História Open your eyes - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Tags Baekhyun, Baekyeol, Chanbaek, Chanyeol, Exo, Exotexting, Texting
Exibições 48
Palavras 9.909
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


UFA! VOLTEI! ZJSBGSBE

Enfim, PREPARADOS? SÃO LONGOS 10K DE PALAVRAS!

PS: Me desculpem se ficar cansativo. Eu escrevi esse capítulo todo e passou dos 20k, eu tive que dividí-lo em 2 pra não ficar tão extenso e para que não passasse "tanto' do padrão da fic, que é de 1k, e também mas não menos importante, prezei bastante pela cronologia original.

DIVIRTAM-SE!

Capítulo 11 - Descobertas com 'D' de Desavenças




- Park viado Chanyeol.





- Anão, mas o que que foi que eu fiz ago-





- Que história é essa que você contou pro Baek sobre conhecer o JongIn?





- É por isso que eu não queria contar pra ele, eu sabia que ele ia falar pra você. Sabia, sabia, sab-





- Por que você escondeu isso de mim?






- Eu nem se quer posso reclamar com ele, se não ele descobre que você me conhece e fala comig-






- Por que você escondeu esse fato de mim, Chanyeol?






- Porra Byun, eu confiei em você. Ainda bem que eu não falei tudo, não seria agradável você saber pela boca dele. Eu ia te contar tudo, Kyung, mas não agora.






- Chanyeol, temos um contrato, não temos? Não estava incluso nele esconder segredinhos um do outro durante seu prazo de validade, muito pelo contrár-






- EU IA TE CONTAR, KYUNGSOO! Aliás, o JongIn não tem nada a haver com esse contrato.






- Errado. No contrato dizia que você deveria me dizer tudo sobre você e seu passado. Ou você acha que eu ia deixar qualquer um se aproximar do meu melhor amigo assim tão fácil? E adivinha? Ops, o JongIn é parte da sua história. Logo, você deveria ter me contado, caralho.






- Você sabe que isso não faz nenhum sentido, não é? É óbvio que se você não o conhecesse não estaria nem um pouco a fim de saber sobre as pessoas que um dia eu já convivi. Você tá sendo bem hipócrita.






- Sendo bem hipócrita? Vai se fuder, Chanyeol. O que eu acabei de dizer ali em cima? ''No contrato dizia que você deveria me dizer tudo sobre você e seu passado. Ou você acha que eu ia deixar qualquer um se aproximar do meu melhor amigo assim tão fácil?" Você acha que eu tinha colocado essa regra se eu não fosse te ouvir?






- É apenas a droga de um contrato KyungSoo. Não é relevante com quem eu conversava antes de te conhecer.






- É claro que é relevante.





- O que isso vai afetar na futura relação que eu tô construindo com o Baekhyun?





- As suas "antigas conversas/relações/amizades/convivências" com pessoas do seu passado podem refletir nas suas "futuras conversas/relações/amizades/convivências" com o Byun, lerdo.






- Não é como se eu fosse repetir todas as minhas ações do passado, cara. Para de viajar.






- Não disse que você poderia repetí-las.






- Vai se f-






- Disse que você poderia refletí-las.





- Você está falando como se eu fosse uma pessoa ruim e estivesse prestes a cometer ações macabras contra o seu amigo.






- Além de um contrato, Park, é algo comum dividir segredos entre amigos. Somos amigos, não somos?





- Você está se contradizendo e me deixando muito confuso, por sinal. Como diabos eu ia imaginar que você ia conhecer o JongIn? Ele é um assunto delicado pra mim, se não é óbvio que eu teria te contado. Por que você tá tão irritadinho por causa disso?




- Você vai me contar?




- …




- Não é justo você não me contar sobre isso, Chanyeol.





- Por que não?





- Porque você é meu amigo.




- E o que isso tem haver?




- Amigos dividem pesos, Chanyeol. Você acabou de dizer que é um assunto delicado.




- Ah, fala sério, Kyung. Todo mundo sabe que você tá cagando pra mim. Você só está curioso porque está saindo com ele.




- Como diab-





- Como diabos eu sei que você está saindo com ele? Cara, eu nem se quer sabia que ele estava na cidade. Foi no maldito dia que eu estava indo na sua casa conversar sobre umas coisas que tinha acontecido comigo e com o Baekhyun que vi vocês dois na maior "amizade" na droga daquela sorveteria de esquina. Porra eu só queria que você me aconselhasse, e me deparo com meu ex- melhor amigo se pegando com o meu atual e único amigo. Agora eu te pergunto: Porque você não me contou? Não somos "amigos", Kyung?




- …





- É fácil cobrar dos outros, não é? Além de um contrato, KyungSoo, é algo comum dividir segredos entre amigos. Somos amigos, não somos? Não foi isso que você acabou de me dizer?




- Eu ia te contar.





- Quando KyungSoo? Se eu não soubesse sobre o JongIn você ia me contar mesmo?





- Você também não ia me contar sobre ele.




- Então por que diabos você está me cobrando algo que nem você mesmo é capaz de cumprir? Ainda discorda de eu ter te chamado de hipócrita?





- Pra ser sincero, eu não contei nem pro BaekHyun ainda.




- E por que tá escondendo isso?





- Porque é tudo novo demais, Chanyeol.





- Eu não entendo, de verdade.




- Eu vou te contar tudo depois se você me contar primeiro sobre vocês dois.





- Promete?





- …





- D.O. KyungSoo...






- Tá, tá…Eu prometo. Te contarei tudo se você me contar tudo, exatamente tudo, agora.




- Certo.





- Pode começar, sou todo ouvidos e você todo orelhas.





- Ha Ha! -_-





- Começa logo.




- Vou ser bem detalhista, okay? Vou incrementar todos os pontos que eu julgo marcante, mesmo que seja difícil relembrar tudo.




- Melhor ainda. Quero tudo o que for que vocês tiveram bem detalhado.





- Então senta que lá vem história.






- Desembuxa.






- Aishh, tá! Por volta dos meus cinco anos de idade, eu passei a frequentar uma determinada escola da minha cidade de origem. Beleza, desde pequeno eu sempre fui uma criança muito fechada e obviamente não gostava muito de conviver com outras crianças, ou seja, foi bem difícil e demorada a minha completa adaptação.




- Você tinha uma mente muito desconcertada para uma criança. Onde já se viu crianças não gostarem da companhia de outras crianças? Tinha que ser você, né.




- Cala a boca, e ouça o resto primeiro.




- Desculpa, não deu pra segurar. Prossiga!





- No ano seguinte, JongIn entrou na minha turma. Eu fiquei foda-se, claro. Só era mais uma criança idiota pra eu ter que dividir meu precioso oxigênio, bem, essa era a minha concepção. Era recíproco, ele também tava cagando pra mim. Porém, com o passar do tempo, algumas características e atitudes dele começaram a me intrigar. Principalmente o fato de que ele era muito inteligente, incrivelmente inteligente, e ele só tinha cinco anos de idade, assim como eu. Ele conseguia resolver problemas lógicos característicos de séries acima da nossa muito facilmente enquanto eu ainda comia terra.





- Po, uma vez eu estava com alguns deveres de matemática acumulados, nesse dia ele tava na minha casa né, e ele resolveu me ajudar. Eu me surpreendi bastante com a agilidade com que ele conseguia resolver e me explicar os exercícios como se eles fossem mais fácil do que realmente eram. Ele me disse que apenas gostava de fazer aquilo e eu apenas me limitei a guardar aquele pensamento de "esse cara só pode ser louco, mas que louco gostoso, pqp" e resolvi deixar pra lá. Então desde cedo ele era assim? Ele devia estudar bastant-





- Sabia que você ia pensar algo assim, mas já vou adiantando que você está errado. Ele era incrivelmente introspectivo, sociável e tava cagando pros estudos, que nessa época era só desenhar e fazer continha aditiva, né. Na verdade ele nem estudava, nem quando adolescente, sempre só assistia às aulas. Mas voltando a nossa época de infância, ele só prezava pelo recreio, vulgo lanche, e pelas aulas de matemática, que eram as suas favoritas. Eu me pegava observando-o por muito tempo, porque eu realmente achava curioso. Ele era diferente das outras crianças. Ele brilhava mais.




