História Orgulho e Preconceito - Capítulo 22


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Temari
Tags Jane Austen, Naruto, Orgulho, Preconceito, Sakura, Sasuke, Sasusaku
Visualizações 548
Palavras 7.225
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Festa, Josei, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


VOLTEI!!!111
Depois de uma semana de atraso, consegui trazer um capítulo para vcs!
Quero dizer que a fic está para chegar ao fim, se a deusa me ajudar a terminar.
Beeem, esse capítulo vai ser dedicado a linda da Ferzi, que fez uma capa como presente para mim! MUITO OBRIGADA SUA LINDA, FIQUEI MUITO FELIZ!
Coloquei a capa como capa do capítulo, para que todas possam ver e apreciar essa belezura.
Agora, vamos lá!
Obrigada a todas que comentaram e favoritaram, agradeço de coração! <3
Boa leitura :)

Capítulo 22 - Twenty Questions


Fanfic / Fanfiction Orgulho e Preconceito - Capítulo 22 - Twenty Questions

Após o expediente na livraria, que passou sem muitas emoções – no meio da semana o movimento era bem pouco, principalmente na parte da tarde -, eu e Sasuke nos preparamos para ir embora. Como sempre, tiramos nossos uniformes, pegamos as mochilas e partimos. 

As ruas estavam movimentadas, com universitários transitando para lá e para cá, alguns indo para os pubs que tinham ali perto, outros para fazer sei lá o que, enfim, tudo normal como sempre. Tirando um pequeno fato. Eu estava pirando um pouquinho, bem pouco mesmo, quase nada. Assim que atendemos o ultimo cliente da noite, e preparamos para fechar tudo, a noção de que eu tinha sido convidada para dormir no dormitório de Sasuke – se era com ele, ainda não sabia -, tinha me atingindo como um raio; e então, tudo o que passava em minha mente era o fato de que estaria indo dormir no dormitório de Sasuke Mr. Darcy Uchiha, o cara que, há pouco tempo, eu repelia como uma gata feroz. 

Uma miríade de pensamentos bem estranhos começou a borbulhar pela minha mente, e logo eu estava completamente absorta neles e em minha piração interna – porque do lado de fora, eu parecia uma mulher muito rica passando uma noite agradável em Paris, sem ter que se preocupar com absolutamente nada na vida. A não ser no quanto poderia levar em seu jatinho particular. Comecei a roer a unha do dedão, que já estava bem curta, o que a deixava em evidencia em meio às demais cumpridas, como um patinho feio. 

Bem, você pode estar se perguntando o que eu poderia estar pensando, certo? Vou dizer algumas coisas, porque outras são muito improprias para uma história tão inocente e juvenil como essa. Ér. 

Primeiro de tudo, estava pensando no quarto do Sasuke. Aquele lugar tão agradável, bem organizado, com a decoração mais minimalista o possível, e... Na grande cama que era tão fofa quanto uma nuvem parecia ser. Aquela cama era realmente dos deuses, e eu queria deitar nela para sempre. Porém, sem o Sasuke. Ou com ele? Ainda estou com sérias duvidas. 

Depois, fiquei pensando no Sasuke, lógico; aquele ser humano que era uma verdadeira incógnita para mim. Não sabia bem o que ele queria comigo, além de curtir... E, bom, isso abre um leque para muitas interpretações. Ele queria apenas sair comigo às vezes, me ouvindo falar coisas interessantíssimas e de um nível de inteligência que nem todos conseguem acompanhar, ou apenas beijar meus lábios de mel de vez em quando, para tirar o atraso, já que nunca o vi com ninguém? Ele poderia apenas querer ser meu amigo colorido, como chamam, e, para ser sincera, não me importava muito com isso. Se eu pudesse pegar ele de vez em quando, já estava de bom tamanho.

Minha ultima duvida, e a mais cruel, sem duvidas, era: E se ele só quisesse minha rosa? Minha Sakurinha? Minha passarinha? E o pior! E se ele quisesse isso agora, e tinha pago a Ino só para que ela fizesse toda aquela confusão para que, assim, Temari ficasse puta e não dormisse no dormitório, e, por consequência, eu também não iria querer ficar, já que Temari era meu escu... Minha amiga? E então, ele faria o cavalheiro no unicórnio e me chamaria para ficar em seu dormitório, e, assim, ele poderia me deflorar de todas as maneiras possíveis? 

Minha nossa, cheguei até a ficar tonta com essa constatação que, sem duvidas, era a que chegava mais próxima à verdade; afinal, o Sasuke sempre foi um stalker, nisso não há suspeitas. Ainda não tenho certeza do por que, mas tenho fortes crenças de que ele tem algum tipo de fetiche por garotas de cabelos coloridos, e como eu fui a primeira a qual ele conheceu, ele desenvolveu um tipo de obsessão por mim. Então por isso que ele tinha feito tudo o que fez até o momento, inclusive fazer me apaixonar por ele, com aquele jeito sedutor darciano que ele tinha, para, assim, dar o bote! 

— No que está pensando? – como se lesse os meus pensamentos, sua voz mansa me tirou de minhas indagações; foi tão repentino que eu até me assustei.

Por um momento, tinha esquecido que ele estava ali, ao meu lado; não me culpem, afinal, Sasuke e uma árvore são praticamente a mesma coisa. Aliás, acredito que uma árvore seja menos apática. 

Engoli em seco, tentando disfarçar meu susto ao ser pega com os pensamentos na botija, e me virei para ele. 

— Nada, nadinha... Nada mesmo. – respondi rápido, soltando uma risada para lá de falsa que o fez arquear uma sobrancelha escura. Droga, ele estava percebendo que algo estava errado. Tratei de disfarçar. — Olha como as estrelas estão lindas hoje, uau, que belezura! 

Desviei o olhar até o céu, mas não perdi o revirar de olhos dele. 

