História One Last Time - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Carrossel
Personagens Alícia Gusman, Daniel Zapata, Marcelina Guerra, Maria Joaquina Medsen, Mário Ayala, Paulo Guerra
Tags Maniel, Paulicia
Exibições 124
Palavras 5.851
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Eae gente tudo bem?
Eu trago para vcs mais uma história com um tema bem triste... traição...
Eu já fui traída(a algum tempo atras)serio é a pior sensação do mundo, por isso a ideia da fic, e vc já foi?
Comenta aí.
Boa leitura.

Capítulo 1 - One Last Time


Olho para o telefone como se ele fosse minha ultima esperança. Espero ouvir aquele toque. Aquele toque que ele colocou, pois lembrava nosso amor. Eu realmente espero ouvir aquela voz, pois tudo que ouço agora são os tique-taques do relógio me mostrando que ele não irá ligar.
Não posso acreditar que meu amor se foi. Não assim. Não desse jeito. Abro a geladeira a procura de algo que me distraia. Aquele pote de sorvete parece fazer um bom serviço, penso. O pego e me jogo no sofá. Olho para a televisão desligada que reflete o estado de calamidade que me encontro. Quem diria que Maria Medsen um dia se encontraria assim? Com lenços jogados por toda sala, cabelos bagunçados e uma garrafa de Whisky a desejando loucamente em cima da mesa. Eu que sempre era a mais organizada, a autossuficiente, agora me sinto como um nada.
O Whisky de repente parece ser um amigo mais útil que o sorvete de outra hora. De inicio, bebo uns 4 copos e depois, já perdi a conta. Me vejo desesperada e chorando como uma criança. Pego meu celular e vejo a foto daquele cara sorrindo. Aquele sorriso. Na loucura do álcool, resolvo ligar para ele:
- Estou sozinha aqui nessa casa. O telefone não tocou, então estou te ligando para você saber como anda minha vida nesse momento. - Minha voz sai embarcada. Tenho a leve impressão de ter caído na mensagem eletrônica e as palavras se misturam com o choro, mas isso não me impede de continuar. - Bom, esta frio lá fora. Já deve ser umas 2 da manhã. Eu continuo sozinha. Talvez bêbada o suficiente para te dizer que preciso de você. Prometi para mim mesmo que não te ligaria, mas não posso me controlar e ainda preciso de você. - O choro começa a ficar mais forte me fazendo soluçar. Desisto de me expressar com palavras e volto para a pura lagrima.
- Majo? - Uma voz soa do outro lado me assustando. Enfim percebo que o álcool me impediu de lembrar de desligar o telefone. - Você ainda está aí?
- O que adianta eu estar aqui se você não tiver também? - Eu sussurro bagunçando demais para ele entender.
- O que aconteceu com você? - Ele diz com uma decepção clara em sua voz.
- E só que eu te amo tanto e... Você não está aqui e... A culpa é minha de tudo isso... Você... Não... Me desculpa e... - Minha voz é calada pelo meu próprio vomito espontâneo. - Parece que não é bom misturar álcool com sorvete... Né?
- Meus Deus...- Ele diz lentamente - Majo, não sai daí, ok? Eu estou indo aí! Só vou pegar o meu casaco, só isso.
Ele desliga, mas eu continuo com o aparelho prensado em meu ouvido. Me distraio com o vomito e quando estou prestes a cair no sono, ouço três toques em minha porta.

