História Once In A Lifetime. - Capítulo 2


Escrita por: ~ e ~Vickssea

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Jungkook
Tags Bunnykook, Jikook, Jimin, Jungkook, Kookmin, Vickssea
Exibições 265
Palavras 15.382
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Bunnykook: Uh, demoramos um pouco com esse capítulo né? Precisamos nos desculpar por isso, mas é que OIAL é mais complexo de fazer, e provavelmente vamos levar um tempo até postar a última parte também. E, mais uma vez, eu sei que o capítulo é grande, e eu sei que dá uma preguicinha, mas não desiste da gente não, ok? Eu prometo que vale muito a pena, assim como foi com o primeiro, e o feedback de vocês foi incrível, de verdade.

Lembrando que as vidas são divididas por dois X's.

Espero que não se confundam muito, ok? E lembrando que as vidas não seguem uma linha direitinho. Qualquer coisa, perguntem (:

PS: Vejam as notas finais!

//

Vickssea: /botando só a cara na porta/ Olá... Hehehe. Finalmente viemos att oial e wow, obrigada pelos 130 favoritos mesmo com os capítulos enormes, gente, vocês são demais e muito obrigada pelo carinho com essa fic... Trágica hauahaua.

Gente, deixar bem claro que o último capítulo nem tá pronto ainda (apesar de já sabermos o que vai rolar) e ESTE capítulo é o mais pesado da fanfic até agora. Sem sombra de dúvidas. Então se você não aguenta angst pesado, se afeta demais emocionalmente ou algo assim, arque com as consequências de se arriscar a ler, pq nem eu e a rebeca aguentamos (Pois é, até a gente chorou escrevendo, hauahaus)

Ainda sim, o capítulo tá enoooorme e espero que gostem das novas vidas apresentadas do jikookinho lindo e trágico. Vão ter várias fotos de referência lá nas notas finais, e se tiverem dúvida, a gente esclarece nos comentários, ok?

Beijo no coração de todas e um abraço também. Fiquem vivas. Hauahsuahsj

Capítulo 2 - Infortunium.


Fanfic / Fanfiction Once In A Lifetime. - Capítulo 2 - Infortunium.

 

04 de setembro de 2101 - Início do século 22, Tokyo, 21h:36min

Jimin saiu do seu quarto depois de pronto para o show, desativando o sistema que o vestia para si,  e sorriu contente com seu look. Seu cabelo estava levemente alaranjado e pra cima, já que podia mudar para a cor que quisesse, uma jaqueta jeans, calças de uma cor marrom puxado para rosa e na sua jaqueta havia alguns bottons, que eram acessórios de antigamente, e estrelinhas coladas em seu rosto que estava brilhoso para completar a maquiagem. Estava pronto para o show de The Killers aquela noite.

Tudo bem que seria apenas uma projeção e o cantor principal era apenas o tataraneto do cantor principal, mas... Valeria a pena assim mesmo.

Saiu do quarto, cruzando o olhar com sua mãe que sorriu, balançando negativamente a cabeça e correu até seu pai.

—Pai, eu preciso do carro! Me empresta, só hoje! Não quero ter que ir no meu e ter que ir por via terrestre, eu vou demorar mais pra chegar... —Suplicou e seu pai deu um sorriso divertido, lhe jogando o cartão de seu carro voador, já que confiava no filho (e no seu carro também). Jimin murmurou um "Yes", ouvindo o pai dizer que em breve ele ganharia seu próprio carro voador, só estava esperando ele passar na faculdade.

Jimin revirou os olhos. Pleno século 22 e seus pais ainda se preocupavam se ia passar ou não. Claro que passaria. Ninguém era mais impedido de ter um estudo superior naqueles tempos.

Entrou no carro que flutuava, colocando o cartão de identificação e ativou o comando de voz.

—Boa noite, Sr. Park. —Disse o carro de nome VolWin e Jimin riu, pois só tinha 19 anos para ser chamado de senhor.

—Ligue o sistema de música, VolWin, quero esquentar durante o caminho.

—Sim, senhor.

Oh, the sun is rising...

I'm holding a map that goes to you

Plotting the coordinates and make the route

It does not matter, because the silver compass needle

It will point to you.

The sky that resembles you is beautiful... —Jimin acelerou ao som de Lucky One do Exo, uma banda futurista do momento e que estava fazendo muito sucesso.

Seu carro voava entre as nuvens, e desviava facilmente dos outros no céu, já que o carro era completamente automático. Jimin adorava aquela sensação de estar no alto e ainda aproveitar a vista que era ver a cidade a noite lá de cima... Sentia o peito quente com aquilo.

Sorriu quando a música chegou ao refrão e começou a cantar junto, logo chegaria ao local do grande show.  

//                      

Jeongguk cresceu ouvindo as músicas e aprendendo todas as culturas que seus pais o ensinava. Dito isso, era completamente obcecado por The Killers, e aquela seria a primeira vez que teria a oportunidade de ver um show. Seus pais haviam lhes dado aquilo como presente de aniversário e o garoto estava indo à loucura.

Vestiu uma calça preta, que às vezes brilhava um cinza e uma blusa branca, com um desenho de um gatinho de óculos que se mexia como se estivesse tocando um teclado. Calçou seus tênis que piscavam luzes brancas e se despediu dos pais.

—Tente não voltar muito tarde.— Seu pai falou firme, segurando em seu braço. —Você sabe como estão as coisas na rua ultimamente. Os engraçadinhos estão tirando carteira mais rápido agora e só os profissionais ficam no ar, então..

—Relaxa, pai. Qualquer coisa eu durmo na casa do Tae, sim? Eu aviso vocês.— Sorriu, abraçando o mais velho, e dando um beijo no rosto da mãe. —Eu amo vocês!— Gritou ao sair.

Pegou uma carona com Taehyung, seu amigo, que estava tão ansioso quanto si, para irem logo ao show, e não demoraram a chegar no local, que estava lotado.

—Finalmente, Tae!— Jeon gritou feliz, abraçando o amigo, que ria, e pulava junto ao mais novo.

Depois de entrarem na arena, esperaram mais alguns minutos até o show começar e quando as primeiras luzes brilharam, indicando o começo, Jeongguk assobiou ao ver o tataraneto de Brandon Flowers ali. Jeongguk não conseguia ficar parado. Se mexia o tempo todo, pulando, dançando e gritando todas as músicas, com um copo de bebida na mão.

Em algum momento as primeiras notas de sua música preferida começaram a tocar, e por alguns segundos tudo pareceu girar à sua volta. Um sorriso nostálgico passou por seus lábios, e fechou os olhos, sibilando as letras que eram cantadas, enquanto tinha uma das mãos para cima, tentando sentir a música.

Once in a lifetime

The suffering of fools

To find our way home

To break in these bones

Once in a lifetime

Once in a lifetime

                 Jimin estava extasiado. Já tinha encontrado com os amigos e eles gritaram ao se abraçar, rindo da ocasião. Sempre gostavam de sair juntos. Pegou uma bebida da mão de Hoseok e fez uma cara de nojo ao ver Jin e Namjoon trocando um beijo deveras meloso, batendo seu drink com Suga. Até agora, o show estava demais.

De repente, tudo parou para si. Olhou para o lado e havia um garoto ali perto junto à outro, com feições belas e olhando admirado para o cantor. Jimin não conseguia ouvir mais a música, nem as pessoas ao seu redor. Só o seu coração acelerado demais.

Esticou a mão e segurou o pulso do mesmo, o olhando com os olhos brilhantes e sorrindo largo. —Eu conheço você! —Disse sorridente para o outro, sentindo seu estômago retorcer ao ver o menor encará-lo.                        

Draw me a life line

Cause honey I got nothing to lose

Once in a lifetime

Jeongguk se sentiu um pouco irritado ao ter sua atenção retirada do show, mas ao ver o garoto todo sorridente, e provavelmente bêbado, que havia falado consigo, não conseguiu sentir raiva, e apenas riu. Puxou seu braço para longe do contato do outro e deu de ombros.

—Me viu em algum sonho?— Gritou por cima da música, não levando o ruivo a sério.                        

De repente, um puf foi ouvido e uma fumaça rosa começou a sair de forma elegante da pulseira de identificação do garoto e Jimin arregalou os olhos com aquilo, o encarando.

—Viu? Eu sabia! Eu senti! —Exclamou, segurando o outro pelos ombros e o chacoalhando um pouco. —Estamos predestinados pelo destino. O sistema já acusou! —Disse sentindo a fumaça ainda os envolverem. Estavam tão aprofundados naquilo que não notavam as pessoas ao seu redor, e estas, não os notavam também.                    

O garoto mais novo se sentiu um pouco tonto com aquilo, olhando fixamente para a fumaça rosa, e sentindo a cabeça doer. Encarou o garoto a sua frente com uma expressão estranha, distante, como se tentasse decifrar uma expressão numérica em seu rosto.

—Desculpa, eu...— Engoliu seco, antes de sair correndo no meio da multidão, empurrando alguns, sem se importar. Só tinha que sair dali.                        

—Espera! —Jimin gritou, indo atrás do outro, sem saber porque seu predestinado corria de si. Seu coração batia forte e mesmo que Jeon se perdesse no meio daquelas pessoas, agora poderia facilmente detectá-lo.                        

Jeongguk corria o máximo que podia, apesar de seu peito doer. Algo dentro de si o puxava de volta para aquele garoto que ainda o perseguia, mas, Jeon não queria voltar. Não podia. Seu instinto lhe dizia para não parar, nem se suas pernas enfraqueceram.

—Para de correr atrás de mim!— Gritou impaciente para o outro.                        

—Pare de correr de mim! —Jimin pediu com um sorrisão, mas começava a ficar chateado com aquilo. —Eu não quero te machucar! Só converse comigo. —Disse alcançando o outro e segurando seu pulso, ofegante e pararam no meio daquela rua deserta. Já era madrugada, afinal e ninguém ficava aquela hora na rua.                        

Jeon bufou com aquilo, encarando o outro com uma certa indignação. Havia saído do show por sua causa, havia perdido a noite inteira por causa daquele garoto.

—O que você quer, hein? Eu nunca te vi na vida.                        

—N-nem eu, mas... Você não sente isso? —Murmurou, segurando a mão do outro e sentindo como se seu coração fosse explodir do peito, além das bochechas quentes e o corpo trêmulo. —Eu sinto como... Se fosse seu. —Murmurou extasiado e bem perto do outro.

Jeongguk suspirou, olhando sua mão na de Jimin, e era quase como se se encaixassem perfeitamente. E aquilo fez um tremor passar por seu corpo.

—Me desculpa...— Sussurrou, puxando sua mão e voltando a caminhar para longe dali.                        

—Não! Espera! Eu não p-posso te perder de vista, nós não podemos! O que você está fazendo? —Jimin gritava para o garoto que tinha retornado a correr, confuso com aquilo. Não entendia a reação do outro, geralmente quando duas almas gêmeas se encontravam, era motivo de festa e permaneciam juntos pra sempre... Tinha sido daquela forma com seus pais. Então por que aquele garoto estava fugindo de si?

Em algum momento Jimin parou no meio da calçada, ofegante e com as mãos nos joelhos e ouviu um piar estridente. Olhou para o céu e ficou hipnotizado por um tempo com a beleza do rouxinol que tinha ali.

E logo depois um barulho estrondoso foi ouvido.                        

Jeongguk se encontrava estirado no chão. Os olhos semicerrados, com pequenas lágrimas em seus cantos, e a garganta seca. Não havia visto o carro chegando, era silencioso demais. E estava muito distraído tentando ficar o mais longe possível daquele homem. Nem ao menos sabia o porque, mas desde que era uma criança tinha sonhos com esse dia e foi exatamente igual. O show, a abordagem, a perseguição. A morte. Já não sentia mais nada em seu corpo, e apenas conseguiu virar a cabeça para o lado, vomitando sangue pela sua boca.                        

Jimin tinha os olhos vidrados olhando para aquilo. Suas mãos tremiam e o piar do rouxinol soou mais uma vez, quase vitorioso, enquanto o mesmo voava para longe.

—AAAAAAAAHHH! —O ruivo gritou alto, impactado com a cena de seu amado se contorcendo no chão e sentindo uma dor excruciante no peito.

Correu, se agachando ao lado do outro e soluçando enquanto as lágrimas escorriam. Apertou a mão do outro, que já estava desfalecido. —Não me deixe... —Murmurou quase sem voz e depois de um tempo, sua mão trêmula levantou, fechando os olhos do amado.   

✖✖                                  

16 de junho de 2036, Sul da França, 19h:40min

Jeongguk detestava Cassoulet. Porém, ironicamente, era um dos pratos preferidos de Jimin, e queria muito agradar o marido aquela noite. Os macarons já estavam no forno e Noah, a criança que haviam adotado há uns três anos, já estava agarrado à sua perna, perguntando quando ficariam prontos. O pequeno só tinha cinco anos, mas já era tão esperto.

