História Omegaverse (Hiatus até dezembro) - Capítulo 24


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags A/o/b, Jikook, Namjin, Omegaverse, Sugamon, Vhope, Vmon, Yoonjin
Visualizações 144
Palavras 5.003
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Ficção, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Seinen, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hello ~~

Eu deveria estar estudando, mas cá estou eu (tô lascada amanhã he he)

Boa Leitura ~~

Capítulo 24 - Capitulo 24


** Jeon Jungkook (Jungkook) **

Após desmaiar – depois de ver tanto sangue saindo de Hoseok, pois não estava, definitivamente, acostumado à aquilo – Jeon acordou em uma ambulância em movimento, deitado em uma das duas macas presentes dentro daquele pequeno e desorganizado veículo. Hoseok estava sobre a outra, inconsciente e intubado, preso por dois cintos, um sobre seu peito e outro sobre sua cintura, afivelados com força, o mantendo firme sobre a cama, impedindo que caísse enquanto a ambulância balançava violentamente de um lado para o outro.

Uma enfermeira jovem e bonita, algo entre os vinte anos, com cabelos negros presos em um coque, alguns fios soltos sobre seu roto pálido e fino, ficava insuflando e desinflando um espécime de balão que mandava o ar improvisado para as vias aéreas de Hobi, enquanto falava em alto e bom som os sinais vitais do ômega, como sua pressão arterial, frequência cardíaca e de pulso, além de temperatura, afirmando estar estável, o que era ótimo. Ela olhou para Jungkook vedo que estava acordado a encarando, então chamou outro enfermeiro, que se encontrava sentado sobre uma estranha cadeira presa a parede do veículo.

O enfermeiro, um rapaz também jovem como a moça, talvez alguns anos mais velho, parou ao lado de Jungkook aos tropeços, pois a ambulância estava balançando freneticamente, fazendo o próprio Jeon sentir-se enjoado e todos os objetos ali dentro chacoalharem.

Jungkook rodeou os olhos pelo ambiente, notando só estarem os quatro ali. Percebeu também que estava com um soro amarelado preso à suas veias do braço direito por agulhas e esparadrapos.

- Como está? – o enfermeiro perguntou com uma voz gutural, abafada por uma máscara branca que lhe cobria a boca e o nariz. Mexeu no pequeno saco de soro, diminuindo à infusão das gotas que iam para a corrente sanguínea do alfa.

- Cadê o Jimin? – perguntou de súbito.

- Quem? – ele pareceu confuso, suas sobrancelhas grossas e negras se juntaram, enrugando a pele sobre seu nariz.

- Jimin... – repetiu, sentindo-se tonto.

- Quem é esse? – questionou rindo descontraído, aferindo a pressão de Jungkook, afirmando estar baixa, mas próxima do normal.

- Meu namorado... – explicou, sentindo-se muito cansado pelo esforço de ter de falar. Seus pulmões doíam e sua garganta estava seca.

- Deve ser o rapaz quem ligou – a mulher se pronunciou, sorrindo para Jeon e para o companheiro de trabalho – Ele não pode vir na ambulância.

A conversa sessou naquele ponto e o veículo continuou chacoalhando até parar abruptamente, quase derrubando os dois profissionais da saúde, que se mantiveram firmes, no entanto. Suas sirenes berravam de forma mais evidente por ter a ambulância agora parada.

As portas do automóvel de abriram e outros enfermeiros apareceram, ajudando a mulher a empurrar a maca para fora da ambulância, levando Hoseok às pressas para dentro do hospital.

O enfermeiro ajudou Jungkook a sentar-se em sua maca, retirando de seu braço o soro.

- Está tudo bem? – perguntou gentil, servindo de apoio para que Kook ficasse em pé. Sentiu uma leve tontura e sua visão escureceu brevemente ao se posicionar ereto, porém aguardou alguns segundos, tendo sua vista e equilíbrio reestabelecidos – Consegue sair sozinho da ambulância ou quer ajuda?

- Eu consigo – afirmou, andando até a pequena escadaria que o levava para fora do veículo, descendo os três degraus de metal com cuidado.

O enfermeiro o seguiu, lento, porém, ao alcançar o chão fechou as portas da ambulância com pressa, despedindo-se de Jeon curvando-se e correu para o interior do hospital.

