História Oppa ou Hyung? - Capítulo 24


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Sonyeondan, Bdsm, Bts, Cross-dress, Hyung, Oppa, Oppa Ou Hyung
Exibições 38
Palavras 2.669
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Vocabulário
Dir en grey27: (ディルアングレイ) É uma banda de rock japonês formada em 1997, após o fim da banda La:Sadie's. Kisaki, o baixista e líder da antiga banda, se separou de Kyo, Shinya, Kaoru e Die, que chamaram o baixista Toshiya para formar a então nova banda, Dir en grey.

Capítulo 24 - Capítulo XXII - Sad


Fanfic / Fanfiction Oppa ou Hyung? - Capítulo 24 - Capítulo XXII - Sad

A luz atravessava a cortina translucida, mostrando como estão calmos o céu e a cidade, mas não entorpecidos. Sem vigor, como nós sob o efeito das traições que a vida nos trama, e tão quietos como nós se despertássemos de demasiadas reflexões. A tranquilidade se estendia desde os altos conjuntos de prédios às rodovias grandiosas, em tudo se concentra vida abundante mesmo quando serenos assim como hoje.

— Não se preocupe tanto. Você é jovem, tenha fé — disse a enfermeira com tom penoso antes de sair da sala seguindo o médico responsável.

Fé? Como ter fé se estou condenada a findar assim? Não gerei filhos, amores ou vivi nada memorável. Não digo que sou de completa descrença, não exerço o ateísmo, mas não consigo viver presa a dogmas ou doutrinas.

Sempre pensei que seria mais uma vítima da ampulheta da deusa romana, Libitina, talvez solitária ou cercada dos meus... No entanto isso foi reservado à mim.

Chorar não espantaria meu mal, agora aquilo era parte de mim e eu estava consciente disso.

— AnKoo, o médico disse que dois de nós poderíamos te ver — falou JungKook entrando sem cerimonias enquanto TaeHyung esperava na porta do quarto — Eu estava tão preocupado. Eles não nos falavam nada!

— Só ficaremos se você estiver disposta. — TaeHyung olhou JungKook tentando repreende-lo, porém este já estava ao lado da cama, me analisando com os olhos, conferindo meu estado.

— Está tudo bem — respondi encarando o cateter sob a pele pálida — Quando posso ir para casa?

— Desculpe, mas não pode sair sem que seu pai venha falar com doutor e assine alguns documentos — dizia TaeHyung ao entrar e fechar a porta do quarto.

— Mas por que? O Jin-ssi não pode me ajudar com isso? — O barulho do medidor de pulsação cardíaca disparou preenchendo o quarto e assustando os garotos — Eu posso pagar a ele depois. Só não deixem o meu pai vir aqui!

— AnKoo-ya, se acalme! — JungKook tentou, em vão, evitar com que eu me debatesse.

— Pare com isso, só vai se machucar mais! O médico quem exigiu a presença do seu pai, o Jinnie tentou resolver de todas formas. O appa vem após o horário de almoço, está esperando ser dispensado ou algo assim.

Passei toda a minha vida agarrada a sonhos que talvez não consiga realizar, a última coisa de que preciso agora é preocupar meu pai ou entra em estado de pânico.

Em pleno século vinte e um já existiam soluções para esse tipo de acontecimento, não era nada inviável apesar de serem raros os casos em jovens.

— Sei que não fiz o certo, só estava receosa — desculpei-me — Só não quero assustar meu pai.

— Não se preocupe, uma gastrite não vai assustar ele. Há adolescentes que dão muito mais trabalho — disse JungKook.

Gastrite? É isso que eles pensam ser... Por mim continuarão a pensar assim.

— Sim. — TaeHyung se aproximou. — Assim como o JungKook, que mentiu para os pais dizendo que estaria na casa do Jin hyung estudando. Não é verdade, Kookkie? — influiu ele ao fazer cocegas no mais novo.

— Hyung! — protestou JungKook.

Rindo na minha frente como duas crianças os garotos me lembraram o quão bom é sorrir, seja por um bom motivo ou um não tão bom assim. Eu não posso desistir dessa forma. É claro que não! A vida é boa demais para ser apenas suportada através de planos e roteiros. O entusiasmo e o prazer, sensações únicas e indizíveis, merecem ser muito mais de que recompensas longínquas. O amor, sendo a mais indescritíveis dos sentimentos, merece muito mais que ser dita como uma pequena sorte. Explorarei de tudo o máximo em busca de atingir minha plenitude, usarei a mais espessa das máscaras e encobrirei tudo de soturno que reside em mim.

