História One Man Guy - Capítulo 15


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan, Bangtanboys, Bts, Jeon Jungkook, Kim Taehyung, Kookv, Romance, Taegguk, Taehyung, Taekook, Vkook
Visualizações 51
Palavras 3.567
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Se tiver erro, perdão!!! ):

Capítulo 15 - 15


Fanfic / Fanfiction One Man Guy - Capítulo 15 - 15

— O que a gente vai fazer primeiro?

— Vamos mudar seu visual. O que você tem em mente?

— Só não quero mais usar esses shorts cáqui idiotas.

— Você tem de decidir como quer se vestir. As pessoas não se vestem bem por acaso. Tem de ser planejado, mesmo que pareça não ser. Acho que você precisa olhar algumas opções. Por sorte, sei aonde ir. 

A brisa do verão aliviava o calor, e a umidade estava abençoadamente baixa. Cruzamos com um grupo de acrobatas de rua que pulavam uns sobre os outros em manobras ousadas ao som de música hip-hop na frente de uma escultura enorme de um cubo cintilante que girava e parecia um artefato do futuro.

— Downtown é totalmente diferente da Milha dos Museus e do Park— comentei.

— Isso que é o máximo em Seul. Parece ser feita de mil cidades diferentes, todas enfiadas em uma pequena ilha.

— Tudo em uptown era limpo e organizado. Mas aqui é mais...

— Relax? — sugeriu Taehyung.

— Relax?

— É. Relax. E artístico. Downtown é artístico — disse ele. — É uma boa forma de pensar no seu novo visual. Antes, você era limpo e organizado, como uptown. Mas, agora, vai descobrir o Jungkook de downtown, artístico.

— O Jungkook artístico — repeti a mim mesmo.

Entramos em um pequeno parque cercado de ruas e lojas.

— Você precisa ver isso!

Taehyung pegou a minha mão e praticamente correu para o outro lado da praça, onde um grupo de garotos andava de skate em corrimões, rampas e escadas.

— Parece o que vocês fizeram lá na cidade — digo.

— Essa é a nossa inspiração. Não importa que hora do dia seja, sempre tem um grupo de garotos aqui. Dá uma olhada neles! — Taehyung, disse, empolgado. — Manobra incrível, cara — gritou ele para um skatista que pulou no corrimão com o skate, deslizou, girou no ar e caiu com tranquilidade. O skatista respondeu batendo no peito duas vezes com a mão fechada e fazendo o sinal de paz para Tae.

Depois de observar os skatistas por um tempo, seguimos para o sul. Alguns quarteirões depois, viramos à esquerda, na Astor Place.

— Tudo bem. Sei que você não pediu, mas, se vamos transformar você, temos de começar com o cabelo.

— Taehyung, você pode se achar algum tipo de milagreiro, mas você não tem meu cabelo afro-armênio. Vou usar o cabelo assim até morrer.

— Você não conhece meu amigo Jongin. O cara é um gênio.

Taehyung desceu uma escada debaixo de uma placa de barbeiro em que as palavras JONGIN HAIR eram formadas com lâmpadas brancas em um fundo preto. Segui logo atrás. Chegamos a um labirinto de espelhos e cadeiras de barbeiro tão escuro que eu não entendi como os barbeiros conseguiam ver os cabelos das pessoas, muito menos cortar. O lugar não tinha semelhança nenhuma com os salões iluminados com música de elevador no shopping, onde a minha mãe me levou durante toda a vida.

Tudo no local estava em movimento: barbeiros cortando impetuosamente, assistentes varrendo o chão com cuidado e barbeadores elétricos zumbindo com ousadia. Os clientes eram quase todos homens adultos, mas eu vi garotos mais novos que eu e alguns idosos andando pelo aposento com bengalas e andadores. Até os clientes que já estavam cortando os cabelos tinham uma aura de energia e discutiam animadamente política local ou esportes uns com os outros. Taehyung nem parou para observar pandemônio. Foi direto falar com o barbeiro que estava no fundo do salão.

