História Onironauta - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Amor Doce
Personagens Castiel
Exibições 45
Palavras 1.287
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Shoujo (Romântico)
Avisos: Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Ei amores, cá estou eu mais uma vez, só que agora é uma one, ou seja, capítulo único.
Agradecimentos nas notas finais.

Significado de Onironauta - O termo onironauta deriva de duas palavras gregas: oneira, “sonhos”, e nautis, “marinheiro”. Um onironauta é alguém que aprendeu a viajar conscientemente pelo mundo dos sonhos, explorando esse território com alto grau de clareza e consciência.

Boa leitura <333

Capítulo 1 - Capítulo Único


Tenho tido sonhos que ficam comigo o resto da vida e alteram minhas idéias. Vão mergulhando dentro de mim, como o vinho mergulha na água e mudam a cor do que penso. —  Emily Brontë

 

Ela estava escapando novamente para ver Castiel, mesmo sabendo que, dentro de seis horas, teria que se casar com um homem que não amava. Contudo, ela sabia que sempre poderia fugir da sua realidade por algumas horas. Ela deixou sua casa no escuro e trilhou o conhecido caminho pelos pastos, em direção ao campo, as árvores carregadas de maçãs e à casa de Castiel. Sua libertação. 

 

Dez minutos mais tarde, ela emergiu das sombras do pomar de maçãs e se deteve. Via o celeiro à luz da lua poente, a lateral de tábuas brancas e janelas escuras, a cem metros do lado esquerdo da casa principal. Troian passara a maior parte da sua juventude visitando esse lugar, ajudando-o na reforma. Eles chamavam o celeiro de "ninho de amor", não apenas porque ali fizeram amor pela primeira vez, mas também porque planejavam transformá-lo em seu lar. Não para sempre, mas no início. O plano era eventualmente construir uma nova casa no extremo mais afastado da fazenda, na colina de bosques onde, quando crianças, penduraram um pneu para servir de balanço para si próprios e para os seus filhos quando o tivessem. Onde, alguns anos antes, abriram uma velha manta no chão e se amaram até o limite e sem proteção.

 

 

Nesta manhã, e intencionalmente ela estava igualmente despreparada. A manhã se tornaria mais quente com o passar do tempo, mas agora o ar frio e a brisa leve davam-lhe calafrios quando ela chegou à porta. Seus pés estavam úmidos dentro do tênis, as coxas mal cobertas por um short jeans rasgado. Não usava sutiã sob a camiseta de Castiel, e podia sentir seus mamilos rijos e contraídos. E sentia o cordão de ouro branco — presente de Castiel — frio contra a pele úmida pelo suor. Troian hesitou antes de colocar a mão na maçaneta, imaginando o que Jacob faria se soubesse que ela viera aqui, imaginando a decepção e a agonia de seus pais se ela arruinasse os planos, imaginando que talvez se odiaria ainda mais depois — e então girou a maçaneta.

 

 

A porta estava destrancada, como ela sabia que estaria. Não havia necessidade de trancar portas por aqui. Ela entrou e encostou a porta com cuidado, desejando que a primeira percepção que Castiel tivesse de sua presença fosse o momento em que ela deslizasse para baixo das cobertas. Troian parou e deixou que seus olhos se ajustassem à escuridão. O lugar ainda tinha um leve cheiro de cigarro, e Castiel, um dos cheiros favoritos de Troian.

 

 

— Isso significa que você conseguiu ficar permanentemente aqui?

 

Troian deu um salto como se tivesse levando uma mão ao coração. Lá estava Castiel, sentado no sofá  que um dia conseguiram numa venda de usados de uma senhora. Ela não podia ver sua expressão com nitidez, mas, pela voz, percebeu que ele estava completamente desperto,  e diria que até um pouco chateado. De coração, ela desejava poder dizer que sim, que sua presença significava exatamente o que ele perguntava. Mas, em voz baixa, ela relutantemente respondeu: "Não."

 

— Então por que você está...?

 

— Shh — interrompeu Troian, aproximando-se dele e buscando sua mão. — Venha cá.

 

Castiel ficou de pé, e, antes que ele pudesse falar novamente, Troian o beijou ardorosamente, até sentir-se inebriada e corajosa e determinada a não desistir. E ela não podia desistir. Precisava dele. Ela levou as mãos de Castiel à barra de sua camiseta e, enlaçando as mãos nas dele, ajudou-o a tirar a roupa. No instante seguinte, eles estavam nus sobre os lençóis, a pálida luz pintando-os de azul lunar.

