História One voice - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Monsta X
Personagens Hyung Won, Min Hyuk, Personagens Originais, Won Ho
Tags 2won, Angst, Hyungwonho, Monsta X, Mudez, Poesia, Surdez
Exibições 147
Palavras 3.405
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Fluffy, Poesias, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Eu fiquei a tarde toda pesquisando sobre a bolsa de valores e fiz uma confusão tremenda, MAS SAIU, SAIU!
Gente, obrigada pelos favoritos! Eu fiquei muito feliz, muito mesmo ;;; Eu espero que vcs estejam gostando da fic >w<
Boa leitura <3
ps: peço desculpas, pois ainda não deu tempo de revisar ;; sorry pelos possíveis erros

Capítulo 3 - Capítulo 2 - Espelho da alma


Hoseok acordara perto do meio dia. Jogou os inúmeros cobertores para longe e correu para o banheiro, onde fez sua higiene matinal. Seguiu para tomar o café da manhã e intercalava a ação com a escolha de roupa para dar aula. Havia acordado mais tarde do que o normal, mas ele não culpava o show da noite anterior, até poderia, mas se não estivesse no show talvez não tivesse conhecido o sorriso mais encantador de todos.

Mastigava seu cereal com certa pressa e dividia os olhares da tigela com a o pequeno visor da televisão. A notícia do telejornal do almoço anunciava mais um escândalo entre os grandes empresários de Gangnam. Um dos sócios do Green Stuffs, a empresa especializa em multimercados, havia desviado dinheiro de um hospital para a empresa e investido uma grande quantidade na bolsa de valores, mas aquele não havia sido a ação mais sortuda que fizera na vida, e além de derrubar as ações, o desvio fora descoberto.

— Mas ele não vai ser preso, não é mesmo? – murmurou para TV enquanto ainda mastigava o cereal.

“As investigações ainda estão em andamentos, mas por enquanto Senhor Lee responde o processo em liberdade”.

— Eu sabia – soltou um riso abafado. — A vida só ‘fode’ com miseráveis como eu.

Desligou a TV e deixou a vasilha na pia suja de louça. Pegou seu casaco pesado e seguiu para fora do apartamento. O prédio era velho e barato, mas aconchegante. Hoseok morava só, porém seus vizinhos eram sempre presentes e amáveis. Principalmente o bom e doce Senhor Park, um viúvo que morou no apartamento 8 há durante 35 anos, mas teve que se mudar para o apartamento 4 para não ter que subir as escadas. Hoseok conversava com o idoso todos os dias e era sempre presenteado com alguma sobremesa ou um prato especial.

Senhor Park costumava cozinhar para a esposa e o filho, mas o destino fora brutal com ele. O filho morrera em um acidente de trabalho, era um limpador de vidros e durante um rapel em um dos prédios grandiosos e espelhados, a corda se soltara. Fazendo o corpo do jovem de 23 anos chocar-se contra o chão. Senhor Park ainda se culpava por aquela morte, pois não tinha dinheiro e não podia mandar o filho para a faculdade. A esposa, com quem estava casado há 50 anos, partira alguns anos depois, tanta amargura em seu coração resultou-se em um tumor nas mamas e ela deixou que a doença a vencesse.

E mesmo com tantas tragédias, Senhor Park manteve-se firme. Vez ou outra confessava a Hoseok que somente estava vivo por conta do jovem, pois ele trazia felicidade para os dias mais frios e sombrios. Park dava aulas particulares de inglês para os jovens vestibulandos e o pouco dinheiro que ganhava era o bastante para pagar o aluguel e gastos pessoais.

— Bom dia, Wonho! – Hoseok acabara de colocar os pés no último degrau e Senhor Park já o aguardava na porta. — Hoje está um pouquinho atrasado, não é mesmo?

— Bom dia, Hadabuhjee* Park – respondeu com um sorriso. — Eu comecei a cantar em uma banda e os shows acontecem a noite.

— Isso é ótimo – o idoso esticou uma sacola para o mais novo. — Aqui está seu almoço.

— Senhor Park... Não precisava... – sorrio tímido enquanto pegava a sacola. — Ah, você me chamou de Wonho de novo, eu preciso me acostumar com isso.

— Foi um aluno meu que me ensinou essa palavra... Você lembra do significado?

— Bem eu... – comprimiu os lábios tentando lembrar. — É algo com ser gentil, não é mesmo?

E recitando, Senhor Park começou a dizer:

 

“W is for warmth, the glow of your friendship.

