História Ordinários - Capítulo 11


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Esporte, Famí­lia, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Drogas, Heterossexualidade, Incesto, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Tomara que os pais gostem dela.

Capítulo 11 - Capítulo 10


Chegamos em sua casa e a família dele até que me recebeu bem. A casa, em si, era pequena, mas o terreno tinha um gramado extenso e muito bonito. À frente da casa havia um banquinho de madeira, era uma gracinha. Tiramos os sapatos antes de entrar. Não era muito agradável pisar naquele chão apenas com meias naquele frio, mas fazer o quê? Deve ser mania deles.

A mãe dele estava meio descabelada e parecia comigo (estava com cara de quem não dormiu, em outras palavras). Conheci seu pai (Ramon, um homem de cabelo castanho cacheado e pele escura - era totalmente diferente do que eu esperava de um Salamander), sua mãe (Crisbell, uma moça baixa, pálida de cabelos lisos e pretos - o mais estranho é que nenhum dos dois tinha olhos verdes, Hebrom deu muita sorte) e seu cachorro branco e extremamente gordo (que eles chamavam de "Harold").

–Não liga, ele é muito folgado. –disse Zacur, que trocava os canais da televisão ao perceber que o cãozinho colocava sua enorme barriga pra cima bem na minha frente, porque queria carinho. –Esse pudim de banha sempre fica querendo atenção.

–Não chama meu filho disso! –Hebrom reclamou feito uma criancinha.

–Seu filho, disse certo! Você sabe que eu não queria ele, era o pior e mais obeso cachorro pra adotar. Da próxima vez que for passear com essa coisa na rua, não chega perto de mim. É vergonhoso ter um cão que parece uma ovelha... Ainda mais com esse nome idiota que parece de gente. Imagina se aparece um Harold andando na rua.

Salamander não gostou do comentário. Deu pra perceber isso porque ele fez biquinho de bravo, colocou o cachorro no colo (com o maior esforço, claro) e o levou até o quarto da sua irmã mais nova.

Mesmo que não conseguisse nem respirar direito com aquele bicho no colo, Hebrom aproveitou o caminho para me mostrar onde era a cozinha, o banheiro e seu quarto, mas só de vista mesmo, disse que depois eu poderia olhar cada cômodo mais calmamente. Entramos num quartinho rosa e ele me apresentou a menininha de uma maneira extremamente empolgada, logo depois de colocar Harold no chão.

–Quésia, essa aqui é Dileã! –estendeu os braços para mostrar a pequena garota de cabelos castanhos que estava sentada numa cadeirinha à mesa de plástico. Ela estava tomando chá com um gato preto que usava um vestido lilás e um guaxinim de pelúcia idêntico ao meu.

–Essa é a sua namorada, Brom? –ela perguntou olhando pra cima. –Não é bonita do jeito que você falou.

O rapaz arregalou os olhos cheio de vergonha:

–Di, o que a gente tinha combinado sobre ser educada?

–Não lembro. –ela deu os ombros e não prestou atenção na tentativa de fuga do gato preto de vestido.

Diferente dele, eu comecei a rir. Ela é totalmente sem escrúpulos, adorei!

–É um brazer! E... Não... Não sou naborada dele. –expliquei sorrindo.

–Por que não? –ela ficou indignada, como se eu estivesse desdenhando seu irmão. –Brom é um ótimo mordomo, você deveria ficar com ele. –falou enquanto empurrava Harold, que estava tentando cheirar as xícaras da mesinha.

–Bordobo?

–Sim, quando brincamos de chazinho, ele sempre é o mordomo. Eu preciso de uma empregada também. Tem certeza que não quer ser namorada dele? Ela seria uma ótima empregada e poderia tomar conta da Jezabel, não acha, sr. Feffer? –ela falou com seu guaxinim de pelúcia.

–Eu já disse pra não chamar a gata de Jezabel. Você sabe como essa mulher morreu? –Hebrom reclamou.