— Tsc, fumou o cigarro do Shikamaru de novo, não é? – dessa vez, eu que franzi o cenho. — O céu está nublado, idiota.

Olhei para o céu com atenção e constatei, com tristeza, que ele estava certo. Maldita temporada de chuvas! 

— Mas você não precisa ver as estrelas para saberem que estão bonitas, meu filho. É igual chocolate. Você não precisa comer para saber que é delicioso. – tentei disfarçar o máximo o possível, e sabia que tinha conseguido quando ele respondeu. 

— Não concordo. – ele revirou os olhos, começando sua explicação que não me importava nem um pouco. Suspirei aliviada. — Nem todo chocolate é gostoso. 

— Bem, para mim, todo chocolate é, sim, gostoso, só pelo fato de ser chocolate. 

— Se for assim, todo livro é bom só por ser livro? Toda comida é boa só por ser comida? Toda pessoa é merda só por ser pessoa?- ele rebateu. Respirei fundo, me preparando para o que poderia responder. 

— Não, mas todo chocolate é bom. É sabido. – foi minha brilhante resposta, o que o fez revirar os olhos e me dar um peteleco (ele tinha uma mania bem irritante de fazer isso). — Aí! Vou te denunciar por agressão! 

— Você é péssima com argumentos. 

— E é por isso que não virei advogada, querido. – ergui o queixo, ouvindo o coro de “Se ferrou”  cantar em minha mente. Uma pena que não tinha ninguém por perto para ouvir essa patada linda, digna, que dei nele. 

— Ah, ótima resposta. Parabéns! – ele bateu palmas, com a cara totalmente séria, e foi inevitável rir. 

— A sua resposta para a minha resposta também não foi muito boa, então estamos quites. 

Ele revirou os olhos novamente, e eu ri da cara dele. Logo, voltamos a ficar em silêncio. Estávamos dentro do campus, e logo estaríamos no local onde os blocos de dormitórios ficavam. O nervosismo voltou com força total em mim, e eu suspirei pesadamente, sem me dar conta de que estava demonstrando minha sofrência antecipada. Óbvio que isso chamou a atenção de Sasuke.

— Está sofredora hoje, hein. – ele comentou, e quando o olhei, percebi que ele me encarava com aquelas perolas negras e tão profundas; pareciam duas Palantíri¹, impossíveis de desviar uma vez que você colocava os olhos nelas. — No que tanto pensa? 

— Já disse que em nada. – bufei, já pensando no que dizer para mudar de assunto de novo. Maldito Sasuke e sua percepção, maldita eu e meus nervosismos.

— Já sei o que é. – ele disse, depois de um tempo de silêncio. Arqueei as sobrancelhas, vendo-o dar um sorriso, no mínimo, presunçoso. Ele realmente parecia saber o que eu estava pensando, e isso me deixou em polvorosa; a cada dia que passava, a possibilidade de Sasuke ser um ser sobrenatural aumentava.

— O que é então?

— Não vou dizer. – chato como sempre, ele desviou o olhar de mim, sem deixar de sorrir. 

— Porque não sabe. – rebati, numa tentativa falha de cutucá-lo e fazê-lo me contar o que ele sabia. Só que o orgulho de Sasuke não era tão fácil de ser abalado, infelizmente.

— Porque não quero. 

— Eu sei o que está fazendo. – dei-lhe um empurrão, que sequer o moveu. Ele voltou a me olhar, com aquele sorriso de lado que fazia minha calcinha querer sair correndo.  

— O que é? 

— Não vou contar. – cruzei os braços, como uma pessoa adulta faz, e virei à cabeça para o lado contrário ao dele. Precisava diminuir o fluxo de sangue que teimava ir para as partes erradas do meu corpo, e os pensamentos cada vez mais impuros que invadiam minha mente toda vez que o olhava.

O que estava acontecendo comigo, minha deusa? Seria a doença da heroína, que nos faz ficar cegas ao ver o herói, com toda sua pompa de galã, sem sequer entender o porquê de sua imagem ficar repassando em nossa mente feito um filme? Estaria eu virando Jane Eyre, totalmente vidrada no maldito Mr. Rochester? Não! Eu preferia mil vezes ser a Elizabeth e fingir que não estava sendo afetada pelo Mr. Darcy.  

Em meio ao meu desespero contido, apenas ouvi as risadas de hiena com diarreia dele, que, na verdade, faziam meu coração bater um pouco mais rápido. Ao olhá-lo novamente, vendo seu rosto iluminado com humor e alegria, não pude evitar o sorriso. Esse homem me deixa louca, viu. 

[...]

Pouco tempo depois, chegamos ao nosso destino. Vi os prédios de bloquinhos avermelhados, todos com o mesmo tamanho, mesma arquitetura, até mesmo as mesmas rachaduras. Era tudo igual. Sasuke foi para o lado onde o dormitório dele ficava, que era o oposto do meu, mas eu precisava ir ao meu para pegar algumas roupas para trocar, afinal, tinha que tomar banho e ir para a aula no dia seguinte. Não iria fazer a caminhada da vergonha com Sasuke, nem pensar. Iria sair de lá com a dignidade de uma rainha. E para isso, precisava de roupas limpas. 

— Sasuke! Tenho que ir ao meu dormitório pegar roupas. – eu corri e puxei seu braço, fazendo-o parar no meio do caminho. Ele arqueou a sobrancelha, me encarando. 

— Pode ir, ué. 

Fiz um muxoxo, sem soltá-lo; ele tampouco tentou se soltar. 

— Vem comigo, a Ino pode estar lá apenas esperando para me matar. 

Ele apenas revirou os orbes negros, balançando a cabeça logo em seguida, sem nem tentar disfarçar o tédio. 

— É sério isso? – assenti, tentando demonstrar toda a verdade que aquelas palavras possuíam. O que? Sem Temari, eu era presa fácil para Ino e suas unhas postiças afiadíssimas.  

