História Ondas de uma vida roubada - Capítulo 81


Escrita por: ~

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Categorias Os Vingadores (The Avengers)
Personagens Anthony "Tony" Stark, Clint Barton, Personagens Originais, Steve Rogers
Tags Marvel, Ondas De Uma Vida Roubada, Vingadores
Exibições 4
Palavras 2.817
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 81 - Areias do destino


A madrugada azul e fresca voava leve e perfumada nas asas de prata da borboleta rainha do amor, arrastando na sua doce brisa os corações apaixonados de Diana e Clint sobre o areal macio do sonho, as suas mãos unidas abraçavam a pureza silenciosa das ondas do mar, enquanto os seus lábios mergulhavam nas profundas e mágicas teias do desejo.

- Ficava aqui contigo para sempre. - Murmurou o louro em voz carinhosa, tacteando com os seus dedos frios os cabelos achocolatados da magnífica Sereia. - Ficávamos aqui só tu e eu, longe do resto do mundo. - Disse, unindo o seu pulso ao de Diana com uma fina fita azul.

- Não seria uma má ideia. - Aprovou a morena em tom apaixonado, beijando o Arqueiro nos lábios, cravando no horizonte distante e aveludado os seus mais profundos desejos.

- Princesa, eu amo-te tanto, tanto que não encontro palavras para descrever o que sinto. - Confessou o mestre das setas com a sua voz traquina dragada pelo desejo, a sua voz ressoava como um violino na atmosfera marítima, evaporando-se no ninho de nuvens brancas pintadas no céu.

- Clint o que se passa? Amor fala comigo! Clint não vás! - Gritava a adolescente em tom desesperado, vendo o seu namorado desvanecer-se perante o azul cristalino do mar. - Clint segura a minha mão! Não me deixes, por favor! - Berrava em voz dragada pela angústia, tacteando na água fria do oceano.

- Miúda acorda, vamos lá. - Disse uma voz evasiva, entrando de rompante pelo sonho da Vingadora.

- Meu Deus que sonho horrível. - Sussurrou Diana em tom triste, levando as mãos ao rosto. - Estava a sonhar com...

- Eu sei, estavas a sonhar com o Clint, há quatro semanas que te ouço gritar por ele. - Completou o caminhante das sombras de forma estranha e pensativa, abrindo a janela da pequena cabana onde habitava. - Tens fome? - Perguntou em tom preocupado, fitando as ligaduras que emolduravam o braço direito da jovem.

- Alguma, tenho a sensação de que dormi durante anos. - Comentou a adolescente confusa, olhando em volta. - Não consigo lembrar-me claramente do que aconteceu, como cheguei até aqui.

- Agora isso não interessa, a única coisa que realmente importa é a tua recuperação. - Proferiu o estranho homem de forma apaziguadora, pegando numa enorme mala de primeiros socorros.

- Os Vingadores sabem que tu me trouxeste para esta cabana? - Perguntou a Sereia surpreendida, se ela estava num estado tão grave porque não estava num hospital, rodeada de excelentes profissionais de saúde e dos seus amigos?

- Apesar da tua extraordinária coragem e da tua indomável força de vontade, ninguém escaparia daquela explosão para contar a história, porém eu acredito que eles ainda seguram nos seus corações uma leve esperança que tu estás viva, esse é o valor da verdadeira amizade. - Proferiu o viajante do mistério em voz baixa, começando a retirar a ligadura que protegia a perna partida da morena. - Tens um longo tempo de recuperação pela frente, esta perna está muito difícil de cicatrizar.

- Eu tenho o meu cartão ID, eles acabarão por me detectar, tenho a certeza. - Disse Diana de forma ansiosa, rangendo os dentes de dor.

- Desculpa desiludir-te, mas eles não te irão encontrar, eu destruí o teu cartão. - Retorquiu o caminhante das sombras de forma rancorosa, imobilizando de novo a perna da jovem. - Eu não posso entregar a tua segurança nas mãos de alguém que desvaloriza a tua vida, eu já não confio na protecção dos Vingadores. Por favor perdoa-me, eu melhor que ninguém tenho observado o sofrimento que te arrasta para a perdição do fumo da insegurança, a tua angústia em cada hora de sono, o teu desalento em cada brusco gesto de dor. Eu vi a tua alma sucumbir perante aquelas chamas infernais, eu ouvi a tua coragem gritar à medida que adormecia triste no regaço flamejante do demónio. Eu escutei as tuas lágrimas chorarem de lamento sugadas pela mão cinzenta do inferno. Eu senti o teu sangue quente e perfumado jorrar sobre o meu coração, afogando a minha alma numa colina de tormenta e receio. Tenho consciência de que não a posso prender aqui para sempre, no entanto ficará comigo até se restabelecer por completo.