- Como assim? O que você quer dizer com "brilhar mais"?





- Pensa comigo. Ele tinha amizade com todos, absolutamente todos, da turma, até mesmo comigo. Só que eu não dava muita bola pra ele, na verdade eu tinha um pouco de inveja por todos adorarem aquele espírito divertido dele e cagarem pra mim. Eu era meio estranho. Queria que as pessoas se aproximassem de mim, que me notassem, mas eu não queria ficar próximo delas. Sintetizando, eu queria que elas se aproximassem mas eu não queria que elas… ficassem por perto, você entende?




- Não.




- Foda-se. Já dizia aquele ditado né, se você não pode contra seu inimigo, junte-se a ele. Enfim, explicarei isso depois. Ele também era muito bonito, era incrivelmente sociável e simpático, não tinha quem não o conhecesse por seu sorrisinho de dentinhos tortos e seus cabelos acastanhados levemente desgrenhados. Ele era muito inteligente. Ele também tinha uma dicção muito bem desenvolvida pra uma criança de cinco anos, e isso não só surpreendia a mim, até os professores comentavam uns com os outros sobre essa característica dele. Vejamos, ao mesmo tempo que ele era uma criança de áurea pura, ele tinha um lado meio adolescente e complexo que contrastava todas as outras características dele que eu citei anteriormente. Você entende agora? Eu não sei explicar. Ele era apenas…diferente. Um diferente com cinco anos de idade.





- Acho que eu entendo. Ele era mais maduro se comparado às outras crianças.




- Não é que ele era mais maduro, ele só… pensava mais que as outras crianças da mesma idade que a nossa. Ele exalava algo diferente, mas ainda era uma criança. Ainda gostava de brincar, de desenhar, de fazer travessuras, ele ainda era inocente. Só era mais complexo.





- Ué… vou pensar nisso. Continue!





- Apesar de não conseguir organizar todas essas ideias que eu tinha dele na faixa etária que eu me encontrava, ainda assim, eu podia sentir que poderia ser legal construir uma amizade com alguém como ele, e essa foi a primeira vez que eu me aproximei de alguém. Mas, claro, isso só aconteceu uns dois anos depois porque, como já disse, eu não era uma criança sociável e ainda pra piorar, porque tudo piora, eu era bem desconfiado quanto as pessoas e suas intenções, mas tipo sem motivo mesmo.





- Você era estranho, essa é a explicação mais coerente.




- É por aí.




- Há algo que eu não consigo entender.




- O quê?





- Por que você era tão fechado? Você era só uma criança, e crianças adoram atenção. Chanyeol, você tinha cinco anos. Como você conseguia pensar nessas coisas? Essa era pra ser a melhor fase da sua vida, a infância é a melhor parte da nossa vida. Mas você parecia se privar de todos que contribuissem para que isso de fato ocorresse.





- Eu não era o tipo caladão da turma que andava sozinho ou que não tinha ninguém pra brincar, Kyung. Eu brincava, me divertia, conversava e tals. Eu ainda era criança, mas eu tratava aquilo como se fosse estritamente efêmero, entende? Eu não gostava de conversar mais que o necessário com as outras crianças, ou de excessivos toques destas, ou de passar muito tempo com elas ou coisas assim. Se tornava tedioso, consegue compreender? Eu apenas vivia o suportável.





- Por quê? Você só tinha cinco anos, cara, como você conseguia pensar em tudo isso?





- Não me faça perguntas difíceis. Eu apenas me sentia assim, ué.





- É normal sentimentos assim, Chan.




- Eu sei.





- Mas não é normal pra crianças de cinco anos terem sentimentos como esse. Essa é a fase que você come terra. Comer terra e pensar ao mesmo tempo não dá. Você tinha que escolher um dos dois.





- Ué, eu fazia os dois.






- Desde quando eu te conheci, eu sabia que você era diferente.





- ?? Vamos voltar pra história, né…





- Vamos.





- Então... Demorou muito pra eu ter chegado a conclusão que o JongIn seria de fato uma boa companhia pra mim. Já estávamos no terceiro, ou quarto ano do ensino fundamental, não me recordo muito bem, quando decidi que tava na hora de me socializar mais. Como criança, eu também gostava de brincar e jogar bola com os outros da turma, como eu já disse, pois EU AINDA ERA UMA CRIANÇA, KYUNGSOO. E o JongIn me recebeu muito bem, algo que atiçou ainda mais a minha curiosidade sobre ele, porque as outras crianças não estavam nem aí se eu queria me aproximar ou não. Às vezes eu chegava a cogitar se ele estava sendo verdadeiro comigo, ele tinha uma áurea pura demais se comparada às contaminadas das outras crianças. Ele era realmente diferente. E eu realmente acreditava nisso. Você sabe… complexidades infantis.







- Áureas contaminadas?






- Sim. Bem, eu não usava essas mesmas palavras, logicamente, né. Não era sentimentos que eu conseguia organizar ainda. Eu apenas sentia e agia com base nisso.





- O que você quer dizer com isso, então?






- No sentido de inocência padronizada. Como se as crianças fossem todas iguais, mudando apenas suas aparências exteriores, entende? Ahn… Como se elas fossem programadas para agirem sempre da mesma forma e com os mesmos intuitos.




- Mas esse é o ponto essencial das crianças, Chan. Agirem com os mesmos intuitos de conhecerem o ambiente que vivem, de aprender coisas novas, de cometer erros, de se machucar, de sorrir, de irritar, de alegrar... Enfim, de serem puras, limpas e essencialmente inocentes.





- Eu sei mas eu achava… falsa demais essa vivência delas. Eram todas inocentes, todas puras, todas limpas mas também todas iguais. Como se seguissem apenas um único caminho. Como se fossem programadas a seguirem apenas esse único caminho. Eu não sei. Eu apenas não queria agir assim também. Eu queria aprender, cair, machucar, sorrir, alegrar, irritar como elas. Mas eu também queria pensar sobre todas as atitudes que eu tomava. Eu não queria ser instruído sempre, eu queria aprender, mas por conta própria… Eu não sei explicar isso, Kyung. É algo pessoal demais e que ainda existe dentro de mim. Eu…apenas não sei.





- Chan, você conversou com um psicólogo na época?




- Eu não era louco, Kyung.




- Eu não disse isso, e psicólogos não são apenas para loucos, Chanyeol. Você se sentia diferente, você devia ter dividido isso com alguém. Você precisava ser auxili-





- Viu? Lá vem você com esse papo de ser instruído de novo. Acabei de dizer que eu não queria me padronizar com os outros ou ser tratado como um ser "diferente". Kyung, isso é patético.





- Você vai me deixar terminar de falar?





- …





- Como eu ia dizendo, você precisava ser auxiliado, não instruído, quanto AOS SEUS PENSAMENTOS, não disse que você precisaria se padronizar, ou ser iguais às outras crianças. Você precisava conversar com alguém sobre como se sentia, apenas isso. Ninguém ia te obrigar a pensar diferente, ou fazer com que você se sentisse mal consigo mesmo, iam somente conversar com você e te ajudar a organizar todos esses pensamentos que até hoje você não consegue muito bem.





- Isso ainda é teoria KyungSoo. Volta pra realidade, é óbvio que eles iriam me tratar como se eu tivesse algum problema mental e/ou me encaixariam num diagnóstico idiota ou algo assim, e me dizer coisas mais idiotas ainda pra me fazer refletir "Ah, por que não sou sociável?", "Ah, por que eu não consigo manter as pessoas por muito tempo perto de mim?", "Ah, por que eu não posso apenas me divertir?"…. Realmente patético, Kyung.





- Você sabe que está se precipitando, não sabe? E muito.





