História Orange - Os dias que você esteve comigo. - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Angst, Baekchan, Baekyeol, Chanbaek, Chanbaek Angst, Chanbaek Fluffy, Chanbaek Triste Mas Feliz, Drama, Exo, Fluffy, Menção Hunhan, Ot12, Yaoi
Visualizações 156
Palavras 7.567
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, voltei! ~ Sim, dessa vez até que não demorei tanto, e admito que esse capítulo talvez não te deixe triste, e sim com raiva (eu espero que Orange não te estresse aaa)
A única coisa que posso falar desse capítulo é: "Nossa, o Baekhyun é dramático." Mas aí eu lembro que eu já fiquei assim também.
Eu espero que vocês não fiquem com raiva de mim (e sim do Baekhyun e do Chanyeol grrrrrrr mentira não fiquem)
Agradeço por todas as pessoas que deixam comentários, eu me divirto muito os respondendo, é legal saber que vocês se dedicam comentando do mesmo jeito que eu me dedico escrevendo. E claro, das pessoas que dão fav também~
Eu tô bolando outros enredos pra futuras fanfics Chanbaek, mas Orange é tão imersivo que me prendeu muito na história.
Desculpem caso aja algum erro ou palavras repetitivas, escrevi o final disso muito cansada, mas queria que ficasse pronto logo.
Espero que gostem, me estressei muito nesse capítulo, grrr. Até~

Capítulo 5 - Laranja Quase Vermelho


Fanfic / Fanfiction Orange - Os dias que você esteve comigo. - Capítulo 5 - Laranja Quase Vermelho

 

23 DE ABRIL DE 2027

 

Avistei pessoas debatendo sobre algo em uma mesa redonda rodeada por um banco onde podia-se sentar todos que haviam ali. Talvez fosse apenas implicância mental comigo mesmo mas percebi que o assunto que parecia tão extenso morreu em alguns segundos quando meus amigos perceberam minha chegada. Tentei ser discreto ao suspirar de incômodo. Espero que ao menos se sintam do mesmo jeito ao serem tão claros que minha presença não era agradável.

Sentei-me junto a eles e a primeira coisa que recebi e tive em mãos foi a minha carta. Quando havíamos 16 e outros 17 anos, antes das férias, enterramos próximo a escola e flores lilás de um Jardim decorado, uma cápsula do tempo onde haviam cartas de nós mesmos falando o que queríamos ser quando cada um completasse 26 ou 27 anos. Pelo o que eu lembro, tenho certeza que tudo que eu queria ser, não chego nem perto hoje em dia.

Provavelmente estávamos esperando Sehun e Luhan, que estavam levando uma confusa e sonolenta Sejung para dormir dentro do carro do casal. Combinamos de ler a carta de Chanyeol juntos, já que provavelmente não seria um exercício agradável para onze pessoas arrependidas.

Onze. Doía dizer que hoje somos apenas onze amigos. Doía contar quantos iriam para algum passeio e acabar pensando que algo está faltando novamente. É um aperto no coração uma pessoa ir embora tão de repente e você sentir a culpa o resto da vida de algo que não foi especificamente sua culpa.

Eu só queria ter a certeza de que eu poderia mudar isso. 

Queria salvar Chanyeol, mesmo que fosse em uma realidade paralela.

Luhan e Sehun chegaram em silêncio, enquanto o mais velho olhava para trás o tempo todo para garantir a segurança da sua dorminhoca filha pequena. 

Logo após todos recebermos as cartas, lembrei-me de quando havíamos trazido Chanyeol para a padaria — já totalmente falida — da mãe de Minseok e nós apresentamos. Estavamos praticamente do mesmo jeito que antes, mas a única diferença é que estava faltando alguém. Havia um espaço no canto que parecia um tanto imperceptível quando se trata de lembrar de Park Chanyeol.

Desviei o olhar e relancei para os garotos que já estavam abrindo suas cartas. O que eu deveria fazer? Mesmo que eu não quisesse, resolvi abrir a carta que eu havia guardado e até havia me esquecido que existia.

Minha carta praticamente apenas dizia que eu gostaria de ter uma boa vida e ter crianças. É, parece que não foi possível realizar esse meu desejo de 16 anos. Percebi que provavelmente não era o único, pois o resto encarava sua carta com expressões de tristeza. Acho que nós nem estávamos aqui pra saber dos objetivos e desejos um do outro, e sim por um único motivo:

A carta de Park Chanyeol. O que ele havia escrito na carta? Qual eram seus desejos pra vida adulta que foram interrompidos por um acidente de carro irreversível?

— Baekhyun, quer ler a carta? — Junmyeon perguntou de maneira gentil, me entregando enquanto acho que nem precisei responder.

Minseok deu um empurrão na mão de Junmyeon que havia me deixado confuso. Não precisariamos brigar pra ver quem iria ler a carta de Chanyeol, e de certa forma, eu sou mais próximo dele. Era, tanto faz.

— Você quer matar o Baekhyun? — Ouvi o sussurro de Minseok que não pareceu nada discreto e abaixei a cabeça imediatamente.

Por que meus amigos me viam como um homem acabado e depressivo sem rumo algum na vida? Não que eu esteja longe disso, mas acho que levam isso longe demais. Nunca, nenhum deles, um dia havia sentado comigo e perguntado o que aconteceu.

Mas eu não fiz isso com Park Chanyeol, então acho que não tenho direito algum de reclamar disso.

— E-eu leio. — Yixing ofereceu-se. Diria que ninguém estava pronto pra ir pra casa em lágrimas. — Tudo bem pra vocês?

Yixing tomou a carta de maneira delicada das mãos de Junmyeon e percebi que estremeceu assim ao segurar. Eu faria o mesmo. Ter em mãos uma carta tocada, escrita, e até mesmo olhada por Park Chanyeol faz você sentir como um flash de culpa por cinco segundos dentro da sua alma.

Todos estavam prestando atenção em Yixing, que aos poucos abria a carta e podia perceber-se de qualquer lugar que o homem estava muito nervoso. Ao bater os olhos na carta, suspirou e percebi que seus olhos estavam como um pequeno rio de lágrimas.

Diria que meu coração acelerou totalmente naquele exato momento.

— "Para vocês todos, dez anos no futuro, como estão vocês?" — Quando Yixing disse a primeira frase na carta foi o sufienciente para que todos suspirassem em conjunto de maneira surpresa.

