História Ondas em Rebentação - OAdT livro 2 - Capítulo 17


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Categorias Originais
Tags Gay, Lemon, Mpreg, Romance, Sereia, Tritão, Yaoi
Visualizações 193
Palavras 2.183
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishounen, Fantasia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Desculpem o engano </3 postei o capítulo na fic errada :c
Já está no lugar certo agora <3

Capítulo 17 - Interlúdio 03


Fanfic / Fanfiction Ondas em Rebentação - OAdT livro 2 - Capítulo 17 - Interlúdio 03

Gabe me emprestou uma prancha e protetor solar. Tudo o que eu não queria era ficar sozinho com Alisson, mas o irmão mais novo parecia determinado em me avacalhar.

Eu adentrei as ondas cristalinas até a água alcançar meu peito, assistindo Alisson escalar uma grande onda, tão ágil que nem precisava ter se aposentado. Consegui surfar uma onda menor logo depois, tentando desviar meus pensamentos daqueles músculos molhados.

Após a brincadeirinha do Gabe, Alisson decidiu nem me olhar nos olhos, então eu só podia rezar que o churrasco ficasse pronto logo, e eu pudesse voltar à praia sem me constranger ainda mais.

Distraído com meus milhões de pensamentos, não percebi a onda acabar mais cedo. Eu caí de mal jeito na água e a prancha empinou e acertou minha testa.

Quando eu emergi alguém tirou a prancha de cima de mim, e eu quase tive um ataque do coração.

"Você se machucou?" Alisson segurou minha prancha e estendeu a outra mão para me ajudar, mas logo mudou de idéia e a recolheu.

"Que tipo de filhos  você quer ter?"

Opa. Ai, socorro, que pergunta eu fui fazer??

Alisson abriu a boca em surpresa, seu corpo de deus grego subindo e descendo no ritmo das ondas.

"Quê?" Ele enfim conseguiu perguntar, enquanto verificava minha cabeça. Devia pensar que a prancha bateu muito forte.

Meu rosto ardeu de vergonha, e eu considerei bater a cabeça de novo, e tentar entrar em coma dessa vez.

"Supondo que... ahm... não houvesse outra mulher... você ainda teria seis filhos?" Perguntei, tão envergonhado que nem a quebra das ondas conseguia me esfriar.

Infelizmente Alisson não era burro. Pelo choque em seu rosto, ele entendeu muito bem a minha pergunta. Eu começava a me questionar que tipo de masoquista eu era, porque atravessei o mundo apenas para passar ridículo.

"Michel, eu destruí a sua vida." Ele disse.

Meu peito apertou, e eu lutei para manter as memórias bem lá no fundo, onde era o lugar delas.

"Tenho dois PHDs, Alis. Não estou exatamente me embebedando numa sarjeta."

Alisson abriu seus lábios carnudos para me responder, e fechou a boca de novo. Mesmo sob o bronzeado eu o notava corar. Nunca na minha vida Alisson reagiu assim comigo, e aquela já era a segunda vez naquele dia.

"Você nunca vai desistir." Ele desviou o rosto para as ondas adiante. Pelo tom de voz não era uma pergunta, mas uma constatação.

O que eu podia dizer? Se eu falasse que nunca tentei desistir, estaria mentindo. Minha jura de amor se mantinha tão forte naquele momento quanto naquele dia horrível, em que eu era um simples adolescente assustado perdendo o último chão sob meus pés. Nós seguimos em frente, cada um do seu jeito, e nos tornamos pessoas tão diferentes. Um campeão mundial de surfe e um médico obstetra.

E ainda assim, mesmo após tanto tempo, Alisson era... Alisson.

Nós dois nos fitamos, sozinhos entre as ondas e sob o azul do céu. Eu deveria dizer alguma coisa, qualquer coisa, mas quando abri a boca, uma névoa preta ondulou entre nós dois, erguendo-se da água.

Alisson deu um grito assustado, mas eu logo reconheci o que era aquilo. Dylan emergiu e me fuzilou com seus olhos verdes, quase ocultos sob o cabelo preto encharcado. Parecia um personagem de filme de terror.

"O almoço está posto. Façam companhia ao meu predestinado." Falou Dylan, pouco se importando com o clima esquisito.

Na praia distante, Gabe sinalizava um óbvio não com os braços, tentando ser avistado pelo Dylan e falhando.

Por um instante eu grunhi de frustração, mas ver a surpresa na cara do Alisson me fez dar risada. Dylan nadava tranquilamente entre nós dois, oscilando aquele rabo de peixe que desafiava as leis da biologia.

"Já estamos indo." Alisson devolveu minha prancha e segurou-se à dele, acompanhando Dylan de volta à praia.

Eu segui logo atrás, atordoado. Será que Alisson estava olhando pra mim mais que o normal, ou eu quem estava mais sensível à atenção dele? Será que Alisson me via de outra forma?

Será que eu... tinha uma chance?

Me distraí tanto que acabei colidindo com as costas do Alisson. Ele havia deixado Dylan seguir à frente.

"Desculpa." Falei, acompanhando ao seu lado.

