História Operação cupido - Capítulo 22


Escrita por: ~

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Categorias Saint Seiya
Personagens Hyoga de Cisne, Shun de Andrômeda
Tags Operação Cupido, Romance, Saint Seiya, Shun
Exibições 60
Palavras 3.672
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Lemon, Luta, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 22 - Quem pode me impedir de amar você?


Fanfic / Fanfiction Operação cupido - Capítulo 22 - Quem pode me impedir de amar você?

Shun abriu a porta traseira do carro e colocou a ‘Andy’ na cadeirinha. Agora Andrômeda recebeu um novo apelido. Shun passou chamar carinhosamente Andrômeda de Andy. Entrou no banco do passageiro da frente. Olhou para o marido que mexia no celular.

-Hyoga, você esqueceu a bolsa dela.

-Está no porta-malas.

-Ah, ótimo. Então vamos.

-Põe o cinto.

Shun olha para a bebê brincando e falando papai Hyoga; papai Shun.

O loiro ficou todo derretido.

-A primeira palavra que ela disse quando aprendeu a falar foi papai Hyoga.

-Nem me lembra disso, eu fiquei tão chateado.

-Ora, meu amor, os bebês são assim.

-Ela devia ter dito papai Shun, sou eu quem está sempre presente, sou eu quem dá banho nela, sou eu quem troca a frauda, sou eu quem dá mama, sou eu que coloca ela pra dormir...

-Eu também faço isso.

-Faz agora que está em casa e com tempo.

Hyoga sorriu de canto, olhou para o retrovisor para ver sua bebê. Linda com aquele macacão verde-rosa. Era o preferido de Shun. E tinha mandado bordar o apelido dela na camiseta: ‘Andy’.

-Chegamos!

-Não deu nem cinco minutos. É tão perto que dava para virmos a pé.

-É verdade. Mas, melhor não arriscar, não é?

-Pois é. Vivendo como um prisioneiro.

-Um dia tudo isso vai passar. (diz o loiro e sorri para Shun)

Hyoga estaciona o carro na garagem coberta. Ele desce primeiro e pega Andy. Shun pega a bolsa no porta-malas. Eles caminham em direção a entrada da mansão e dá de cara com Ikki, sentado na varanda, fazendo companhia a Seiya, enquanto jogavam conversa fora. Ikki se levanta e a primeira coisa que faz é pegar a sobrinha no colo. Cumprimenta o cunhado e o irmão caçula. Ikki era um tio babão com Andrômeda.

-Shun, eu estava aqui falando pro seu irmão sobre o almoço de hoje.

-Foi ótimo! Dá próxima vez vê se aparece, Ikki.

-Eu estava ocupado, irmão. Coisas importantes.

-Sei... Bem, depois nos falamos. Hyoga e eu temos um assunto a tratar com Saori.

Hyoga enlaça a mão de Shun como um casal, mas antes de entrarem, Ikki se pronuncia.

-Ei, Hyoga. Depois, se tiver um minutinho... queria falar contigo.

-Pode ser.

Hyoga e Shun entraram e foram recebidos pelo mordomo Tatsume. Ele guiou os dois até o escritório da senhorita Saori, que estava esperando por eles. Shun cochicha no ouvido de Hyoga.

-Por que ele estão tão formal com a gente? Sabemos o caminho do escritório da Saori...

-Ele é pago pra puxar o saco dos hóspedes. (disse Hyoga e riu baixinho junto com Shun).

O mais velho deu dois toques na porta e entrou.

-Olá, Saori!

-Shun... Hyoga... Estava a espera de vocês. Por favor, sentem-se.

Shun se sentou primeiro e Hyoga sentou na poltrona ao seu lado. Havia duas poltronas de frente para a mesa de Saori.

-Desculpe o atraso, Saori... Andrômeda vomitou e eu tive que trocar a roupa dela em cima da hora.

-Você a trouxe? Onde ela está?

-Com meu irmão e Seiya andando pelo jardim.

