História Operação SN: como conquistar o boy em 10 dias. - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Personagens Originais, Suga
Tags Bts, Comedia, Crack!fic, Romance
Visualizações 24
Palavras 4.605
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 5 - Diga não a filmes de terror.


Narrador P.O.V.

- Você tem noção de que pode ser expulsa por causa disso, Hanah? - Suga sussurrou enquanto cruzava os braços e colocava um bico nos lábios – Aquelas garotas são perigosas.

- Perigosas? Elas? - olhou para o amigo com uma expressão interrogativa – Elas parecem ratas assustadas, isso sim. E mais, duvido que esse diretor consiga fazer alguma coisa contra minha mãe. Você sabe como ela é.

Hanah desviou o olhar de Yoongi – ignorando a expressão de bosta do garoto – e voltou a fuzilar o trio à sua frente, pensando em um bom plano para escapar da eminente carnificina que a Sr. Kim iria fazer naquela escola daqui a poucos minutos. Ela se sentia mal por aquelas garotas, mas a ideia de ter sua bunda acertada pelas tacadas certeiras de sua mãe era muito assustadora do que qualquer filme de terror, então a garota logo tratou de formular uma desculpa das boas para a progenitora que cruzava o corredor como um raio.

Kim Minyoung era uma mulher de classe, isso não se pode negar. Ela chamava atenção por onde quer que passasse, fosse por sua aura de elegância, fosse pelas bolsas exorbitantemente caras que ela carregava como só fossem seus bebês. Naquele momento, no entanto, não era os milhões de wons gastos em uma carteira Channel que chamava a atenção para si, mas sim, o bastão de baseball que ela arrastava junto de si enquanto empurrava os estudantes brutalmente.

Ela parou assim que fez contato visual com as três senhoras que se situavam ao lado do diretor e as avaliou com uma expressão impassível, soltando um sorriso sarcástico e logo se virou na direção onde Hanah se encolhia enquanto tentava segurar as lágrimas de desespero.

Ela estava totalmente enrascada.

- Tia …

- Não fale nada, Yoongi. - cortou o loiro com um olhar penetrante e observou a filha juntar as mãos em um gesto de piedade – Meu assunto é com esse projeto de delinquente. O que você fez, Kim?

Naquele momento Hanah sentiu sua alma se esvaindo aos poucos. Sua mãe nunca a chamava de Kim. Eu repito: nunca. Aquele era uma palavra reservada as coisas especiais da vida, como seu pai dando PT em um bar qualquer de Hongdae ou seu irmão quebrando as porcelanas chinesas herdadas de sua vó materna. Contudo, Hanah nunca tinha sentindo o peso daquela palavra caindo sobre si até então.

Por Deus, aquilo era pior que ser xingada de todas as maneiras possíveis.

Ela escondeu a expressão magoada que despontava em sua face e tratou de recompor-se antes que sua bunda fosse atacada pelo bastão, que no momento era batido compassadamente na mão de sua progenitora, e se levantou em um pulo e caminhou até a mulher mesmo sem coragem de a encarar.

- M-Mãe, na verdade o que aconteceu … foi que … eu …

Hanah mordeu a própria língua com toda aquela enrolação e olhou para os lados desesperada. Contudo, tudo que pode observar foi Yoongi a olhar com uma expressão de luto – provavelmente já sabendo como aquilo tudo acabaria – e o trio de senhorinhas aproximando-se cada vez mais. Ela começou a sapatear ali, tentando inutilmente extravasar um pouco da angústia que sentia, até que recebeu um cutucão certeiro no umbigo e se curvou com a dor enquanto amaldiçoava todas as gerações futuras de sua mãe.

Que era ela, mas vamos ignorar isso por enquanto.

- Eu não te criei a base de leite ninho para isso. - falou, cruzando os braços e começou a bater o salto no piso frio – Fale logo, garota.

Hanah arqueou as sobrancelhas com a afronta e se endireitou, colocando as mãos na cintura.