–Era o nome que estava na coleira! –a menina se defendeu. –Eu não vou trocar o nome só porque não encontramos a dona dela ainda. Ela precisa de uma babá, por isso você deveria namorar a Quésia pra combinar.

–Tudo bem, mas nós não podemos brincar agora, Dileã... Nós vamos estudar. –Hebrom estava evidentemente constrangido pela atitude da caçula, por isso, pegou minha mão e tentou me tirar do quarto.

–Vão nada! Devem estar indo pro quarto se beijar, que nem o Zac faz com aquela feiosa de cabelo verde! Depois aparece um bebê e não sabem o porquê... Seus bobos! –ela falou umas coisas meio sem sentido, mas com a maior convicção do mundo.

–Não é assim que aparecem bebês... Quem te disse isso? –ele se virou.

–Foi Zacur.

–Não acredita nele. Quando você for mais velha, a mamãe e o papai vão te dizer o que acontece.

–Então sua namorada não está grávida, irmão?

–Não! –falou num tom mais alto pelo nervosismo. –E ela não é minha namorada! –ele foi me tirando daquele lugar.

–Calba, ela é só uma garotinha, não sabe buito do que está falando. –tentei justificar a atitude dela.

–Não a subestime, ela é muito inteligente. De um modo geral, crianças são muito inteligentes. Na maioria das vezes, ela sabe sim.

–Então sobos namorados? –perguntei e Salamander me fitou arregalando seus olhos verdes. –Brincadeira! Haha! Que neurótico! Vai, me bostra seu quarto.

–Eh... Está bem. Venha. –respondeu andando a passos rápidos até o lugar.

Era um quarto bonito, tinha duas camas de solteiro e eu deitei em uma delas. As prateleiras eram cheias de coisas aleatórias e a escrivaninha tinha papel saindo pelo ladrão. Eu estava um pouco cansada, ficar doente me deixava meio indisposta.

–Vai ficar quente aqui... –ele disse sentando do meu lado e eu super estranhei.

–O quê?

–Eu estou ligando o aquecedor pra você poder colocar a roupa que trouxe, Qué... Pra não precisar se vestir como se estivesse nevando. –riu.

–Ah, tá! Há... Obrigada. Eu estou borrendo de frio.

–Bem, eu já volto, tá bem?

–Tá.

Ele saiu do cômodo e eu comecei a olhar os papéis da escrivaninha. Eu não entendi muito, porque estava tudo em inglês e uma parte em... Italiano? Espanhol? Não... Acho que francês. É, francês faz mais sentido. Canadá... Francês... Bem, dava pra ver que tinha alguma coisa a ver com latim.

Eu comecei a tirar o cachecol e depois as outras roupas.

Hebrom

–Darling, olha o que eu trou... –eu não consegui terminar de falar. Quase derrubei a caneca com cevada quente que estava na minha mão.

Por quê? Bem, eu posso dizer o porquê. Quésia estava de costas trocando de roupa sem ter trancado a porta e eu me deparei com ela colocando a calça. Por sorte, ela já estava de blusa e a única coisa que eu vi e não deveria ter visto foi a panty com estampa de gatinho. Meu rosto ficou completamente vermelho e meu coração estava quase saindo pela boca.

Eu bati a porta rápido e com força, depois de ficar chocado com aquela cena e Quésia me olhar de um jeito constrangido e inocente ao mesmo tempo. Isso foi tão vergonhoso!

–Desculpe!... Você deveria ter trancado! –eu falei fechando de novo e escorregando com as costas na porta até sentar no chão. Coloquei a caneca do meu lado.

–Não tem nada debais!

–Não tem pra você, que pode ver isso todo dia!

–Para de gritar cobigo! O que foi? Tá com inbeja?

–Eu não estou com inveja! –falei alto escondendo o rosto. –Desculpe por gritar...