—Daqui a pouco.— Jeon murmurou. —Mas não vamos comê-los já. Temos que esperar o appa, sim? Vamos jantar, e depois vem a sobremesa.

O menino grunhiu baixinho, mas assentiu, e correu para brincar na sala. Jeongguk balançou a cabeça negativamente, com um sorriso no rosto. Mal via a hora de Jimin chegar em casa.                        

Jimin estava animado ao voltar pra casa, pensando em como tudo estava dando certo em sua vida a partir dali. Os negócios iam cada vez melhor, e ainda tinha seu marido, o amor de sua vida, o esperando em casa com o filho deles.

Não podia estar mais feliz e nem sabia do porquê daquela sensação de alívio. Pulou do carro, passando a mão pelos cabelos loiros e já sentindo o cheiro dos macarons de Jeongguk pela janela, o fazendo sorrir.

Abriu a porta num rompante, sorrindo.

—Cheguei, família! E tenho boas notícias!                        

Jeongguk havia acabado de terminar o jantar, e sorriu abertamente ao ouvir a voz de Jimin, correndo até o marido e o abraçando forte, antes de depositar uma mordida em sua bochecha gordinha.

—Boa noite, amor.— Murmurou. —Senti saudades.                        

Jimin riu, puxando Jeon para um beijo cálido e dando um beijinho também em sua mandíbula. —Eu também.

Logo Noah veio gritando e se agarrou nas pernas dos dois, fazendo Jimin rir e pegar o menor no colo. —O que o pestinha tá aprontando hein?

—Eu quelo macaron! —Disse o bebê levantando os bracinhos.                        

Jeongguk revirou os olhos com aquilo, mas soltou uma risada e balançou a cabeça.

—Eu disse que só depois do jantar, lembra? Não pense que o appa tem alguma coisa a dizer sobre isso.                        

—Ah amor, mas um só não faz mal. —Disse rindo e correndo com o bebê até a cozinha, de dava gritinhos e batia palmas.

Jeongguk seguiu os dois garotos até a cozinha e bufou.

—Já disse que não, não adianta.— Murmurou, pegando os pratos e arrumando a mesa. —Vamos jantar e depois, se o Noah comer tudo, nós comemos os macarons.                        

Noah fez um bico, olhando para o pai e Jimin franziu o cenho. Logo o bebê começou a chorar alto e Jimin suspirou, o balançando e olhando para Jeongguk de forma estreita.                        

Jeon suspirou, balançando a cabeça.

—Você não pode mimar ele toda vez que ele quiser algo.— Falou incrédulo. —Ele é uma criança, ele precisa aprender. Ele fez a maior pirraça hoje na hora do almoço e eu tive que deixar ele comer biscoito, senão ele estaria com fome até agora.                        

Jimin não disse nada, segurando o bebê contra si e o balançando, indo até a varanda enquanto Jeon terminava de colocar a mesa.

—Bebê, você precisa ser bonzinho com a mommy, certo? Senão ela vai ficar chateada.. —Disse e lentamente o choro de Noah diminuía.

—Mas eu só queria um...

—Eu sei. Tá vendo aquela estrelinha ali? Ela fica triste com filhos que desobedecem os pais. Você não quer a estrela triste, né?

—Não! —Disse Noah assustado e olhando para cima.

—Então se você comer tudo, você vai ganhar macarons, certo? Vai obedecer o papai e a mamãe, e então a estrelinha vai ficar feliz.

O menino balançou a cabeça, atento e se remexeu para ser colocado no chão.

Jimin suspirou, cruzando os braços e sorriu ao ouvir Noah dizer "Mommy! Eu preciso comer tudo pra estlelinha não ficar titi!"

Jeongguk ajeitou Noah em sua cadeirinha, colocando o prato do menino e o ajudando a comer, já que o pequeno sempre fazia uma bagunça.                      

Jimin olhava aquilo entre os risos, Jeon tinha que acumular muita paciência pra aguentar papinha voando em sua cara. Limpou o rosto do marido e continuou a atacar seu amado cassoulet.                        

Não demoraram a acabar a janta e só então Jeongguk deixou que atacassem seus macarons.

—Viu? Agora está alimentadinho e não doeu esperar.— Falou para o filho.

—Vou comer seus macarons, mommy!— Noah falou rindo, roubando um macaron do prato de Jeongguk, que fingiu estar chocado com aquilo, roubando um do prato do pequeno também.                        

Jimin balançou negativamente a cabeça com aquilo. —Bom, eu trouxe boas notícias, mas já que ninguém quis ouvir, eu vou para Versalhes sozinho. —Disse fingindo um tom indiferente, cruzando os braços e virando o rosto.                        

Jeongguk arregalou os olhos, se virando para o marido.

—O que?! Versalhes?— Perguntou confuso. —Do que você está falando?                        

—Aquele passeio que você tanto queria fazer. —Disse aos risos e tirou as passagens dos bolsos, brincando com as mesmas entre os dedos. —Mas acho que vou sozinho... —Disse pensativo e puxando a mão antes de Jeon alcançá-la.                        

O mais novo cerrou os olhos para Park, balançando a cabeça incrédulo.

—Você não faria isso.— Murmurou, mordendo o lábio. —Faria?                        

Jimin sorriu, aproximando a boca e selando o menor. —Não, porque eu tenho o marido mais lindo desse mundo. —Disse rindo e aprofundando o beijo.                        

Jeongguk riu entre o beijo, mordendo o lábio do marido e puxando levemente, até ouvirem uma tossidinha baixa, e então se separaram, olhando para Noah, que os encarava com uma expressão nojenta no rosto.

—Ew.— O pequeno falou simplista, fazendo Jeongguk rir.                        

//

Logo era a hora de dormir e Jimin tinha dado um pouco de descanso a Jeongguk, dizendo que colocaria Noah para dormir. Depois de várias histórias e uma promessa de um boneco novo, o menor finalmente adormeceu, fazendo Jimin rir, beijar sua testa e sair para seu quarto com o marido.

—Nosso filho tá cada dia mais esperto. Não quer fazer nada se não tiver algo em troca. —Disse enquanto entrava no quarto e se espreguiçando.                        

Jeon acabava de passar creme no corpo depois de seu banho e balançou a cabeça, se sentando na cama.

—Você sabe o que é isso, não é? Seus mimos de sempre chegar em casa com um presente.— Murmurou e passou a mão pela cabeça, se sentindo um pouco tonto.                        

—Olha quem fala. Quando a gente casou, você mobiliou o quarto dele duas vezes! —Disse aos risos e se jogando ao lado do menor. —Lembra quando a gente chegou aqui? Resolvemos inaugurar a casa e foder em todos os cômodos... —Disse Jimin rindo.                        

Jeongguk revirou os olhos, sorrindo de lado e subindo por cima do mais velho, espalmando as mãos em seu peitoral.

—Ah é, você quase não aguentou a pressão.— Falou rindo.                        

Jimin franziu o cenho para o outro, resolvendo entrar na brincadeira. —Ah é, e você acha que eu sou novinho como você? E Deus, não me lembre de quantas horas seus pais nos perturbaram quando descobriram nosso namoro. —Disse envolvendo as mãos na bunda de Jeon, que estava encaixado em seu colo.                        

O mais novo deu de ombros, roçando levemente contra o outro. —Eu sempre te elogiei na frente deles. Acho que eles sabiam que uma hora ou outra ia rolar.— Mordeu o lábio, se inclinando para selar Jimin. —Eu te amo.— Sussurrou contra sua boca.                        

—É, isso não impediu dos seus pais caírem em cima dos meus e eu ouvir horrores. Quer dizer, a diferença nem é tão grande! —Disse Jimin rindo, mas sabendo muito bem que era. Ele tinha 24 anos quando Jeongguk tinha 18.—Eu nem acreditei quando te vi de novo ao chegar na frança... Estava tão diferente. —Murmurou, alisando a face do outro.                        

Jeongguk sorriu, segurando a mão de Jimin e beijando, antes de mordê-la levemente. —E você estava tão sexy.— Murmurou. —Eu me apaixonei de novo.— Sorriu.                        

—Ficamos um ano longe. —Murmurou, abraçando Jeon contra seu corpo mais uma vez. —E mesmo assim quando eu voltei, você estava esperando por mim. —Disse aos risinhos e cutucando o outro.                        

—Eu sempre vou esperar por você.— Jeongguk sorriu nostálgico, mexendo na franja de Jimin, e beijando sua testa. —Em qualquer vida, eu vou te achar e vou te amar.— Murmurou, encarando o mais velho por alguns segundos.                        

—Eu sei, porque me sinto da mesma forma. —Murmurou colando o rosto com o do outro e o selando levemente. —Vamos dormir? Já temos que fazer os preparativos da viagem amanhã.                        

Jeon assentiu, se deitando ao lado do marido e o abraçando como um ursinho, logo adormecendo com o mais velho.

//

Jeongguk acordou primeiro no dia seguinte, se sentou na cama para se espreguiçar, e acabou ficando alguns minutos ali, se sentia um pouco tonto e sua cabeça doía. Talvez precisasse usar mais seu óculos.

Se levantou e foi até o quarto de Noah, lhe dando um beijinho e pegando algumas roupinhas do pequeno no guarda-roupa, junto com uma malinha levando para o quarto, onde começou a arrumar as coisas do filho. Depois pegou uma mala maior, arrumando suas coisas e as de Jimin.                        

Jimin acordou bem disposto no outro dia, dando um beijo no rosto do mais novo e indo para o banheiro. Era sábado e estava animado para viagem e Versalhes era um pouco longe, mas iam de trem.

Enquanto Jeon terminava de  arrumar as malas, se dirigiu para o quarto de Noah, que estava acordando.                        

Assim que Jeongguk acabou de arrumar tudo, resolveu dar uma olhada em seus meninos e encontrou Jimin sentado na poltrona do quarto do pequeno, com o mesmo no colo, ainda sonolento. Sorriu com aquilo, andando até eles e se agachando, passando a mão no rosto de Noah e beijando sua bochecha.

—Bom dia, tigrinho.                        

—E aí, vamos tomar banho, seu sujinho? — Jimin disse sorrindo e mexendo no menor que dava uns grunhidos. —Terminou lá, amor? —Perguntou, voltando o olhar para Jeon.                     

Jeongguk assentiu, estava usando seus óculos e se sentia ridículo com eles, mas sua cabeça realmente doía.

—Já está tudo pronto.— Sorriu, pegando Noah no colo para banhá-lo. —Ah, e nada de trabalho esse tempo que vamos passar fora, está ouvindo, Park Jimin?                        

Jimin revirou os olhos, beijando o menor e assentiu. —Vou verificar as malas e colocar no carro. Aliás, você fica uma gracinha de óculos. —Elogiou o marido, apertando sua bunda enquanto o mesmo saía dali.                        

Jeon balançou a cabeça negativamente, indo para o banheiro com Noah. O garoto fez uma festa na banheira, deixando Jeongguk completamente molhado, mas logo havia acabado. Vestiu uma blusa amarela no pequeno, com um macacãozinho.

—Ai, que coisa mais fofa.— Murmurou, dando mordidinhas na bochecha e pescoço do filho, fazendo o pequeno rir. —Vai atrás do seu appa, eu vou tomar banho.                        

Jimin tinha acabado de colocar as malas no carro quando Noah apareceu com um macacão fofo e se agarrando em suas pernas.

—Appa, vamos brincar! —Jimin riu, pegando o bebê no colo e o colocando no quadrado.

—Fica assistindo desenho um pouco, filho, já já o appa vem brincar com você, tá? —Disse beijando o menor e lhe dando biscoitos e suco.                     

Jeon havia se despido para tomar o banho, mas precisou se apoiar na pia do banheiro, pois sua cabeça não parava de rodar. Tentou piscar algumas vezes, passando a mão pelo rosto, mas de nada adiantava e só se sentiu escorregar para o chão.                        

Jimin tinha subido para o banheiro planejando tomar banho junto com Jeongguk, quando viu o menor cedendo e quase indo ao chão, mas conseguiu segurá-lo antes.

—Amor?!—Perguntou alarmado, reavendo Jeongguk passando a mão pelas suas costas e testa. —Tá tudo bem?                        

Jeongguk queria agradecer Jimin por não deixá-lo cair, mas ainda se sentia um pouco estranho. Apenas suspirou, assentindo e se agarrando mais ao mais velho. Depois de alguns segundos sentiu a tontura passar e sua visão voltar ao normal.

—Me desculpe, acho que é muito tempo sem usar o óculos.— Murmurou.                        

—Aish, não me assuste desse jeito! —Reclamou, ainda segurando o menor contra si. —Está sentindo dor? —Perguntou beijando a têmpora do menor várias vezes.                        

Jeongguk negou, embora sua cabeça doesse.