— Com licença, vocês têm que ir agora — avisou uma outra enfermeira.

A julgar pelo carrinho que empurrava seria a hora do almoço, logo meu pai estaria aqui.

. . .

Fizemos todo o trajeto subordinados a mudez. O senhor SeungJoo permaneceu sério, sua postura o fazia parecer que estava carregando o peso do mundo sobre suas costas. JungKook, TaeHyung e JiMin pegaram carona conosco — nós nos entreolhávamos as vezes, porém não trocamos nenhuma palavra —, enquanto SeokJin deu carona a HoSeok, NamJoon e YoonGi.

Todos largaram seus compromissos para me apoiar, todos eles estavam lá.

Assim que cheguei, fui em direção ao meu quarto.

— AnKoo — chamou meu pai.

— Sim?

— Precisamos conversar sobre isso — disse ao subir as escadas atrás de mim.

— Não — rebati ao entrar no quarto — Não precisamos não.

Tudo que não precisava agora era um discurso de pena.

— Eu ainda tenho o número do doutor Seong JiHwan. Não vamos desistir. Ele é o melhor em...

Deitei e coloquei os fones de ouvido. Eu não queria mais escutar sobre isso.

Soko ni aru kuruma no toranku ni wa ai shita mono subete wo tsumekomi

(Guardei tudo que eu amo no porta-malas do carro logo ali)

Kagi wo sashite saigo no doraibu shite ano gake kara watashi wa jiyuu ni [...]

 (Ligando a chave, estou indo num último passeio do precipício, estarei livre)

A algumas semanas atrás aquela música tinha um significado diferente para mim, hoje as palavras ditas por Kyo, o vocalista do Dir en grey27, faziam todo o sentido para mim.

Depois do incidente, os garotos e eu ficamos cada vez mais próximos e quando digo próximos digo interligados.

Continuamos sentando juntos no horário do almoço e compartilhando assuntos e informações superficiais. Com algumas semanas passadas, já era possível os ver frequentemente visitando minha casa e suas mães, minhas novas ommas regularmente me convidando para almoços ou jantares.

Era evidente que com o passar do tempo acabei por me aproximar mais de Tae oppa, Joonnie oppa, Kookkie e JiMin oppa. Por mais surpreendente que seja, foi nesta mesma ordem. Não que eu fosse distante dos outros, só que com estes, meu convívio era bem maior.

Me aproximar de alguns dos garotos foi extremamente fácil — como TaeHyung e NamJoon — já que eles são acessíveis e divertidos. Se tornaram meus melhores amigos e frequentemente esquecem que sou uma garota ao me contarem suas aventuras.

Com JungKook e JiMin o processo foi mais lento por vários motivos, incluindo a nossa falta de iniciativa, contudo, agora os dois me tratam como uma irmã mais nova — mesmo que eu seja mais velha que JungKook e mais madura que o JiMin —, eles me cercam de cuidados exagerados.

Minha relação com os outros era próxima, mas não tão intima.

SeokJin era como uma mãe para todos nós. Cozinhando, arrumando, nos levando e trazendo para todos os lados. Ele realmente se empenhava, zelava por nós como se fossemos sua própria família. Era para ele que eu recorria quando precisava abrir o coração sobre as inseguranças que a vida me trazia, não por não confiar nos outros, mas por confiar ainda mais em seus concelhos.

Relacionar-me com HoSeok e YoonGi foi difícil no começo. Acho que eles estavam apreensivos no início por não me conhecerem bem, porém depois de alguns encontros e festas acabamos notar diversas similaridades.

Reparei que Tae oppa vive discutindo com o HoSeok-ah, por todos os motivos imagináveis e ainda mais quando TaeHyung aparecia com as marcas. Nenhum dos dois nunca me respondiam o porquê das marcas, TaeHyung somente dizia: "São só maus hábitos, não se preocupe".

Mas eu me preocupava.

Todos eles tinham se tornado como parte da minha família e no caso do Tae oppa, meu pai o achava uma boa influência por ele me incentivar a me inscrever em empresas de entretenimento mesmo eu dizendo que não o faria, pedindo que mantivesse segredo.