W é para o calor, o brilho de sua amizade.

O is for old fashioned, you cherish the past.

O é para “vintage”, você estima o passado.

N is for name, a pleasant one indeed.

N é para o nome, o mais agradável possível, de fato

H is for hug, give one today!

H é para um abraço, dê um hoje!

O is for outlook, pleasing to all.

O é para “olhar para for a”, agrade ao próximo.”

 

— Wonho significa cuidar dar pessoas ao seu redor – sorriu após terminar de declarar e traduzir o poema. — Se encaixa direitinho a você.

— Você é “Wonho” também – sorriu tímido. — Eu só retribuo a gentileza.

— Não... Wonho... Você é a gentileza em pessoa.

O jovem coçou atrás da orelha, ato que fazia quando estava com vergonha, e sorriu. O mais velho deu dois tapinhas no ombro alheio. Os olhos cansados de Park semicerravam por conta do sorriso correspondido e o senhor suspirou.

— Muito obrigado, Senhor Park – disse em uma reverência.

— Precisamos cuidar das pessoas que amamos – respondeu. — Agora vou deixar você ir, bom trabalho!

E antes que Hoseok pudesse agradecer, o mais velho entrou para a casa. Saiu então do prédio e andou com certa pressa até o ponto de ônibus. No caminho martelava o nome “Wonho” em sua cabeça. Havia gostado.

— Wonho – disse baixinho enquanto sentava no último banco do transporte. — Cuidar das pessoas ao meu redor.

O nome e o significado encaixavam-se perfeitamente para Hoseok, principalmente naquele sábado frio. O ônibus seguia em direção ao estúdio de dança onde trabalhava e a atividade de hoje era com as crianças que mais necessitavam de cuidados: as que possuíam pouca ou quase nenhum tipo de visão.

A ideia era de Kihyun. O cantor, que também era professor de matemática, havia desenvolvido uma atividade com o centro de tratamento para jovens cegos, o qual havia pouco – ou quase nenhum – apoio das autoridades locais. As crianças desejavam frequentar as escolas regulares, mas os professores não eram capacitados para suprir as necessidades dos alunos. Então o centro de tratamento disponibilizavam algumas aulas, mas o futuro das crianças era incerto.

O projeto de Kihyun e Hoseok tinha por objetivo elevar a estima das crianças e aguçar a confiança delas. Os passos que Hoseok ensinavam eram considerados “ousados” e despertava os esforços das crianças, além de as divertirem.

— Professor Wonho – colocou os fones para poder aproveitar o trajeto de ônibus em seu próprio mundo.

 

-

 

Hyungwon já estava acordado, mas se recusava a abrir os olhos. Ele sentia o olhar quente de Minhyuk lhe encarando e podia sentir o vento da respiração do mais velho sobre a face. Remexeu-se então na cama, escondendo dos olhares e aperto ainda mais os próprios olhos, pedindo mentalmente para que o sono lhe pegasse novamente.

A cama mexeu embaixo de si. O mais novo desistiu do sono e sentou-se para ver o que acontecia. Minhyuk estava parado na janela, as mãos envoltas em uma xícara que emanava um vapor com aroma de café. O loiro parecia abatido. Os olhos estavam inchados e vermelhos e as bochechas molhadas. Hyungwon tateou a escrivaninha a procura dos aparelhos e encaixou no ouvido.

Sutilmente levantou da cama e caminhou até o namorado. Ele estava distraído. Cutucou então o ombro para que virasse para si, e assim que o fez Hyungwon moveu as mãos:

“O que houve?”.

Minhyuk deixou a xícara na madeira da janela.

“É o meu pai” suspirou. “Ele pode ser preso”.

“Por que?” Wonnie assustou-se com a declaração. “O que ele fez?”.

“Ele roubou dinheiro das pessoas que precisavam...”.

As mãos de Minhyuk não eram mais capazes de se comunicar. Elas tremiam. Wonnie não sabia se era de nervoso, raiva ou tristeza. As lágrimas do loiro começaram a rolar furiosamente e rapidamente. O choro deveria estar alto, pois o aparelho podia captar os gemidos e murmúrios tristes do mais velho.

Hyungwon não conseguia dizer nada, por mais que tentasse mover as mãos, não conseguia atrair a atenção do outro. Levou então os braços ao redor do corpo pequeno e magro do namorado e o trouxe para próximo. Em um abraço desajeitado acalmou o coração apertado de Minhyuk. Beijou os fios loiros no alto da cabeça e afagou as costas do mais velho, que retribuiu o abraço mais intensamente, permitindo agarrar a blusa do pijama de Wonnie e derramar as lágrimas sobre a peça de roupa.