— Por favor! – ele bufou, embora tenha se virado em minha direção. Abri o maior sorriso que alguém podia dar, e ele, novamente, me deu a porra de um peteleco. 

— Você tem dez anos de idade mesmo.

— Tsc, não entendo por que você ainda duvida. 

Juntos, fomos em direção ao meu dormitório, com um detalhe: eu ainda estava segurando o braço dele, e ele não fez menção de se desvencilhar. 

Quando chegamos ao prédio, eu ia pedir para que ele me esperasse, mas o diabo começou a subir as escadas sem sequer me dar um segundo olhar. Fui atrás dele, claro. 

— Olha só, se a Ino falar alguma merda, ignore. Ok? – perguntei assim que chegamos à porta de meu dormitório; como vi a luz passando por baixo da porta, percebi que tinha gente lá. E como Temari iria para o dormitório de Shikamaru, só podia ser a Ino.

Sasuke deu de ombros, o que para mim não queria dizer nada, então abri a porta com cautela. A TV estava ligada, porém não tinha ninguém no recinto. Ou seja, estava ligada para as paredes, gastando energia desnecessária. Suspirei, indo em direção ao sofá, onde o controle estava, e desligando o aparelho.

— Ino é a maior gastadora de energia que você possa imaginar. – sussurrei para Sasuke, balançando a minha cabeça em reprovação. — Vou ao meu quarto e já volto. Mi casa es su casa, sinta-se a vontade. 

Me virei em direção ao corredor, pronta para ir ao meu quarto. No entanto, três passadas que dei, percebi que tinha alguém atrás de mim. Sim, era o Sasuke.

— Onde está indo? – perguntei, apesar de ser óbvio que ele estava me seguindo.

— Ao seu quarto, ué. Você já viu o meu, então é minha vez de ver o seu. – ele deu um sorriso de lado, que me fez bufar.

— Tanto faz, não tem nada de demais lá mesmo. – apesar de dizer isso, saí correndo para o quarto, pronta para dar uma olhada e me certificar de que estava tudo nos trinques. 

Não adiantou, já que Sasuke tinha pernas com o dobro do tamanho das minhas, e logo estávamos juntos em meu quarto. 

— Não repare a bagunça. – murmurei a contra gosto, percebendo que meu quarto estava um pouco desorganizado. 

Quero dizer, algumas peças de roupas estavam jogadas no chão, junto a alguns pares de tênis e sapatilhas; a cama, como sempre, estava lotada de objetos diversos que eu apenas jogava lá, e o cobertor colorido adicionava a bagunça. 

— Você é bem organizada. – me virei para Sasuke com raiva, vendo-o analisando cada pedacinho de meu quarto, sem perder nenhum detalhe com aqueles olhos de águia. 

— Não é todo mundo que tem tempo para arrumar o quarto. – rebati, caminhando em direção ao meu guarda-roupa e abrindo com cautela, para ter certeza de que nenhuma roupa despencaria lá de dentro. 

— Ah, sim. Esqueci como você era uma pessoa ocupada.

Ignorei-o e comecei a catar algumas peças de roupas; peguei tudo em uma velocidade surpreendente, e, ao me virar com o bolo em meus braços, vi Sasuke analisando algo que não deveria. Corri em sua direção, mas não antes dele ter visto toda a extensão de uma de minhas calcinhas que estavam jogadas sobre a cama. Assim que estendi o braço para pegá-la, no entanto, ele tirou de meu alcance. 

— Que calcinha bonitinha, Sakura. Bem a sua cara, todos esses arco-íris coloridos, realmente condizente a sua idade. – quase esmurrei a cara dele. Senti o meu rosto inteiro esquentar, enquanto o diabo apenas me encarava sorrindo. 

— É falta de educação pegar em calcinhas alheias, Sasuke! Me devolve! – pedi, tentando alcançar a calcinha novamente, enquanto equilibrava as roupas em meu braço. 

Ele continuou tirando do meu alcance, brincando com minha cara, até o ponto que eu cansei, joguei as roupas no chão e pulei em cima dele. Contudo, no processo de pular, enganchei minhas pernas na cintura dele, de alguma forma, e agarrei seu braço que estava para o alto, segurando minha calcinha. Puxei o tecido de seu agarre, satisfeita por ter conseguido pegar. 

Todavia, entretanto, contudo... Assim que percebi que tinha pegado o objeto, me dei conta de que os braços de Sasuke estavam me segurando pela cintura, enquanto ele me encara com um olhar indecifrável para mim, mas que mandou arrepios por todo o meu corpo. Engoli em seco, sentindo, novamente, o sangue passar por todo o meu corpo em uma velocidade surpreendente. Pela minha posição, estava um pouco mais alta que Sasuke, e o encarava de cima. 

Vi quando ele lambeu os lábios, e quando sua cabeça foi se aproximando aos poucos, enquanto seu agarre em minha cintura aumentava. Como um imã, fui atraída até ele, e logo nossos narizes se tocaram, embora estivéssemos apenas nos encarando. 

Não sei o que deu em mim, mas minha mente estava uma confusão; aqueles sentimentos, que tinham me pegado de surpresa, fizeram que eu abrisse a boca.

— Sasuke. – murmurei, sem tirar os olhos dos dele. Ele apenas continuou me encarando, e levei isso como um pedido para que eu continuasse. — Eu gosto de você.

Foi bem inesperado, estranho, mas eu não estava ligando, sinceramente. Minha mãe sempre me disse para resolver os assuntos antes que virassem uma bola de neve, e a ser direta com tudo em minha vida. Portanto, era exatamente isso que eu faria. Não me importava se o Sasuke me rejeitaria ou não me correspondesse. O que importava era por aquilo para fora, jogar a moeda do destino e esperar para ver em qual lado ela cairia.

