História Onde Quero Estar - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Annie Leonhardt, Armin Arlert, Bertolt Hoover, Eren Jaeger, Erwin Smith, Hange Zoë, Historia Reiss, Jean Kirschtein, Levi Ackerman "Rivaille", Marco Bott, Mikasa Ackerman, Sasha Braus, Ymir
Tags Drama, Eren Jaeger, Erenxlevi, Ereri, Levi Ackerman, Riren, Rivaille, Shingeki No Kyojin, Yaoi
Exibições 315
Palavras 4.077
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Fluffy, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Estado de espírito


Estado de espírito

Ele estava a começar a ficar verdadeiramente preocupado.

Era usual Hanji aprontar algumas, meter-se em problemas dos quais Levi tinha sempre de a livrar. E com uma Hanji bêbada seria ainda mais provável conseguir arranjar alguma confusão.

" Tch, para onde é que ela foi? Duvido que tenha levado aquele pirralho estranho para o dormitório dela... Pode ter uns parafusos a menos mas não seria tão radical assim... Quando eu te puser os olhos em cima é melhor correres, quatro-olhos…"

Observou cuidadosamente a área próxima à entrada do bar. Nada de relevante, apenas alguns adolescentes perto da entrada, certamente tentando arranjar alguma maneira de entrar sem serem notados por serem menores. Um ou outro homem suspeito a fumar num canto por aí, mas isso já era habitual. Um grupo de mulheres passou pela sua frente, aparentando serem muito mais novas que Levi, mas o excesso de maquilhagem nas suas caras e as roupas que usavam demonstravam que tentavam fazer-se passar por outra idade. Uma delas piscou o olho a Levi, que apenas revirou os olhos, mas decidiu aproveitar a situação.

- Oi, vocês! – Elas pararam de caminhar, parecendo surpreendidas pelo homem de cabelos negros ter-se dirigido a elas. – Por acaso não viram uma mulher morena, alta, de óculos, a arrastar um pirralho com cara de idiota?

A que piscara o olho a Levi apressou-se a responder. – Oh, por acaso vimos uma mulher com essa descrição no parque de estacionamento. Mas não vimos nenhum rapaz… Até comentamos isso entre nós, porque, sabes como é docinho, desde o que aconteceu há algumas semanas nesta rua, já ninguém pensa em andar por aqui sozinho, especialmente mulheres… - A sua fala saía enrolada como se estivesse sob o efeito de alguma coisa. – Só queres saber disso ou vais aceitar ir connosco para um lugar aqui próximo, hm, docinho? Preservámos a identidade dos nossos clientes.

- Não tenho qualquer interesse mas… Que história é essa do que aconteceu nesta rua?

- Oh, não sabes? – Falou uma outra mulher, baixa de cabelos loiros encaracolados. – Foi noticiado em vários jornais. Se não me engano, até apareceu na televisão.

- Os estudantes do colégio desta região têm a mania de vir aqui desde sempre. Uma miudinha foi violada e agora raramente se veem menores por aqui.

- Tch, já disse ao Pixis que devia começar a colocar seguranças na porta para manter as crianças longe deste lugar, mas ele nunca me ouve… Obrigado pelas informações.

- De nada, docinho! Fica à vontade para nos fazeres uma visita, costumamos estar por aqui!

Não era nenhuma novidade que aquela zona tinha-se tornado um foco de violência e crime em poucos anos. Pela proximidade da universidade e de alguns colégios, o local era um ponto de encontro de muitos jovens e quem montasse o seu negócio naquela rua obteria muito lucro. Os da zona baixa da cidade aperceberam-se disso e, discretamente, começaram a tornar as coisas ilegais e a prostituição foi só mais uma consequência disso. Por ser uma zona mal frequentada, algumas pessoas evitavam-na, mas a grande maioria que nunca tivera uma experiência própria com as atrocidades que poderiam acontecer naquele local apenas apagavam esse facto da mente e vinham-se divertir com os amigos.

Levi nunca foi uma pessoa dramática, pelo contrário. Quando se deparava com alguma situação extrema e preocupante, reunia toda a paz do mundo dentro de si e agia com calma e eficiência. Qualidades que o faziam ser o nº 1 de tudo, ou quase tudo. Contudo, isso também fazia com que, somado à sua expressão inexpressiva que carrega no dia-a-dia, o assumissem como mal-humorado, o que ele de facto é. Era certamente admirado pelos caloiros e alunos mais novos na universidade, mas raramente falavam com ele em busca de conselhos. Hanji costumava dizer que essa sua personalidade talvez de devesse ao enorme contraste entre a sua infância e a vida adulta.