O corpo pequeno tremia e o choro passou a ser apenas um soluço. Já havia chorado a madrugada toda após o sumiço do namorado e agora havia outra preocupação na cabeça. Minhyuk não tinha para que recorrer. Ele não tinha para onde ir. Podia procurar a mãe, mas ela estaria cuidando do caso do pai e os outros parentes, naquela altura, já teriam virado as costas.

Soltou-se do abraço confortante e enxugou as lágrimas com o dorso da mão. Respirou fundo e tentou acalmar as mãos, mas disse entre um tremor.

“Meu pai não é culpado” fungou. “Foi uma armação, eu tenho certeza disso”.

“Eu sei que não é culpado”.

“Seus pais também sabem disso... Sua mãe disse para eu passar uns dias aqui”.

Wonnie engoliu seco. Esboçou um tímido sorriso e apenas assentiu com a cabeça. Por mais que estivesse com pena e também disposto a ajudar Minhyuk, ele sabia o quão sufocante seria ter o loiro ao seu lado.

“Pode contar comigo” disse meio sem ter certeza.

Minhyuk voltou para o abraço, dessa vez mais calmo. Wonnie continuava a afagar as costas do namorado e suspirava pesadamente. Olhou pela janela e viu que o céu estava branco, a neve logo chegaria. Fechou os olhos por um instante e desligou o aparelho para não ouvir um murmúrio do choro do outro.

“Hoseok.”

Era egoísta pensar no desconhecido naquele momento, mas Hyungwon nunca havia pensado em si mesmo antes. Talvez fosse a hora.

Uma péssima hora.

Mas ele sentia que era agora.

 

-

 

Hoseok aguardava o ônibus para ir até o centro da cidade, mais precisamente no café ao encontro de Kihyun. A atividade com as crianças havia durado mais tempo do que o planejado, e ele estava atrasado para o compromisso. Fez sinal para o transporte e se dirigiu ao último banco, seu lugar preferido. Encostou a cabeça no banco e fechou os olhos, estava exausto.

Mas feliz.

O veículo estava relativamente cheio e um grupo de adolescente conversava alto no meio do corredor, todos eles estavam se divertindo, afinal era um sábado à noite. Ele observava os jovens e os invejava, pois gostaria de ter tempo para passear, não que odiasse o trabalho, mas não dia um dia sequer de folga, pois quando não estava dando aula, montava novas coreografias no estúdio.

Sacudiu com os dedos os fios de cabelo molhados, saíra tão atrasado que não teve tempo de seca-los. Ajeitava o moletom branco sobre o corpo e olhava no espelho para aplicar uma base em seu rosto cansado.

A viagem não era longa e logo chegou ao ponto. Desceu e foi correndo em direção à cafeteria. O local estava vazio, havia apenas dois casais e Kihyun sentado à mesa mexendo no notebook.

— Kihyun... – soprou o nome. — Desculpa... Eu...

— Tudo bem, hyung – ergueu o dedo para chamar o garçom enquanto o mais velho se sentava. — Eu sei que hoje é o dia do projeto, então não me zanguei.

Hoseok suspirou aliviado. O garçom anotara o pedido de ambos e se retirou, deixando os dois a sós novamente. Kihyun dividia os olhares entre a tela do notebook e Hoseok enquanto “jogavam conversa fora”, e aquilo incomodava o mais velho.

— O que tem aí no computador? – Wonho perguntou inquieto.

— Sabe aquela empresa grande que compra as ações das redes de mercados e depois vende na bolsa de valores? – Wonho olhava um tanto confuso, não entendia a burocracia da bolsa, mas assentiu com a cabeça. — Um dos sócios, que fazia o investimento, foi acusado de desviar muito dinheiro de um hospital pra poder investir na bolsa.

— Perai, eu não entendi nada! Hospital... Mercado... O que tem a ver? – olhava de olhos semicerrados, tentando ligar as informações.

— Aí, Hoseok, você precisa entender essas coisas – bufou. — Os pequenos mercados vendiam os títulos para essa empresa grande, do sócio, então a empresa começava a investir esse dinheiro na bolsa, e tudo o que era investido voltava para a empresa e também para aquela pequenina que fez o investimento inicial.

— Certo... – o garçom deixou as xícaras na mesa e dois pratos de bolo. — Oh, obrigado – sorriu para o funcionário e depois voltou a olhar o amigo, que já havia levado um pedaço de bolo na boca. — Mas e esse lance de... Hospital?