Jungkook ficou estagnado, encarando a entrada de vidro do pronto atendimento, perguntando-se o que deveria fazer. Procurou por seu celular no bolso de sua calça, notando haver um sangue já seco em sua blusa branca, principalmente em seu braço direito. Sentiu-se um tanto enojado, mas ignorou a sensação naquele momento.

Pegou o aparelho telefônico, que para seu incrível azar estava sem bateria.

Pensou em entrar no hospital e pedir para usar o telefone – iniciando, inclusive, uma caminhada lenta e desanimada até o local –, mas foi abraçado e surpreendido por trás, assustando-se e soltando um grito baixo, quase dando uma cotovelada no estranho.

- Jungkook, sou eu! – Jimin gritou ao perceber que estava prestes a apanhar.

O alfa se soltou irritado dos braços de Park, olhando-o incrédulo por sua atitude. Jimin estava com a face avermelhada e a pele de seu corpo suada, molhando suas roupas, agora justas em seu corpo, marcando suas curvas, e cabelos, cujas mechas róseas caiam sobre sua testa úmida, colando-se à ela. O ômega apoiou-se nos joelhos com as mãos, respirando ofegante e muito cansado, como se tivesse corrido até o local, o que deveria ser, de fato, o caso.

- Está tudo bem agora, Kookie? – Jimin perguntou preocupado, ajeitando sua postura e acariciando o braço do alfa, ignorando o olhar raivoso de Jeon, que logo deixou sua ira desaparecer sob o olhar gentil do ômega.

- Sim... – respondeu afoito.

- E o Hobi? – questionou, olhando para o hospital com uma expressão curiosa.

- Não sei... Entraram com ele e me deixaram aqui.

Jimin assentiu e correu para dentro do pronto socorro, sendo seguido por Jungkook.

O local estava relativamente vazio, com apenas algumas pessoas idosas sentadas nas cadeiras de espera, olhando interessadas para a cena. Jimin foi até a secretária, cumprimentando-a calorosamente e a mulher respondeu da mesma maneira, com um sorriso largo nos lábios cobertos por um batom rosado. Jungkook sentiu ciúmes de toda aquela simpatia da parte de ambos, mas conteve-se, caminhando lento até o balcão, parando ao lado de Park.

- Onde está o Hoseok? – Jimin perguntou a mulher que franziu o cenho.

- Sinto muito, Jiminnie, mas não posso dar essa informação para você, já que não são parentes – a mulher respondeu de maneira intima e solene, deixando Jeon ainda mais enciumado.

- Ele não tem parentes aqui – Park resmungou, apoiando o corpo sobre o balcão de madeira, projetando-o para dentro do mesmo – Por favor! Sou a única “família” dele – pediu manhoso, fazendo a mulher encolher-se.

A secretaria olhou para os lados, averiguando se alguém os olhava, mas os três estavam sozinhos – tirando os demais pacientes que os fitavam curiosos – e então posicionou-se mais próxima ao computador, digitando algo nele com seus dedos pálidos e longos, as unhas brancas batendo no teclado, produzindo um som desagradável.

- Ele foi levado para um dos quartos de obstetrícia – falou calmamente, com um tom de voz baixo, quase um sussurro – Se esperar um pouco, logo ele será encaminhado para uma ala de repouso.

- Sabe qual o quarto? – Jimin indagou com um bico.

- Não pode entrar nas salas de obstetrícia – ela riu, controlando-se em seguida, mantendo a postura neutra anterior.

- Não... Qual o quarto que vão levar o Hobi depois – ele explicitou.

- Ah... – a mulher voltou a digitar algo no computador de caixa antigo – Entre os quartos 921 à 926. São os únicos vazios no momento.

- Obrigado! – Park agradeceu, esticando o braço para dentro do balcão, segurando a mão da secretaria, levando-a aos lábios, dando um beijo estalado na região, fazendo a mulher corar e rir envergonhada.

Jimin se afastou da secretaria e andou apressado até os diversos corredores de quartos, separados por letras de “A” à “D”, entrando em uma ala isolada, sem pacientes ou funcionários. Todos os demais saguões possuíam sobre eles uma enorme placa esverdeada com as devidas letras estampadas em branco, separando-as, mas naquele havia apenas uma placa negra com a letra “X” em vermelho, destacando-se de maneira desagradável na tábua de madeira escura.