-Que bom. Depois eu quero vê-la. Ela deve estar grande. Faz algumas semanas que não os vejo (Saori se refere a Shun e Andrômeda). Como está de saúde, Shun?

-Estou bem melhor. Hyoga tem pegado no meu pé com relação ao cardápio que a nutricionista e a médica receitaram.

-E com a chegada de Andrômeda você também adquiriu força e energia. Afinal, ela é a reencarnação da constelação que lhe protege. E ela veio para esse propósito. E quanto a você, Hyoga?

-Eu? Bem... está tudo tranquilo. Agora que tenho uma família pra cuidar, eu me sinto mais responsável. (disse e olhou para o mais novo que lhe sorriu)

-Você sempre foi um homem responsável. (disse a senhorita). Eu só tenho que me orgulhar dos meus cavaleiros. Mas agora, quero saber o interesse desta reunião. Algum motivo em especial para esta reunião? (Saori cruzou as mãos embaixo do queixo, e os cotovelos apoiados na mesa).

Shun olhou para Hyoga. Este se tocou e se levantou.

-Eu vou deixar vocês conversando e vou ver o que Ikki e Seiya estão aprontando com a sapeca da Andy.

-Quem é Andy?

-É Andrômeda. (responde Shun).

Hyoga sai e deixa Saori e Shun a sós.

-Algum motivo de Hyoga não participar dessa conversa Shun? Eu estranhei porque ele saiu de repente.

-Há sim, Saori. Na verdade foi eu que pedi isso. É que... Hyoga e eu... nós... estamos com problema. E é sobre isso que quero conversar com você... a sós.

-Então me diga para poder ajudá-los.

-Então... eu pensei muito em ter essa conversa com você, Saori... porque não sei a quem mais recorrer. Não posso consultar o meu irmão porque falar com ele sobre a minha intimidade é a morte pra ele. Acontece que... Hyoga e eu... bom, você sabe, né Saori... todo casal tem sua vida íntima...  é normal isso.

Shun pausou. Ora ele olhava para o chão, ora encarava a deusa.

-O que eu quero dizer é que... Hyoga e eu... não temos uma relação íntima... uma vida sexual ativa.

Por fim, Shun revelou o mistério que até então Saori tentava compreender. O sorriso da mulher foi singelo, escondendo é claro o sentimento de surpresa para não constranger Shun ainda mais por ter de revelar esse problema a ela.

-Shun, eu posso perguntar há quanto tempo vocês tem adiado uma relação íntima?

-Na verdade... Hyoga e eu... nunca ficamos juntos. Nem mesmo antes de casar.

Desta vez Saori não conseguiu esconder sua surpresa e isso deixou Shun um pouco constrangido. Para aliviar sua tensão, ele pegou as mãos de Shun entre as suas com carinho e olhou para ele, dando-lhe um sorriso manso, que o fez se acalmar e se sentir mais à vontade. O poder de Atena era indescritível.

-Se você não se importa... eu gostaria de saber o real motivo disso. Por acaso Hyoga lhe fez algum mal ou tentou algum mal contra você?

-Nunca! Imagina...

-Você sente medo do contato físico?

-Não exatamente.

-Como assim?

-Saori... eu não sei bem explicar... eu sinto que... toda vez que ele me toca de forma íntima, é como se uma energia tomasse meu corpo e impedisse que ele se aproximasse.

A mulher ficou pensativa e seu rosto passou de sereno para compenetrado.

-Conte-me mais, por favor.

-Temos tentado várias e várias vezes. Já até brigamos por esse motivo. O Hyoga não entende, e eu não consigo explicar a ele. Se eu disser que, já senti repulsa quando ele tenta me tocar, tenho até medo da sua reação. É como se eu comesse uma comida que eu gosto e do nada eu me sinto enjoado e coloco pra fora. Pode isso acontecer? Você rejeitar alguém que você sabe que ama, se sente atraído por essa pessoa, e do nada, sente repulsa sexual?

