História Ondas de uma vida roubada - Capítulo 74


Escrita por: ~

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Categorias Os Vingadores (The Avengers)
Personagens Anthony "Tony" Stark, Clint Barton, Personagens Originais, Steve Rogers
Tags Marvel, Ondas De Uma Vida Roubada, Vingadores
Exibições 4
Palavras 1.378
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 74 - Fruto Vermelho


- Fracassos, fugas, arrependimentos, vacilos, transparecem através da penumbra azulada das minhas palavras cruelmente torturadas pela decadência do passado e da caótica misericórdia do presente. Sentado sobre um manto de espigões arrepiados pela raiva e pela frustração, percorro as mil marés frias e envenenadas dos meus pensamentos, decrépitos, angustiados e enevoados, forjados pela cobardia das sombras, desaguam num oceano coberto de estilhaços cortantes e ardentes que dilaceram a paisagem fresca e linda de uma inocente íris azul, assolada e vitimada pela minha excessiva protecção e pela minha falta de fé, porém a vida justamente encarregou-se de me castigar, a mim e a ela, o anjo mais belo e puro que o mar colocou sobre a terra, a flor mais fresca que paira sobre a bondade dos homens, a pedra mais preciosa e polida que navega através das correntes verdes da esperança. As palavras estão cansadas, gastas pelo passar das escuras e deprimentes Primaveras, assoladas e maltratadas pelas minhas angustiadas lágrimas, fatigadas pelos meus sonhadores lamentos de perdão, contudo tenho consciência que nem o demónio fecharia os seus flamejantes olhos a tal miserável cobardia, resta-me sobreviver com este peso insuportável que as minhas ignorantes lembranças exercem sobre o meu lúgubre passeio, aniquilado e fustigado pelos gelados ventos da traiçoeira miséria, desfeito e aprisionado pelas aguçadas rochas da desilusão, sufocado pelo choro aflito e paralisante daquela estrela que iluminou o firmamento manchado e arrebatado pelo fumo carmesim do oceano, o choro da minha querida filha. O sol já não reluz como reluzia antigamente, ensanguentado, ferido e triste, contudo reluzia, agora o avanço sibilado da noite evapora os pequenos raios de alegria que senti a quando do brotar daquela doce flor diante dos meus olhos, agora a palidez da madrugada somente se traduz por lembranças atrozes de uma realidade perfeita, próspera e angelical que estupidamente libertei sobre as ondas do mar, transformando o seu valor cristalino numa parede enegrecida pela mão do erro, uma parede que impediu a luz americana de percorrer os portos marinhos do meu coração. Princesa agarra-te à vida, sobrevive presa pela esperança de um mundo melhor, floresce de novo numa nova rebentação ondulante e espumosa, sorri através das asas azuis da madrugada, estou aqui, tão perto e tão longe como o céu está do mar. - Pensava o pai de Diana tristemente, absorvendo cada deliciosa e dura gota de maresia que floria do oceano. - Luta por mim.

A conceituada doutora Sophia corria apressada pelos corredores desertos do hospital, segurando entre os finos e dedicados dedos o nome do homem que arrancaria Diana dos portões patrulhados pela sombria morte. O seu rosto era iluminado por um sorriso genuíno, que descrevia o sentimento de dever cumprido, salvar vidas era a maior bênção que os céus lhe podiam dar, esperava sinceramente que assim fosse durante muitos anos, pois aquele hospital alimentava o seu coração e a sua bondade, preenchendo a sua vida com uma luz mais brilhante e reconfortante do que os reluzentes raios de sol, satisfazendo os seus mais íntimos pensamentos com as doces bagas da esperança e da solidariedade, tornando os seus dias mais negros e desoladores em noites cristalinas e cantantes.

- Desculpe, posso falar consigo? Tenho boas notícias...

- Doutora não me diga que sou eu que...

- Sim é mesmo, deve dar graças a deus por esta dádiva do destino. - Anunciou a dedicada Sophia em voz entusiasmada.

- Posso vê-la antes de procedermos à transfusão? - Perguntou o dador em tom emocionado, pegando no papel que Sophia segurava entre os dedos.

- Claro venha comigo. - Respondeu a doutora alegremente, começando a trepar o largo e deserto corredor até ao tranquilo quarto de Diana. - Só lhe peço que seja o mais breve possível, até já.

Clint Barton entrava silenciosamente pela porta entreaberta do quarto de Diana, arrastando na sola dos seus ténis a chegada serena da madrugada e com ela o brilho verde do horizonte distante, onde o seu grande amor pela morena ribombava como uma a poderosa tempestade de emoções e sentimentos.