- Onde vai? – Jungkook perguntou, confuso, seguindo-o.

O ambiente era diferente do restante do hospital, como se fosse uma área abandonada e proibida aos pacientes.

- Acha mesmo que os ômegas ficam nos mesmos quartos que os demais pacientes? – Jimin questionou irônico, com um tom amargo.

- Da outra vez, Hoseok e Tae ficaram...

- Mas é porque estavam juntos e o Jin Hyung quem os atendeu – Park deu de ombros adentrando em um dos corredores daquela ala mais afastada.

O local, apesar de fúnebre, era semelhante aos demais corredores de quartos, porém mais estreito e com uma quantidade inferior de cômodos. As luzes falhavam esporadicamente e chiavam, ameaçando queimar a qualquer momento, deixando o ambiente escuro. As portas dos quartos eram de uma madeira clara, com uma pequena janela de acrílico em sua parte superior. Não havia nada mais nos quartos que as pequenas camas e um ventilador de teto que rangia ao girar lentamente.

Jungkook espiou algum dos quartos, vendo pacientes deitados em macas pequenas e estreitas, sujas e sem cuidados dos enfermeiros, alguns visivelmente imundos de dejetos humanos, como fezes, urina e vômito. O cheiro de carniça era terrível, mostrando o quanto os pacientes ali eram desconsiderados pelos funcionários.

- Que merda é essa? – o alfa perguntou retoricamente, cobrindo o rosto com uma das mãos, tentando evitar sentir o cheiro nauseante de podridão.

- Vem... – Jimin o chamou, abrindo a porta de um dos quartos – Vamos nos esconder aqui, não tem ninguém.

- E se alguém pegar a gente? – Jeon questionou, preocupado.

- Não vão – Park deu de ombros, adentrando no cômodo.

A contra gosto, Jungkook o seguiu, vendo o ômega agachar-se no chão empiorado ao lado da porta, apoiando as costas na parede de gesso cinza, evitando relar as nádegas no solo. O alfa fechou a porta atrás de si e se abaixou ao lado do namorado, ambos em um silêncio incomodo.

Jimin cobriu o rosto com as mãos, inspirando com vontade e expirando pesadamente sob elas. Park parecia tenso e muito cansado, de repente. Jeon passou um dos braços sobre as costas do ômega, puxando-o para perto de si, apoiando os cabelos lisos de Jimin em seu ombro.

- Vai ficar tudo bem, amor – falou o mais tranquilizador que pode, sentindo o rosto queimar e provavelmente corar, após chamar o outro de “amor”.

- Espero que o Hobi fique bem... – resmungou com a voz tremula, os olhos pequenos marejados e avermelhados – Eu o amo e não quero que ele sofra. E se eu perde-lo, não terei mais ninguém...

- Ele vai ficar bem! – Jungkook averiguo espontâneo, sentindo um aperto doloroso em seu peito ao ver Jimin daquela maneira tão fragilizada e triste – E você tem a mim.

Park sorriu sincero ao ouvir a última frase. Fechou os olhos escuros e recostou a testa fria e úmida de suor sobre à quente de Jeon, lhe dando um abraço ao redor do pescoço e beijando seus lábios em seguida. Apenas um selar breve, porém cheio de sentimentos. Jungkook rodeou o corpo pequeno de Jimin, apertando-o com força, acariciando suas costas, sentindo seus músculos tensos relaxarem progressivamente.

- Obrigado, Kookie – o ômega agradeceu, separando suas bocas minimamente.

Ouviram, então, um som metálico nos corredores. Jimin se levantou, espiando por detrás da pequena janela de acrílico. Jungkook fez o mesmo, vendo um enfermeiro levando uma maca com rodas, havia um paciente sobre ela, até um dos quartos no final do corredor.

Esperaram o homem sair do cômodo e se afastar do corredor para saírem do quarto em que se encontravam e irem até o local, que o enfermeiro deixara o paciente, entrando no ambiente apressados, fechando a porta atrás de si com cuidado, tentando não fazerem barulho.