Saori ouviu o depoimento de Shun enquanto analisava preocupada a situação. Desconfiou o que poderia ser e acumulou respostas para aquele problema. Levantou várias hipóteses, porém, a mais importante e que dava sentido, ou melhor, fazia sentido, era a resposta que ela não queria dar. Porém, se não dissesse não poderia ajudar Shun e Hyoga. O relacionamento deles era algo de se admirar. Saori mesmo já pensou quão forte é o amor que um nutre pelo outro e como isso poderia prejudicá-los de tal forma, que poderia acabar o que mal começaram.

Hyoga não poderia abandonar Shun neste exato momento nem por esse motivo, nem por qualquer outro. A segurança de Shun depende de todas nossas ações, inclusive a de Hyoga e Andrômeda.

-Shun... você entende que eu o desliguei da função de cavaleiro para colocá-lo em reservado, para podermos nos preparar melhor contra Hades, certo?

-Sim, quanto a isso não tenho dúvidas.

-Você compreende a sua situação?

-Sim. Embora no início eu senti dificuldade de me adaptar e me sentia muito sozinho e inútil. Mas agora não. Agora eu tenho Andrômeda que é o sonho que eu nunca pensei que poderia realizar. Ter uma filha. E tenho Hyoga, é claro. Melhor ainda é quando ele está presente, junto comigo e com a Andy.

-Então... tente compreender o seguinte. Você é o hospedeiro que Hades escolheu para si. Ele tem poder de fazer isso, e quando o fizer, teremos de estar preparado para enfrentá-lo. Mas até lá, ele o fareja, ele o guia como um guardião, assim como nós.

-O que quer dizer com fareja, Saori?

-Você não pode se esconder de Hades, Shun. Ele é um deus, do mal, mas é um deus. Ele saberá te encontrar onde você estiver.

Shun ficou apreensivo.

-Então por que estou vivendo às escondidas? Por que deixei de ser um cavaleiro? Por que você me desligou das minhas funções?

-Você compreende que Hades não veio para matá-lo, e sim, tomar seu corpo e sua alma? O que não deixa de ser a morte da sua alma, já que, ele pretendo tomar posse da sua alma e isso seria uma prisão eterna. Ser dominado por um ser maligno eternamente é o mesmo que experimentar a morte.

-Eu compreendo perfeitamente.

-Mas há quem queira vê-lo morto antes disso acontecer.

Shun ficou boquiaberto e Saori continuou.

-É uma forma de garantir o impedimento da entrada de Hades entre os vivos.

-Então Hades é meu guardião?

-Sim. Ele também o protege porque ele tem interesse no seu corpo e na sua alma. Eu pensei que você já havia entendido essa parte da história.

-Sim. É que é difícil assimilar e aceitar isso...

Saori se levantou e sentou ao lado de Shun.

-Shun você é diferente. Como Atena, eu posso dizer isso, eu reconheço, afirmo e declaro com os olhos de Atena que você é diferente de todos os demais cavaleiros. Diferente dos seus amigos, seu irmão, seu marido... diferente de qualquer cavaleiro ou amazona. Você compreende que seu destino foi traçado para ser um deus e não um ser humano. Você tinha uma missão que foi interrompida quando Hades e Eros se enfrentaram. E sabe o que é mais poderoso para um deus como Eros ou um deus como Hades?

-O quê?

-Uma alma pura, de coração puro e um corpo não violado. Ou seja, um corpo virgem.

Shun ficou atônito.

-Com certeza a energia cósmica de  Hades impede-o de você ter relações sexuais com qualquer humano, seja homem, seja mulher. Hades precisa de você puro e virgem, Shun. Eu tenho quase certeza de que essa é a resposta para o problema incógnito que você tem vivido todo esse tempo.

-Até isso ele é capaz de interferir. Na minha vida sexual.