—Eu estou bem, foi só uma tontura, eu prometo.— Sorriu de canto. —Vamos tomar banho logo, não gosto de deixar o Noah sozinho por muito tempo.                        

Jimin suspirou, um pouco preocupado e ainda apertando Jeon contra si, entraram no banheiro juntos. Fazia carinhos na cabeça do menor, enquanto beijava seu rosto.                        

Jeongguk ria com os carinhos do marido, o abraçando e mordendo seu queixo.

—Ei, não fica preocupado, está tudo bem.— Sorriu.

Logo terminaram o banho, e Jeon vestiu uma calça skinny preta e uma blusa branca. Pegou seus óculos e colocou também, não queria que o episódio do banheiro se repetisse.                        

Logo saíram dali com Noah cantando alguma música de criança, animado e batendo palminhas. Não demoraram a chegar a estação e Jimin estacionou o carro, segurando Jeon pela cintura enquanto este tinha Noah no colo.                        

Não tiveram que esperar muito para embarcar e Jeon ajeitou Noah na cadeira ali do lado, vendo que o mesmo estava um pouco incomodado.

—O que foi? Está com fome? Quer ir no banheiro?

—Ughhh, tira...— Noah murmurou inquieto, balançando as pernas e Jeon suspirou, tirando os sapatos do filho.

—Você é mimado igual o seu pai.                        

Logo a criança começou a correr pelos vagões e Jimin encarou aquilo preocupado, mas suspirou, sabendo que havia gente de olho. —Se sente melhor?                        

Jeon assentiu, ainda que se sentisse um pouco cansado e segurou a mão do marido.

—Me desculpe pelo susto, mas vamos esquecer aquilo, sim? Vamos só nos divertir.— Sorriu.                        

 

Não demoraram a chegar à estação de Versalhes e passaram um pouco de constrangimento ao ter Noah chorando para não ter que sair do trem e a outra para não calçar os sapatos, mas quando Jimin endureceu a voz com o menor, este ficou quieto.

Eram nove horas, mas o ar da frança estava frio e começaram a andar pelas ruas agitadas. Jimin colocou o cachecol grande de Jeongguk em torno do pescocinho de Noah, que ria tentando esquentar as mãos e deu um beijo no rosto do marido. —Eu amo você.                        

Jeon sorriu, esfregando o nariz no de Jimin levemente.

—Também amo você.— Sussurrou e Noah começou a passar as mãos nos rostos dos pais, como se quisesse carinho também,  Jeon riu, dando um beijo na bochecha rosadinha do filho.

—E a gente ama você, bebê.                        

Tomaram café em alguma delicatessen ali do caminho e Jimin riu ao ver Noah comendo uma baguete e parecendo achar gostoso.                        

Depois resolveram ir para o hotel e Jimin havia reservado o maior quarto, que tinha uma vista linda da varanda. Noah estava dormindo no ombro de Park e Jeon sorriu com a cena, tirando uma foto daquilo.

—Então, já fez nossa programação pra essa viagem?                        

—Hmmm, na verdade, sim. Visitar os museus de Versalhes, almoçar em algum restaurante refinado... —Disse colocando Noah na cama e logo depois abraçando sua cintura, aspirando seu cheiro.                        

Jeon assentiu, respirando fundo. Sua dor de cabeça ainda não havia passado, e esfregou os olhos com as palmas das mãos.

—Vamos ficar por quanto tempo?                        

—Iremos embora amanhã de manhã. Temos uma programação especial para mais tarde... —Disse sorrindo e beijando o pescoço do menor. —Quer descansar um pouco?                        

Jeon assentiu, se sentia extremamente cansado e os olhos pesados, então se ajeitou na cama, se encolhendo um pouco. —Vai dormir comigo?                        

—Eu não estou com sono, mas vou ficar aqui olhando você. —Disse afagando as costas do outro e a de Noah também.                        

O mais novo assentiu novamente, não demorando muito a pegar no sono, sendo embalado pelo doce cheiro de Jimin em volta de si.                        

Acordaram por volta da hora do almoço e Noah pulava em suas costas, então acabaram acordando Jeon também, assim logo se arrumaram para ir ao museu e almoçar fora.                        

Jeon já se sentia um pouco melhor, mas sua cabeça ainda latejava um pouco, então mais uma vez colocou seus óculos. Noah andava no meio dos dois, de mãos dadas, enquanto viam tudo com olhos maravilhados.                        

Logo chegaram a um dos museus de Versalhes e tiraram várias fotos, inclusive uma de Jimin beijando Jeongguk e Noah querendo braço no momento.

Foram almoçar em um bisquê ali perto, onde a comida parecia bastante refinada. Jimin percebia Jeongguk um pouco pálido, então apertou sua mão. —Tá tudo bem, amor? Tem muita gente? —Perguntou, mesmo que o ar estivesse refrescante.                        

Jeon apenas balançou a cabeça, sorrindo de canto.

—Está tudo bem, amor.— Murmurou. —Acho que eu só não dormi o bastante.— Riu baixinho.                        

Jimin assentiu e logo pediu bisquê de lagosta, que parecia ser a especialidade da casa, mas pediu algo mais mastigável para Noah, que era um crepe de frango. Conversava sobre a comida com Jeongguk enquanto postavam as fotos em redes sociais.                        

Jeon riu de algo que chegou em seu celular e mostrou para o marido.

—Tae e Hobi estão magoados que não os convidamos.— Mostrou a mensagem.                        

—Eles sempre são chorões demais. Estavam lá em casa semana passada... Diga que vamos passar um tempo na nossa casa de veraneio e eles podem ir conosco. —Disse alimentado Noah.                        

O mais novo assentiu, havia gravado como áudio as palavras de Jimin e mandou para os amigos, antes de voltar a comer.

—Está gostando do passeio, meu amor?— Perguntou ao pequeno, que apenas assentiu animadamente.                        

Tiraram algumas fotos no restaurante também e acabou que a comida era muito boa. Por Noah ter comido tudo, acabou comprando algodão doce pra ele, enquanto andavam pelas ruas da cidade.                        

—E o papai mimo ataca novamente.— Jeongguk brincou.

—Quando vamos na Disney?— Noah perguntou de repente, e Jeon franziu o cenho.

—O papai prometeu ir na disney?— Jeongguk falou, e o pequeno assentiu.                        

—Eu ia falar com você sobre isso. —Disse Jimin com um pigarro ao ver o olhar de Jeongguk estreito sobre si.                        

Jeon balançou a cabeça. —Certo.— Falou, pegando o filho no colo e o ajeitando em sua cintura, andando na frente. —Bem, se eu não ganhar minha foto com o pateta vou ficar muito bravo.— Murmurou simplista, e ouviu Noah rir.                        

Já estava entardecendo, então voltaram ao hotel e Jimin via a cara confusa de Jeon achando que o passeio havia terminado.

Logo a babá temporária que havia contratado apareceu, e passou poucas instruções para a mesma, mas é claro, deixou alguém do hotel também de olho em ambos. Não confiaria seu filho aos outros facilmente.

—Se arrume bem bonito. —Disse batendo na bunda de Jeon.                        

Jeon sorriu de lado com aquilo e assentiu, colocando as melhores roupas que havia levado. Se sentia meio envergonhado, Jimin disse que o esperaria no saguão do hotel, então desceu as escadas lentamente, procurando pelo marido.                        

Jimin sorriu, ajeitando o fraque que vestia e olhando maravilhado para o outro. —Parece que é até a primeira vez que te vejo. Como uma pessoa consegue se apaixonar por outra tantas vezes? —Perguntou segurando o menor pela cintura e colando a testa com a sua.

O mais novo riu baixinho, segurando o rosto de Jimin e beijando seu nariz levemente. —Seu bobo.— Murmurou. —É exatamente o que eu penso quando olho pra você todos os dias.                        

Jimin riu, selando o menor levemente e começaram a sair dali. Logo chegaram ao "caminho das luzes" que era um evento das ruas de Versalhes onde as ruas tinham caminhos iluminados no céu, com balões japoneses segurando as mesmas ali, seguindo a tradição.

Jimin sorriu, beijando a bochecha de Jeon e apontando pra cima.                        

Jeongguk observava tudo de forma maravilhada, e o sorriso nunca deixava seu rosto. —É tudo tão lindo, Chim...— Falou de forma emocionada.                        

—Parece que estão nos iluminando, não é? Dizendo "Park Jeongguk e Park Jimin foram feitos para serem e vão ser felizes para sempre". —Disse rindo e apontando para as estrelas, que também estavam altas no céu.

Havia bastante gente ali no evento e começava a encher cada vez mais.                        

O mais novo riu baixinho com aquilo, assentindo e se mantendo o mais perto possível de Jimin. —Quero passar o resto da minha vida com você.— Murmurou. —Essa, e mais qualquer uma que vier.                        

Foram até o final da estrada andando e trocando carinhos, logo chegando ao restaurante que Jimin havia reservado, talvez o mais famoso de Versalhes. Era de comida italiana, então Jeongguk certamente gostaria.                        

Comiam e conversavam alegremente, falando sobre tudo um pouco, e Jeon se lembrava da primeira vez que se viram.

—Você era tão fofo com aquelas bochechas!— O mais novo riu.                        

—Eu tinha 12 anos, amor! Você que vivia correndo atrás de mim nas festas... —Jimin riu e balançou negativamente a cabeça. —Eu acompanhei seu crescimento quase todo, não me surpreende seus pais enfartarem quando você chegou namorando o "Tio Jimin". —Disse risonho.                        

Jeongguk gargalhou com aquilo, balançando a cabeça. —Eu queria brincar com você, ué.— Deu de ombros. —Eu te achava tão fora do meu alcance, sabe?— Murmurou, mordendo o lábio. —Me achava uma criancinha, enquanto você tinha todos aqueles amigos importantes, e várias meninas na sua cola.                        

— E então, logo você tinha 14 e eu tinha 20.—Disse Jimin rindo baixo, brincando com sua taça. —Eu nem ousaria te olhar de outra forma. Mas quando eu voltei da capital depois de quatro anos e você ainda estava lá... Com aquele mesmo olhar pidão apaixonado. —Disse apertando o nariz do outro. —Eu não conseguiria resistir nem se tentasse.                        

O mais novo sorriu envergonhado com aquilo, tomando um pouco de sua bebida. —Não mente, você só se apaixonou depois do boquete que eu te fiz na festa de inauguração do hotel do meu pai.— Jeongguk brincou.                        

Jimin riu alto com a lembrança, jogando a cabeça para trás. —Eu já estava apaixonado muito antes daquilo, pestinha. —Disse bagunçando os cabelos do outro. —Deveríamos ligar pra babá? O Noah já deve estar na cama essa hora... —Disse olhando para o relógio, preocupado.                        

Jeon assentiu, coçando a testa. —Acho que nunca deixamos ele sozinho assim por tanto tempo, né?— Riu nervoso, suspirando.

—Sim. Vamos voltar? —Disse já levantando a mão para pedir a conta.—O que achou do passeio?                        

Jeon acabou levando alguns doces para Noah também, e sorriu com a pergunta do marido.

—Perfeito. Eu amo passar um tempo sozinho com você, assim, livre de problemas.— Murmurou.                        

—Está tudo bem na cafeteria? —Perguntou, sabendo do negócio que o marido administrava.                        

Jeongguk assentiu, deixando de fora as tonturas constantes que vinha sentindo. —Está sim, você sabe, é sempre muito movimentado.— Sorriu.                        

Jimin assentiu e logo chegaram ao hotel. —Se você quiser eu peço outro quatro pra gente... —Murmurou, mordiscando a nuca do menor, já que o abraçava por trás enquanto subiam no elevador.                        

O mais novo ria baixinho, e mordeu o lábio. —Ah, pede, é?— Murmurou. —E o que exatamente você pretende fazer nesse quarto?

—Uma coisinha... Ou outra. —Disse rindo baixo e colocando a mão por dentro da barriga do outro, alisando no meio da mesma.

—Certo, estou curioso para saber mais sobre essas coisas.— Sussurrou no ouvido de Jimin, alisando sua nuca e lhe puxando para um beijo quente.                        

Jimin riu, e quando encostou mais em Jeon, percebeu algo. —Amor, você está muito quente... —Murmurou, sentindo a temperatura do outro.                        

Jeon franziu o cenho, dando de ombros e checando a própria temperatura.

—Uh, eu estou bem.                        

—Não tá não... —Disse preocupado e viu a respiração do outro um pouco falha. —Vem, eu vou pedir uns remédios, mas depois você vai descansar...                        

—Amor, para...— Murmurou chateado. —Não vamos deixar isso estragar a noite, vai...                        

—Jeongguk, você tá ardendo em febre. Como você não quer que eu perceba isso? Eu só estou preocupado! —Reclamava, enquanto iam para o quarto e Jimin agradeceu a babá, pagando-a e vendo Noah já dormindo.                        