— Então, tente me acompanhar... Um dos mercados que investia pesado na empresa é de um parlamentar que tinha acesso às ações do governo, e conseguiu desviar um dinheiro que era destinado ao hospital especializado em câncer para o mercado!

— Credo! – Hoseok olhou incrédulo para o amigo. — Mas o cara já não ganhava bem? E ele tinha um cargo ótimo, porque era dono do mercado?

— Ganância – disse sem titubear. — E tem mais! Esse dono do supermercado não é o suspeito principal... Tá na cara que é... A polícia tá investigando um dos sócios da grande empresa, que assinava a autorização final de investimento na bolsa.

— Credo! – a onomatopeia se repetira. - Como você quer que eu entenda isso? Que confusão.

— O que você precisa saber é – bufou dessa vez mais impaciente. — Tão aplicando um golpe no sócio da empresa, que assinou um documento sem saber.

Hoseok tomou um gole do café antes de pronunciar algo e Kihyun emendou:

— Enfim... Acho que isso não nos afeta... Até porque logo esse escândalo vai ser abafado e os caras vão ficar mais ricos...

— Tenho nojo dessa gente... – suspirou. — O mundo não é mesmo justo.

— Pois é... E falando em injustiça...

— O que foi dessa vez?

— Você vai ter que pagar a conta hoje. Eu só tenho dinheiro para voltar pra casa.

— Kihyun!

— O mundo não é justo – imitou a voz do amigo e enfiou mais um pedaço de bolo na boca.

— O que eu não faço por você, hein...

Os dois continuaram por mais algum tempo naquele café, se aquecendo com a bebida e com a conversa. Resolveram sair quando faltavam poucos minutos para o ensaio, mas os passos pelas ruas de Hongdae eram lentos e os olhares pairavam pelas mais variadas vitrines.

E em meio a uma conversa aleatória, as mãos de Kihyun buscaram pelos dedos gélidos (mesmo que coberto por luvas) de Hoseok. O mais velho assustou-se com a ação e recuou a mão.

— Hoseok eu...

O mais novo, que parecia agitado em feliz há poucos segundos atrás, havia murchado. Um bico surgiu em seus lábios e abaixou os olhos para o chão, desviando do olhar de julgamento de Hoseok.

— Me desculpa, Kihyun... Mas eu... Não vou conseguir corresponder...

— Eu que peço desculpas – um sorriso sem graça brotou-lhe nos lábios. — Desculpa...

E antes que o mais novo pudesse dizer qualquer coisa, Hoseok pegou as mãos do mais novo e as trouxe para próxima dos lábios, deixando um selar em cada.

— Eu amo você, Kihyun, você é a melhor pessoa que conheci... Por isso é meu melhor amigo.

— Tsc – estralou a língua. — Friendzone. Tudo bem, eu supero.

Os braços de Hoseok trouxeram o mais novo para próximo de seu peito, aninhando em um abraço de consolo. Ele odiava decepcionar as pessoas, mas também odiava mentir.

Talvez não houvesse espaço no coração de Hoseok.

Ou ele esperava alguém certo para preencher o vazio.

 

-

 

Os olhos inchados de Minhyuk ainda se faziam presente mesmo após ter embalado em um sono pesado. A face repousava sobre o peitoral de Hyungwon, que ao contrário do mais velho, estava completamente desperto.

O relógio digital marcava duas da manhã, horário em que Wonnie costumava estar dormindo, mas não era o caso daquela madrugada.

Remexeu-se na cama delicadamente, pousando a cabeça de Minhyuk sobre uma almofada confortável. Assim que julgou seguro, levantou-se do lugar e foi até o guarda roupa, procurando uma roupa confortável para vestir.

Trocou de roupa rapidamente, sem se preocupar em combinar as peças. Vestiu um moletom e procurou o casaco térmico, pois a fina neve caía sobre o quintal de sua casa. Assim que se viu pronto, foi até o cofre escondido em seu quarto e pegou dinheiro, guardou no bolso junto com o celular. Pensou em deixar em casa, por conta do problema com o GPS, mas se voltasse em algumas horas Minhyuk nem perceberia.

Escapou pela janela do quarto, deixando apenas um vão aberto, o necessário para poder retornar até o quarto pela manhã, e correu pelo jardim, tentando fugir das câmeras sensíveis a movimento.