-Uma alma pura, virgem, não corrompida pelo pecado, pelos erros humanos, de tamanha gravidade, nem mesmo corrompida pelo amor entre humanos... é isso que Hades tem procurado na Terra. Ele sabia que você seria a reencarnação de Eros, o deus do amor. Ele precisava de alguém assim como você. Não interessa a ele alguém de físico forte e avantajado. Alguém bravo e guerreiro. O poder que vem de dentro é muito mais poderoso. Se você se corromper ou manter relações sexuais com algum ser humano, Hades perderá a força sobre você e ele terá dificuldades em se manifestar como ele quer. 

-Quer dizer que eu tenho uma chance de ouro? Se eu tiver relações sexuais com algum ser humano, no caso, com o meu marido, Hyoga... quer dizer que eu posso desestabilizar a intervenção de Hades sobre mim?

-Cuidado. Isso não quer dizer que ele perderá a força de um deus para reencarnar em você. Porém, há o perigo maior se isso acontecer. Você pode provocar a fúria de Hades se perder aquilo que você preserva e que ele almeja em você: a pureza do seu coração, da sua alma intacta, e de seu corpo intacto. Se você perder um destes três, ou os três de uma vez, você levantará a fúria de Hades sobre você e todos os seus aliados, que somos nós.

-Miserável... Ele quer tomar para si o meu corpo e minha alma para satisfazer todas as suas maldades. E se eu me manter intacto do jeito que estou serei a fortaleza de Hades que triunfará quando ele... Parece que não tenho escolha. Não seria melhor para todos que eu sumisse de uma vez? Eu teria que morrer para salvar a Terra desse monstro.

A mulher ficou surpresa e quase que indignada. Shun se referia à sua morte.

-Não diga isso nunca mais, Shun. 

-Mas Saori... não há escolha para mim. Eu poderia evitar a vinda de Hades, é a única coisa que posso fazer.

-Por um tempo sim, Shun. Hades foi liberto da caixa de Pandora. Ele não vagará por muito tempo sem um corpo humano. Sem você, ele faria de outro sua próxima vítima. Ele poderia fazer isso com qualquer pessoa. Ele poderia fazer isso com Andrômeda, se esta herdar a pureza de alma e coração.

-Não! Ele jamais chegará perto da minha filha! Eu morreria quantas vezes preciso for para protegê-la! Ninguém nunca fará mal a ela enquanto eu estiver vivo.

-Foi só uma suposição, fique calmo.

-Só de pensar nisso eu já começo a ficar desesperado. Andrômeda é como parte do meu coração, Saori. Ela é parte de mim. É como se ela saísse de dentro de mim. Ela é mais do que uma filha biológica. Ela está ligada por minha constelação.

-Exatamente. Mas não se preocupe, eu fiz apenas uma comparação. Quero dizer que, se você pensar na morte, por motivo de querer impedir a vinda de Hades, você apenas irá interromper a sua vinda por um tempo que não podemos determinar por quanto tempo seria. Assim que Hades se incorporar, ele irá se manifestar e teremos que travar uma luta para enviá-lo de volta para o inferno, aprisionando na caixa que Atena o colocou 100 anos atrás.

-Saori... só por curiosidade... quem são aqueles que querem a minha morte?

Saori ficou pensativa. Não queria tecer isso com Shun.

-Vamos fazer o seguinte. Eu vou deixar essa responsabilidade para Hyoga. Ele vai contar a você o que ele sabe.

-Quer dizer que, meu marido sabe sobre isso?

-Todos nós sabemos, exceto você.

-Por que esconderam isso de mim?

-Porque não havia necessidade de informar-lhe sobre isso. Mas se você insiste em saber, pergunte a Hyoga, eu o autorizo a revelar quem são aqueles que estão a perseguir você para impedir a vinda de Hades. Talvez seja a hora certa de você saber algumas informações importantes.

-Saori... E agora? Sobre mim e Hyoga... como podemos...

-Bem, agora que sabemos que Hades, provavelmente, manifesta sobre você e sua vida íntima... agora cabe a você e Hyoga decidirem por si só. De qualquer forma Shun, não há solução para evitar que você seja reencarnado. Eu gostaria que não fosse assim. E como Atena, não permitirei que aqueles que o querem morto consigam realizar seus planos. O melhor que podemos fazer é lutar e nos unir. Eu creio que, com sabedoria e amor, você fará o melhor para si e para sua família. Sua escolha será baseada de acordo como o seu coração o guiar.

