História On Four Wheels - Laurinah - Capítulo 35


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Categorias Alex Morgan, Fifth Harmony, Grey's Anatomy, Hope Solo, Lana Del Rey, Rupert Grint, The 100, Tobin Heath, Zendaya
Personagens Alex Morgan, Dinah Jane Hansen, Hope Solo, Lana Del Rey, Lauren Jauregui, Lexa, Normani Hamilton, Personagens Originais, Rupert Grint, Tobin Heath
Tags Alex Morgan, Callie Torres, Clarke Griffin, Dinah Jane Hansen, Lana Del Rey, Lauren Jauregui, Laurinah, Laurmani, Lexa, Normani Hamilton, Norminah, Tobin Heath, Zendinah
Exibições 135
Palavras 1.847
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ecchi, Esporte, Famí­lia, FemmeSlash, Festa, Ficção, Fluffy, Musical (Songfic), Orange, Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Yuri
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 35 - Capítulo 34


Antes mesmo de chegar lá, eu já sabia como seria a casa dos pais de Zendaya. Na verdade, acertei com tal precisão que, quando reduzi a velocidade do carro, Dinah perguntou por que eu estava rindo. Era uma enorme mansão georgiana, com grandes janelas parcialmente escondidas por uma fartura de glicínias claras e cascalho cor de caramelo na entrada. A residência perfeita para um coronel. Imaginei Zendaya crescendo ali, o cabelo preso em duas tranças perfeitas enquanto montava seu primeiro e gorducho pônei no gramado.

Dois homens com coletes refletivos, compenetrados, dirigiam o trânsito para um gramado que ficava entre a casa e a igreja. Abaixei o vidro do carro.

— Há algum estacionamento ao lado da igreja?

— Madame, os convidados devem seguir por aqui.

— Bom, temos uma cadeira de rodas que vai afundar no gramado — expliquei. — Precisamos parar bem ao lado da igreja. Olha, vou estacionar ali.

Os dois se entreolharam e murmuraram algo um para o outro. Antes que dissessem qualquer coisa, parei o carro num lugar isolado ao lado da igreja. E lá vamos nós, pensei, encontrando o olhar de Dinah no espelho retrovisor quando desliguei o motor.

— Fique calma, Jauregui. Vai dar tudo certo — disse ela.

— Estou extremamente calma. O que o faz pensar o contrário?

— O fato de você ser ridiculamente transparente. Além de ter roído quatro unhas enquanto dirigia.

Estacionei, desci do carro, ajeitei a estola nos ombros e ativei os controles para abaixar a rampa.

— Certo — falei, quando as rodas da cadeira de Dinah tocaram o chão.

Do outro lado da trilha no gramado, as pessoas saíam de seus enormes carros alemães, as mulheres de vermelho conversando com os maridos enquanto os saltos dos sapatos afundavam na grama. Eram todos altos e discretos, em ternos de cores neutras. Mexi no cabelo, pensando se havia exagerado no batom. Tinha a impressão de estar parecendo um daqueles potes vermelhos de ketchup.

— Então... como vamos nos comportar hoje?

Dinah acompanhou meu olhar.

— Sinceramente?

— Sim. Preciso saber. Mas, por favor, não diga que provocaremos Choque e Pavor. Está planejando algo terrível?

O olhar de Dinah encontrou o meu. Olhos caramelo, insondáveis. Um pequeno enxame de borboletas pareceu voar no meu estômago.

— Jauregui, vamos nos comportar de maneira inacreditavelmente exemplar.

As borboletas começaram a bater asas sem parar, como se estivessem presas às minhas costelas. Abri a boca para falar, mas ela me interrompeu.

— Olha, faremos o possível para que seja divertido — disse ela.

Divertido. Como se ir ao casamento da ex-namorada pudesse ser menos dolorido do que fazer tratamento de canal no dente. Mas foi uma escolha de Dinah. O dia era dela.

Respirei fundo, tentando reunir forças.

— Com uma condição — falei, ajeitando a estola nos ombros pela décima quarta vez.

— Qual?

— Você não vai fazer papel de Christy Brown, o personagem de Meu pé esquerdo. Senão, volto para casa e deixo você presa aqui com os elegantes.

Dinah virou a cadeira em direção à igreja e pensei ouvi-la resmungar:

— Desmancha-prazeres.