Ela abriu a porta e eu caí pra trás com  a cabeça no chão.

–Tá tudo bem, não foi nada debais. É como se você me bisse de biquíni.

–Eh, mas eu também nunca te vi com isso. –levantei e peguei a caneca. Quésia estava me deixando completamente sem graça.

–Então...

–Então o quê? Se eu quero ver?

–Não, besta! –riu. –Pega os livros.

–Ah! Tá! Desculpe. –ri também, mas um pouco constrangido e botei a mochila ao lado da escrivaninha. Deus, ela me deixa tão confuso... Mais do que já sou normalmente.

Quésia pegou os materiais e botou em cima da cama. Logo depois, pegou a caneca da minha mão sorrindo e começou a tomar:

–Isso é bom, mas não é café... Que troço é esse?

–Cevada. É mais saudável.

–Ah, sim! Gostei. Enfim, o que bocê não sabe?

–Não sei.

–Como não sabe o que não sabe?

–Hã...?

–Espera. Bamos por partes... Eu não sirvo bra ensinar. –colocou a caneca em cima da escrivaninha.

–Certo...

–Sabe pelo menos conjugar berbos, né? –Quésia disse fungando.

–"Berbos"?... Ah, verbos? Sim, eh. Isso eu sei. –sorri.

–Então tá... A professora não passou nada ainda, mas debe ter algo que já te ensinaram aqui. –começou a folhear o livro de Português. –É bem simples. Há algumas coisas parecidas com o... francês... E até com inglês mesmo.

Eu me senti muito especial por ela saber as línguas que falo.

–Sem querer desviar buito do assunto, mas por que você veio pra cá? Tipo... Aqui não é tão legal, se é que dá bra be entender.

–Minha mãe se arrependeu de me deixar morando lá fora com meu tio e pediu que nós viéssemos pra cá. Ela não queria ficar comigo... Entendeu? Ela não gostava muito de mim quando eu nasci. Tipo, ela não queria ficar comigo... Não fique impressionada, ela não é mais assim. Ela era nova. Além disso, ela preferia ficar só com Ramon aqui, porque ele recebeu uma proposta de emprego melhor aqui... Eh, muito melhor. Algo como o triplo do salário...

–Que estranho... Até estranho ele receber algo belhor no Brasil... Enfim... Agora sobre Bortuguês.

–Desculpe.

–Sem broblema. Eu que berguntei. Então... Morfologia você sabe?

–Hm... Eh. Não tenho muitos problemas com isso... Nem com a matéria desse ano. –eu havia conseguido aprender na recuperação final do ano passado, mas não foi o suficiente pra ser aprovado... Minhas notas anteriores estavam muito baixas.

Ela procurou mais um pouco no livro e achou um capítulo que falava sobre Sintaxe... Acho que vou infartar... Eu estou com medo de ela ver o fracasso que sou em Português e me achar um bobo. Eu preciso achar um jeito de arrumar uma distração...

–O que é isso? –Qué estranhou eu sair colocando minhas duas mãos no seu cabelo e começar a bagunçar. Eh... Isso foi bem aleatório.

–Você tinha dito que eu podia...

–Ah... Berdade. Mas isso parece um pouco estranho.

–Não tem nada de estranho, Qué, seu cabelo é muito lindo. –olhei nos olhos dela e me aproximei um pouco.

–Não era dele que eu estava falando, bas tudo bem... Eu não acho. Ele é buito espetado, repicado, sei lá. Ele não fica alinhado de jeito nenhum.

–Não acho feio por ser diferente, darling. Seu cabelo é muito bonito, o meu é que fica estranho por ser alinhado demais.

–Seu cabelo é perfeito...

–Você quer tocar também?

Eu soltei seu cabelo e Quésia respondeu:

–Ah, sim, mas... Temos que estudar.