- Aquelas meninas me intimidaram, foi isso. - respondeu em um tom sínico e bufou – Você queria que eu fizesse o que, Omma? Ficasse parada? - perguntou retoricamente e apontou para as garotas – Eu só revidei para fazer jus ao dinheiro gasto no leite ninho!

Hanah terminou exasperada e observou a expressão da mais velha mudar da água para o vinho. Minyoung tirou a carranca raivosa do rosto e jogou o cabelo para o lado, encarando a mulher ruiva que acabara de chegar perto delas.

- Como a senhora acha que está educando sua filha? - a voz arrogante se impôs no meio da conversa - Olha o que ela fez com a minha Jandi. Eu quero que ela tome a responsabilidade sobre isso.

A mulher apontou para a garota loira não muito longe dali enquanto jogava a bolsa no chão com raiva. Ela tinha as orelhas vermelhas devido ao sentimento de irritação e isso só se acentuou ainda mais quando Minyoung olhou com desprezo para a mesma e pegou seu bastão do chão, mantendo a pose de mulher chique.

- Estou educando minha filha muito bem, obrigada. Ao contrário da senhora que educa essa menina para intimidar os colegas. - falou petulante e apontou para o rosto da senhora – Olha o que ela fez com a minha criança. – apontou para a filha que tinha achocolatado seco por todo rosto – Quem quer saber de satisfações aqui sou eu. - bradou irritada e desviou o olhar para Hanah – Filha, fique aqui. Agora eu vou resolver essa bagunça. Vamos!

Foi assim que a Sr. Kim pegou a adversária pelo braço e a arrastou para a coordenação, juntamente do diretor e de quem mais estivesse em seu caminho – que incluíam mais duas senhoras indignadas e secretária que havia parado no meio daquela confusão aleatoriamente – voltando somente para agarrar seu velho companheiro de guerra, Ricardão, antes de piscar para a filha e bater a porta da sala da direção.

- Eu sou fã da sua mãe. - Yoongi falou ao lado de Hanah, fazendo a menina dar um pulo pelo susto – Ela é demais.

- Ela é demais, isso eu não posso negar. É por isso que eu tenho mais medo dela ainda. - respondeu exasperada e arqueou as sobrancelhas com os barulhos suspeitos que começaram a sair da sala mais à frente – Eles vão ficar bem, não é mesmo?

Os dois deram um passo atrás quando o barulho de vidro quebrando-se foi ouvido fortemente no corredor, assustando todos os presentes ali que logo deram o fora, deixando de fora somente a dupla dinâmica. Yoongi soltou uma risada antes de dar algumas batidinhas no ombro da amiga.

- Sua mãe não poderia matar elas, não é mesmo? - perguntou retoricamente enquanto ignorava a careta que Hanah fazia, e pegou o celular – Daebak! - gritou animado.

Yoongi segurou Hanah pela blusa, impedindo que a garota continuasse se arrastando na direção do banheiro e abriu o melhor sorriso, tentando convencer a menina do que viria a seguir. Ele conhecia-a muito bem para saber que ela surtaria com a sugestão seguinte, portanto logo começou a massagear os ombros da menor enquanto os dois caminhavam na direção da sala de aula.

Ele sentou a garota no seu lugar antes de começar a fazer círculos repetitivos em lugares estratégicos de sua cabeça, tentando, em vão, acalmar a amiga.

- Sabe, S/N. - falou com a voz mansa e deu batidinhas nos ombros da amiga – O Hoseok me convidou para ir ao cinema essa noite. - deu uma pausa dramática assim que Hanah abriu os olhos abruptamente e o olhou animada – E você vai ir junto.

- O quê? - perguntou assustada e puxou o amigo para sentar-se a seu lado, preparando para o interrogatório – Por que eu faria isso?

Ela estava farejando mais um dos planos de Min Yoongi. Aliás, mais um dos planos mal intencionados de Min Yoongi.

- Porque isso não é bem um encontro. - falou com os braços cruzados – Ele chamou uma galera para ir e aparentemente o idiota também vai. O que significa que eu não vou conseguir me aproximar dele nenhum segundo, é aí que você entra: você tem que afastar ele do Hobi pelos cento e vinte minutos do filme.