—A gente andou muito, é só isso.— Jeongguk deu de ombros. —Eu não estou com febre, só estou quente.. Por você.— Brincou. 

—É, e sua tontura de hoje mais cedo? —Jimin bufou, colocando a mão na cintura. —Acho que essa viagem foi muito precipitada, você deve ter pegado um resfriado... —Disse abrindo sua mala e pegando alguns remédios.                        

—Desde quando a gente deixa um resfriado acabar com nossa diversão?— Revirou os olhos. —Só vamos deitar, sim?                        

Jimin entregou os remédios ao outro e beijou sua testa. —Eu só quero que você fique bem.                        

Jeon assentiu, acabando por tomar os remédios. —Não se preocupe, é só algo de momento.— Sorriu de lado.                        

—Certo, vamos descansar... —Deitaram juntos com Noah na cama com cuidado para não acordar o pequeno, e Jimin suspirou abraçando Jeon por trás, logo pegando no sono.                        

Acordaram cedo no outro dia, teriam que pegar o primeiro trem e a dor de cabeça de Jeongguk só havia piorado. Precisou, novamente, esperar alguns minutos sentado na cama, enquanto massageava as têmporas, para só então se levantar e ir tomar um banho.

Jimin acordou um tempo depois com as manhas de Noah e ouviu o barulho do chuveiro. Não entendeu porque Jeongguk não havia lhe acordado, mas esperava que o outro estivesse melhor.

—Tá tudo bem, anjo? —Perguntou colocando a cara na porta.                        

Jeongguk deu um sorriso fraco com aquilo, assentindo, e começando a se secar.

—Está sim, eu só queria deixar que vocês dormirem mais.— Explicou.                        

Jimin não disse nada, desconfiando um pouco, mas somente saiu dali e pediu o café no quarto enquanto tirava as roupinhas de Noah, que iria tomar banho.                        

Jeon disse ao marido que fosse tomar banho, já que haviam dois banheiros na suíte, e pegou Noah no colo. Porém, se sentiu um pouco tonto e acabou deixando o garoto na cama novamente, gritando por Jimin.

—Você pode dar banho nele?                        

—Sim, eu já iria fazer isso... O que foi? Jeongguk, você tá me deixando preocupado. —Disse um tanto nervoso e ouvindo Noah chupar o próprio dedo com intensidade.                        

—Nada, eu só.. Preciso do meu óculos.— Murmurou, já pegando o objeto e colocando no rosto. —Uh, eu espero a comida chegar.— Sorriu.                        

—Nós vamos ao médico depois de chegar em casa, não ache que vai me enganar assim. —Disse irritado e indo para o banheiro. Ele e Noah tomaram banho juntos e o café foi tomado em silêncio, Jimin também ajudando Noah a escovar os dentinhos. Logo saíram do hotel e Jimin pagou tudo, indo em direção a estação de trem.                        

Jeongguk se sentia um pouco mal por ter causado aquilo, e acabou ficando quieto enquanto esperavam o trem, coçando um pouco a testa. Noah correu até seu colo em algum momento, e Jeon sorriu, beijando o menino.

—Você está cheio de formiguinha no bumbum né?— Riu, fazendo cócegas na barriga do pequeno, que ria.                        

 

Não demoraram muito a chegar em casa e Jimin perguntava o tempo todo sobre como Jeongguk se sentia. Quando o mesmo finalmente resolveu ser sincero e falar das dores de cabeça constantes, junto as tonturas e tudo mais, chamaram a filha da vizinha que geralmente tomava conta de Noah para eles e resolveram ir ao médico.                        

Logo foram atendidos, e Jeon explicou todos os seus sintomas para o médico, mas fazendo questão de dizer que achava que era apenas uma virose, ou algo assim.                        

O médico examinou Jeongguk, dizendo que passaria alguns exames específicos, já que a dor de cabeça constante não era normal.

Depois dos exames, ficaram um tempo esperando na salinha e finalmente o médico voltou, e Jimin não gostou nada do seu suspiro preocupado.

Tirou o raio-x do envelope, colocando ali e demarcando uma área. —Está vendo isso aqui? —Disse circulando uma parte acesa. —É um nódulo no seu cérebro. Você tem câncer.                        

Jeongguk ficou em choque com aquilo, achando que havia escutado errado e não conseguia esboçar reação nenhuma, apenas olhava para algum ponto fixo da sala, sem dizer nada.                        

Jimin ficou pálido. Parecia que tinha escutado algo errado, o que aquilo significava? —Essa parte é uma área crucial do cérebro, se operássemos, seu marido poderia vir a ter morte cerebral. Então sinto muito, não há o que fazer. Você pode começar a quimioterapia para aliviar as dores, mas... Eu realmente sinto muito. —Murmurou o mesmo e Jimin se encostou na cadeira, chocado e passando as mãos pelo rosto até os cabelos.                        

Jeongguk ainda estava como uma estátua, não sabia o que dizer, e apenas respirou fundo, assentindo, ainda confuso com aquilo tudo.

—Quanto tempo eu tenho?— Engasgou.                        

Jimin apertou a mão do outro com aquilo, seus olhos começando a encher de lágrimas.

—Pelos os exames e da forma que o câncer tá se alastrando... No máximo uns três meses.

—Três meses? —Gritou Jimin alterado, começando a perder a cabeça. —E não há nada que possa se fazer pra estender esse tempo?

—Sim, se ele começar a quimioterapia imediata talvez ganhe um pouco mais de tempo... Mas isto é inevitável, Sr. Park.                        

—Jimin, para, ei, para..,— Jeongguk pediu, segurando o braço do marido, que já tentava argumentar com o médico, e falava cada vez mais alto. —Chega, para com isso.— Murmurou novamente, abraçando o mais velho por trás. —Vamos embora, por favor.                        

—Não! O que você quer que eu faça? Que aceite que você vai morrer daqui há três meses e eu não posso fazer nada? Não posso fazer malditamente nada? Eu quero falar com um especialista, o melhor da área de neurocirurgia. —O médico suspirou resignado.

—Todos eles dirão a mesma coisa, Sr. Park e expor o seu marido a uma cirurgia seria mil vezes mais arriscado...                        

—Jimin, já chega!— Jeongguk gritou, com o rosto vermelho. —Chega! Você não entende? Não tem uma cura, não há nada que a gente possa fazer!— Sua garganta já estava seca, mas as lágrimas não desciam. —Só vamos embora, por favor..                        

Jimin balançou negativamente a cabeça, atordoado, mas se deixou ser puxado pelo outro. —Eu não consigo aceitar isso. Não há como... —Murmurou triste e entre soluços. —V-você precisa ser medicado... —Disse aflito.                        

Jeon nada disse, apenas levou Jimin até o carro, o fazendo entrar no banco passageiro, enquanto o mais novo entrava no do motorista.

—Ei, olha pra mim.— Jeon pediu, segurando o rosto de Park. —Amor, se acalma...                        

—Não dá pra ficar calmo. —Disse abraçando Jeongguk e chorando em seu peito. —Como você quer que eu fique calmo, amor? Você precisa dos medicamentos. —Disse em choque e tentando tirar Jeon de cima de si. —Eu vou buscar.                        

Jeongguk segurou Jimin firme e trancou as portas do carro, logo o ligando.

—Nós vamos pra casa.— Murmurou, e viu Jimin tentando abrir a porta, então segurou seu braço novamente. —Jimin, a gente vai pra casa!— Gritou.                        

—POR QUE VOCÊ ESTÁ TÃO CALMO? —Pela primeira vez na vida, Jimin berrou no rosto do outro. —VOCÊ QUER MORRER, JEONGGUK? QUER ME DEIXAR AQUI SOZINHO COM O NOAH? POR QUE DIABOS VOCÊ NÃO TÁ PROCURANDO UMA MELHORA? QUER CONTINUAR AÍ, DEFINHANDO E ACEITAR ISSO? SEU CABELO CAINDO, DIFICULDADE PRA RESPIRAR E SENTIR DOR? É ISSO QUE VOCÊ QUER? —Gritava desesperado e com raiva.                        

Jeongguk viu vermelho com aquilo. Como Jimin tinha coragem de lhe dizer aquilo?

—Cala a boca, Jimin, só cala a porra da boca!— Gritou de volta. —O que você quer, hein?! Você ouviu o que o médico falou, nós dois ouvimos! Não fale como se eu estivesse achando tudo isso ótimo, Jimin, sou eu quem vou morrer, não você, então não se atreva a falar dessa forma comigo!— Já estava quase sem ar com toda a gritaria e apenas acelerou o carro, sem se importar.                        

Jimin chorou um pouco mais. —Nós não temos que aceitar isso, nós temos que lutar... Vamos atrás de outros médicos, deve haver uma solução... Amor, o Noah só tem 5 anos... —Disse sentindo uma pontada no peito ao pensar naquilo.                        

Jeongguk não o respondeu. Sentia como se fosse explodir se abrisse a boca, como se fosse vomitar seus órgãos para fora a qualquer momento. Não queria pensar naquilo aquele momento, não queria pensar em não ver Noah crescer, e que Jimin encontraria outra pessoa. Não queria. Apenas apertou o volante com força, seguindo para casa.

 

Não demoraram a chegar em casa e Jeon rapidamente saiu do carro, entrando em casa ainda um pouco desnorteado.                        

—Como você está se sentindo? — Jimin perguntou colocando o casaco ali e tentando ficar um pouco mais calmo, já que não queria alarmar Noah que estava ali perto.                        

—Jimin, eu est— Acabou cortando a si mesmo ao ver Noah correndo na direção dos dois, e abraçando as pernas de Jeongguk. Foi nesse momento que algo pareceu se quebrar dentro de si, e ainda que estivesse com o coração pesado, afastou o pequeno de si e correu para o quarto.                        

—Mommy? —Perguntou Noah confuso e levando a mão à boca e Jimin quis chorar com aquilo, pegando o filho no braço e o ninando, indo para a varanda com o mesmo.                        

Jeongguk só queria sumir naquele momento. Não queria parecer frágil na frente de Jimin ou Noah, mas sua ficha parecia ter caído apenas naquela hora, e não se importou em começar a quebrar tudo que tinha de seu no quarto, soluçando alto.                        

Jimin ouviu um barulho alto começando a vir de lá de cima e colocou Noah nos braços da babá novamente, correndo.

—O que você está fazendo? —Gritou, tentando tirar o abajur das mãos de Jeongguk.                        

Jeongguk gritou de volta, tentando puxar o abajur e chorando sem parar.

—Me deixa!— Soluçou. —Me deixa fazer isso!                        

—Não, Jeon! —Gritou, puxando o abajur com violência e apertando o outro firmemente contra si. —Não quero que se machuque... Bata em mim se precisar.                        

O mais novo escondeu o rosto no peito de Jimin, batendo nos lados do mais velho e gritando alto, gritando até ficar rouco, sentindo as pernas ficarem fracas.                        

Jimin aguentou todas as pancadas, segurando Jeongguk fortemente contra si e esperando o mesmo colocar tudo pra fora.

Quando Jeon percebeu o que estava fazendo, e ouviu os pequenos gemidos de Jimin, parou, soluçando mais um pouco, e finalmente olhando para o mais velho.

—Eu não quero morrer...— Murmurou.                        

—Eu sei. Eu sei. —Disse sentindo a garganta fechar e os olhos arderem. Não adiantaria nada quebrar o quarto inteiro, não mudaria muita coisa. Não conseguiriam mudar o destino.

Perto dali, um canto de rouxinol rasgou o céu.

//

Dois meses depois                        

Jeongguk havia acabado de voltar da quimioterapia, já fazia à algum tempo e odiava aquilo. Os efeitos colaterais eram horríveis, mas sabia que seria pior sem.

Chegou em casa e Noah correu para seu colo, fazendo Jeon sorrir.

—Ei, garotão.— Beijou a bochecha do pequeno. —Olha o que a mommy trouxe pra você, uh?

Tirou da bolsa uma caixinha de presente, entregando ao filho, que rapidamente a rasgou.

—Buzz!— Noah gritou, rindo com o brinquedo e Jeongguk sorriu, abraçando o mais novo.                        

Jimin passava mais tempo em casa que no trabalho agora. Jeongguk estava muito fraco e cada dia mais dependente, então costumava se manter perto sempre que o menor precisasse.

—Amor? —Chamou descendo as escadas, já que Jeongguk tinha ido a quimio com o Taehyung naquele dia e o pediu para ficar em casa. —Tudo bem, meu anjo? —Disse selando o menor.                        

Jeon sorriu ao ver o marido e assentiu, o abraçando.

—Como foi seu dia?— O mais novo perguntou. —Eu estava pensando sobre uma coisa..                        

—Chato, como sempre. E o seu? Se sente bem? —Disse beijando o topo da cabeça de Jeongguk e o abraçando como se o mesmo fosse feito de cristal.                        