A cerimônia transcorreu sem incidentes. Zendaya estava ridiculamente linda como eu esperava, com a pele levemente dourada, o vestido de corte enviesado, de seda off-white, marcando seu corpo esbelto como se não ousasse ficar lá sem permissão. Vi-a flutuar pela nave da igreja e imaginei como seria ser alta, ter pernas compridas e parecer com alguém que a maior parte de nós só vê em comerciais. Imaginei se o cabelo e a maquilagem dela tinham sido feitos por uma equipe de profissionais. E se ela estaria usando uma calcinha modeladora. Claro que não. Devia usar coisinhas rendadas em tons suaves – lingeries femininas para quem não precisa levantar nenhuma parte do corpo e que custam mais que o meu salário semanal.

Enquanto o padre falava e as daminhas de sapatilhas de balé se agitavam nos bancos da igreja, olhei em volta, notando os outros convidados. Quase todas as mulheres podiam estampar as páginas de uma revista de luxo. Os sapatos, exatamente no mesmo tom das roupas, pareciam nunca ter sido usados. As mais jovens se equilibravam com elegância em saltos de dez centímetros, com as unhas dos pés muito bem pintadas. As mais velhas, com saltos mais baixos, usavam vestidos bem-cortados, ombreiras de seda com costuras em cores contrastantes e chapéus que pareciam desafiar a lei da gravidade.

Era menos interessante observar os homens, mas todos tinham aquele ar que eu às vezes detectava em Dinah, graças à riqueza e aos títulos, dando a impressão de que a vida corria sem percalços. Imaginei com que pessoas andavam, em que mundo viviam. Me perguntei se reparavam em pessoas como eu, que cuidavam dos filhos deles, os atendiam nos restaurantes. Ou faziam pole dance para os seus colegas de trabalho, pensei, lembrando das minhas entrevistas no Centro de Trabalho.

Em geral, nos casamentos a que eu costumava ir, as famílias dos noivos ficavam separadas, pois temiam que alguém desrespeitasse a liberdade condicional deles.

Dinah e eu nos sentamos no fundo da igreja, eu na beirada do banco e a cadeira dela à minha direita. Ela olhou de relance Zendaya passar e virou-se para a frente, com uma expressão inescrutável. Um coro de quarenta e oito vozes (eu contei) cantava em latim.

Rupert suava dentro do smoking e levantou uma sobrancelha como se estivesse se sentindo, ao mesmo tempo, satisfeito e meio bobo. Ninguém aplaudiu nem comemorou quando o padre declarou-os marido e mulher. Rupert pareceu um pouco estranho, inclinou-se sobre a noiva como se fosse morder uma maçã pendurada num barbante e errou o alvo. Perguntei-me se a classe alta considerava “deselegante” se agarrar no altar.

Então, a cerimônia chegou ao fim. Dinah já estava se dirigindo para a saída da igreja. Vi a parte de trás da cabeça dela, altiva e curiosamente digna e tive vontade de perguntar se ela se arrependeu de ter ido. Queria perguntar se ainda sentia alguma coisa por Zendaya. Queria dizer que ela era boa demais para aquela mulherzinha dourada sem graça, por mais que as aparências pudessem dar a entender o contrário e que... não sei o que mais eu queria dizer.

Só queria deixar as coisas melhores.

— Você está bem? — perguntei, ao me aproximar dela.

A grande questão era que devia ser ela ali.

Ela piscou várias vezes.

— Estou ótima — disse. Deu um pequeno suspiro, como se estivesse prendendo o ar no peito. Então olhou para mim. — Vamos tomar um drinque.

A tenda da recepção ficava num jardim cercado, com portão de ferro decorado com guirlandas de flores rosa-claras. O bar, no fundo, já estava lotado, por isso sugeri que Dinah aguardasse do lado de fora enquanto eu ia pegar uma bebida. Abri caminho pelas mesas cobertas com toalhas de linho branco, talheres e cristais, numa quantidade que eu nunca tinha visto antes. As cadeiras tinham encosto dourado como aquelas que vemos em desfiles de moda e lanternas brancas penduradas sobre cada centro de mesa de frésias e lírios. O ambiente estava dominado pelo perfume das flores a ponto de me fazer sentir sufocada.

— Coquetel de frutas? — perguntou o barman, quando chegou minha vez. — Hum... — olhei ao redor, e descobri que essa era a única opção de bebida. — Ah, sim. Dois, por favor.