Yoongi olhou suplicante para Hanah enquanto exibia seu melhor aegyo. Ele sabia que a garota tinha um fraco por coisas fofas, assim, inflou as bochechas e piscou freneticamente enquanto fazia gestos graciosos com as mãos, tentando convencer a menor. Dessa forma, não foram precisos mais que cinco segundos para Hanah segurar o grito irritado e apertar as mãos bem forte contra o rosto.

Ele tinha ganho.

- O que é que eu ganho com isso? - perguntou irritada e afastou o garoto com a mão direita.

Hanah odiava Min Yoongi. Odiava quando ele usava aquele golpe baixo contra si e a fazia entrar nas maiores enrascadas. Odiava, acima de tudo, continuar caindo na lábia do loiro depois de tanto tempo. Ela não aprendia nem mesmo tomando no rabo muitas vezes, mesmo.

- Simples: dois hambúrgueres, eu repito, dois hambúrgueres do McDonalds e um milk shake gigante. - falou enquanto mostrava o tamanho do copo com as mãos – O que me diz? Negócio fechado? - concluiu enquanto sorria afetadamente.

Mais fácil que roubar doce de criança.

Hanah acenou positivamente enquanto sorria animadamente e apertaram as mãos, selando o acordo. Suga não tardou a pegar o folheto do cinema e colocar na mãos da garota e se levantar rapidamente, preparando-se para correr para longe.

- Ótimo, nos vemos as sete no cinema. - conclui, sorrindo falsamente – Eu tenho que buscar meu perfume de feromônios para seduzir o boy e … ah – fez uma pausa cautelosa, tentando prever a reação da menor - o nosso filme é o segundo da lista. - ele gritou e saiu correndo na direção da porta.

Suga acenou animadamente para Hanah e desapareceu do campo de visão da garota poucos segundos antes de ser atingido por uma bolinha de papel que voava apenas utilizando a força da raiva. Ela soltou um grito de desespero assim que identificou o título em questão: Atividade Paranormal IV.

Se tinha uma coisa que deixava ela muito puta e muito assustada nessa vida, essa coisa, com toda certeza, eram filmes de terror. Aquelas produções meia-boca que sempre tinham plots previsíveis e efeitos especiais toscos, mas que assombravam a garota do mesmo jeito. Hanah tinha raiva de si por chorar como um bebê ranhento todas as vezes que aquelas atrocidades passavam pela tela, assim como tinha vergonha de agarrar-se a seu ursinho de pelúcia, o Aipinzinho, para conseguir, ao menos, dormir pelas duas semanas seguintes.

Contudo, aquele sentimento de raiva não era nada se comparado com o ódio que sentia por Suga naquele momento: ela poderia arrancar as tripas do loiro com as próprias mãos.

Se ele achava que ela iria entrar naquela fria, ele estava redondamente enganado.

Ela iria fugir desse filme, como o diabo fugia da cruz.

 

[…]

 

Hanah quase deu um berro de alegria quando avistou o gramado verdinho do campo esportivo da escola. Ela já sentia suas forças voltando para si ao ver seus colegas correndo na direção contrária a qual ela estava, a fim de conseguirem os melhores coletes para o jogo de futebol que começaria dali alguns minutos. Contudo, não era como se ela pudesse entrar no meio deles e dar as cotovelas certeiras na cara de seus colegas, como sempre fizera em sua escola para conseguir o melhor uniforme, afinal tinha que manter a pose de garota gótica e antissocial.

Assim, apenas soltou um suspiro irritado e caminhou a passos lentos na direção da arquibancada enquanto pensava em uma boa maneira de se vingar de Yoongi. Aqueles pensamente, entretanto, não duraram muitos segundos já que logo a cabeleira alaranjada entrou na visão da menina e ela abriu o sorriso maléfico enquanto se esgueirava sorrateiramente por entre as cadeiras a fim de dar um susto em Taehyun.

