósito.

— Estamos morta, em vida. E ele é o maior culpado. — Segura nos pulsos da noviça. — Estamos morta. Sozinhas. Não somos nada. Não temos ninguém.

Christine fecha os olhos, tentando fugir de si mesma. O aperto gélido em seus pulsos, queimam além do físico. Tenta puxar, mas se tornam ainda mais intenso.

— Me solta. Quero sair daqui. — Pede desesperada. — Por favor, me deixa ir embora. Isso dói. Me solta.

Sente duas mãos quentes em sua face — o toque é acolhedor — se sente segura e protegida. Como se nada de ruim tivesse acontecido.

— Chris, está tudo bem. — A voz masculina surge de repente. — Acorde. Abra os olhos.

Ao ouvir aquela voz tão familiar, a noviça abre os olhos se deparando com duas orbes verdes. Ele pisca algumas vezes tentando se acostumar com a claridade.

Christine desvencilha das mãos de Henrique e o abraça, mesmo sem entender ele retribui. Ele acaricia os fios castanhos ao perceber que a noviça está chorando.

— Calma, foi só um pesadelo. — Sussurra contra o ouvido dela. — Já passou.

Henrique olha para trás tentando conseguir apoio dos seus padrinhos, afinal não sabia o que tinha acontecido com Christine, mas nenhum dos três sabe o que fazer e nem como ela se sente.

— Está tudo bem agora. — O moreno desfaz o abraço e acolhe a face da noviça entre as mãos. — Ninguém vai lhe fazer mal.

A noviça abre os olhos novamente e encara as orbes verdes de Henrique. Sente uma confusão de sentimentos em seu coração. As lembranças voltavam repetidas vezes em sua cabeça, mostrando apenas o lado dolorido daquela amizade — uma amizade curta — mas ela sabe que não só foi dor, sabe que ele jamais faria isso de proposito.

Henrique está mostrando o quanto se importa e gosta de estar com Christine e disso ela não duvida, mas não compreende o porquê de ter se lembrado desses momentos ruins.

Nunca em sua vida inteira tinha tido um sonho como esse. Se ver destruída por fora — mostrando exatamente está se coração e sua alma — a faz questionar que tipo de pessoa é e o porquê ainda insisti em algo que só a mata por dentro.

— Chris, está tudo bem? — A voz do moreno a tira do transe. — O que houve?

— Um pesadelo. — Desvencilha das mãos do moreno e se afasta dele. — Desculpa acordá-los. — Fala ao notar a presença de Elizabeth e Simon. — Sinto muito.

Christine abaixa a cabeça, não por estar envergonhada, mas por estar confusa e perdida em seus sentimentos. Nunca duvidou dos seus sentimentos para com o moreno e não quer começar a duvidar afora, não depois de tê-lo novamente tão perto de si.

— Podem ir dormir, eu fico com a Chris. — Henrique olha para os padrinhos por cima do ombro. — Qualquer coisa eu os chamo.

— Está bem, querido. — Elizabeth deposita um beijo na cabeça do moreno. — Vamos Simon. — Segura no pulso do esposo e sai arrastando o mesmo para fora do quarto, sem deixar que ele se despeça do afilhado.

— Quer conversar? — Henrique volta sua atenção para a noviça. — Se quiser podemos ir para sala.

— Quero voltar para o convento. — Diz sem levantar a cabeça. — Não quero ficar mais aqui.

Henrique sente um bolo se formar em sua garganta, o ar sumir completamente de seus pulmões e seu coração se apertar. Quer dizer não. Proibir ela de ir embora, mas sabe que não tem esse direito e infelizmente tem que aceitar a decisão dela.

— Está bem. — Sua voz soa magoada. — Pedirei para minha madrinha lhe levar. — Dá o assunto por encerrado e levanta, mas antes de ir a olha mais uma vez, talvez a última vez. — Adeus Christine.

As lágrimas descem lentamente pela face do moreno — sabe que não irá vê-la nunca mais e isso lhe dói — percebendo que ela não dirá nada, sai do quarto sem olhar para trás.

— Adeus Henry. — Sussurra entre lágrimas.

Ir embora é o que a noviça menos quer, mas ficar também não é uma boa decisão. Sente seu coração dar uma batida dolorosa, ela havia acabado de destruir a única chama de esperança. 