Ele escreveu essa carta com 16 anos. Não é possível que esteja acontecendo o que eu acho que está acontecendo, me recuso a acreditar e espero que eu tenha apenas interpretado isso totalmente errado.

— "Para Yifan: Você é muito alto e muito bom no futebol. Você sempre foi o meu ídolo. Eu era muito inseguro nos primeiros dias de aula e você conseguiu me fazer um de vocês." 

— "Para Sehun: Você sempre foi meu melhor amigo e mesmo com um jeito desligado, me ajudou várias vezes. Me desculpe, eu sabia que devia ter entrado no time de futebol."  

— "Para Luhan: Eu espero que você tenha se casado com Sehun e obrigado por tentar me ajudar com Baekhyun. Você foi muito gentil e sempre serei grato."

— "Para Minseok: Você sempre esteve alegre e cheio de energia. Quando eu estava triste, observar esse seu jeito fazia-me pensar que meus problemas eram insignificantes e eu devia sorrir igual você."

— "Para Jongdae: Lembra daquela piada que você me explicou no intervalo? Na verdade, eu não entendi. Me desculpe. Mas obrigado por sempre se preocupar em me fazer rir."

— "Para Yixing: — Engoliu o seco antes de continuar e sua voz já demonstrava choro. — Você sempre teve um jeito adorável que era contagiante. Tinha inveja de como você conseguia manter tudo sob controle."

— "Para Kyungsoo: Você na verdade não é assustador. Você só me dava medo quando ficava com raiva, mas sempre ficava com raiva para nos defender. Isso sempre foi muito lindo da sua parte."

— "Para Junmyeon: Desculpe se te estressei algumas vezes, mas, sei que você sempre deu tudo de si pra cuidar de todos nós. A culpa foi nossa que nunca notou sua preocupação. Me desculpe."

— "Para Jongin: Sempre te admirei porque você sempre sabe como encorajar alguém. Obrigado por todas as vezes que disse que eu era capaz de superar alguma dificuldade. Não se sinta inútil, você é quase um herói."

— "Para Zitao: Me desculpe pelas vezes que você disse que tomei Yifan de você, amei a sua iniciativa sincera e já parei com isso. Eu amo seu gosto musical, obrigado por ter me mostrado aquela banda que faz musicas alegres."

Enquanto todos — sem exceção — choravam em desespero, minha mente não permitia acreditar no que estava subentendido por aquelas cartas. Nem ao menos chorar eu conseguia. Era impossível minha mente estar me torturando dessa maneira, talvez eu só estivesse sendo um pouco paranoico.

Como Chanyeol sabia que ia morrer? Ele realmente sabia ou fez isso somente porque não havia muitos objetivos no futuro? Eu irei buscar todas as respostas possíveis, mas me recuso a acreditar no que minha mente está me propondo.

Estava distraído, mas senti meu corpo inteiro vibrar e me arrepiar inteiro ao ouvir meu nome saindo da boca de Yixing com a voz chorosa.

Percebi que todos resolveram prestar atenção quando meu nome foi chamado.

— "Para Baekhyun: Você é reservado e pensa mais nas pessoas ao seu redor do que em si mesmo. Quando todos estavam felizes, você também estava feliz. Os seus biscoitos eram também os melhores, gostaria de ter provado sua comida mais de uma vez. Espero que mesmo depois de dez anos, você já tenha melhorado sua timidez. Baekhyun, eu nunca soube se você sentia o mesmo, mas eu gostaria de casar com você caso estivéssemos juntos hoje."

Até mesmo Yixing olhou pra mim com um olhar de pena quando terminou de ler aquilo. Encarei o chão por uns segundos antes das lágrimas começarem a cair provavelmente pela terceira vez somente hoje. Fechei os olhos e senti a brisa batendo sobre minhas lágrimas geladas e me forçando uma dor de cabeça que já não era novidade. Me sentia castigado. Lembrar de Park Chanyeol todos os dias, eu tenho certeza, não era normal.

Eu fui um idiota. Eu nunca tive a coragem de dizer o que eu sentia por Chanyeol, e eu nem mesmo sabia ou me preocupei em saber se ele gostava de garotos. Sempre doía no peito quando alguma garota olhava para ele ou aquela vez que ele começou a namorar. Eu preciso reverter tudo isso. Eu preciso salvar Chanyeol. Preciso mudar as minhas decisões do passado e fazer com que ele seja feliz.

Meu coração começou a bater acelerado e já tinha certeza do que havia acontecido: Park Chanyeol havia se suicidado. Lembra quando eu disse que a culpa tecnicamente não era minha? Agora eu tenho certeza absoluta, que a culpa foi totalmente minha.

— "Espero que vocês estejam juntos hoje, ainda sorrindo como antigamente." — Yixing continuou lendo a carta depois de ter me dado um tempo. 

Um silêncio torturante foi estabelecido depois de termos percebido o que havia acontecido no local. Todos os olhos vermelhos, com lágrimas que saíam de maneira rápida de cada um dos olhos que podia-se ver.

— Só isso? — Luhan perguntou. — Ele não escreveu nada sobre ele mesmo? 

Yixing fez não com a cabeça e mostrou a carta para nós. Algumas partes estavam borradas, como se houvesse molhado ou algo do tipo. Mas é claro, Chanyeol chorou ao escrever essa carta. Ele já pensava em sua morte desde muito tempo.

— Por quê? — Podíamos ouvir soluços de Yifan enquanto ele socou a mesa de maneira agressiva. — Por que, Chanyeol?

Novamente, a paisagem ao redor era definida por pesadelo e melancolia. Torcia para a cor laranja não me castigar novamente em um momento totalmente merecido no momento. Acho que mereço tudo que estou sentindo e até mil vezes pior, por ter sido um sonso que nunca notou o que Chanyeol sentia ou se recusava a notar por pura timidez.

– Será que Chanyeol sabia que não teria um futuro? — Sehun limpou as lágrimas ao dizer. — Não me diga que...Ele já tinha decidido...

As lágrimas que Sehun havia limpado encheram-se em seu olhar novamente antes de dizer o que gostaria de dizer.

— Não pode ser. — Junmyeon colocava as mãos no rosto e sua voz de desespero saía abafada. — Então aquilo não foi um acidente?