–Ok! Daqui a pouco... Com licença. –peguei o livro das mãos dela, puxei Qué até a beirada da cama, sentei no chão, deitei no colo dela e coloquei suas mãos no meu cabelo. Meu rosto ficou vermelho, mas eu gostei de fazer isso... Ela não sentiu nojo de mim... Deu vontade de chorar, mas eu me segurei... Ela poderia me achar esquisito.

Ela estava tímida de mexer no meu cabelo, mas começou a fazer carinho na minha cabeça e eu fechei os olhos... As mãos dela são tão macias! Ela é a melhor garota do mundo... Parabéns, Deus. Eu sorri inconscientemente e ela tirou minha franja da testa.

–O almoço está pronto, venham comer! –minha mãe abriu a porta sem bater e começou a berrar.

–Ah! Tá bem! –minha crush tomou um susto.

–Vamos.

–Sim, sim... Deu pra notar que sua mãe tem um sotaque mais fraco que você.

–Ela viveu aqui por mais tempo que eu. Eu morava no Canadá com meu tio... Depois te conto isso. Daqui a pouco a gente continua estudando. –levantei, segurei sua mão de novo e levei-a até a cozinha. Eu fico muito envergonhado de me oferecer tanto pra ela, mas é porque eu gostaria que ela notasse que estou apaixonado por ela desde antes que ela soubesse meu nome.

Os brasileiros são carinhosos, então acho que seja por isso que ela não nota o quanto eu "dou em cima" dela (meu irmão quem me ensinou esse termo).

Minha mãe havia colocado salada primeiro em cima da mesa, como costuma fazer. Zacur estava lá também. Nós agradecemos e começamos a comer. Quésia ficou meio confusa e não fechou os olhos. Talvez ela não esteja acostumada a orar... Eu me senti meio incomodado com isso, não exatamente por ela não acreditar na mesma coisa que eu... Mas é que conversar com Alguém que sempre pode te ouvir é tão bom! Faz você se sentir mais leve.

Enquanto o prato principal (tinha vegan poutine também!) estava sendo servido, minha família começou a puxar assunto e fazer quase que um interrogatório com Qué. Ela começou a comentar sobre seu passado, porque meus pais queriam saber o que estávamos estudando. Quésia não entendia a situação, mas eu tinha certeza de que eles estavam perguntando pra ter certeza de que eu não estaria fazendo nenhuma besteira com ela. Eu nunca trouxe uma menina pra casa e muito menos fiquei sozinho com ela no meu quarto... Além disso, eu não tenho um histórico muito bom aos olhos dos meus pais.

Apesar de eu chamar Ramon de pai, ele não é exatamente isso... Ele me trata como um, por isso eu chamo. Ele é super protetor. Enquanto isso, minha mãe vive exigindo de mim, sendo que eu não tenho culpa dos erros dela. Ela desconta as coisas em mim, mas eu já aprendi a relevar, ela também não deve ter tido um dos melhores passados.

Meu "irmão" se incomoda comigo, porque acha que nossos pais me dão mais atenção... Mas isso acontece pelo que eu já disse: Não tenho um histórico bom. Da parte de Ramon, eu até posso chamar isso de atenção, mas da minha mãe está mais para "pegação no pé". Já Dileã... Bem, se eu aceitar ser o mordomo dela na brincadeira do chá, ela continua me amando. Então está tudo bem!

Quésia ficou explicando que estávamos estudando Língua Portuguesa por causa da minha dificuldade. Ela contou que já ganhou uma competição desse assunto quando estudava no orfanato. Meus pais ficaram meio surpresos em saber que ela era adotada. Quando eu disse ao meu pai que ela morava com Edgar, ele deu um sorriso torto. Eu pensei que ele ouviria como um comentário legal, já que foram colegas na juventude.

Depois, Qué continuou falando da maneira que dominava esse assunto e eu me senti um asno perto dela. Antes disso, eu estava passando minhas pernas na dela por debaixo da mesa... Eu fiquei muito desanimado. E se ela perder a paciência e ficar com raiva de mim? Ela já se estressa com o irmão, imagina com um menino qualquer. Deus, eu não queria que ela pensasse mal de mim... É a primeira menina que não se afasta de mim por causa do que Richard fala.