 

                                                                           ☩

 

O tic-tac lento do relógio o tortura, o batuque da caneta de um dos sócios o irrita e ele já nem presta mais atenção no que estão conversando. Seus pensamentos estão em Christine — que a essa hora já deve estar no convento novamente — queria entender o que havia acontecido para ela querer ir embora.

Após deixa-la, o moreno se trancou no escritório e para sua surpresa não quis encher a cara até cair, apenas ficou sentado no escuro, chorou igual ao dia em que seus pais morreram. A mesma dor daquele dia estava de volta.

— Senhor Harrison? — Um dos sócios o chama pela terceira vez. — O que o senhor acha?

— Isso não é uma... — Para de falar ao sentir o celular vibrar. — Um momento. — Pega o celular e ao olhar no visor fica surpreso ao ver o nome da noviça. — Preciso atender. — Levanta e sai da sala as pressas. — Chris? — Atende assim que passa pela porta. — Madrinha? Por que está me ligando do celular da Chris? — Caminha em direção a sua sala, pois as paredes de sua empresa tem ouvidos. — Como assim? — Para imediatamente e encosta na parede mais próxima. — O que houve? Como aconteceu? Ela está bem?

Camile surge de repente e ao ver o chefe com uma cara nada boa. Aproxima devagar, mas antes de dizer alguma coisa, recebe um olhar intimidador do moreno.

— Chego ai daqui a pouco. Tchau. — Desliga o celular e o guarda no bolso da calça. — Cancele tudo. Tenho que resolver um problema pessoal.

— E os sócios, senhor? — Caminha ao lado do chefe. — Estão esperando o senhor.

— Camile. — Para e a faz parar. — Remarque para amanhã. Só me deixe em paz.

Dá as costas para a secretária e caminha em passos firmes para sua sala. Tudo o que importa agora para ele é a noviça.

 

Elizabeth caminha de um lado para o outro — esperando o médico voltar — que no seu ver está demorando demais.

A loura não sabia o que havia acontecido com a noviça, estavam a caminho do convento quando a mesma desmaiou de repente. Simon que estava junto resolveu levá-la para o hospital.

Já faz mais de 15 minutos que estão esperando o médico voltar. A loura não aguenta mais a demora e a falta de informação.

— Vai acabar fazendo um buraco no chão. — Simon puxa a esposa colocando-a sentada do seu lado. — Calma, daqui a pouco o médico vem.

— Você é sossegado demais para o meu gosto. — Cruza os braços sobre o peito. — Custa alguém vir dizer alguma coisa?

— Familiares da paciente Christine? — A voz grossa surge de repente fazendo os dois olhares para frente. — Familiares da paciente Christine?

— Somos nós. — A loura se manisfesta.

A loura havia ficado surpresa em se deparar com o médico — o mesmo se parece muito com alguém que conhece, mas não lembra de imediato — ele possui cabelos castanhos que estão jogados para trás em um corte quiffed back, a pele alva, mas o que mais chama a atenção no médio são os olhos que possuem cores diferentes, um azul e outro castanho — ele sabe que muitas pessoas lhe olham por causa desse detalhe, mas não se importa mais.

— É heterocromia é uma anomalia genética. — Responde ao notar a pergunta muda estampada na cara dos mais velhos. — Bem.. Eu sou o doutor Silvestre, atendi a...

— Nossa filha. — Elizabeth se manifesta. — Ela está bem?

— Está, apenas uma queda de pressão causada por estresse ou calor. — Ela ficará mais algumas horas em observação, mas irá para casa hoje mesmo.

— Tia Beth, tio Simon? — Sophie surge atrás do doutor. — Está tudo bem?

— Sim. — Simon sorri para a sobrinha.

— Os senhores já podem ir ver a paciente, ela está na sala 13. — Ele percebe que está sobrando e encerra a conversa. — Com licença.

— Espera. — Sophie segura no braço dele o impedindo de continuar. — Novo aqui, doutor?

— Sim. — Desvencilha do aperto da morena. — Christian Silvestre, prazer doutora?

— Nós vamos ver a Chris, depois a gente se fala. — Elizabeth interrompe o dialogo entre os dois médicos. — Vamos logo, Simon. — Sai puxando o esposo.