Jeongguk assentiu, querendo sair logo daquele assunto. —Eu estou bem.— Sorriu. —Ei, aquela viagem pra Disney..                        

—Uh? Não podemos viajar, amor. —Disse sorrindo triste, beijando a testa do menor. —Você não tem condições pra isso, seria muito arriscado.                        

—Certo..— Murmurou sem graça, coçando o braço e resolvendo ir para o quarto.                        

Jimin detestava ver Jeongguk daquela forma, mas seu instinto protetor sempre falava mais alto. —Nós podemos pedir comida de fora hoje... Daquele restaurante que você gosta. —Disse um tanto ansioso e seguindo o marido para dentro do quarto.                        

—Tá, pode ser.— O mais novo falou, já começando a tirar as roupas para tomar um banho, sempre se sentia sujo e pesado quando voltava do hospital.                        

Jimin abriu a boca pra dizer algo, mas colocou a mão nos bolsos e fechou mais uma vez, dando as costas e indo fazer a ligação para o restaurante.                        

Depois que Jeon terminou seu banho, vestiu apenas uma boxer e uma blusa branca de Jimin que ia até metade de suas coxas, descendo as escadas, vendo Noah brincar no sofá com seu novo Buzz. Sentou ao lado do filho, mexendo em seu cabelo.

—Ei, cadê o papai?

—Cozinha.— O pequeno respondeu, apontando para o lugar e Jeongguk assentiu, esperando o marido voltar.                        

Jimin agradeceu pelo atendimento e desligou o telefone, voltando para sala e franziu o cenho de maneira divertida ao ver Jeon sem calças. —Por que você está sem roupa? Está frio amor, você pode pegar um resfriado. —Disse esfregando os braços do mais novo.

Jeon deu de ombros, rindo baixinho. —Só queria ficar confortável. Além do mais, o aquecedor está ligado.— Murmurou, puxando o marido para mais perto de si e o abraçando.                        

—Já a comida chega. —Disse um tanto incomodado com aquilo, mas sentaram na sala com Noah e brincaram com o filho. Jimin sempre atento em Jeon, para algum movimento em falso.                        

Em algum momento Noah pulou no colo de Jeon, fazendo o mais velho rir, mesmo que seu corpo doesse um pouco. Começou a fazer cócegas no pequeno, enquanto riam. Mas então Jeongguk começou a tossir, e tirou o filho do colo, levando a mão até a boca, e acabando por ver um pouco de sangue ali. Engoliu a seco, se levantando rapidamente.                        

Jimin arregalou os olhos com a cena, deixando Noah no sofá e indo atrás de Jeon que lavava a boca. —Eu vou buscar um moletom pra você e seus remédios. Dá pra você ficar quietinho só uma vez, Jeongguk? —Perguntou um tanto irritado pelo outro fazer tanto esforço.

O mais novo assentiu, um pouco sentido com o tom que o marido havia usado e logo voltou para o sofá com Noah, vendo o garotinho um pouco assustado.

—Ei, calma, não foi nada.— Murmurou, puxando o pequeno para um abraço.                        

Jimin bufou, passando a mão pelos cabelos e saindo pela porta dos fundos. Estava passando por muito estresse e tinha voltado a fumar, mas sempre fazia aquilo longe da casa, já que moravam no campo. Só voltou algum tempo depois e a comida já tinha chegado, então a recebeu, começando a pôr na mesa.                        

Jeongguk havia reparado na distância de Jimin, mas resolveu não falar nada naquele momento. Não na frente de Noah.

Depois que comeram, Jeon levou o pequeno para a sala, o colocando para ver alguns desenhos, e percebendo que logo o filho iria pegar no sono. Suspirou, indo atrás de Jimin, o encontrando na varanda.

—Você acha que eu não sei, né?                        

—O que? —Disse distraído e encarando algum ponto fixo do céu.                        

Jeongguk bufou, enfiando a mão no bolso de Jimin e puxando o maço de cigarro dali.

—Isso, Park Jimin.                        

Jimin arregalou os olhos, tomando o maço da mão do outro. —Você enlouqueceu? Suas mãos vão ficar cheirando a isso! —Reclamou irritado.                        

—Você quer parar de agir como se eu fosse feito de vidro ou alguma merda do tipo?!— Jeongguk gritou. —Não era você quem queria que eu melhorasse? Como eu vou fazer isso com você me tratando igual uma criança? Eu não estou debilitado, Jimin!                        

—Você está sim! —Jimin insistiu de volta, mas sem gritar. —Você não consegue ver o quanto mudou em tão pouco tempo, amor. Está tão magro, não come quase nada, um dia desses quase caiu da escada porque não consegue aguentar o peso do próprio corpo! Ou você acha que é tudo normal assim? Você acha que é normal você tossir e cuspir sangue? —Disse com a voz trêmula e apertando o maço em sua mão.                        

—E por que eu ainda estou tentando então, uh? Você consegue se ouvir, Jimin? Você me trata como se eu fosse um inválido...— Murmurou chateado. —Todo dia eu levanto da cama por você, pelo Noah. Você sabe que eu odeio a quimio, e ainda assim eu estou tentando, droga!— Passou a mão pelos olhos molhados. —Só que assim não dá... Você deveria me apoiar, você deveria me incentivar.

—Eu só estou cuidando de você! —Disse segurando o rosto do outro em suas mãos e beijando sua testa. —Eu quero prolongar sua estadia aqui na terra mais do que você, então não me julgue dessa forma. Você sabe que eu só quero te proteger. —Disse apertando o corpo magro do outro contra o seu.                        

Jeon soluçou com as palavras de Jimin, escondendo o rosto em seu pescoço por alguns segundos, mas logo se afastando minimamente, e encarando o marido.

—Então me ajuda. Você pode cuidar de mim, pode me proteger, mas você não pode agir como se eu fosse um boneco, como se você tivesse que controlar tudo o que eu faço. Eu ainda estou aqui, Jimin, eu ainda estou vivo.                        

—Você se arrisca demais, Jeongguk. Parece que não vê o quão frágil você é para o mundo agora. —Murmurou, pegando o menor no colo igual a uma criança e vendo Noah dormindo no sofá.                        

Jeon suspirou, mas resolveu não questionar. Não queria brigar com Jimin. Aquela noite Noah dormiu na cama com o casal, os três agarrados uns aos outros.

//

No outro dia Jimin precisou sair cedo para resolver algumas coisas, e disse que ia deixar Noah no vizinho. Jeongguk não protestou, outra vez, não se sentia apto para cuidar do filho aquele dia, apesar de querer muito passar todo o tempo com o pequeno.

Pegou sua toalha e foi até o banheiro, um banho o faria se sentir revigorado. Deixou que a água caísse por seu corpo algum tempo, sentindo-a quase queimar sua pele. Pegou um pouco de shampoo e começou a lavar os cabelos negros, com um pequeno sorriso no rosto. Já se sentia mais leve. Mas então abriu os olhos, e a primeira coisa que viu no chão foram alguns de seus fios jogados ali. Começou a esfregar ainda mais a cabeça, vendo o cabelo sair em sua mão. Engasgou com o próprio soluço.

Depois de se acalmar, vestiu roupas leves, uma blusa branca, e um short preto. Resolveu esperar por Jimin no lado de fora da casa, queria um pouco de luz solar. Se sentou na varanda, observando alguns pássaros que voavam por ali, e sorriu levemente, seus olhos correndo pelo longo campo de lavanda. Se levantou, em passos lentos, e foi para o meio do lugar, respirando fundo aquele cheiro maravilhoso. Quase se sentia em paz ali.                        

—Amor? —Chamou Jimin ao chegar em casa e ver Jeongguk no meio dos campos. O sol não estava muito quente, mas mesmo assim se preocupava. Se aproximou com as mãos nos bolsos e óculos escuros, já que tinha acabado de voltar da empresa, numa situação de emergência. —O que está fazendo? —Disse ao chegar perto.                        

Jeon sorriu largo ao ouvir a voz de Jimin, e se virou para o mais velho, estendendo sua mão para o mesmo.

—Vem, amor, está um dia tão lindo, não acha?                        

Jimin não disse nada, olhando para o outro de forma curiosa e segurando sua mão.                        

Jeon riu um pouco da expressão do outro, balançando a cabeça.

—Ei, não fica de cara amarrada.— Pediu, e quando finalmente estavam mais distantes da casa, parou, se virando para Jimin novamente, e sorrindo. —Eu quero fazer uma coisa.                        

—Eu não estou, você está bem? —Perguntou confuso e olhando ao redor. A propriedade deles era privada, mas sempre havia os vizinhos. —O que? —Perguntou confuso, sem notar que havia uma manta ali.                        

Jeon mordeu o lábio, começando a desabotoar a blusa branca que usava, e deixando que uma parte escorregasse de seu ombro.

—Eu quero fazer amor com você aqui.                        

Jimin franziu o cenho, checando a temperatura do outro. Há muito tempo que não se tocavam, e Jimin não achava apropriado, não queria machucá-lo. —Isso não é uma boa ideia... Você sabe. Não é que eu não deseje mais você, eu só não quero te machucar. —Disse beijando o canto da boca do outro.                        

—Você não vai, eu prometo..— Jeon murmurou, segurando na camisa de Jimin, e começando a tirá-la também. —Eu preciso de você, por favor..                        

—Jeongguk... —Disse de modo incerto, segurando suas mãos e balançando negativamente a cabeça. —Você sabe que não podemos... Isso é arriscado, principalmente aqui.                        

O mais novo riu com aquilo, tirando os óculos escuros de Jimin e jogando ali do lado, antes de puxar o outro para baixo, acabando por sentar na manta, com Jimin entre suas pernas.

—Não vão nos ver, relaxa...— Murmurou, massageando os ombros de Park.                        

Jimin suspirou, acariciando o corpo do menor, mas se sentia tenso. —Ainda acho que isso não é uma boa ideia... —Falou sentindo os beijos de Jeon em seu pescoço.                        

Jeon bufou, segurando o rosto do mais velho com as mãos e encostando sua testa na do outro.

—Faz isso por mim, por favor..— Engoliu a seco. —Chim, o meu cabelo está caindo... Por favor, eu quero ter uma última vez com você enquanto eu ainda estou bonito.— Soluçou.                        

Jimin arregalou os olhos com aquilo, sentindo o coração retumbar dentro do peito. —Você sempre estará lindo meu amor, com cabelo ou não. —Murmurou, beijando a pele quente e lambendo o pescoço do menor quase delicadamente. —Por favor, não fique assim... —Disse trazendo Jeon para mais perto.                        

—Então me ama, Chim... Me ame aqui, agora..— Pediu, beijando o rosto do mais velho. —E não me deixa.. Mesmo que alguns dias sejam difíceis, e mesmo que às vezes pareça difícil me amar. Por favor, só me ama, e não desiste de mim.— Quase engasgava mas próprias palavras. —Você é tudo o que eu tenho.;. E sem isso eu estaria perdido.                        

Jimin sorriu com aquilo, envolvendo o corpo do outro contra o seu, e afundando seu rosto no pescoço de Jeon para o mesmo não ver que ele estava chorando. Aquilo era como uma despedida e Jimin podia se sentir desfalecendo junto ao outro.

Fizeram amor de forma quente e intensa no meio das flores de lavanda, onde tudo que Jeongguk precisava era de Jimin, e Jimin, de Jeongguk.

//

Duas semanas depois

Jimin corria para chegar ao hospital. Tinha recebido uma ligação urgente no trabalho, falando que Jeongguk havia passado mal e estava no hospital.

Seu coração estava na boca e tinha Noah nos braços, já que não sabia de nada... E ele provavelmente iria querer ver o filho.

Chegou ao hospital, ansioso, logo indo até o médico. —Como ele está?

—Em seus estágios finais... Ele não aguentará por mais tempo, me desculpe, Sr. Park. Venha, vou levá-lo até ele...

Jimin já tinha lágrimas grossas escorrendo de seus olhos e Noah parecia entender sua aflição, pois ficava falando "Mommy" o tempo todo.                        

Jeon estava deitado num quarto branco de hospital. Aquelas cores deveriam ser relaxantes? Não sabia, mas se sentia ainda mais desconfortável naquele lugar. Tudo doía, e sua garganta estava seca, mas ainda assim conseguiu sorrir ao ver Jimin e Noah entrarem pela porta.

—Oi.. Família.— Sussurrou.                        

—Amor... Estamos aqui, Oi. —Disse rindo fraco e Noah estendeu a mãozinha para tocá-lo. —Como se sente, hm? Você vai voltar pra casa conosco, não é? —Disse Jimin esperançoso.                        

Jeon riu baixinho com aquilo. —Eu vou pra casa.— Murmurou. Viu Noah se sentar na cama, ao seu lado, e sorriu para o pequeno, com lágrimas nos olhos. —Oi, bebê, você é um bom garoto, uh? O melhor..                        