–Hebrom... Tá tudo bem? –ela sussurrou pra mim à mesa e eu sacudi a cabeça em negação. Eu não queria dizer, mas detesto mentiras com todas as minhas forças. –Você quer voltar pro quarto?

–Não, não. Vamos comer. Eu quero que você experimente a comida da minha mãe. –sorri de canto.

–Tá... –ela começou a olhar para o meu almoço. Aparentemente ela percebeu que no meu prato havia coisas que não estavam no dela, seu olhar ficou idêntico ao da minha irmã mais nova quando quer alguma coisa. –O que é isso?

–Hebrom é diferentão e só come coisa vegan. –Zacur falou colocando o cotovelo em cima da mesa para apoiar o rosto na mão.

–"Vegan"? –Qué pareceu confusa.

–Aqui vocês chamam de "vegano". Eu não uso e nem como derivados de animais... E também sou contra o uso deles pra entretenimento.

–Você é mesmo muito estranho! Quero comer a mesma coisa que você. –ela sorriu pra mim.

O entusiasmo dela me deixou um pouquinho mais animado que antes. Quésia ficou hesitando em colocar o garfo na boca, mas ela gostou. Disse que nem estava acostumada à comida caseira e que minha mãe cozinhava muito bem.

Após o almoço, escovamos os dentes juntos e voltamos a estudar. Eu fiquei meio triste... Talvez eu esteja sendo bobo por desdenhar da capacidade cognitiva que Deus me deu, mas eu queria ser inteligente como Qué.

–Ai, sei que isso não é nada educado, bas eu tô cheia! –Quésia falou sentando na minha cama e colocando a mão na barriga. –Eu acabei de assoar o nariz e a minha voz já tá bugada de novo... Eu consigo falar, bem, mas algubas coisas saem contra a binha bontade. Espero que nunca fique doente desse jeito, chega a ser ridículo. Enfim... Bamos voltar ao estudo? –perguntou.

–Sentir você fazendo carinho em mim estava bem mais interessante. –suspirei.

–Então quer dizer que bocê estava enrolando bra não estudar? –eu apenas olhava para o chão.

–Não era só isso, mas... Desculpe. –ri.

–Certo, certo, eu te entendo... Retobando o assunto de Sintaxe... Pelo benos sabe como classificar?

–Sim, eh. Eu já conheço, é matéria do oitavo ano.

–Não que eu esteja duvidando de você... Quer dizer, eu até estou, mas não queria admitir. De qualquer forma, vamos fazer uba revisão, tudo bem? Quero que você classifique cada componente da frase que eu escreber.

–Hm... Sem problema, eh... –meu relacionamento nem começou e eu estou achando que vai acabar depois dessa revisão. Eu poderia calcular a margem de erro, mas eu também não sei Matemática...

–Não se preocupa, vou escolher fáceis. –pegou uma folha do próprio caderno e escreveu “Eu gosto de música”... Olha só a minha piedade... –Bamos bor barte ainda... Acha o sujeito.

–Você gosta de música? Eu também, eu escrevo letras e sei tocar gui... –ela me interrompeu.

–Quanto bais bocê enrolar, benos coisa vai abrender. Não que eu não queira saber o que você faz, mas depois do estudo você fala disso, certo?

–Certo... Desculpe de novo. –eu estava me sentindo um bobo.

–Ah... Sem broblemas.

–O sujeito está aqui. –ele apontou pra palavra “Eu”.

–Isso, agora barca ele. –fiquei cinco segundos encarando o papel e fiz uma seta.

–Escrebe qual tibo de sujeito é. –eu cumpri a ordem e do nada comecei a tremer. Não dá... Ela vai ver que sou burro...