Não se pode prever o futuro. O futuro que Chanyeol desejou para nós está totalmente diferente. Não somos mais tão próximos como éramos antigamente, e não estamos sorrindo. Eu não estou sorrindo faz um bom tempo, as únicas oportunidades que tenho de sorrir, é quando roço meu nariz gelado no travesseiro, imaginando que Chanyeol está ali do meu lado, e que somos felizes juntos.

— Vamos visitar sua avó. — Kyungsoo levantou-se, limpando as lágrimas e tendo os olhares todos centrados nele. — Vamos celebrar o aniversário que não pudemos celebrar há dez anos.

Todos afirmaram com a cabeça e fomos seguindo até os carros que haviam lá. O clima já não estava agradável por sua melancolia ser enorme, mas não foi o suficiente pra ideia que estou tendo morrer assim tão facilmente.

Nós podíamos ter salvado Chanyeol. Se tivéssemos prestado mais atenção nele, se eu pudesse mudar o passado...Eu escolheria ficar ao lado dele, sem dúvida alguma. 

Eu vou salvar Park Chanyeol através de cartas. Dessa vez, eu vou.

 

 ✉

 

1 de MAIO de 2017

 

A escola parecia com um aspecto diferente que era um tanto inexplicável. Parecia que havia alguma coisa diferente, que tenho quase certeza que não era possível descobrir o que era, mesmo que eu tentasse muito. Meu uniforme amarelado estava sujo de maneira imperceptível com uma mancha de café que havia deixado cair por toma-lo rápido demais, mas foram só umas gotas. 

Imperceptível. Essa era a palavra de hoje, pelo visto. Estava aparecendo em minha mente diversas vezes e em diversos aspectos que constroem o dia. Puxei a carta do meu bolso já que ninguém parecia estar me dando muita atenção e resolvi ler a carta de hoje enquanto ouvia uma banda que eu gostava. Olhei ao redor e somente poucas pessoas estavam na sala, acho que se colocasse encima de um livro ninguém perceberia que era uma carta.

Bastante coisa. Suspirei antes de começar a ler.

 

"Hoje, dia primeiro de maio, acaba a posição de jogador temporário de Park Chanyeol."

"Eu gostaria que você tentasse o convencer a entrar pro time de uma vez. Um dos seus maiores arrependimentos foi de não ter entrado."

"No almoço vocês dois vão ter uma conversa complicada. Tenha paciência com ele."

 

Dobrei a carta rapidamente ignorando seu resto ao ver que Sehun e Chanyeol haviam chegado alegres na sala. Tirei meus fones de maneira discreta para entender o motivo da felicidade, afinal o tempo de jogador do Chanyeol já havia acabado e eu precisava convence-lo.

— Yifan! — Sehun gritou pro loiro, que estava fazendo a lição de história encima da hora. — Adivinha quem decidiu entrar no clube de uma vez?

Sehun envolveu o braço em Chanyeol o puxou em um abraço, enquanto Yifan foi sorridente e gritalhão dar um abraço em grupo nos dois enquanto eu encarava aquilo discretamente com uma expressão confusa.

Chanyeol decidiu sozinho entrar para o time de futebol, então significa que o futuro estava mudando sozinho. Não sei se ficava assustado ou sorridente, mas acho que estava tranquilo por pelo menos um arrependimento dele ter sido revertido.

O arrependimento era de Chanyeol, não de Baekhyun de dez anos no futuro. Por isso todos os arrependimentos estão sendo revertidos por minha causa, as coisas estão começando a funcionar. Foi inevitável sorrir.

Acho que estou conseguindo salvar Park Chanyeol.

— Chanyeol, você é o cara. — Yifan subiu a mão para Chanyeol fazer um toque e assim fez. — Você é bom no futebol e a Jiwon anda olhando direto pra você.

Minha expressão séria foi mais rápida que qualquer coisa.

— Jiwon? — Chanyeol perguntou entre risos. Isso. Ainda bem que não conhece. — Quem é essa?

— É a menina mais linda da escola. Todo mundo quer ela. — Sehun dizia para Chanyeol demonstrar interesse. Calado, Sehun.

Mas pra minha alegria, ele só havia dado risada e sentado em seu lugar novamente. Talvez eu estivesse agindo de maneira egoísta, eu não posso agir dessa maneira. 

Preciso fazer com que Chanyeol seja feliz. 

 

Não conseguia parar de sorrir ao lembrar que eu praticamente havia conseguido mudar o futuro depois de conseguir fazer tudo da maneira que deveria ser feito.

Na hora do almoço, Minseok e Jongdae haviam ido comprar sua comida com os meninos na cantina, então fui almoçar sozinho lá fora. O clima mesmo agradável, com uma brisa tranquila e fria, parecia estranho. O dia de hoje estava estranho, era como se eu tivesse mexido mesmo no tempo de uma maneira absurda, então acho que não deveria me incomodar.

Sentei-me numa mesa próxima a flores laranja que haviam um aroma parecido com meu perfume de frutas vermelhas, mesmo que não há nada relacionado. Fui surpreendido por Chanyeol sentando ao meu lado de maneira tímida, mas mostrando-me um sorriso como se estivesse implorando pra ficar aqui.

E é óbvio que não iria recusar depois de ver aquele maravilhoso sorriso, apenas devolvi de maneira espontânea. Ficar perto dele me fazia sorrir.

— Você parece feliz hoje, Baek. — Chanyeol disse, retirando a tampa de sua vasilha e preparando os hashis. — Aconteceu algo bom?

Havia feito o mesmo que ele, fazendo não com a cabeça enquanto tentava desgrudar os hashis. 

— Só estou feliz por você ter aceitado o convite de entrar no clube. — Lancei um sorriso amigável.

Ele retribuiu e havia pegado o primeiro sushi, enquanto eu olhava de canto pra ver se ele não faria nenhuma careta ou até mesmo expressões de paixão para a minha comida. Havia provado e não estava nada ruim.

Colocava o primeiro sushi em minha boca e comíamos em silêncio. Como não é algo fácil de se fazer, havia apenas conseguido fazer seis pra cada, mas pra compensar coloquei diversos sabores diferentes sem exagerar muito na pimenta.

O silêncio estabelecido era bastante longo, mas acho que ele sabe que não sou muito bom de puxar assunto. Além disso, estava esperando aquela tal conversa que estava escrito na carta começar logo. Estava nervoso porque Baekhyun do futuro praticamente disse que eu iria precisar ter paciência.