- Foda-se não quero falar sobre isso agora. Vamos focar aqui na história ChanKai.




- Esse assunto não vai morrer aqui, e você vai me explicar tudo muito bem explicado ou eu quebro isso que você chama de cara.





- Nem inventa.





- Nem inventa o caralho. Tá avisado!





- Ainda bem que você não pressiona as pessoas…




- ChanKai? Por que Kai?




- Era o apelido do JongIn. Toda a família dele chamava-o assim. Então pegou.




- Achei bonitinho.





- Foda-se, deixa eu continuar.






- Grosso






- Nessa faixa etária, eu e o JongIn passamos a brincar muito juntos e, ele sabendo que eu não gostava muito da companhia das outras crianças, afastava-as de mim, mantendo apenas si mesmo por perto. Você imagina o quanto uma criança solitária estranhou essa aproximação. Mas okay, eu ainda o admirava, e muito. Essa relação durou anos. Quando tivemos que mudar de escola, pois ela não fornecia o ensino fundamental dois, ele fez questão e convenceu seus pais de que queria estudar na mesma instituição que meus pais me matricularam, uma outra maior e bem mais qualificada da minha cidade. Beleza, voltamos a estudar juntos novamente. Por volta dos nossos quatorze anos de idade, nós já éramos um pouco mais consciententes das nossas atitudes, obviamente, e a nossa amizade estava bem mais fortalecida, então, sem receio, eu apenas aproveitei para perguntá-lo aquilo que eu carregava como dúvida desde que eu o conheci. Estávamos na minha casa nesse dia jogando videogame no meu quarto, pra ser mais exato e eu joguei a pergunta na rodinha mesmo, sem mais nem menos porque sou desses. "Kai, por que você se aproximou tão rápido de mim? Por que apenas fortaleceu uma amizade comigo?"





- Aí vocês já estavam amigos tipo amigos, amigos, bem amigos mesmo?




- Sim, pra falar a verdade até que foi bem fácil essa aproximação. Eu hesitei bastante no início, claro porque era Park Chanyeol ali, mesmo sendo eu o dono da iniciativa. Porém, ele nunca me deixou afastar, ele parecia gostar de me ter por perto tanto quanto eu gostava de tê-lo por perto. Então eu apenas deixei fluir. Não sei quando essa relação quase fraternal começou a surgir exatamente, mas estávamos aí, né.






- E o que ele te respondeu?






- Bem, ele pareceu pensar por um alguns segundos, centrado na tela onde seu personagem lutava contra um monstro marinho. Até hoje me lembro desse jogo, é uma pena não me recordar de seu nome, eu gostaria tanto de jogá-lo mais uma vez... Enfim, quando ele deu o golpe final no monstro, derrubando-o, virou-se na minha direção e com um sorriso ladino, disse divertido "Você é diferente". Ele voltou a atenção novamente ao jogo pra dar início a nova fase e eu apenas me limitei a ficar encarando-o. Minha mente estava totalmente perturbada com a resposta. Eu realmente sentia que ele era diferente, e o surpreendente é que ele sentia o mesmo. Deixa eu ver se consigo expressar o que eu senti naquele momento. "CARALHO, COM UM SORRISO LADINO, COM UMA TREMENDA POKER FACE E COM TRÊS PALAVRAS ELE CONSEGUIU EXPRESSAR TUDO AQUILO QUE EU PENSAVA DELE MAS QUE, POR MINHA VEZ, NUNCA CONSEGUI EXPRESSAR. PORRA CARALHO."





- É, eu acho que eu já esperava por isso.





- Eu não vou nem perguntar o porquê.





- Prossiga.






- Vou contar mais sobre o JongIn pra você ter uma boa noção e não achar que eu estou exagerando. Na escola, todos ficavam impressionados o quão rápido ele conseguia resolver exercícios dentre equações, inequações, funções, sistemas, exponenciais, módulo… etc., de matemática.




- Creendeuspai





- Para ou.





- O lado de humanas já até arrepia.






- Cala boca deixa eu continuar, ninguém tem culpa se você foi se apaixonar justo por um carinha extremista de exatas.






- apaix-





- CONTINUANDO. O nosso professor, sabia que aquilo não era normal pra idade dele, ele tinha quatorze anos e nem se esforçava pra aprender os conteúdos. Ele apenas assistia as aulas da matéria e conseguia fechar as provas tranquilamente. Enquanto que os outros alunos odiavam firmemente todos aqueles números e demoravam horas, dias, até semanas para entender o conteúdo, JongIn só precisava de no máximo e estourando cinquenta minutos, que era o tempo das aulas diárias. Eu nunca tive dificuldade com a matéria também, na verdade eu gosto bastante, até hoje, de cálculos matemáticos, mas eu ainda prefiro assuntos teóricos relacionados a astronomia, como já havia te dito quando nós nos conhecemos. Nem era algo que estudávamos na época, mas eu adorava ler sobre. Era uma das minhas maiores diversões. Enfim, o professor conversou com o JongIn sobre isso e candidatou-o, depois de conversar com os pais dele é claro, em uma olimpíada da nona série do ensino fundamental sul coreana de matemática e logística de caráter nacional, e dependendo do rendimento do vencedor, também de caráter internacional. O professor acreditava firmemente que ele ganharia, não era segredo pra ninguém que ele tinha um QI mais elevado que o das outras crianças das quais dividiam a turma. JongIn aceitou tranquilamente, é algo que ele gostava de fazer, né. Não seria apenas uma competição, ele achava realmente divertido.




- Uau! Com quatorze anos eu ainda comia terra.




- Eu nem sabia diferenciar a embalagem de shampoo e condicionador ainda.




- Kkkkkkkkkkkj Chanyeol você é com certeza é um caso a parte. E então, ele venceu a competição?




- Vou fingir que não entendi a piadinha e vou apenas continuar calmamente. Bem, JongIn é proveniente de uma família bastante pobre e a competição tinha que ser paga. O pai dele trabalhava sozinho e era a única fonte de renda de sua família. Ele já tinha muitas despesas pagando remédios e tratamentos para a sua esposa, mãe de JongIn. Ela era portadora de esquizofrenia e sofria de surtos piscóticos constantemente agravados ainda mais depois do nascimento do JongIn. Logo, somou-se um traumatismo pós parto e sempre que possível, ela descontava todas as suas dores, surtos e pesos em cima de seu único filho. Mas não é porque ela realmente queria, era fruto da sua doença incurável, mesmo assim, JongIn se machucava bastante, tanto fisicamente quanto interiormente, mas ele não revidava ou se lamentava pelos cantos por isso, ele era uma criança incrível, como já disse várias vezes, ele tinha o coração puro, ele era realmente um garoto bom e reconhecia que mesmo com todos os ataques e dores que eram refletidos e espalhados como cortes e feridas pelo seu corpo, ela ainda era a sua mãe. Era bem complicado.





- Então é por isso que ele não gosta de falar sobre a mãe dele?





- Talvez essa pergunta seja respondida futuramente. Se eu te dizer agora a história vai perder todo o seu sentido cronológico e aí não rola.






- Tá, prossiga!





- Ele não tinha recursos financeiros pra entrar em uma competição nacional tão renomada quanto essa, né. Eu tentei ajudá-lo falando que meus pais poderiam ceder algo por ele. Minha família era dona de um supermercado da cidade, não era muito grande, mas tínhamos uma boa clientela. Não éramos ricos nem nada disso, mas nunca nos faltou nada e sempre que algum conhecido precisava de algo, meus pais conseguiam ajudá-lo sem problemas. Éramos bem acomodados financeiramente mas, acima disso, o que eu mais admirava nos meus pais era a humildade que ambos tinham, sempre tentando ajudar o próximo se estivesse ao seu alcance. Mas acho que já te contei tudo isso, não é? Enfim, dessa vez estava no nosso alcance, mas, como nem tudo são flores, o JongIn não aceitou, como um bom orgulhoso que era. Ele disse que isso não era algo que eu devia me importar, era algo apenas dele e da família dele, disse que eu não deveria me preocupar com isso, pois não era como se ele se importasse tanto assim com essa competição, a saúde da sua mãe era bem mais importante. Eu não me dei por satisfeito, eu sabia que ele se importava sim, mesmo que ele prezasse ainda mais pela saúde de sua mãe, e eu, como seu melhor amigo, também sabia que era uma oportunidade incrível para ele e, em cima disso, tomei uma decisão após conversar com os meus pais que, por sinal, me escutaram muito bem, de nós irmos conversar com o pai dele. Este, por sua vez, também agiu como um bom orgulhoso e não aceitou a nossa ajuda de primeira.