- Boo! - gritou na orelha do mais novo e começou a rir logo em seguida.

O Kim deu um pulo na cadeira e derrubou o celular no chão enquanto olhava para os lados assustado. Hanah não tardou em soltar uma gargalhada enquanto recebia um dedo do meio do ruivo e se sentou ao lado do mesmo, bisbilhotando o que ele tanto encarava na tela do celular.

- Mas que safado. - exclamou rindo enquanto espiava no ombro do menino - Você não tem vergonha de olhar pornô as duas da tarde, não Taehyun?

O ruivo bloqueou a tela rapidamente e olhou para a menina com um sorriso sacana.

- Falou a garota que estava sarrando a máquina de refrigerante. - respondeu cinicamente e passou as mãos pelo cabelo – Além do mais isso é completamente saudável, segundo meu psicólogo. Ele disse que adolescentes precisam aliviar o estresse.

O garoto deu de ombros, desviando o olhar para o campo - claramente secando as garotas que se alongavam mais a frente - e se ajeitou mais na cadeira. Hanah o acompanhou enquanto negava com a cabeça e cruzava os braços, fechando os olhos a fim de aproveitar o sol que tinha por ali.

Ela queria conseguir um bronze cenourinha para atrair algum brasileiro nas festinhas que ia, afinal nunca se sabe, não é mesmo?

Vai que um BR ficasse encantado com sua bunda magrela e seu sotaque carioca fajuto.

- Você devia trocar de médico, amigo. Esse deve ser tão estranho quanto você. - respondeu com os olhos fechados e riu junto do mais novo – Você não vai lá? - apontou para o compo onde o professor gritava ordens para todos.

Taehyun soltou um urro de nojo e negou com a cabeça.

- Eu sou muito sedentário para essas coisas. - respondeu sem vontade alguma e desbloqueou a tela do celular – Afina, quando que você vai me ensinar aquela sarrada no ar?

Hanah olhou para o garoto com um ponto de interrogação na testa até que se lembrou da promessa de ensinar seus movimentos seduzentes ao mais novo. Ela bateu na própria testa e passou as mãos pelos ombros do amigo enquanto apontava para o céu azul daquela tarde de primavera.

- Escute seu mestre, pequeno gafanhoto. - falou orgulhosa e apertou o garoto – A arte da sarrada no ar não é uma coisa que possa ser ensinada do dia para a noite. Ela tem que ser desenvolvida sem pressa e com muito treino. Por isso, tenha paciência. - completou rindo.

Taehyun olhou para a garota irritado e a empurrou para longe enquanto cruzava os braços, contrariado. Ele a olhou com desprezo e fechou a cara com a atitude muito madura que Hanah fazia no momento – de dar a língua para ele enquanto balançava as mãos na altura das orelhas – e arqueou as sobrancelhas.

- Por que eu tenho a impressão que estou sendo ludibriado? - perguntou sério e coçou a orelha.

Hanah riu mais ainda dos gestos do amigo e colocou as mãos na cintura, pronta para começar o drama.

- Como pode pensar uma coisa dessas de minha pessoa? - perguntou ofendia e secou uma lágrima invisível – Eu ia apenas começar com algo mais fácil, tipo cerol na mão.

- Que diabos é isso? - perguntou curioso e levou as mãos até o queixo – É de comer?

A garota desviou o olhar da careta escrota que o menino fazia e começou a mexer na mochila, tentando encontrar o bendito celular que estava perdido naquela bagunça toda. Ela demorou alguns segundos, lê-se minutos, para finalmente encontrar o bendito e dar um beijo no objeto, feliz.

- É a velocidade um da dança do créu, pequeno gafanhoto. - respondeu vitoriosa e começou a mexer no aparelho.

Ou tentou, afinal sua habilidade com eletrônicos deu as caras novamente e ela apenas começou mais uma batalha com o Transformer enquanto tentava abrir o aplicativo de músicas do aparelho. Daquela vez que estava a beira de um ataque cardíaco de tanto rir era Taehyun. Ele estava praticamente jogado no chão e segurava sua barriga que doía de tanto rir quando Hanah soltou sua última ameaça na direção do aparelho e jogou ele na direção do garoto enquanto bufava audivelmente.