Daniel POV

- Está aberta! - Ela grita lá de dentro. Abro a porta e me assusto com o que vejo. Não só com a bagunça pelo chão, mas sim com Majo jogada no sofá como uma indigente. Seu vomito está exatamente do seu lado e se ela dormir provavelmente cairá em cima dele. Tranco a porta e me aproximo lentamente me perguntando o que aconteceu com aquela garota.
- A Maria que eu conheço jamais deixaria a porta destrancada. - Me sento um pouco longe dela. Ela me olha por alguns instantes antes de revirar os olhos.
- Aquela Maria era uma idiota! - Ela diz sem me olhar diretamente.
- E essa daí é o que? Uma heroína? - Pergunto irônico.
- Essa daqui é a que sobrou depois que você foi embora.
- Não fale como se eu tivesse simplesmente ido. - Respondo frio. - Você mereceu.
- Isso não prova que te amo? - Ela mostra a si mesmo com as mãos.
- O que? Encher a cara de bebida e chorar que nem criancinha? Acho que não.
- Você veio para completar minha depressão? Saiba que não preciso e... - Ela diz caindo pro lados. A seguro antes de encostar plenamente no chão.
- Eu vim porque eu sabia que você não estava bem!
- E a Alícia sabe que você está aqui?
- A Alícia sabe o necessário. - Eu digo a levantando.
- Aonde pensa que esta me levando? - Ela diz notavelmente tonta enquanto eu a levo em direção as escadas.
- Estou te levando pro banho frio porque é isso que vai te fazer bem agora!
- Espera! - Ela tenta ficar de pé diante de mim, mas não tem forças o suficiente. - Eu quero dizer uma coisa antes!
- Eu acho que você já disse o suficiente por hoje...
- Me perdoa?
- Você eliminou essa palavra do meu dicionário, não lembra?
Ela resmunga algo, mas acaba dormindo no meio.
A coloco no colo e subo as escadas em direção ao banheiro. Tiro suas roupas cuidadosamente e a deito sobre a banheira. Ligo a água no modo gelado e espero encher. Ela se meche um pouco, mas continua seu sono alcoólico em paz. Depois do banho, a coloco um roupão e a deito na cama. Enquanto Majo dorme, eu a observo sentando no pufe em sua frente. Como eu queria poder perdoa-la, mas ela me machucou de um jeito que eu jamais julguei possível.

Maria POV

Acordo com uma ressaca horrível. Olho para frente e me deparo com Dani sentando no pufe que ele me deu no nosso aniversario de 7 anos, me observando intensamente. Me pergunto o que ele faz ali até chegar á uma conclusão que não me agrada muito.
- Eu te liguei, não foi? - Sussurro desesperada por um não.
- Então você lembra? - Ele me olha sem expressão.
- Eu chutei. Acho que acertei, não?
- É. Pois é.
- Eu te falei ou fiz algum...
- Você bebeu, me ligou, disse que me amava e a mais um monte de mentiras, vomitou e depois desmaiou nos meus braços.
- Me desculpa.
- É. Eu ouvi muito isso ontem! - Eu sinto tanta vergonha que meus olhos já não conseguem encarar o dele novamente. Quando puxo a coberta, percebo que estou só de calcinha.
- Porque eu estou nua? - Indago assustada.
- Porque eu te dei um banho ontem.
- E por que você fez isso?
- Porque você estava fedendo a sorvete e whisky barato. - Meus olhos percorrem o quarto inteiro enquanto mil pensamentos correm até minha mente.
- A gente...- Não consigo terminar a frase.
- Me desculpa, mas necrofilia não é muito a minha praia. - Ele diz seco e se levanta. - Bom, fiz o que tinha que fazer. Tchau.
- Espera! - Eu digo e ele me olha cansado. - Por favor, espera!
- O que você quer? - Ele se vira.
- Eu me sinto um fracasso. - Desabafo sem chorar dessa vez.
- Você tem motivos para se sentir assim. - Ele se vira novamente.
- Eu sei que falhei com você.
- Falhou? - Ele ri sarcástico. - Você me abandonou, me fez de palhaço e me traiu. Eu acho que é muito mais que falhar!
- Eu...
- Se você falar mais uma vez que foi fraqueza, eu vou embora daqui! - Ele diz rígido.
- Eu estou sendo honesta, eu juro!
- O que adianta ser honesta agora? - Ele me olha e me sinto um lixo. - Quando eu precisei que você fosse honesta, você mentiu.
- ...
- Eu te dei varias chances. Eu te dei tempo o suficiente! Mas você preferiu usa-lo para dormir com meu irmão. Para enviar fotos suas pelada para droga do meu irmão! - Sua voz ficava gradativamente mais alta.
- Me desculpa! - As lagrimas que tentei segurar acabam caindo.
- Desculpa? Você acha que merece desculpas depois de ter me feito chamar seu amante para ser padrinho do nosso casamento? - Ele se aproxima da cama. - Você acha que merece ser perdoada depois de sujar meu lençol rolando com ele enquanto eu viajava para organizar nossa cerimônia?
- Eu cedi ao fogo, me perdoa!
- Hm. - Ele ri irônico e revira os olhos. - E tudo o que tem para me falar? Que você "cedeu" ao fogo?
- Dani, eu...
- Não precisa gastar seu tempo, não. Já sei tudo o que vai dizer. Preciso ir para casa. Tchau. - Ele abaixa o tom de voz e desce as escadas. Fecho meus olhos e deixo a lagrima rolar assim que escuto o som da porta batendo lá embaixo.