- O teu corpo inerte e macio lembra-me a pureza incontestável de uma pérola marinha, uma pérola linda, fresca e tranquila, navegando ao sabor das correntes da gentileza e da harmonia. O teu rosto pálido e parado passeia-me sobre uma seara de trigo, puro, dourado e esvoaçante, cantando alegremente sobre o horizonte azul do meu coração. O teu doce e arrogante sorriso beija os meus lábios com a inconfundível delícia dos favos de mel, que guiam os meus sonhos até às tuas mãos. Os teus cabelos cor de chocolate alucinam a minha conturbada realidade transformando-a em milhares de quadros fantasiosos, reflectindo nas suas aguarelas coloridas o meu futuro a teu lado. A tua gentil voz encanta o brilho ilusório das estrelas, anulando a tristeza das noites escuras e chuvosas. - Pensava o Arqueiro tristemente, afagando os cabelos de seda da única mulher que alguma vez deu sentido à sua vida. - Talvez estas palavras de perdão e arrependimento nada simbolizem neste momento, talvez somente passem de meras divagações do vento e do mar, talvez sejam apenas lamentos de mil amoras vermelhas, talvez percorram o infinito como ecos tristes e amorosos, contudo é o que eu sinto, um fogo escarlate, forte e viciante, um fogo tão poderoso que nem a bravura do teu oceano consegue extinguir, um fogo que apenas é abafado pela enorme falta que me fazes. - Reflectia pensativo, recordando um dos livros favoritos daquela flor de carinho e amor. - Acredito que fomos duas marionetas do destino, duas almas apaixonadas colocadas à prova pelo exército celestial, dois corações subjugados pelas vicissitudes terrenas, dois amantes seduzidos pela linda luz do pecado e da luxúria. O meu sangue será a magnífica ponte que traçará a nossa união para todo o sempre, uma união inquebrável, linda e perfeita, bafejada pela harmonia dos sonhos e pela trepidante fantasia, o meu sangue será o fruto vermelho que rebentará através das ondas de algodão do nosso amor, conduzirá os nossos corações até à frescura açucarada da reconciliação. Perdoa-me princesa. - Pediu em voz sumida, beijando a doce Diana nos lábios, depositando neste suave gesto todos os seus desejos, medos e promessas, não era tarde para recomeçar. - Só agora que me foges como uma bela e perfeita gota de água pela fissura melancólica dos meus dedos é que me apercebo realmente da falta que me fazes, sem ti a meu lado a minha existência torna-se escura e triste, uma madrugada desfalcada de sentimentos, uma vereda campestre desprovida do teu sabor a cereja, uma praia sem rumo nem bagagens, uma avalanche vazia de sonhos e verdades, uma Primavera abandonada pelo teu doce perfume do oceano, uma estrela sem luz nem felicidade, volta para mim.

- Pai! - Sussurrou a voz trémula e distante de Diana, abrindo ligeiramente os seus lindos olhos azuis, segurando na mão do louro.

- Diana, sou eu, o Clint. - Respondeu o arqueiro em tom emocionado, era perfeitamente normal que a palavra que a jovem murmurasse após o seu despertar fosse o vocábulo pai, conhecia muito bem a importância do seu sonho de o reencontrar, era com essa finalidade que ela vivia, era essa finalidade que a fizera despertar. - Não te esforces, estás muito fraca, perdeste muito sangue, mas vai ficar tudo bem. - Tranquilizou-a, acariciando-lhe ternamente o rosto, optara por não lhe contar que era ele o seu dador, não suportaria escutar palavras de gratidão vindas daqueles lábios maravilhosos que enchiam a sua vida de aroma e sabor.

- Clint o que aconteceu? - Perguntou a Vingadora em voz baixa, tudo na sua mente era um mar de confusão e dor.

- Mais tarde terás tempo de perceber tudo, agora descansa mais um pouco, quando eu voltar quero ver o teu lindo sorriso de novo. - Afirmou o Gavião aliviado, saindo pela porta do quarto rumo à salvação de Diana.

A vida corre e não espera por nós, os sonhos florescem na nossa mente, contudo iludem-nos, a realidade caminha a nosso lado fazendo-nos tropeçar nas suas artimanhas, o coração bate tranquilamente ao sabor das nossas emoções e sentimentos, porém um dia pára o seu percurso, entrando nos dourados jardins da morte, contudo existe uma coisa neste mundo que sobrevive a todas estas assimetrias e contrastes, o amor incondicional.


Notas Finais


O livro a que Clint se refere nos seus pensamentos intitula-se, “Fazes-me Falta”, da autoria da escritora Portuguesa Inês Pedrosa, uma história fascinante que opõem os devaneios da morte e as peripécias da vida, contada na primeira pessoa em duas vozes que representam a força do amor que sobrevive até ao passar dos ventos da Rainha das Trevas, tornando-se algo imortal que anula as recordações da vida e as lembranças da morte, transformando-as num véu que une as duas almas pelas cordas da cumplicidade e do amor.


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