— Taehyung, mio caro, é tão bom ver você! — disse um homem forte, com barba por fazer de alguns dias e um sotaque forte.

— Jongin, este é meu amigo Jungkook. Salve-o! — pediu Taehyung.

Jongin tinha olhos castanhos calorosos e os dedos gorduchos. Enfiados em uma tesoura, pareciam salsichas prestes a pular para fora da película. Ele puxou Taehyung e eu de lado.

— Vou terminar este cliente em cinco minutos. Tem lista de espera, mas qualquer amigo do Taehyung é meu amigo — Jongin passou os dedos gorduchos pelo meu — Grego?

— Armênio.

— Seria meu próximo palpite. Só os gregos e armênios têm cabelo louco assim. Vamos ver o que podemos fazer, tá? Você deve usar o cabelo, não o cabelo usar você, certo?

Meia hora depois, eu sai do porão com um novo corte de cabelo.

Apesar das instruções detalhadas que recebi, eu não fazia ideia se conseguiria recriar a aparência perfeitamente bagunçada que Jongin fez em 15 segundos, usando alguns produtos e ajeitando com as mãos.

— Deem uma olhada no meu garoto! — disse Taehyung com admiração quando eu sai do barbeiro.

Vi meu reflexo no vidro de uma vitrine. O corte parecia ainda mais drástico à luz do dia do que pareceu no espelho escuro de Jongin. Eu nunca tinha percebido como o cabelo antigo tirava o foco de meus olhos, nariz e orelhas. Com o corte mais curto, meus traços se destacavam.

— Me sinto nu.

— Assustador, não é, não ter nada atrás de que se esconder? — perguntou Taehyung.

— É — concordei. — Mas também é libertador.

— Cara, está muito lindo — Taehyung respirou fundo e gritou:

— Meu garoto está lindo!

— Shh!

Eu olhei ao redor para ver se alguém tinha reagido à explosão de Taehyung.

Mas ele já estava andando.

— Agora, precisamos arrumar umas roupas lindas para esse gato — comentou. — Vamos.

Andamos por mais 15 minutos até parar em frente a um prédio de tijolos com as palavras HOUSING WORKS em estêncil na vitrine e na porta.

— Venha comigo — disse Taehyung, entrando na loja sem diminuir o ritmo. 

— Taehyung! — chamou uma jovem afrodescendente atrás da registradora.

— Você não vem aqui há um século! Bom te ver, gato!

— Rosé! E aí, garota? — disse Taehyung, se inclinando e dando um abraço nela. — Este é Jungkook. Jungkook, esta é Rosé. Ela está se formando no FIT, o Fashion Institute of Technology, então ela sabe das coisas. — Ele se voltou para Rosé. — Estou pensando em alguma coisa nerd-chique. Você pode nos ajudar?

— Claro, venham comigo.

Quando Rosé saiu de trás da bancada, eu pude apreciar o conjunto completo. Ela estava usando uma calça roxa bem justa e uma camisa preta sem mangas com lantejoulas que brilhavam quando ela andava. Fomos atrás de Rosé conforme ela percorria as araras de roupas.

— É uma loja de roupas usadas! — exclamei.

— Como você acha que fico na moda com pouca grana? — perguntou Taehyung. — Mas não é só uma loja de roupas usadas.

— Doamos nossos lucros para pessoas sem-teto e portadoras de HIV — Rosé explicou para mim, enquanto o guiava pelas araras. — Você fica na moda e ajuda uma boa causa ao mesmo tempo.

— Eles também têm uma livraria em downtown — disse Taehyung. — Não que eu tenha passado muito tempo lá.

— Vamos ver — Rosé me avaliou como um cientista tentando entender os resultados de um experimento. — Nada de tons terrosos claros nem de amarelos, gosto de você em cores primárias fortes e talvez um marrom intenso para destacar esses olhos. Parece bom, Taehyung?

— Na mosca, como sempre, Rosé.