Daniel POV

Flashback ON

Era 03 de Setembro de 2014. Eu estava voltando de uma viagem para organizar os últimos detalhes do casamento quando tudo aconteceu. Cheguei em casa animado para contar as novidades á Majo quando ouvi barulhos estranhos na parte de cima da casa. Subi as escadas assustado, temendo que algo tivesse acontecido com minha mulher, mas quando abro a porta, o choque me toma por completo. Majo esta se enrolando nos meus lençóis comPaulo, meu irmão mais velho. Ela grita assustada assim que vê meu corpo em pé na porta, já sem alma.
- Dani! - Ela se levanta ainda enrolada nos lençóis. Paulo não tem coragem o suficiente de olhar na minha cara. Eu continuo parado sem reação, sem conseguir me mexer, sem conseguir pensar. - Meu amor, eu posso explicar! - Ela encostou suas mãos sujas em meu rosto. - Dani! Olha para mim! Diz alguma coisa, Dani! Dani!
- O casamento foi cancelado. - Foi tudo o que saiu da minha boca. Olhei para o chão enquanto minhas lagrimas caiam. Ela começou a me abraçar e implorar por perdão, mas eu não movi um músculo.
- Amor, não! Não faz isso, por favor! - Ela dizia em meio as lagrimas. Paulo continuava sentando na cama com a cabeça baixa.
Eu virei as costas e abandonei a casa. Majo havia me traído. Pior que isso. Ela me traiu com meu melhor amigo: meu irmão.

Flashback OFF

Ligo o radio do carro na esperança de não pensar na ultima noite. Nossa musica esta tocando e é inevitável não pensar nela. Não sei o que tinha na cabeça quando sai de casa para socorrê-la, mas sei exatamente o que tem agora - arrependimento. Toda vez que olho para o rosto da mulher que costumava ser o amor da minha vida, sinto nojo. Lembro-me dela nos lençóis com meu primogênito e as lagrimas acabam rolando. Já se passaram seis meses desde o nosso termino, mas ainda dói como se fosse ontem.
Chego em casa e encontro Alícia(ex-namorada do meu irmão, a qual também era traída)na cozinha preparando um bolo. Assim que me vê, ela sorri e vem me abraçar. Deposito um beijo em sua testa coberta pela franja e me jogo no sofá da sala central.
- Você saiu preocupado. - Ela diz enquanto unta a forma.
- Eu tive problemas. - Digo vazio.
- Mas já está tudo bem?
- Tá tudo bem. Eu vou ficar bem. - Me levanto e vou até a cozinha. A abraço de costas e ela sorri.
- A Maria se embriagou de novo, não foi? - Ela me olha preocupada.
- Sim.
- Tem certeza que está tudo bem entre vocês?
- Não está bem e nunca vai ficar.
- Você acha que vai conseguir superar isso?
- Ela escolheu assim e eu escolhi ser feliz. Então sim, com você, eu já superei! - Sorrio tentando lhe passar confiança. A verdade é que eu não superei. Não ainda. É difícil esquecer uma pessoa no qual você dedicou sete longos anos de sua vida. A pessoa com quem você planejou um futuro longo e prospero. Eu planejava ter filhos com ela, ter uma família e, enquanto eu sonhava isso, ela dava pro meu irmão em cima da nossa cama. Eu fui um otário, eu sei, mas agora eu aprendi. Com Ally será diferente. Alícia me deu uma nova chance de ser feliz, finalmente.

Majo POV

Seco as lagrimas e levanto finalmente da cama. Não tenho animo para uma higienização matinal nem nada do tipo. Desço as escadas de calcinha mesmo e me deparo com uma sala fedendo a vomito e uma garrafa de Whisky derramado no chão. Limpo meus olhos e vou para cozinha. Estou com uma ressaca horrível então bebo quase uma garrafa completa de água.
Quando a tarde começa e minha dor de cabeça já passou, finalmente limpo toda a bagunça da sala. Ao fim da limpeza, me jogo no sofá. Começo a lembrar do começo do nosso namoro e como acabei me envolvendo comPaulo.

