História One me two hearts - Capítulo 12


Escrita por: ~

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Categorias Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Apollo, Bianca di Angelo, Hades, Nico di Angelo, Personagens Originais, Will Solace
Tags Nico Di Angelo, Solangelo, Will Solace, Yaoi
Exibições 388
Palavras 2.349
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Fantasia, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 12 - Uma conversa sobre coragem e suicídio


Fanfic / Fanfiction One me two hearts - Capítulo 12 - Uma conversa sobre coragem e suicídio

NICO

            Nico não procurava pensar muito em Percy Jackson e o passado, ele achava isso uma perda de tempo. Mas era complicado... Naquela situação.

            Will o encarava e de repente o medo o dominou. Medo de Will repudia-lo se soubesse o que havia acontecido entre Percy e ele, medo de ter que encarar aquela fase da sua vida novamente, medo de aqueles olhos doces serem capazes de ler os seus pensamentos, assim como Nico pensava ser possível. O olhar de Will lembrava a visão que tivera ao olhar pro céu enquanto estava emerso na água do lago da avó dele. Era caótico e sereno, cheio de informação e límpido.

            Nico se sentiu mal. Uma tontura repentina, como se já tivesse visto tudo aquilo antes.

            Sentiu um calafrio e uma vontade súbita de sair correndo.

            — Nico? — Will chamou. — Nico, você está...?

            — Estou bem — Nico levantou-se. — Hazel, peça pra mim um sanduíche natural e achocolatado. Eu vou ao banheiro.

            — Ok.

            Will fez menção de segui-lo, mas Nico levantou a mão como se pedisse por espaço.

            Ele andou por entre as mesas, passando por duas mulheres de mãos entrelaçadas por cima da mesa conversando, uma moça jovem mexendo no celular enquanto duas crianças comiam e um homem com ar solitário tomando o seu café. Eram poucas pessoas, mas ele sentia como se estivesse numa multidão. E não havia motivo, porque eles não estavam ali. As almas estavam afastadas.

            Nico adentrou o banheiro. Foi até a pia para lavar o rosto.

            — Céus — riu de sua imagem pálida no reflexo do espelho.

            Riu porque era patético. Riu porque era hilário. Riu porque não sabia o que fazer.

            Olhou para baixo, o sorriso se desfazendo, a lástima ganhando lugar em sua expressão. Quando voltou a cabeça para cima novamente, Maria di Angelo estava ao seu lado.

            — Mãe... — Nico sussurrou, mas ela, alarmada, colocou o indicador nos lábios, sinalizando que era para Nico ficar quieto.

            Ele fez uma expressão confusa, mas ela apenas o abraçou.

            A sensação que teve foi nostálgica. Era o mesmo abraço que o recebia em casa quando voltava da escola e as crianças haviam zombado de seu jeito, discriminado por Nico ser quem é. Sua mãe abaixava-se e o envolvia num abraço com cheiro de doce e com gosto de lágrimas. Ela sussurrava uma melodia — porque amava cantar, e sua voz era muito bonita — que dizia:

            “When a human hurts your skin

            This is when you let them in”

            [Quando um humano fere a sua pele, é quando você os deixa entrar]

            Ela explicara um dia que toda vez que alguém a tentava destruir, ou quando ela lembrava algo muito ruim, sussurrava essa melodia, para que se lembrasse de que mesmo que a machucassem, ela não podia deixa-los atingi-la, não podia deixa-los entrar.

            Por que Nico havia se lembrado disso?

            Maria se afastou com um olhar de compaixão. Depois de dar um beijo na testa de Nico, moldou com os lábios, emitindo um barulho arranhado que não podia ser chamado de voz:

            — Tempos difíceis virão. Lute. Não se entregue — ela sorriu, fechando os olhos, como se sentisse algo que Nico não podia, aproveitando uma sensação que os deste lado sequer poderiam saber o que era. Ela sentia, e parecia amar isso. Ao contrário de Nico, que odiava sentir, e também odiava não sentir. — Agora você tem algo pelo qual lutar.