- Os seus pais e os pais do JongIn também tinham uma relação agradável e tals?




- Sim, a relação dos nossos pais era muito boa, sempre que possível convidavam uns aos outros para almoçar ou jantar em suas respectivas casa, conversar de vez em quando, coisas assim. Eu particularmente adorava esses dias. Nunca tivemos nenhuma desavença quanto a isso não, ainda bem. Continuando, depois de muita conversa e diversas investidas dos nossos pais de tentar ajudá-lo, o pai do JongIn cedeu, mas só porque era pro bem do seu menino, e só aceitou também metade do dinheiro oferecido pelos meus pais jurando que iria devolvê-lo centavo por centavo. Meus pais vendo que não o faria mudar de ideia tão cedo, também cederam. Tomaram um café, conversaram por mais algum tempo, e fomos embora. Tudo isso sem o JongIn saber, pois ele era tão orgulhoso, se não mais que seu pai, que, se estivesse em casa, não deixaria que seu pai aceitasse essa ajuda, mesmo sendo um empréstimo, de forma alguma.




- E onde ele estava nesse dia?





- Isso que eu estou tentando lembrar. Eu realmente não me recordo.




- Tá, lembra aí. Quando o Baek me disse que você achava o JongIn orgulhoso demais, eu não imaginei que fosse tanto. Na verdade, eu não imaginei que fosse real.




- Só piora, Kyung.





- Prossiga!





- O pai do JongIn se apertou um pouco financeiramente tendo que deixar a sua esposa sem alguns remédios, os menos importantes, claro, mas ainda essencias. Ah se ele tivesse aceitado todo o dinheiro e não tivesse privado sua esposa de alguns remédios, as coisas seriam tão diferentes…






- Como assim?





- Tudo no seu tempo, Kyung.





- Então para de se lamentar e continua logo, oras.





- Com o dinheiro dos remédios juntamente com o dinheiro emprestado que nós oferecemos, ele pagou a inscrição de seu filho para as olimpíadas. JongIn, por sua vez, ficou um bocado abismado, já que ele não sabia de nada sobre esse dinheiro que o pai dele "arrumou". O pai, prezando pelo futuro promissor de seu filho, apenas lhe arregurara que havia pedido um adiantamente pro seu patrão da borracharia, pois ele era um mecânico, e que iria trabalhar uns dois dias a mais pra recompensar o esforço de seu patrão, que não seria nada demais e que estava fazendo aquilo por ele. JongIn acatou a ideia, claro, depois de contestar um bocado de vezes essa decisão que aos seus olhos aparentava bastante imprudente. Odiava ver seu pai trabalhando demais. E prometeu que depois da competição iria ajudá-lo com todas essas despesas.





- E ele ficou sabendo que o pai dele deixou a mãe dele sem alguns de seus remédios?





- Não, cara. Se o pai dele dissesse isso antes de passar a competição é óbvio que ele ia surtar e não ia aceitar essa troca de jeito nenhum. Porra, era a mãe dele.





- Eu entendo, eu faria o mesmo.






- É, eu acho que eu também. Ele tinha tudo pra ser brilhante profissionalmente, mas ainda assim preferiu colocar a família em primeiro lugar.





- Sim, mas acho que o pai dele não partilhava dessa mesma ideologia, não é?





- Tecnicamente sim. Ele teve que escolher entre um e o outro, isso é óbvio, mas também viu uma oportunidade incrível nessa competição para com seu filho. Era uma maneira de ver seu filho crescer do jeito certo, de ter uma vida melhor, de tirá-lo daquele subúrbio. Ele não podia simplesmente jogar essa oportunidade fora. Eu também acho que faria isso se estivesse no lugar dele.




- É, eu acho que eu também. O quão contraditório isso soa?





- Muito, Kyung. Muito!





- Não estou prevendo um final muito bom.





- Vou apenas continuar. Quando o dia dele fazer a primeira prova chegou, antes dele sair, eu passei em sua casa para desejar-lhe sorte. Ele disse que não precisaria desta e, com um semblante divertido, me abraçou e agradeceu de verdade o apoio. Eu gostava muito disso nele. Ele levava tudo tão tranquilamente, sempre sorrindo, sei lá. Enfim, eu fui com ele até o local que ocorreria o exame juntamente com o seu pai, que se mostrava apreensivo e muito, mas muito orgulhoso de seu menino. Deu-lhe um beijo na testa e disse que não desejaria sorte pois ele não precisaria desta pra mostrar pro mundo que era um bom menino. Poxa, eles eram realmente parecidos. Era realmente uma boa relação entre pai e filho.




- Ah, nisso eu devo concordar. Até hoje ambos são muito próximos. É muito bonito de ser ver essa relação e eu realmente a admiro muito.





- Sério? Isso é surpreendente.





- Como assim?




- Tud-




- Já entendi. "Tudo no seu tempo, Kyung". Pufff



- Cala boca e deixa eu continuar. Bem, o resultado sairia três dias após a prova ser feita e eu não me recordo muito bem o que aconteceu nesses dias que se passaram, só me lembro que todos estavam bem apreensivos com o resultado do menino prodígio, vulgo JongIn. Essa primeira prova havia cinquenta questões e o JongIn dizia que esta havia sido fácil para todos os que perguntavam-o, que tinha uma pegadinha ou outra, exercícios que abordava conteúdos que ele nunca havia visto, mas que fora isso estava realmente fácil. Quando o resultado finalmente saiu, todos vieram, inclusive a mãe de JongIn para a minha casa para acompanharmos via internet, uma vez que na casa do meu amigo não havia. Nos reunimos todos na sala de estar, e enquanto eu segurava o computador de mão e conferia o site de minuto em minuto, podia sentir cada vez mais as expectativas se expandindo pelo local. Eu me encontrava a cada nova atualização mais apreensivo ainda, mas também certo de que o nome do meu amigo estaria ali na lista dos aprovados, era óbvio que estaria. Deu-se a hora marcada e eu corri novamente para o site atualizando-o. Cliquei na lista de aprovados e esperei carregar. Quando a página finalmente abriu, de vermelho, no título centralizado havia escrito bem nítido e grande: APROVADOS PARA A SEGUNDA FASE DA OLÍMPIADA SUL COREANA DE MATEMÁTICA E LOGÍSTICA. Embaixo do título, também muito nítido, havia escrito de cor preta em negrito: 76 APROVADOS. Descemos pela lista e buscamos pelo nome tão esperado. Não estava em ordem alfabética, e sim por ordem de acertos das menores notas para as maiores, logo tivemos que ler na ordem estipulada atentamente. Ficamos alguns minutos vizualizando cada nome, o nervosismo dos olhares curiosos atrás de mim só aumentando, quando finalmente depois de descermos a lista toda e lermos a segunda colocação, suspiramos por fim aliviados. KIM JONGIN - 46 ACERTOS. O pai do JongIn abraçou este, sorrindo de canto a canto e repetindo incontáveis vezes o quanto estava orgulhoso de seu menino. Depois de toda essa série de comemorações que gerou até um bom bolo de chocolate, o meu favorito e o de JongIn feita pela senhora Park e auxiliado pela senhora Kim, que estava muito bom por sinal, eles foram embora.




- Poxa, você tem um memória realmente impressionante. Meu JongIn é um menino prodígio. 46 de 50 questões? Uau!



