História One me two hearts - Capítulo 18


Escrita por: ~

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Categorias Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Apollo, Bianca di Angelo, Hades, Nico di Angelo, Personagens Originais, Will Solace
Tags Nico Di Angelo, Solangelo, Will Solace, Yaoi
Exibições 231
Palavras 2.131
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Fantasia, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Então
descobri que inspiração é uma coisa valiosa, e se eu tiver inspiração pra algo, é melhor eu escrever antes que essa inspiração se perca
cá estamos nós
vou pra amaranto negro n, to sem vontade de escreve-la
aproveitem minha boa vontade

Capítulo 18 - Cravo e canela


Fanfic / Fanfiction One me two hearts - Capítulo 18 - Cravo e canela

NICO

            Nico acordou cedo naquela manhã. Virou-se de bruços e sentiu aquele familiar cheiro de casa estranha. É um cheiro que acompanha o ambiente, as roupas e os móveis de qualquer outra casa que não a sua. Ele nunca parara pra pensar muito nisso, mas parecia ser a combinação de um sabão com o qual não estava acostumado, cheiro de coisa guardada e de criança adormecida.

            Virou de lado, se deparando, de fato, com uma criança de dezesseis anos adormecida. Enquanto encarava Will, tentava se lembrar de como as coisas haviam acontecido na noite anterior para acabar aceitando o convite de Apolo para dormir lá aquela noite. Frustrado e sentindo um gosto amargo na boca, Nico levantou em busca de água e talvez alguém que pudesse lhe providenciar uma escova de dente.

            Subitamente, lembrou que eles tinham parado nos dormitórios do campus para que ele pegasse material de higiene pessoal. Mas ele não recordava especificamente de ter entrado no seu quarto e pegado algo... Talvez tivesse adormecido no carro.

            Saiu desorientado do quarto de Will. Nunca tinha estado naquele lugar, não sabia onde as coisas ficavam. Olhou em volta e viu uma sala iluminada, uma sacada com portas de vidro. O sofá era preto, de couro, tinha o estilo bem moderno. Notou uma manta creme revirada em cima do couro, como se alguém tivesse sentado ali e acabado de levantar. O carpete era creme também, na parede acima do sofá havia um quadro em terceira dimensão com linhas saltando da tela, Nico achou meio bizarro. Do lado oposto, na sua direita, seguia um corredor branco e, antes desse corredor, num espaço de parede perpendicular a ele, uma entrada grande sem portas. Ouviu o barulho de água caindo de uma torneira e foi para lá.

            Seus olhos se estreitaram assim que entrou no cômodo, que era absurdamente claro. Foi se acostumando, até que conseguiu enxergar uma cozinha de tamanho médio com bancadas e uma parede de vidro. O sol batia bem nessa parede, o que produzia uma luz terrível ao ambiente, em sua visão. Mas assim que ele saiu do foco do reflexo, notou que não era tão ruim assim. Ao dar dois passos, descobriu um ambiente na cozinha que ficava escondido da porta. Ali havia uma bancada com uma pia grande, de onde vinha o barulho de água escorrendo. Apolo, descalço e descabelado, vestido de camisa de botão e jeans rasgado, lavava a louça com ar pensativo.

            — Bom dia — Nico chamou sua atenção com a voz tremendamente rouca.

            — Bom dia, senhor di Angelo, como posso servi-lo? — fez uma reverência exagerada e de expressão séria. Depois, começou a rir baixinho e endireitou a postura. — Desculpe, não sei como o seu mordomo te cumprimenta de manhã. Queria te fazer se sentir mais em casa.

            — Geralmente, — teve de limpar a garganta para conseguir falar — ele diz “e aí?”, mas se for muito difícil pra você, pode improvisar.

            — Oh, eles são informais assim?

            — Só comigo e com Hazel. Nós gostamos de informalidades em casa. O mundo já é muito cheio de politicagem.

            — É um bom pensamento — Apolo riu, lhe estendendo uma maçã. — Coma enquanto preparo o café e o almoço. Hoje vocês não precisam ir pra aula.

            — Não é todo dia que recebemos uma cortesia dessas do nosso excelentíssimo senhor coordenador — disse com a boca cheia de maçã, apesar de já ter recebido dispensa da secretaria. — A que devo a honra?

            Apolo deu um pequeno intervalo antes de responder, estava de costas para Nico quando disse, e mesmo assim Nico pôde ouvir o tom melancólico em sua voz:

            — Foi uma madrugada difícil. Para todos nós — o loiro virou-se sorrindo. Aquele mesmo sorriso falso que via tantas vezes Will exibir. — Mas, ao contrário de vocês, não posso faltar o meu trabalho. Hazel disse que quer ir à escola, apesar de tudo, então também vou leva-la. O que significa que você e Will vão ficar com a casa to-di-nha pra vocês — Apolo deu um sorriso malicioso. — Se quer saber, o lubrificante e as camisinhas ficam...