Flashback ON

Era festa de Ano Novo de 2012 e eu estava com a família do meu namorado. Olhávamos ansiosos para o céu a espera dos fogos quando senti vontade de usar o banheiro. Dei um beijo e um aviso de "volto logo" em Dani e entrei na casa. Fui em direção à sala principal, mas alguém me puxou pelo braço antes. Bati na porta assustada até alguém acender a luz e eu perceber que era Paulo, irmão de ).
- O fogos vão começar e eu vou perder! - Digo sorrindo, um pouco bêbada pelas taças viradas mais cedo. - Abre logo, Paulo.
- Tem algo muito melhor para se fazer aqui! - Ele diz se aproximando.
- Tipo o quê? Dar uns pegas? - Digo com minha risada de alcoólatra.
- Isso seria proibido o suficiente para gente?
- Isso seria bem...- Arroto antes de terminar a frase. - Bêbado! - Digo e caímos na risada. Coloque o dedo nos lábios de Paulo para calar aquela risada altíssima. De repente eu já não me comportava como devia. O álcool controlava cada movimento do meu corpo quando ele me beijou e eu cedi. O beijo pareceu proibidamente bom. Na hora, eu não me senti culpada. Mal sabia eu que aquele beijo destruiria minha vida inteira.

Flashback OFF

Acordo das recordações com lagrimas por todo meu rosto. Se eu tivesse acabado com aquela historia assim que voltasse a ficar sóbria, talvez Daniel ainda estaria aqui.
Gostaria de poder dizer que a culpa não foi minha. Gostaria de poder dizer quePaulo me obrigou a fazer tudo o que aconteceu logo após aquilo, mas não posso. Seria uma mentira. Eu cedi a tudo. Eu deixei acontecer e acabei gostando. Eu. E isso era o que mais me detonava.

Flashback On

Meses haviam se passado logo após aquele dia. Não sei como cai naquilo, mas sei que acabei me viciando. Trocávamos olhares constantemente. EnquantoDani nos reunia para falar do casamento, eu e ele só pensávamos em rolar um nos braços do outro escondidos. Não nos amávamos, isso era fato. Era tudo questão do maravilhoso gosto que parecia ser o proibido. Eu não tinha intenção que meu caso com Paulo durasse para sempre. Aliás, eu já tinha perdido o controle de tudo. Eu sabia que era errado e eu sabia que meu Daniel não merecia isso. Mas com coisas desse tipo, você acaba por fazer sem pensar.

Flashback Off


Daniel POV

Dei um beijo na testa de Ally antes de pegar o carro para ir trabalhar. Passei a noite acordado após madrugada agitada de uma semana anterior.
Ainda penso nela e isso me apavora. Me apavora o fato de pensar em outra enquanto estou com Ally, afinal foi exatamente isso que Majo fez comigo. Eu tento me enganar dizendo que isso não vai acontecer novamente. Que eu não vou ter uma queda por ela e pensar na droga de uma possibilidade de tê-la outra vez em meus braços. Nem que fosse uma ultima vez.
Ela me fazia feliz, não posso negar. Mas ela também fazia meu irmão feliz pelas minhas costas. "O amor é louco", sussurro para mim mesmo enquanto dirijo a estrada vazia. Não posso mentir para o que há dentro de mim, eu estou infeliz. Tenho uma mulher que me ama e um emprego que sempre desejei. Isso é o que chamam de felicidade, não é? Eu devia estar feliz, afinal me livrei da mulher que me iludiu por sete anos. Então por que não estou? Por que parece que falta parte de mim? Porque parece que ela era a parte mais importante do meu ser?