- O que fazem aqui? – Hoseok perguntou baixo, assustando à ambos, que deram um pequeno pulinho, fazendo o outro rir.

- Hyung, está acordado?! – Jimin questionou pasmo e alegre, correndo até Hope, jogando-se sobre a maca do mesmo, fazendo-a ranger alto, e abraçou o amigo, apertando os braços musculosos em torno do pescoço do outro.

- Ai... – resmungou ao ter o corpo pesado de Park sobre o dele, mas retribuiu o abraço, rodeando a cintura de Jimin, a expressão abatida e dolorida. Sua face estava mais corada, apesar de apresentar olheiras profundas e escuras, os cabelos castanhos despenteados e arrepiados para cima de forma desorganizada.

- Está tudo bem? – Jungkook perguntou, aproximando-se de ambos após acender a luz amarelada que passara a iluminar o ambiente depressivo de paredes acinzentadas sem molduras ou janelas.

- Estou sim – respondeu com um sorriso ladino, separando-se do abraço de Jimin, que passara a ficar em pé, ao lado de Hoseok.

- O que você tinha, Hyung? – Park indagou, segurando a mão de Hope, que o encarou com as sobrancelhas arqueadas, alternando o olhar entre Jimin e Jungkook, mantendo-se calado por longos minutos, repetindo o gesto.

- Foi um aborto espontâneo – alguém falou por detrás dos três, todos se assustando novamente.

Viraram-se na direção da voz gutural que os surpreendera. Era um homem de seus quarenta anos, robusto e musculoso, tão alto e moreno quanto Namjoon, os cabelos negros perfeitamente penteados em um topete ladino alto. Vestia-se com uma camisa social rosa clara e uma calça alfaiataria marrom, além do sapato social pretos lustroso. Por cima de tudo havia um jaleco longo e branco, amassado e coberto com alguns respingos de sangue, que poderiam ser de Hoseok.

Ele riu do susto dos três, cobrindo a boca com a mão cerrada em um punho.

- Sou o Dr. Seungyoon – se apresentou, curvando-se – Quem são vocês dois? – perguntou curioso, referindo-se a Jimin e Jungkook. Não parecia bravo ou feliz em vê-los, deixando ambos tensos por sua falta de expressão ou alteração na voz.

- Nós só estávamos... – Park começou a tentar se explicar, apavorado.

- Não precisam me dar justificativas de nada – o médico o interrompeu sorridente e solene – São amigos do Jung?

Jimin assentiu.

- Então ele realmente estava gravido do Taehyung? – Kook questionou, consternado.

- Taehyung? – o médico pareceu surpreso, mudando seu olhar sem expressão pela primeira vez. Olhou para Hoseok com uma das sobrancelhas negras arqueadas, o ômega se encolheu constrangido – Achei que não soubesse quem era o pai – riu soprado.

Hobi encarou Jungkook com o cenho franzido e um bico nos lábios. Jeon ficou assustado por ter falado algo que não deveria, arregalando os olhos e mantendo-se em silêncio.

- Perguntei se ele queria avisar o namorado, mas disse que não conhecia o pai da criança – o médico explicou, cruzando os braços e encarando Hope com uma expressão neutra, mas dura.

- Mas não faz nem uma semana direito – Jimin mudou de assunto, olhando para o teto, na direção do ventilado preto com apenas três hélices empoeiradas, pensativo – Não é pouco tempo, para tanto sangue?

- Ora... – o médico sorriu compreensivo – A gravidez de um ômega dura em torno de setenta e cinco dias, no máximo, então uma semana é tempo suficiente para o feto já estar relativamente grande – explicou.

- Espera... – Jungkook sentiu sua pressão abaixar, lhe propiciando uma leve tontura – Então já tinha um bebê?

- Sim – o doutor assentiu sério – Mas Jung não quis ver ou conversar sobre isso.

- Hyung... – Jimin olhou na direção de Hoseok com um semblante de compreensão.

- Preciso falar com o Tae – Kook constatou, pegando o celular, esquecendo-se que estava sem carga, guardando-o frustrado – Jimin, pode me emprestar o seu celular? O meu está sem bateria.

Park não se moveu.