— Que tal isto? — perguntou ela, pegando uma camiseta verde desbotada.

— É a insígnia do Lanterna Verde! — exclamei com alegria, admirando o desenho do círculo branco no meio da camiseta.

— O quê? — disse Taehyung.

— "No dia mais claro, na noite mais escura, nenhum mal escapará à minha visão." É o lema do Lanterna Verde!

— Não faz diferença — disse Taehyung. — Só achei legal. Você segura enquanto Rosé e eu pegamos — disse ele, jogando a camiseta para mim.

Em pouco tempo, eu estava enterrado embaixo de uma pilha de roupas.

Vetei imediatamente algumas coisas por achar esquisitas demais, como uma calça justa vermelha e uma camiseta regata roxo néon. Mas Taehyung não se importou.

— Só estamos tentando entender do que você gosta.

Quando eu pensei que desmoronaria sob o peso da pilha de roupas que estava segurando, Taehyung disse:

— Vá experimentar isso tudo. Chego lá em um segundo.

Eu encontrei o provador no canto do fundo da loja e esperei na fila até um deles estar disponível.

Depois de fechar a cortina, eu tirou os sapatos e o short cáqui e experimentei a primeira calça, de corte justo azul-marinho fechada por botões e com costuras laranja.

— Jungkook, venha desfilar para mim! — gritou Taehyung do lado de fora.

Timidamente, eu abri a cortina e sai andando.

— "A chuva na Espanha cai com intensidade tamanha" — recitei com sotaque britânico.

— Como?

Taehyung avaliou o caimento da calça em mim de todos os ângulos.

— É o que ensinam Eliza Doolittle a dizer corretamente quando ela é finalmente transformada em My fair lady.

— Tudo bem, cara. Essa ficou linda. Experimente com...

Taehyung foi até o provador e pegou uma camiseta preta justa com gola V.

Eu troquei de camisetas e sai com o traje completo. Taehyung assobiou com aprovação.

— É isso que você estará vestindo quando sair daqui. Entre lá e me mostre o resto.

O entusiasmo de Taehyung contagiou a todos. Quando eu sai do provador, alguns momentos depois, dessa vez usando a camiseta do Lanterna Verde com uma calça jeans de cintura baixa cinza de corte reto, os outros clientes que esperavam na fila do provador bateram palmas. Ele me fez desfilar com as roupas pelo corredor, para o deleite da plateia improvisada.

— Você precisa de uns sapatos caprichados para essa roupa — sugeriu um jovem elegante e bem-vestido com uma pasta na mão.

— Esses dois formam um casal lindo — sussurrou uma mulher de meia- idade que usava um chapéu de palha bege para a amiga.

No provador, eu tirei a camisa e estava decidindo o que experimentar em seguida quando ouvi Taehyung do outro lado da cortina.

— Escolhi isso para você. Quero ver se você fica melhor de armação preta ou prateada. Acho que estamos prontos para escolher acessórios.

Eu tive um vislumbre de mim mesmo no espelho, sem camisa, antes de Taehyung entrar segurando dois pares de óculos de sol e alguns cordões com contas de madeira.

— Ah, hã. Eu não sabia... Me desculpe, achei que você estivesse vestido — disse Taehyung quando me viu semi-nu. Mas não fez nenhum movimento para sair.

— Eu só estava tentando decidir o que experimentar agora — respondi, virando-me e ficando de costas para Taehyung.

— Que tal esta?

Taehyung mostrou uma camisa branca quase transparente estampada com um desenho floral nos ombros e nas costas.

— Ótimo, quer deixar aqui? — perguntei.

— Eu prefiro que se vire para eu poder ver você colocar.

Eu fiz uma pausa de um segundo e depois virou lentamente. Percebi que Taehyung me olhava de cima a baixo. Embora eu devesse ficar um pouco à vontade, eu senti uma emoção secreta por estar seminu na frente dele. E ter tanta gente por perto tornava tudo mais emocionante.