Porém, o mais importante no momento era encontrar o paradeiro da mesma. Levi seguiu a direção que levava ao pequeno estacionamento onde tinham estacionado o carro da morena mais cedo. Uma brisa fria batia contra o seu rosto, deixando-o com a face mais rosada.

" Se não fosse aquela quatro-olhos já poderia estar em casa há muito tempo…"

Caminhou pela calçada, desviando-se de uma ou outra pedra que estava no seu caminho. Podia ouvir daquela lonjura o barulho da música do bar que se tornava cada vez mais distante à medida que se dirigia para o parque de estacionamento.

Foi quando os seus olhos deparam-se com o vulto e os seus passos se detiveram. Uma pessoa estava encolhida contra a parede de uma loja, sentada no chão frio. Imóvel, abraçava as pernas enquanto a cabeça estava afundada entre as mesmas. Levi reconheceu de imediato os cabelos castanhos e apressou-se a chegar perto deste.

- Pirralho! – Agachou-se para que pudesse encará-lo melhor. – Ernie! Onde é que está a maluca da Hanji?! Não acredito que te deixou aqui sozinho…

A cabeça levantou-se, revelando aqueles olhos verdes que tanto confundiam o outro. Um riso soou pelo local, surpreendendo-o, sendo seguido por uma queixa e um gemido de dor.

- O meu nome é Eren, não Ernie, não sou um cão. – Apertou mais os braços ao redor das suas pernas. – A Hanji foi buscar um analgésico ao carro dela, estou com uma dor de cabeça tremenda…

- E porque é que estás sentado no chão, pirralho? Porque é que não trouxeste um casaco? Queres apanhar uma pneumonia com este frio? Se já estás com dores de cabeça o melhor é ires à farmácia...

- Argh… - O moreno encontrava-se sem saber o que dizer pela reprimenda do outro. – A minha dor de cabeça é por causa do barulho do bar, não pelo frio. Sabe, sentidos amplificados e tudo mais. Não estou muito habituado.

- Mas mesmo assim devias ter trazido um casaco. Onde é que estão os teus amigos?

- Não faço a mínima ideia.

- Ótimo.

- É, ótimo.

Um silêncio constrangedor instalou-se entre os dois. O moreno não sabia o que dizer ou fazer e o de cabelos negros certamente não era bom naquele tipo de coisas. Mas arriscou-se para que não ficassem daquela maneira até que a estudante de psicologia chegasse.

- O que fazes no departamento de música, pirralho?

O outro surpreendeu-se pela pergunta inesperada. Enquanto isso, Levi sentou-se ao seu lado, fazendo com parte dos seus braço, ambos revestidos por roupa, se encostassem.

- Canto e toco piano. E o senhor, o que leciona? – Perguntou inocentemente.

Levi arquejou. – Eu não sou assim tão velho. Estou no meu último ano de oncologia. E não me trates por você, nem sequer tenho idade para ser teu pai.

Eren corou levemente. – Desculpa. Eu pensei que pela tua voz que fosses um professor….

Levi observou o rosto do mais novo. Pela escuridão da hora tardia e um poste de iluminação um pouco distante, mal podia ver os seus traços. No entanto, os olhos verdes eram claros e expressivos. Não conseguia entender como poderiam ter um defeito. Encaravam diretamente os seus e deixavam Levi uma desordem total de sentimentos.

- Tch, não te importes com isso. Não é a primeira vez que alguém me confunde com um professor…

- Quantos anos tens?

- Vinte e cinco. – Viu a expressão confusa do rapaz. – É uma longa história. Resumidamente, fiz duas especializações de dois cursos diferentes seguidas.

- Há quantos anos estás na ULC?

- Oito. Mas este é o último, felizmente. Já estou farto de ver a mesma merda todos os anos.

- E a Hanji? Ela também anda lá há oito anos?!

- Não, conhecia quando comecei o meu segundo curso. Ela era caloira.

- Como é que se conheceram?

- Longa história.

- Temos tempo.

O de cabelos negros bufou.