Agora que já havia encontrado uma nova academia de ballet me faltava apenas as aulas de canto, eu estava tendo dificuldades em cantar em coreano, algo sempre saia do timbre. TaeHyung-ah tinha um belo canto, e agora que era um trainner, estava ficando cada vez melhor. Ele me ajudava ocasionalmente, assim como HoSeok-ah, Kookkie e JiMin-ah, que sempre e sempre teimavam em querer me ensinar algum passo de dança que não fosse o meu estilo clássico.

Joonnie, o nosso popular NamJoon, agora queria ser chamado de Rap Monster. Quando o conheci ele já havia ficado com metade das garotas de toda a escola e depois do tal manager os transformar em trainners... Ele pegou a outra metade e algumas a mais. Apesar de tudo ele se mostrou um ótimo amigo. Eu até mesmo poderia escolher uma palavra para lhe definir, uma palavra com C que me foge agora.

Cauteloso? Sim... Mas não era bem esta. Cuidadoso? Cuidado e NamJoon não podem estar na mesma frase, a não ser que isso seja um alerta: Cuidado para não quebrar isso, NamJoon! Compreensivo? Está mais pra mimado, dengoso ou birrento, isso sim. Ciumento? Isso! Chegamos ao ponto. Ciúmes, essa palavra o descrevia melhor que qualquer outra, pelo menos para mim. Ciúmes que ele tinha do grupo. Ciúmes que as menininhas tinham dele. E o principal. Ciúmes que o Jin cultivava pela proximidade minha e de qualquer outra garota.

Ao passar exatamente treze dias observando as relações entre os meninos pude tirar pré conclusões, e uma delas era a que o SeokJin era gay, apaixonado por seu companheiro de grupo.

JiMin, YoonGi e JungKook saiam todas sextas pela tarde para jogar basketball e como sempre lhes faltava um componente, me convidavam vez ou outra para ir com eles. A cada jogo eu descobria os tais talentos dos garotos mais problemáticos do grupo, a parte problema não inclui o esquilinho, sendo que o Kookkie é um garoto de conduta exemplar.

Conviver com eles era como analisar um ciclo de relações e entender toda essa hierarquia era um dos meus passatempos agora.

SeokJin era o mais velho de todos e transparecia uma paixão por NamJoon.

NamJoon nutria o costume de ter múltiplas namoradas, mas se tratando de amizade, ele e o YoonGi mantinham algo bonito, de se admirar.

YoonGi por sua vez, parecia estar interligado ao JiMin, como algum tipo de cumplicidade.

JiMin parecia achar que o JungKook era o seu filho vindo diretamente do futuro, pois chegava a exagerar nos cuidados com a criança.

JungKook era o maior dos fãs de HoSeok. Via nele uma espécie de modelo a ser seguido, uma inspiração.

HoSeok só tinha olhos para TaeHyung, eles eram como uma dupla de irmãos briguentos, ou um casal talvez.

TaeHyung era dono de uma comunicação única para com SeokJin, eles podiam até mesmo conversar por meio de olhares.

E assim se dava início a uma rotação contínua.

. . .

Hoje poucos realmente se concentravam na aula, mas não os culpo, afinal amanhã será nosso último dia de aula. Teríamos um pequeno recesso esse mês e estávamos muito animados com isso.

HoSeok e Tae oppa não apareceram na escola hoje, também não estavam respondendo minhas mensagens e nem ao menos retornando as ligações.

No almoço JungKook e eu fomos encontrar os garotos que já estavam nos esperando na nossa mesa. Ao nos aproximarmos percebemos o clima de tensão entre eles. Mal chegamos e já pude reparar que faltava: HoSeok, Rap Monster e TaeHyung.

— O que houve, hyung? — JungKook pediu um tanto assustado.

SeokJin estava visivelmente instável, oscilava entre prender o choro e controlar os nervos. JiMin tinha um semblante sério, daqueles que só brota em seu rosto quando brincam com sua altura ou peso. A raiva em seus olhos era tão diferente para mim que mais parecia um outro ser muito semelhante, não nosso Park JiMin. A pele pálida de YoonGi havia se tornado de um rubro nunca visto antes, mas não era de vergonha ou algo do tipo.