 

 

Uma última vez. Ela absorveria cada toque, cada sensação, o volume dos lábios dele, o queixo anguloso, a escura barba por fazer acariciando seu pescoço. Não esqueceria um único momento, sempre que fechasse os olhos relembraria como fazer amor com ele era arrebatador. Guardaria a lembrança como se fosse a coisa mais preciosa da sua vida — e realmente era. Lembraria que Castiel a penetrava como se sua vida — suas vidas — dependesse disto, como se eles pudessem conquistar a eternidade.

 

Depois, Castiel se deitou de lado para observá-la, girando nos dedos uma mecha de seus cabelos acobreados.

 

— Não há nada que eu possa fazer? — perguntou ele. Seus olhos brilhavam com muita determinação e esperança, e Troian teve que desviar os seus para evitar as lágrimas. 

 

— Não. Não há. — disse ela —  a verdade nas palavras, tinha um gosto amargo. Um amor que crescera a partir da curiosidade adolescente, que sobrevivera a tantos e tão longos meses de completa separação, jamais poderia ser algo que precisasse acabar; e, ainda assim, era isso que ela pretendia fazer.

 

Castiel se sentou e desviou os olhos. — Eu deveria ter mandado você embora assim que a ouvi abrir a droga da porta.

 

— Não — disse ela, tocando-lhe as costas. — Nós precisávamos fazer isso, não quero colocar um ponto final em nosso passado. 

 

— Você acha que isso, uma última trepada rápida, vai deixar as coisas exatamente como eram antes? — proferiu ele, e Troian se retraiu. — As coisas não são assim, Troian. — ele pulou da cama e vestiu o jeans, dando as costas para ela.

 

O que Castiel dissera era exatamente o que ela pensava, e o que queria que acontecesse. Troian se pôs de pé e colocou a camiseta, absorvendo a ira dele, merecendo-a. E então ergueu as mãos e delicadamente tirou o cordão de ouro.

 

 

— Eu jamais tirei isto — disse ela enquanto fechava o cordão em torno do pescoço dele, depois acariciando as ondas de seus cabelos vermelhos, guardando para si mais uma última sensação. — Nem mesmo quando ele... — Troian não se permitiu completar a frase, não se permitia lembrar a sensação das mãos de Jacob em seu corpo. — Em nenhum momento.

 

Castiel se virou e baixou os olhos para Troian.

 

— Mas está tirando-o agora. — retrucou Castiel, afastando-se dela e aproximando-se da janela, diante de uma paisagem de infinitas fileiras de maçãs tingidas de esmeralda pelo sol que nascia aos poucos.

 

Troian amava a vista, a forma como esse mundo sempre parecia renascido em meio à névoa evanescente. A forma como esse mundo era tão diferente da sua realidade triste e sem graça. Mas, ao fim dessa noite, ela perderia esta paisagem, como se tivesse abandonado o planeta. As janelas da casa de Jacob não se abriam para isto. O homem que veria em todas as futuras manhãs não seria este homem esguio, cujos dedos longos eram tão capazes de colher frutas quanto de tocar violão — ou de tomar sua mão ou trançar seus cabelos. Uma vez que ela partisse deste lugar, jamais tocaria em Castiel novamente. 

 

Troian sentiu o anseio de dormir para sempre. Se Castiel a incentivasse somente um pouco, se tentasse persuadi-la, se assegurasse que cair em um sono profundo era a solução, era faria. Ela seria dele para sempre. 

 

Mas ele permanecia à janela, o coração já se fechando para ela, e o anseio se foi. Troian terminou de se vestir, esmagada pela sensação de impotência, mas ainda ousando acreditar que levaria uma parte dele consigo, se Deus ou o destino permitissem ela ainda dormiria sorrindo por mais uns anos, sabendo que o veria em seus sonhos. Ela se aproximou dele e tocou-lhe o braço.

 

 

— Tenho que ir. — Troian não se permitiria chorar.

 

— Espere, deixe-me lhe dar isto. — Castiel pousou a mão em seu queixo e se aproximou, beijando-a com lenta deliberação, beijando-a com tanta paixão e graça que ela já não podia conter as lágrimas. Por fim, ele a empurrou delicadamente e disse: " Volte pra mim."

 

— Sempre. —  foi a última coisa que ela disse antes de infelizmente, acordar.


Notas Finais


Primeiramente quero agradecer a @manulilinda por ser tão maravilhosa, por me ajudar com tudo e por aguentar minhas reclamações. Muito obrigada @thick @Angelbadboys e @annepequena por me desafiarem, se não fosse por vocês eu não iria descobrir a palavra onironauta. Quero dizer um muito obrigada a @Sccar por essa capa lacradora, você arrasou. Bom, nos vemos em breve.

Quero indicar a história Autism Secrets: https://spiritfanfics.com/historia/autism-secrets-7157409


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...