Sasuke, ao invés de me responder, acabou com a pouca distância entre nós e selou nossos lábios. Senti, novamente, o gosto de sua boca contra a minha; uma mistura de café e chicletes de menta, que, embora fosse estranho, não era ruim. Uma de suas mãos subiu em direção a minhas costas, me segurando no lugar, enquanto a outra em minha cintura me sustentava. Agarrei seus cabelos, que estavam presos em um coque, e soltei-os, sentindo os fios passarem por meus dedos. O cheiro de shampoo dele invadiu meus sentidos, e era tão gostoso que eu queria enfiar o nariz ali e ficar cheirando. 

Senti Sasuke sorrindo em meus lábios, e não pude evitar fazer o mesmo. Quando nos separamos, ele ainda sorria. Aos poucos, me colocou no chão. 

— Eu também gosto de você. – foi o que ele respondeu, dando-me um peteleco na testa logo depois. 

Doeu, mas eu nem me importei porque, no momento, tudo o que eu pensava era: Ele me correspondia? Ou não? 

Ou seja, ainda estava mais confusa do que Anne Elliot em Persuasão. 

Enfim, decidi que não perguntaria mais nada; ele tinha me dado uma resposta, no seu jeito estranho, e eu me preocuparia com seu significado depois. 

Dei um soco em seu braço, amigável, antes de me virar e pegar as roupas que tinha deixado cair no chão. Ele me ajudou, o fofo que era. Dobrou as peças que tinha pegado com cuidado, enquanto eu apenas fazia uma bola e socava na mochila. 

— Leve essa calcinha. Achei fofa. – ele disse, e eu quase morri de vergonha, como podem imaginar.

— Vai se ferrar, Uchiha. 

Sasuke riu da minha cara, enquanto eu ia até minha gaveta de calcinhas e colocava aquela junto às outras. Depois, peguei a mochila e, juntos, partimos de meu dormitório. 

Assim que saímos porta a fora, Sasuke pegou minha mão e segurou; assim, do nada. Olhei para ele confusa, mas ele apenas me puxou, delicado como sempre. Fofo. 

Queridas, olha só, aqui começa a ruína de Sakura Haruno. Antes, eu tinha percebido que gostava dele, depois, percebi que estava apaixonada, e, agora, ele tinha dito que gostava de mim também, o que diabos isso poderia significar. Meu coração batia tão rápido, que eu achei, honestamente, que iria morrer de algum ataque cardíaco. 

[...]

Depois de alguns minutos caminhando em completo silêncio, sem nem mesmo ter alguma zoeira, o que era estranho entre nós, chegamos ao bloco onde ele vivia junto a Naruto. Subimos as escadas ainda em silêncio, e, assim que alcançamos a sua porta, Sasuke liberou minha mão. Ao lado de dentro, dava para se ouvir alguns gritos, que eu imaginei serem de Naruto. 

— Aja naturalmente. – o moreno pediu, e eu fiquei pensando: Que? 

Entramos no dormitório, e a primeira coisa que vimos foi um Naruto descabelado, enquanto se mexia ao som de alguma música eletrônica famosinha. Ele estava tão absorto no jogo, que constatei ser Just Dance, que sequer nos viu. 

Fiquei olhando, embasbacada, o loiro raio-de-sol dançando como se não houvesse amanhã; ele remexia os braços, as pernas, girava, pulava, rebolava, tudo ao mesmo tempo. Seu rosto bronzeado estava vermelho com o exercício, e a camisa que ele usava estava meio molhada de suor. 

— Naruto. – Sasuke resolveu se pronunciar, depois de ter tirado algumas fotos – ou filmado, não tenho certeza -, do loiro. Naruto, então, deu um berro.

— Oi, Sasuke! – em momento algum, ele parou de dançar. Como ele conseguia, eu não fazia ideia. 

— Naruto. – Sasuke chamou novamente, mas o loiro estava compenetrado nos movimentos de dança. — Temos visitas. 

Como a garota do exorcista, Naruto virou a cabeça lentamente em nossa direção, mirando os olhos azuis em minha direção. E então, como se um balde de água fria tivesse sido jogado sobre ele, seus lindos olhos azuis se arregalaram.

— Ju-juba? – ele gaguejou, olhando para mim como se eu fosse uma aparição. 

— Oi. – acenei, sem graça, ainda sem saber se ele estava com raiva de mim pelo almoço ou não. 

Naruto me encarou mais um tempo, antes de ouvir o som da musica a qual estava dançando parar. Então, ele desligou a tela da TV, e se virou para nós dois, que ainda estávamos parados em frente a porta.

— Sasuke. – agora ele apenas encarava o ser ao meu lado, que tinha um sorriso perverso no rosto. — Seu filho de uma égua prenha! 

E com isso, ele saiu  correndo para o quarto dele – eu imaginei que fosse -, me deixando com um grande interrogação pairando sobre mim. Olhei para Sasuke, que estava vermelho de tanto que ria. 

— O que aconteceu…? 

— O Naruto...- ele continuou rindo, tentando, a muito custo, parar. — Esse é o segredo dele. 

— Oi? – ainda não estava entendendo bulhufas, e aposto que vocês também não. 

Sasuke riu mais um pouco, antes de respirar fundo, até se controlar. Limpou as lágrimas dos cantos dos olhos, e me encarou com um sorriso abestalhado no rosto. 

— O Naruto faz parte de um grupo de Just Dance. Eles competem e tudo mais. – ele começou a explicar, enquanto ia em direção à cozinha. — Só que ninguém pode saber disso, porque, para ele, isso é muito vergonhoso. 

— Ué, por quê? 

— Sei lá, ele morre de vergonha. Quando eu descobri, ele me pediu para assinar um contrato dizendo que nunca diria isso a ninguém. – ele deu de ombros. Encheu um copo de água e bebeu um longo gole. 

— O que aconteceria se você quebrasse o contrato? 

— Não sei. Não li.

— Hm... Depois eu que sou a lunática. 

— Mas você é. 