- Hyung? – insistiu, erguendo a mão direita na direção do ômega, que continuou imóvel ao lado de Hoseok – Oppa? – murmurou manhoso e o outro pareceu pensar em ceder.

- Apenas se o Hobi permitir – falou, olhando para o amigo.

- Taehyung tem o direito de saber – Jungkook resmungou, pasmo.

- Isso é verdade – o médico concordou.

- Mas... – Hoseok encolheu-se em sua cama, cobrindo o corpo, ainda vestido com as roupas ensanguentadas, com um fino lençol que estava sobre ele.

- Entendo que muita coisa aconteceu em um espaço muito curto de tempo, Seok – Seungyoon falou gentil, caminhando até estar ao lado de Hope, acariciando suas costas – Posso te chamar assim? – Hoseok assentiu – Conheço Taehyung – riu nostálgico – Ele é filho de um antigo... – sorriu constrangido, tendo as bochechas tomadas por uma cor rubra – Bem, um antigo paciente. É um garoto compreensível. Tenho certeza de que lhe apoiará.

- Eu sei que vai... – concordou, ainda encolhido – Só acho que não tem necessidade de contar isso para ele.

- Não irei obriga-lo a nada – o médico se afastou, indo até a porta – Tenho outros pacientes para atender agora. Descanse um pouco, deve estar cansado. Pense com calma e converse com seus amigos à respeito – falou, se retirando do quarto com um sorriso gentil, fechando a porta ao final.

Ficaram os três em silêncio, se encarando tensos.

- Hobi Hyung – Jimin o chamou, lhe lançando um olhar cumplice – O que quer fazer?

- Tudo bem... – suspirou, acomodando a cabeça no travesseiro desconfortável da maca – Pode avisar o Taehyung.

*****

** Kim Taehyung (V) **

- Hyung, se comer tanto assim, vai ficar gordo – Taehyung riu da montanha que virara o prato colorido de Namjoon. Cheio de carnes variadas de diferentes espécimes de animais, e alguns molhos apimentados de diferentes cores sobre as mesmas.

- O seu está enorme também, Tae – o mais velho falou debochado, apontando para a comida do outro, que não passava de um punhado generoso de Pad Thai, um macarrão tailandês de arroz frito com ovo, tofu, brotos de feijão, molho de peixe, camarão fresco, castanhas e alguns temperos variados, e, mesmo estando enorme, ainda assim, deveria ser metade do prato de Namjoon.

Como ambos não comiam decentemente à uma semana praticamente, por conta do cio de Namjoon, decidiram sair para se alimentar em algum restaurante próximo ao apartamento que viviam, já que nenhum dos dois sabiam cozinhar e estavam muito cansados para irem em algum local muito longe.

Taehyung sentia-se péssimo. Emagrecera, provavelmente, mais de cinco ou seis quilos, seu corpo encontrava-se recoberto de hematomas no pescoço e braços, que ele tentara falhamente esconder com maquiagem, principalmente os chupões da região do pescoço. Namjoon também estava abatido, mas melhor que o outro. Também perdera alguns quilos e possuía alguns arranhões nas costas e membros superiores.

Vestiram-se como dois mendigos. Taehyung com uma camisa azul marinha larga sem detalhes, que pertencia, na verdade, a Namjoon, e uma calça jeans clara amarrotada, que encontrara jogada em seu guarda-roupa. Nos pés calçava sandálias papetes pretas e na cabeça colocara um boné escuro para esconder os cabelos bagunçados que não tivera disposição para arrumar. Namjoon, por mais que fosse uma pessoa estilosa e que gostasse de se arrumar, colocara apenas uma bermuda aleatória de um jeans branco, folgada, que ficava caindo em sua cintura emagrecida, uma camiseta preta larga e uma touca da mesma cor ocultando as mechas desbotadas, que precisavam de uma nova tintura urgentemente. Calçara corcs azuis grandes demais para seus pés, fazendo-o andar engraçado.

Escolheram ir ao “MAMA”, um restaurante familiar Tailandês, rustico, que ficava próximo à faculdade dos ômegas e ao colégio dos alfas, o qual servia um self service barato, pago de acordo com o peso do prato.