Assim quando havíamos acabado, permanecemos ainda em silêncio. Uma cena bonitinha vista por nós dois me arrancou um sorriso. Mesmo que seja normal demonstração de afeto através de toques na amizade masculina, um garoto de outra turma dando comida na boca de um menino da nossa turma e depois lhe dando um selinho de maneira discreta foi algo agradável.

— Baekhyun... — Chanyeol havia chamado meu nome, fazendo-me relançar o olhar para sua expressão também igual a minha. Ele havia achado fofo. — Você gosta de homens? 

Senti minhas bochechas queimarem ao ouvir essa pergunta. Nem mesmo eu sabia do que eu realmente gostava já que Chanyeol havia sido minha primeira paixão de verdade, mas eu não podia dizer isso a ele.

Mas, bem, Chanyeol é um homem.

— Gosto. — Respondi, baixinho, lhe lançando um outro sorriso amigável.

Ele virou o rosto e nos encaramos ao conversar. Devo admitir que senti vontade de virar o rosto imediatamente, mas algo não havia deixado, era como se algo me impedisse, igual ao dia que fomos ao parque.

— E como você fez pra ter certeza de que realmente gostava de homens? — Havia me esquecido de que Chanyeol era uma máquina de perguntas. — Desculpe por ser invasivo.

— Não tem problema. — Disfarcei meu desconforto com uma risada. — Acho que certeza é uma palavra muito forte, ninguém tem certeza mesmo do que sente. Você pode se descobrir de repente.

Chanyeol fez sim com a cabeça.

— Se eu estiver gostando de um homem agora, significa que eu gosto de homens? — Entendi agora o motivo da carta pedir paciência.

— Não. Você pode gostar de garotos e garotas. — Respondi com um sorriso. — Você está gostando de um garoto? 

Chanyeol desviou o olhar e fez "'não" com a cabeça. Entendo como isso deve estar sendo difícil pra ele, também foi bastante estranho pra mim quando comecei a demonstrar interesse por homens.

 Chanyeol convive com vários garotos bonitos no treino de futebol, talvez ele só esteja confuso do que realmente sente.

Deve ser o Sehun ou o Yifan. Suspirei.

— Como eu posso ter certeza que estou apaixonado por alguém? — Chanyeol relançou o olhar confuso lentamente a mim ao perguntar.

Tentei pensar em uma boa resposta que faça sentido e não seja uma opinião pessoal.

— Bem... — Milhares de exemplos vinham na minha cabeça, mas decidi ser menos complicado. — Acho que é quando você fica muito feliz estando ao lado de alguém, a ponto dessa pessoa te fazer bem o tempo todo. Quando você ignora a aparência da pessoa e se apaixona pela personalidade atraente que ela tem. Quando você se diverte conversando e estando ao lado da pessoa o tempo todo. Quando a pessoa te deixa nervosa ou corada...

Acho que já havia dito demais, por isso finalizei com um sorriso e fechei minha vasilha cuidadosamente. Percebi que eu estava nervoso por ele estar tão calado desse jeito.

— Entendi. — Chanyeol respondeu tranquilamente. — Obrigado pela ajuda, Baek.

Sorri por ter conseguido ajudar e ter tido paciência na conversa inteira.

Senti seus dedos percorrerem meus cabelos lentamente e minhas bochechas coravam. Eu amava quando ele fazia isso, parece que o mundo ao meu redor esvaia e não restava mais nada, apenas o seu cafuné agradável e delicioso. Sorri e fechei os olhos, sentindo Chanyeol aproximando-se até eu deitar minha cabeça em seu ombro. 

Sorri e minhas bochechas permaneceram coradas por um tempo pequeno. Até eu me acomodar e me acostumar com seu carinho inigualável. Era a minha sensação favorita, sem dúvidas. Mesmo que seja totalmente normal demonstração de afeto através de toques na amizade masculina.

Ficamos por um bom tempo assim, até eu abrir meus olhos lentamente e perceber que ele estava sorrindo. Os fechei de novo. Aquilo durou até a campa bater novamente.

— Com licença... — Ouvi uma voz feminina que fez Chanyeol parar com seus dedos e com que eu saísse de minha posição. — Park Chanyeol, você se importa se eu assistisse o seu treino amanhã?

Jiwon. Seus cabelos negros e perfeitos voavam lentamente com a brisa fresca, e seus lábios vermelhos davam uma decorada em seu rosto totalmente branco que já era bonito mesmo assim. E talvez o uniforme ficasse bonito nela, bem mais do que o meu, qualquer pessoa fica melhor no uniforme que eu. E Jiwon é a mais bonita com ele.

E ela também é super gentil.

— Não. — Ele respondeu, lhe lançando um sorriso educado. — Pode ir sim.

Ela sorriu e me deu um oizinho, que foi respondido por mim de maneira sorridente. A garota foi andando até suas amigas lentamente, como se estivesse com muita vergonha e se recuperando, e podíamos perceber que era uma garota muito doce que não valia a pena sentir raiva. Até porque estaria sendo muito egoísta.

Chanyeol levantou-se, andando com sua vasilha até a sala enquanto eu encarava Jiwon com uma expressão confusa. Será que ela está interessada no Chanyeol ou está apenas sendo gentil? 

— Baek. — Chanyeol chamou, entre risos. Ele pensava que eu estava o seguindo. — Você vem?

Peguei minha vasilha e fui rapidamente até ele, o seguindo de cabeça baixa. Os corredores estavam cheios devido os alunos estarem voltando as suas salas aos poucos, então tive que andar atrás de Chanyeol até as escadas.

Subimos boa parte dos andares juntos e estávamos em silêncio. Um sorriso enorme estava nos lábios do mais novo, enquanto eu só queria entender se eram pra o que havia acontecido com a gente no almoço ou se era pela Jiwon.

— Ei, Baek. — Sua voz havia me chamado atenção e fez-me relançar o olhar pra ele. — A partir de hoje, eu só irei treinar de manhã. Seria incômodo se eu pedisse para você me acordar? 

Pelo visto, era pra Jiwon. Ele estava ansioso para vê-la, caso eu esteja entendendo certo. Uma expressão triste foi inevitável, e comemorei para ele não ter a visto. Pois mesmo discreta, ele iria perceber.

— Que horas? — Havia aceitado sem dúvidas.

— Cinco da manhã. — Sua voz saiu numa tonalidade nervosa ao dizer.