            Sua imagem translúcida foi levada pela brisa quando alguém abriu a porta do banheiro. Mas a sensação de primavera e de morte continuava lá. Não que fosse por sua mãe estar morta, mas era apenas o clima natural que ela emanava. Flores cobertas por uma fina camada de tragédia, como se orvalho fosse. Ela era linda, Nico lembrava. Seu rosto, branco, fino e rosado, os olhos castanhos esverdeados, os cabelos longos e cor de chocolate amargo.

            “Todo homem fica mais bonito com uma mulher ainda mais bonita ao seu lado” dissera alguém em um filme que Nico vira recentemente.

            E era verdade. Seu pai parecia mais vivo com ela. A melhor parte dele, ambos tinham que concordar, era ela.

            — Você está passando mal? — perguntou Will, aproximando-se de Nico. — Quer ir pro pronto socorro?

            — Eu tô bem — Nico tentou dar um sorriso, mas nada saiu. Então deu um selinho rápido em Will e começou a andar para a porta.

            “Tempos difíceis virão”.

            À que ela se referia? Os mortos podiam prever o futuro?

            “Não se entregue”.

            Logo sua mãe, que o conhecia melhor do que ninguém, falando para não se entregar? Parecia uma piada. Ela deveria saber que tudo que Nico fazia era desistir, nem ao menos tentar. Ele não tinha coragem, nem perseverança, nem sorte nem disposição.

            Interceptando seus pensamentos que começavam a oprimi-lo, e antes que pudesse sequer tocar na maçaneta, Will parou a sua frente, de costas para a porta, com a expressão fechada.

            — Você nunca vai se abrir comigo? — perguntou quase que impaciente, olhando para cima.

            Era segredo de Nico, mas ele amava a cor cristalina que os olhos de Will tinham daquele ângulo. Nico só podia vê-los assim quando Will estava indignado, ou irritado, ou impaciente e tinha essa mania sua de olhar por cima da cabeça de Nico, para o nada além dele.

            — Eu só... — Nico começou com cautela. — Pensei em coisas ruins. E isso me deixou um pouco mal.

            — Imaginou o Sr. D de roupa íntima cavalgando um jumento, bêbado e usando um chapéu de festa infantil?

            Nico fez uma careta e riu.

            — Não, foi melhor que isso. Esse pensamento sim teria me feito ir pro pronto socorro... Aliás, obrigado, Will Solace, por me fazer imaginar essa visão horrível.

            Will sorriu e finalmente olhou para baixo.

            — Disponha — pensou por um momento. — Estava pensando em quê?

            — Percy — admitiu. — Aquilo que aconteceu ontem.

            As pálpebras de Will tremularam, mas ele continuou firme, a expressão límpida, como um bom ator tinha de ser.

            — Acho que isso não é da minha conta — disse, por fim, dando de ombros. Quase convencendo Nico de que não se importava.

            Curvou-se e deixou um beijo no canto da boca do menor, depois um na bochecha e outro no pescoço. Nico sibilou.

            — Urgh, ponto sensível. Vamos voltar para a mesa.

            De baixo, Will olhou para ele e deu um sorriso malicioso.

            — Agora que íamos para a parte legal?

            Nico acabou não respondendo, sua voz não saiu quando Will desceu as mãos para as suas nádegas e arrastou os lábios pelo seu pescoço, no final dando um chupão ali. Nico arfou e sua reação imediata foi entrelaçar seus dedos nas mexas do cabelo de Will.

            — Pronto — Will sorriu e se separou, as bochechas ruborizadas. — Agora sim vamos voltar.