O local era agradável, sendo feito inteiramente na madeira envernizada na parte de fora, lhe propiciando um cheiro agradável amadeirado. As mesas eram de ferro, com cadeiras do mesmo material, ornamentadas de maneira barroca. Ficavam dispostas em um ambiente aberto, no interior do restaurante, tendo no lugar do teto, um parreiral de uvas jovens, com apenas algumas ramalhas, sem os frutos propriamente ditos, por onde alguns feixes de luz adentravam no espaço de forma discreta, suficiente para manter o ambiente claro, mas não quente.

Por não ser caro, estava lotado de estudantes, tanto da faculdade quanto do colégio.

Pesaram suas comidas e, mesmo sendo um restaurante barato, o preço fora elevado, graças a imensidão de alimentos que ambos portavam em seus pratos de porcelana branca. Pediram um copo de suco cada, Taehyung de morango e Namjoon de melancia, com o ultimo pagando a conta com seu cartão de credito, dado a ele pelos pais.

Sentaram-se em uma das mesa retangulares de ferro para quatro pessoas, um de frete para o outro, tendo, dispostas as em suas laterais, cada um, uma cadeira vazia, que não tardaram em ser solicitadas por um grupo de estudantes femininas da faculdade, o qual encontravam-se amontoados em uma mesa circular.

Comeram em silêncio, sendo possível escutar apenas o murmurinho das várias conversas alheias das diversas pessoas presentes no restaurante, até Taehyung notar Seokjin e Yoongi adentrarem o local. Suga falava alto e grosseiramente com Jin, tendo uma expressão emburrada, quase raivosa, desenhada no rosto bonito, e Seokjin apenas se mantinha em silêncio, o escutando com um semblante preocupado, mas também irritado.

Não pareciam brigar, todavia não estavam em harmonia tampouco.

Namjoon percebeu que V encarava algo atrás de si e olhou por cima do ombro na direção cujo Taehyung fitava, ficando com os músculos tensionados ao notar ambos os ômegas, quase engasgando-se com a comida que tinha na boca.

- O que foi? – Tae perguntou, percebendo o desconforto do alfa.

- Eles estão brigando – Namjoon comentou com a boca cheia, olhando para eles diretamente.

Taehyung os encarou novamente e, de fato, agora brigavam. Seokjin falava algo em um tom alto o suficiente para as pessoas à sua volta os olharem com uma expressão reprovadora, enquanto Yoongi esmurrava as paredes de madeira ao seu entorno, respondendo Jin no mesmo tom.

- Já disse que não vou fazer isso, Suga! – Seokjin gritou, andando pelo restaurante, segurando seu prato de comida tão cheio quanto o de Rap Monster à alguns minutos atrás, aproximando-se dos dois sem nota-los.

- Por que é tão teimoso, Jin?! – Yoongi bradou, seguindo-o de mãos vazias – Se isso lhe traz perigo à sua maldita saúde, por que insiste em não abortar, porra?!

- Por que à criança não tem culpa! – Seokjin grunhiu, agora ao lado da mesa de Tae e Nam, ainda sem nota-los.

- Essa “criança” vai morrer de qualquer jeito! Só não quero que você à acompanhe! – Yoongi rosnou e Jin jogou sua bebida no rosto do outro, que pareceu perplexo, piscando, em choque, diversas vezes, o rosto e cabelos loiros agora molhados de refrigerante.

Suga, tomado pela raiva momentânea, foi até a mesa de Taehyung, pegando seu copo de suco de morango e o jogou em Seokjin, que largou seu prato de comida, repleto de espanto. A porcelana se espatifou no chão e a comida se espalhou para todos os lados do restaurante. As pessoas riam e filmavam a cena ocasionada por ambos, que pareciam ignorar.

Jin avançou na direção de Yoongi, a destra erguida, pronto para estapeá-lo. Tae achou que jamais presenciaria os dois brigando daquela maneira. Antes que Seokjin alcançasse Suga, para desferir seu golpe, Namjoon o parou, segurando sua mão com cuidado para não machuca-lo. Taehyung não percebeu o momento que seu amigo saíra da mesa e fora até ambos, pois estava entretido assistindo a briga dos ômegas, ficando, assim como Seokjin e Yoongi surpreso ao vê-lo ali.

Suga o encarou por longos minutos, em choque, então direcionou os olhos negros para V, ainda sentado à mesa, parecendo constrangido, seu rosto branco tornando-se purpura de vergonha.