Fiz "sim" com a cabeça. Teria que fazer nosso almoço mais cedo caso quisesse acordar cedo para acorda-lo, ainda bem que amanhã iríamos sair antes do meio-dia e eu não iria precisar fazer almoço.

Mas pelo visto, minha rotina vai mudar agora.

 

Um doce violão era tocado na televisão ao eu colocar uma música acústica que gostava bastante. Além de me acalmar, essa música me espantava de pensamentos ruins. Minhas mãos estavam sendo molhadas pela água gelada enquanto lavava a louça um pouco mais cedo hoje. 

Minha mãe olhou o relógio de maneira confusa e se assustou, pois num horário desses eu estou jogando jogos no computador ou vendo animes. Minha sorte que minha mãe nunca foi tão invasiva a ponto de me fazer perguntas, ela somente se preocupava. 

Cantei um pedaço da música junto, quando ela estava quase em seu fim e eu guardava os pratos para os secar amanhã. Enxuguei minhas mãos e consegui terminar tudo a tempo da música chegar ao seu fim, então sorri por ter conseguido cumprir minha meta.

— Você vai deitar mais cedo hoje? — Minha mãe perguntou, enquanto eu tirava o meu pen-drive da televisão. 

Fiz "sim" com a cabeça, pegando meu celular e logo colocando um alarme as cinco da manhã para eu conseguir acordar a tempo. Coloquei uma música eletrônica bastante escandalosa para que eu acordasse mesmo e não deixasse Chanyeol no vácuo.

Eu tenho certeza que estou muito apaixonado por ele.

 

 

Uma música eletrônica tocou de maneira estrondosa no meu celular e diria que foi engraçado eu correndo até ele pra desliga-lo. Cocei os olhos e a primeira coisa que fiz foi trazer meu celular até a cama e deitar novamente, já ouvindo o barulho dos passarinhos enquanto minha mente estava cansada demais para pensar em abrir a janela. Ainda não estava totalmente claro.

Cobri-me com o edredom, me protegendo do torturante frio da madrugada, discando o número de Chanyeol torcendo para que ele acordasse. Ele disse que não iria atender devido não gostar de sua voz durante a manhã, então se ele apenas recusasse a chamada já era sinal de que ele estava acordado. 

Recusou. Sorri e levantei-me, curioso para a carta de hoje, sendo óbvio a coisa que mais estava ansioso para hoje. Como saio encima da hora, não consigo ler a carta em casa e quase nunca tenho tranquilidade.

Quando terminei de escrever no diário ontem, apenas peguei a carta e a guardei logo em minha gaveta. Sonolento, a abri e retirei a carta de lá, sentando-me na cama e deixando-a perto para eu não ligar a luz e meus olhos implicarem comigo para que o escuro volte.

Haviam poucas coisas, mas havia algo importante e destacado no final.

 

"Hoje sairemos mais cedo. Vamos ficar apenas quatro horas fazendo exercícios físicos e você irá ajudar a transportar as caixas. Na última aula vocês terão aula de matemática."

"Jiwon irá se declarar para Chanyeol."

 

Havia parado de ler somente para revirar os olhos e suspirar de stress, passando minha mão pelo meu rosto enquanto minha mente xingava o momento de todos os palavrões que eu conhecia. Eu já ficava mais estressado durante a manhã, mas esse tipo de coisa era novidade.

É sorte que eu posso mudar isso.

"Chanyeol aceitou namorar com ela no dia seguinte."

"Logo depois que ela se declarou, na aula de matemática Chanyeol pediu uma borracha emprestado e ficou com ela o resto da aula."

"Havia um papel pequeno preso em sua capa, mas como estava com raiva demais para ler, acabei ignorando. Eu quero que você leia."

Então eu posso evitar isso como eu mesmo planejava. Mas eu realmente deveria? E se Chanyeol for feliz com Jiwon e eu estiver atrapalhando sua felicidade? Eu só irei realizar os pedidos da carta porque da última vez que não fiz isso coisas horríveis aconteceram, mas tenho quase certeza de que não estou totalmente confortável no que estou fazendo.

Eu espero que o futuro mude sozinho.

 

 

O clima estava um pouco mais quente que ontem enquanto eu transportava as caixas cheias de bolas pesadas pelos corredores, de vez em quando vendo Minseok e Jongdae sendo os melhores jogadores de baseball que eu conheço. Outras horas vendo o Jongin e o Zitao sendo os melhores no basquete, e estava esperando a hora do futebol chegar e eu poder assistir Chanyeol, Yifan e Sehun brilharem como jogares de futebol.

Percebia que eu estava pensativo demais sobre a carta que eu havia lido lá em casa. Mas estava tudo bem, eu devo mudar o futuro e salvar Chanyeol, certo? Então eu preciso seguir e fazer o que aquela carta fala se eu quiser que isso aconteça, mesmo que eu não esteja totalmente satisfeito com o que ela praticamente está pedindo para eu fazer.

Estava tão distraído que mal percebi que Chanyeol estava logo em minha frente, já com suas roupas de futebol e pronto para ser o próximo a jogar. Dei um mini-susto e ele riu da minha situação, segurando minha caixa que eu quase havia deixado cair.

Minhas bochechas realmente não tem dó de mim e me fazem parecer uma garotinha de anime shoujo boba apaixonada.

— Quer que eu leve? — Perguntou, quase praticamente tirando a caixa das minhas mãos. — Você sempre fica encarregado dos serviços pesados. 

— N-Não... — Antes que eu pudesse responder, tive a caixa tomada da minha mão imediatamente.

Parecia bem mais fácil para ele carregar aquilo, já que eu estava praticamente quase morto por estar carregando caixas de maneira sonolenta.

Resolvi não discutir, apenas o guiei para onde ele deveria deixar aquelas caixas andando um pouco a sua frente, e não era um lugar tão perto.

— Ei. — Chanyeol chamou, fazendo-me olhar pra trás e encarar seu sorriso grande. — Obrigado por me acordar hoje.

Retribui o sorriso. Uma bola laranja havia caído da caixa e a abaixei para pegar, colocando-a de volta na caixa e forçando uma troca de olhares por uns segundos.

Desviei o olhar e voltei a guia-lo para onde deveria ir, enquanto minha mente processava coisas estranhas.

Por que sempre que eu e Chanyeol temos momentos bons que eu não fico tímido, a cor laranja sempre está presente nele? Talvez seja a coisa da cabeça de um garoto que está ficando paranóico demais.