"Não importa como a criança vai nascer, ou se vou adotar. Um filho é um filho." Falou ele.

Ignorando a confusão no meu rosto, Alisson apressou o passo de volta à areia seca, onde Gabe resmungava alguma coisa com o Dylan.

Não consegui me mover por vários segundos. O que Alisson quis dizer com aquilo?

Como sempre, eu precisaria imaginar a resposta. Alisson já brincava com as gêmeas na parte rasa do mar.

Eu sequei o corpo na primeira toalha que encontrei e me sentei à mesa, e logo os outros me acompanharam. O delicioso prato de hambúrgueres e salsichas fumegava ao centro da toalha xadrez, com um aroma tão gostoso que meu estômago rugiu.

"Nosso filhote deu notícias?" Dylan perguntou ao Gabe, enquanto ajeitava as gêmeas em seus cadeirotes. "Vou ter uma longa conversa com ele."

"Faça isso, e eu terei uma conversa ainda maior com você." Gabe afinou os olhos para Dylan de um jeito que assustou até a mim. Ele vasculhou as mensagens do celular. "Nada, mas os meninos logo..."

"Mil perdões pelo atraso!" Hian apareceu por dentro da casa, esbaforido como se corresse uma maratona.

Maikon apareceu logo atrás dele murcho e revoltado como de costume.

"Onde vocês se meteram?" Alisson devolveu a exata mesma expressão ao filho, mas notei seu suspiro aliviado.

Maikon não deu a mínima para a desaprovação do pai e posicionou-se à ponta da mesa com Hian, passando o olhar por todos nós.

"Hian decidiu que essa família não é terrível o suficiente, então ele tem uma novidade." Maikon fuzilou Hian com o olhar, emputecido.

Hian manteve o sorrisinho tímido, com a cabeça tão baixa que o cabelo escondia os olhos. Ele sempre foi tão discreto, eu podia imaginar seu desconforto em pedir atenção.

"Vocês podem contar enquanto comem." Gabe afagou a cabeça de Hian, alegre e animado como sempre. "Sentem-se meninos. O Dylan preparou..."

"É importante." Hian interrompeu Gabe e olhou para mim. "É importante para o Doutor."

"Para mim?" Eu arqueei a testa.

Hian sorriu e confirmou com a cabeça, um pouquinho mais confiante. Maikon bufou em desprezo e resolveu sentar-se ao lado do pai, deixando-o sozinho para discursar.

"Tenho alguém para apresentar." O garoto jogou a franja para o lado, numa mistura de vergonha e empolgação.

Eu dei uma risadinha. Que grande notícia poderia vir de um garoto de catorze anos?

"Encontrei o filho perdido do Doutor Michel." Ele continuou.

Espera.

Para tudo, produção.

O quê???

Eu olhei ao redor, e Gabe e Alisson olhavam para mim com o mesmo espanto.

"Ahm... Hian, meu querido afilhado, eu não tenho filhos." Eu sorri, constrangido.

"Foi o que eu disse pra ele." Maikon rosnou, espetando uma salsicha como se fosse um crânio.

"Tem sim. Eu lhes apresento Shane Velvet."

Hian estendeu a mão à porta dos fundos, e de lá apareceu um cara muito familiar. Alto, cabelo rosa-pink cobrindo um lado do rosto, pulseiras e gargantilha de pinos metálicos, que destoavam da bermuda preta de praia. Os músculos eram bem salientes para um cara tão alto e magro.

E então me lembrei de onde o conhecia e comecei a rir. Já havia visto aquele cara dezenas de vezes em fotografias, e nas revistas de banda que a Kandi me mandava.

"Shane, enfim nos conhecemos pessoalmente." Eu acenei ao pobre rapaz, que parecia profundamente encabulado. "Sou um amigo da sua mãe. Doutor Michel, lembra? Ela já te falou de mim."

"Você teve um filho com a Kandi?" Alisson sussurrou pra mim, tão confuso que eu ri ainda mais alto.

"Claro que não." Eu levantei para cumprimentá-lo. "Hian, não sei como conheceu esse cara, mas ele é filho de uma amiga que conheci na adolescência."

"Eu farejei seu cheiro nele." Ele disse, tão calmo como quem anuncia sua cor favorita. "É o mesmo cheiro."

Shane Velvet apertou minha mão percorrendo seu olhar por nós, certamente se perguntando o melhor momento para sair correndo. Eu comecei a me sentir mal por ele, e decidi resolver rápido aquele mal entendido.

"Hian, não invente coisas assim. Você não pode farejar o pai das pessoas, porque se pudesse, o seu pai Dylan também poderia e..."

Todos fizeram um silêncio ainda maior. Eu me virei para Dylan e meu sangue esfriou dentro do peito.

Dylan encarava diretamente Shane Velvet, com uma expressão tão surpresa que nem lembrava o tritão autocentrado de sempre. Seus olhos verdes cintilaram num brilho sobrenatural.

"Maldição. O maculador se reproduziu." Disse ele.

Hian olhou pra mim com um sorriso de vitória.