— Nada muda. — Volta a atenção para o médico após ver o casal sumir. — Prazer doutor Silvestre. Sophie Green.

— A paciente é sua prima? — Pergunta tentando tirar mais informações sobre Christine, pois que ficou intrigado quando viu os olhos da mesma.

— Sim. — Sorri forçado. — Mas por que a pergunta?

— Nada. — Põe as mãos dentro dos bolsos do jaleco. — Foi um prazer doutora Green. Com licença.

Sophie apenas acena, sem tirar o sorriso forçado dos lábios — a morena não tinha ido com a cara do colega, mas ela tem uma estranha sensação de que o havia visto antes. Dá de ombros e caminha de volta para seu consultório, já que esqueceu o que ia fazer.

— Sophie. — A voz familiar faz ela parar. — Que bom que te encontrei.

— Oi Henry. — Dá meia volta e encara o amigo. — Eu te levo até onde ela está.

— Obrigado. — Sorri grato.

A morena segura no braço do amigo e o puxa para onde a noviça está internada. Sabe o que o amigo sente para com a noviça, mas também sabe que o ele não admite.

Ao chegarem no quarto o moreno entra sem bater, se deparando com a noviça deitada. Corre até ela e abraça — ele precisa sentir ela, precisa saber se ela está bem — nenhum dos dois se importam com os olhares.

— Está tudo bem. — A noviça diz e sente ele relaxar. — Não foi nada de grave.

— Vamos deixá-los a sós. — A loura empurra o esposo e a sobrinha para fora do quarto. — Estaremos na cantina. — Diz antes de fechar a porta.

— Chris. — Desfaz o abraço e a encara. — Não quero que você volte para o convento.

— Eu gosto daqui, gosto da Sophie, do Samuel e dos seus padrinhos. — Se ajeita na cama. — Gosto de estar com você, mas não quero lhe magoar. Sei que isso vai acabar acontecendo.

— Chris, fica aqui. Comigo. Com o Samuel e a Sophie. Faça parte da nossa família. — Segura nas mãos dela. — Por favor.

Christine tenta dizer alguma frase coerente, mas nada sai de seus lábios. Finalmente tinha conseguido uma família, pessoas que a querem por perto — claro que ele ainda não se lembra de si, mas mudaria isso hoje — a chama que havia se apagado, volta a acender, mas dessa vez mais intensa do que nunca.

— Henry, eu preciso te con... — O toque do celular do moreno a interrompe.

— Um momento. — Diz ao pegar o celular e vem de quem se trata. — Eu preciso atender essa ligação, mas não demoro. — Deposita um beijo na testa da noviça e sai do quarto, mas o celular para de tocar assim que passa pela porta. — Imbecil.

— Henrique? — A voz feminina o chama assim que passa por ele.

O moreno olha para trás e se depara com uma mulher mais velha — por volta dos 60 anos, mas ainda bem conservada, os fios castanhos misturados com os brancos, a pele clara e os olhos azuis — a reconhece de imediato.

— Senhora Silvestre? — Cumprimenta depositando um beijo na mão dela. — Como vai?

— Bem, graças a Deus. — Sorri amável. — E o que faz aqui? 

— Minha amiga passou mal e vir vê-la. — Sente suas bochechas ficarem vermelhas.

— Acho que bem mais que uma amiga. — Sorri maliciosa para ele. — Me deve uma reunião.

— Quando a senhora quiser. — Coloca a mão na fechadura e abre a porta, mas não entra. — Eu preciso ir agora.

— Está bem. — Pisca para ele. — Tenho que ir também. Melhoras para sua amiga.

— Obrigado. — Abre a porta completamente revelando a noviça que os olha.

A mais velha acena e volta a caminhar, mas ela olha para Christine e a recebe um sorriso da noviça — um sorriso muito familiar para a mais velha — mas antes que ela diga algo, o moreno fecha a porta.

— Vovó? — Christian surge atrás da mais velha. — Está tudo bem?

— Sim. — Olha para o neto. — Encontramos sua irmã.


Notas Finais


Então, o que acharam? O passado da Chris está todo revelado e ela tem motivos para odiar o Henrique, mas não o odeia. Por que será? E esse médico com a mesma doença da Christine? Coincidência? Digam o que acham.

Obrigada a todos, os vejo nos comentários ou no próximo capítulo.
Beijos.


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