Dei risada.

— Baek. — Chanyeol era o campeão em quebrar silêncio. Virei minha cabeça para saber porque ele estava me chamando. — Você gosta de alguém?

Meu coração começou a acelerar loucamente e senti um misterioso frio na barriga, misturado com um arrepio que foi até a espinha e meu rosto queimou como nunca havia queimado antes, então fui obrigado a desviar o olhar para que ele não notasse que eu estava morrendo de vergonha.

 

 

Chegamos na sala que deixaria a caixa e me perguntava porquê ele gostaria de saber disso, e como eu iria responder. Eu não queria dizer que sim agora, pois isso pode estragar nossa amizade e minha missão de salva-lo pode ser totalmente anulada e dada como impossível.

 

Mas caso eu dissesse não, poderia abrir uma brecha pra ele aceitar o pedido de namoro de Jiwon e causando um arrependimento que eu mesmo posso levar pro futuro.

 

É, suspirei. Não posso ser egoísta.

 

— Não! — Respondi, mas acho que ele percebeu que a pergunta havia me deixado sem graça e soltou uma risada.

 

Espero que eu não me arrependa disso, mas estou aqui para salva-lo, então preciso fazer qualquer coisa para que tudo dê certo. Eu não vou mais ser um bobo que deixa de fazer as coisas da carta por puro egoísmo, eu tenho uma função aqui.

 

Suspirei e tive uma ideia que talvez desse certo pra evitar arrependimentos, mas talvez ela possa soar muito estranha a ponto de ele imaginar outra coisa.

 

– E você, Chanyeol? — Quebrei o silêncio, enquanto andávamos lado-a-lado para buscar a próxima caixa. — Você gosta de alguém?

 

Chanyeol deu risada. Ele foi bem mais rápido ao responder, então acho que estava falando a verdade.

 

— Não.

 

— E a Jiwon? — Eu realmente estava torcendo para que nada disso afetasse no que eu tenho que fazer. — Você não gosta dela?

 

Chanyeol deu de ombros e sorriu, enquanto fomos entrando na sala para pegar as duas últimas caixas, que íamos levar juntos.

 

— Eu gosto da aparência dela. — Fechou a porta da sala após sairmos dela com as caixas. — Mas você me disse que gostar de alguém vai mais do que gostar da aparência.

 

Fiz "sim" com a cabeça. Foi quase impossivel disfaçar um sorriso bobo enquanto olhava para o chão, aliviado. Acho que o futuro já estava mudando, afinal. Não precisava me preocupar.

 

 

Depois do jogo de futebol e os meninos terem ido ao vestiário pra tomar banho, estávamos sentados esperando o professor de matemática que aparentemente não tinha vindo. Significa que só precisaríamos esperar o sinal para finalmente irmos embora da escola.

 

Por enquanto, Jiwon não havia nem chegado perto de Chanyeol, então eu estava realmente ficando sem preocupação. O futuro estava realmente mudando. A carta dizia que iríamos ter aula no último horário e o professor não havia aparecido. Estava feliz por não ter tido que fazer nada, mas a fome realmente estava me dominando.

 

Não só eu. Mas os meninos estavam ocupados demais conversando sobre como o jogo havia sido demais enquanto eu apenas prestei atenção em Chanyeol no jogo inteiro.

 

— Será que dava pra o Minseok dar moedas pra gente comprar pelo menos refrigerantes? — Junmyeon, interrompeu, olhando para Minseok que estava jogando em seu celular.

 

Todos olharam pro mesmo, que estava entretido com aqueles joguinhos bestas de celular que viram moda na internet. Parece que haviam gostado da ideia, mas não importa o quanto o chamassem ele não estava prestando atenção nem um pouco.

 

Jongdae andou até ele de maneira agressiva e tirou o celular de suas mãos, enquanto Minseok assustou-se e o tentou pegar de volta.

 

— Sai desse vício, Minseok! — Jongdae guardou o celular no bolso. — Estávamos falando que bem que você poderia nos dar moedas pra comprarmos refrigerantes pra gente na máquina. Mas você tava aí, igual como se isso fosse uma droga!

 

Acho que iríamos presenciar mais uma das brigas icônicas de Minseok e Jongdae.

 

— Não exagera! — Minseok estendia o braço como se pedisse o celular de volta. — Drogas fazem mal e matam, celular não faz nada.

 

— Quem disse? Os seus dois graus de miopia? — Era engraçado perceber que Jongdae só era um amigo preocupado.

 

— Mas vista não mata.

 

— Não? Você pode ficar cego e cair num buraco.

 

Minseok ia responder algo, mas desistiu e colocou a mão no bolso, contando as moedas para conseguir comprar uma lata de refrigerante para cada um de nós doze. Apenas as colocou nas mãos de Junmyeon e permaneceu trocando língua com Jongdae.

 

Junmyeon deu risada e contou novamente as moedas em sua mão.

 

— Quem vai comprar? — Estendeu a mão cheia de moedas para alguém as pegar.

 

Chanyeol levantou-se e as pegou imediatamente, as encarando sorridente e ao mesmo tempo confuso. Não sei porque ele havia se oferecido desse jeito, acho que ele nem sabe onde a máquina de refrigerantes fica.

 

— É que eu gostaria de conhecer mais a escola. — Deu risada e guardou as moedas em seu bolso. — Onde fica?

 

— Fica na frente da cantina. — Jongin respondeu, dando risada. — Você já passou por ela trilhões de vezes.

 

Chanyeol riu e fez sim com a cabeça, enquanto eu torcia para que ele não se encontrasse com Jiwon e estrague todos os meus planos. Mas acho que é bem impossível já que ela deve estar tendo aula agora.

 

— Vamos ver na janela se ele acha o lugar. — Sehun sugeriu, e logo todos foram o seguindo até a janela que apontava para o pátio que podia-se ver a cantina.

 

Eu não iria caso não estivesse acontecendo o que está acontecendo, então apenas fui para ter a certeza de que ele não se cruzaria com Jiwon no caminho. Mesmo a janela sendo bastante espaçosa, eu apenas conseguia ter uma visão pequena de Chanyeol colocando moeda por moeda, segurando os refrigerantes que pareciam estar pesados.