Vendo que nada sairia de dentro dos lábios volumosos de SeokJin, YoonGi tomou iniciativa. Ele balançou a mão, fazendo sinal para que nós fossemos sentar.

— Sabem que estamos planejando um teste na Big Hit Entertainment, certo? — Só concordamos, acenando com a cabeça — Então, todos nós ficamos focados nisso para que tudo ocorresse bem, o que não sabíamos era que o TaeHyung mantinha uma... — ele fica ainda mais inexplicavelmente corado.

— Que o TaeHyung mantinha uma relação com nosso manager! — completou JiMin socando a mesa — E agora, que o NamJoon descobriu, foi tirar perguntas ao TaeHyung que se esquivou de todas as formas, porém por fim o HoSeok contou quem era o causador das marcas.

Ele abaixou a cabeça derrotado, recebendo um pequeno cafuné como consolo, vindo de JungKook.

— Onde eles estão agora? — perguntei meio desorientada. Era muita informação para assimilar de uma só vez.

Porque Tae oppa nunca me disse nada? Porque deixava que o manager te machucasse? O que eles estariam fazendo agora?

— No apartamento D do manager — respondeu o mais velho, mordendo o lábio inferior em seguida.

Meus olhos encheram de lágrimas, senti que iria transbordar a qualquer momento, e ao ver Jin resistindo aos soluços não pude mais me conter.

. . .

Após passados vinte e dois minutos contados, Jin e eu que já estávamos abraçados, resolvemos ir atrás deles. Mas sem os garotos. Afinal o JiMin havia ficado possesso de raiva com todo aquele risco rondando o debut e YoonGi, mesmo com a expressão imparcial continuava vermelho, quase soltando faíscas por seus olhos negros.

Era tudo de um silêncio ensurdecedor — apesar do som dos soluços vindos de mim — até que sinal soou.

JungKook foi o primeiro a se levantar me estendendo a mão para o acompanhar.

Fiz um breve movimento, mas SeokJin oppa me apertou em seus braços.

— Pode ir. Eu levo ela depois — disse, recebendo como resposta um olhar confuso do mais novo.

Os três, ainda desconfiados, foram para suas respectivas salas. Assim que terminaram de virar o corredor — sumindo do nosso campo de visão — Jin fez sinal para que o seguisse.

— Eu não vou a lugar algum sem explicações! — bradei, sendo fuzilada pelo olhar fumegante do mais velho logo em seguida.

Sem tirar os seus olhos de mim uma vez se quer, ele caminhou com passadas firmes até mim. Meu corpo cambaleou e senti minha vista tremer de repente, algo nele estava pondo medo em mim. Com um impulso rápido e forte ele agarrou meu braço puxando bruscamente.

Aquele garoto a minha frente não se parecia em nada com o príncipe cordial que conheci no início.

— Olha aqui AnKoo, eu não queria ter que ir até lá, tampouco com você. — Ele me soltou, com uma repulsa palpável e continuou — Entretanto o NamJoon está lá sozinho! Bancando o herói... — seu timbre e olhar enfraqueceram, assim como minhas pernas — O TaeHyung e o HoSeok são muito frágeis... Joonnie pode até ser forte, só que não é o suficiente para os três, entendeu?

Um calafrio percorreu meu corpo. O que poderia ser tão ruim para deixar o calmo Jin desta forma?

— Porque não chamou os meninos?

— Eu quero uma conversa, não uma luta entre gladiadores. — Suas mãos impacientes foram passear dentre seus fios tingidos — E então você vem?

— Não iremos conseguir passar pela saída principal... — levantei o queixo e o olhei nos olhos, na medida do possível — O que pretende?

Minimamente um sorriso brotou em seus lábios carnudos.

— Só me siga, sim?

Me guiando por entre variados corredores, dos quais visitei no máximo cinco, Jin oppa mostrou triunfante a parte dos fundos da instituição. Era um grande muro e para mim, se assemelhava a uma enorme escalada. O mais velho já se preparava para subir.

— Espera, espera — hesitei.

— O que foi agora? — pediu bufando.

— O que faremos quando chegarmos lá? — perguntei confusa.

— Teremos uma conversa civilizada — finalizou sorrindo maliciosamente.

Nada é mais certo neste mundo do que a cobrança da vida e dos impostos.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...