- Parem com isso, vocês dois – Namjoon pediu sério, ainda segurando o pulso de Jin, que o fitava com os lábios fartos e róseos abertos, mas sem pronunciar qualquer palavra – Estão chamando a atenção de todos no restaurante.

Seokjin olhou ao redor, percebendo que várias pessoas os assistiam e filmavam com os celulares, rindo e fofocando sobre a situação. O ômega corou em seguida e se encolheu, aproximando o corpo alto e esguio ao de Namjoon, alguns centímetros maior, como se assim pudesse se esconder, o que era uma tarefa difícil, considerando seu tamanho.

- O que estava acontecendo? – Tae perguntou curioso, levantando-se da mesa, parando ao lado de Suga.

- Isso não é da sua conta – Yoongi respondeu, grosseiro, mantendo os olhos em Namjoon e Seokjin, parecendo enciumado com a aproximação de ambos, porém V não conseguia dizer se o ciúmes era do ômega ou do alfa.

- Não deveriam brigar desse jeito – Rap Monster comentou, soltando-se de Jin, aproximando-se de Suga e Taehyung, sendo seguido por Seokjin.

- Tem razão... – Jin concordou, envergonhado – Me desculpe, Suga ssi.

- Tudo bem – Yoongi deu de ombros, emburrado – Mas só irei te desculpar se concordar em abortar.

- Não irei – retrucou sério, o cenho franzido.

- Mas que inferno, Seokjin! – Suga rosnou, bravo, avançando sobre o amigo, que também pareceu querer brigar.

- Ei! – Namjoon se colocou entre eles, separando-os antes que começassem a se agredir – O que está acontecendo com vocês dois?

- Esse filho da puta fica brincando com a vida dele – Yoongi grunhiu, referindo-se pejorativamente à Seokjin.

- Vai se foder, Suga – Jin retrucou. Taehyung não pode evitar rir ao ver e expressão de espanto de Yoongi e Namjoon ao escutarem o ômega usar palavras de baixo calão.

- O que está acontecendo, Hyungs? – Tae questionou novamente – Jin Hyung está doente ou algo assim? – perguntou preocupado.

- Jin está-

- Não! – Seokjin cortou Min, com certo desespero – Suga, não fale disso...

- Talvez se eu falar eles coloquem juízo nessa sua cabeça oca – replicou dando de ombros.

- Não entende que vou levar isso até o fim, Suga, independente do que você faça? – Jin murmurou com um bico.

- O médico já disse que isso não é seguro, Jin – Yoongi rebatou com raiva.

- Gente, o que está acontecendo?! – Taehyung se intrometeu. Estava imensamente curioso com toda aquela conversa enigmática e sem fundamento.

- Jin está-

Antes que Suga pudesse terminar sua frase novamente, Seokjin desviou-se de Namjoon, que ainda estava entre eles, tentando impedir que brigassem fisicamente, e se agarrou aos cabelos loiros de Yoongi, o estapeando esporadicamente, impossibilitando que ele falasse. Min também levou as mãos as mechas castanhas de Jin e ambos começaram a se enroscar em uma luta estranha de tapas e puxões de cabelo.

Namjoon tentou separa-los, inutilmente, pois ambos estavam tão grudados, que mais pareciam um só corpo. Caíram um sobre o outro no chão do restaurante sujo pela comida, a qual Seokjin havia derrubado mais cedo, Yoongi por baixo sendo estapeado freneticamente por Jin no rosto. Começaram a rolar, trombando com as mesas e cadeiras, atraindo mais e mais atenção para si. Agora Min estava sentado sobre o abdômen de Seokjin, o sacudindo pela gola da camisa, dando tapas leves em suas bochechas.

Taehyung correu até eles, agarrando Suga por trás, o tirando de cima de Jin, que o chutou no estomago no processo, deixando o mais baixo furioso. Yoongi começou a se debater nos braços de Tae, o qual permaneceu o segurando com força enquanto o ômega mais novo xingava o amigo de todos os nomes possíveis.

Seokjin se levantou do chão e foi até onde V e Suga estavam, mas foi impedido de agredi-los por Namjoon, que, assim como Taehyung estava fazendo com Yoongi, o segurou por trás.