 

Quando terminou, foi os colocando em um saco e parecia estar voltando. Suspirei de alívio cedo demais, e de maneira acidental empurrei Jongdae para que eu pudesse ver melhor o que estava na frente dos meus olhos.

 

Jiwon havia corrido pra falar com ele, enquanto os garotos foram gritando um monte de "wows" que me irritava. Ela havia o chamado para ficar embaixo da árvore perto do pátio principal, com flores laranja quase vermelhas que me davam raiva. Isso não podia estar acontecendo. Ele havia aceitado. Os dois estavam na árvore, e ela estava falando muito.

 

Minha expressão triste definiu aquele momento por inteiro. Os garotos comemoravam, enquanto eu apenas encarava o chão e tinha certeza que não iria conseguir ver o resto. Eu havia de me controlar para não chorar.

 

Olhei para o lado por um instante, e vi que Luhan estava me encarando com uma expressão séria, mas logo desviou o olhar.

 

Ele estava subindo novamente, e todos foram correndo para o esperar na porta, enquanto fui andando até minha cadeira, tentando ao meu máximo não mostrar que estava triste, mas acho que isso não estava sendo possível.

 

— Ela se declarou? — Ouvi a voz escandalosa de Yifan perguntando, então significa que Chanyeol havia chegado.

 

— Sim, sim. — Respondeu entre risos.

 

Ele me deu meu refrigerante e o aceitei, enquanto ele foi distribuindo os outros para cada um de nós. Os meninos estavam curiosos mesmos para saber sobre a Jiwon e o papo misterioso da árvore próxima as flores de cor confusa. Enquanto eu estava torcendo para que o professor apareça e Chanyeol me peça a borracha.

 

— E o que você disse? — Sehun perguntava, lhe dando empurrões amigáveis.

 

— Disse que lhe daria a resposta ainda hoje. — Chanyeol deu risada e sentou-se, abrindo seu refrigerante.

 

Suspirei e lembrava daquela carta e o que ela me pedia pra fazer, e também que dizia que Chanyeol iria aceitar seu pedido no dia seguinte, e não no mesmo dia. Olhava para os lados torcendo para que o professor aparecesse, enquanto meu coração acelerava-se provavelmente pela milésima vez hoje. Essa história de salvar pessoas ainda vai me matar.

 

Talvez eu esteja feliz em atrapalhar os dois, e isso me faz sentir culpado. O que eu deveria fazer? E se Jiwon não ter sido um arrependimento de Chanyeol? E se eu estiver fazendo tudo errado igual a primeira carta?

 

Acho que tudo em mim comemorou quando o professor entrava apressado na sala e seus sapatos traziam barulhos agradáveis em seus passos que faziam todos entrarem em silêncio. Coloquei a lata de refrigerante no bolso da minha mochila para joga-la no lixo depois.

 

Eu estava sorrindo enquanto todos reclamaram indo aos seus lugares. Parecia um idiota que estava comemorando por ter aula de matemática, mas era apenas um ansioso para reverter a situação.

 

Mas pensando bem, tudo está acontecendo como a carta diz. Eu só devo pegar um bilhete que foi deixado na minha borracha, isso não iria mudar nada do que eu estou pensando que iria mudar. Suspirei.

 

Talvez fosse melhor lidar com o destino e aceita-lo. Não posso mudar coisas que Chanyeol não se arrependeu, somente as coisas que Baekhyun do futuro se arrependeu. Não sei se ele sentiu o mesmo, mas sinto-me como se houvesse perdido uma grande oportunidade e minha timidez tenha estragado.

 

— Façam a questão seis. — O professor disse, enquanto saía da sala novamente depois de explicar uma matéria sem sentido algum para minha mente ocupada com o que devo fazer.

 

Abri meu caderno e tentei fazer a questão do jeito que sabia, mesmo que minha mente me obrigasse a pensar nas coisas que eu não deveria estar pensando. Olhei em volta e todos estavam fazendo com facilidade como se fosse uma matéria fácil, então eu que realmente não estava prestando atenção no que estava acontecendo em minha volta.

 

Senti alguém tocando em meu braço como se estivesse me chamando. Olhei pro lado e era Chanyeol quem estava pedindo algo, e acho que o assustei por estar tão nervoso assim.

 

— Você pode me emprestar uma borracha? — Chanyeol estendeu a mão ao pedir e eu o entreguei em menos de um segundo.

 

Talvez as pessoas estranhassem meu sorriso repentino. Perfeito, tudo acontecendo da maneira que deveria acontecer. Agora devo esperar até o final da aula para que ele me devolva a borracha com o bilhete preso nela, e assim poder ler o que Baekhyun do futuro nunca conseguiu ler.

 

 

 

Quando o fim da aula finalmente havia chegado, todos levantaram-se, deixando a folha de exercícios na mesa do professor e arrumando suas coisas para sair para o corredor cheio, enquanto eu só pensava em pedir minha borracha de volta, mas iria esperar que ela fosse entregue a mim.

 

Os garotos foram jogando a lata de refrigerante no lixo, já arrumando algum assunto estranho para se conversar em uma sexta-feira que saíamos cedo. A sala foi ficando vazia, enquanto Chanyeol ainda terminava o dever e o colocava na mesa um pouco atrasado dos outros. Eu estava o esperando pela borracha, mesmo que ele provavelmente saiba disso.

 

— Obrigado, Baekhyun. — Havia me entregado a borracha, e o "Baekhyun" saindo de sua boca soava um pouco estranho, já que eu estava acostumado com "Baek", então talvez ele esteja nervoso.

 

Fiz "sim" com a cabeça de maneira sorridente, o assistindo sair da sala provavelmente indo buscar seu material de futebol enquanto eu o encarava ir embora como se estivesse bastante nervoso, eu espero que ele não tenha ido falar com Jiwon agora.

 

A borracha realmente havia um papel preso em sua capa, fazendo-me suspirar sozinho em uma sala vazia enquanto estava nervoso para ler o que poderia salvar o meu futuro. Puxei cuidadosamente o bilhete pequeno enquanto meu coração se preparava para o que eu iria ler nele.

 

Eu havia esperado o dia inteiro por ele, eu preciso tomar coragem para abri-lo logo.

 

"Baekhyun, você ficaria com ciúmes caso eu namorasse a Jiwon?"

Senti vontade de deixar todas as lágrimas possíveis que existiam no lugar e momento que estava, enquanto sentava na cadeira com a mão no peito, pensativo sobre a situação que eu estava. Eu já esperava algo que me fizesse ficar nervoso e confuso, mas não algo nesse estilo.