- Foram fatos marcantes pra mim, nem se eu quisesse conseguiria esquecer. Vale lembrar que ele ficou na segunda colocação, hem.





- Quantos acertos o primeiro colocado teve?





- Aí você já tá querendo que eu lembre coisas até demais, né querido.






- Tá, prossiga!






- É. Bem, ele também passou a segunda fase também, que diferente da primeira que era um exame de questões objetivas, esse era totalmente discursivo. Se não me engano, ele acertou 44 das 50 empatando com um outro qualificado e divindo sua posição de primeiro lugar. JongIn parecia radiante diante de seus resultados. Ele estava se sentindo querido por todos, até mesmo a sua mãe parecia mais contente, reduzindo as agressões sobre ele.






- Ainda estou tentando acreditar que a mãe dele o agredia. Porra, tadinho!





- Sim, mas ele nunca reclamou. Havia vezes que ele aparecia com cortes gigantes nos braços, nas coxas. Mas ele nunca reclamava, ele apenas dizia que havia sido um acidente ou algo assim. Você nunca viu as cicatrizes dele? Ele tem um monte espalhadas pela região do tórax, barriga, acho que ele tem uma no ombro também, nas coxas… Enfim, foram anos de agressões, né.





- Sim, na verdade eu já vi sim. Algumas espalhadas pelas extensões de suas costas, no ombro eu não vi não, tinha uma nas coxas também. Mas ele usou das mesmas justificativas que dava pra você, limitou-se a dizer que sofreu alguns acidentes quando criança. Então eu apenas deixei pra lá.





- Eu não vou nem perguntar como é que você sabe de todas essas cicatrizes, justamente nessas localidades e o porquê de você nem ter insistido nesse assunto, uma vez que você jamais deixaria algo assim passar…





- uq? OLHA AQUI PARK CHANYEOL NÃO É NADA DISSO QUE VOC-





- Oxe, mas eu não quis insinuar nada. Se a carapuça serviu apenas vista-a.





- É SÉRIO CHANYE-





- DEIXA EU CONTAR A HISTÓRIA, OXE. Bem, vejamos, onde eu estava mesmo? Ah sim… Ele estava realmente alegre. Por onde passava todos percebiam que ele brilhava ainda mais que antes. No ano seguinte, já com quinze anos de idade, ele teve que disputar a final das olimpíadas com outros quatro participantes, ele, a garota que ficou na mesma posição que ele e os outros dois ocupantes da segunda e terceira colocação, fora de sua cidade. Ele veio pra onde nós estamos agora, Seoul, capital da Coreia do Sul.





- Ele me disse que nunca tinha vindo aqui, ué.





- Tudo no s-





- Tá, tá! Já entendi!






- E foi com muito pesar que ele teve que deixar por um mês inteiro sua casa, seus pais e a mim, para realizar o último exame, que seria de um nível muito mais alto, e obter a premiação que seria transmitida na TV. Essa premiação incluía diversos prêmios, dentre eles dinheiro, medalhas, um troféu e um emprego para aprendizes na área de conhecimento do qual o vencedor abrangeria durante todo o percurso na capital, estadias, etc... O JongIn esperava ganhar, mas não por si mesmo, e sim pela sua família, para dar uma condição de vida melhor ao seu pai, que nunca o deixou faltar nada, e bons tratamentos a sua mãe, para que ela finalmente ficasse bem. Não só havia premiação de matemática, mas também de todas as outras matérias e de todas as outras séries. Física, Química, Biologia, Astronomia, Design… Havia candidados a todos os componentes possíveis. JongIn e os outros três eram os representantes da competição de matemática e logística. Uma vez eu liguei pro hotel que ele estava hospedado, pois ele não tinha celular, apenas pra dizer, como seu amigo, que eu estava com ele, que ele poderia me ligar quando quisesse; todos nós estávamos com ele. Ele se mostrou tão nervoso, Kyung. Mas ele me disse algo que eu nunca, em hipótese alguma, vou esquecer: "Chan, obrigado, de verdade. Eu te amo tanto."





- Ele não parece do tipo que diz isso constantemente.





- Você tem razão. Ele me disse isso essa última e única vez.





- Você já disse que o amava também?





- Não.






- Você é horrível.





- Ouve a história, caralho.





- Estou ouvindo e ainda te acho horrível, seu porra.





- Depois disso ele pediu para que de vez enquando eu desse uma olhadinha na situação de sua casa e ligasse para ele caso algo estivesse fugindo do habitual. Ele me contou também que dois dos semifinalistas foram super legais consigo, o outro insinuava-se super arrogante e menosprezava ele e os outro, por ser o mais riquinho e essas coisas. Patético, né? Enfim, ficamos conversando por um bom tempo, mas eu não me lembro de nada além disso.





- Po, mas peraí, o JongIn veio pra capital sozinho? E a galera da staff da competicão deixou? Ele tinha quatorze anos, cara.





- Sim, infelizmente, seu pai não pôde acompalhá-lo, como estipulado pelas staffs da competição, por causa de sua esposa, já que não poderia nem levá-la, devido suas recentes complicações mentais, nem deixá-la sozinha pelo mesmo motivo, e foi com muito pesar que deixou-o partir sozinho.






- Ah, verdade. Tinha me esquecido disso.






- Enquanto ele esteve fora, o pai do JongIn se via cada vez mais cheio de problemas, buscava não desmonstrar isso a seu filho que, como já dito anteriormente, estava radiante. Não seria justo com o motivo de seu orgulho atual. Ele estava com um bocado de dívidas, e a falta de remédios para sua esposa estava refletindo em seu temperamento e ela estava terrível, se mostrando cada vez pior, nem mesmo o seu marido acalmava-a mais. Ela dizia coisas desconexas e diversas vezes insinuava suicídio. O pai do JongIn não sabia mais o que fazer, não podia levá-la a uma clínica, isso geraria mais custos, mas se continuasse em sua casa, ela poderia acabar se matando, e quando JongIn retornasse, ela poderia acabar matando-o também. Estava perdido. Mas jamais cogitou a possibilidade de ter que contar com os meus pais de novo. Ele já se sentia horrível por estar devendo a eles o dinheiro da inscrição de JongIn a quase seis meses passados. Não podia nem se quer fazer horas extras para pagar os medicamentos da sua esposa ou as suas outras dívidas, pois isso implicaria em deixá-la sozinha em casa. Isso jamais! Estava faltando a dias o seu serviço por causa dela, seu patrão ligava-o constantemente e ele sempre inventava alguma desculpa. Chegou ao ponto em que ele teve que escolher entre os dois. Seu emprego ou a sua esposa. Obviamente ele prezou pela sua família. Mas isso só agravou ainda mais a saúde mental de sua esposa que, agora sem o JongIn, descontava todas as suas ânsias enfurecidas sobre o seu marido que tanto queria o seu bem. Estava destruído, e esperava que tudo ficasse bem antes de seu filho chegar. Não queria de forma alguma que toda a felicidade dele fosse quebrantada pelas amarguras que estavam acontendo em sua vida.





- Puts… Não havia nenhum parente com quem ele poderia contar? Se ele ficasse sem trabalhar aí que as coisas piorariam.






- Aí que está o ponto, Kyung. O pai do JongIn ficava cada vez mais desesperado. Toda vez que conseguia falar com o seu filho dizia que estava tudo bem e que estava torcendo pra ele. Dizia que amava-o muito e que ele era o motivo de seu orgulho, mas a verdade era que ele estava destruído, sem emprego, e com sua esposa piorando gradativamente. Foi aí que ele teve de pisar sobre seu orgulho e pedir ajuda da irmã da mãe do JongIn, que era quem morava mais próximo deles, na cidade vizinha pra ser mais específico, para que assim pudesse voltar a trabalhar e comprar os remédios de sua esposa. Você tem noção o quão difícil foi pra ele chegar ao ponto de pisar sobre o próprio orgulho pra pedir ajuda aos outros?





- Como todo esse gene dele, não cara. Eu reamente não tenho!