A alegria desmanchou do meu rosto, e só restou espanto e perplexidade. Só podia ser brincadeira, não é? Então por que todos pareciam tão assustados?

 

****

 

Aquilo não foi um churrasco, foi uma catástrofe. A tensão no ambiente constrangeu tanto o filho da Kandi que ele logo chamou um táxi, e me deixou apenas seu número. Eu não soube nem como começar a reagir. Todos ficaram me olhando, tão confusos quanto eu e incapazes de raciocinar.

Horas mais tarde, quando Alisson e Dylan terminavam de recolher a louça, eu finalmente descongelei e entrei no modo pânico total.

"Um filho! Eu tenho um filho rockstar de vinte e seis anos!" Gritei, dando voltas pela sala do Gabe.

"Não é rock, é death metal." Gabe bebeu seu chá calmamente, cruzando as pernas na poltrona. "E ainda não temos certeza. Vocês farão os exames para descobrir, como humanos normais."

Eu esfreguei meus cachos loiros, como se isso fosse ativar minha memória. Já havia transado com muitas mulheres, centenas delas, mas nenhuma era a Kandi. Ela mudou-se para Nova York na minha adolescência, e nos falamos por carta e e-mail desde então. Eu recebia fotos do Shane desde que era um bebê, Kandi não conhecia o pai dele.

"O que pretende fazer, se ele for seu filho?" Perguntou Gabe.

"Não é meu filho. Eu e a Kandi nunca... digo... eu acho que nunca..." Eu me joguei na poltrona oposta, quase virando o chá em cima de mim.

"Isso os exames vão dizer." Gabe entregou sua xícara vazia ao Alisson, que continuava carregando louça para a cozinha e evitando contato visual comigo. "Não conheço essa tal de Kandi, mas se ela é sua amiga até hoje, deve ser uma pessoa legal."

Minha visão duplicava de tanta confusão. Eu bebi o chá lentamente, com o olhar perdido para o nada, incapaz de tomar foco.

"O garoto precisa de um pai, só tem um jeito." Eu dei um longo suspiro. "Vou pedir a Kandi em casamento."

Algo estilhaçou atrás de nós, me trazendo de volta com o susto. Eu e Gabe espiamos na direção da cozinha, e avistamos Alisson cercado de pratos e xícaras quebradas.

Gabe quase levantou, mas Dylan já havia corrido para ajudá-lo.

"Ganhou o mundial de surfe com essa coordenação motora?" Dylan rosnou, coletando os cacos com velocidade e precisão metódica. "Sente-se com os outros humanos. Cuidar desta casa é a minha função."

Alisson tentou ajudar Dylan mesmo assim, muito constrangido e atrapalhado. Gabe retomou nossa conversa.

"Certo, vamos começar com calma, e pensar em soluções menos idiotas." Ele falou lentamente, como se eu fosse estúpido de verdade.

"Shane não viria até Waikiki sem a mãe dele, que é empresária da banda. Vou conversar com a Kandi amanhã mesmo." Eu me levantei, decidido e cheio de foco e tentando não perceber o suor gelado molhando minha camisa. "Tantos anos solteiro, este é o sinal que chegou a hora."

Gabe esfregou a testa, engasgando nas próprias palavras.

"Chegou a hora do quê? Michel, você está nervoso. Senta, vamos pensar juntos sobre..."

"Tem razão. Preciso conversar com o Shane primeiro. Ele talvez me odeie como pai, ou guarde ressentimentos, ou... ah meu Deus, preciso recuperar o tempo perdido agora mesmo."

"Devo trazer outro chá?" Perguntou Dylan, terminando de jogar os cacos em um saco de lixo.

"Faz um chá bem forte." Gabe levantou na intenção de me segurar. "E mistura whisky."

Eu desviei do Gabe, e recuei tropeçando na sujeira do chão. De relance vi Alisson ajoelhado, me encarando com um olhar assustado que nunca vi ele fazer.

Mas Alisson não importava mais. Eu precisava ser um pai, eu precisava ser um marido, e Gabe estava certo, eu precisava de um whisky bem forte. A última parte precisaria esperar, porque quando notei já atravessava a avenida tentando parar os táxis. Eu precisava fazer o exame de DNA o quanto antes.

Naquela mesma tarde fiz o exame e liguei para o Shane e para a Kandi, que parecia tão confusa quanto todo mundo. Ignorei as dezenas de ligações do Gabe e até algumas do Dylan, determinado a resolver aquilo sozinho.

Eu não podia depender dos amigos para tudo. O encontro entre Hian e Shane foi parte do destino, e eu respeitaria sua vontade me tornando o marido ideal da minha melhor amiga.

Ainda assim, quando eu verificava as muitas ligações não atendidas, batia uma dorzinha estranha.

Nenhuma chamada do Alisson.


Notas Finais


Oi lindos!
Michel surtando, Alisson muito esquisito, Gabe sendo a pessoa sensata.
Será que nessa loucura vai rolar casamento? E como Shane lidará com a novidade?
Espero que estejam curtindo <3 amo os comentários e o apoio de vocês!

Beijões!
R. B. Mutty


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