Eren abriu um sorriso, ignorando momentaneamente as pontadas fortes na sua cabeça. – Estou a aborrecer-te?

- Estás. – Respondeu sincero. – Nada pessoal. Só quero ir para casa, tomar um banho e atirar-me para a cama. Não sei porque é que a quatro-olhos está a demorar tanto só para buscar a porra de um analgésico. Aliás, porque é que não foste com ela até ao carro?!

- Esta calçada é muito irregular. Não podia dar-me ao luxo de ser arrastado e dar com a cara no chão.

- Tch, aquela irresponsável…

Um carro passou pela rua, produzindo uma brisa que arrepiou Eren ainda mais. Levi viu quando o moreno passou as mãos nos braços, numa tentativa de os aquecer e como a sua pele morena estava arrepiada por só vestir aquela camisa de tecido fino.

- Eren! Querido! – Ouviu a voz de Hanji chamar. – Oh, também estás aí, Levizinho…

O de cabelos negros levantou-se de rompante, lançando um olhar mortal para a morena. – Levizinho um caralho, Hanji. Eu não te disse para não saíres de lá? E eu também não te disse para não deixares o pirralho sozinho? Eu queria ver se alguém com todas as intenções menos as boas passasse por ele! E o que ele faria? Nada! Porque ele não poderia fazer nada!

- Ei, ei, ei, têm calma, querido. – Hanji ergueu as mãos em sinal de rendição. – Não lhe aconteceu nada, ele está inteiro, perfeito como sempre. E eu só saí de lá porque o Eren disse que estava com dores de cabeça…

- Ahm… Hanji, trouxeste o analgésico? – O moreno interrompeu a discussão, colocando-se de pé com uma mão apoiada na parede atrás de si.

- Ah, pois! – Bateu com a mão na testa. – Demorei porque não encontrei nada… Posso dar-te boleia para a ULC e passamos antes por uma farmácia…

- Oh, não é preciso, o Armin deve ter algo no dormitório, com toda a certeza. Ele é muito prevenido. Mas obrigada.

- O Armin?

- O loiro que estava comigo lá no bar e que disse que ia ficar comigo. Ele é o meu colega de quarto.

- Já chega de conversa, o meu rosto está a congelar. Vamos logo embora. Tu vens connosco, pirralho.

- Mas e os meus amig…

- Manda uma mensagem a avisar que já vais. Aliás, não me parece que eles estejam muito preocupados.

O de cabelos negros aguardou enquanto o moreno retirava um telemóvel do bolso e clicava em alguns botões. Levantou uma sobrancelha quando Eren começou a falar o que acontecera e só depois é que percebeu que este estava a gravar uma mensagem de voz.

- … Christa, não faças drama, eu estou bem. Provavelmente quando ouvires esta mensagem já estarei no dormitório. Não faças o Armin ficar com sentimentos de culpa, eu sei como ele é quando está bêbado. E vê onde é que porra o Reiner e o Bertolt estão, eu acho que eles a esta hora devem estar malucos atrás de cada um de nós. Adeus.

Estava tão concentrado na face do moreno que reparou imediatamente quando este assumiu uma expressão horrorizada. - O que foi agora?

- Acabei de me lembrar de que o Armin é que ficou com as chaves do quarto. Acho que vou ter que dormir algures na sala de convívio…

Hanji atirou os braços para o ar. – Ah, não te preocupes, meu querido! Aqui o nosso Levi tem um apartamento muito bem equipado com um sofá de marca, topo de gama, muito confortável, falo por experiência. Com garantias de que não ficarás com uma dor de costas enorme no dia seguinte.

- Porque é que parece que estás a leiloar o meu sofá?

- Por nada, meu querido. Mas não vais deixar que o Erenzinho durma numa sala de convívio, onde as pessoas… convivem! – Diminuiu o tom de voz. – Coisas horríveis podem acontecer…

- Hanji, eu agradeço a ajuda, mas eu não sei se é uma boa ideia…

- Por mim, tudo bem. Desde que não tenhas piolhos ou algo do género, podes dormir lá no apartamento.

Ambos os morenos assumiram uma feição pesada, tentando compreender o que o de cabelos negros tinha dito. – Era uma piada.