- Eu desisto. - falou autoritariamente e apontou para o amigo – Ache a música pra nois, pai. - arremedou os moleques piranha que via nos vídeos de funk e se sentou ao lado do garoto.

- Que música você quer, pai? - perguntou fazendo uma pose “dos manos” e desbloqueou o celular.

- Chefe é chefe né pai. - respondeu animada e deu um pulo da cadeira.

Poucos segundos depois a batida bolada do funk começou a tocar e Hanah deu um pulo do assento e puxou Taehyun consigo. Ela colocou as mãos nos joelhos enquanto indicava para o garoto fazer o mesmo e logo eles começaram a remexer os quadris. Contudo, foi somente quando o refrão chegou que a garota chegou ao nível máximo de animação e deu um tapa nos braços do amigo e endireitou a coluna dele, mostrando-o os movimentos chaves daquela música.

Os braços de Taehyun balançaram de um lado para o outro enquanto suas mãos estavam fechadas em sinal de “suave”, assim como os quadris faziam movimentos para frente dignos de qualquer mc carioca.

Naquele momento Hanah parou sua sarrada aleatória para observar sua criação com lágrimas nos olhos. Aquele ruivo era o sarrador mais promissor que ela vira na vida; com apenas algumas instruções ele já alcançara um nível que Yoongi jamais sonharia almejar. Ela bateu palmas como uma mãe orgulhosa e deu alguns pulinhos quando ele fez a pose final e a olhou, animado.

- Como eu fui? - perguntou curioso.

- Você foi maravilhosamente bem, Taehyun-ah. - falou, ainda aplaudindo o garoto – Parece até minha cria.

-Sua cria? - ele perguntou com uma careta – Deus me livre!

Ele caiu na risada e levou alguns tapas enfurecidos da mais velha antes de sentarem-se novamente e voltarem a olhar para o nada com uma expressão de puro tédio.

- Ai, como eu queria um xis agora. - falou aleatoriamente e desviou o olhar para o garoto – Pense em toda aquela maionese caseira escorrendo pelos lábios enquanto você mastiga as batatas fritas crocantes.

- Xis? - olhou para a menina interessado – O que é isso?

Taehyun se virou totalmente na direção de Hanah e observou ela morder o xis invisível e soltar um suspiro derrotado logo depois. Ela olhou-o com uma careta descrente e voltou a mexer na mochila até que encontrou um folheto e o colocou no colo do garoto.

- Isso é xis. - respondeu enquanto apontava para o sanduíche gigante na folha – É o manjar dos deuses, Tae. - sorriu.

O garoto olhou aquela folha com um sorriso quase psicopata. Aquele sanduíche parecia muito promissor para ele naquele momento.

- Nós precisamos comer isso, Hanah. - fitou a garota com os olhos brilhando.

Taehyun beijou o folheto, arrancando uma pequena risada da Kim que assentiu, animada, e roubou a folha novamente, alegando que era seu retrato da felicidade. A garota colocou a mão na barriga, acariciando-a como uma grávida enquanto pensava na felicidade em forma de comida que colocaria para dentro dali algumas horas. Foi só então que se deu conta de um detalhe muito importante: ela estava mais lisa que os pneus do carro de sua mãe.

Ela tapou a boca, contendo o grito da pantera coreana, e olhou para Taehyun com uma expressão pidona.

- Acho que não vamos comer nada, Taehyun. - falou com a voz crescente, assim como seu desespero, e agarrou os ombros do garoto – Eu não tenho um tostão no bolso.

Ela colocou as mãos nos bolsos dos shorts que vestia, constatando que estavam tão furados quando a peça a qual pertenciam, e soltou um sorriso amarelo na direção do garoto.

- Sabe …

- Não pense nisso, Kim. - a voz irritada foi ouvida a poucos metros de distância e Hanah deu um salto para longe do ruivo com os olhos esbugalhados.