            — Hein, você gosta do meu pai, não é? — Nico estava tão desesperado para mudar de assunto que mal acabou notando as palavras que saíram da sua boca. Seu rosto ardia em vermelho vivo, então tentou se concertar. — Não que isso seja da minha conta, nem que eu vá comentar qualquer coisa com ele, é que...

            — É tão óbvio assim? — deu uma risada beirando a histeria e se pôs a cortar fatias de queijo.

            — Não é óbvio — Nico acabou optando por falar a verdade, já que haviam entrado naquele assunto. Deu outra mordida na fruta quase inteira em suas mãos. — Qualquer pessoa que visse de longe acharia que você o considera só um bom amigo.

            — Então o que te fez pensar assim?

            — A vida que os seus olhos ganham quando o vê. Me lembra um pouco... — “de como Will olha pra mim”.

            Nico deixou a frase morrer no ar, não querendo dizer aquilo. Para disfarçar, deu mais uma mordida.

            — Ah, mas você está errado — Apolo deu um sorriso brincalhão. — Eu não gosto do seu pai — ele se inclinou na direção de Nico e continuou sussurrando, como se fosse uma brincadeira. — Eu o amo. Eu acho que ele já sabe, mas não fale nada. As pessoas normalmente fogem de verdades ditas em voz alta.

            Nico permaneceu sério e olhou para o chão. Não sabia o que responder, então começava a se sentir desconfortável. Não tinha conselhos para dar, não havia comentários a serem feitos. Ficou grato por ter uma maçã para se distrair. Ficaram e silêncio tempo o suficiente para que ele terminasse de comer e jogasse os restos no lixo.

            — Por que não vai chamar o Will e a Hazel pra mim? — Apolo piscou. — Sei que Hazel deve estar cansada, mas ela que me pediu para vir a escola hoje, então não tenha dó de acordá-la.

            Nico assentiu e andou descalço pela casa de volta ao quarto de onde havia saído. No interior dele, notou a sua mochila de tecido verde musgo, desgastado, apoiada na parede em um canto. Com a cabeça mais límpida, pôde perceber um cheiro diferente no ar, algo como canela ou cravo. Perdeu o cheiro por uns instantes, e andou em passos moles o procurando no ar.

            Olhou para o Will adormecido e pensou que era besteira se distrair com um cheiro. Ajoelhou-se ao seu lado e quase quis tirar uma foto para poder desenhar o seu rosto angelical e de uma perfeição irritante. Os cabelos loiros caiam em mexas pequeninas na testa dele. Will estava todo embolado no cobertor, como se morresse de frio. Nico não sabia dizer se uma pessoa normal sentiria muito frio com aquela temperatura, mas ele se sentia confortável. De repente, ficou com uma vontade imensa de sentir os fios loiros entre os seus dedos, e sem pensar, passou a mão com delicadeza pela cabeleira do loiro. Quando mexeu nos fios, sentiu o cheiro mais forte, então aproximou seu rosto, encostando os lábios na testa de Will, e respirou fundo o cheiro do cabelo dele.

            Canela. Cravo e canela.

 

WILL

            No sonho, Will andava de olhos fechados por algum lugar onde o vento era forte e frio, como se estivesse prestes a cair uma tempestade. Mas, estranhamente, ele se sentia bem, muito mais feliz do que parecia normal estar com frio e perdido. Em seguida, formas mais claras se formaram em sua visão e ele passou a sonhar com algumas imagens desconexas, como se gotas de sangue criassem pernas e braços e dançassem pela escuridão infinita. O clima frio não desapareceu durante o sonho todo.

            Acordou com alguém se mexendo na cama. Era Nico, claro, ele levantava e saía debaixo do cobertor. Ele não queria acordar, então automaticamente se enrolou no cobertor e virou de frente para a parede. Segundos depois, entendeu o que tinha feito, mas já era tarde demais, pois dormia novamente.

            Um pouco depois, Will acordou pela segunda vez. Não abriu os olhos de primeira, porque logo sentiu Nico bem perto dele. Fingiu que continuava a dormir, não queria quebrar aquele contato tênue.

            Sentiu Nico respirar fundo algumas vezes, os lábios dele eram frios em contato com a sua pele morna de quem acaba de acordar. Conteve o impulso de se mexer, queria deixa-lo ali um pouco mais. Aproveitou a proximidade, a felicidade plena que a presença dele passava.

            — Eu sei que você está acordado — Nico murmurou contra a sua pele.