- Pois é. E eu também tinha que fingir que não sabia de nada. Eu não poderia acabar com o momento do meu amigo que por tanto tempo sofreu. E assim eu me manti: calado.




- E o que você dizia quando falava com ele por telefone?





- Eu evitava esse assunto o máximo que podia, eu sou péssimo mentindo e pela maneira da qual eu sempre mudava de assunto rapidamente quando ele insinuava-o, era evidente que eu estava escondendo algo. Mas ele estava tão feliz, sabe? Ele parecia tão contente me contando tudo que estava acontecendo com ele. Vivia me contando o quanto de comidas novas ele experimentara, porque foda-se as notícias da competição né, o essencial era a comida; sobre o quão agradável as pessoas estavam sendo consigo; essas coisas; ele nem percebeu que eu estava escondendo algo. Ele tava tão feliz, eu jamais estragaria isso.





- Eu entendo. Mas você sabe que se ele tivesse percebido sua hesitação a esse assunto, você poderia ter estragado tudo, não é? Você teve sorte.




- Sim, eu sei. E não sei quantas vezes eu agradeci inconscientemente por ele não ter percebido nada. Porra, eu não saberia como lidar.




- Verdade, você não sabe mentir.





- Não diga como se me conhece a tanto tempo assim pra dizer o que eu sei e o que eu não sei.




- Mas eu te conheço a um bocado de tempo já, Park.





- Só passou pouco mais que um ano, D.O.





- Mas eu já sei coisas sobre você que você nem se quer imagina.





- Creemdeuspai




- Continua.




- Onde foi que eu parei?





- No momento em que o pai do JongIn teve que chamar a cunhada dele e tals.




- Ah, sim. Uma semana antes de anunciar o prêmio, a tia do JongIn chegou pra ajudar seu cunhado com sua irmã. O pai dele voltou a borracharia, e depois de muito insistir e prometer trabalhar uma hora a mais por dia, recuperou o seu emprego e voltou a comprar os remédios da sua esposa, o que não adiantou absolutamente nada. Ela regredia todos os dias um pouco mais, ficou tanto tempo sem seus remédios que quando retornou a tomá-los eles não surtiram efeito na mesma proporção que antes. Não sei explicar isso, não entendo de medicamentos, não sei porque não surtiram efeitos nela como o habitual.





- Entendo, prossiga.






- Uma semana passou-se depois disso e o tão esperado momento da premiação tinha chegado. Eu havia ligado no dia anterior para o JongIn perguntando-o como foi o exame que ele havia feito e tals, queria ver como ele estava, pra ser logo direto. Ele entusiasmadíssimo respondeu que sabia que tinha se saído muito bem, me contou sobre a prova e eu, bem, não podia ficar mais feliz por ele. Já sentia que todos aqueles prêmios eram seus. Nesse dia, o pai de JongIn saiu do trabalho às seis horas e a transmissão na TV seria às oito e meia. Quando ele chegou em casa, louco para tomar aquele banho e acompanhar seu filho pela pequena TV de sua sala, ele foi surpreendido com uma furiosa briga entre as irmãs. Sua esposa estava suja, completamente suja e golpeando sua irmã com facadas por toda a extensão do corpo da outra das quais tinha acesso. Ele rapidamente foi separar a briga e ajudar sua cunhada. Esta por sua vez encontrava-se a beira da inconsciência. Segurou sua esposa e levou-a pra dentro do quarto do casal, tirando a faca de suas mãos e trancando-a. Ligou para uma ambulância enquanto tentava ajudar sua cunhada que tinha feridas espalhadas por diversos pontos de seu corpo e aguardou desesperadamente o veículo. Depois disso eu não me lembro o resto.





- Como você sabe de todos esses detalhes se você não estava lá?





- O pai do JongIn me contou um tempo depois, com mais riqueza de detalhes do que eu fui capaz de te contar, obviamente, mas eu não me lembro de tudo que foi dito precisamente. Vale notar que eu me senti horrível pela situação e por ter que esconder isso do meu amigo, logo isso abalou bastante a minha memória.





- Mas você sentia que era o certo a se fazer.





- Exato. Enfim, só sei que não deu para o pai do JongIn assistir seu filho ganhando o prêmio na TV, porque de fato ele ganhou. Ah, eu não me canso de lembrar o quão radiante e bonito ele parecia. Ele estava vestido num terno passado e galanteador, com seus cabelos devidamente arrumados e com um sorriso de canto a canto. JongIn discursou lindamente derramando algumas sinceras lágrimas de todos os que estavam ali, torcendo firmemente por ele. Já disse o quanto ele parecia incrível?





- Ele ganhou? Uau!!! Eu achei que ele ia perder, ele nunca me disse que havia ganhado alguma competição.





- …





- Já entendi o que você quis dizer com esse suspiro aí. Prossiga!





- Enfim. Quando ele retornou pra casa, ele estranhou bastante o fato de eu e a minha mãe termos ido busca-lo no aeroporto e ficou bastante preocupado com isso. Eu tentei desvia-lo desse assunto e diverti-lo, fazendo-o me contar toda a sua trajetória, mesmo já sabendo quase tudo por telefone, obviamente não deu muito certo. Sei que quando chegamos na sua casa, o pai dele recebeu-o de braços abertos e eu tive que me retirar pra que eles conversassem. Eu não sei muito bem o que aconteceu aí. Eles conversaram, o pai dele levou-o pra ver sua mãe que estava numa clínica de reabilitação, daí eu só o vi umas duas semanas depois. Também sei que o JongIn ficou apavorado com a situação de sua mãe que estava mil vezes pior do que quando a deixou, vindo a falecer quase uns seis meses depois de sua chegada. Também custou acreditar na história que envolvia sua tia, que recuperava-se dos ataques da sua mãe.





- E os prêmios que ele havia recebido?





- Ah sim, verdade. Já ia me esquecendo dessa parte. A mãe dele esteve muito, mas muito doente depois do retorno dele. E ele, por sua vez, com toda a sua inocência, pagou muitos tratamentos, remédios, médicos particulares, cirurgias, etc… ele gastou boa parte do dinheiro que ele recebeu com os melhores antendimentos que sua mãe pudesse ter. Ela parecia estar melhorando a princípio, mas pelos relatos que o pai dele me deu, ela estava sendo consumida pouco a pouco pela doença que adquiriu. O pai do JongIn me disse que tentou convencer seu filho a parar de investir tanto, ele já sabia que a morte pra sua esposa estava perto, mas o JongIn ficou descontrolado… Sabe? Ele ficou totalmente obscecado pela causa. Ele gritava com qualquer pessoa que tentava intervir em suas decisões, nem mesmo seu pai escapou de uns bons gritos dele. Não sei quantas vezes eu o acompanhei até a clínica e ele chorava pra mim, mas não tipo chorar, era tipo CHORAR mesmo, de ficar soluçando por horas e mal conseguir falar. Ele me dizia coisas horríveis sabe? Eu nem gosto de me lembrar, então…vou me limitar aqui mesmo. Quase todo o seu prêmio em dinheiro foi gasto com sua mãe, só sobrou o pouco que o pai dele estocou, dizendo que iria pagar suas dívidas por prevenção da má administração do seu filho. Odiava ter que usar essas palavras, mas o JongIn estava totalmente destruído, e eu sou a prova disso. É basicamente isso, Kyung. Foi uma época terrível.






- Caramba, que tenso. E o emprego de aprendiz que você disse que ele também receberia?






- É como eu disse, né. Passou-se meses em que ele foi chamado pra esse emprego, mas ele negou-o todas as vezes. Sabe o que é estar realmente obcecado por uma causa? Ele não demonstrava interesse por outra coisa que não fosse a saúde da sua mãe, ele realmente tinha esperanças de que ela fosse ficar bem, que ele teria uma família estruturada pelo menos uma vez na vida agora que tinha condições financeiras pra isso, essas coisas. Ele tava alimentando uma fé falsa, você entende?… Enfim, ele não quis. Jogou tudo pro alto. Eu acho que ele já estava em um estágio de depressão, mas ele não deixava ninguém entrar, ninguém opinar, ninguém intervir.