O que sua mãe estava fazendo ali?

A Sr. Kim andou até eles a passos rápidos e, antes mesmo que Hanah pudesse tomar alguma atitude para se defender da progenitora, recebeu uma carteirada na cabeça e se encolheu enquanto reclamava de dor. Ela fuzilou a mulher com o olhar e foi prontamente ignorada pela mais velha que no momento cumprimentava Taehyun com um sorriso cheio de segundas intenções.

Hanah soltou um suspiro irritado e cruzou os braços, já sabendo o que viria a seguir.

- O que você está fazendo aqui, Omma? - perguntou irritada e arrastou a mulher para longe do mais novo – Larga o coitado!

- Isso é jeito de falar comigo, cria do demônio? - perguntou irritada e deu um cascudo na filha – Eu vim evitar que você assediasse seu amigo como você faz com o Yoongi.

- Eu nem ia fazer nada demais. - respondeu bufando e olhou para Taehyun – Não liga pra ela. Minha mãe é pirada. - sussurrou no ouvido do outro que riu.

Minyoung levantou o olhar da carteira na qual mexia e arqueou a sobrancelha direita antes de jogar o cartão de crédito na direção de Hanah. A garota fez um movimento rápido para conseguir agarrar o objeto e quase quebrou as costas no processo, mas ignorou a dor na lombar e observou sua mãe fechar a carteira que carregava e colocar sua costumeira expressão de “mama poderosa”.

- Você fez bem hoje. - falou sorrindo e deu alguns tapinhas no ombro da filha – Por isso pode comprar o que quiser comer. Aproveite e leve seu amiguinho. - sorriu para o ruivo – Ele está parecendo meio desnutrido.

- Hey! Eu não estou desnutrido. - protestou com uma careta indignada e ganhou um cutucão nas costelas – Ai!

- Fica calado, Taehyun! - sussurrou irritada e voltou o olhar para Minyoung – Você mesmo que falou. Eu vou comer o que eu quiser hoje, Omma! Não tem como voltar atrás. - gritou animada e escondeu o cartão no meio do sutiã.

- Só não passe mal como da última vez. - falou rindo e acariciou o cabelo da filha – Eu não vou buscar ninguém no hospital, estamos entendidas?

- Sim, capitão. - respondeu, batendo continência e riu.

- Ótimo. - se afastou alguns centímetros para olhar a dupla de adolescentes – Aproveite e vá dormir na casa do Yoongi, Hanah.

A felicidade da garota morreu na hora. O sorriso que sua mãe exibia era o prelúdio do que viria naquela noite e ela sentiu a bile toda subindo a garganta com esse pensamente. Ela deu um pulo para longe da mulher, escondendo-se atrás de Taehyun, e a olhou acusadoramente.

- Que nojo mãe. - falou irritada e apontou para o rosto da progenitora – Eu não quero saber mais nada, só vai.

- Se divirtam, crianças. - gritou animada e deu de costas.

Foi assim que Minyoung foi embora e deixou Hanah com uma cara de desgosto enquanto era obrigada a ouvir Taehyun rindo como uma cabra asmática. Ela balançou a cabeça, tentando se livrar daquelas cenas traumatizantes que passavam por sua cabeça e retirou o cartão do meio dos peitos com um sorriso alegre.

Era hoje que ela iria encher a pança.

- Vamos, Taehyun! - gritou enquanto cutucava o garoto com a perna – Vamos comer xis. Hoje é por minha conta. - sorriu animadamente enquanto balançava o cartão black de sua mãe.

- Opa! - gritou animado – Agora sim estamos nos entendendo.

O Kim se levantou imediatamente e agarrou a própria mochila antes de se colocar ao lado de Hanah e eles começarem a caminharem em direção à saída a passos largos, quase atropelando o bolinho de garotas paradas no meio do pátio em certo ponto, mas logo voltaram a pular como dois idiotas assim que passaram os portões de ferro da escola.

Eles estavam mais felizes que pintos no lixo.