            Will sorriu e abriu os olhos. Nico continuava na mesma posição de antes.

            — Isso foi um blefe?

            — O ritmo da respiração muda.

            Will estendeu os braços longos e definidos de dançarino e envolveu Nico, puxando o garoto para a sua cama.

            — Seu pai me pediu para acordar Hazel também... Will!

            — Calma — riu. — Tem algo que preciso falar com você.

            — Teremos a tarde toda pra isso — de repente, Nico parecia ter se distanciado ou encolhido dentro dele mesmo.

            — Tá — Will estalou a língua no céu da boca.

            Nico ainda permaneceu um pouquinho na cama enquanto Will levantava. O loiro estava sem camisa, o ar frio bateu contra sua pele e o arrepiou. Espreguiçou-se levantando os braços e bocejando. Olhou para Nico porque pretendia dizer alguma coisa, mas quando viu seu rosto todo vermelho, não conseguiu se impedir de rir.

            — O que foi? — perguntou Will.

            — Nada — Nico escondeu o rosto com o travesseiro.

            O loiro com cuidado colocou uma mão de cada lado da cabeça de Nico e se apoiou com os joelhos na cama. Nico deve ter sentido o colchão afundar, já que deu uma espiada por cima do travesseiro que agarrava com firmeza.

            — Você está vermelho feito um tomate — disse Will com condescendência.

            — Será que é pecado ter pensamentos impuros com alguém que parece um anjo?

            — E se for? O que você vai fazer a respeito?

            — Corromper o anjo — respondeu com um toque de pergunta na voz.

            — E se o anjo já for corrompido?

            — Então talvez eu deva mostra-lo o que acontece quando os anjos descem ao território dos corrompidos.

            Will transparecia diversão.

            — Suponho que eles não recebam uma festa de boas vindas.

            — Eles são devorados — Nico respondeu com prontidão, seu tom era sinistro e sedutor ao mesmo tempo.

            Will ficou imóvel por um momento, mal conseguindo acreditar na audácia e charme daquele adolescente magrelo abaixo de si. O momento foi curto e ele logo repuxou o canto da boca num meio sorriso e abaixou a cabeça até encostar os lábios na orelha de Nico. Sussurrou:

            — Me devore.

 

HAZEL

            A manhã era.

            Nem quente, nem fria. Nem desconfortável, nem precisamente confortável. Não normal, mas também não insana. Não tão clara, mas nem de longe escura. Não era espeça, de dar dor de cabeça, como as manhãs de ir para a escola. Nem era fininha, como uma manhã bem dormida de férias de verão. Não se podia dizer que era uma manhã má, daquelas mal encaradas e de expressão fechada, mas também não se poda dizer que ela sorria para Hazel da janela fechada.

            A manhã apenas era, assim como os sentimentos, assim como os nomes e assim como o vazio. Era em seu ser infinito, em sua existência impassível.

            Hazel, assim como a manhã, também acordou apenas sendo.

            Olhou em volta e sentiu algo próximo de alívio ao ver que realmente estava na casa de Apolo, longe dos domínios das almas. Os Solace, ela notara, tinham um certo tipo de luz que calava os espíritos. Não, calava não; simplesmente afastava. A presença deles sumia. Ela amava quando Apolo ou Will estavam por perto, Hazel podia experimentar o silêncio.

            Não viu Imre em lugar algum e também não sentiu sua presença. Hazel não conseguia vê-la como Bianca di Angelo. Havia algo de semelhante em seus traços, na forma que ela tomava, sim. Mas aquele espírito não era dela, Hazel conhecera Bianca, sabia a sua essência. Aquela não era ela.

            A menina saiu debaixo do cobertor e se espreguiçou. Constatou no seu celular que estava na hora de se arrumar para ir ao colégio, então foi tomar um banho no pequeno banheiro da suíte de hóspedes.

            Ao ligar o chuveiro, assim que a água atingiu sua pele cor de chocolate meio amargo, notou que os curativos ainda estavam lá, as bandagens que cobriam os seus cortes. Elas se enrolavam nos seus pulsos como cadeados que guardavam algum segredo, camadas que não deveriam ser retiradas antes do segredo se fechar e curar por completo.

            Tirou-as com cuidado e observou atentamente às cicatrizes.

            Hazel olhou e olhou, mas não conseguiu sentir nada. Nem mesmo uma pontada bem no canto de seu coração, ou a sombra de um pesar. Não fora ela que havia feito aquilo, mas ainda assim, ela também não sentia um medo particularmente intenso de morrer. Não era desconfortável vê-las ali, mas não era exatamente normal.

            Talvez as cicatrizes também apenas fossem.



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