Majo POV

O mundo é divido em bons e ruins. É como se uma pessoa não pudesse mudar de categoria a qualquer momento. Não existe finais felizes para vilãs. Não existe um after that para quem foi preso. Ninguém pensa que talvez a vilã tenha mudado. Que talvez o bandido tenha aprendido. Que talvez uma traição mereça perdão. Sei que o que fiz para Daniel foi fundo demais. Sei que é uma cicatriz difícil de curar. Eu errei e essa será minha cina. Eu era tão imatura a ponto de trocar o amor da minha vida por uma aventura de algumas noites.
Já se passaram sete dias desde a noite que Dani me socorreu. Estou sentada na cozinha, tomando meu café lentamente enquanto meus olhos vagam pelo cômodo quando três batidas soam em minha porta. Arrumo meus cabelos antes de abri-la e dar de cara com ele parado olhando para o chão.
- Eu devia ficar feliz pela visita? - Pergunto o olhando vazia.
- Posso entrar? - Ele olha da mesma forma. Balanço a cabeça positivamente eDaniel entra finalmente. Ele senta em meu sofá e encara o chão. - Finalmente arrumou a casa. - Confirma mais que pergunta.
- Tenho certeza que não veio aqui verificar a limpeza do meu lar. - Sento no sofá em frente a ele.
- Não. Não mesmo. - Ela me encara pela primeira vez no dia. - Vim aqui porque preciso de mais uma coisa para seguir em frente logo.
- Da minha permissão?
- Da sua verdade. Eu preciso saber o porquê você fez isso. É tudo que me incomoda.
- Eu...
- Porque caso você não saiba, eu te dei tudo. Eu te doei cada segundo da minha vida. Eu me dediquei a você e a mais ninguém. Eu fiz planos para gente. Eu te amei. E não foi pouco.
- Eu sei disso. - Brinco com minhas mãos tentando esconder meus olhos molhados.
- Se você sabe, então por que? Me diz, por que? - Ele me olha. Sua voz tremida me mostrava que suas emoções o deixavam frágil naquele momento.
- Porque eu era fraca. - Suspiro deixando uma única lagrima rolar. - Porque eu me deixei levar por uma bebida. Porque pela primeira vez na vida, eu tive alguém que me amasse e eu não soube lidar com isso.
- Você em algum momento parou para pensar que isso iria foder completamente comigo?
- Isso era o que mais tirava meu sono.
- Se era tão ruim então porque você continuou?
- Eu não sei. Acho que isso faz parte de mim, não? Fazer idiotices sem pensar nas consequências.
- Quando tudo começou? Na noite em que te apresentei para família?
- Tudo aconteceu no ano novo. Eu estava bêbada e você sabe que eu não...
- Não coloque a culpa na bebida. Quando eu... - Ele pressionou seus olhos por alguns segundos antes de continuar. - Você me parecia bem sóbria.
- Não estou colocando. Dani, eu destruí a sua vida, mas eu também acabei com a minha. Eu tinha você e era tudo que importava. Me deixei levar por um erro. Mesmo que eu o tenha cometido duas vezes, isso me assombrara pro resto da vida.
- Tá se fazendo de vitima?
- Não. Eu estou te mostrando que tenho sentimentos também. Estou te mostrando que eu, como qualquer ser humano, erro e aprendo com meus erros.
- Sério? - Ele me olha irônico. - Me fazer de trouxa te ensinou o quê?
O encaro tempo o suficiente. Me doe ver que Daniel me trata do jeito mais frio possível. Me trata como se eu fosse o pior monstro da face da terra. Lembro que quando seu olhar era doce e aconchegante e isso aperta meu coração. Não respondo sua pergunta, pois meus lábios não conseguem se mexer. Mamãe me ensinou a não se lamentar por homens, mas eu não estava falando de qualquer um. Eu estava falando dele. O cara que me prometeu amor eterno na saúde, na doença, na tristeza e na alegria antes mesmo do casamento. E agora eu o sentia indo embora. Eu podia fechar meus olhos e ver meu futuro sem ele.
- Você não pode passar o resto da sua vida me julgando por um erro. - Sussurro mais para mim do que para ele. Daniel me encara antes de levantar e abrir a porta.
- Eu não posso passar o resto da vida amando quem mais me magoou. - Sinto a pontada em meu coração e não respondo nada. Um silêncio completo domina o local.

Daniel POV

- Por favor, não me deixa! Não mais uma vez. - Ela diz olhando para baixo.
- Me dá um único motivo para não ir embora. - Eu a observo.
Majo não diz absolutamente nada. Ela continua parada cabisbaixa.
- Você é a única coisa boa que ainda me resta. - Ela sussurra baixo quando me viro em direção a saída. - E eu te amo..eu te amo tanto. - Majo desabafa em lagrimas mais uma vez. Eu queria ser forte o suficiente para simplesmente ir embora. Mas meus pés não se mexiam na direção certa. Meu coração continuava quebrado, mas droga! Eu ainda amava aquela garota. E eu não poderia ficar parado ali enquanto ela se afundava em tristezas. Eu voltei e a abracei. A abracei forte e firme. A abracei com saudade. Ela chorava em meu peito e minhas lagrimas teimosas insistiam em cair também.
- Droga, Majo! - Digo com ela ainda envolvida em meus braços. - Por que você tinha que fazer aquilo?
- Eu não sei....
- Nós éramos tão perfeitos.
- Me desculpa! Volta para mim. Eu preciso tanto de você aqui!
- O que adianta voltar para você, se no meio da noite, eu ainda vou imaginar seu corpo rolando com outro na minha ausência? - Eu tomo um pouco de realidade e a afasto do meu corpo. Limpo algumas lagrimas e evito a encarar.
- Uma vez você me disse que nosso amor era forte, lembra? Você me disse que nunca me deixaria partir.
- Eu jamais imaginei que você me trocaria pelo meu irmão.
- Eu me sinto tão suja. Eu só quero que você...