— Eu não sabia que você tinha um tris tão sexy — Taehyung falou devagar, apreciando cada palavra.

— Tris?

— Tríceps, dã.

— Eu contei pra você que joguei tênis durante anos.

Taehyung tocou o meu cotovelo com um dedo e percorreu do tríceps até o ombro. Eu senti cada pelo do corpo se arrepiar. O dedo de Taehyung permaneceu no meu ombro por um tempo e depois desceu lentamente, acompanhando o peitoral.

— E eu não sabia que você era tão bronzeado. Todos os armênios pegam cor tão bem assim?

— Ah, muitos armênios são muito brancos, como a minha mãe. Meu irmão puxou mais o tipo de pele dela. Mas sou mais parecido com meu pai. Ele é tão moreno que às vezes pensam que é turco.

— Agradeçamos a Deus pelos genes armênios do seu pai.

O dedo de Taehyung parou debaixo do meu queixo e, de repente, ele me empurrou contra a parede do provador. Ele encostou seu corpo no meu e me beijou.

— Aqui não! — protestei, quase sem forças, depois de alguns segundos.

— Não faz diferença para mim o lugar onde dar uns amassos — Taehyung deu um sorriso tímido, mas se afastou. No entanto, sua linguagem corporal deixava claro que ele teria ficado feliz em continuar beijando. E talvez até mais. — Mas, tudo bem. Quero ver você com essa camisa de botão.

Na fila do caixa, alguns minutos depois, eu não conseguia acreditar que as duas calças, os três shorts e as quatro camisetas que eu estava segurando, sem contar a calça azul e a camiseta preta com gola V que Taehyung escolheu para mim, os óculos de sol prateados e um cordão de contas de madeira, custaram menos da metade do dinheiro que a minha mãe costumava gastar nas roupas de verão.

— E que tal isso, para dar o toque final? — perguntou Taehyung, mostrando uma mochila de couro surrada.

Larguei as roupas no chão e abracei a mochila com carinho.

— Adeus, JanSport — digo, apertando o rosto na mochila e inspirando o aroma de couro velho.

— Vou interpretar isso como um sim — disse Taehyung, pegando as roupas do chão.

Alguns minutos depois, saímos da loja, eu estava orgulhosamente vestindo as roupas novas e o resto dobrado na mochila de couro, pendurada nas costas.

— Lembra dos cinco dólares que não gastamos da última vez porque você estava todo azedo?

— Eu não estava azedo, seja lá o que isso quer dizer! Eu achei que você estava sendo homofóbico...

— ...quando eu só estava sendo homossexual — completou Taehyung. — Está com fome?

Com todas as atividades do dia, eu não tinha percebido que não comia desde o incidente das frutas soudé.

— Morrendo!

— É para isso que vamos usar os cinco dólares. Mesmo em Seul, dá para encontrar comida boa e barata.

Taehyung apertou o passo e eu fui atrás. "Como deve ser", perguntei-me, "saber andar bem pela cidade?"

— Vamos comer uma coisinha e depois vamos para a High Line.

— O que é a High Line?

— Você tem de ver para acreditar — foi tudo o que Taehyung disse.

Passamos por incontáveis restaurantes, quiosques e carrinhos de comida enquanto andávamos pela cidade.

— Não podemos comer uma coisa aqui? — perguntei.

— Não — respondeu Taehyung rapidamente. — Este lugar é meio longe, mas se você quer o melhor tem de estar disposto a ir atrás. Principalmente se quer que o melhor também seja barato.

Passamos por uma quadra de basquete e Taehyung virou à esquerda.

— Estamos na Village. Era um bairro boêmio/gay, mas aconteceu a gentrificação e agora só gente rica mora aqui.

Chegamos.

Taehyung parou em frente a um toldo pequeno listrado de branco e marrom junto a uma placa que dizia MAMOUN'S FALAFEL.

— Falafel! — exclamei.

— Não me diga que falafel é armênio também.