- Bem, não que eu tenha piolhos ou algo do tipo mas… - Eren estava realmente constrangido. – É que vocês são dois desconhecidos para mim… Ainda mais desconhecidos do que seriam para uma outra pessoa desconhecida, se é que me faço entender. Não estou a dizer que são suspeitos, achei-vos pessoas bastante…

O rapaz foi interrompido por Hanji, que o agarrou pelos ombros e o puxou contra si, abraçando-o fortemente. – Não fiques envergonhado, meu amor, nós compreendemos… Deve ser difícil ter amigos que não se importam contigo… Nós podemos ficar na sala de convívio contigo, a fazer-te companhia até aquele loirinho que disseste que era o teu colega de quarto chegar.

***

- Eu nunca disse que concordava com isto. – Resmungou Ackerman, sentindo-se irritado.

Os meios que os tinham levado àquela situação eram indescritíveis. Já faziam uns cinco minutos que tinham chegado à sala de convívio do dormitório de Eren e que estavam sentados nos grandes e largos sofás que existiam no local. O de olhos verdes estava à frente dos outros dois, corado, sentindo-se ligeiramente embaraçado pela situação.

- Eu já disse que vocês podem ir embora, eu fico bem. Sou cego, não uma criança.

- Ah, nunca tinha estado neste dormitório… – Comentou Hanji.

- É igual a todos os outros, quatro-olhos. – Murmurou o outro.

- Aqui o nosso Levi, embora não pareça, é muito popular. – A morena passou a sentar-se ao lado de Eren, colocando o braço ao redor do seu pescoço. – Por isso que ele sabe como são todos os outros dormitórios, do tanto de vezes que foi convidado para lá…

- Para de mentir.

- Okay, ele é meio antissocial, mas enfim… Sabes que fui eu que lhe arranjei a primeira e última namorada?

Eren ouviu o suspiro do homem. – Última porquê?

- Não correu muito bem, sabes… A Petra é uma rapariga bastante divertida, amável e simpática, mas aquela relação tinha, aliás, não tinha algo… Era muito incompleta. – O seu tom de voz fez Eren corar ainda mais. – Ah, sim, tu sabes do que eu estou a falar.

- Hm… certo...

- Eu não vim para aqui para ficares a falar da minha vida. Eu gostaria é de saber como é que o pirralho sobreviveu até agora com amigos destes que o abandonam em bares, sozinho.

- Eles não são como pensam! – Protestou. – Só acho que… ficaram demasiado entusiasmados… E além disso, nenhum deles tem a obrigação de ficar a cuidar de mim. É por estas e por outras que eu não costumo sair muito.

- Não ter uma visão do que te rodeia não é um motivo para não saíres, meu querido. – Hanji apertou um dos seus ombros como conforto. – Diz-me, alguma vez estiveste em algum local com neve? Já foste à praia?

- Não… Nunca vi o propósito...

- Ora, mas não é apenas a paisagem desses locais que os fazem especiais. O cheiro do oceano, a neve fria nas tuas mãos, são sensações únicas às quais não te podes privar só porque não podes ver, Eren.

Armin e Mikasa já tinham ido visitar o mar várias vezes. Eren recordava-se de esperar junto de uma janela o barulho do carro dos Arlert. Da entrada dos dois irmãos empolgados na divisão onde estava e de o encherem de histórias um tanto incompreensíveis. Lembrava-se de Armin zombar com Mikasa porque esta teria um escaldão nas suas bochechas pela teimosia de não querer passar protetor solar na cara e de ela caçoar que o irmão regressara com a mesma cor de antes. Recordava-se do cheiro que sentira no meio do abraço dos amigos, quando estes tiveram que ir para casa para desfazer as malas. Algo… diferente.

- Eren! Oh meu deus, Eren! Estás aqui, que alívio! – Uma voz soou repentinamente pela sala, sobressaltando o moreno. – Eu e o Reiner andávamos como malucos à tua procura! Num instante estavas lá e no outro… Tememos que algo te tivesse acontecido…

As mãos de Bertolt puxaram o rapaz para mais perto, prendendo-o num abraço apertado. – Como é que chegaste até aqui?

Só depois de toda aquela afobação é que o mais alto pareceu reparar na presença dos outros dois, que o encaravam de maneira estranha. O homem estreitava os olhos, encarando-o mortalmente e a morena parecia estar prestes a explodir por algum motivo.

- Bertolt! Não acredito, foste tu que deixaste o Erenzinho sozinho? Nós encontrámo-lo no bar e viemos todos para cá! – Hanji vomitava as palavras.