Majo POV.

- Minha família falava que você só jogava com meu coração, mas eu não acreditava. Eu lutei a seu favor. E para que? Para você me atirar pelas costas... - Ele me interrompeu jogando meu erro sobre a mesa mais uma vez. Isso estava começando a me irritar. 
- Quer saber? - O turbilhão de emoções dentro de mim fica cada vez mais confuso. Eu estou prestes a explodir. - Eu cansei. Eu cansei, Dani. Eu já pedi perdão milhões de vezes. Milhões! - Tento controlar a mistura de ódio e tristeza, mas está difícil. - E você só me humilhou. Olha, eu sei que eu errei. Eu errei feio sim, mas isso não quer dizer que você pode vir aqui na minha casa, semana sim, semana não, para me humilhar! - Tarde demais. Tudo dentro de mim já se perde e quando me toco, estou gritando loucamente. - O que você acha que eu sou? Eu não te machuquei, droga? ENTÃO O QUE VOCÊ ESTÁ TENTANDO FAZER? Me machucar também? Me desculpa, mas minha mente já tá fazendo isso á muito tempo! Eu não preciso que você jogue na minha cara o que eu fiz ou deixei de fazer porque eu tenho a droga dos 22 anos e eu sei reconhecer meus erros sozinha! Eu não preciso disso, droga! Eu cansei. Eu não aguento mais pedir desculpas. Me deixa aqui. Me deixa. 
- Eu gostaria de poder. DROGA! Como eu gostaria de poder virar as costas e esquecer que eu te amo, mas eu não posso, caralho! - Ele respira fundo. Nossas mentes estão enlouquecendo aos poucos. - Eu não posso. E isso me mata a cada dia. 
- ... 
- Você é um vicio ruim que quero largar, mas simplesmente não posso.
- Então não larga, droga. Porque assim não dá para ficar! - Digo olhando em seus olhos. Não lembro quando nossos corpos começaram a ficar tão perto um do outro, mas isso não me incomoda no geral. - A Alícia te faz feliz, não faz? 
- A Ally é perfeita. Ela me compreende, é totalmente adulta e responsável. Ele consegue seguir planos pro futuro, ela sabe como a vida funciona.
- E por que você não fica com ela?
- Porque ela não é você, Majo. Ela simplesmente não é. - Ele respira fundo. Nossos corpos estão mais perto do que nunca. Nossos rostos tão próximos e nossa respiração em uma sincronia perfeita nos mostrando o quanto fomos feito um para o outro. E o quanto eu estraguei tudo. Seus olhos percorriam meus lábios e os meus não faziam diferente. Meus dedos imploravam para tocar seu rosto macio, mas eu estava assustada. O motivo que nos trouxe aqui, que nos fez trocar os beijos por palavrões e insanidade, estava aqui outra vez. Um único toque errado que eu faria Dani ceder ao pecado. Um beijo e ele saberia como eu me senti. Isso é tão errado, mas acho que não aprendi a lição. Na verdade, acho que não me importo. Eu só preciso dele. Uma última vez. Uma última lembrança. 
- O quão estúpido sou por ainda te amar? - Ele diz entre suspiros. Cada palavra delicadamente. Era como se estivéssemos diante a uma bomba. Um movimento em falso e tudo iria para os ares. 
- Eu vou te deixar partir. - Digo engolindo a seco. Minhas mãos estão frias enquanto cercam-no. - Essa será a última vez. 
- A última. - Ele diz mais para si mesmo. Sua respiração fica cada vez mais profunda me mostrando seu desejo. 
Nossos lábios estavam a centímetros de se tocaram. Nossas mãos se tocavam trêmulas. Ele olha fundo em meus olhos. Cada fio de cabelo em meu corpo está ouriço. Seus olhos me entregando a Batalha interna de sua mente. O quanto ele queria aquilo. O quanto ele precisava daquilo tanto quanto eu, mas ao mesmo tempo, o quanto aquilo seria errado. Tento ajudá-lo, mas é tarde demais. Sua decisão já foi tomada. Sua língua já circulava minha boca. Aos poucos ele me tomava para si e Alícia se tornava a outra. Éramos nós ali. O meu pecado se tornando nosso. Suas mãos apertavam meu quadril com força e a violência em seu beijo só me trazia mais desejo. No meio dessa descarga de vontades, ele aos poucos volta à consciência. Isso o assusta. 
- Shhh... - Sussurro em seu ouvido. Ele recua ao mesmo tempo em que se aproxima. - Eu farei valer a pena.
- Uma última vez. - Ele repete. - Uma última vez. 
E assim foi. Nos entregamos um para o outro sem medo. Sem lembrar o quanto aquilo era sujo e errado. Eu sabia que no fim da noite, ele voltaria para ela. Mas isso não me importava agora. Eu estava ocupada demais amando o ex-futuro homem da minha vida.