Shun sorriu, um pouco entristecido. Agora sabia o motivo sobre isso. Só não sabia que solução ele optaria. Saiu com Saori à procura dos outros, e os encontraram no jardim, próximo da piscina. Shun se aproximou de Hyoga e escondeu o rosto abatido na curva de seu pescoço.

O loiro olhou para Saori sem entender.

-Hyoga, me tira daqui, me leva pra qualquer lugar, mas me tira daqui.

O loiro ficou sem entender, pegou a mão de Shun e o levou para andar pelo jardim.

-Eu não quero ficar aqui, eu quero sair daqui, me leva pra andar na praia, eu quero ver o mar.

-Shun, mas o que aconteceu lá dentro...

-Eu preciso ver o mar, Hyoga, me leva logo.

Ele percebeu que o esposo estava nervoso e ansioso por respirar outro ar. Será que a conversa dele com Saori não teve progresso? Será que foi má ideia trazer Shun para conversar com Saori? Não sabia o que pensar, afinal, só o que pode ver era seu esposo muito abatido.

-Hyoga!

-Tá, tudo bem. Espera no carro, eu vou pegar Andrômeda e...

-Não, deixa ela aqui com meu irmão e os outros. Eles estão felizes com ela. Agora o que eu preciso é ver o mar, me leva depressa.

Hyoga foi avisar os outros que iria com Shun até a praia e depois voltaria à noite para pegar Andrômeda. Ikki olhou para Hyoga e nem teve tempo de dizer a ele como ficaria a conversa que teriam. Hyoga entrou no carro e partiu com Shun.

Meia hora depois...

Hyoga observava Shun de longe, sentado na areia, com os pés sujos de areia, os sapatos ao seu lado e abraçado aos joelhos. Ele chorou por quase uma hora. Aquele choro silencioso que doía até a alma. Hyoga não o viu chorar, mas sentiu. Queria estar junto dele, mas Shun pediu um momento a sós.

O loiro olhou para o relógio. Já era quase noite. O lindo pôr do sol, melancólico como o rosto de Shun, sumia no horizonte. Hyoga andava pela areia, com a barra da calça levantada, segurando os sapatos com uma mão e a outra mão no bolso esquerdo de sua calça.

Shun viu de longe o amado indo e vindo, pra lá e pra cá, esperando por ele. Shun calçou o mocassim de couro, cor bege. Ele gostava de usar sapatilhas e mocassim, que eram confortáveis. Correu alguns metros até alcançar Hyoga, este que dava passos lentos, deixando a espuma do mar banhar seus pés, enquanto ele apreciava os últimos minutos do pôr do sol.

-Hyoga...

-Oi, meu amor. (disse o mais velho que se virou e recebeu o abraço do esposo). Tudo bem?

-Hyoga... me leva para aquela cabana? Aquela onde você me levou uma vez, lembra-se?

-Claro que eu lembro. Sobe em mim. (o loiro flexionou os joelhos e Shun subiu em suas costas)

Hyoga caminhava com Shun nas costas até a cabana. Os dois se mantinham calados sem dizer uma só palavra. Shun abraçado ao pescoço de Hyoga, segurando os sapatos dele. Seu rosto colado ao dele e o perfume do seu marido acalmava suas angústias. De olhos fechados ele deixou ser guiado por Hyoga até a cabana.  Era um pouco longe considerando se for a pé. E foram mesmo assim, Shun queria muito ir e Hyoga satisfez a sua vontade.

Ao chegar na porta de entrada ele se flexiona os joelhos e Shun desce de suas costas. Ele abre a porta e entra com o esposo. Shun procura por aquela caixa de fósforos e acende a lareira. Hyoga ficou de pé, observando ele. Estava diferente. Com a cabeça longe dali. Pensativo.