 

 

O que eu devo fazer? Baekhyun do futuro não leu esse bilhete. Eu deveria ser sincero e dizer que sim ou falar que não? Se eu dissesse que sim talvez ele a namorasse somente para que eu ficasse enciumado, mas duvido que Chanyeol faria algo desse tipo comigo.

 

Eu não queria estragar nossa amizade e ter a chance de não conseguir salvar Park Chanyeol, então tenho certeza que deveria pensar cuidadosamente para não agir feito um estúpido ou uma garotinha de anime apaixonada e egoísta.

 

Mesmo que eles não namorassem, tenho certeza de que seria impossível ter algo entre nós dois. Puxei uma caneta do meu bolso, com a letra tão borrada quanto minha mente, escrevendo a minha resposta.

 

Eu tive que escrever o que sentia, por mais que nossa amizade seja afetada.

 

 

O vestiário era dividido por armários cinzas que pareciam paredes, mas não chegavam a dividir totalmente a sala, podendo você andar pelos corredores normalmente. Esperei por Chanyeol escondido atrás dos armários que ficavam no vestiário, estava na sala ao lado em que seu armário encontrava.

 

Havia deixado meu bilhete lá, com a resposta, e sabia que ele viria pegar seu material de futebol como sempre faz. Percebi que passos ecoavam lentamente e preparei-me para ver sua reação ao ler aquela carta, era o mínimo que eu podia fazer depois de ter respondido aquilo.

 

Tentei fazer o mínimo de barulho possível ao ouvir seu armário abrindo e tive que andar lentamente para espia-lo. O mais novo retirou o papel do armário, o abrindo e lendo a resposta com um rosto sem expressão, logo guardando em seu bolso e retirando seu material do armário.

 

Ele não havia nem ao menos se importado.

 

Desviou o olhar para mim e assustei-me com um grito não tão alto, mas logo saí do meu esconderijo tentando disfarçar o que eu estava fazendo. Tudo que eu menos queria agora, era ficar frente-a-frente com Park Chanyeol nesse momento.

 

Sentia minhas bochechas esquentarem ao ver que ele se aproximava de mim com uma expressão preocupada.

 

— Você tem certeza de que não tem problema? — Olhou para mim, me torturando com aquele olhar preocupado e muito desapontado com o que estava acontecendo.

 

Fiz "sim" com a cabeça, de uma maneira tímida, e ao mesmo tempo me condenando por estar fazendo isso comigo mesmo. Estava tendo que aceitar que eu precisava salvar Park Chanyeol, e não a mim mesmo. Preciso que ele fique feliz, e não eu mesmo.

 

— Eu pensei que... — Chanyeol continuou, mas logo em seguida se interrompendo com uma risada. — Nada não, eu só entendi isso tudo errado.

 

O que ele quis dizer com isso? Eu havia feito algo de errado? Quando terminou o que disse, fez um sinal de tchau enquanto sorria e ia embora com seu material. Puxando o celular do bolso lentamente, provavelmente pedindo para Jiwon encontra-lo e acontecer o que deveria acontecer.

 

Eu tive que escrever o que sentia, por mais que nossa amizade seja afetada.

 

Mas eu não escrevi.

 

O encarei até sumir totalmente do meu olhar, puxando minha mochila do banco com raiva e torcendo para que chegasse em casa o mais rápido possível. Eu precisava pelo menos chorar um pouco.

 

 

 

— Baekhyun! — Minha mãe comemorava ao ouvir a porta abrindo-se, enquanto colocava meu prato sobre a mesa. — Que bom, você chegou bem na hora do almoço!

 

Joguei a mochila no sofá, apenas retirando meu celular, subindo as escadas praticamente em pulos enquanto comemorava para minhas lágrimas não saírem onde eu estava mesmo.

 

Não ligo se minha mãe iria estranhar, apenas não podia ficar assim na frente de ninguém. Entrei no meu quarto, trancando a porta e me afogando nos edredons em uma rapidez engraçada.

 

Meu rosto praticamente estava enterrado em meu travesseiro enquanto eu deixava lágrimas rolarem por ele. Eu merecia aquilo, eu deveria ter falado antes, deveria ter perguntado o que ele quis dizer, qualquer coisa menos essa dúvida que deixa minha mente enevoada.

 

Eu sentia que eu poderia ver mais cores que outras pessoas viam, eu praticamente sabia o futuro que está cada vez mais próximo, tudo o que iria acontecer, e nem eu mesmo consigo muda-lo. O que está acontecendo? Por que está tudo mudando tão rápido? Alguma coisa está errada.

 

Era como se minha percepção estivesse cada vez melhor.

 

Eu preciso aguentar todos os dias ve-los beijando e juntos o tempo todo, mas ainda preciso salva-lo. Eu preciso esquecer meus sentimentos, como sempre faço, e focar apenas em mantê-lo feliz e vivo.

 

Levantei-me, com olhos vermelhos, encarando-me no espelho. Quando meus próprios olhos no espelho me encaram, eu tenho quase certeza de que eles não pertencem a mim. Eu tentei sobreviver colocando minha fé apenas em instintos, mas agora eu me pergunto...

 

O que eu fiz?

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Bem, com licença, quero desabafar aqui com algumas palavras...
eu te odeio chanyeol eu te odeio baekhyun eu te odeio chanyeol eu te odeio baekhyun eu te odeio chanyeol eu te odeio baekhyun eu te odeio chanyeol eu te odeio baekhyun eu te odeio chanyeol eu te odeio baekhyun
Desculpem pelo stress, também tô assim. BAEK SEU TROUXA CHANYEOL NÃO ERA VOCÊ QUE PERCEBIA TUDO GRRRRR UM PIOR QUE O OUTRO GRRRRRR
Eu tô rindo de nervoso, e ao mesmo tempo ansiosa pra escrever o próximo capítulo. Que saudade de chorar em alguma cena, até estranhei. Ah não, acho que eu chorei no começo. Triste. (O próximo futuro vai ser muito mais triste~)
Espero que tenham gostado e me desculpem qualquer erro, acho que acabei quase dormindo na revisão e ela ficou meio fraca.
OUÇAM WEKI MEKI~
Agora, sim, tchau e me odeiem bastante. Mentira, não me odeiem.
Bye~ Até a próxima!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...