- Me solta, Namjoon – pediu contorcendo-se nos braços do alfa – Vou arrebentar a cara desse imbecil!

- Pode vir, sua vadia gorda! – Suga rosnou chutando o ar, enquanto Taehyung o segurava, rindo daquela briga ridícula.

- Você me chamou de gordo? – Jin questionou horrorizado, parecendo profunda e verdadeiramente ofendido.

- O que acha que vai acontecer se levar essa gravidez para frente? – Yoongi bradou furioso – Vai virar um buchudo!

- Buchudo? – Seokjin ficou pasmo.

- Gravidez? – Namjoon questionou perplexo, os olhos arregalados e o queixo caído – Como assim?

Tae adoraria continuar assistindo aquela novela mexicana, mas seu celular começou a vibrar no bolso de sua calça. Soltou uma de suas mãos de Suga para poder pegar o aparelho. Olhou para a tela do mesmo, onde uma foto de um Jimin sorridente aparecera.

Levou o celular ao ouvido, atendendo a ligação.

- Oi, ChimChim! – falou alegremente, ainda rindo da discussão de Seokjin e Yoongi – Não vaia creditar no que está acontecendo, Hyung!

- Tae? Preciso falar uma coisa importante para você... – Park falou do outro lado da linha com um tom sério, fazendo o sorriso de V desaparecer.

- Oi, Hyung – repetiu o cumprimento, agora mais austero, soltando Min completamente e se afastando, para conseguir ouvir com clareza o que Jimin tinha a lhe dizer – Aconteceu algo?

O gerente do restaurante, um homem tailandês baixo e idoso, cuja coluna estava tão encurvada para frente que já era possível notar uma corcunda sobre suas costas, apareceu, para conversar com Jin e Yoongi à respeito da briga que estavam tendo em um ambiente familiar como aquele, pedindo que ambos se retirassem imediatamente antes que chamasse a polícia.

- O que foi, Tae? – Namjoon perguntou preocupado, seguindo-o, deixando os ômegas conversando com o gerente.

- É o Hobi... – Park começou, parecendo cauteloso.

- Aconteceu alguma coisa com o Hoseok? – Taehyung questionou apreensivo.

- Hoseok? – Suga e Seokjin indagaram ao mesmo tempo, distantes, ignorando o idoso que os repreendia.

- Ele está bem? – Jin perguntou assustado.

- Aconteceu algo com o Hobi? – Rap Monster indagou.

- Fiquem quietos um pouco – Tae pediu educadamente, afastando-se deles – O que foi, Jimin Hyung?

- Bem... – ele pigarreou do outro lado da linha, escolhendo com cuidado as palavras que diria – TaeTae... Acho melhor se sentar em algum lugar.

- Já estou sentado – mentiu, pois sabia que o outro não poderia averiguar suas palavras.

- Hobi estava grávido.

Demorou alguns segundo para processar o que lhe foi dito, mas quando o fez, sentiu uma alegria imensa lhe tomar cada célula de seu corpo.

- Sério?! – indagou alegremente. Hoseok e ele teriam um filho?!

- Tae, eu disse “estava” – falou novamente, dando ênfase a palavra, fazendo, pela segunda vez naquela ligação, a alegria de Taehyung se dissipar – Ele acabou tendo um aborto espontâneo...

V não sabia ao certo o que responder, olhou para as demais pessoas à sua volta, que o encaravam curiosas, sentindo-se incomodado com tanta atenção recebida. Sua cabeça passou a doer e uma leve tontura o tomou. Talvez devesse ter se sentado, quando Jimin o advertiu.

- Mas ele está bem? – perguntou agoniado, sentindo os fios de suor escorrerem de suas têmporas.

- Sim... – respondeu apaziguador - Estamos no hospital agora, caso queira vir vê-lo... Ele precisa descansar um pouco antes de ter alta.

- Estou indo! – falou desligando o celular, sem se despedir apropriadamente de Jimin.

- O que aconteceu? – Namjoon perguntou logo que o viu encerrar a ligação.

- Preciso ir para o hospital, Hyung, Hobi acabou de abortar nosso filho.


Notas Finais


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#pelomenosninguémmorreu


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