O táxi já estava esperando na calçada. O taxista achou estranho ver o jovem pulando o portão, mas antes que pudesse questionar, Hyungwon mostrou a identidade e o bilhete para o local que gostaria de ir.

— Você é o garoto de ontem! – o taxista falava alto e Wonnie adorava. — Que bom que ficou tudo bem – o mais novo respondeu com um sorriso. — Bom, vamos para a festa!

Hyungwon não gostava quando as pessoas gritavam ao descobrir que ele usava aparelho, aquilo desconfigurava a frequência do aparelho e fazia um barulho irritante, mas não era o caso daquele motorista, ele possuía um volume de voz agradável, que deixava Wonnie feliz ao saber que ainda podia ouvir pelo menos um pouco.

Chegaram ao seu destino e antes que pudesse descer, o motorista o cutucou.

“Se precisar de carona para voltar é só me ligar” movia as mãos, o que havia surpreendido Wonnie “Minha mulher é surda e eu aprendi essa linguagem por ela, e por mim também” o mais novo abriu um sorriso apaixonado “Boa sorte, menino”.

Hyungwon desceu do carro e foi aos pulos para o mesmo local da noite passada: o barzinho. O estabelecimento estava vazio e não havia músicos no palco. Arregalou os olhos e se perguntou o que faria. Pensou em correr de volta para o táxi, mas antes que pudesse tomar alguma atitude, duas mãos agarraram seus ombros, o fazendo virar para trás.

Os lábios do desconhecido pronunciavam algo, mas ele não conseguia entender. E ele nem estava – muito - interessado em saber. Perdeu-se nos grandes lábios carnudos e tentadores, seguindo para os olhos claros e profundos.

— Ho... Seok... – pronunciou baixinho.

Hoseok parou e o observou. Assim que notou as orelhas com aparelho, ficou boquiaberto. Wonnie percebeu o olhar e tapou os ouvidos com as mãos.

— Oh não! – disse, mas era em vão.

Hyungwon desviou o olhar para um canto qualquer da festa e moveu os ombros para longe das mãos de Hoseok, mas o mais velho não o deixou escapar, não cometeria o mesmo erro outra vez. Agarrou o pulso do mais novo e o puxou até um canto sossegado do bar.

Hyungwon não tentou se soltar, não estava se sentindo desconfortável ou com medo. Havia algo que o atraía. Era tudo tão novo. Sentou-se no banco ao lado de Hoseok e continuou o encarando.

O mais velho chamou o garçom e fez um pedido. Em seguida recebeu vários guardanapos e uma caneta. Wonnie soltou um riso soprado e mexeu a cabeça em negação. Hoseok sorriu com o ato e deu de ombros. Tocou com a caneta no guardanapo e escreveu.

“Desculpe ficar falando... Eu me sinto um idiota... Fui grosseiro”.

Wonnie leu e respondeu com um sorriso. Hoseok entregou a caneta e esperou uma resposta.

“Não tem problema, você não sabia, mas você ficou decepcionado, não é?”.

“Não, apenas surpreso”.

“Surpreso de uma maneira ruim?”.

“De jeito nenhum... Só fiquei surpreso, vamos dizer assim”.

Wonnie soltou mais um riso e voltou a encarar Hoseok. O olhar do mais novo parecia perdido, ele não sabia como reagir. O mais velho o encarava e analisava cada detalhe da face, soltou um suspiro pesado e um sorriso em seguida, dizendo gostar do que estava vendo. Hyungwon sentiu que as bochechas ganhavam alguns tons de rosado, a julgar pela queimação que sentia na face. A destra de Hoseok tocou uma das bochechas e deixou uma leve carícia ali. A outra mão escrevia algo no guardanapo.

“Quer ir para um lugar mais sossegado?”.

Hoseok escorregou o guardanapo hesitantemente pelo balcão e juntou as mãos nervosas para enxugar o suor de ambas. Hyungwon pegou o guardanapo e arregalou os olhos, movendo o olhar para o mais velho, que o movimentou as mãos em um “calma”. Wonnie suspirou e tentou acalmar os batimentos rápidos de seu coração.

“Quero. Mas tenho que voltar pra casa antes das sete da manhã”.

“Sério? Você sempre sai com estranhos?”.

“Não, mas você não é estranho pra mim, Hoseok”.

“Como diz isso com tanta segurança?”.

“Por que os olhos são o espelho da alma, e a sua é a alma mais linda que eu já vi”.


Notas Finais


*Avô
Obrigada por ler <3
https://twitter.com/aronluxo


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