Fomos em direção a seu quarto, e, ao chegar à porta, fiquei parada. Vi Sasuke retirando sua jaqueta e colocando nas costas de uma cadeira; ele também tirou as botas, ficando apenas com a blusa branca de mangas cumpridas, meias pretas e a calça escura. O que, para mim, tinha o mesmo efeito se ele estivesse peladão. Ele puxou as mangas da blusa branca para cima, já que o aquecedor estava ligado e estava relativamente quente lá dentro; fiquei vendo os seus lindos antebraços, cheios de veias sobressalentes e alguns pelos escuros. 

— Por que toda vez que vem aqui, hesita em entrar no meu quarto? Parece até que eu sou o próprio demônio. – desviei o olhar de seus braços para ele.

Se ele soubesse o quão certo ele estava. 

— Eu tenho a impressão de que você vai sugar minha alma se eu entrar aqui. – cruzei os braços, tentando disfarçar o nervosismo. Sasuke revirou os olhos, se jogando sobre sua cama macia e cruzando os braços atrás da cabeça.

— Posso sugar outra coisa. – ele arqueou as sobrancelhas, bem sugestivo. Senti meu rosto pegar fogo; momento mais estranho do que aquele não existe. 

— Deixa de ser idiota. – resmunguei, finalmente entrando em seu quarto. Ele sorriu abertamente, batendo na cama, no espaço vazio ao seu lado.

— Vem cá, eu te mostro. 

Ergui o dedo do meio para ele, e resolvi que era melhor ficar distante dele, pois aquele cara daquele jeito estava fazendo coisas ao meu corpo e eu podia não responder por mim. Sentei em sua  cadeira, a que ficava em frente a escrivaninha, cruzando as pernas. 

Analisei seu quarto mais uma vez, numa tentativa de desviar a atenção dele, e percebi que tudo estava como antes; nada fora do lugar, tudo organizado. Chegava a dar vontade de jogar algumas coisas no chão, só para ver se ele entrava em combustão com a desorganização. 

O silêncio reinou entre nós por um momento; eu sentia os olhos de Sasuke sobre mim, e, apesar de estar encarando o seu guarda-roupa fixamente, minha atenção estava toda nele. 

— Você parece um pouco tensa. – ele comentou, deixando tudo ainda mais estranho. Quis socá-lo. 

— É impressão sua. Estou tão confortável. – rebati, finalmente olhando-o; ele estava do mesmo jeito que antes. Passei os olhos por seu corpo brevemente, vendo que ele era bem feito. Uma parte de sua barriga branquela estava aparecendo, por estar com os braços atrás da cabeça, e pude ver um vislumbre de pelos escuros que adentravam sua calça; engoli em seco, imaginando o que poderia ter ali dentro... ÉR.

— Tira uma foto que dura mais. 

— Eu posso? – resolvi ser tão sarcástica quanto ele, e tirei o celular do bolso, já abrindo a câmera.

Em um segundo, ele estava em minha frente, tirando o celular de minhas mãos. 

Aproveitou que estava desbloqueado e começou a fuçar. 

— Devolve, Sasuke! – como tinha feito com a calcinha, ele tirou o celular de meu alcance. 

— Qual a palavra mágica? 

Revirei os olhos, pulando para tentar pegar o celular de sua mão estendida para o alto. Apesar de não ser tão baixa, Sasuke era relativamente mais alto que eu, o que só dificultava minha vida. 

— Vai se foder, idiota. – vociferei, ainda pulando. Ele clicou a língua, balançando a cabeça para os lados.

— Tente mais uma vez. 

— Sasuke, devolve, caramba! 

— A palavra mágica. 

— Por favor! - disse, por fim. Ele riu, e fez que ia entregar o celular para mim, mas assim que estendi a mão para pegá-lo, tirou de meu alcance novamente. 

E depois eu que tinha dez anos. 

Dei-lhe um chute na canela, impaciente e irritada com aquele brincadeira – não se brinca com o celular alheio! -, o que o fez mancar um pouco. 

— De novo isso? 

— Já disse que tenho reflexos desordenados. – menti, conseguindo pegar o celular. Sorri vitoriosa, soprando um beijo em sua direção.

— Você é violenta. 

Dei de ombros, e resolvi me jogar em sua cama, aproveitando que ele não estava mais lá. O colchão era realmente fofo e estava quentinho. Fiquei olhando para o teto, até sentir o colchão se mexer e ver Sasuke deitando ao meu lado.

— Você não quer me dar essa cama de presente? – perguntei, em uma forma de quebrar o silêncio entre nós dois; não que fosse incomodo, mas silêncio demais me deixava exasperada. 

Ele sorriu de lado, balançando a cabeça enquanto mirava aqueles olhos negros em mim. 

— Foi muito cara para dar de presente. 

Fiz um bico, cruzando os braços. 

— Mas pessoas legais merecem presentes legais... E caros. 

— Quem disse que você é legal? 

Bufei, dando-lhe um beliscão. Ele realmente não deixava passar uma oportunidade de me zoar. Ficamos em silêncio novamente, por um tempo, os dois encarando o teto do quarto de Sasuke. Era estranho estar deitada em uma cama com ele, principalmente estando tão próxima – ele tinha deitado bem ao meu lado. Conseguia sentir o calor que seu corpo emanava, tal como podia ouvir sua respiração ritmada. 

Olhei para ele pelo canto de olho, vendo-o imóvel, com os cabelos soltos caindo ao lado de sua cabeça, um emaranhado de fios negros em contraste com o cobertor cinza de sua cama. Ele era tão bonito. É ainda. Não morreu. Ér.

No entanto, Sasuke tinha segredos; não sei bem se eram segredos, mas ele pelo menos se recusava a me contar. Ele podia até achar que eu tinha esquecido as duas vezes em que ele me ignorou e mudou de assunto ao perguntar sobre a menina da foto do mural. Por falar nisso, meus olhos desviaram da face dele e seguiram até o objeto. Eu me lembrava muito bem da foto, então não seria difícil encontra-la em meio as outras. Contudo, não consegui acha-la. 