- Hanji?! Meu Deus, estou muito confuso. Só sei que numa hora vi-o no bar com o Armin e no momento seguinte ele, o Connie e o Jean apareceram à nossa frente e estavam a dizer coisas sobre ele ter sido raptado e tudo mais… Eu vim ver se, por algum milagre, ele estaria aqui, o Reiner veio comigo, só que veio buscar o carro para dar boleia aos outros e ainda procurar a Ymir e a Christa… Meu Deus, tenho que lhe ligar para o avisar que estás bem, Eren…

- Só quero as chaves do meu quarto para ir dormir, por favor.

Eren sentia-se horrivelmente mal. Para além das dores de cabeça, que tinham aumentado ainda mais, saber que, se ele não tivesse saído daquele dormitório naquela noite, não teria acontecido nada daquilo, fazia-o afundar em pensamentos depreciativos. Só queria fechar os olhos e esquecer que aquela noite tinha existido.

Hanji trocou um olhar preocupado com Bertolt, percebendo o estado do rapaz. Conheciam-se, assim como a Reiner e os restantes elementos, desde que ambos eram caloiros na ULC. Não eram amigos muito próximos, mas sempre que se encontravam pelo campus faziam questão de se cumprimentarem e de saber novas dos itinerários alheios. Eram mais alguns amigos resultantes da grande capacidade de Hanji de falar com desconhecidos.

 - Tch, chamem logo esse Armin. O pirralho está quase a desmaiar aqui. – O mais velho levantou-se, começando a andar em direção aos outros. – É só o vosso primeiro dia de aulas e já se meteram em confusões destas. Têm de perceber que aqui não podem dar graxa a ninguém para poderem tirar boas notas e passar de ano. Não podem embebedar-se em bares sabendo que têm aulas no dia seguinte. Têm de ser responsáveis, já têm idade para isso!

- Todos sabemos disso, Ackerman… - Murmurou Bertolt, distraído, procurando um contacto específico no seu telemóvel. – Era só para nos divertirmos um pouco, mas a situação acabou por sair do controle…

- O pirralho já não vai ficar sozinho, quatro-olhos, já podemos ir. - Hanji concordou com a cabeça, dando um último abraço a Eren. – Nos vemos por aí, lindo. Quer dizer, nós vamos ver-te, tu não, não é mesmo?

O constrangimento visivelmente presente na voz da mulher fez Eren rir levemente, deixando a outra encantada. – Irão ver-me por aí, Hanji. Obrigado por teres cuidado de mim e gastado o teu tempo comigo. – Ouviu um suspiro de descontentamento. – Obrigado a ti também, Levi. Apesar de eu achar que só te aborreci. – Riu mais uma vez.

Apesar de o outro não poder ver, o de cabelos negros revirou os olhos e caminhou na direção da porta de saída. – Anda, Hanji, não vou aguentar muito mais tempo sem tomar um banho.

***

A porta do quarto de Bertolt e Reiner abriu e bateu com força contra a parede, revelando um loiro descabelado e desesperado. – A culpa é minha! Eu admito, eu deixei-o sozinho! Eu sou uma pessoa horrível, eu nunca pude ser um amigo à altura… - Deixou-se escorregar pela parede até se sentar no chão, limpando as lágrimas que desciam pelo seu rosto.

Jean e Connie, que seguiram Armin, olharam para um Bertolt pálido, sentando no pequeno sofá que havia na divisão. – Então ainda não…

A fala de Jean foi interrompida pela chegada de Reiner. – A Christa e a Ymir já foram para o quarto delas, estavam cansadas. - Olhou para o estado do loiro, levantando uma sobrancelha. – Vocês estão a ser cruéis.

- Tu ainda não lhe disseste? – Perguntou Bertolt, incrédulo.

- Ele estava a chorar demais para me conseguir ouvir, quanto mais compreender que o Eren estava aqui.

O choro do loiro foi instantaneamente interrompido. – O… O quê?! Ele está aqui?! – Levantou-se rapidamente, olhando em todas as direções. – Onde?!

- Estou aqui, Armin. - A voz do moreno surgiu da porta da casa de banho.