—Não chora. —Disse Jimin enxugando as lágrimas do outro, mas o próprio rosto estava uma bagunça de lágrimas. —V-você vai sair dessa, ok? E vai pra casa com a gente... E então vamos para Versalhes de novo, ver as luzes, você lembra? Vai ser tudo do mesmo jeito... —Disse soluçando cada vez mais alto e se assustou ao ver um rouxinol parado na janela do quarto, parecendo encarar Jeongguk, piscando os olhos de forma rápida.

—Vá embora. Xô! —Gritou entredentes, espantando o animal, que continuou ali, e ainda começou a cantar.                        

—Jimin...— Jeongguk chamou. Noah estava deitado em seu peito, encolhido, e quieto. Jeon nunca havia o visto tão quieto. —Amor, vem aqui...— Pediu, com um sorriso fraco, e viu Jimin chegar perto da cama. —Eu amo você. Você tem que me prometer cuidar do Noah, sim? Não deixa ele me esquecer...— Soluçou, apertando a mão do marido, enquanto com a outra mão afagava as costas do filho.

—E-ele não vai te esquecer, nunca, eu prometo. —Jimin não conseguia mais, apoiando a cabeça na cama e começando a chorar. —Por favor, Jeongguk, não me deixa... Por favor.                        

Noah já estava assustado com todo aquele choro, mesmo sem entender, e também já havia começado a chorar baixinho, fazendo o peito de Jeongguk apertar ainda mais.

—Amor, não faz isso..— Jeon não sabia se estava falando com Noah ou Jimin.. Talvez com os dois. —Eu não vou te deixar, eu não vou..— Segurou o rosto de Jimin, o levantando pelo queixo. —Eu vou te encontrar, lembra? Em todas as vidas..                        

Jimin apertou a mão dele, soluçando e o rouxinol cantou como se avisasse algo. Estava na hora. Aquilo já havia se prolongado demais...

E quando Jeongguk fechou os olhos, Jimin reuniu toda a coragem trêmula que tinha para beijar sua testa e dizer: —Descanse em paz, meu amor...

✖✖                   

3.150 - 30 a.C — Antigo Egito, 13h:32min

Calor. Aqueles panos quentes ao seu redor, dentro daquela liteira onde não passava um ar quase o fazia sufocar.

Jimin não via realmente necessidade de passear no meio dos operários, mas sempre seu pai o arrastava para aquilo e bom, ninguém era de dizer não ao faraó.

—Olhem, olhem! É o faraó! —Podia ouvir do lado de fora e viu seu pai cochilando ao seu lado, fazendo uma careta e o chacoalhando um pouco. Como ele conseguia dormir com aquele calor?

—Pai, quando vamos sair? —Perguntou e o mais velho pigarreou, decidindo que por fim, era hora de colocarem a cara para fora da carruagem.                        

//

—Moço? O senhor precisa de ajuda?— O garoto perguntou à uma alma velha caída no chão. O homem não parecia ter muita noção das coisas, então Jeongguk apenas o ajudou a sentar, rapidamente pedindo um copo de água à alguém ali perto.

Havia percorrido aquele vilarejo pelo dia inteiro, e suas pernas doíam de tanto andar. Existia tanta doença e pobreza naquela parte ao lado de fora do reino, e o garoto nunca se conformaria com aquilo. Embora não fosse um escravo como eles, gostava de ficar por perto e ajudar como podia.

—O faraó e o príncipe estão passando pelas ruas!

Ouviu alguém dizer, e rapidamente ficou em alerta. O príncipe estava por ali? Fazia tanto tempo que não o via.

—Onde estão? Qual rua?— Perguntou rapidamente, e viu a mulher dar de ombros.

—E-Eu não sei, provavelmente perto dos operários, eu só ouvi dizer.

Jeongguk não esperou muito mais, e saiu correndo o mais rápido que podia, não demorando a encontrar o lugar, já que um aglomerado de pessoas havia se formado ali. Saía passando no meio delas, acabando por empurrar alguns, e ouvir palavras feias, as quais respondia com um pequeno me desculpe. Ainda assim, era muito baixo, e todo mundo ali parecia muito alto. Porém, viu um pequeno poste ali, e se moveu até o lugar, subindo da melhor forma que podia, e finalmente tendo uma visão clara do que acontecia ali.

—Jimin..— Murmurou para si mesmo, com os olhos brilhando.                        

Jimin realmente não gostava de visitar aquela parte do reino. As pessoas pobres os vangloriava, geralmente pedindo comida ou para beijar suas mãos e Jimin via os escravos que vinham com eles jogando comida, como seu pai havia ordenado.

Eram como ratos, sujos, famintos, decadentes. Jimin odiava ver aquilo, odiava sair de seu conforto e ver tudo aquilo ao seu redor. Agradecia pela vida que tinha, mas ao mesmo tempo achava aquela desigualdade tão injusta...

Acenava com um sorriso sem graça e viu um garoto correndo atrás da liteira com mais afinco que as outras pessoas, e sorriu para ele.     

Jeongguk arregalou os olhos com aquela ação do príncipe, e não pôde reprimir um sorriso que nasceu em seu rosto.

O pequeno Jeon corria pelo palácio, ouvindo os gritos de sua mãe para que não se perdesse de sua vista. É claro que, como toda criança, não lhe dava muito ouvidos, ignorando seu pedido, e continuando a correr. Gostava de brincar com os gatos que havia ali, mesmo que às vezes saísse com alguns arranhões, e os joelhos ralados.

—Pyp, volte aqui!— Ria, perseguindo o gato laranja. —Pyp! Pyp, eu te achei, olh— Cortou a si mesmo ao ver um garoto parado perto do jardim. O garoto parecia irritado, sua expressão estava fechada, mas ainda assim era a pessoa mais bonita que havia visto em toda sua vida. Se escondeu atrás de uma pilastra que havia ali, apenas o observando. Cada movimento. O viu atirar uma pedra num pequeno lago que tinha ali, e logo depois bufar, sentando-se num banquinho. Não entendia o porque daquilo, mas se sentia bem em apenas observá-lo.

O que acabou virando um vício. Mais tarde descobrira que aquele era o príncipe Jimin, e desenvolveu uma certa obsessão por ele. Andava sempre tão bonito, era tão importante. Enquanto Jeongguk vivia nas sombras, com um sorriso bobo no rosto, e os olhos atentos.

 

Jimin não havia mudado nada. Quer dizer, estava maior e mais musculoso, mas ainda tinha o mesmo rosto infantil, com o sorriso que fazia seus olhos diminuírem e aquela áurea brilhante ao redor de si. Ah... Se Jeongguk pudesse ao menos dizer um Oi.                        

 

Jimin andava irritado pelos corredores do castelo imperial. Quer dizer, ele estava quase sempre irritado, mas não aguentava mais aquela história de casamento!

Seu pai desde aos quinze anos que o empurrava para mulheres mais velhas ou novas que ele, mas depois de uma conversa ou outra, sempre percebia que eram fúteis demais. Jimin nunca ia muito longe. E nem morto que iria ser como seu pai e ter 14 esposas. Pelo menos ainda tinha sua integridade e gostaria de mantê-la.

Agora tinha aquela coisa de baile. Como se ele estivesse desesperadamente procurando uma esposa!

Bufou irritado, entrando na sua sala de estudos e batendo a porta com força.                        

 

Faziam anos que Jeongguk não pisava naquele palácio. Era totalmente diferente de sua vida em Abhadi, é claro que lá tudo era confortável para si, porém, Asíris era o dobro do tamanho, talvez o triplo, e completamente revestido em ouro e pedras preciosas.

Jeon quase não reconhece sua mãe, já que apenas se comunicava com a mulher por cartas, e só o que tinha dela era um desenho que seu pai havia feito. De qualquer forma, foi bem recebido no palácio, sua mãe chorou em seu ombro por alguns minutos, fazendo o garoto ficar meio encabulado, mas retornou o abraço. Havia sido convidado por sua mãe para ir ao baile que teria ali, não sabia exatamente o que era, mas seu pai disse que aquilo era apenas uma desculpa de sua mãe para lhe ver, já que a mulher havia mandado milhares de cartas ao homem para que deixasse Jeongguk ir para Asíris de vez em quando.                        

 

A noite estava quente. Jimin estava com as suas melhores roupas de príncipe, influência da sua mãe que dizia ter que mostrar seu poderio e que poderia vir a substituir o faraó um dia.

Suspirou, era o primeiro linhagem do reinado de seu pai, então deveria arcar com isso.

Jimin se sentia muito novo para tomar uma esposa, sua maioridade ainda nem havia chegado, e mesmo assim os preparativos já estavam sendo feitos...

Andava pelos corredores insatisfeito, ouvindo o barulho de festa vindo do salão principal e ouviu todos se calarem e se curvarem ao entrar no local. Sorriu, andando até o seu pai e ficando ao seu lado, depois batendo palmas, fazendo a festa continuar.                        

Jeongguk se sentia um pouco estranho com as roupas que sua mãe havia lhe dado, então optou por usar as que havia levado de Abhadi. Estava todo de branco, com alguns detalhes azuis em sua túnica, e uma maquiagem escura em volta dos olhos. Sua mãe havia passado algo em seus lábios para os deixar um pouco mais avermelhados, e Jeon não tinha certeza da necessidade daquilo.

Entrou no salão ao lado da mãe, vendo todos a cumprimentarem, aparentemente ela era importante ali, e talvez fosse por isso que ela não estava mais com seu pai, que era só um artista comum.

Seus olhos percorreram todo o salão, notando todo o tipo de pessoa ali, era tudo muito estranho. Até que parou em alguém em especial. Jimin. E mais uma vez naquele dia seus olhos brilharam.                        

Os olhos do faraó brilharam ao ver quem acompanhava sua escrivã favorita. Provavelmente era alguém de Abhadi pelas roupas, não conseguia distinguir se era uma dama ou um garoto, mas era tão belo...

Jimin ria de algo, várias pessoas vinham falar consigo e se apresentar, mas seus olhos pararam nas duas pessoas que vinham em direção à mesa farta que tinha em sua frente, ao lado de seu pai.

Ele era lindo, definitivamente. O coração de Jimin bateu mais forte e este franziu o cenho, confuso, encarando aquela pessoa que não parecia ser dali.                        

—Boa noite, grande faraó Shugni.— A mãe de Jeongguk, Livana, o cumprimentou com um grande sorriso, colocando a mão no ombro do filho. —Este é meu filho, Jeongguk, não sei se o senhor lembra dele. Foi morar com o pai ainda muito pequeno, mas veio passar um tempo conosco. Cumprimente o faraó, meu filho.

Os olhos do garoto ainda estavam grudados em Jimin, mas não queria ser mal educado, então direcionou o olhar para o homem mais velho, ainda que relutante.

—Uh, boa noite, senhor faraó.— Murmurou um pouco incerto.                        

—Oh, então é um garoto? Com expressões tão belas... Pensei ter me confundido. —Disse Shugni e seu riso reverberou o salão. —Veio de Abhadi, garoto? O que aprendeu lá? —Disse interessado. Jimin ali do lado não dizia nada, parecendo estar desinteressado.

Jeon sentiu as mãos começarem a tremer com aquilo. Não gostava de desenvolver conversas com pessoas que não conhecia e aquele homem à sua frente o fazia sentir ainda menor.

—Hm, meu pai me ensinou algumas artes, senhor faraó.— Murmurou. —Eu sei desenhar muito bem.. E esculpir também.

—Oh... Isso é interessante, não é, Jiminnie?—Disse batendo no ombro do filho, que assentiu. —Te convido para passar umas semanas no castelo e nos mostrar sua arte então. —Disse Shugni com um tanto de interesse na voz e Jimin não tinha gostado daquilo.

Jeongguk apenas assentiu, se curvando por alguns segundos, antes de levantar a cabeça e encarar Jimin por algum tempo, com uma expressão assustada, e ao mesmo tempo esperançosa no rosto.

—Vamos.— Ouviu sua mãe dizer, e suspirou, a seguindo até algum canto da festa. Queria tanto falar com Jimin..                        

Uma dança começou entre os convidados e Jimin foi obrigado a tirar alguém pra dançar. Fazia sem vontade e com sorrisos forçados, sentindo como se tivesse todos os olhares do lugar em sua nuca. Mas apenas o ofuscante daquele garoto chamava sua atenção.

A festa não demorou a acabar, e Jimin agradeceu por aquilo, sendo um dos primeiros a se retirar do salão.                        

Jeongguk se sentia um pouco decepcionado por não ter sido chamado para dançar. Adorava dançar.

Viu quando Jimin se retirou do lugar, e rapidamente inventou uma desculpa para a mãe, indo atrás do mais velho, tentando ser o mais discreto possível, assim como fazia quando era criança.                        

Jimin sentia passos leves atrás dos seus entre os corredores de areia. Parou, levando a mão até sua bainha, onde havia sua espada e se escondeu nas sombras.