- Provavelmente eles pensam que eu morri. - Constatou Diana aterrorizada, enquanto o estranho homem lhe fazia o curativo de diversas escoriações.

- Se eles acreditarem realmente na tua força de vontade jamais pensarão tal coisa. - Disse o viajante do enigma em tom encorajador, mantê-la tranquila era a fórmula secreta para a sua rápida recuperação, não a podia deixar cair no desespero.

- Obrigada por me teres salvado, não sei como te recompensar. - Afirmou a Vingadora em tom sumido, pegando na mão do seu salvador com a pouca força que ainda lhe restava, os seus olhos azuis água inundaram-se com milhares de gotinhas de prata.

- Mantém-te viva, essa é a única recompensa que eu posso aceitar, nada mais me interessa. - Respondeu o caminhante das sombras em voz doce, remexendo num saco de papel. - Agora come. - Disse, passando um pacote de leite com chocolate e um croissant com queijo à Sereia.

- Onde estamos nós afinal? - Perguntou a morena de forma curiosa, olhando em redor, estava triste por estar longe dos seus amigos e do seu namorado, porém a tranquilidade que emanava daquele sujeito era como um feitiço mágico e maravilhoso.

- Estamos numa cabana campestre, pensei que gostasses de repousar num local sereno, quando te sentires melhor posso levar-te a dar um passeio junto ao rio que navega nesta área. - Explicou o estranho homem de forma simpática, tomando igualmente o pequeno-almoço sentado no chão encostado á parede de madeira.

- Achas que eles já me tentaram encontrar? - Perguntou a Sereia apreensiva, limpando a boca a um guardanapo.

- Acredito que já percorreram o mundo à tua procura, mas agora não penses nisso, fica tranquila. - Respondeu o caminhante das sombras em tom sério, jogando o seu pacote de leite num pequeno caixote de lixo.

- Eu não quero ficar aqui, agradeço tudo aquilo que fizeste por mim, todavia eu preciso de estar com os Vingadores, por favor deixa-me ir. - Pediu Diana em tom suplicante, talvez estivesse a ser ingrata com aquele homem que lhe salvara a vida, mas sentia um enorme vazio no seu coração.

- Eu não te posso deixar ir, e para falar a verdade não estás capaz de ir a lado nenhum sozinha. - Retaliou o viajante do enigma em tom calmo, fitando o céu platinado que desfilava sobre a vereda campestre. - Perdoa-me miúda, isto é tudo para teu bem, um dia compreenderás os meus motivos. - Pensou tristemente, pegando numa velha folha de jornal. - Agora descansa, eu já volto.

- Clint espera por mim. - Reflectiu a Vingadora de forma melancólica, vendo a porta da cabana fechar-se com ruído.

Clint caminhava perdido nas imediações do infantário devastado pelo terror e pela nostalgia silenciosa de um oceano azul. Estagnou perante a porta trancada onde a sua grande paixão se desvanecera através do ruído assobiado da voz do diabo, limpou os olhos azuis e inchados com a ponta triste de um lenço branco, as suas lágrimas incendiavam a sua alma, lançando o seu destroçado coração num abismo negro, polido pela cruel espada da solidão. A seu lado vagueava o enorme cão branco, absorvendo todo o sofrimento que emanava daquele lugar, desde a inesperada partida da sua amada dona que habitava o apartamento do Arqueiro, porém os seus olhos doces já não reluziam a luz brilhante do sol, os seus lábios já não sorriam perante o carinhoso barulho da saca da ração, o seu pêlo, habitualmente macio e meloso já não reflectia o amor que aquele animal nutria pela liberdade e pela vida, o seu coração, outrora alegre, era agora bafejado pelas estrelas negras da infelicidade.