Armin prendeu o olhar ao vê-lo. Estava com os cabelos molhados, denunciando ter tomado um banho recentemente e vestia roupas diferentes, provavelmente emprestadas por Bertolt. Ao verificar o seu rosto, o coração apertou-se. O olhar cansado e os olhos mais apagados que o habitual fizeram com que um sentimento de culpa se instalasse de imediato no seu peito. Ele não devia ter insistido em levá-lo naquela noite. O próprio Mike dissera que não seria um bom ambiente para Eren, que estava acostumado com o seu mundo silencioso e escuro. Mais do que tudo, ele nunca deveria tê-lo deixado sozinho naquele balcão. Ele era tão…

- … Desprezível! – Chorou, ao ver que Eren não virava os olhos para si e ele tinha a perfeita noção de que o moreno sabia onde ele estava.

Sabia que o amigo estava magoado consigo. Ele nunca lhe tinha faltado uma única vez, mas isso não era justificação para que ignorasse o sucedido. Eren, Emily, Mikasa e todos os outros confiavam-lhe Eren, sempre. Era ele que o ajudava em todas as dificuldades pelas quais se deparou durante o crescimento, era ele que lhe contava tudo o que acontecia à sua volta, com a maior quantidade de detalhes possível, o que deixava o rosto de Eren vivo e mais vivo a cada descrição de cores, tamanhos, estampados e formas. Era ele que segurava a sua mão quando iam a qualquer lado. Caramba, Eren confiava a sua vida a ele! Confiou que não aconteceria nada de mal naquela noite e tudo o que Armin fizera fora abandoná-lo.

- Vá, acho melhor o Connie dormir no vosso quarto hoje e tu dormes no do Jean, Armin. – Bertolt sugeriu ao sentir a pesada tensão no ar. – Amanhã apesar de tudo temos aulas, temos que ir dormir.

Um pouco a contragosto, Armin foi arrastado por Jean para fora da divisão, a mesma onde um Eren cansado se sentava ao lado de Bertolt no sofá, guiado por Connie.

- Sentes-te melhor da dor de cabeça? – Questionou Reiner.

- Muito melhor, o analgésico que o Bertolt me deu ajudou bastante… - Eren suspirou. – Agora só quero esquecer que esta noite aconteceu…

- O Armin tem a culpa de te ter deixado sozinho mas, tu sabes, ele nunca o faria se imaginasse sequer o que aconteceu. – Apaziguou Bertolt. – Ele permaneceu transtornado desde que ficou lúcido o suficiente para perceber o que fez…

- Estás a tentar fazer-me sentir culpado por o ter ignorado? – Apoiou o rosto nas mãos, fazendo com que a voz saísse abafada. – Se a Hanji e o Levi não tivessem falado comigo eu ainda poderia estar lá.

- Uma parte da culpa também foi minha, Eren. – Disse Connie. – Desculpa, eu não queria que te sentisses mal.

- Não tens que pedir desculpas, Connie. Nem tu, nem o Armin. – Disse o moreno, surpreendendo os quatro rapazes que ainda se encontravam na sala. – Eu tinha um pressentimento já de que alguma coisa de mal ia acontecer hoje. Ninguém tem a obrigação de olhar por mim. É por isso que eu prefiro ficar em casa, no meu canto. Na próxima vez, podem ir vocês e até levar as outras raparigas, não têm mesmo que se preocupar comigo.

- Eren…

- Eu agora gostaria de ir para o meu quarto, por favor. – Eren cortou a fala de Bertolt. – Connie.

O rapaz mais velho logo entendeu o que o moreno queria e ajudou-o a levantar-se, guiando-o até à porta. Enquanto caminhavam pelo corredor, com Eren a agarrar no ombro do outro, um barulho alto preencheu o local, deixando os dois rapazes alarmados.

- O que foi isto?

- Não sei… Parecia algo a cair no chão. – Comentou Eren. – Provavelmente alguém mais cego que eu que esbarrou em alguma coisa. Vamos.

Já em plena madrugada, enquanto Eren finalmente estava deitado na sua cama, dirigindo o olhar para cima, onde sabia que encontraria a divisória entre as duas camas, permitiu-se, por fim, pensar com clareza sobre tudo o que se sucedera nas últimas horas. Certamente iria falar logo pela manhã com Armin para esclarecer todo aquele mal-entendido. Apenas lhe pediria uma única coisa: que nunca mais insistisse com ele para ir a um lugar como aquele. Eren, decididamente, não era inabalável.



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