Logo alguém passou e Jimin o encurralou contra a parede com a ajuda da sua espada. Ao ver que era o garoto da festa, que tinha a respiração ofegante e o rosto rubro, baixou a mesma. —Não deveria seguir membros da realeza aqui dentro. Você é um espião? —Acusou de forma baixa.                        

Os olhos do mais novo estavam arregalados, e nunca havia estado tão perto de Jimin. Balançou a cabeça negativamente de forma rápida, e engoliu a seco.

—N-Não, eu só.. Estava procurando a cozinha.                        

—Fica para o outro lado. —Disse Jimin se afastando e guardando sua espada, ajeitando sua roupa. —Não faça mais isso se não quiser se machucar. —Disse num tom sério e voltando a andar no seu caminho.                        

Jeon abaixou a cabeça, de repente afetado com o tom de Jimin. Não queria aborrecê-lo.

—Uh, m-me desculpe, senhor.— Murmurou, ainda parado no mesmo lugar. —Não quis causar nenhuma inconveniência.

Jimin não disse nada, sem parar de andar.

//

No outro dia mais cedo, o mesmo garoto estava lá na mesa de café da manhã como um convidado, pelo visto seu pai havia se afeiçoado a ele. O olhar daquele garoto o incomodava. O lembrava de algo, que ao mesmo tempo não queria lembrar.

Ele mal tirava os olhos de si e Jimin começava a ficar curioso com aquilo. O que aquele garoto queria de si?

—Você sabe lutar, garoto de Abhadi? Ou apenas entende das artes? —Alfinetou em certo momento.                        

Jeongguk não entendia a agressividade de Jimin. Sempre o achou simpático de longe, o via tratar bem os serventes do palácio e algum fio de esperança lhe fazia pensar que seria o mesmo consigo.

—A gente não precisava lutar em Abhadi.— Murmurou.                        

Jimin deu um sorriso de canto, brincando com os anéis em seus dedos. —Venha comigo. —Disse se levantando e saindo por uma das portas até um longo corredor, esperando que o garoto tivesse o seguido.                        

O mais novo o seguia um pouco incerto, viu o olhar preocupado de sua mãe ao se levantar da mesa, mas resolveu não argumentar.

—Hm, isso é sobre ontem? Eu já me desculpei..                        

Jimin ignorou a pergunta do outro, ele fazia perguntas demais. Não demoraram a chegar na biblioteca privada do príncipe e esperou a porta bater, enquanto ia até seu estrado e estendia um grande mapa. —Você é um estudioso das artes, não é? Então o que é isso? —Perguntou apontando para o Atlas.                        

Jeon ficou um pouco surpreso com a pergunta, e balançou a cabeça.

—Um mapa?                        

—Sim, mas qual o contexto? —Disse e suspirou impaciente ao não ter a resposta. —Isto é um atlas. Esta parte... —Disse circulando o Egito. —É o que meu pai tem nas mãos. O resto, ele ainda conquistará. Então o que pretende sendo tão novo e não sabendo lutar? —Disse Jimin se apoiando no estrado e dando um sorriso de canto.                        

Jeon encarou o mapa por alguns segundos, com uma expressão assustada, e então observou Jimin.. Tão perto de si. Suspirou.

—Você acha que saber lutar te faz um homem mais sábio?                        

Jimin deu um riso contido, indo até uma mesinha ali perto e se servindo de vinho. —Eu só não achei que você fazia o tipo que tomaria uma esposa e esculpiria para pessoas poderosas. Se almejasse em se aprimorar, podia ser um general ou algo assim. —Disse dando um gole de sua bebida, sem tirar o olhar do outro.                        

—Eu não pretendo tomar esposa alguma.— Falou confuso e com o cenho franzido. —Também não quero ser um general. Não gosto de guerras. Eu gosto de esculpir, e pintar coisas.. Vocês tem milhares de soldados, por que minha posição te incomoda?                        

—Cada soldado é um aprimoramento a mais numa guerra. —Disse Jimin sorrindo cínico. —Oh não? Pretende se tornar um eunuco então? Talvez um sacerdote? E por Deus, mal sabemos o que eles fazem por aí... —Jimin riu, andando pela sala. —Não vou desistir de você, garoto de Abhadi. Se quiser aprender sobre a arte das espadas, me procure. —Disse se encostando em uma das estantes de livros.

—Bem, meu senhor,— Começou, se levantando e arrumando sua roupa. —Se quiser aprender sobre como ser mais gentil, me procure.. Eu estarei pintando algum quadro, provavelmente.— Completou, saindo do local.                        

Jimin grunhiu, tomando o resto de seu vinho e franzindo o cenho. Quem aquele plebeu pensava que era fazendo pouco de si? Bufou, deixando a taça ali de lado e indo estudar.

Jimin não entendia exatamente sua implicância com o garoto de Abhadi. Realmente, era sempre gentil com todos... Mas aquele garoto o incomodava e nem sabia exatamente porque.

//

Naquela mesma noite, o faraó Shugni se esgueirava entre os corredores dos quartos de hóspede, procurando por um em especial. O do filho da escrivã. O garoto não saía dos seus pensamentos e precisava saciar aquilo, não era homem de passar vontade. Afinal, podia ter tudo o que quisesse.                        

Jeongguk havia passado o resto do dia no vilarejo dos escravos, tentando não pensar muito em Jimin, embora seus olhos sempre lhe viam em mente mesmo que não quisesse.

Assim que entrou no palácio acabou se perdendo entre os corredores, já que era tudo muito grande, e ainda não havia decorado o caminho para seu quarto. Quase esperava que fosse perto dos aposentos de Jimin.                        

Shugni já esperava o tal Jeongguk deitado na cama de hóspede deste, pelado e apenas com um pano o cobrindo. Quando o garoto abriu a porta, sorriu amarelo. —Onde estava? Estive te esperando... —Disse cínico.                        

Jeongguk arregalou os olhos com aquela imagem, engolindo a seco, e paralisando completamente na porta. —M-Meu senhor.. O que está fazendo?                        

—Venha aqui. —Disse Shugni batendo duas vezes na cama ao seu lado. —Quero te mostrar umas coisas... —Disse com um riso pesado.                        

O mais novo continuava parado como um poste. Sentindo uma sensação ruim passar por seu corpo, e quase se bateu quando gaguejou novamente.

—Perdão, senhor, mas não acho que isso seja apropriado.                        

—Oras, não me enrole, garoto. —Shugni se levantou como uma flecha, segurando o pano por cima de seu membro e puxando o braço de Jeon com força. —Acha que eu não sei que você é uma putinha, uh? Você faz o que eu quiser. —Disse jogando o menor contra a cama, de costas e já subindo contra ele.

—O que está acontecendo aqui? —Perguntou Jimin entrando no quarto de forma alerta.                        

Jeongguk se debatia abaixo do homem mais velho, já sentindo a respiração pesar.

—Me ajuda, por favor!— Gritou para Jimin, com os olhos esperançosos.                        

—Oras Jimin, o que está fazendo aqui? Saia! —Gritou Shugni ofegante e Jimin avançou. —Pai, olha sua pressão! E você está machucando o garoto, solte-o! O que pensa estar fazendo? O envolvimento entre homens é proibido! —Disse tirando o homem gordo de cima de Jeon, que correu para atrás de si. —Suas servas estão aí pra isso.

—É, mas eu tenho o que eu quiser! E eu quero ele! —Disse Shugni vermelho e ofegante e Jimin balançou negativamente a cabeça, começando a sair do quarto rapidamente com Jeon.                        

Jeongguk ainda sentia o coração bater forte no peito, e se agarrou com toda a força que tinha ao braço de Jimin, com medo de ser puxado para dentro daquele quarto novamente.                        

Seguiram pelos subterrâneos de areia até Jimin sentir um local seguro. Não ouvia barulho de guardas pela areia ainda e aquilo podia lhe dar uma vantagem. Sabia que provavelmente seria punido por tirar o brinquedinho do pai.

Sentaram ali por um momento e Jimin foi até uma tocha, iluminando o local.                        

Aquele lugar era um tanto quanto frio, e as roupas de Jeon finas demais. Ainda se agarrava ao outro, com os dedos vermelhos de tanta força que colocava.

—O-Obrigado.— Murmurou trêmulo.                        

—Pode me soltar... Agora. —Disse um pouco contido, se afastando do outro. Sentaram lado a lado no meio daquele vão de sala, em um silêncio onde só podiam ouvir o crepitar das chamas.                        

Jeon abraçava a si mesmo, esfregando os braços.

—O seu pai.. Ele não vai ficar bravo?                        

—Vai. Ele deve estar furioso comigo e provavelmente vai me punir. —Disse Jimin fechando os olhos e massageando suas têmporas.

Jeon assentiu, suspirando.

—E-Eu espero que não dê problema pra minha mãe.. Droga.. Imagine se ele descobre o que eu faço de dia..                        

—Você não vai escapar dessa facilmente. —Disse Jimin sorrindo de canto. —Se quer manter as mãos do meu pai longe de você, é melhor voltar para Abhadi o mais rápido possível. Faraó Shugni não é de não ter o que deseja.                        

Jeongguk bufou, passando a mão pelo cabelo. —Por que você não me quer aqui?— Perguntou de repente.                        

Jimin o encarou. —Eu não te salvei pra você ser encurralado e quase estuprado de novo, garoto. Eu me coloquei em problemas com meu pai por sua causa, o mínimo que você deveria fazer é me ouvir.                        

—E se eu não quiser?— Perguntou desafiador. —E se eu quiser ficar aqui por mais tempo?                        

—Aí é problema seu. —Disse num tom frio. —Só não conte comigo para salvar o seu rabo de novo. Vire o novo brinquedinho do papai e depois seja enforcado por isso. —Disse Jimin irritado e andando pelo local.                        

Jeongguk bufou irritado. —Por que você está fazendo isso? Por que está sendo rude?— Perguntou. —Quando eu era pequeno eu te via quase como um Deus, e agora..                        

Jimin parou os seus passos, se voltando ao garoto. —O que? —Perguntou confuso, não entendia o que ele queria dizer com aquilo.

Jeon engoliu a seco, balançando a cabeça. —Eu costumava te seguir pelo palácio. Eu vi você chorando perto do rio quando o Pyp morreu. Eu também chorei.                        

Jimin piscou, tentando se lembrar daquilo. Lembrava de ter tido um gato chamado pyp... Lembrava de um garoto o espiando o tempo todo e que ajudava os pobres. Jimin o admirava por aquilo. —Então era você? —Perguntou cruzando os braços.                        

—É, era eu.— Jeon mordeu o lábio. —Eu sempre tive uma ideia sobre você.. Você sempre pareceu odiar toda aquela vida que levava. Eu queria ser seu amigo.                        

—Eu não odeio minha vida. Nunca cheguei a odiar. —Disse dando de ombros. —É melhor do que ser um escravo ou algo assim. E bom, eu não vejo nada em comum entre a gente além do fato do meu pai estar querendo a minha cabeça e a sua agora. Ainda não sei como vou fazer ele se acalmar, então se puder ficar quieto, eu agradeço. Vou tentar nos manter vivos. —Disse suspirando e andando pelo local, pensativo.                        

Jeongguk assentiu, ignorando o peso em seu peito. —Me sinto um idiota por ter criado tanta expectativa em cima de você.— Riu seco, se levantando e cruzando os braços, encarando uma parede.                        

—Expectativas do que, garoto? Do que diabos você tá falando? Eu não sou o herói dos seus sonhos, é isso? Pois é, me desculpe desapontá-lo. Tente ser o filho do faraó e ter seus pensamentos altruístas ou bons destruídos um a um. —Cuspiu contra o outro. —Tente ser filho do homem que te mataria por ter salvado um inocente dele. Então só cale a boca e me deixe pensar.                        

—Aigo, pelos Deuses!— Jeon exclamou irritado, indo até o outro e empurrando seu ombro. —Você pode ser um pouco menos arrogante?— Gritou, andando rapidamente pelo caminho em que haviam entrado ali.                        

—Você pode ser menos mal agradecido? —Jimin gritou, puxando o braço do outro com força. —Não faça eu me arrepender de ter te salvado!                        

Jeongguk estava com o rosto quase colado ao do outro, e não conseguia parar de analisar cada traço de Jimin. Era tão lindo. Tão arrogante, mas tão lindo.. Seus olhos pararam nos lábios do mais velho, e se lembrou do quanto desejou aquela aproximação com o outro à tanto tempo. Não pôde se conter em encostar seus lábios nos de Park levemente, antes de se afastar rapidamente, e sair correndo.

Jimin sentiu o contato. Ele havia sentido. Aquele plebeu havia o beijado. Seus dedos estavam praticamente travados no braço magro, e o puxou com força de volta para si, segurando a outra mão em seu pescoço e juntando as duas bocas novamente em um beijo violento.                        