- O ar ainda telinta com o doce perfume da sua voz, o céu ainda reflecte a sua carinhosa imagem, o fumo desenha a sua alma corajosa e pura no meu coração, o fogo crepitante do seu sorriso ainda inunda as noites escuras, a brisa do mar ainda transporta o seu delicado sabor a cereja pelas vagas silenciosas dos meus lábios. - Pensava Clint tristemente, estagnando junto de um pequeno jardim onde uma fonte o acompanhava humildemente no seu choro desesperante. - Os meus sonhos perderam a cor, o ar e a nostalgia ribombante de mil beijos da maresia, os meus dias marcham sobre um vento gelado e assustado que arrasta para longe de mim a frágil réstia de esperança de um futuro claro e cristalino ao lado da minha encantadora Sereia. - Desabafava em pensamento, enquanto as lágrimas lhe saltavam dos olhos como leves e tristes plumas primaveris. - Os sinos rebentam de dor enquanto as pétalas da verdade murcham perante o sangue carmesim do tempo, as preces da aurora catapultam as minhas emoções para as lembranças que ainda guerreiam contra a minha insuportável tristeza, eu espero por ti até ao fim dos meus dias. - Decidiu de forma determinada, parando junto de uma pequena capela que dançava sobre os seus mais íntimos e dolorosos desejos. - Farei da tua coragem a minha coragem, e juntos cortaremos como setas o véu do futuro.

Steve Rogers aninhava-se pensativo no parapeito claro da sua janela, fitava com profunda repulsa o firmamento distante e sonhador, deixara de acreditar, venerar ou seguir as suas crenças, já não era o mesmo, o seu coração, alma e misticismo eram agora bombardeados pela solidão e pelo arrependimento.

- As sombras da saudade enlouquecem-me a mente, o nevoeiro do sofrimento rasga o meu coração, o fumo da verdade escura do desespero sangra melancólico nas minhas palavras vazias de sentido e abandonadas pelos raios brilhantes da liberdade. - Reflectia o bravo e angustiado Capitão, enquanto o seu rosto era afogado na água da perda. - A coragem que eu nela idolatrava ainda flutua fresca e perfumada nas margens silenciosas e tristes do mar, a sua incrível e apaixonante força de vontade ainda abençoam as vagas floridas de algodão, o seu delicado espírito ainda vagueia perdido na minha desprotegida alma, as suas honestas palavras de amizade ainda deslizam coloridas pelos cristalinos ventos da mudança. Alguém como ela, linda, corajosa e insubstituível permanecerá imortal na rosa branca do mar. O meu triste interior berra de fúria quando o simples facto de imaginar que ela se desvaneceu nas espumosas águas do mundo, recuso-me a acreditar nisso, ela continua a cantar em cada alegre e deliciosa primavera. Serás para a infinita eternidade a brava guerreira que tombou sobre as mãos duvidosas da coragem, a tua inigualável força de vontade será para sempre recordada como um dos tesouros mais idolatrados pelos heróis mais poderosos da terra, serás para sempre uma vingadora. Volta para mim. - Pediu em tom suplicante, limpando os olhos com a manga de veludo da esperança, parte de si já tinha desistido de encontrar Diana, porém a sua teimosia continuava implacável, procurando um leve sinal que fosse da sua doce Vingadora, algum desses dias ela voltaria a iluminar as suas madrugadas. - Sem ti nada mais me resta, sinto-me como se dormisse de novo no gelo. - Murmurou de forma melancólica, olhando para uma pequena fotografia de Diana que guardava na sua carteira.

A cidade de Nova York continuava a sua rotina citadina sem reparar que uma adolescente de apenas dezasseis anos perecera ao sibilar arrogante de uma bomba. A criminalidade e os maus hábitos continuavam a arrastar-se silenciosos em cada esquina, tornando a fraca luz do sol negra como breu, à medida que os heróis mais poderosos da terra esforçavam-se por levar a cabo um luto que teimava em não chegar, pois a esperança, por mais remota que fosse, de Diana permanecer entre eles ainda palpitava em cada honrado coração.

- Estes abutres ainda continuam a especular sobre a morte da Vingadora cuja identidade ainda não se conseguiu apurar, fogo já passou tanto tempo e a história continua nas primeiras páginas. - Ripostou Thor em tom furioso, alguns dias mais tarde, sentado na mansão dos Vingadores.

- Imagino quantos lucros já não entraram nos cofres destes metediços. - Comentou Scott no mesmo tom reprovador, fitando com agressividade a primeira página do Clarim Diário.

- Se certas e determinadas pessoas não pensassem somente no seu umbigo, estas notícias jamais existiriam. - Retorquiu Clint em voz triste, acariciando a pelagem branca do Gavião. - Se as pessoas pensassem menos em si e mais nos outros, este mundo era bem melhor. Porém insistem em cometer os mesmos erros, vezes e vezes sem conta, parece que não aprendem nada.