Dani POV

Os dias passam devagar. Meu pouco contato com Majo vai ficando mais escasso. Meu relacionamento com Alícia cresce de um jeito bom. Eu contei sobre aquela noite para ela, mas isso não pareceu afetá-la. Era como se ela esperasse por isso. Por aquela ultima vez. Paulo sumiu há muito tempo e eu sinceramente não faço questão de procura-lo. Não sei se há vida após uma grande decepção, mas eu sei que estou fazendo de tudo para descobrir.

Majo POV


Sei que implorar por ele só acabara mais comigo. Sei que eu deveria ter um pouco mais de orgulho, mas quem se importa com isso quando se pode sentir a felicidade escorrendo em suas mãos? Gostaria de ser uma daquelas mulheres autossuficientes que conseguem ser feliz somente consigo mesmo, mas não sou. E muitos me dizem que isso vai passar, que essa dor é coisa da idade. Que quando se tem 22 anos, tudo é mais intenso do que parece, mas eu posso jurar que isso se tornou parte do meu ser. É como se a minha vida tivesse perdido o sentido sem ele, afinal todos os meus planos envolviam nosso amor. Eu pretendia terminar a faculdade e abrir um consultório perto das empresas dele. Eu pretendia ter dois lindos filhos e da-los os nomes favoritos de Daniel;Marcelina e Mario. Mas nada disso ira acontecer. Talvez seja a hora de eu aceitar e seguir em frente. Eu tenho que deixar partir, não tenho? Respiro fundo ao perguntar aos cantos vazios da casa. Vou seguir meu caminho sem ele. Não tenho outra opção e a vida não é um conto de fadas. Eu tenho que crescer com meus erros e aprender que ele seguiu sem mim. Tenho que entender que nossos planos agora pertencem a Alícia. Não há mais o que fazer. Simplesmente não há.
Sigo a minha vida, corro atrás da faculdade e ganho uma bolsa. Mudo de país e recomeço minha vida. As coisas estão indo bem, confesso. Eu ainda sinto falta dele, mas sei que há vida após um erro.


14 anos depois...