Ela não estava mais lá. 

Franzi o cenho, confusa, imaginando o motivo que levou Sasuke a tirar a foto de lá; seria por que eu comecei a fazer perguntas? Ou ele queria manter aquilo escondido?  Com o comichão da curiosidade me mordendo, resolvi tentar uma nova aproximação. 

— Sasuke, vamos jogar? – perguntei, me erguendo da cama e me sentando; observei-o me olhar, sem sequer fazer menção de mudar de posição em que estava. 

— Que? Nós temos um trabalho para terminar para semana que vem, garota. Não temos tempo para isso.

Revirei os olhos, me lembrando do maldito trabalho de Anko, ao qual eu esperava que ele já tivesse finalizado. Mas é claro que Sasuke não facilitaria tanto para mim. 

— Nós podemos fazer depois. Não é um jogo demorado. – ele apenas bufou, mas também não negou de cara. — Por favor! Prometo que depois disso a gente pode ficar a noite toda fazendo o trabalho. 

Ele ficou me encarando por alguns segundos, antes de revirar os olhos.

— Que jogo? 

Eu sorri, mal contendo a animação por ele ter caído em minha teia. Sasuke não perdia por esperar. 

— Vinte perguntas. Eu te faço vinte perguntas e você me faz vinte. 

— Então são quarenta perguntas. 

— Não, são vinte para cada. 

— Para que quer jogar isso? Eu tenho coisa melhor para fazer. – reclamou, também se sentando na cama. 

— Ah, Sasuke, é rapidinho. Eu só queria te conhecer melhor... Eu não sei quase nada sobre você, nem você sobre mim. 

— Sei sim. 

— Qual o nome da minha mãe, então? – rebati, sabendo que ele não lembraria.

— Hm... – ele começou a pensar, e eu já estava prendendo a risada. — Sarah? Não, espera. Começa com M... Melanie? Micaella? Não, isso não é nome de gente mais velha. Hm... Mebuki? 

Minha boca escancarou, e eu tinha certeza que meus olhos estavam arregalados. Ele deu um sorriso vitorioso ao ver minha cara de decepção, e eu quis esmurra-lo. 

— Como sabe? 

— Eu me lembro de você falando com Naruto, idiota. – ia me dar um peteleco na testa, mas eu desviei como uma ninja. 

— Foi sorte! – rebati, cruzando os braços. — Qual o nome do meu pai, então? 

Dessa vez, ele apenas deu de ombros. 

— Viu?! 

— Não importa. Vamos logo com isso. O que quer saber? 

Eu sorri, animada por ele ter se rendido. Comecei a pensar em qual seria minha primeira pergunta, já que não podia ir com muita sede ao pote, Sasuke era muito arisco para isso. 

— Qual a sua data de aniversário? – perguntei a primeira coisa que veio em minha mente. 

— Para que quer saber disso? 

— Tsc, para te fazer uma festa surpresa, lógico. – revirei os olhos, e ele bufou. — Anda, qual é? 

— 23 de Julho. – anotei a data mentalmente, para perguntar a Temari qual seria o signo dele. Dizem que signos podem explicar algumas coisas, então talvez o dele desvendasse algum mistério sobre ele. 

— Viu? Nem foi difícil. 

— Tsc. 

— Agora faz para mim. 

Ele ficou me olhando por um tempo, pensando, provavelmente, e eu estava tão feliz por estar fazendo aquilo com ele, que sequer pensei na possibilidade dele me fazer uma pergunta incomoda. Dito e feito.

— Você é virgem? 

Senti meu rosto esquentando assim que as palavras deixaram seus lábios; dei-lhe um soco no braço, mas ele não perdeu o sorriso sacana.

— Sasuke! Que porra de pergunta é essa?

— Só responde. 

Respirei fundo, contando até mil de frente para trás, pedindo a Buda, a Alá, a Jesus, a Cleópatra, a puta que o pariu para me ajudar a controlar a vontade de mata-lo. No entanto, não queria estragar o jogo, já que seria a oportunidade de descobrir alguma coisa sobre Sasuke. Portanto, juntei todas as minhas forças deboistas e respondi.

— Sim, sou. Algum problema? 

O sorriso dele aumentou tanto que achei que fosse rasgar o rosto. 

— Não, nenhum. – ele continuou me encarando como um estranho, e aquilo estava começando a me incomodar bastante. 

— Minha vez. – resmunguei, já preparada para tacar uma bomba na cabeça dele. Se ele queria ser um zé cu, eu também seria. — Qual o nome de seu livro? 

— Não tem um nome ainda. Não está finalizado. – ele deu de ombros, e eu tive que aceitar a resposta, afinal, fazia sentindo. Me preparei para mais uma pergunta constrangedora, fincando as unhas no cobertor e tentando não virar uma assassina. — Qual foi a primeira vez que leu Jane Austen? 

Ok, a pergunta me pegou de surpresa. Soltei o edredom, sentindo a aura assassina me deixar, sendo substituída por aquela agitação que eu tinha toda vez que alguém mencionava minha autora preferida. 

— Quando eu tinha uns dez anos, minha mãe me deixou de castigo. 

— Pelo que? – ele interrompeu, voltando a deitar logo depois. 

— Ah, eu tinha conversado muito durante a aula e o professor me mandou para a diretoria. Ela ligou para minha mãe, e então fiquei de castigo por duas semanas. Sem poder ver TV e jogar vídeo game, e sem poder sair para brincar com meus amigos. Ou seja, fiquei no tédio total. Sem ter muito o que fazer, resolvi ler algum livro. Porém, eu já tinha lido todos os meus, e não gostava de repetir, então fui à estante da minha mãe procurar algum novo.