***

            Era começo de noite de domingo. Os funcionários estavam dispensados, Hades e Hazel estavam na igreja. Nico se recusava a ir naquela igreja em específico, ele não aguentava a hipocrisia das pessoas de lá. Não tinha problema com a Palavra, ou com o que era pregado, mas com as ações das pessoas que o ouviam. Lembrava-se de, quando pequeno, ter ouvido uma palavra sobre adultério, um dos grandes mandamentos. No entanto, apenas sua mãe estava na igreja, porque Hades não mantinha uma boa relação com Deus. No final do culto, ele viu a mesma mulher elegante e rechonchuda que pregara no culto sobre adultério sendo abraçada um tanto quanto intimamente por um homem que não era o seu marido. Meses depois, aquele caso foi descoberto e gerou grande repercussão na igreja. Robert, o marido dela, deixou a igreja. E ainda tinha toda aquela massa de adolescentes, crianças voluntárias cuidando das crianças menores, que tinham o dever de passar determinada mensagem. Mensagem esta completamente infantilizada e descumprida por eles. Lamentável.

            Então ele estava em casa, sozinho. Ou quase.

            — At every ocasion I’ll be ready for a funeral — cantarolava enquanto entrava no banheiro.

            Ligou o chuveiro, e a água que desceu quase o cozinhou. Desligou-o e alterou a temperatura, mas quando abriu, a água parecia a ponto de congelar. Quando tentou ajustar para o quente de novo, o interruptor quebrou em seus dedos. E não tinha como encaixar, pois era justo o encaixe que havia quebrado. Tentou, com o indicador, empurrar o interruptor quebrado mesmo. Sentiu uma dor aguda e levou o dedo à boca; estava sangrando.

            — Mas. Que. Mer-da.

            Enrolou a toalha na cintura, manchando-a com um pouco de sangue e saiu corredor afora a procura de um banheiro.

            Não era possível que numa mansão com dez ou mais quartos não houvesse um banheiro sequer sem problema. Todos os quartos eram suítes — ajustes que Hades fizera quinze anos antes, quando recebera toda a família que desejava ver o recém-nascido Nico  — sendo que sete deles estava com o registro fechado, e Nico não fazia ideia do que diabos era um registro. Os outros três eram os quartos dele, de Hazel e de Hades. Havia a dependência dos empregados também, mas ele não se atreveria a entrar no quarto de alguém que não fosse da sua família.

            Restava Hades e Hazel. Foi para o quarto ao lado da suíte principal, o de Hazel.

            — Oh, certo — murmurou, olhando em volta.

            O lugar era uma zona. Estava explicado o motivo de Hazel sempre passar os finais de semana em seu quarto milimetricamente organizado. Deu dois passos e pisou num sutiã e um uniforme escolar. Afastou algumas bolsas e sapatos para entrar no banheiro dela, mas desistiu assim que abriu a porta. Não queria ter de afastar a caixa de absorventes esparramada no chão, nem que fechar as gavetas de calcinhas e maquiagem pra poder chegar ao chuveiro.

            Derrotado e contrariado, Nico foi para a suíte principal: o quarto de seu pai.

            Ao entrar lá, Nico tinha que descer uma escadaria de metal, pois o teto era alto e o cômodo ocupava dois andares da casa. Era desnecessário, nisso ele e seu pai concordavam. O teto era todo detalhado, em pinturas barrocas e gesso. Os quadros tinham molduras de madeira e douradas. A cama ara grande e macia, com cortinas de tule leve e esbranquiçado. O lado de Maria di Angelo continuava intacto, a penteadeira em marfim com três espelhos ovais, o maior no centro. Os desenhos de Nico e Bianca pendurados em um varal colado na parede.

            Atrás da cama, uma sacada imensa com portas de vidro. Dava para o riacho que passava ao lado da casa. No lado de Hades do quarto, havia apenas um criado-mudo marfim com a Bíblia Sagrada em cima. E, por fim, na frente da cama, um espelho de aproximadamente quatro metros de altura e dois de largura emoldurado em dourado.

            Fazia tempo que Nico não entrava ali. A última vez fora... Na noite da morte de sua mãe.

            Algo capturou sua atenção. Um movimento do seu lado esquerdo.

            A porta do closet estava aberta. Ela ia e vinha, apesar de não ter nenhuma brisa.