- E você tentou intervir alguma vez?






- Pra ser sincero, sim. Mais de uma vez. Ele apenas não me escutava. Eu ficava tão desesperado quanto ele, mas eu não podia fazer nada. Nem o pai dele conseguia segurá-lo, cara.





- Eita…prossiga.






- Quando ele recebeu a notícia de que a mãe dele havia de fato falecido na clínica, ele ficou louco, absurdamente louco, mas ainda do que já aparentava. Você consegue entender essa proporção?






- Não, cara. Eu realmente não consigo vizualizar o simpático e carismático JongIn nessa situação. Sério!





- Não se deixe levar pelas aparências, Kyung. Geralmente, as pessoas mais doces são as que mais passaram por momentos ruins.





- Percebi. Continua.





- Nesse dia, ele me ligou desesperado, eu mal conseguia entendê-lo com aquela voz embargada pelo choro. Ele estava sozinho em casa, uma vez que seu pai estava trabalhando. Ele disse coisas horríveis, disse que a culpa era dele de ter privado a sua mãe de medicamentos enquanto foi "egoísta", pensando apenas em si mesmo e naquela competição ridícula. Ele chorava tanto, eu não sabia o que fazer a não ser chorar com ele e dizer que a culpa não era dele.





- Porra, a culpa não era/é dele.





- Tenta dizer isso para um cara que esteja passando pela mesma situação que ele. Porra, eu era o cara mais antissocial que você respeita, imagina a pressão que eu estava sentindo por não conseguir ajudá-lo, afinal eu nunca tinha feito isso por ninguém. O JongIn sempre foi muito independente e maduro, foi realmente uma surpresa ele ter ficado tão abalado emocionalmente. Foi como se todas as imagens construídas desde a nossa infância que eu tinha dele começassem a se rasgar; quebrar; sumir; foda-se o verbo, em frações de segundos, você entende?






- O Baek está numa situação parecida com a sua, pelo caso HunHan e tals. Até agora ele está se sentindo um lixo impotente por não conseguir ajudar nossos amigos. Mesmo que ele não demonstre isso tanto quanto você ou o JongIn parecia demonstrar, ele está tão perdido quanto, Chan. Eu acho que você poderia ter uma boa conversa com ele sobre isso. Você sabe como está sendo terrível pra ele, eu sei que você já está sabendo da história também.





- Você acha?




- Claro!




- Não sei conversar com as pessoas… assim, Kyung.





- É claro que sabe.





- Não sei não.






- O que você não sabe?






- Não vai ser a mesma coisa.





- Como assim?





- Eu não vou poder olhar no olho do Byun e dizer como eu realmente me senti um dia, assim como eu fiz com o JongIn. Não vou poder abraça-lo e/ou ser um bom ombro amigo.





- É aquele ditado né, se você não pode dar um beijo, vai com as mil palavras mesmo. É sério Chan, o LuHan e o SeHun também são meus amigos e eu também estou muito preocupado com eles, mas o BaekHyun está realmente deprimido. Quanto mais forças dermos para ele, mas ele vai se sentir instigado e firme. Eu estou me esforçando o máximo que posso, todo o meu tempo livre recentemente eu estou gastando com o Byun. Por favor, tente também. Ele gosta de conversar com você.





- Gosta?





- Claro. Você precisa tentar. Você tem experiência e afinidade até demais pra tão pouco tempo com o Byun.






- Me esforçarei então.





- ♥





- AH KYUNGSOO




- que






- Quanto ao caso HunHan, eu tenho que falar com você sobre isso, em outro momento.





- Sobre o que exatamente?





- Sobre o caso HunHan, sonso.





- Disso eu sei, burro. Especifique-se.






- Sem spoilers.





- Vai se fuder. Vamos continuar com o caso ChanKai.






- Onde eu parei mesmo?






- Na morte da mãe dele, até que ele te ligou e daí ele começou a chorar muito. Enfim, prossiga!






- Ah tá. Eu desliguei o telefone na cara dele mesmo e corri cerca de três quarterões até sua casa para ampará-lo direito, né, porque por telefone não dá. Ele realmente estava se culpando pelo acontecido, e não houve um que o fizesse mudar de ideia. Ele ficou pior ainda quando soube que eu estava envolvido no pagamento de sua inscrição, uma vez que seu pai teve que privar mais ainda sua mãe de medicamentos pra pagar tal dívida. Ele estava horrível, chorava dia e noite e recusava qualquer companhia. Ele deixou de falar comigo por semanas, me ignorava de todas as formas possíveis passando até mesmo a deixar de frequentar as aulas pra não me ver, ele estava agindo como se eu também fosse o culpado pela perca de sua mãe. Nem faz sentido isso, eu sei, mas convenhamos, ele nem estava em sã consciência pra pensar o que fazia ou o que não fazia sentido. O pai do JongIn vendo que o filho só tendia a piorar se continuasse naquela situação desgastante, resolveu mandá-lo passar uns meses na casa de sua mãe, avó de JongIn, pra ver se este conseguiria esfriar a cabeça. Conhecer novos amigos, frequentar uma nova escola lá, essas coisas. O JongIn não queria ir, a princípio, de forma alguma e deixar o seu pai. E só depois de uma promessa da parte deste de que ele precisava reestabelecer-se financeiramente e quando isso acontecesse começariam uma vida nova juntos, foi que JongIn cedeu. Seu pai estava certo de que ele não era mais o mesmo. Ele estava quebrado e o sentimento de culpa só o dilacerava ainda mais. Então ele foi. Foi sem aviso, sem falar comigo, sem no mínimo me dizer como se sentia, sem me dizer um último adeus. Eu só fiquei sabendo que ele havia partido uma semana depois que o pai dele veio na minha casa conversar particularmente comigo e desculpar pelas últimas ações de seu filho contra mim. Porra, ele era meu único e melho amigo, eu queria quebrar a cara dele por não pensar em mim, mas também queria abraça-lo e dizer que eu sempre estaria ali para ele. Não era culpa dele de estar agindo assim, entende?






- Caralho, Chan. Ele realmente não se despediu de você?






- Não, cara. Enfim, meses se passaram após esse episódio e o que o pai do JongIn não esperava ao manda-lo sozinho para aquele lugar, era que seu filho também tentasse suicídio.





- C-como assim?





- Sim, Kyung. Ele tentou se matar. Ele se jogou na frente de um carro numa avenida movimentada da nova cidade que estava morando enquanto voltava da escola. Ele realmente se jogou. Não foi um acidente. Pelo que fiquei sabendo muito vagamente, ele estava muito perturbado. Ele achava que como a mãe dele havia "o deixado", o pai dele também estava deixando-o indiretamente, claro, e que tudo isso era culpa sua. Não sei direito sobre isso.





- Cara, ele já estava com problemas psicológicos aí, ninguém percebeu? Ou se perceberam, não fizeram nada?





- Eu não sei, Kyung. Eu realmente não sei. De qualquer forma, ele não precisou tratar-se necessariamente depois disso.






- Como assim?






- Calma, vou explicar.






- Tá, prossiga.





- Quando eu soube desse ato do JongIn pelo pai dele alguns dias depois, eu fiquei mais desesperado ainda, temendo que a vontade do meu amigo realmente se sucedesse, uma vez que ele passou um bom tempo inconsciente. Mas, felizmente, isso não aconteceu, e pelo o que seu pai havia me contado nessa época, ele havia apenas machucado sua cabeça, não me disse onde especificamente, como ou o quanto, e quebrado seu braço esquerdo.






- Uma vez ele disse que havia quebrado o braço mesmo, mas sei lá, eu nem perguntei como ou porquê. Quebrar o braço é algo "normal". Enfim, prossiga.