O mais novo se sentia nas nuvens, embora a mão em seu pescoço lhe desse um leve desconforto, era prazeroso ao mesmo tempo, e suas línguas se encaixavam tão bem, quase como se tivessem sido feitas uma para a outra. Levou uma das mãos até o ombro de Jimin, e a outra para seu cabelo, onde puxava sem pudor algum.                        

Jimin desceu a mão que estava no braço para a cintura de Jeongguk, o puxando com firmeza para mais perto e ouviu um grunhido baixo de dor do outro, e sentiu o gosto de sangue na boca. Mas por que era como se... Já conhecesse aquele contato de algum lugar?

Finalmente se afastaram, ofegantes e Jimin deu graças de não conseguir olhar o outro naquele escuro.                        

Jeongguk respirava ofegante, e sentia o rosto queimar de vergonha, mas não podia negar que havia adorado aquilo. Encostou a testa no ombro de Jimin, tentando controlar a respiração. A mão do mais velho ainda estava em seu pescoço, e Jeon colocou sua mão por cima da do outro, quase como se quisesse a manter ali.                        

—Era isso o que você queria o tempo todo? —Murmurou num tom baixo, sentindo o toque quente da mão do outro sob a sua. —Não precisava me tirar do sério por isso. Aliás, eu pensei em dar um jeito nessa sua forma desafiadora desde a sala de estudos. —Disse beliscando o pescoço do outro com pouca força.                        

O mais novo riu baixinho, quase como se quisesse o provocar, e balançou a cabeça. —Eu queria que você gostasse de mim como eu gosto de você.— Sussurrou. —Acho que você não entende a extensão da minha afeição por ti, príncipe Park.                        

Jimin esfregou seu rosto contra o do outro, respirando fundo contra o pescoço pálido, de forma tão intensa que sentia o outro estremecer em seus braços. —Pelo menos agora eu tenho um porque de te proteger. Vamos. Eu já tive uma ideia. —Murmurou, ainda segurando o braço do outro e começaram a sair dali.                        

Jeongguk seguia o outro cegamente por entre os corredores do palácio, não entendia toda a confiança que colocava em Jimin, mas sabia que até mesmo se tivesse um pano em seus olhos, escutaria tudo que Park dissesse, e faria exatamente o que lhe fosse mandado.

Foi mais fácil do que haviam imaginado. Jimin pegou as melhores rotas, despistando dos guardas, ainda que não tivesse visto nenhum e seguiu para o seu quarto. Trancou bem a porta e ficariam ali até o café da manhã do outro dia. Enquanto isso, mandou uma mensagem para a mãe, explicando o acontecido.                        

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Já haviam se passado dias desde o incidente com o faraó, e Jeongguk o evitava como a própria peste negra. Jimin o ajudava a esquivar-se dos pedidos de seu pai, e a cada tempo que passava, Jeon e o príncipe se aproximavam ainda mais.

Jimin acabou ensinando alguns métodos de defesa para o mais novo, e Jeongguk ''retribuiu'' pintando partes do corpo do mais velho, que não se importava em servir de tela para o garoto.

Estavam numa parte mais isolada do reino, perto de um rio que corria por ali. Haviam mergulhado alguns minutos antes, e agora se sentavam na areia, apenas observando as águas correndo.

—Meu pai quer que eu volte para Abhadi.— O menor se pronunciou.                        

Jimin quebrou um pequeno galho que brincava nas mãos. Não sabia o que dizer, até porque, Jeon estaria mais seguro daquela forma. Mas... Ao mesmo tempo se sentia estranho. Nunca havia se aproximado tanto de alguém quanto o outro, e se sentia quase... Entorpecido.

—Hmm. —Deitou-se ali, trazendo o menor para o seu peito. —Você sente como se... A gente já tivesse se conhecido antes? Sei lá... Isso só me parece certo, o que é impossível de acreditar.                        

Jeon assentiu, fazendo desenhos com o dedo no peito de Jimin, e depositando um beijo ali.

—Quando eu estudava em Abhadi, meu tutor disse que esse tipo de conexão acontece com as almas gêmeas. Ele dizia que pode ser tanto uma benção, quanto uma maldição. Algumas ligações são mais fortes do que outras, porém, é como se precisassem passar por várias provações até que finalmente se estabeleça que são certos um para o outro.— Explicou. —Você acredita nisso?                        

—Talvez. —Disse e um canto de um rouxinol soou por ali em algum lugar. —Agora se vire. —Disse de forma séria, mas tinha um sorriso brincando nos lábios.                        

Jeon revirou os olhos, dando um tapa no ombro do mais velho, e se sentando por cima do mesmo. —Me obrigue.— Murmurou, rebolando.                        

Jimin riu, jogando Jeon contra o chão facilmente e segurando seus braços, enquanto esfregava seu membro nas nádegas fartas. —O que acha disso?                        

O mais novo soltou um gemido baixo, olhando Jimin de soslaio.

—Acho que você é um pervertido, Park Jimin.                        

—Como se você não gostasse. —Ironizou, começando a levantar o vestido do outro, que estava sem nada por baixo e mordeu uma de suas nádegas.                        

Jeon soltou um gritinho com aquilo, e mordeu o próprio braço para abafar os que viriam em seguida, acabando por empinar contra o rosto do mais velho.                        

Jimin preparou Jeongguk antes de penetrá-lo, ao menos era gentil dessa forma e não queria que o outro sentisse dor. Não demorou a ondular seu corpo por cima do outro e gemeu ao sentir cada pedacinho seu entrando no interior apertado do menor.                        

—Príncipe Park...— Gemeu, segurando uma das mãos de Jimin e a colocando em seu pescoço. Se empurrava contra o membro do mais velho de forma desconexa, e revirando os olhos.                        

Jimin segurava em Jeongguk com brusquidão e começou a invadi-lo sem muita delicadeza. Grunhia a cada estocada, a cada mordida, a cada beijo, a cada vez que seus dedos afundavam na pele macia. Não ia demorar muito a chegar ao ápice daquele jeito e levantou um pouco a perna de Jeon, tocando seu membro com a mesma velocidade que o invadia.                        

Jeongguk substituiu seu braço com o de Jimin e maltratava a pele de Park enquanto tinha lágrimas nos olhos. O mais velho lhe proporcionava tanto prazer que era quase um pecado.

—Se derrama em mim, Ji..                        

Jimin gritou entredentes ao gozar dentro de Jeongguk a medida que o mesmo mordia seu braço com força. —Porra... Isso vai deixar marca... —Murmurou cansado e ofegante, encostando a testa no meio das costas do outro.                        

Jeon havia gozado junto ao outro, e estava tão ofegante quanto o corpo acima de si. Olhou para o braço de Jimin e viu sua mordida ali, com alguns filetes de sangue.

—Não deixa seu pai ver.                        

—Ele não vai saber. —Disse absorto, puxando lentamente Jeon consigo para dentro do rio de novo. Se lavaram e se trocaram, e quando o sol se pôs, começaram a voltar para o Palácio.  

//                      

No outro dia um almoço reunindo todas as pessoas importantes do palácio, e suas famílias, foi servido no grande salão real. Jeongguk tentou argumentar com a mãe que não queria ir, mas a mulher não lhe deu ouvidos, e lá estava Jeon. Mais uma vez sob o olhar predador do faraó. Mas, ainda assim, o sorriso em seu rosto teimava a não querer sair, e tudo porque a mão de Jimin apertava sua coxa por baixo da mesa de forma firme.                        

Em certo momento, os dois ficaram conversando sobre tudo, de forma discreta e suave. Jimin dizia a Jeongguk sobre o mundo, Jeongguk dizia a Jimin sobre as artes.

Sabiam que não tinham muito tempo para aproveitarem, então ficavam juntos mais que o normal.

Shugni havia percebido aquilo, e não estava gostando nada. E percebeu também quando os dois se esgueiraram da sala principal, indo atrás dos dois de forma discreta.                        

Jeongguk puxava Jimin pela mão por entre os corredores, rindo de forma abobada, e entrando com o mais velho na sala onde sua mãe trabalhava, logo se sentando na mesa e puxando Jimin para o meio de suas pernas.

—Ah, por favor, me deflore, faraó Jimin.— Jeon falou de forma dramática, rindo baixinho.                        

—Você não presta, Jeongguk. —Dizia Jimin mordendo o pescoço do outro, seu maxilar e bochecha, esfregando-se no meio das pernas do outro. —O faraó vai dar um jeito em você.

Shugni viu vermelho com aquilo. —Guardas! —Gritou com todas as forças de seus pulmões. —Prendam-nos! Agora! Ambos estão condenados à forca! —Gritou e os guardas não demoraram a cercar Jimin e Jeongguk.                        

Jeongguk arregalou os olhos, respirando pesado, e abraçando Jimin com toda sua força. Logo foram arrastados para fora da sala, e até o salão principal novamente. Jeon viu o olhar confuso de sua mãe em si, e apenas murmurou um Me desculpe.

O faraó Shugni começou a acusá-los na frente de todos os presentes, dizendo sua sentença ali mesmo, e Jeongguk chorava, ainda agarrado a Jimin.                        

Jimin ainda tentava lutar, ou se mover, mas sentia como se seu corpo fosse de pedra. Estava mais desesperado com a ideia de Jeongguk morrer, do que sua própria morte.

—Meu pai, por favor... Mata-me se quiser, mas absorva o Jeongguk... Ele não tem—

—Cale-se! Os dois vão morrer por fornicação e por cometerem o ato errado de se envolverem! —Gritou Shugni, cuspindo nos pés de Jimin.

Um rouxinol estava em cima do pau de madeira que segurava a corda do enforcamento e seu canto suave envolveu a todos.

—Me prometa... Que vai ser na próxima vida. Em qualquer uma, contanto que eu esteja contigo de novo. —Disse sem soltar as mãos com as de Jeongguk. A corda começou a ser colocada no pescoço de ambos.                        

Jeon chorava alto, com o rosto vermelho, e apertado forte a mão de Jimin. Olhou para o mais velho, conseguindo soltar um último sorriso, mesmo que seu coração se apertasse com os gritos de sua mãe.

—Você é minha alma gêmea, príncipe Jimin. Isso é só mais uma provação.                        

—Não! Você não pode fazer isso, Shugni, é o nosso filho!—Gritava Aerha, mãe de Jimin, que foi segurada pelo esposo.

—Fique quieta ou eu enforco você também. —Disse o faraó entredentes segurando a esposa e o vão que segurava Jeongguk e Jimin em pé desapareceu, fazendo os dois caírem, enforcados.

O rouxinol cantou pela última vez, com suas asas azuis se expandindo pelo céu.

 


Notas Finais


Vickssea: Eu não sei nem o que dizer... A gente jurava que ia dar menos, acabou dando mais '-' Haushsus

Vejam as fotos de referência que mozão vai deixar nas finais dela, e as músicas também, é tudo importante pra fanfic, okay? Espero que estejam gostando de OIAL e não nos culpem, é tudo por causa do rouxinol! Kkkkkk.

Beijos e até o próximo!

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Bunnykook: Tem alguém vivo aí? Ou vocês tão tipo Jeongguk? /aquela carinha/ UHAHUAHUAHUA desculpa, eu precisava..

Agora, vamos aos links:

https://www.youtube.com/watch?v=73QzQYN8FtE Exo - Lucky One
https://www.youtube.com/watch?v=X4YK-DEkvcw The Killers - Shot At The Night (ja coloquei, mas vou colocar dnv, risos)
https://www.youtube.com/watch?v=lozwVvEtgfw The Maine - Raining In Paris (minha banda preferida gente.. e essa musica é a responsável pelo quotezinho na capa do capitulo, alias, escutem, e imagem o jimin da segunda vida desse cap </3)
Também queria recomendar, combina muito com a fic (E EU SOU DIRECTIONER SIM, obg vc q mencionou no capitulo passado, n lembro o user, manifeste-se): https://www.youtube.com/watch?v=fPdaxcwhEag One Direction - Once In A Lifetime

Algumas referencias DESTE capítulo:

Primeira vida:
http://data.whicdn.com/images/233288564/large.jpg (aparência)
http://s.glbimg.com/po/tt/f/original/2011/05/27/volkswagen-aqua.jpg (carro do jimin)

Segunda vida:
https://68.media.tumblr.com/cb8d448192099b348d29a3d4f992f10e/tumblr_oha3j4UfXI1rn6bm1o1_500.png (noah)
http://data.whicdn.com/images/128583393/large.jpg (campo de lavanda)
http://data.whicdn.com/images/51491466/large.jpg (caminho das luzes)

Terceira vida:
http://efdreams.com/data_images/dreams/atlas/atlas-05.jpg (Atlas, mas isso era meio obvio UHAUHA)
http://cfile29.uf.tistory.com/image/2212BA355330C6FD05C4A2 (Palácio)


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