 

[…]

 

Hanah deu mais uma mordida no sanduíche e sentiu a maionese escorrendo pelos cantos da boca. A garota abriu ainda mais o sorriso e limpou o local enquanto tentava desviar do celular que Taehyun insistia em colocar a cinco centímetros de suas fuças.

- Você não pode parar de me filmar, mesmo? - perguntou irritada e tomou um belo gole de Coca, soltando um arroto alto – Yah!

- Você comendo é algo que o mundo devia apreciar, Hanah. - o ruivo respondeu enquanto dava um peteleco na garota que tentava roubar seu telefone – Você tem uma técnica que deveria ser compartilhada com todos.

- Haha. Muito engraçado. - respondeu cínica e se encostou na cadeira, passando a mão pela barriga, quase satisfeita – Isso requer muitos anos de treino, amigo.

- Tenho certeza que sim. - Taehyun respondeu e voltou a filmar a menor que enfiou uma grande porção de batatas na boca.

Hanah resolveu ignorar o comentário sarcástico do mais novo e voltou a apreciar sua comida em paz. Talvez, não tão em paz assim, afinal seu celular começou a tocar pela vigésima vez naquela noite, causando um acesso de risos em Taehyun devido a cara de cu que a mesma fez.

Yoongi não desistia mesmo.

Ela tinha bolado o plano perfeito para evitar o bendito filme de terror: escapar do radar de seu melhor amigo até as vinte e três horas e depois aparecer na casa do mesmo com uma barra de chocolate e uma carinha de cachorrinho que caiu da mudança, lançando uma desculpa qualquer para amolecer o coração de manteiga do loiro.

Não tinha como dar errado.

Até aquele momento seu plano estava indo muito bem – tão bem que ela estava até desconfiada – afinal eram exatamente oito e dezessete da noite e ela estava enchendo seu estômago com delícias brasileiras junto de Taehyun e, até aquele momento, nenhum sinal de Yoongi à vista.

Nada podia estar mais perfeito.

- Tem certeza que não vai atender ele? - o Kim perguntou curioso e começou a cutucar a amiga – Ele parece irado.

Taehyun apontou para as mensagens que chegavam rapidamente no celular da menina e soltou a risada quando ela virou o aparelho e fez uma mandinga em cima do mesmo.

- Desencana de mim, demônio. - falou irritada e apontou para o celular que parou de tocar imediatamente – Isso mesmo. Aprenda com o mestre como se faz, Taehyun.

Hanah olhou para o ruivo com um sorriso convencido e mandou um dedo do meio para o vídeo que ele continuava gravando.

- Acho que você não deveria cantar vitória tão cedo, Hanah. - falou como quem não quer nada e soltou uma risada – Olha lá. - apontou para as costas da garota.

- O que?

Hanah quase colocou toda a comida que tinha na boca para fora no momento em que seu olhar cruzou com o de Yoongi. Mas ela não se demorou muito naquilo e logo se virou para Taehyun com uma expressão assombrada e enfiou o resto do xis na boca tentando, em vão, ter uma overdose alimentar e bater as botas ali mesmo. Contudo, ela não teve tempo sequer de engolir qualquer coisa pois a mão branca de seu melhor amigo pousou em seu ombro e quase o esmagou com a força que colocou.

- Veja o que temos aqui. Se não é a S/N. - falou calmamente e apertou ainda mais o ombro da garota.

Hanah engoliu em seco e mandou Taehyun a puta que pariu mentalmente antes de se virar na direção do loiro com a melhor cara de pau que tinha e soltar a maior mentira que dissera naquele dia.

- Eu estava esperando vocês. - respondeu sorrindo e deu um tapa na mão de Suga.

Naquele momento Hanah sentia como se tivesse sido pega pelo demônio com as calças nas mãos. Ela podia ver Yoongi rindo enquanto dançava macarena ao redor dela com seu tridente flamejante e, portanto, logo tratou de se levantar e refazer o coque frouxo enquanto fazia sua maior cara de tédio.

Aquela seria uma longa noite, ela estava sentindo.  



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