Daniel POV

Acordo cedo, dou um beijo em minha esposa e vou fazer minha higiene matinal. Desço para o café da manhã e abro as janelas para admirar aquela cidade maravilhosa. Confesso que senti falta de Ohio assim que cheguei a Mahattan. Abandonar uma cidade que marcou minha infância e juventude é difícil, tenho que ressaltar. Afinal foi aqui que fiz meus primeiros amigos e tive minha primeira paixão. O que me faz lembrar que foi aqui que tive o momento mais difícil da minha vida. Quase me aprofundo nesse tema quando recebo um beijo surpresa de Marcelina:
- Bom dia, pai! - Ela sorri feliz já com o uniforme da nova escola.
- Bom dia, meu amor! - Bagunço seus cabelos a fazendo revirar os olhos. - Já preparada para escola?
- Muito! Já to imaginando como esse ano vai ser legal! Mas pai, já ta na hora de ir. Se apressa aí, cara!
- Vou terminar meu café e já tiro o carro, relaxa. - Pisco para minha pequena e ela ri.
Depois de tudo pronto, a levo até a escola. Hoje é o primeiro dia de aula é Marcelina não vê a hora de conhecer sua nova turma. Até a encontrei toda preocupada com as roupas e maquiagem. Típico de garotas de 12 anos, não? Ela desce do carro e implora para eu descer também. Tá, isso não é tão típico assim. Finjo demonstrar a mesma animação que ela e desço do carro. A levo até a entrada e a observo caminhar até o hall. Há vários pais ao meu lado fazendo a mesma chatice e isso não me chama atenção. Não até uma mulher de cabelos presos e óculos escuros parar ao meu lado. Ela dá um beijo forte no moleque o deixando com marcas de batom. Juro que não sou o tipo de cara que fica observando mulheres enquanto a minha esta em casa, mas essa em especial, meus olhos teimavam em observar. Antes de enfim deixar o filho ir, ela tira algo de seu blazer e o entrega. O menino sorri bobo e segue o caminho. Ela percebe que ao seu lado tem um que não para encara-la e me olha. Quando seus olhos, ainda cobertos pelos óculos escuros, se encontram com o meu, ela arqueia a sobrancelha assustada. Seus lábios vermelhos abrem em espanto e suas mãos apertam o blazer mais forte que antes. Então ela tira os óculos escuros e meu coração acelera. Como não pude reconhecer? Era ela. Meu primeiro amor. Minha primeira decepção amorosa. Meu primeiro "tudo".
- Majo? - Minha voz soa assustada com um leve tom de felicidade escondidos.
- Daniel. - Ela responde um pouco fria.
- Você está... - Respiro chocado com a evolução de Maria. - Você está deslumbrante!
- Obrigado. - Ela coloca um sorriso curto em seus lábios. - O tempo serve para alguma coisa, afinal!
- E aí? Como estão as coisas? - Minha verdadeira intenção era saber mais sobre a criança que ela acabou de deixar no Colégio.
- Estão bem. Aprendi a dar um passo de cada vez... - Seus olhos rodeiam o chão por alguns minutos.
- Aquele garoto... - Pigarreio antes de continuar. - Ele é seu filho?
- Mário? Sim. Meu pequeno anjo da guarda.
- Uau. Eu não sabia que você tinha casado e... - Jogo verde.
- Sim, eu casei. Aliás, eu descobri que existe vida após "Thoddie". - Ela ri em seco.
- Eu fico feliz em saber que você está bem. Que construiu uma família com tudo o que queria!
- Obrigado. - Ela me encara pela primeira vez no dia.
- Então... Como andou esse tempo todo? Continuou pelas redondezas? - Puxo assunto. 
- Sai de Ohio alguns anos depois daquilo. Ganhei uma bolsa em uma Faculdade do Canadá e me mudei para lá.
- Canadá? Uau. Isso é incrível! 
- Sim. Foi lá onde me casei e tive Mario. 
- E o que te fez largar aquele lugar tão lindo? 
- A morte do meu marido. - O silêncio nos reina e eu não sei onde enfiar a cara. 
- Ah... Eu sinto muito... 
- Tudo bem. Já se passaram anos. 
Depois disso não sei o que falar. Finjo estar procurando Marcelina, mas ela já deve ter entrando no Colégio. Majo volta a seu carro e eu volto pro meu. Confesso que estou orgulho da minha garotinha. Ela cresceu, virou um mulherão independente e confiante. Também fico feliz em notar que tudo que sinto por ela é orgulho. Não há rancor e nem amor. Não no nível de antes. Lembro-me de nossa "última vez" e isso me faz sorrir. Nada melhor que dá tempo ao tempo.


Mário POV

Mamãe havia ido embora eu já procurava novos amigos. Aqui é bem diferente do Canadá, confesso. Mas até que não estou achando tão ruim. Aproveito para observar as garotas e uma em especial chama minha atenção. Sem querer, acabando encarando ela por tempo demais. Estava perdido em seus olhos, confesso. Bom, agora já era tarde. Ela já havia notado e me observava também, vermelha. Eu iria puxar assunto. 
- Oi. - Eu disse recebendo o sorriso mais lindo daquele colégio. - Prazer, meu nome é Mario Zapata!
- Marcelina Medsen! - Ela pegou na minha mão, tímida. Eu olhei profundamente em seus olhos e, cara, ela podia ser a mãe dos meus filhos.

 

''Ser fiel não é difícil, ser fiel é extremamente fácil, tão fácil quando comer um simples pudim, só é difícil quando você não gosta verdadeiramente da pessoa.'' 

 

FIM. 


Notas Finais


Eae gostara?Eu espero que sim.
Deixe aí nós comentários suas opiniões sobre essa fic.
Bjjs e até a próxima.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...