- Então, o JongIn estava se recuperando, mas já estava fora de qualquer risco, ainda bem. Uns bons dias depois, ele ganhou alta e um ano depois, com 16 anos de idade, o JongIn retornou para nossa cidade e eu de imediato fui vê-lo, claro.





- Ele não tentou algo do tipo de novo, né?





- Não, mas você vai entender o porquê. Quando eu cheguei na casa do JongIn, e insinuei que queria vê-lo, o pai dele me olhou bem nos olhos, até hoje me lembro daquele olhar, com uma certa hesitação, parecendo meio desconcertado, sabe? Eu sou lerdo e não percebi a princípio. Enfim, ele liberou a minha passagem pra dentro da sua casa ainda com o mesmo semblante meio apreensivo e chamou o JongIn. Este apareceu na sala onde eu me encontrava. Eu me lembro de ter apenas o abraçado com força derramando lágrimas saudosas. Ele retribuiu parecendo meio incerto com a ação. Ele parecia mais forte, mais moreno, ele havia pintado seu cabelo para um tom de loiro, ele estava realmente muito bonito. Ele mudou muito pouco desde esse dia até hoje, pra ser sincero, até continua loiro.




- Chankai is back.






- Entre aspas.






- uq






- Cala a boca e escuta. Depois de alguns minutos em que eu fiquei ali abraçando-o e dizendo o quanto eu senti a falta dele, finalmente o soltei para olhá-lo no rosto. Ele revidou o olhar com um semblante meio confuso, que eu também não percebi a princípio, e soltou a pergunta mais dolorosa que poderia ter soado em uma cena tão bonitinha quanto aquela. "Desculpe-me, mas…quem é você?" Eu sorri meio desacreditado, cogitando uma piadinha da parte dele e esperando que ele completasse com: "Pegadinha do malandro, haha! Eai Chanyeol, como eu senti a sua falta cara". Mas isso não aconteceu.





- Como assim, viadooo?????? Olha você não me arrasa não.





- Que gay, Kyung.





- É o que somos, criança. Continua, anda.





- Então, ele disse que realmente não se lembrava de mim. Eu olhei pro pai dele esperando uma explicação e este apenas revidou soltando uma lágrima. Depois o pai dele me contou que o JongIn havia perdido boa parte de sua memória, que ele estava ainda se recuperando dos traumas que até este dia o amedrontava.




- Que traumas?




- JongIn vinha tendo muitos pesadelos, eu acho. Espécies de flashbacks por causa das confusões mentais dele antes da tentativa de suicídio, entende? Só que esses flashbacks, pelo que eu consegui compreender, era muito fictício e exagerado, não parecia cenas reais, apenas os fatos abordados coincidiam, tipo a morte da mãe dele, o suposto "abandono" do pai, essas coisas. Enfim, acho que é por aí.






- Ah sim. Típico. Prossiga.





- E eu não suportei, né. Me recusei a acreditar, e sem me despedir do JongIn apenas retornei pra minha casa. Lembro que nesse dia desidratei de chorar. O meu amigo JongIn não estava mais ali, aquele era apenas um estranho. Isso não saia da minha cabeça… O quão covarde soa?




- Você não sabe o quanto.




- Deixa eu acabar de falar primeiro. Talvez a raiva do JongIn por ele ter me deixado friamente e não ter contado comigo em momento algum, tenha contribuído para esse afastamento e como um bom sociável que eu sou pós trauma, resolvi me afastar também daquele lugar, não conseguiría, nem se eu quisesse, retomar uma amizade assim, não naquele momento. Era novembro quando me mudei, sozinho, depois de muito insistir pros meus pais, pra onde estou agora. Seul.




- Cara, você deixou mesmo ele? Porra, Chanyeol. Achei que você fosse agir mais conscientemente. Você preferiu se vingar?




- Me vingar, cara, não foi is-





- Pqp, Chan.





- Não me dê sermão agora, Kyung. Eu realmente não estou a fim. Deixa eu terminar logo essa droga. Estou morando com a minha tinha materna desde então enquanto frequento o teatro, estudo e faço aula de piano. Essa é a minha história com Kim JongIn. Tenho 17 anos agora e eu realmente tô custando acreditar que nós estamos na mesma cidade de novo. Eu não disse pra onde iria pra ninguém, apenas meus pais sabiam. Como diabos o JongIn e seu pai conseguiram me encontrar?





- Eu já sei de tudo isso.




- Sabe também como eles conseguiram me localizar?




- Isso não, mas todas as outras coisas você já havia me contado, lerdo.





- Eu sei, é porque eu só queria fechar a história com chave de ouro.




- que





- Okay. Agora que você já sabe de tudo vou sair, tch-





- Volta aqui, palhaço. Chanyeol, presta atenção, você sabe que vocês dois tem que conversar, não sabe? Ele precisa de você, porra.





- Errado. Quando ele mais precisou de mim, ele apenas se limitou a me culpar pela morte da mãe dele e a me abandonar sem nem se quer trocar uma palavra comigo.





- Você fica dizendo que ele é orgulhoso mas é mais orgulhoso ainda. Olha o que você está fazendo… Você está sendo um covarde da porra, não sabia que você era assim.




- …




- Chan?




- E-eu não sei, Kyung.





- Chan, não chora. Vocês precisam conversar.





- Cara… Eu não suportaria perdê-lo duas vezes.





- Você está perdendo-o de novo, Chanyeol. Você precisa agir.




- Fala com ele você primeiro, então.




- Nem vem. Essa é uma história que vocês partilham, portanto tem que resolvê-la juntos.





- E-eu não sei, eu não quero encará-lo agora.





- Mas você precisa. Você precisa acertar as coisas com ele agora. Sozinhos! Você não pode acabar uma amizade de anos assim por estar agindo como um covarde.





- Kyung…





- Park, você sabe que é o certo a se fazer.





- E-eu…





- Posso te fazer uma pergunta agora?




- Pode.






- Você…ahn… você…





- Apenas desembuxa.




- Você gostava ou gosta dele mais...ahn…como…ahn… porque sei lá, pareceu…ahn… Aish, deixa pra lá.





- Relaxa Kyung, eu jamais sentiria algo "assim" para com ele. É algo mais fraternal. Fica tranquilo e vai que é seu.





- Oxe mas eu não quis dizer iss-





- Queria sim que eu sei.





- Aish. Enfim, você precisa conversar com ele. E como você fez burrada, a iniciativa tem que ser sua.




- KYUNGSOO, E-EU…AISH.





Chanyeol encerrou a ligação. Clique aqui para contatá-lo novamente.




Notas Finais


Então Park Chanyeol e D.O. KyungSoo têm um contrato envolvendo o BaekHyun? Qual a real história por trás disso?

Qual a opinião de vocês sobre a infância? Vocês concordam com o que o Park acha?

Por que é tão difícil o Kyung falar sobre a relação dele com o JongIn para os seus amigos? O que ele quis dizer com "tudo é novo demais" ?

"Eu queria que elas se aproximassem mas eu não queria que elas ficassem por perto, você entende?" Sofro dessa síndrome até hoje, é aquele ditado né, vamo fazer o quê.

Conseguiram entender o quão complexa era a cabecinha do Chan? Ele era só uma criança e já pensava em tantas coisas… Eoen, não acho que é só o JongIn que tem uma anomalia não, hem…..OPS IGNOREM ISSO!


"Esse cara só pode ser louco, mas que louco gostoso, pqp" KyungSoo, nós te entendemos. Obrigado por representar o Fandom.

O Chan sempre usando o passado pra falar do JongIn dói tanto, parece que ele estava falando de algo tão distante, de algo… morto. Não acham?

6 que o Chan quer falar com o Kyung sobre o caso HunHan? O que ele está aprontando?

Iai? Esperavam por toda essa controvérsia? Bateu com a teoria de vocês?

A segunda parte desse capítulo, como foi explicado nas notas iniciais, será postado em breve. Aguarde por mais interações!!!

Ps: Críticas construtivas são sempre bem vindas.

OBRIGADA PELO APOIO E PELA PACIÊNCIA! FIGHTING!


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