Ele sorriu para mim.

— As outras bebidas serão servidas mais tarde. A Srta. Coleman quer que todos comecem pelo coquetel. — Ele me olhou de um jeito meio conspiratório. A sobrancelha levemente erguida denunciou o que ele achava disso.

Olhei para aquele drink cor-de-rosa. Meu pai dizia que os ricos eram mais resistentes, por isso fiquei pasma por não começarem a festa servindo bebida alcoólica.

— Acho que isso vai ter que servir, então — eu disse ao barman, quando ele me entregou as taças.

Encontrei Dinah conversando com um homem. Jovem, de óculos, estava meio agachado, apoiando um braço na cadeira de Dinah. O sol estava a pino e apertei os olhos para vê-los direito. De repente, compreendi por que tantas pessoas estavam com chapéus de abas largas ali.

— Que ótimo reencontrar você, Dinah — dizia o homem. — O escritório não é o mesmo sem você. Eu não devia dizer isso... mas não é mais a mesma coisa. Não mesmo.

Parecia um jovem contador, o tipo de homem que só se sente bem de terno.

— Gentileza sua.

— Foi tão estranho. Como se você caísse num precipício. Um dia você estava lá, coordenando tudo, no dia seguinte você estava...

Ele olhou para cima, notando minha presença ali.

— Ah — disse, e senti seus olhos pousarem nos meus peitos. — Olá.

— Lauren Jauregui, quero lhe apresentar Alfredo Flores.

Coloquei a taça de Dinah no suporte de copo da cadeira e apertei a mão do rapaz.

Ele endireitou os óculos.

— Ah — repetiu. — E...

— Sou uma amiga de Dinah — falei e, sem saber exatamente por quê, coloquei a mão no ombro de Dinah.

— A vida não vai nada mal, hein? — disse Alfredo Flores, dando uma risada que mais pareceu uma tosse. Enrubesceu um pouco ao acrescentar: — Bom... vou dar uma volta pela festa. Sabe como são as coisas... devemos considerar esses eventos como uma oportunidade para fazer novos contatos. Mas foi um grande prazer revê-la, Dinah. E... você, Srta. Jauregui.

— Ele parece ser uma ótima pessoa — falei, quando ele se afastou.

Tirei a mão do ombro de Dinah e dei um bom gole no coquetel. Era mais saboroso do que parecia. Mas achei estranho levar pepino.

— Sim, é um cara ótimo.

— Então, não foi embaraçoso.

— Não. — Dinah olhou para mim. — Não, Jauregui, não foi nada embaraçoso.

Depois que Alfredo Flores parou para conversar, outras pessoas se sentiram à vontade para cumprimentar Dinah. Algumas mantiveram certa distância, como se assim não precisassem lidar com o dilema do aperto de mãos; alguns homens puxaram um pouco a calça para se agachar quase aos pés dela. Fiquei ao lado de Dinah e falei pouco.

Percebi que ela se empertigou um pouco quando dois homens se aproximaram. Um deles, grande e gordo, com um charuto, parecia não saber o que dizer quando de fato ficou diante de Dinah, e acabou perguntando:

— Belo casamento, não achou? A noiva estava maravilhosa. — Imagino que ele desconhecesse o histórico amoroso de Zendaya.

O outro homem, que parecia ser um velho rival de Dinah nos negócios, foi mais diplomático, mas havia algo no seu olhar direto e nas suas perguntas objetivas sobre seu estado de saúde que deixaram Dinah tensa. Pareciam dois cachorros se rodeando, avaliando se partiam para cima ou não.

— Ele é o novo CEO da minha ex-empresa — disse Dinah, quando o homem finalmente se despediu com um aceno. — Acho que só quis confirmar que eu não pretendo recuperar meu cargo.

O sol ficou forte, o jardim se transformou numa fonte de perfume, as pessoas se protegiam à sombra das árvores. Levei Dinah para a entrada da tenda, preocupada com sua temperatura corporal. Lá dentro, enormes ventiladores foram ligados, zunindo lentamente acima de nós. Ao longe, sob um abrigo, um quarteto se apresentava com instrumentos de cordas. Parecia uma cena de filme.

Zendaya flutuava pelo jardim, uma visão etérea, mandando beijos e dando gritinhos, mas não se aproximou de nós.

Observei Dinah tomar dois coquetéis, o que, no fundo, me deixou feliz.



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