            — Fairy? Andrew? — Nico chamou, caminhando lentamente na direção. Não houve resposta. — Desculpe, mas se você, seja quem for, puder não ficar perambulando pelo quarto do meu pai, eu agradeceria.

            Quando chegou a um passo do closet e estendeu sua mão na direção da porta, ela bateu com força.

            — Sabe que eu não tenho medo, certo? — Nico debochou com uma ironia fria. Encostou-se à estante ao lado da porta. — Vamos, saia daí.

            A porta abriu um pouco, deixando apenas uma fresta. O suficiente para Nico ver o escuro absoluto dali.

            Uma sensação nova o invadiu.

            Não era bom, não, nem de longe. Não era nostálgico, como aquele quarto. Não era como a sensação de ter os espíritos por perto. Era mal, antigo e odioso. Parecia ter muita fúria guardada ali. Era um sentimento negativo, horrendo, que fazia Nico querer correr daquela casa, de sua vida.

            Sua expressão mudou. Agora estava atenta e defensiva. Ele se desencostou da estante.

            Não tem medo, criança?

            A voz não tinha gênero. Era esganiçada, grave, aveludada e aguda, tudo ao mesmo tempo. Era sôfrega e maldosa, irônica e simplesmente ruim. E soava dentro de sua cabeça, dando um desconforto, porque ele se sentia invadido. O único lugar que ele julgava ser seguro era em sua mente, e agora nem ali.

            — Não — Nico respondeu e deu um passo para trás.

            A coisa riu.

            Crianças deveriam temer o escuro.

            — Eu sou o escuro.

            Outra gargalhada.

            Ah, é? Sua mãe era esperta. Ela tinha medo do escuro. É uma pena que ela não tenha vivido o suficiente para te ensinar isso.

            — Pare.

            Já tentou imaginar o motivo do suicídio dela?

            — Suicídio e desistir da vida não são a mesma coisa.

            A essência do suicídio é o desespero.

            — A essência do suicídio é não poder receber seguro.

            Você é muito sábio para alguém que mal viveu meia vida. A porta escancarou-se. Nem a claridade do ambiente penetrava aquela escuridão. Quer ver? Ver o que fez sua mãe desistir da vida?

            — Ah, vamos, você pode fazer melhor para persuadir alguém.

            A escuridão se contorceu e gargalhou, e dela surgiu uma figura esguia, mais alta que Nico. Bianca di Angelo.

            — Oh, sim, eu posso — Bianca sorriu, seus dentes estavam manchados de sangue. — Mas não com pessoas como você. Você tem coragem.

            Nico riu. Seus olhos eram opacos.

            — Sou um dos maiores covardes que conheço.

            — É preciso coragem pra admitir-se covarde, maninho. — Bianca suspirou. — Aquela menina, por outro lado...

            — Fala de Hazel? — Nico franziu o cenho.

            — Ela está a ponto de quebrar.

            — Não... Você não está fazendo isso com ela.

            Bianca sorriu.

            — Eu não estou. Ela está. Você já notou que os di Angelo têm um paixão inexplicável pela ideia de morrer?

            — Chega — Nico disse firmemente, chamas negras pareciam dançar em seus olhos.

            — Como é? — o sorriso dela se desfez. Parecia uma criança que estava se divertindo e de repente os pais chegam. Seu tom foi alarmado.

            Mas Nico hesitou. Ele não devia ter feito isso, era o que pensava. Talvez ela se enfurecesse.

            — Não... Não fale disso. Eu só quero tomar um banho, preciso fazer tarefa de casa.

            O sorriso voltou ao rosto de Bianca, dessa vez ainda mais sombrio. Ela gesticulou em direção ao banheiro e fez uma reverência.

            Nico sentiu que poderia desmaiar tamanha era a voracidade do ódio no olhar dela.


Notas Finais


genten, finalmente meu wifi ta de volta
espero que tenham gostado, comentem viu
ultimo cap teve só 8 coments e eu tava pra dar na cara de vcs, mas me controlei pq teve um aí com 20 coments, então <3


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