Ele se sentou perto da lareira e estendeu a mão para que Hyoga se sentasse com ele. O loiro então sentou-se com as costas sobre a parede de pedra e trouxe Shun para aninhar-se em seu colo. Shun deitou a cabeça no peito dele. Eles ficaram assim por um tempo. Hyoga sentiu a tristeza e a angústia no coração de Shun, em sua alma. Lágrimas se formaram em seus olhos, mas ele não se permitiu chorar. Por Shun. Ele tinha que ser forte por ele. Principalmente neste momento em que Shun se encontrava com a alma profundamente abatida. Não era a primeira vez que o via assim e sentia isso. Desde que foram revelada a eles grandes revelações, a vida de seu pequeno Shun não tem sido fácil. Mudanças na sua vida não tem sido fácil. Mas ainda sim, ele ainda acreditava que, apesar de tudo, poderiam ser felizes e driblar essas  situações.

Hyoga dava tudo para trocar de lugar com seu amado. Até a vida se for preciso, e não hesitaria em pensar duas vezes. Por ele, e agora, por Andrômeda, ele se sacrificará ainda mais para vê-los seguros e felizes. 

 Ousou não dizer nada. Aquele silêncio se revelava. Apenas apertou aquele abraço caloroso, amoroso e protetor. O silêncio foi mantido por minutos até que Shun interrompeu com sua voz, baixa e suave.

-O passado não importa. Tudo o que importa é só o agora.

Hyoga olhou pra baixo para encarar o rosto do menor.

-Posso te fazer uma pergunta? (disse Shun, enquanto Hyoga admirava aqueles olhos grandes e inocentes).

-Claro. (respondeu o mais velho).

-Se soubesse que não te resta muito tempo...

-Quer dizer hoje?

-Não... quero dizer... de vida. Se só... te restasse um dia... o que faria?

-Que pergunta estranha.

-Eu só quero saber.

Hyoga pensou...

-Bom, deixa eu ver... Meu último dia na terra. Eu daria a volta ao mundo velejando com você e Andrômeda, e terminaria o dia numa praia paradisíaca. Eu passaria com você. Nós ficaríamos juntos como agora, sem fazer nada.

-Só isso? Mais nada?

Hyoga continuou...

-Proximidade. Uma proximidade intensa. A gente compartilhando coisas e... bobagens... dificuldades... é o que eu sempre quis pra gente. Se conseguirmos ter isso, nada vai poder machucar a gente. Já pensei na loucura em levar você e Andromeda daqui para sempre; para uma ilha onde ninguém jamais poderia nos achar.

Shun sorriu para o amado e para sua ideia absurda. Era romanticamente absurdo.

-Eu toparia porque eu te amo. Eu te amo com todas as minhas forças, Hyoga.

O loiro sorri tocado pelo amor de Shun, se aproxima de seus lábios para beijá-lo. Shun fecha os olhos e Hyoga, bem próximo dos seus lábios, sussurra baixinho.  

-Eu... te... amo... meu garoto.

Eles se beijaram profundamente enquanto permaneceram abraçados. A lareira aquecia o local. Shun contou a Hyoga toda conversa com Saori. Também quis saber sobre aqueles que queriam vê-lo morto e por isso o motivo de Shun está sendo protegido e reservado por Atena e seus amigos. Hyoga revelou as pretensões do deus Apolo, Durval e Poseidon. Saori teme que, ou eles estão a favor de Hades ou contra Hades. E se estiverem contra Hades, Apolo seria o primeiro a querer eliminar o hospedeiro de Hades, ou seja, Shun. E não mediria esforços para confrontar Atena. 


Notas Finais


A conversa com Saori esclareceu um pouco mais. Agora Shun vai pensar o que fazer diante de nenhuma opção. Hyoga e Shun vão decidir o que é melhor diante das circunstâncias. Utilizei novamente a inspiração e falas do filme 'Antes que termine o dia'. E utilizarei o filme novamente em outros capítulos.


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