“Em meio a um milhão de livros de banca de revista e romance barato, eu encontrei um livro surrado e meio estrambelhado chamado Orgulho e Preconceito. O titulo tinha chamado minha atenção, já que eram duas palavras diferentes para mim. No inicio, não tinha dado muita bola, achei até um pouco chato aquele monte de gente indo para bailes e aquele blá blá blá todo. Só fui me interessar mesmo quando o Mr. Darcy fala mal da Lizzie e ela escuta. Aí a treta estava formada, e eu adorava uma treta.”

Sasuke riu, balançando a cabeça.

— Não mudou muito, não é? – também ri, assentindo.

— Enfim, depois disso, eu engoli o livro. Li em dois dias, se não me engano, e aí estava de novo sem nada para fazer. Pedi então para minha mãe me dar outros livros da mesma autora, e logo eu comecei a ler a obra completa da Jane Austen. 

— Hm... E quem era seu personagem favorito? 

— A Elizabeth, claro. – Sasuke franziu o cenho, parecendo confuso. — O que?

— Achei que fosse o Mr. Darcy. 

— Bem, o Mr. Darcy ganhou minha afeição, mas a Lizzie foi de cara. Eu adorava aquele jeito dela de rebater todo mundo, sem se importar muito com quem estava falando. Além disso, ela colocava o Mr. Darcy, que eu achava um porre, no lugar. 

— Por que achava ele um porre? 

— Ele era arrogante, preconceituoso, se achava melhor que todo mundo, parecia que tinha uma coroa enfiada no cu. Parece até alguém que eu conheço. – sorri ao fim, vendo-o estreitar os olhos. 

— E a Elizabeth fica para trás? Ela era orgulhosa, também se achava melhor, a mais inteligente. Além disso, era egoísta, sempre colocava o bem estar dela acima do de todos. 

— Não discordo, a Lizzie era assim mesmo. Mas pelo menos ela falava o que pensava, tinha coragem e não abaixava a cabeça só por ser mulher. – rebati, sentindo que aquele assunto tinha deixado de ser sobre os personagens da Jane Austen. 

— E o Mr. Darcy só era tímido, mas tinha um coração bom, ajudava as pessoas e só queria o bem de todos. 

— Mas era preconceituoso, achava que todos eram ignorantes apenas por serem diferentes dele. E o orgulho dele mal cabia dentro do corpo; saía pelos poros. 

— E a Elizabeth não era tudo isso também? Julgava a todos sem sequer conhece-los antes, e, após a primeira impressão que teve de Mr. Darcy, demorou muito tempo para muda-la, por mais que o comportamento dele provasse o contrário.

— Umpht, e você não teria feito o mesmo, caso tivesse ouvido o que ele diz a respeito dela? É óbvio que ela não iria cair de amores por ele depois de ele ter ferido o orgulho dela. 

— Talvez ela tivesse apenas que levar em consideração o fato de que ele estava julgando-a a primeira vista, sem conhecê-la antes. Pois assim que a conheceu de verdade, mudou a opinião sobre ela.

— Pois então, se o preconceito dele não tivesse sido tão gritante, talvez o orgulho de Lizzie não tivesse sido tão forte. 

Ficamos em silêncio por um tempo, e aquele sim tinha sido constrangedor. No fim das contas, não estávamos mais falando de Elizabeth Bennet e de Mr. Darcy; Sasuke me encarou por um momento, e eu sustentei seu olhar. Os olhos dele passavam por todo o meu rosto, como se ele estivesse procurando por algo. No fim, ele sorriu novamente e pegou uma mecha de meu cabelo, enrolando-a entre os dedos. 

— Ainda bem que, no fim, tanto o orgulho, quanto o preconceito, foram deixados de lado para algo maior. – ele disse, encarando a mecha cor-de-rosa. 

Fiquei olhando-o por um tempo, até que resolvesse tomar coragem para perguntar novamente o que estava entalado. Respirei fundo e soltei as palavras.

— Quem é a garota de cabelo azul? 

Sasuke parou de mexer em meu cabelo, e olhou para mim brevemente; depois, suspirou e deixou a mão cair sobre o rosto. Mais uma vez, achei que ele fosse me deixar sem uma resposta. Continuei encarando-o, contudo, esperando que ele dissesse alguma coisa. Qualquer coisa. 

— O nome dela é Konan. – fiquei surpresa quando ele respondeu. Com lentidão, ele tirou o braço de cima do rosto, me olhando por um rápido momento, antes de olhar para o teto. — Ela foi minha primeira namorada.

Ok, eu já tinha ouvido isso de Naruto, mas ouvir de Sasuke tinha me dado uma sensação totalmente diferente. Meu estômago embrulhou por um segundo, como se ter a certeza que Sasuke já tivera uma namorada – e que ela, obviamente, importante para ele, me fizesse me sentir mal. Não sei bem o porquê, mas foi assim que me senti. 

Ele respirou fundo, antes de continuar a falar. 

— Eu a conheci na escola, ela mudou de sala e passamos a estudar juntos. Nós acabamos virando amigos com o passar do tempo, não me lembro muito bem como isso aconteceu, já que éramos totalmente diferentes. Konan era toda espevitada, falava pelos cotovelos, enquanto eu era tímido e na minha. Continuamos amigos por muito tempo, e, quando entramos no colegial, eu me declarei para ela. Então, começamos a namorar. Eu tinha quinze anos na época, e nós namoramos até o fim do colegial, quando eu tinha dezessete. 

— O que aconteceu? – perguntei assim que ele parou de falar. Sasuke suspirou, me olhando. 

— A vida. Konan sempre foi inteligente, e seu sonho era entrar em Harvard, e ela conseguiu. Entrou em Medicina. Logo que ela entrou, eu entendi o que isso significaria para nós dois. Eu a amava, de  verdade, mas era hora de cada um ir para um lado. Ela se mudou para os EUA, nós terminamos, por não querermos manter um relacionamento a distância, e eu decidi escrever profissionalmente, que é algo que eu sempre gostei de fazer. 