— Não é, mas é do Oriente Médio. Mas minha mãe era vizinha de uma família egípcia quando criança, e as mães trocavam receitas o tempo todo. Falafel para mim é como cachorro-quente para a maioria dos garotos.

Taehyung foi fazer o pedido, mas eu intercenei.

— Pode deixar — disse ele. — Vamos querer dois sanduíches de falafel, mas quero com o pão árabe de verdade, não esse negócio grosso que esses coreanos gostam.

O sujeito atrás do balcão assentiu com aprovação. Pegou pães árabes bem finos debaixo da bancada, abriu e usou uma pinça para pegar bolas de falafel na cesta de fritura.

— Há quanto tempo esse falafel está aí? — perguntei ao sujeito, que olhou com vergonha em vez de responder. — Foi o que pensei. Você se importa de fazer fresco, por favor?

O sujeito fez bolinhas com massa de grão-de-bico amassado e colocou no óleo fervente.

— Você saca mesmo de falafel — comentou Taehyung, impressionado.

— Você não faz ideia do orgulho que meus pais sentiriam de mim agora — respondi.

Quando o falafel ficou pronto, eu apontei para os acompanhamentos.

— Pode pegar leve na salada, e queremos pepino na salmoura e...

— Frutas soudé! — exclamou Taehyung com alegria.

— E picles de berinjela seria ótimo. E vamos querer tahine e molho picante, por favor. Sahtein — digo quando o homem entregou a mim os sanduíches de falafel.

— O que quer dizer sahtein? — quis saber Taehyung.

— É tipo bon appetit em árabe — respondi.

— Vocês vão pagar juntos? — perguntou o homem, somando o total. — Sim, por favor.

Eu me adiantei antes de Taehyung ter a chance de responder. Entreguei ao caixa uma nota de dez dólares do envelope e coloquei um dólar no pote de gorjetas.

— Jungkook, você não precisa pagar para mim.

— Sei que não. Mas isso é um encontro, né?

— Amém.

— Supondo que isso signifique "sim", é um prazer para mim.

— Estou podendo. Meu namorado pagou um sanduíche de falafel para mim — gabou-se Taehyung para as garotas góticas atrás dele.

— Vocês dois são tão fofos. E você tem tanta sorte. Ser gay está tão na moda agora. Estou pensando em virar lésbica — respondeu a mais alta.

Eu teria rido ou reagido ao comentário da garota, mas ainda estava absorvendo o fato de Taehyung ter usado a palavra namorado. Comemos caminhando, com Taehyung praticamente me arrastando.

— Minha mãe diz que não é saudável comer andando — protestei.

— Sua mãe não precisa chegar à High Line antes de fechar.

Andamos sem parar, e Taehyung me guiou por uma escadaria circular externa. Uma pista com jardim, paralela ao rio e suspensa no meio da cidade, nos recebeu.

— Que legal! — exclamei.

— Não é? — Taehyung assentiu. — Aqui era uma linha férrea usada para entregar leite, carne, hortifrutigranjeiros e bens crus e manufaturados pela cidade. Depois ficou fechada por uma eternidade e as pessoas queriam derrubar, mas alguém teve a ideia de transformar em parque. Venha!

— É o oposto do Park— observei, enquanto andávamos.

— Como assim?

— Ah, no Park você esquece que está em uma cidade. Aqui, a cidade e a natureza se misturam nessa coisa híbrida incrível. A High Line não poderia existir em nenhum outro lugar.

— Não mesmo — concordou Taehyung. — Adoro a vista da cidade dessa perspectiva de segundo andar. — Ele apontou para o oeste. — É ali onde os Ramblers, o time de futebol gay da cidade, joga todas as noites de segunda. E ali fica o Hotel Chelsea, que era o lugar para se estar. E, olhe, esta é a minha parte favorita — disse ele quando eles chegaram à Rua 26. Nos sentamos suspensos sobre a rua, vendo-a seguir até o que parecia ser o infinito. — Nunca se vê uma rua ou avenida desse ângulo. Não é incrível? — perguntou ele.