Quésia

–Salamander... Tá tudo...? –ele estava chorando, as lágrimas corriam rapidamente pelo seu rosto. –Hebrom! O que hoube, criatura?!

–Eu sou estúpido! –eu não estava entendendo bulhufas, até pegar a folha... “Sugeito cimples”... Pelo menos ele sabia que estava errado. –Desculpe, desculpe, desculpe...! –soluçava.

Eu não sabia o que fazer. Esse menino chora por tudo! Eu tô desorientada, Judi nunca chorou na minha frente. Se bem que eu duvido que Hebrom escreva tão mal assim, acho que ele não reage bem sob pressão.

–Ei... Fica... Fica calbo. Eu que me ofereci bra te ajudar, não deberia e nem vou ficar brava contigo. E... Eu... Eu estou te acusando de alguba coisa? –levante o queixo dele com a minha mão, receosamente.

–Q-Que eu saiba, não...

–Então se distrai... Esbera aqui. –ele parou com o murmurinho, mas as lágrimas ainda caíam.

Fui fiquei procurando o dicionário que estava na minha mochila.

–Tenho uba coisa pra você.

–O quê? –me mirou com os olhos arregalados e brilhando, ainda alagados. Pus o livro na sua mão. –Muito obrigado! Mas... O que é isso?

–Um dicionário. Eu passaba bastante tempo lendo bra aprender balavras nobas, bas no fim das contas esquecia a maioria. Se você exercitar falar uma diferente por dia, acho que isso pode ampliar o seu vocabulário e fazer com que você se sinta mais seguro quando for escrever. Pensa num barente brasileiro.

–Eh... Meu pai... Meu tio...

–Qual passa bais tempo com você?

–Ramon.

–Eu te aconselharia a pedir bra ele te ensinar a bronúncia de algubas palavras.

–Ah! Boa ideia! Isso foi... –folheou o dicionário e acabou me fazendo gargalhar. –Primoroso!

Ele é um amor... Seu sotaque é muito engraçadinho. Eu sei que minha maneira de falar também está muito estranha, mas mesmo assim eu resolvi tirar um pouco de sarro:

–Hebrom, diz debois de bim: “otorrinolaringologista”.

–Óto... Otolin... O... Pode repetir? É otorin... Otolingolaringo...

Foi maldade, sim, me prenda, mas vou continuar achando hilário. Ele é uma gracinha tentando falar certo.

–Ei, já bode barar, é só uma brincadeira. –ele riu, mas tava evidente que dessa vez era só pra socializar, estava um pouco sem graça. Eu e o meu humor de quinta categoria... Ele não precisava rir, eu riria por nós dois.

–Qué...

–O que foi?

–Você acha que eu sei falar Português?

–Sim, óbvio. Você está falando cobigo em francês, por acaso? Não é imbossível de entender seu jeito de falar... E barece saber a matéria, apesar de ficar enrolando.

–Então quer dizer que eu não preciso mais estudar?

–Bocê que sabe. Eu só vim aqui pra te ajudar. Se você acha que não precisa mais...

–E se eu traduzir as letras que escrevo e mandar pra você corrigir, você faria isso por mim?

–Letras? Letras de música? Sim, corrijo.

–Eh, eu disse que escrevo... E ia dizer que toco guitarra também. Eu já fiz parte de uma banda...

–Que legal, Hebrom! –fiquei impressionada.

–Nem tanto... Não foi uma experiência tão boa. Você pode me passar seu e-mail? Se você não quiser vir aqui de novo, eu posso te enviar...

–Tá certo. –escrevi na folha e ele a pôs debaixo de um porta-retrato... Era uma foto dele com alguns garotos... E um desses garotos era... Folk. –Hebrom...

–Fala, darling. –sorriu de um jeito bem carismático.

Será que eu devo perguntar?


Notas Finais


Se você quiser mesmo saber, pergunta, oras. Que ideia!


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