— Por que você não queria me contar? – Sasuke sorriu, se erguendo da cama e indo em direção ao seu guarda-roupa. Tirou alguma coisa de lá, um álbum de fotografias, acho, e voltou. 

— Bem, quando eu te conheci, uma menina de cabelo cor-de-rosa, meio bêbada, meio lunática, me chamando de Mr. Darcy, na hora lembrei de Konan. Foi inevitável, vocês são muito parecidas. – ele abriu o álbum e me mostrou uma foto.

Nela, ele e a garota de cabelos azuis, a Konan, estavam vestidos de Mr. Darcy e Elizabeth, e a Konan usava o mesmo vestido verde que eu tinha usado na primeira vez que conheci Sasuke. Os dois sorriam para câmera – Konan sorria, quero dizer. Fiquei embasbacada encarando aquela foto, sem saber bem o que dizer. 

— Ela que foi comigo, mas acho que você já sabia. – voltei a olhá-lo, e vi que ele sorria. — Ela também era pirada em Jane Austen, e foi ela que me fez ler os livros dela. Enfim, acho que foi por isso que eu acabei me aproximando de você, apesar de nunca ter te stalkeado. 

— Aham, acredito. – rebati, estreitando os olhos. — Então você só ficou comigo porque eu lembro a sua ex? É isso? 

 

Sasuke riu, me dando um peteleco na testa, que me deixou bem irritada. Mais do que deveria ter ficado. Acontece que, naquelas horas, eu já estava me sentindo o cocô da mosca voando no cocô do cabrito. Eu sabia que a garota era especial para Sasuke, afinal ele tinha uma foto dela no mural dele. Porém, saber que ela era sua ex-namorada, e que, pior de tudo, ele ainda parecia nutrir algo por ela, me deixou na bad. O que? Eu sou humana, embora não pareça, e também sinto a dor do coração partido em mil pedaços. 

Eu era apenas a substituta cor-de-rosa de Konan. Era isso, produção? 

— Não disse isso. – Sasuke, enfim, respondeu. — Eu me aproximei de você por me lembrar dela. Não que eu ainda a amasse, não se engane, Sakura. Mas Konan sempre foi minha melhor amiga, uma constante em minha vida, então não pude evitar me interessar por você. Contudo...

Ele parou de falar e se aproximou mais de mim, segurando o meu rosto em suas mãos; aos poucos, senti nossas respirações se juntarem até serem uma só. Ele encostou o nariz no meu, me dando um beijo de esquimó que seria muito fofo, caso eu não estivesse compenetrada no sofrimento naquele momento. 

— Depois de um tempo, percebi que você era diferente dela. Era mais atrevida, mais brincalhona, mais mandona, mais chata...

Tentei me afastar dele, incapaz de ficar ouvindo aquele tipo de coisa. No entanto, Sasuke me segurou no lugar.

—... Mais linda, mais incrível, mais tudo. – deu-me um beijo nos lábios, rápido, mas cheio de significado. — Você era mais, Sakura. E por isso que comecei a gostar tanto de você. 

Engoli em seco ao ouvir suas palavras; nunca antes alguém tinha me dito algo tão bonito e tocante. Na verdade, no único lugar onde eu tinha visto algo daquele tipo, tinha sido nos livros. Quando o Capitão Wentworth diz para Anne Elliot que ela trespassava a sua alma; quando Mr. Darcy diz para Elizabeth que a amava ardentemente. Eram momentos que sempre me faziam ponderar se algum dia teria aquele tipo de amor, o amor romântico. Minha mãe nunca tivera, mas sempre sonhara com um. Já eu... Não sabia o que pensar.

Enfim, naquele momento só pude ficar encarando-o como uma boba. Minha boca abria e fechava como a de um peixe fora d’água, e minhas mãos estavam inquietas, sem saber para onde irem. Ainda bem que Sasuke era tão perceptivo, e logo me arranjou algo para fazer. Me beijou, forte e com algo que ainda não tinha experimentado antes; aquele beijo estava carregado de sentimentos. 

Aos poucos, deitei-me na cama com ele por cima de mim. Suas mãos, grandes e quentes, saíram de meus cabelos e passaram para os ombros, descendo lentamente por todo o lado de meu corpo. Senti arrepios com o seu toque, e resolvi que também queria tocá-lo daquela forma. Pus as mãos em seus cabelos, puxando-os levemente, trazendo-o ainda mais para perto de mim. Uma de minhas mãos serpentearam por suas costas, adentrando a barra de sua camisa e sentindo a pele quente e macia que ele tinha. Sasuke apertou minhas pernas, fazendo-as engancharem em sua cintura, e nos levou mais para o centro da cama.

Naquela hora, eu já estava mais perdida do que o Luke Skywalker no dia dos pais, então nem me dei conta do que poderia acontecer. Os beijos de Sasuke eram tão deliciosos, que a cada novo toque eu queria mais e mais. As mãos dele subiram por minha barriga, puxando um pouco de minha blusa para cima, até chegaram aos meus seios. Senti o toque dele lá, algo que nunca antes tinha sentido de homem algum. Me arrepiei ainda mais, e uma quentura subiu em meu ventre, me fazendo apertá-lo entre minhas pernas. 

Estava tudo maravilhoso, eu não estava dando duas fodas para o que poderia acontecer, tinha até mesmo esquecido minhas preocupações anteriores sobre  Sasuke querer apenas transar comigo e só; por mim, o mundo podia explodir que eu continuaria ali, com ele, sentindo seus toques por todo o meu corpo. 

Entretanto, como eu sou a Sakura Haruno, a pessoa que deve ter cuspido, cagado, pisado, colado chiclete na cruz, algo de errado tinha que acontecer. Lógico.

E esse algo foi, melhor dizendo, alguém. 

— Ei, vamos parar com a putaria aqui hein! – Naruto gritou, assustando tanto a Sasuke, quanto a mim. 

 

 



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