- Já chega de indirectas Clint, não és só tu que estás a sofrer com o desaparecimento da Diana, por isso basta desses comentários cínicos. - Retaliou Steve de forma impaciente, deitando ao chão o bloco que estava a analisar.

- Eu não chamo sofrimento ao que te tira horas de sono, chamo arrependimento, culpa...

- Não te admito que coloques em causa o que eu sinto ou deixo de sentir, tu não és ninguém para me julgar! - Gritou o Capitão, deixando a frustração que o assombrara durante semanas tombar sobre as acusações do Arqueiro.

- Já chega desta discussão, isto não nos vai levar a lado nenhum! - Ordenou Tony em tom imperativo, entrando a passada larga na sala.

- Vejam bem quem chegou, o senhor moralidade! - Exclamou o mestre das setas de forma sarcástica, sorrindo maliciosamente. - Então Stark tens dormido bem na companhia da culpa?

- Eu não tenho passado dias nada fáceis, imaginas a pressão que eu tenho sobre mim? - Inquiriu o Homem de Ferro ligeiramente irritado.

- E tu achas que os meus dias têm sido fáceis de suportar? Achas Stark? Eu estou-me a lixar é para a tua pressão, sabes que mais morre longe, bem longe...

- Parem com isso! - Berrou o Homem Aranha em voz furiosa, lançando diversas teias dos seus lançadores, imobilizando os lábios dos combatentes da palavra. - Vocês dizem-se amigos da Diana, pensam que a conhecem, pensam que sabem todas as capacidades que aquela miúda possui, mas na realidade vocês não sabem nada sobre ela, porque se soubessem saberiam claramente que ela não está morta, ela está viva algures por aí, à espera que nós a encontremos, por isso deixem-se de discussões parvas e metam mãos à obra.

- Muito bem meu amigo Homem Aranha! - Aplaudiu Thor em voz determinada, abraçando o jovem herói.

- Tu achas que realmente ainda existe uma pequena chance dela estar...

- Nem coloco isso em causa, ela está viva Capitão. - Proferiu Peter de forma enérgica, levantando um punho no ar.

- Então vamos ver de novo as imagens captadas nesse dia, pode ser que encontremos alguma coisa que nos tenha escapado. - Decidiu o super-soldado de forma pensativa e esperançada.

- Já vimos essas malditas imagens vezes e vezes sem conta, acho que só vamos abrir mais um pouco a ferida que ainda não cessou o seu intemporal sangrar. - Desabafou o mestre das setas em tom triste, deitando gotas de saudade sobre o relógio primaveril.

- Escuta Clint, é verdade que o sofrimento que sentes não tem comparação, porém eu tenho a certeza que se fosses tu a estar desaparecido a Diana jamais desistiria de ti, ela jamais baixaria os braços, ela iria até ao fim do mundo para te encontrar, acho que pelo menos lhe devias retribuir o amor que ela sente por ti. - Murmurou Peter em tom compreensivo, dando uma palmadinha de encorajamento no ombro do Arqueiro. - Vamos encontrá-la juntos. Acho que gastei o meu stock de lamechice dos próximos séculos, apesar de acreditar que eu não vou viver séculos!

- Talvez tenhas razão, então vamos lá, pode ser que tenhamos sorte. - Assentiu o mestre das setas de forma insegura, sentando-se junto de Scott, olhando o vazio frio da sua alma, ainda restava uma pequena pétala de nenúfar que o fazia respirar e acreditar num futuro feliz ao lado da bela Sereia.

- Tony consegues fornecer-nos as imagens? - Perguntou Steve em voz baixa, fitando o seu amigo com um leve trago de súplica no olhar.

- Claro. - Respondeu o milionário em tom sumido, a culpa e o arrependimento rasgavam-lhe o ego com a brutalidade de mil adagas de ferro. - Só vos queria informar que o Nick Fury logo à noite vai passar por cá, pedia-vos que estivessem presentes.

Uma pequena réstia de esperança floresce no céu, uma nova e resplandecente luz volta a iluminar o caminho dos heróis mais poderosos da terra, o reencontro com Diana está gravado nas palmas justiceiras das suas mãos.

Conseguirão os Vingadores encontrar a Sereia? O que quererá o director da S.H.I.E.L.D. Dos heróis mais poderosos da terra?



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