Fiz que sim e fiquei olhando a rua seguir para o horizonte.

Passamos por casais de mãos dadas e mais carrinhos de comida.

Quando chegamos a um quiosque de paleta mexicana, Taehyung pegou a carteira com orgulho.

— Se você pode pagar meu falafel, eu posso pagar a sobremesa — disse ele, comprando uma paleta de morango e outra de manga com pimenta. — Quer dividir?

— Um picolé? — perguntei.

— Com medo de pegar meus germes?

Continuamos andando enquanto tomávamos os picolés, admirando a arquitetura do parque suspenso e a forma como parecia eternamente integrado à folhagem e ao verde.

— Venha, venha — Taehyung me apressou. — Não temos muito tempo.

— Tempo para quê?

— Anda logo! — disse Taehyung, praticamente me arrastando por outra escadaria circular.

Eu fui atrás de Taehyung até o outro lado de uma rua, para um pequeno gramado em um píer.

— Estamos no extremo oeste da cidade — Taehyung apontou para a rua que seguia em paralelo ao rio. — Esta é a West Side Highway.

Eu ergui o rosto e vi o sol se pondo atrás do contorno de Busan.

Eu cresci em Busan e sabia que a cidade tinha a reputação de ser o sovaco do país. E, normalmente, eu achava que a reputação era merecida.

Mas naquele momento eu estava vendo alguns raios de sol atravessando o céu escurecido com feixes de luz roxas, vermelhas e laranja. O reflexo cintilava na água com delicadeza, como se qualquer perturbação fosse fazer a imagem desaparecer. Eu pensei que até Busan ficava bonita pelas lentes de Seul. Ficamos admirando o visual.

— Você me chamou de namorado quando estávamos comprando o almoço — digo baixinho, ainda olhando para a frente.

— No Mamoun's?

— É. Você falou para aquelas garotas que seu namorado pagou a comida.

— E daí?

Fiz uma pausa, perguntando-me se teria coragem de fazer a pergunta apavorante.

— Por que eu, Taehyung? Você é tão... bem, você poderia ter qualquer pessoa que quisesse. Por que me escolheu?

— Tenho uma quedinha pelo povo armênio. Com toda essa história de genocídio...

A brisa que soprava agitava algumas mechas do cabelo de Taehyung. Eu achei que ficaria feliz de passar o resto da vida assim, com o sol, a água, o vento e Tae. Mas isso não queria dizer que ia deixá-lo fugir da pergunta.

— Estou falando sério, Taehyung — insisti delicadamente.

Eu coloquei a mão sobre a de Taehyung, que estava apoiada no parapeito e entrelaçou meus dedos com os dele.

Eu fiz uma pausa longa e considerável antes de começar a falar.

— Eu acho que quando se tem a nossa idade é muito fácil fazer a escolha fácil. O que os adultos não entendem ou talvez tenham esquecido é que, na maioria das vezes que fazemos besteira, sabemos que estamos fazendo uma idiotice, mas escolhemos fazer mesmo assim porque é mais fácil. Mas você é diferente. Você não tem medo de fazer a coisa certa, mesmo que seja mais difícil. Como avisar ao senhor Weedin que ele copiou o problema errado na lousa. Ou chamar a minha atenção quando achou que eu estava sendo homofóbico. E respeito isso, Jungkook. Você tem personalidade. Quero isso em um cara com quem vou ficar. Significa que ele vai me tratar bem e que também merece ser tratado bem.

Eu apoiei a cabeça no ombro de Taehyung e continuei observando o resquício de sol desaparecer.

— Mais uma coisa — disse Taehyung depois de uma longa pausa. — E isso já era verdade antes de hoje, mas agora é indiscutível. — Ele passou o braço ao redor do meu ombro e sussurrou no meu ouvido. — Você é sexy, namorado.


Notas Finais


8 capítulos para acabar + 1 especial apenas de smut. rsrsrsrsrsr


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